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História Regressive Infection - Capítulo 32


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Notas do Autor


Aqui estou, como prometido XD

Bom, eu falei que postaria hoje e é hoje até meia noite, faltar apenas quinze minutos para isso é um detalhe kkkkk

Estou caindo de sono e amanhã trabalho, então não vou me estender muito. Agora as coisas estão voltando a programação normal na história e seguimos.

Corrigi, mas pode ter ocorrido de erros passarem (o que me faz agradecer por terem apontando os erros da última vez, não se acanhem, estão me ajudando a melhorar a história, sério) e pelo sono posso ter errado o que estava certo kkkk

Espero que gostem.

Capítulo 32 - Parte II - Heartfilia V


Por anos, o processo de julgamento de Igneel Dragneel se tornou um verdadeiro circo. O que havia sobrado da fortuna após o processo milionário, foi gasto em advogados. Tudo em vão, se o mundo era sobre quem mais poderia pagar, Jude sempre sairia na frente.

E Lucy pouco se importava enquanto caminhava pelo fórum para dar seu depoimento.

Usava roupa rosa porque os advogados do pai acharam que iria trazer mais apelo e estava sem Virgo. Seguranças a escoltavam de forma que ela nem mesmo havia notado a quantidade exagerada de repórteres na entrada. Os gritos, os microfones e a câmeras não a fizeram mudar um milímetro de expressão.

Caminhando pelo ambiente bem menos tradicional e americano do que nos filmes e bem mais cinza e sem vida do que uma criança de onze anos poderia imaginar, foi inevitável que uma cor chamasse a sua atenção. A família Dragneel era tão colorida.

Deixou que os olhos caíssem sobre os três, a matriarca com um terninho palha de alta costura, a filha mais nova, Áries com os olhos vermelhos de tanto chorar e o mais velho, Natsu vinha em sua direção, afobado.

Ele era afobado. Por um momento um milimétrico sorriso surgiu, da última vez que havia o visto ele estava sendo arrastado da sala por um professor por ter contado piadas que para ela, uma completa apaixonada, eram hilárias.

Agora ele não parecia disposto a ser engraçado.

- Luce. – a voz esganiçada do pre-adolescente se fez presente chamando a atenção. Todos se referiam a ela pelo sobrenome, mas por algum motivo, Natsu se achava diferente e depois de um tempo, mais que acostumada, ela gostava. Não ser apenas Heartfilia era... Bom. As mãos dele foram até seu braço e era a primeira vez que tinham algum contato ou trocariam quaisquer palavras.

Lucy sabia o que sentia, mas mais do que qualquer coisa, sabia o que tinha que ser feito.

- Meu pai. – os seguranças se moveram, ela ergueu a mão pedido que esperassem. Não havia emoção no rosto, em contraste com Natsu, que a expressão era uma janela de sentimentos, Lucy era uma pedra de gelo. – Ele... Ele é inocente! – era uma pergunta, uma suplica e uma afirmação. A mãe e o advogado dos Dragneel vinham em sua direção para arrastar o garoto para longe. Olhos esbugalhados e desesperados.

Lucy apenas piscou algumas vezes enquanto encarava os olhos do garoto. Abriu a boca para dizer o que era do seu script, não conseguiu. Ele precisava daquela confirmação e a ela... Ela já havia os destruído tanto.

- Sim. – murmurou no momento que a mãe havia colocado as mãos nele e o puxava. Os olhos negros se iluminaram de alegria e esperança. – Eu sei que ele é. – ao completar, conseguiu assistir, inexpressiva, o garoto gargalhar de alegria enquanto era afastado.

Por um momento o coração doeu enquanto o observava ele se unir a irmã e confirmar que o pai era inocente com um enorme sorriso. Ele jamais iria imaginar que após ter o dito que sabia da inocência de Igneel, Lucy acusaria o homem de assassinato e sequestro perante o juiz.

.

Quando despertou estava sentindo a cabeça pesar de forma assombrosa. A primeira coisa que notou foi sua cama. Estava dormindo em sua cama. Então a mente precisou trabalhar para lembrar-se dos acontecimentos anteriores. Não gostou do que lembrou e gostou menos ainda de ficar decepcionada por não ver Natsu ali, com ela.

Ele disse que ficaria!

Correu os olhos pelo quarto e então observou o obvio. Alguém havia retirado o corpo do pai dali e tudo o que ela conseguia ver era a imagem de sua família feliz. Um suspiro de tristeza saiu de seus lábios antes que se erguesse. Estava apenas de roupa intima e o frio que sentia poderia ser por isso, então pegou um roupão vermelho de frio que estava guardado no armário, aproveitando também, para tirar o bustiê que vestia.  Fazia tudo lentamente, se mover parecia doer.

Não era físico, se fosse provavelmente seria melhor.

- Onde está indo, Blondie? – Sting saia do banheiro a encarando, seu rosto estava serio e duro demais.

- Não sei. – murmurou um pouco perdida e deixou a peça de roupa intima cair no chão. O loiro observou, mas nenhum comentário saiu de sua boca. – Onde está o resto?

- Lá embaixo. – ele caminhou até a cama e sentou, embora a porta estivesse mais próxima de Lucy, ela resolveu voltar e sentar ao lado dele.

- O que foi? – perguntou, mas na verdade não queria saber, não sabia o que viria, mas sabia que não eram noticias positivas.

- Bom – suspirou. – Aconteceram muitas coisas enquanto você dormia. – admitiu. – Erza, Natsu e Gajeel tentaram ir até a cidade, mas demoraram demais a achar o portão, sua casa é enorme Blondie! – se jogou na cama deixando parte do corpo deitado. Observando as cobertas, era possível notar que ele estava deitado antes também, possivelmente Lucy havia acordado com a movimentação que ele causou ao sair.

- Não me chame de Blondie. – pediu sorrindo de leve, não porque se importava realmente, mas ele sim e ela não queria trazer preocupação a mais ninguém. Como resposta observou um sorriso surgir no loiro.

- Hm, tanto faz. – segurou a mão dela. – Quando acharam estava escurecendo. – voltou a falar, o olhar perdido. – Mas eles disseram que conseguiram avistar mais a frente algumas pessoas. – a encarava fixamente. – Mas sabe? Não eram pessoas realmente. – o tom indicava o que era. – E nem infectados, eram corpos, aos montes.

Lucy cerrou os dentes por alguns instantes. Próximo a sua casa ou ao menos o mais perto de sua casa, era a Diretoria, o bairro de funcionários, o local onde moravam Wendy e Rogue, onde morava Gray e sua família. A loira não precisava pensar para saber o que tinha ocorrido. Ela não tinha a capacidade de pensar, apenas deixou a informação e a guardou, em outro momento processaria tudo.

- Alguém saiu? – não tinha nenhuma expressão definida no rosto. Preferiu não sentir nada, porque sentir naquele momento seria fatal.

- Não, Erza não deixou ninguém sair por segurança. – explicou fazendo a loira mover a cabeça positivamente.

- Talvez tenham se enganado. – murmurou qualquer coisa, não tinha nenhuma capacidade de ser positiva, não mais. Sting sorriu, um sorriso desesperado, quase uma gargalhada sem som.

- Acabou Lucy. – fechou os olhos e respirou fundo. – Acabou o tempo que tínhamos para fingir. – era um desabafo. – Eles podem ir lá fora, mas eu sei o que vão encontrar e isso não é ser pessimista! – ele parecia saber qual a sua opinião.

- Não sei o que pensar. – admitiu, a mente ainda estava confusa demais.

- Que o mundo acabou e estamos todos fudidos! – ele gentilmente explicou enquanto brincava com os dedos dela. Lucy nada respondeu, porque sinceramente, embora não nestas palavras, concordava com ele. – Natsu me contou sobre você ter quase se matado. – agora a seriedade estava de volta. – Estamos fazendo um revezamento aqui, para que você não tente novamente, se acostume a ser acompanhada por um bom tempo. – a puxou para que ela se deitasse ao seu lado.

- Não foi meu melhor momento. – admitiu assim que as costas bateram no colchão macio.

- Ainda sente vontade de morrer? – questionou entrelaçando os dedos com os dela.

- Não sinto vontade de viver. – foi sincera com ele, encarando o teto. – Não sei o que me resta agora. Tudo o que eu queria se foi e o mundo como parece estar, ele não é agradável nem para pessoas fortes, imagine para mim. – estava com medo e prestes a chorar. Sentia-se fraca e desesperada. Era como estar presa dentro de um pesadelo sem fim, o que se pode fazer quando chorar e clamar por socorro não adianta?

- We've got to hold on ready or not, you live for the fight when that's all that you've got – o loiro cantarolo e ela o encarou. – Conhece? É Bon Jovi, um clássico. – o sorriso dele era sincero. Algo estranho de se ver no rosto do loiro.

- Não sabia que gostava de Bon Jovi. – ela não ouvia muito, na realidade só conhecia a musica porque ele estava certo, todos conheciam.

- Minha banda fazia alguns covers. – fez pouco caso.

- Não sabia que tinha uma banda. – rebateu.

- E o que você sabia sobre mim, em? – questionou erguendo a sobrancelha que havia ganhado a cicatriz. A cicatriz ficou bela nele, até seus defeitos pareciam belos, algo não era normal em Sting e sua perfeição. Algumas vezes Lucy conseguia entender porque ele era conhecido como o único capaz de chegar à Heartfilia.

- Que quer ser jogador de futebol. – disso todos sabiam. – Que iria se mudar para jogar em um time profissional. – continuou e ele fez um sinal positivo.

- Eu tinha uma banda também, só que ela era ruim demais para ser de conhecimento geral. – explicou a fazendo sorrir. – Sabe cantar? – questionou.

- Não. – a resposta veio rápido.

- Ótimo, então cante comigo! – o sorriso dele era impagável. Era apaixonante.

Lucy cantou.

 

- Podem até procurar, mas não existe isso de silenciador, é invenção de Hollywood. – Lucy afirmou quando entraram na pequena edificação de dois andares na cor branca. Deixou com que todos passassem à sua frente e então entrou por último, fechando a porta.

O local de treinamento. Era difícil voltar ali. Onde aprendeu a atirar bem, bem o suficiente para matar os pais. Se existisse um lugar que tinha boas lembranças era aquele, mesmo assim, parecia um pesadelo voltar.

- Vejam se tem revolver, vão ter mais facilidade. Duvido que aqui tenha espingarda ou armas do gênero. – Natsu parecia estar no comando de Erza, Gajeel e Sting. Os quatro sairiam deixando apenas Gray e Lucy para trás. Os machucados que não poderiam correr risco e ainda alguém para ficar ao lado dela, impedindo que se matasse ou tentasse. Mas dos quatro, apenas Natsu sabia algo sobre armamento.

Mesmo assim não muito. Lucy notava pela forma que ele parecia confuso com alguns detalhes das pistolas. Igneel parecia ter ensinado mais a ela do que ao próprio filho.

- Um silenciador é aquele cano de metal que tem nos filmes, certo? – Sting estava mais confuso do que poderia com duas pistolas negras na mão. Se estivesse carregada Lucy estaria temendo que ele desse um tiro em si mesmo.

- Tem certeza que eles devem levar alguma arma? – Gray questionou parado ao lado da loira. – Sinto como se fosse mais perigoso colocar isso na mão deles do que os mandar para um lugar infectado. – o moreno não sabia como estava certo. Lucy, contudo tinha uma pequena dimensão da gravidade. Colocar uma arma nas mãos de uma pessoa que nunca atirou era suicídio. Talvez animados com as ideias de filmes onde os protagonistas matavam todos com uma arma de balas infinitas, eles se sentiam mais seguros assim, contudo, não havia nenhuma segurança quando não sabiam nem mesmo destravar uma pistola.

- Concordo, tenho que falar com Natsu. – já tinha pensado nisso desde que acordou e Gajeel disse que iriam sair para a cidade armados. Isso porque o rosado parecia estar liderando a ideia. O problema vinha da coragem de falar com ele. Depois da cena que ela julgava patética no banheiro, pensar em falar com ele já a causava certo pânico.

- Algum problema nisso? – Gray perguntou fazendo a loira piscar os olhos. – Se está com medo dele te tratar mal, eu vou com você. – ofereceu e ela fez um sinal negativo. Não era mais esse o problema.

- Não, pode deixar. Eu vou. – garantiu.

- E quando voltarmos, acha que pode me ensinar a mexer em uma destas. – pegou uma arma, a maior que encontrou, e sorriu.

- Não sou tão boa com essas. – avisou erguendo os ombros. – Posso te ajudar no que sei e depois aprendemos juntos sobre essas. – sugeriu e ele fez um sinal positivo enquanto voltava com a arma para o local.

- Essas são mais masculinas. – foi tudo o que Gray falou a fazendo sorrir.

Lucy não respondeu, apenas caminhou pela sala de armas onde cada um do grupo parecia entretido. Não levavam realmente a sério. Viam tudo com olhos de turistas, crianças diante de um novo brinquedo. Se esqueciam que poderiam matar. Quando não se entende a gravidade do que uma arma pode fazer, é melhor não usar. Ela havia aprendido isso da pior forma possível.

Natsu, mostrando ter um pouco mais de conhecimento, era o único que estava na área da sala em que ficavam as munições e verificava a quantidade que levaria. O restante não iria conseguir identificar o calibre. No momento, não conseguiam nem mesmo se conter e parar de fazer pose de policial com as armas e falar frases clássicas de filmes.

- Alguma coisa para falar comigo? – ele questionou ainda de costas para ela. De todos os garotos, Natsu era o único que não quis continuar com a roupa de Jude, por isso estava com a blusa cinza manchada e a calça jeans. Lucy pensava que as costas largas do garoto ficavam bem na blusa cinza de pano fino, sempre foi fina assim ou o que havia passado com ela deixou-a desta forma?

- Sim, bem, sobre irem armados. – ela sentia como se ele nem mesmo estivesse ouvindo, a atenção para achar a munição era tão grande. – Não acho que seja prudente deixar que eles levem armas para lá sem nenhum treinamento ou capacitação. Armas são muito perigosas nas mãos de quem não sabe manusear. – falou, mesmo que sentisse que era inútil.

- É algo que você sabe bem, não? – questionou se abaixando.

- Bem... – engoliu seco. Era uma acusação que ela não esperava. Deveria ter esperado, considerando que se tratava de Natsu, mas de ficou surpresa. – É... Eu acho que... – estava quase hiperventilando quando o rosado a encarou.

- Não estou me referindo a nada. – cortou o pensamento dela. – Já te afirmei a minha opinião, acredito que estamos resolvidos. – estava mais calmo do que ela poderia imaginar, não sabia se era real ou fingimento, mas ficou agradecida por ele agir de maneira normal após tudo. – Seu nome era comum lá em casa, meu pai não casava de se orgulhar do quão boa era e do seu talento nato. – explicou oferecendo a pistola para ela. – Sei que foi treinada por ele.  

Por alguns momentos ela o encarou um pouco em choque. Natsu provavelmente estava certo sobre o quanto o pai falava dela, porque ele havia pegado a pistola que ela treinava com Igneel e a oferecia. Por alguns momentos lembrou-se do homem e sentiu culpa.

- Pode deixar ai, estou farta de armas. – sussurrou dando um pequeno passo para trás.

- Imagino. – concordou, mas acabou segurando a mão dela e colocando a pistola. – Mesmo assim, fique com ela, Gray não está em condições de se proteger, se estiver armada e com a arma que sabe bem manusear pronta para uso, vou me sentir mais seguro em te deixar aqui. – soltou a mão da garota deixando a arma.

- Obrigada. – ela não sabia como agir quando não queria, mas as mãos já se agarravam ao metal como se sentissem saudades. Balançou a cabeça afastando os pensamentos. – Mas, sobre as armas e as pessoas que não sabem usar. – mudou o assunto.

- Não foi ideia minha. Gajeel já estava com a pistola quando fomos até o portão ontem, eles vão leva-las de todas as formas, se sentem mais confiantes assim. – não parecia gostar também. – Você já tentou convencer a Erza a voltar atrás em uma ideia? – questionou.

- Imagino que não seja tão difícil. – ponderou e ele riu em descrença.

- É impossível, eu tentei e ela quase quebrou meu braço. – ergueu o esquerdo. – Ainda está doendo, não sei se por tudo o que ocorreu ou qual o problema, mas ela está mais instável e irritadiça a cada dia. – afirmou ao notar o rosto não muito convencido dela.

- Tentou não gritar e sim usar a logica? – questionou desconfiada. Natsu apenas ergueu uma sobrancelha e fungou uma risada.

- Tente, mas se ela resolver ser agressiva com você, não pense que alguém aqui tem culhões pra impedir. – avisou pegando uma pistola e olhando as demais munições. Ao dar as costas para ela, estava deixando claro, a conversa entre ambos estava acabada.

Lucy desistiu, a conversa entre ambos havia sido inútil, embora mais produtiva do que ela de fato tivesse imaginado. Quando se tratava de decisões deveria falar com Erza, ninguém mais conseguia definir algo no grupo. O problema era falar com a garota sobre não levar armas quando a mesma já tinha uma na calça legin preta que vestia. As demais roupas de Lucy eram muito apertadas para a ruiva.

- Erza, precisamos conversar. – a loira tentou ser firme e pareceu ter conseguido, pois a ruiva a encarou.

- Algum problema Lucy?

- Sim. – afirmou encarando a mesma. – Sobre vocês e essas armas. – explicou fazendo a ruiva franzir a testa. – Não sabem usar isso, têm certeza que querem levar? – questionou seria.

- Hum, no momento certo saberemos usar para proteger nossas vidas. – ela tinha certeza disso.

- Podem acabar com suas vidas se levarem. – foi enfática erguendo a mão para a ruiva. – Me dê sua arma. – pediu e após um olhar duro da garota a pistola prata estava em sua mão. – Veja só Erza, podem acabar atingindo um ao outro sem querer; para matar essas coisas vocês precisam ter mira para acertar a cabeça, ou seja, uma boa mira e vocês não possuem isso; podem atirar em uma destas coisas para se proteger, mas acabar trazendo outras cem para perto devido ao som de um único tiro e o pior; podem confiar suas vidas nelas e acabar notando em cima da hora que estão levando uma arma sem munição. – mostrou a pistola para a companheira, estava descarregada e por pouco Erza não a levaria assim.

- Ou podemos morrer porque não temos uma destas belezinhas. – Gajeel tinha um rifle nas mãos. Lucy tentava entender qual o sentido dos seguranças do seu pai terem tantas armas diferentes. Se lembrava que na época de Igneel essa variedade existia, mas poderia contar facilmente quantas armas de maior calibre havia no estoque. Agora tudo parecia como se estivessem prontos para uma guerra. Eram numerosas e algumas poderosas demais.

- Muito ajuda o que não atrapalha. – rebateu firme. – Estou falando isso porque estou preocupada com vocês, uma arma é algo perigoso. Muitas vezes é tão fácil conseguir controlar, depois de um pequeno movimento com o dedo, não é possível voltar atrás.

- Sabemos disso e vamos prestar bastante atenção. – Erza segurou nos ombros de Lucy e sorriu para a mesma. – Pode ficar despreocupada porque vamos levar tudo o que está dizendo em conta, mas não é questão de debate. – ali estava o sorriso de quem diz que é muito bom que não seja contrariada. – Agora vamos, me ensine pelo ao menos colocar balas nisso. – decidiu fazendo a loira suspirar.

- Ok! – concordou não muito disposta, mas sabendo que não conseguiria os convencer do contrario. Quando seus olhos se encontraram com os de Natsu, o que ela conseguiu notar foi o sorriso cumplice e vitorioso dele e embora fosse um sorriso vitorioso para cima dela, Lucy conseguia visualizar o primeiro sorriso que o rosado, em uma situação normal, lhe dirigia.

 

- Tem certeza de que quer ficar aqui? – ela questionou quando Gray se recostou no carro. Uma Ferrari preta, o carro que Sting havia escolhido para dirigir, mas por questão de devoção ao automóvel se impediu de ir até a cidade com o mesmo. Agora era o meio de locomoção dos dois remanescentes.

- Não estou com um bom pressentimento. – foi tudo o que ele respondeu enquanto acendia seu cigarro. Ela havia notado que ele estava evitando fumar em locais fechados e na frente do restante, mas ali parecia não se importar. Não parecia achar necessário evitar mostrar seu vicio para Lucy.

- Acho arriscado. – achava mesmo. O portão automático semiaberto e o carro para fora da propriedade era um risco, mas quando Gray parou o treinamento que ela havia começado dar para dizer que estava com um mau pressentimento, ela aceitou ir para aquele local. 

Mesmo que não tivesse de fato um mau pressentimento ou entendesse isso.

- Eles já saíram há quanto tempo? – o moreno questionou depois de tragar profundamente.

- Não sei. No máximo duas horas. – não tinha relógio e nem estava realmente ciente do horário. Era onze da manhã ou menos? Nunca saberia. – O que exatamente está sentido? – questionou, ele parecia estar calmo.

- Nada demais. – a encarou de lado.

- Parece, está fumando sem parar. – observou ao notar que em tão pouco tempo o cigarro estava pela metade.

- Estou com vontade de fumar faz dias, Lucy. – soltou a fumaça. Gray era realmente bonito antes de tudo ocorrer, agora, contudo parecia mais magro e pálido, as olheiras ainda presentes, por esse motivo a loira não conseguia mais relacionar o garoto a um atleta cheio de saúde. Não mesmo. Naquele momento o moreno mais parecia com os modelos ingleses que apareciam em imagens publicitarias com algum tipo de droga ou bebida. Quase outra pessoa. Só faltava as tatuagens, isso porque embora o moreno tivesse uma tatuagem, uma fada azul na perna que arrebentava uma grossa corrente, a mesma não diferenciava no seu físico como um todo. – E sempre fumei assim. – continuou a se explicar ao confundir o olhar de analise dela com o de desconfiança.

- Isso vai te dar câncer. – foi tudo que a garota respondeu.

- Muito preocupante. – tragou novamente fazendo pouco caso. – O resto vai achar que eu estou virando um viciado novamente. Por isso não fumo perto deles. – explicou. – Você possivelmente não sabe, mas eu já tive até que ser internado. Dependente químico. – os olhos estavam colados no cigarro.

- O Gajeel comentou isso. – admitiu o encarando, se Gray se importou com isso, não demonstrou.

- É uma merda aquele lugar. Antes que isso tudo começasse, eu pensava que tudo o que eu teria de pior na minha vida eram aquelas memorias. – levou o cigarro até a boca como se o admirasse.

- Imagino. – murmurou se lembrando de algumas conversas que já havia ouvido.

- Não, você não imagina. – ele parecia convicto disso. – O fato é que agora todos acham que só porque fumo um pouco, voltei a usar tudo o que usava novamente. – parecia irritado.

- Você deu motivos para que nos preocupemos! – era uma acusação branda, mas ele sorriu, um sorriso de quem não achava graça.

- Você não imagina o quanto. O que já fiz quando usava drogas mais pesadas. – parecia se lembrar, mas de forma assustadora não era apenas asco que ele demonstrava, Lucy conseguiu identificar o sentimento de falta. – O que fiz com pessoas, o que fiz por drogas... Era como se fosse outra pessoa... Eu... Não me orgulho do que cheguei a fazer. -  a frase ficou subentendida, mas ela conseguia imaginar o que era, até porque, Gray parecia já ter sido ao menos apresentado à armas de fogo.  

- Bom, ao menos com isso eles não precisam se preocupar, onde exatamente você iria conseguir drogas pesadas agora que parece o que mundo acabou? – questionou amarga ganhando um olhar sombrio de Gray. – Pense positivo, nada de internação.

- Não é porque está namorando o Sting que precisa adquirir traços da personalidade negra dele. – se virou para ela. – Continue sendo uma boa garotinha, Lucy. – bateu a mão na cabeça da loira, como se ela fosse uma criança e ganhando em resposta um olhar impaciente.

- Acha que já estamos namorando? – ela não achava, ou ao menos não havia pensado.

- Quer um conselho de amigo? – parou de encará-la e então abaixou o cigarro para que a fumaça não chegasse ao rosto dela. – Não se empolgue demais idealizando qualquer coisa. Vai com calma, o mundo está acabando, mas ainda é um relacionamento e ele ainda é o Sting. – ao se virar para a frente levou o cigarro até a boca.

- Parece que eu estou indo rápido demais? – não sabia nada de relacionamentos e nunca havia conversado sobre o assunto com um garoto. Tinha Rogue, seu amigo, mas devido a timidez os conhecimentos dele em relacionamentos eram piores que o dela. O garoto ficava constrangido apenas de ver Wendy com um short mais curto e lhe tocar a mão.

- Você? Os dois estão indo rápido demais e isso, principalmente por ele, é preocupante. – parecia preocupado em partes. – Você sabe da fama do Sting na cidade, o principal motivo dele ser desta forma não é falta de caráter, é trauma, a mãe e o pai dele... – a fala foi cortada quando os olhos do moreno se fixaram em um ponto à sua frente.

Uma coisa interessante sobre a entrada principal do terreno Heartfilia era a forma que o caminho que levava até lá tinha um formoso projeto de paisagismo, com plantas que seriam consideradas raras e belas. Lucy sabia que na realidade eram as que tinham sobrado em partes de uma obra que ocorreu assim que seus pais se mudaram, mas isso não tirou a beleza. Mais próximo em questão existiam Rododendro róseos tão bonitos que deveriam ser admirados. Contudo, a forma física da arvore atrapalhava um pouco a visão e por isso eles haviam sido pegos de surpresa quando dois infectados surgiram.

- Meus Deus! – Lucy arregalou os olhos sentindo o corpo tremer.

Quando olhou na direção de Gray não foi uma grande surpresa o encontrar com uma expressão apavorada e o corpo tenso, paralisado. Para piorar a situação os dois corpos que vinham na direção deles era de duas mulheres pequenas, as faces não poderiam ser vistas ou reconhecidas, mas uma delas tinha o corpo de uma adolescente normal. Com certeza o garoto estaria o lembrando de Juvia.

Lucy sabia que ele não faria nada além de ficar paralisado. Mas o problema era, quem faria?

Automaticamente suas mãos foram para a pistola que Natsu havia lhe entregado e então apontou em direção aos corpos que vinham na sua direção. Ela conseguia mirar e se posicionar, mas a completa falta de coragem de puxar o gatilho se apoderou dela. Uma situação era atirar quando estava completamente fora de si, ou atacar um dos seres no reflexo para proteger Sting.

A situação mudava. Olhando para aqueles dois seres sua mente divagava em várias direções opostas, mas que tinham apenas uma característica em comum, a impediam de puxar o gatilho. Ela pensava na possibilidade de existir uma cura para essas pessoas; na família que eles poderiam ter, mesmo que a família também tivesse sofrido o mesmo fim; no fato de que eram uma pessoa no fim das contas, o restante esquecia disso, mas Lucy não e  por último e mais importante; como atirar novamente em um ser, quando as últimas vezes em que havia atirado foi para matar seu pai e sua mãe?

Antes que pudesse notar sua mão tremia tanto que a pistola parecia prestes a cair a qualquer instante e seu rosto estava banhado em lágrimas. Tudo o que Lucy queria era jogar a arma e as memorias do que havia ocorrido no seu passado e no dia anterior para longe, ainda assim forçava as mãos a ficar segurando firme o objeto. Ela tinha que parar de tremer, conseguir fazer isso e tinha que proteger a si mesma e a Gray.

Proteger, a palavra soou forte em sua cabeça. Tinha tanta forma e tanto significado, mas o rosto de Levi e Virgo a quebravam por inteiro. Lucy não salvou a melhor amiga, nem mesmo pensou em fazê-lo. Lucy sempre foi protegida ao máximo por Virgo, até no momento de sua morte, a empregada havia tentado a proteger. A quem estava tentando enganar? Não era uma heroína. Mesmo que tivesse que ser, não seria nunca capaz de alcançar o objetivo. 

- Lucy. – o moreno colocou as mãos nos ombros dela. – Relaxa, não precisa fazer isso, e só voltarmos e fecharmos o portão. – qual seria o seu estado para que Gray, que geralmente ficava paralisado, viesse tentar lhe ajudar?

- Eu... – apertou as mãos com força e então deixou os braços caírem como quem deixa um peso sair de suas costas. Abaixou a cabeça respirando fundo e por pouco não caiu de joelhos.

Enquanto soluçava devido ao choro, chegava a uma conclusão obvia, ela definitivamente se odiava!

Quando voltou a erguer a cabeça conseguiu identificar uma terceira sombra. Foi essa sombra que simplesmente nocauteou a mulher mais encorpada com um pé de cabra. Três golpes duros, sendo que no primeiro o corpo da mesma estava no chão e no terceiro tinha o objeto de ferro fincado em sua cabeça. Já no segundo corpo, o da garota adolescente, o objeto usado foi o rifle. Pancadas tão firmes na cabeça que Lucy conseguiu identificar uma parte da carne se deslocar e voar por pouco menos de um metro, o sangue escuro e parcialmente coagulado respingou no asfalto antes do corpo cair imóvel.

Gajeel tinha razão, as armas seriam uteis, embora ele não as utilizasse de forma convencional.

- Vocês dois... – o lutador tinha a blusa de linho verde manchada de vermelho sangue e parte da calça de pijama que vestia estava rasgada mostrando uma quantidade considerável de sangue. – Temos um problema! – completou serio.     


Notas Finais


O que acharam? Ele é até bem levinho comparado aos outros. Se notarem que existe diferença de escrita (é porque provavelmente as partes são de momentos diferentes, ao que parece, antes as minhas frases só poderiam ter quatro palavras e eu já terminava kkkkk Chamar o Natsu de ruivo e rosado vai ocorrer também, quando escrevi pela primeira vez era rosado, quando comecei a corrigir por cima e acrescentar, era ruivo. Acontece kkkkkk

Me digam o que acharam e pode ocorrer do próximo ser um capítulo novo e inédito, vai depender do meu bom humor kkkkk


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