História Regeneração - Capítulo 3


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Notas do Autor


Olá meus queridos S2
Aqui estou eu com mais um capítulo, espero que gostem!
Boa leitura ^-^

Capítulo 3 - Capítulo três


Senti minhas pernas vacilarem durante a corrida, minhas costelas latejavam e pinicavam cada vez mais, o medo estava assumindo meu corpo mais uma vez, não cessei a corrida em nenhum momento, assim como os passos pesados atrás de mim também não, senti uma forte pontada na costela esquerda o que me fez amunhecar e cair de joelhos, tentei me levantar mais uma vez, mas a pontada veio mais forte me fazendo grunhir em resposta.
Senti então os passos atrás de mim cessarem, não ousei virar o rosto e olhar, mesmo sabendo que ele estava logo atrás de mim, respirei fundo ouvindo o suspiro pesado, tomei impulso pra levantar e sair em disparada, mas meus cabelos foram agarrados e eu só senti a segunda pancada na cabeça, meu corpo foi prensado contra o chão e a onda de pânico de anos atrás retornaram de uma única vez para dentro de mim.
- SOCORRO.- me forcei a gritar, enquanto estapeava e arranhava o corpo em cima de mim.
- Cala boca vadia.- suas mãos prenderam as minhas rapidamente e então senti um metal gelado de encontro a minha garganta.- Ou eu te mato.
Arregalei os olhos me obrigando a ficar quieta, meus olhos se encheram de lágrimas que caiam sobre o asfalto frio. Foquei em um ponto no céu enquanto sentia aquele monstro me tocar e puxar minhas roupas, as lágrimas e soluços me consumiam cada vez mais, os pensamentos me invadiam sem dó e eu apenas revivia cada momento naquele maldito quarto. Fechei meus olhos fazendo uma prece muda, e como se Deus tivesse me ouvido eu senti o corpo grande e pesado ser arremessado para longe de mim, me virei de lado puxando minha blusa pra baixo e arrumando minha calça, graças a Deus ele não fez nada.
Sem esperar que o meu salvador pudesse vir falar comigo me levantei e saí correndo, ainda pude ver os cabelos negros balançarem com o vento, os olhos negros me olharam por um momento e isso fez meu coração se aquecer, entrei em casa e tranquei a porta com um baque surdo.
Meu coração batia no peito de maneira afoita, eu ainda sentia as lágrimas rolarem pelo meu rosto e aqueles olhos negros não saiam da minha mente, tão negros quanto a noite e mais penetrantes que uma flecha, talvez eu devesse ter ficado pra agradecer, mas eu não sabia se ele era realmente um salvador.
- Deixe disso menina, ele te salvou daquele monstro.- murmurei para mim mesma e caminhei até o  banheiro sentindo minhas costelas pinicarem pelo esforço.
Tirei minhas roupas e entrei no chuveiro, tirei as ataduras e lavei cada arranhão com cuidado, minha cabeça latejava pelas duas pancadas em um único dia, saí do banho respirando fundo, me enxuguei e me enrolei na toalha caminhando até meu quarto, minha costela esquerda tinha um grande hematoma que já pegava a tonalidade do roxo, aquela vadia tinha me batido com vontade. Passei as pomadas e tornei a enrolar fita nos braços, passei uma em volta do meu lado também, vesti uma calça moletom larga uma uma blusa do mickey mais larga ainda, não queria nada me apertando.
Tomei um analgésico e fiz um sanduíche com o último pão de forma que eu tinha, ainda mais essa. Voltei pro quarto e comecei a fazer os trabalhos de Português e Matemática que eu tinha que entregar amanhã, revisei as matérias que foram passadas hoje e adiantei o trabalho de História da semana que vem. Meu corpo já começava a relaxar devido ao remédio e isso me fazia fechar os olhos a cada linha escrita, fechei o caderno resolvendo ceder ao sono que estava cada vez maior.
Arrumei minha mochila e me enrolei na coberta, fechei os olhos fazendo uma oração e logo entrei no mundo dos sonhos.
[...]
Acordei ofegante no meio da noite, lágrimas desciam de maneira descontrolada, minha blusa estava grudada no meu corpo e meus cabelos estavam da mesma forma, aqueles malditos pesadelos não me deixavam dormir, suspirei olhando ao redor, ainda eram 3:30 da madrugada, puxei a pequena gaveta do meu criado mudo e peguei o pequeno frasco pegando um comprimido e engolindo. Voltei a deitar na cama de maneira fetal e assim permaneci até o horário de levantar. Quando o relógio despertou as 6h00min eu me levantei sentindo meu corpo inteiro reclamar, pedindo por uma noite de sono decente, minha cabeça pesava uma tonelada, eu não sabia se era devido as pancadas de ontem ou pela noite mal dormida, talvez, os dois.
Entrei no chuveiro e me deixei relaxar por alguns minutos embaixo da água quente, era como se cada músculo se aliviasse e trouxesse uma sensação de leveza e paz. Desliguei o registro me enxugando com a toalha e saindo do banheiro. Peguei uma lingirie azul simples e uma calça jeans desbotada, vesti uma blusa verde do mesmo tom que meus olhos e calcei meu all-star. Penteei meus cabelos e os prendi em um rabo de cavalo, passei um pouco de corretivo nas olheiras que já estavam arroxeadas, mas não adiantou muito, passei um gloss labial e perfume. Peguei minha mochila e fui pra cozinha, fucei nos armários procurando algo comestível, mas aparentemente meu armário estava mais vazio que minha conta bancária. Suspirei desistindo de encontrar algo para comer e peguei as chaves da porta e sai de casa, ignorei o ronco que minha barriga deu e segui até o colégio que ficava alguns minutos daqui de casa. 
Ao chegar no portão da escola ouvi os burburinhos que estavam relacionados a mim, como sempre, era óbvio que eu seria o motivo do falatório hoje, todo mundo presenciou a briga de ontem e aquele que não estava, provavelmente já soube de tudo de uma maneira bem detalhada, até porque todos querem saber das desgraças que acontecem com a bolsista.
Ignorei as risadinhas e provocações e caminhei até o bloco B, procurando minha sala, me sentei no costumeiro lugar e peguei o material da primeira aula, Matemática. Olhei através da janela e observei o jardim que estava vazio, a quadra ficava logo depois e nela era possível ver alguns alunos jogando ou batendo papo.
Desviei meu olhar quando senti um baque surdo na minha mesa, abaixei os olhos vendo grandes unhas pintadas de vermelho, fui subindo lentamente observando o braço fino a minha frente e logo então a dona dele, Karin. 
- Escuta aqui, isso não vai ficar assim.- arqueei uma sobrancelha tentando entender sobre o que ela queria dizer.- Não faça essa cara de sonsa pra mim.
Continuei imóvel analisando suas expressões que eram forçadas demais, olhei em direção da porta e essa tinha uma corrente formada por suas amigas que impedia que qualquer um entrasse ou saísse. 
- Não estou entendendo.- finalmente respondi.
- Sabe sim, você tá espalhando por aí que bateu em nós, e todos nós sabemos que isso não é verdade.- não pude conter o olhar de espanto, como assim? Eu não tinha dito nada.
- Eu não falei nada.- respondi novamente, seus olhos se estreitaram me fuzilando mais e mais.
- Qual é o seu problema hein, vadia?- sua voz carregava tanta raiva que eu não sabia como lidar.
- Olha, escuta aqui, você pode até não gostar de mim, mas eu não te dei o direito de vir aqui me acusar por algo que não fiz e ainda mais ficar me ofendendo.- bufei estressada, o que ela pensa que é? A rainha Elizabeth, com certeza.
- Olha você, se ponha no seu lugar, você sabe muito bem que quem manda aqui sou eu e não vai ser você que vai mudar isso.- respirei fundo tentando chegar ao raciocínio dela.
- Chega Karin, eu não tenho paciência para seus dramas, muito menos tempo para suas loucuras.- ela ergueu a mão com os olhos fervendo em raiva, fechei os olhos esperando o impacto que não veio, abri um olho de cada vez e o que vi fez meu coração bater desenfreado.
Sasuke segurava o pulso da mesma que o olhava de maneira espantada, coisa que até eu mesma estava.
- Deixa ela Karin.- estremeci com o tom grave e rouco de sua voz.
- Mas...- ela começou a retrucar, mas apenas um olhar de Sasuke foi capaz de cala-la.
Observei ela bufar e me deferir um olhar gélido e vingativo enquanto se virava em direção ao fundo da sala, eu sabia que isso não tinha terminado aqui. Me virei para agradecer Sasuke, mas ele não estava mais aqui, já tinha sentado no seu lugar.
Abaixei a cabeça sentindo meu coração bater de maneira apressada no peito, respirei fundo e olhei pra frente observando a professora Kurenai ajeitar seus pertences sobre a mesa, os alunos iam entrando e aos poucos ocupando seus lugares. A aula passou mais demoradamente do que normalmente ao meu ver, a próxima aula era do professor Kakashi, Literatura, ele novamente chegou no horário o que realmente começava a se tornar estranho, já que ele nunca consegue fazer esse feito.
- Bom dia queridos alunos, já tenho o tema de cada trabalho.- a maioria dos alunos reviraram os olhos enquanto ele soltava um risinho por debaixo da máscara.
Senti minhas mãos suarem e meu estômago formigar com a hipótese de fazer o trabalho com Sasuke Uchiha, ele era intrigante demais pra mim, e isso de certa forma me deixava atraída por ele, mesmo sabendo que eu não devia.
- Por favor, venham pegar um papel desses aqui, um de cada dupla.- olhei em direção ao moreno de olhos ônix, mas esse mantinha a cabeça apoiada nas mãos e parecia inerte ao mundo a sua volta.
Percebendo que ele não iria se mover, me levantei e caminhei até a mesa, mexi os dedos dentro da caixa média e puxei um papel, desdobrei enquanto voltava para minha carteira, William Shakespeare, ótimo tema pra duas pessoas que mal se falam. Voltei a me sentar e assim permaneci até o fim da aula.
Logo foi possível ouvir o barulho estridente do sinal e o arrastar de carteiras e cadeiras, observei os alunos saírem um por um. Fixei meus olhos no jardim assim que o último aluno se retirou, o jardim já ficava mais cheio com o vai e vem dos alunos. Suspirei puxando o pequeno pedaço de papel que estava no bolso detrás do meu jeans. Eu devia falar com ele? Ou era melhor esperar ele vir até mim? Aliás, o trabalho não era só meu.
A dúvida permanecia na minha cabeça, sem paciência me levantei e sai porta a fora, iria até o refeitório procurar o dono dos olhos mais intensos que já vi.
Adentrei as grandes portas de madeira e varri o grande salão com os olhos, percebi que alguns me olhavam de maneira curiosa, outros de maneira irônica, não dei importância, afinal não era comum me verem fora da sala de aula.
Encontrei enfim a mesa que procurava, estava lotada como sempre, me aproximei de maneira cautelosa, não que eu tivesse medo ou algo do tipo, mas eu não gostava da forma como todos me olhavam. Assim que me aproximei vi os olhares se voltarem para mim, por instinto encolhi os ombros segurando a manga da blusa de maneira firme. Os cochichos começavam a ganhar proporção e com isso minha coragem e força de ter vindo até aqui foi morrendo aos poucos e logo eu já tinha assumido a posição de garota indefesa de novo, como eu odiava isso.
- Eu... posso falar com você Sasuke?- perguntei sentindo minha garganta arranhar conforme ele me olhava de maneira enigmática.
- Grande Uchiha, nem a bolsista escapou, seu gosto anda duvidoso ultimamente.- meu coração apertou com tais palavras, eu sabia que não era digna de um Uchiha, mas seria eu um ser tão desprezível assim?
- Fique quieto Suigetsu, você sabe muito bem que meu gosto não decaiu.- seus músculos retesaram ao terminar a frase, assim como meu coração foi espremido ao ouvir aquelas palavras saírem de sua boca.
- Eu...- as palavras sumiam de minha boca, o que me deixava mais patética ainda na frente deles.- Só queria saber quando você prefere fazer o trabalho.
Seus olhos analisaram meu rosto, e uma careta surgiu ao parar no canto dos meus lábios, depois em meus olhos e por fim na minha testa. Fechei os olhos imaginando se eu era tão ruim assim, que era digna de caretas apenas ao me olharem, apertei com mais firmeza as mãos em torno da blusa, coisa que não passou despercebida por eles.
- Tanto faz, o trabalho é pra daqui três semanas.
- Mas o trabalho é longo e eu pensei que..
- Será que você não percebeu que está atrapalhando bolsista? Sai daqui.- Karin se pronunciou pela primeira vez com ódio no olhar.
- É melhor você sair Haruno, depois eu falo o dia que posso fazer o trabalho.- mordi os lábios em descrença, porque achei que ele iria me defender novamente? Tolice.
- Tudo bem.- forcei me a responder e virei de costas pronta para sumir de suas vistas.
Dei apenas dois passos e percebi que nem sempre as coisas são como nós queremos e eu estava sendo novamente humilhada na frente de todos, fechei os olhos controlando as lágrimas que vieram e olhei em direção aquela mesa, onde pude ver o vislumbre de um sorriso nos olhos de Karin, eu estava no chão perante ela, novamente.
 


Notas Finais


Morrendo de ódio da Karin? É eu entendo vocês, da vontade de entrar pela telinha e dar um soco bem dado na cara dela kkkkk
E o nosso Sasuke? Confuso se deve ou não odiar a nossa Sakura? Quem sabe....
Deixem suas opiniões ai embaixo, vou adorar ler todas elas!!!
Beijinhos e até o próximo...


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