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História Registro - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Quinze pras três


22/03/2020 - “QUARENTENA”.

 

    Gostaria de, primeiramente, não ser hipocondríaco. Dessa forma, não estaria tão assustado por algumas coisas que têm acontecido. Gostaria, também, de não ser supersticioso, assim eu não pensaria que o mundo está acabando. Gostaria de ver meus amigos, porque percebi a imensa dificuldade que tenho de ficar sozinho, parece que vou enlouquecer. Morro de medo de enlouquecer. Um dia me perguntaram qual é o meu maior medo e eu tive que listar: tenho medo de morrer com alguma doença; tenho medo de morrer de um modo trágico e violento; tenho medo de perder os meus pais e os meus amigos; tenho medo de barata, muito muito medo de barata; tenho medo de andar na rua sozinho depois da meia noite; tenho medo de ficar completamente sozinho; tenho medo de dirigir; tenho medo de me perder em um lugar que eu não faça a mínima ideia de como me achar; tenho medo de ter diarréia em público; tenho medo de enlouquecer. Bem, aparentemente, tenho mais medos do que não medos. Eu não sei qual é o antônimo de medo. Coragem, talvez? Não sei, não sou corajoso.

    A questão é que, de tudo, o meu principal medo, além de o de morrer de uma maneira trágica, é o de enlouquecer. Isso porque, então, ninguém vai poder me salvar de mim, não há socorro que eu peça que poderá livrar-me de mim. Ficar sozinho me faz pensar que eu vou enlouquecer e, talvez, se eu amasse alguém de verdade não estaria desse jeito tão abitolado em mim mesmo. Percebi que gosto de amar e gosto de sofrer, porque assim minha mente e coração ficam preocupados com outras questões que não sejam sofrer por mim, sofrer pelos meus medos. O amor te traz um certo tipo de coragem que as pessoas covardes como eu não são acostumados a ter. O amor tem seus resquícios e é dilacerante, mas se eu for perseverante o bastante, acho que ele passa. Eu não passo. Enquanto eu não morrer, eu não passo. Conviver comigo é definitivo. Preciso me amar. E amar meus medos. Só não sei como me amar quando um dos meus medos sou eu mesmo. 

    Acho que só estou muito emocionado com tudo isso. Eu gostaria de saber se, para cada emoção, existe um espírito. Quais seriam os formatos dos espíritos das minhas emoções? Elas me acolheriam como me obrigam a acolhê-las? Um dia, ele me disse que eu entenderia o significado daquelas palavras, o significado daquele amor, mas já não sei. Não sei por onde começar a entender, não sei mais por onde começar a amar. Eu sinto que estou enlouquecendo, porque todos os meus medos estão se juntando nesse período de mim comigo mesmo: estou perdido. Tenho medo de me perder. Há alguma forma de entender o significado da vida? Ela é brilhante, de alguma forma estranha. Estamos todos perdidos, na verdade. Cada um segue uma estrada, mas cada estrada leva a um fim. O futuro me amedronta. E, ainda sim, é brilhante também. 

Bem… Agora que não amo ninguém, só me sobrou o vazio. Pois que fique registrado, então.

 


Notas Finais


lavem as mãos e n saiam de casa


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