História Rehab - Capítulo 10


Escrita por: ~

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Doyoung, Hansol, Jaehyun, Johnny, Kun, Mark, Taeil, Taeyong, Ten, Winwin, Yuta
Tags Dojae, Dojaeyong, Johnten, Soil, Taeten, Yusol, Yuten, Yuwin
Visualizações 285
Palavras 4.193
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shonen-Ai, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa noite (?)

Acho que nem preciso dizer que o motivo de eu estar demorando se chama faculdade, não é mesmo? Pois bem, nesse último mês aconteceu um monte de coisas que vocês não imaginam.
Sim, muita coisa ruim.
Mas não vou fazer vocês esperarem mais. Aqui está o capítulo. Finalmente, né? <3

Boa leitura.

Capítulo 10 - Refúgio


Fanfic / Fanfiction Rehab - Capítulo 10 - Refúgio

Ao voltar para o quarto, Taeil estranhou Hansol não estar mais lá. Preocupou-se quando viu alguns pingos de sangue no chão. Assustado, deixou os remédios e o copo de água em sua mesa e andou quase correndo em direção ao banheiro.

A porta estava aberta, porém afastou-a um pouco mais. Viu o mais novo encurvado e com as mãos no rosto, principalmente cobrindo o nariz. Taeil se aproximou e se ajoelhou a frente do outro.

- Está sangrando?

Hansol fez que sim. O mais velho manteve a calma e pegou um pacote de lenço que se encontrava em um dos pequenos armários. Ao retornar, pediu para que o outro afastasse as mãos do rosto. Mesmo com vergonha, Hansol o obedeceu. Taeil pousou uma das mãos no rosto alheio, para segura-lo, e usou a outra mão para retirar os rastros de sangue que estavam no rosto do outro.

O mais novo pousou a mão no pulso de Taeil, mas não para afasta-lo, fez apenas porque quis.

- Está se sentindo bem?

- Mais ou menos.

- Quer ir ao médico?

Hansol queria muito dizer que não queria, mas não teve escolha. Estava tendo uma hemorragia e era algo grave.

- Infelizmente sim.

Taeil assentiu. Levantou-se, mesmo a mão de Hansol ainda o segurando o pulso.

- Eu vou deixar você tomar um banho. – Tentou sair do banheiro, mas a mão de Hansol o puxava para ficar lá. O olhou confuso.

- Por que está falando de modo tão seco?

O menor ainda não entendia e por isso continuou com sua expressão confusa. Engoliu em seco.

- Eu estou falando de modo seco?

- Sim

Obviamente, aquela não era a intenção do menor, então suspirou, voltando a atenção pro rosto alheio.

- Me desculpa se estou agindo como se nada tivesse acontecido. Não foi minha intenção.

Hansol apertou o agarro e queria muito puxa-lo para mais perto, até senta-lo no seu colo, mas deveria se controlar.

- Eu sei que não foi a sua intenção. Você nunca faria isso, mas... Taeil, eu ainda quero que você me diga tudo o que sente.

Finalmente havia tocado em um ponto delicado. Taeil não sabia o que responder. Tentou revirar os olhos ou até mesmo virar o rosto, mas não deu certo. Sempre voltava a olhar para o maior, que suspirou.

- Não precisa ser agora ou hoje. Apenas algum dia. Ou não precisa falar nada, se preferir. – Seus olhos demonstravam um tanto de tristeza. – Eu só não quero que você se feche comigo.

Taeil olhou para o chão.

- Tudo bem. Eu nunca vou ser indiferente a você, e também, eu não quero te tratar mal só porque você nunca...

Pensou melhor no que iria falar, então preferiu interromper a si mesmo. Seu rosto começara a ficar vermelho. Hansol ergueu as sobrancelhas, sem entender.

- “Você nunca” o que?

Mordeu os lábios em nervosismo. Sentia o seu peito doer um pouco.

- Nada... Esqueça o que eu disse.

- Mas Taeil...

Não conseguiu fazer com que ele permaneça ali. Taeil saiu de lá, o deixando sozinho para se arrumar.

- Mas... Eu consigo te corresponder, eu juro... – Falava para si mesmo. – que consigo.

 

– x –

 

Finalmente chegara ao seu local de trabalho, quase se arrastando. Sicheng havia dormido muito mal na noite passada, e estava se sentindo destruído. Passou as mãos pelos olhos, demonstrando sua óbvia exaustão.

Não parou de pensar em Yuta um segundo sequer e isso o irritava. Não deveria ser tão apegado assim a ele. Culpava-se muito por isso. E se sentia mal apenas em pensar que já imaginou outras coisas.

Tentava negar a si mesmo, e negava cada vez mais forte seus sentimentos.

No momento que estava andando pelo corredor principal, assustou-se quando sentiu uma mão pousada em seu ombro. Olhou para trás, e viu Johnny com os olhos um pouco arregalados, já que se assustou com o susto alheio.

- Bom dia, Sicheng. Desculpa ter te assustado.

O mais novo respirou fundo em alívio.

- Não se preocupe. – Olhou para o rosto do outro. – O que houve?

Johnny revirou os olhos.

- Posso falar contigo?

Achou estranho o mais velho o chamar daquela forma e naquele horário. Fez que sim, não tendo opção.

- Tudo bem.

Acompanhou-o até uma das salas de terapia. Johnny pediu para ele se sentar em uma das cadeiras, e o terapeuta se sentou na outra que estava à frente de Sicheng. O chinês estava nervoso, com medo de que seja algo sobre o que havia acontecido no dia anterior. Fechou os punhos, apreensivo.

- Não se preocupe, eu não vou falar sobre ontem. – Fez o outro ficar mais calmo. – Eu acho que exagerei um pouco. Mas o que eu quero falar com você... sobre Yuta.

Sicheng ergueu as sobrancelhas.

- O diagnóstico...

- Sim, decidimos finalmente fecha-lo. E claro, é o que eu suspeitei desde o início. – Respirou fundo. Olhou profundamente nos olhos do enfermeiro. – Borderline.

Não estando surpreso, Sicheng suspirou um tanto triste.

- O que o senhor quer que eu faça?

Johnny ergueu os ombros.

- Acho que você deveria fazer com que o Yuta não se apegue muito a você. Mesmo isso sendo um pouco impossível para pessoas com o transtorno que ele tem, eu acho que é melhor eu tomar uma providência.

Sicheng engoliu em seco, ainda com medo.

- Que providência?

De certa forma, Johnny não queria chatear o outro. Iria ser de quebrar o coração, mas não tinha escolha. Teria que fazê-lo.

- Vou ter que te afastar dele e manda-lo para outro paciente. Não leve a mal, por favor.  

O menor encostou as costas na cadeira. Olhou para baixo, um tanto descontente.

-- Entendo... Mas... – Ergueu a cabeça novamente. – Não acha que isso vai ser pior pra ele? Quer dizer... Ele é tão frágil...

Johnny fez que não.

- Acho que trocar de enfermeiro durante certo tempo vai ser melhor. Assim ele não se apegará a ninguém.

Sicheng ergueu a coluna, ajeitando-a.

- Mas espera... – Pensou bem no que iria dizer. Talvez pudesse colocar o seu emprego em jogo. – Já faz um mês que estou aqui e eu não vi ninguém além do primo dele vir o visitar. Não acha que a carência dele se deva a isso? Ele está se sentindo abandonado.

O mais velho ergueu os ombros, mas o enfermeiro o fez pensar melhor sobre a situação. Cruzou os braços.

- Ele foi internado contra a vontade. Um tribunal o trouxe aqui. É cruel pensar nisso, mas acho que ninguém mais o quer por perto. Violência doméstica já é o suficiente pra acabar com a imagem de alguém. Independente se ele fosse doente ou não, é inaceitável.

- Nem os pais?

- Pelo que eu saiba, os pais dele eram negligentes e depois de certa idade, ele passou a morar com os tios e com o primo. Pelo menos, foram essas as informações que me passaram sobre a vida dele. Não me admira ele estar com esses problemas hoje em dia.

Sicheng voltou a olhar para o chão. Permanecera no silêncio, pois não tinha mais o que falar, mesmo querendo. Johnny percebera a quietude do outro, e de certa forma, não saberia se separa-lo era a coisa certa a se fazer.

No fim de tudo, decidiu confiar no chinês. Levantou-se da cadeira e foi até ele.

- Vou retirar o que eu disse. Pode continuar com ele, mas tome cuidado. Não dê muita liberdade a ele, e tente ser um pouco mais rígido. Agora que sabemos o que ele sofre, podemos ajuda-lo.

Aquelas palavras deixaram o chinês mais aliviado. Levantou-se da cadeira e fez uma pequena reverência.

- Obrigado

Finalizaram a conversa ali.

– x –

- Johnny, por que você não deixou que eles se abraçassem? – Ten o perguntou.

Estavam no quarto do paciente. Aquela pergunta era tudo o que Johnny não queria ouvir. Sentou-se na cama ao lado de Ten e afastou o cabelo do rosto dele, que ainda o encarava esperando uma resposta.

- Porque é contra as regras daqui. Não poderia fazer nada.

Ten ergueu as sobrancelhas.

- Mas você já me beijou!

O rosto do mais velho ficara vermelho. De novo, não queria falar nada, mas não queria decepcionar o pequeno.

- Não queria fazer aquilo.

- Mas você fez! – Ten se levantou. – Quer dizer que você não gosta de mim?

Johnny não se moveu, apenas ficou olhando para o rosto de Ten como um idiota. Mordeu os lábios.

- Eu gosto de você, Ten! Mas eu não posso gostar... desse jeito!

- E por que não? – Os olhos de Ten começaram a lacrimejar. – Por que você não pode gostar de mim?

- É complicado...

Ten se sentia extremamente triste. Não entendia porque sempre foi tão evitado. Também não entendia porque ele nunca recebia carinho. Tudo aquilo misturado em sua cabeça o fazia querer chorar muito, mesmo não podendo na maior parte do tempo.

- Deve ser porque eu não sou normal, não é? – Suas lágrimas caiam. – Mas eu não tenho culpa, Johnny. Não tenho culpa de ser assim. Eu apenas... sou.

Johnny se levantou e caminhou até ele, o tomando nos braços, o fazendo chorar em seu ombro. Em um reflexo quase involuntário, Ten retribuiu o abraço enquanto afundava o seu rosto no ombro alheio.

- Eu sei bem que você não tem culpa de ser assim. Não há nada de errado com você. Por favor, não se culpe por isso.

- Não quero mais ser assim.

Diante de tal desespero, não iria conseguir falar mais nada. Johnny apenas o abraçou mais forte, dado a entender que existia sim um sentimento a mais envolvido.

Por mais que Ten tenha dificuldades em perceber isso.

 

– x –

 

Não sabia onde estava com a cabeça quando decidiu pegar na mão de Sicheng e pedir para que saia com ele para o jardim. Yuta queria ficar um pouco a sós com alguém que ele confiasse. E ninguém melhor do que Sicheng para isso. Sorria para o chinês de vez em quando como se dissesse “olha, eu estou bem! Não se preocupe comigo!”, mas sabia que ia ser em vão. Sicheng ainda se preocuparia.

Sentaram-se abaixo de uma das árvores, e Yuta não falava uma só palavra. Estava um tanto preguiçoso para falar, e não queria se estressar por pouca coisa. Na dúvida, sempre permanecia calado.

No entanto, mal se tocavam. Isso deixava o japonês um tanto agoniado. Estava carente demais para não receber toques. E queria que Sicheng percebesse aquilo. Claro que o chinês percebeu, mas não iria fazer nada. Sabia que, se fizesse, iria sofrer com as consequências novamente. Não iria arriscar.

Mas começou a puxar assunto.

- Como está se sentindo? Parece melhor hoje.

Yuta suspirou.

- Acho que, pela primeira vez depois de muito tempo, eu consegui ficar bem. Não muito bem, mas bem.

Sicheng sorriu.

- Isso é ótimo!

O japonês olhou para o enfermeiro com uma expressão completamente diferente do que estava no dia anterior. Virou o seu corpo para ficar de frente ao outro.

- Só não entendo... O que eu tenho, Sicheng?

Iria ser, no mínimo, desastroso falar naquele momento o que Yuta portava. Então, Sicheng ficaria quieto em questão a isso.

- Eu ainda não sei, Yuta.

O olhar de Yuta ficara decepcionado. Não com Sicheng, mas com a situação. Respirou fundo, juntando as mãos.

- Entendo. – Não iria prolongar o assunto. Do contrário, iria se descontrolar novamente. Todo cuidado era preciso. – Podemos conversar sobre outra coisa?

Sicheng fez que sim.

- Sobre o que?

- Eu não sei muito sobre você. – Começara a falar sem vergonha. – Eu queria te conhecer melhor. Sempre falo sobre mim pra você. Agora, eu quero que você me diga um pouco sobre sua vida.

O mais novo ficara um tanto impressionado, mas não iria negar o pedido do outro. Continuara sorrindo.

- Eu não tenho uma vida tão interessante.

- Você é um estrangeiro que conseguiu um emprego digno aqui. Deve ser bem inteligente e esforçado, não é?

- Hum, não exatamente. – Estava vermelho de vergonha. – Eu estou aqui porque foi a oportunidade que me teve. Saí da China às pressas.

Yuta assentiu.

- Entendi. – Aproximou-se do maior. – E você deixou a sua família para trás?

- Bem, sim... Mas eu me tornei a renda dos meus pais. Não somos muito ricos. Por isso eu quis entrar em uma faculdade e ter um emprego digno para os meus pais não se preocuparem muito.

Yuta o ouvia atentamente. Era bom ouvir outra pessoa e esquecer um pouco de si. Sicheng era uma ótima companhia.

- Então você está sozinho aqui?

- Sim. – Respondeu um pouco baixo. – Às vezes sinto falta da China, mas o Japão é amável.

O menor sorriu um pouco.

- Pelo menos você sabe que há alguém te esperando enquanto você ainda não pode voltar.

Sentiu um peso de tristeza naquela última frase de Yuta. Respirou fundo, e instantaneamente passou o braço pelos ombros do menor, dando algumas carícias.

- Você é uma ótima pessoa, Yuta.

- Eu sei que você está tentando ser legal. Está tudo bem, eu sei que não sou.

- Não estou tentando ser legal.

Yuta revirou os olhos, demonstrando estar triste, realmente triste. Voltou a abraçar as pernas, olhando fixamente para o chão.

- Levante um pouco a cabeça, por favor. – Sicheng passou a mão pelo pulso alheio, o chamando atenção. – Eu me preocupo contigo.

Ouvir a última frase fez Yuta um pouco menos chateado. Voltou a olhar para Sicheng, e olhar seus olhinhos pequenos o faziam ter vontade de abraça-lo e nunca mais solta-lo. Sorriu para o maior, e deu uma carícia rápida nos cabelos do outro.

- Se eu não tivesse os problemas que eu tenho, eu que cuidaria de você.

Sicheng ficara ainda mais vermelho.

- Por que diz isso?

O japonês abriu ainda mais o sorriso.

- Você pode ser mais alto, mas é mais novo que eu. Dá vontade de te proteger do mundo!

Sicheng colocou suas mãos sobre o rosto, com uma enorme vergonha. Yuta riu um pouco e o abraçou forte.

 

– x –

 

Hansol já estava cansado de esperar sentado naquela cadeira. Já havia sido examinado, e o médico queria falar com Taeil. O motivo, não sabia. Provavelmente para Hansol não sofrer algum choque. Estava com medo do que poderia sair daquele consultório. Muito medo.

Tentou perder-se em pensamentos para o nervosismo passar. Em seus devaneios sobre a vida, ainda pensou sobre Yuta. Àquela altura, esperava que o japonês tivesse o esquecido de vez. Era melhor daquela forma, pois se lembrava muito bem de várias das frases que Yuta soltava, mesmo obviamente todas sendo por impulso.

Eu prefiro viver deprimido ao seu lado do que ficar sozinho era uma dessas frases. Tentava entender o que teria feito para Yuta ser tão infeliz consigo. Nada, talvez, mas não queria se limitar apenas a pensar que nunca fizera nada de errado com o ex-namorado, porque o comportamento do mesmo era fruto de uma doença.

Mesmo que esse pensamento o tirasse a sua vontade de viver.

Viu Taeil saindo do consultório. Levantou-se quando finalmente o viu. O mais velho parecia chocado, e aquilo não era nada bom. Hansol ficara com ainda mais medo.

- Taeil...

- Podemos ir embora agora.

Decidiu não discutir com o menor. Deixou ser levado pelo pulso até onde estava o carro de Taeil. Não queria esperar mais.

- Por que está tão chocado?

O mais velho realmente não sabia como falar, mas decidiu que era melhor. Virou-se para o amigo e o abraçou sem hesitar.

- Vai ficar tudo bem.

- Taeil, você está me assustando.

Taeil respirou fundo. Afastou-se um pouco, olhando nos olhos do outro, que já estavam lacrimejando um pouco devido a tensão.

- Você precisa de um transplante de medula óssea.

Hansol gelou. Sabia que era o método mais difícil para o tratamento da leucemia, e seria utilizada em último caso. Isso queria dizer que estava no fim da linha se não achasse um doador.

E achar um doador era extremamente difícil.

Taeil estava tremendo, mas Hansol decidiu acalma-lo. E apreciar o quanto o menor se importava com ele, chegando ao ponto de ficar com mais medo do que ele próprio. Manteve a calma.

- Você se preocupa tanto... Vamos ficar mais tranquilos, tá? – Mas na verdade, estava ao ponto de chorar.

 

– x –

 

Já era noite e Sicheng só queria se jogar na cama e descansar um pouco. Não havia dormido bem na noite passada e estava com muita dor de cabeça. Só foi o tempo de engolir um comprimido de um remédio contra dor de cabeça, tomar um banho e deitar na cama.

Até que, depois de quase vinte minutos, ouviu alguém batendo em sua porta. Respirou fundo, mantendo a paciência. Era só algum vizinho pedindo alguma coisa, tinha certeza. Levantou-se da cama e caminhou até a porta, onde a abriu.

- Pois não?

Viu o mesmo homem o qual havia visto na noite passada. O que estava de mudança. Kun, o seu nome, poderia se lembrar.

- Desculpe-me te atrapalhar, mas você teria um pouco de arroz? – Achou que precisava de alguma explicação. – Eu queimei o arroz quando eu tentava faze-lo, não sou bom de cozinha.

Sicheng não pensou muito, mas tinha certeza de que não tinha arroz. Fez que não.

- Me desculpa, eu não tenho.

Kun deu de ombros.

- Obrigado mesmo assim.

A curiosidade de Sicheng falou mais alto naquele momento. Então, não iria deixa-lo ir tão fácil.

- Você estava fazendo arroz neste horário? São quase onze da noite.

O mais velho fez que sim.

- Sim. Eu cheguei do meu segundo serviço não faz nem uma hora. Eu trabalho em uma fábrica aqui perto pela manhã e pela tarde. Pela noite eu sou garçom.

- Quanta coragem...

- Eu sei. – Riu um pouco. – Você chamou isso de coragem, mas eu chamo de loucura.

Sicheng o olhou confuso.

- Como assim, “loucura”?

Kun respirou fundo.

- São coisas minhas.

Decidiu que não iria mais perguntar mais nada. Apenas fez que sim.

- Ah, você não quer ir jantar comigo? – Perguntou o mais velho.

O outro teve que recusar.

- Eu adoraria, mas eu estou tão cansado agora...

- Tudo bem. – Riu. O riso dele era bem bonito, e isso, Sicheng não poderia negar. – Amanhã, pode ser? Gostei de conversar com você.

- Talvez.

E assim, se despediram. Sicheng poderia finalmente descansar.

 

– x –

 

Yuta não conseguia dormir, novamente. Pensava em milhares de coisas. Além do mais, um ataque de ansiedade o assolou. Revirava-se na cama enquanto o seu coração disparava. De novo, de novo estava pensando em Hansol. Um pensamento eterno de que ele estava se sentindo bem mais feliz com Taeil do que com ele. Era uma tortura, ainda continuava sendo mesmo depois de o tempo ter passado.

Suas loucuras não pararam, apenas foram acumuladas. É nesses horários que Yuta pensava muito em como se sentia muito melhor depois de fazer vários cortes em seu braço até sangrar, de gritar por socorro. Sem isso, a impressão que tinha era de que vozes o seguiam, o mandando se matar, de que ninguém o espera em Osaka, e que ninguém nunca o esperará para nada. Era torturante.

 Ele fechava os olhos e repetia o que os terapeutas o diziam:

Essa não é a saída.

Não é o caminho para a felicidade.

O que eu tenho é uma doença psicológica.

Tem alguém preocupado comigo em algum lugar.

Se matar não é a solução.

Algumas delas o davam ainda mais calafrios, mas outras frases o acalmavam. No todo, Yuta não tinha muitas esperanças.

Assustou-se quando ouviu a sua porta se abrindo, e em uma atitude impulsiva, gritou. Ouviu a pessoa fechando a porta rapidamente e correndo até a sua cama, onde se sentou ao seu lado e tampou os seus lábios com a mão.

- Calma Yuta! Sou eu! – Reconheceu a voz. Era Ten.

- T-Ten? O que faz aqui?

Ten respirou fundo. Estava escuro demais para enxergar o rosto do outro, mas aquilo não seria problema.

- Eu não tenho como explicar. Só quero resumir que estou me sentindo muito sozinho. Acredito que só você irá me entender agora.

Yuta tentava se acalmar, mas a sua ansiedade não iria o deixar em paz, a não ser se Ten o ajudasse de alguma forma.

- Não consegue dormir também?

O mais novo fez que não.

- Não. Eu não queria dizer o que aconteceu hoje, quero conversar com você. Ou... fazer outras coisas.

O japonês entendeu. Iria ser loucura, mas sabia que ambos não iriam aguentar ficar sozinhos por muito tempo. Fazia tanto tempo que Yuta não fazia sexo que não conseguiria aguentar seus desejos.

- Por que quer fazer isso agora?

- Eu não sei. Eu só queria me sentir bem. Sei que você pode me ajudar.

Entendia. As necessidades se juntavam em um desejo sufocante de um pelo outro. Yuta se aproximou um pouco, e foi o suficiente para Ten agarrar seus ombros e beijar os seus lábios da forma mais necessitada que podia. Aprofundaram o beijo logo em seguida.

Assim que o mais velho o deitou na cama, puderam tirar toda a roupa que havia sem seus corpos. Yuta se segurava para não ser tão violento, assim como Ten se segurava para não ficar se mexendo muito ou perder a concentração em determinado momento. Sentir os beijos um do outro sobre suas peles os dava mais confiança um no outro, os acalmando instantaneamente. Era surreal.

Sentir os dedos do japonês dentro de si faziam Ten quase gritar. Deitado na cama do mais velho, apenas afastava o pescoço em um prazer que nunca havia sentido na vida.

- Você já fez isso, Ten?

O pequeno tailandês fez que sim.

- J-Já. Mas faz tanto tempo...

Yuta beijou os lábios do outro novamente, e passou os seus próprios para o pescoço alheio, dando alguns pequenos beijos no local. A sua mão livre foi de encontro ao membro duro do outro, o masturbando.

- Não se preocupe, farei você se sentir tão bem...

O mais assustador para Yuta era que sua ansiedade ainda não havia passado, e por isso, não sabia se ia conseguir ir até o fim, mas tentaria. Por Ten, tentaria sim. Tirou os dedos do outro e não demorou muito à penetra-lo.

Ten sentia-se invadido de uma forma que nunca sentira antes. Gemia baixinho, conseguindo pelo menos um autocontrole maior. Seus olhos fechados poderiam evidenciar de que estava realmente gostando do que o outro fazia. Assim que sentiu as estocadas, não conseguiu conter alguns gemidos mais altos. E quando assim acontecia, sentia os seus lábios sendo calados pelos de Yuta, que ainda depositava beijos na região entre os lábios e as clavículas alheias.

- I-Isso é tão bom, Yuta.

Yuta não sabia se sorria ou se ficava mais preocupado ainda. Mais uma vez, sua indecisão e impulsividade agiram sem seu consentimento. Estava preocupado, porém um pouco melhor do que antes. Não iria falar muita coisa, já que não poderiam ser muito barulhentos. Apenas falava o quanto o mais novo o fazia bem e que não se sentia sozinho com a sua presença.

Os dedos do tailandês foram até os cabelos da nuca do maior, que intensificava as estocadas de acordo com o seu desejo. Ten não pôde controlar um gemido alto, mais um deles. Todavia, já não se importavam com terceiros. Tinham um ao outro, e aquilo já era o suficiente para ambos.

Atingiram o orgasmo logo depois, o mais novo antes do outro. Yuta deixou que Ten se deitasse ao seu lado para receber algum carinho. Não sabia se iria se arrepender pela manhã, mas o que importava era ver Ten um pouco mais contente. E conseguiu de certa forma.

- Me desculpa por isso... De uma forma tão repentina. – Falou Ten, baixinho. – Eu só queria um pouco de carinho e eu acabei... – Foi interrompido.

- Não se desculpe. Acho que, no fundo, eu precisava disso também. – Suspirou. – Ten, você tem noção do quanto me surpreendeu quando me abraçou e me animou?

Ten ergueu as sobrancelhas enquanto deitava a cabeça no peito do outro.

- Fiz aquilo porque gosto muito de você.

- Eu retribuí o favor, não foi?

- Uhum. E eu te agradeço por isso. – Sorriu, mesmo o outro não podendo ver. Sentia o carinho em seus cabelos, e aquilo era indescritível. – Mas não precisava retribuir. Fiz aquilo por espontânea vontade.

As pernas do tailandês estavam um pouco inquietas, mas Yuta não se importava. Deu um beijo na testa alheia.

- Obrigado por me compreender.

- Estamos na mesma situação. Como não compreenderia? – Fechou os olhos. – Deixa eu ficar aqui por mais alguns minutos? Depois eu volto para o meu quarto.

- Sim, pode.

- E por favor, não veja isso como um pedido pra termos um relacionamento sério.

- Eu imaginei. – Riu um pouco. – Você só precisa de carinho, assim como eu. Não é mesmo?

Ten fez que sim.

- Sim, e você é uma ótima pessoa a quem recorrer. Obrigado por aparecer na minha vida.

Yuta não disse mais nada. Sentiu o seu rosto sendo beijado pelo mais novo.

Naquele momento, não se preocupavam com mais nada.

 


Notas Finais


Gente, eu sei que esse lemon foi bem fraco, mas o objetivo aqui não é focar no lemon, ok? Eu sei que lemon é uma dlç e a gente gosta, mas não quero desviar muito o foco da fanfic.
Mas calma, ainda terão lemons um pouco mais detalhados, apenas esperem.

E pra quem sentiu falta de DoJaeTae, o capítulo que vem já começa com eles. kkkkk Vale a pena esperar por esses três. Gosto muito deles.

Enfim, espero que tenham gostado. <3

Até o próximo capítulo.


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