1. Spirit Fanfics >
  2. Regras do Escuro >
  3. Era para outras pessoas terem ganhado, mas eu faço isso...

História Regras do Escuro - Capítulo 8


Escrita por:


Capítulo 8 - Era para outras pessoas terem ganhado, mas eu faço isso...


-Coraline, que bom que acordou – Cheshire falou – precisamos discutir um plano.

Eu não me mexi, continuei olhando cada um dos personagens. Parei no Chapeleiro, ele sorriu de volta.

-Caraca moleque! É o Johnny Depp! – dei um salto de felicidade e bati palminhas – o que você está fazendo aqui?

O Chapeleiro riu, aquela risadinha doida e engraçada.

-Não sei de quem está falando, mas tem nome engraçado – ele riu mais.

Fiquei um tempo em silêncio profundo analisando aquela mesa. Realmente, agora, eu tinha desistido de perguntar sobre atores e diretores da vida real, aquilo era constrangedor.

Pensei por uns instantes no que o gato havia falado. Dei um salto e comecei a andar em direção a mesa.

-Mas vocês não tem um plano?

-Não – o Chapeleiro riu – você deveria ter um plano.

Arregalei os olhos para ele. Wybie entrou correndo por uma porta enorme que tinha ao lado da pequena. Amaldiçoei-me mentalmente por não ter visto aquilo.

-Precisamos de uma reunião de emergência! – ele gritou – chamem todos os personagens!

Cada um olhou para o lado e assim perceberam que estavam todos lá. Wybie ficou rosado de vergonha. O que foi fofo. E eu revirei os olhos e dei risada.

T-Dlee estava me encarando desde o momento em que havia pisado naquela sala. Já, eu estava a ponto de jogar uma faca de manteiga no olho dele. Aquilo era irritante.

Assim que me sentei à mesa ao lado do Chapeleiro Cheshire deu inicio a nossa reunião. Foi a pior coisa que podiam ter feito, pois se eu achava as coisas daquele lugar malucas, as ideias que saiam das cabecinhas deles eram piores.

-Coraline poderia chama-la para um desafio de dança descolada – Mallymkun disse dançando em cima da mesa – ou podiam fazer um caraoquê.

-Oi? – perguntei assustada, mas ninguém pareceu me ouvir.

-Um desafio de tomar chá. O que acham? – essa ideia tinha que ser da Lebre de Março.

-Acho que fumar o chá é mais divertido – Absolem deu sua opinião lentamente.

-Podíamos propor um desafio de mimica ou imitação – T-Dum falou.

Eu não conseguia acompanhar o fluxo de ideias deles, eram muitas ideias malucas e sem noção para poucos bichinhos.

-Que coisa idiota T-Dum – Mallymkun deu risada – é claro que até fumar chá é melhor que isso.

-Fique quieta sua rata intrometida – T-Dum ficou nervoso, o que de certa forma foi engraçado – ninguém quer saber sobre danças bizarras.

A Lebre de março deu uma risada alta o que despertou a fúria da ratinha. E dai para frente começou uma confusão dos diabos. Um gritava com o outro e ofendia as ideias propostas.

Olhei para o Chapeleiro que estava rindo. Ele era mais bonito que o Johnny Depp, isso eu tinha que admitir. O cutuquei.

-Sim.

Só pelo fato de ele ter a língua presa e falar diferente era motivo o suficiente para eu querer tranca-lo em um potinho.

-O que acontece se a Rainha Vermelha vencer?

-A escuridão.

Seu rosto ficou sombrio quando disse aquilo, como se já tivesse vivenciado isso antes e não quisesse lembrar. Um arrepio subiu na minha espinha. Será que essa tal de escuridão era a noite eterna?

Eu estava em um devaneio pensando sobre nada quando percebi que T-Dlee ainda me encarava. Sem paciência revirei os olhos e mostrei o dedo do meio para ele.

A Lebre de Março já estava mais do que exaltada de raiva, já que T-Dum e Absolem haviam julgado mal sua ideia do chá. Então ela apenas pegou um saleiro e atirou no hippie, que revidou com um molho que estava posto no centro da mesa.

T-Dum havia sido mais esperto e tinha passado por uma porta estilo bar de faroeste e voltado com duas tortas, acho que lá era a cozinha. Raciocinei depois de ver Mallymkun indo para a cozinha que aquilo viraria uma horrível guerra de comida. Puxei o Chapeleiro para baixo da mesa.

-Me explique essa coisa de escuridão. O que é isso?

O olhar dele ficou escuro novamente, sua voz ficou mais grave e assustadora, quis sair correndo dele, mas então percebi que eram lembranças.

-Dá primeira vez foram mais de dez anos. Já achamos aquilo uma eternidade. Dá segunda vez foram quarenta.

-Aconteceu duas vezes? – perguntei muito confusa.

-Aconteceu, e vai acontecer pela terceira se você não vence-la.

Esperei uns segundos para que eu pudesse entender algumas coisas. Enquanto isso se ouviam pratos se quebrando e muitas vozes gritando.

-Então duas outras pessoas já tentaram ganhar dela e não conseguiram? – ele fez que sim com a cabeça – uma delas é a Alice.

-Exatamente – ele deu um sorriso triste – depois de perderem elas foram embora daqui e nunca mais voltaram.

Fiquei olhando aquele rostinho triste e sombrio. Não parecia o mesmo Chapeleiro. Há poucas horas eu achava que aquilo não passava de uma maluquice da minha cabeça, mas eu nunca teria sensibilidade de criar personagens assim, tão únicos.

-Você deve desafia-la de alguma forma – ele me tirou dos pensamentos – e tem que ganhar, não tínhamos mais dias divertidos como hoje.

Dou um sorriso triste. Eu não queria fazer aquilo, mas eu sabia que tinha.

-A Escuridão na verdade não são as consequências de perder o jogo. A Escuridão é o próprio jogo.

Aquilo me confundiu um pouco.

-Como se joga isso então?

-Ninguém sabe Coraline. Ninguém nunca ganhou.

Ele saiu de debaixo da mesa, mas continuei sentada no chão frio pensando. Como ninguém ganhou, era sinal de que ninguém nunca soube jogar. Eu precisava das regras. Das minhas Regras.

Sai de debaixo da mesa em um pulo e com toda minha empolgação bati a cabeça na mesa. Fez o maior barulho e doeu um pouco. Ok, doeu muito. Mas pelo menos com isso todos ficaram quietos.

-Eu tenho um plano – falei alto o suficiente para todos me ouvirem – vou desafiar a Rainha no seu próprio jogo. Eu vou jogar A Escuridão.

Se causar um impacto era o que eu queria, meu objetivo tinha sido atingido com sucesso, pois todos me olharam de boca aberta e com medo nos olhos.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...