História Reinos Unidos - Capítulo 20


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Categorias Bleach
Tags Bleach, Ichigo Kurosaki, Ichiruki, Rukia Kuchiki, Toushirou Hitsugaya
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Palavras 9.400
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Bishounen, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, meus bebês! Tudo bom com vocês?
Antes de tudo, já chego pedindo mil perdões, como sempre eu demorando em atualizar a fic.
Bom, em minha defesa, preciso dizer à vocês que eu troquei de curso e está sendo um pouco difícil pra mim, afinal trocar humanas por exatas é uma mudança um tanto, drástica.
Mas é o meu sonho, então vamos lá!
Me desculpe sempre demorar em postar as atualizações, mesmo que isso não sirva de nada em diminuir a espera de vocês.
Antes de encerrar por aqui e nos vermos só nas notas finais, queria agradecer aos 134 favoritos!!!! (Chupa essa irmão que me disse que não havia ninguém que lia a minha estória!).
Queria agradecer aos poucos comentários também, porque eles, independentemente da quantidade, sempre me apoiaram muito.
Muito obrigado amores.
Amo muito todos vocês, incluindo também os fantasminhas S2
Nos vemos nas notas finais *3*

Capítulo 20 - Capítulo 19: Indícios de tormentas.


Fanfic / Fanfiction Reinos Unidos - Capítulo 20 - Capítulo 19: Indícios de tormentas.

                                                                                  CAPÍTULO 19       

                                                                                        RUKIA

            No mundo, há várias coisas que você pode opinar depois de ter analisado à primeira vista ou no primeiro contato, e, há aquelas coisas, que, independentemente da sua opinião, seja ela favorável ou não, eram fatos incontestáveis.

            O beijo de Ichigo ser perfeito, era um fato incontestável.

Por mais que ele tivesse sido o único homem que eu já havia beijado na vida, eu tinha plena consciência disso. Eu sabia que por mais que eu saísse beijando por aí rapazes diferentes, o beijo dele continuaria a ser perfeito, assim como eu sabia que se eu pudesse conversar com todas as outras mulheres que já o haviam beijado antes, a resposta continuaria a ser unânime.

E, bom, todas aquelas sensações que eu lia naqueles livros de romances banais quando a protagonista finalmente beijava o seu herói, eu sentia com Ichigo.

Borboletas no estômago, um arrepio percorrendo todo o meu corpo, a sensação e estar flutuando em um espaço fora do planeta, um sentimento de se encaixar com a outra pessoa...

Eu sentia todas essas coisas e mais um pouco. Por que o beijo dele me fazia sentir isso, de estar viva para sentir aquilo ao lado dele. Mergulhar em um mar de sensações e emoções ao seu lado, como se estivesse vivendo um sonho pelo qual eu nunca havia sonhado antes.

Era maravilhoso.

E apavorante.

Maravilhoso porque, de alguma forma, eu estava feliz por ele ser a pessoa que me fazia sentir aquilo, já que eu estava me apaixonando pela pessoa que a sociedade julgava ser correta, afinal seria muito doloroso me apaixonar por alguém que não seria meu marido e saber que nós dois nunca poderíamos ficar juntos. E apavorante porque, sabia que quando enfim, eu gostasse de verdade de alguém um dia, seria arrebatador, intenso, profundo. Colocaria a minha felicidade em jogo já que, ela então, dependeria totalmente dele.

E aquilo pra mim não me soava tão bem quanto se descrevia nos livros, afinal quem escolheria deixar seu humor diário nas mãos de alguém que poderia facilmente ditar se o seu dia seria triste ou alegre? Essa simples pergunta não fazia sentido pra mim, entretanto... era o que eu estava começando a compreender devagar.

Nos separamos do beijo para respirar. Por um momento notei algo nele que eu não havia percebido antes.

_Seus olhos _ murmurei tocando no finzinho das suas pálpebras.

_O que tem eles? _ perguntou curioso enquanto abria um meio-sorriso.

_Existem algumas gotículas douradas nas suas íris _ respondi fascinada _ são tão lindas!

            Ele sorriu pra mim e naquele momento, nenhuma estrela do céu carregava tanto brilho consigo quanto o sorriso dele.

_Talvez elas sejam mesmo _ concordou segurando meu rosto com carinho _ mas elas nunca serão tão lindas como você.

            Durante toda a minha vida tive consciência da minha beleza, afinal minha própria família era a prova mais que suficiente pra mim, sem falar nas chuvas de elogios que sempre recaíam sobre a minha pessoa nos eventos que ocorriam no castelo e apesar da maioria ser bajulação barata, eu podia sentir um pouco de verdade em cada uma delas, não que eu precisasse realmente, eu sabia que era linda e ponto. Todavia, aquela era a minha primeira vez em acreditar que eu não era só “linda”, mas sim que eu era realmente “maravilhosa”.

_Eu te odeio por todas as vezes que você consegue me desarmar logo após de ter me irritado _ retruquei tentando soar, ao menos, zangada, mas falhando ao perceber a risada doce que ele me lançou.

_Eu acho que consigo lidar com esse seu ódio inofensivo _ sussurrou no canto do meu ouvido, mordiscando em seguida o lóbulo da minha orelha. Uma corrente elétrica passou pelo meu corpo ao mesmo tempo que a sua boca retornou a capturar a minha, mas dessa vez de forma suave.

            Suas mãos deslizaram para o fim da minha coluna e comecei a sentir a água se movimentar ao nosso redor. No começo não notei que era ele quem estava nos girando em círculos pequenos, quase como uma imitação de dança, porém e meio ao nosso beijo ele me pegou de surpresa me levantando de repente para o alto, rodopiando comigo em seguida. Arfei surpreendida, mas logo comecei a gargalhar enquanto estava a me divertir.

            Queria que aquele momento parasse no tempo, com os nossos sorrisos sorrindo um para o outro como se fosse a primeira vez. E eu senti que por um momento o tempo realmente havia parado para nós dois e, ali, eu soube que aquilo era felicidade.

            Queria atesourá-la comigo para todo o sempre.

 _Ichigo! _ o chamei entre as gargalhadas _ Eu estou ficando tonta! _ protestei, mas sei que não fui levada a sério como eu queria por conta do sorriso que estava a rasgar-me o rosto.

_Eu sei, pois eu também estou _ confessou gargalhando também, finalmente começando a parar. Estava aliviada por ele estar parando de nos girar, no entanto não consegui me impedir de me sentir um pouco, de certo modo, decepcionada.

            Ele foi me abaixando aos poucos e eu me apoiei em seus braços musculosos tentando manter meu próprio equilíbrio. Embora seus lábios já não erguiam-se nos cantos para me deslumbrar com um sorriso, seus olhos o faziam.

_Você é louco, sabia? _ indaguei frisando os meus lábios que tanto se repuxavam para os cantos querendo mostrar um sorriso.

_Eu sei que eu sou _ confirmou com um aceno de cabeça me olhando nos olhos _ Mas acho que as pessoas mais interessantes o são, afinal a vida é mais divertida e bonita assim _ comentou colocando uma mecha do meu cabelo detrás da minha orelha. Senti minhas bochechas ficarem quentes.

_Talvez você tenha razão _ disse depois que um tempo se passou com nós dois nos encarando.

            Ele me ofereceu um dos seus fatais meio-sorrisos.

_Eu geralmente tenho _ retrucou em um tom pouco modesto.

            Soltei um barulho que foi um meio bufo e um meio grunhido.

_Ás vezes eu me esqueço do quão humilde você é _ ironizei rolando os meus olhos. Ele sorriu de mim.

_Fico decepcionado por você esquecer qualidades tão importantes do seu futuro marido _ fingiu-se de magoado. Foi a minha vez de sorrir dele.

_Você ficaria impressionado do tanto de coisas ruins que eu vivo lembrando sobre a sua pessoa, por outro lado _ rebati arqueando minha sobrancelha enquanto estampava um sorriso cínico no meu rosto.

_Querida noiva, assim você realmente me magoa, eu sou um poço de candura _ colocou a mão no peito só para dar mais efeito dramático à sua fala.

            Abaixei a cabeça e comecei a sorrir. Ele não demorou a se juntar a mim também.

_Ás vezes eu acho que você acabou passando um pouco da sua loucura pra mim _ falei balançando a cabeça em negação.

_Isso é bem possível _ respondeu-me, roubando um beijo meu em seguida sorrindo sapeca. Dei um tapa em seu ombro, mas lhe sorri. O ruivo me beijou de novo e sorriu também _ Sabe, eu acabei de ter uma ideia _ declarou começando a nos rodopiar devagarzinho, novamente, pelo lago.

            Olhei-o desconfiada.

_E que ideia seria? _ retorqui em modo de defesa.

            Ele me olhou achando engraçado o modo como eu estava.

_Você parece estar mais desconfiada que o normal _ murmurou subindo suas mãos pela minha barriga, o que fez meu coração começar a bater mais forte que o habitual.

_O-O-O qu-que vo-você e-es-est-está fazen-do? _ gaguejei sentindo arrepios involuntários com os toques audaciosos cada vez mais próximos, agora, dos meus seios.

_Vivo constantemente me surpreendendo com o quão sensível você é, Rukia _ a cada palavra ele chegava mais perto de mim, acabando por sussurrar o meu nome ao pé do meu ouvido de um jeito tão pecaminoso que todas as minhas entranhas tremeram de antecipação. E então eu senti o leve roçar do seu polegar em um dos bicos dos meus seios. Foi impossível segurar o arfar que saíra da minha boca. Meu corpo ficou em estado de alerta no mesmo instante, mas... ele... parou? _ Sinto muito, mas não falei nesse sentido, sabe? Eu só queria te fazer uma proposta _ disse voltando a um tom normal, totalmente indiferente, o que me deixou bastante frustrada.

            Frustrada?

            Por que demônios eu estaria frustrada?

_ Que tipo de proposta? _ perguntei tentando soar mais desconfiada que desapontada por ele ter parado e se afastado de mim.

             Os olhos castanhos claros nessa hora brilharam.

_Você quer aprender a nadar? _ perguntou abrindo um sorriso que qualquer mulher no mundo jamais diria um “não” para ele. Mas no meu caso, a pergunta realmente me deixara além de surpresa, confusa.

_A nadar? _ perguntei ainda sem acreditar que ele, de fato, me perguntara aquilo, afinal eu já esperava por uma pergunta que ferisse a moral pública.

_Sim, a nadar _ confirmou com um aceno de cabeça e dando uma risadinha no mesmo momento, parecia que ele sabia o que se passava na minha mente _ Por quê? Você não quer? _ inclinou a cabeça para o lado, ganhando um ar adoravelmente infantil.

            Por um momento eu quase me deixei cair por aquela face angelical.

            Quase.

_Querer eu quero _ respondi meneando a cabeça enquanto tentava colocar uma distância segura entre nós dois _ mas meu irmão mais velho deixar, é outra coisa.

_E se seu irmão mais velho não ficar sabendo? _ indagou, sussurrando como se fosse um segredo que ninguém pudesse escutar e nem mesmo, naquele caso em específico, as árvores. Sorri achando aquele gesto engraçado.

_E como seria isso? _ perguntei sussurrando-lhe cúmplice também.

_Bom considerando que eu não irei contar pra ele... _ começou enquanto gesticulava enfaticamente.

_Nem eu... _ continuei incentivando-o a dar prosseguimento no seu raciocínio.

_Que irmã tão fiel você é _ murmurou e eu bati nele, por sua vez ele apenas sorrira _ enfim, já que você também não lhe contará, vamos fechar um acordo aqui?

_Que tipo de acordo? _ instiguei semicerrando meus olhos desconfiada, ele apenas ofereceu-me um dos seus sorrisos sedutores.

_Ainda pensando em coisas pervertidas, senhorita Kuchiki? _ provocou e meu rosto automaticamente se coloriu em um vermelho-rubi.

_O-O QU-QUE? E-EU NÃ-O _ me enrolava com as palavras enquanto uma onda de constrangimento me atingia.

            Ele era realmente maldoso!

_Você diz que não, mas o seu rosto completamente vermelho me diz outra coisa _ continuou a provocar-me, novamente. Senti vontade de esganiça-lo ali mesmo.

_Por que você tem que sempre, ser tão idiota, hein? _ indaguei bufando, balançando a cabeça negativamente.

_Não sei, talvez seja porque você desperta esse lado em mim _ retrucou piscando um olho na minha direção num estilo brincalhão. Soltei um bufo descrente enquanto lutava contra a vontade de sorrir dele.

_Pare com essas baboseiras e me conte logo qual é a tão misteriosa proposta _ exigi, ao mesmo tempo que tentava me equilibrar direito ao me segurar em Ichigo, afinal não queria outra tentativa de afogamento acidental naquele lago.

E apesar de tentar me convencer que era somente por isso que os meus dedos se mostravam inquietos sob os músculos dos seus braços, ou que eu continuava a permanecer a uma curtíssima distância dele, eu sabia que lá no fundo aquela desculpa não era em nada convincente, todavia mesmo assim eu teimava a me recusar que fosse por qualquer outro motivo oculto.

_Então... _ começou, dando uma longa pausa dramática e quando ele viu que, por fim, eu estava abrindo a boca, prestes a reclamar ele prosseguiu _ Que tal eu ensinar você?

_Você? _ inqueri arqueando minha sobrancelha direita desconfiada.

_Eu _ confirmou me olhando divertido _ algum problema?

_Todos _ respondi como se a resposta fosse óbvia.

_Por quê? Não confias em mim? _ murmurou fazendo uma cara triste falsa. Soltei uma risadinha.

_Nem um pouco _ disse a ele mostrando um sorriso arrogante. Só faltou cruzar os meus braços, no entanto, naquele momento, era um gesto, no mínimo, difícil.

_Dessa vez você terá que confiar em mim _ desdenhou inflando o peito como um pavão _ Sabe por quê? _ balancei a cabeça de forma negativa _ Porque eu sou um nadador muito bom.

            Sorri da sua pose de macho-alfa enquanto ele dizia aquelas palavras à mim.

            Eu não sabia naquela hora, mas nós, geralmente, costumamos a notar quando estávamos realmente felizes quando algo ruim acontece. E, bom, quando esse momento chega, você tende a querer voltar no tempo e paralisá-lo ali, para que as coisas ruins não cheguem nunca.

            Mas elas sempre acabam chegando.

 

 

                                                                                                  ICHIGO

_Quero que relaxe _ pedi à ela quando notei sua tensão.

_Pra você é fácil, não é a primeira vez que você faz isso _ retrucou mal-humorada.

_Todo mundo tem a sua primeira vez, sendo assim eu já passei por isso também _ retruquei sem muita gentileza, confesso _ Agora, eu quero que você respire com calma.

            Ela suspirou, tentando obedecer ao meu comando.

_Eu estou com medo _ murmurou. Senti os seus dedos segurando mais forte os meus.

_Está tudo bem _ tranquilizei-a firmando ainda mais o aperto em nossas mãos.

_Não, não está _ negou balançando a cabeça freneticamente _ Eu acho que estou entrando em pânico _ informou sincera e pude notar que a sua respiração começava a ficar irregular.

_Ei _ soltei uma das nossas mãos e segurei seu queixo, erguendo-o em seguida _ se acalme, pra isso aqui funcionar para nós dois, você tem que manter a calma, está bem? _ ela concordou com a cabeça _ Ótimo _ sorri e recebi em troca um sorriso fraco.

_Promete que não vai me soltar? _ perguntou-me, olhando diretamente nos meus olhos. Lhe sorri tentando lhe passar confiança.

_Prometo _ respondi e recebi um sorriso mais firme dessa vez _ agora eu preciso que você separe um pouco mais as suas pernas _ instruí, observando-a meticulosamente.

_Assim? _ perguntou, separando os membros inferiores, mas não tanto quanto eu queria.

_Um pouco mais _ pedi _ Está perfeito _ disse-lhe assim que ela separou-as o suficiente.

_Eu estou me sentindo desconfortável nessa posição _ confessou se remexendo, fazendo com que a água ao nosso redor se agitasse.

_Bom você terá que aguentar um pouco _ respondi tentando ajeitá-la em uma posição melhor, mas me pareceu que não mudara em nada _ agora movimente as pernas _ orientei e ela o fez _ Isso mesmo, desse jeito.

            Rukia e eu estávamos a tentar fazê-la ao menos começar com o básico para aprender a nadar, obviamente que aquilo era algo para que ao menos ela tivesse uma ideia para quando fôssemos praticar quando tivéssemos mais tempo. Assim, eu estava apenas dando algumas dicas parecidas com as que eu havia dado para as minhas irmãs quando elas também estavam aprendendo a nadar.

            Apesar do seu receio, ela tentava se esforçar e se concentrar em tudo o que eu lhe dizia, eu por outro lado não poderia negar que o seu semblante sério em se dedicar naquilo, dando até mais importância do que de fato deveria, me atraia muito mais do que eu gostaria de admitir.

            Conforme eu ia a guiando com as mãos, ela batia os pés na água, imitando um nado, começávamos a achar aquilo, de certa forma, divertido. Foi completamente do nada, ela soltou uma pequena risadinha divertida quando um jato de água, provocado por seu pé, acertou minha cara em cheio. Semicerrei os olhos para ela e soltei uma de nossas mãos jogando água também no seu rosto.

            De um instante, para outro, ela começou a tossir convulsivamente como se estivera se afogando, coisa que me fez entrar em desespero. Soltei minhas mãos das suas e a agarrei pelos ombros a puxando para cima, sabia que se eu pudesse me ver naquele momento a preocupação estaria estampada na minha cara, contudo, no seguinte minuto vi um indício de sorriso nascer em seus lábios e o resto fora muito rápido, só pude sentir novamente, outro jato de água na minha cara enquanto uma gargalhada gostosa se seguia com ele.

            De um instante para outro, começamos com uma guerra d’agua, coisa que provocou espirros de água para todos os lados. Risadas e barulho de água preenchiam o local onde apenas o vento ousava reinar. Era divertido, muito divertido, estávamos fazendo algo a mais além de brigarmos e eu gostei, eu realmente gostei.

            De tantas mulheres pelas quais já haviam passado pela minha vida, de tantos sorrisos oferecidos à mim, de tantos perfumes, de beijos e sabores, Rukia era a melhor em todos os requisitos. Ela era a mulher mais linda que eu já havia visto, tanto que eu tenho certeza que a própria Afrodite, tinha inveja dela. Seu sorriso era tão brilhante, que todas as luzes do recinto a observavam e a estudavam, pois queriam brilhar como ele. Seu doce cheiro de jasmim, era como se me inebriasse, me fazendo esquecer qualquer outra fragrância de mulheres passadas. E tinha seu beijo, assim como seu sabor, ah os dois juntos! Era como se visse à mercê deles como nunca fora antes de quaisquer outros, ambos tinham poderes o suficiente para me pedir o que quisessem que eu cederia facilmente.

            Na minha vida havia algumas pessoas que eu amava e elas, por simplesmente serem elas mesmas, me faziam feliz estar em sua presença e, bom, tinham aquelas pessoas que só de saber que elas respiravam o mesmo ar que eu, já me causavam náuseas. Eu tinha certeza que Rukia não fazia parte do segundo grupo, porém não tinha certeza se ela se enquadrava perfeitamente no primeiro grupo também, uma vez que a sua simples presença já era o bastante para mexer com o meu equilíbrio mental e emocional, afinal, imagina-se que a pessoa amada deveria trazer equilíbrio espiritual e não o contrário. Na maioria das vezes de um jeito bom, mas nas outras...

            Digamos apenas que era bastante complicado.

_Ichigo, temos que ir senão vamos nos atrasar _ avisou enquanto pulava de um jeito engraçado para retirar a água inconveniente que ousara adentrar o seu ouvido.

_É verdade _ concordei passando a mão no meu rosto, na tentativa de retirar o excesso de água causada pela nossa pequena bagunça _ não faço a mínima ideia de que horas sejam.

_Nem eu.

            No instante seguinte saímos da água com as roupas encharcadas. Vi a pequena morena tremer assim que uma breve ventania passou por nós.

_Está com frio? _ perguntei preocupado, não queria que ela se resfriasse por minha culpa.

_Um pouco _ confessou sincera abraçando o próprio corpo _ mas nada com que se preocupe.

_Não sei, não _ murmurei não muito convencido pela sua resposta _ você está começando a tremer.

_É sério, eu estou bem e você não precisa se preoc- _ se interrompeu e franziu as sobrancelhas ao me observar _ O que você está fazendo?

_Sobe _ mandei indicando minhas costas. Eu estava agachado, esperando que ela fizesse o que eu pedi.

_Eu não _ se recusou de imediato. Abri uma carranca.

_Deixa de ser teimosa! _ ralhei olhando-a mal-humorado _ Com essas suas pernas pequenas vamos demorar o suficiente pra você pegar um resfriado.

            E pronto! Bastou eu falar aquilo para a birra dela começar.

_Eu não vou! E o que você quis dizer com que as minhas pernas são pequenas?

_Ah, me desculpe, você não sabia das suas mini pernas?

_Retire o que você disse! _ bradou com a irritação transbordando de seus poros.

_Senão o quê? Vai morder a minha perna? _ debochei me erguendo para a intimidar com o meu tamanho.

            A provocação funcionou, a intimidação... nem tanto.

_Desculpe, mas hoje eu não estou entusiasmada em me infectar com os seus germes _ ironizou, cruzando os braços sobre o busto.

_Talvez até os meus germes sejam bons demais pra você, afinal _ rebati também cruzando os meus braços.

            Seu rosto estava com uma expressão brava, mas eu percebi o começo de um brilho divertido atravessar seus olhos e em questão de segundos ela começava a rir como se fosse uma criança. Sem perceber, me peguei rindo junto à ela.

_Como foi que nós chegamos a uma discussão tendo como tema dela os seus germes? _ indagou entre risos e com lágrimas nos olhos.

            Dei de ombros e sorri.

_Não faço a mínima ideia _ respondi enfiando os meus dedos no meu cabelo, sacudindo-o em seguida para retirar a água que escorria sem parar desde que eu saíra do lago.

            Ela sorriu mais um pouco balançando a cabeça negativamente, todavia, me pareceu que ela se lembrara de algo, pois, no minuto seguinte agarrou os meus ombros como se fosse caso de vida ou morte.

_Eu não acredito que esquecemos de trazer o seu vestido! _ exclamou como se aquilo fosse o fim do mundo.

_Bem, ele não é exatamente meu... _ fiz questão de ressaltar, afinal senti que a minha dignidade não ficaria satisfeita sem aquele pronto esclarecimento.

_Ora, Ichigo! Não é hora para o seu ego masculino falar mais alto _ ralhou ao me lançando um olhar repreensivo _ Só pra esclarecer, se aquele vestido manchar, a Bárbara irá fazer picadinho de você.

            Bem, digamos que aquilo sim me deu incentivo para deixar o meu orgulho masculino de lado e focar nas minhas horas contadas de vida se aquele vestido manchasse.

_Bem, isso sim, me dá medo _ disse franzindo as sobrancelhas. Rukia até tentou segurar o riso, mas sem sucesso.

_Eu até queria te tranquilizar e te dizer que dá tempo de voltar e buscar o vestido, mas não daria _ informou com um falso tom de lamento.

_Sua preocupação comigo é tocante _ ironizei, ela apenas soltou um risinho _ o que você sugere que faremos então?

_Acho que podemos pegar alguma coisa para levarmos a água e limparmos o que pudermos da sujeira do vestido _ respondeu espremendo a camisa que ela estava usando. Esse gesto fez com que parte da sua barriga e cintura ficassem à mostra e, digamos, que foi impossível segurar os pensamentos perversos que tomaram conta da minha mente _ Ichigo? Ichigo? _ chamava-me, fazendo que eu desgrudasse os olhos da sua impecável e tentadora pele.

_Sim? _ perguntei desnorteado, parecia até que alguém havia me nocauteado.

_Você está me escutando? _ questionou com uma pitada de irritação em sua voz.

_Uhum _ murmurei em concordância. No momento era a única coisa que ela conseguiria arrancar de mim, devido ao hipnotismo que eu estava sofrendo por aquela parte tão tentadora do seu corpo. Era tão branca, tão curvilínea, tão perfeitamente definida, tão...

_E o que eu estava falando então? _ intrigou, contudo, eu nada respondi _ Ichigo? _ silêncio _ Ichigo! _ outra vez silêncio _ ICHIGO!

_Eu! _ respondi no susto e só então olhei para o seu rosto, reparando na expressão nada agradável que ela me dirigia.

_Quer prestar atenção no que eu estou te dizendo? _ brigava comigo com um tom irritado.

_Desculpe _ falei arrependido, ao mesmo tempo que eu soltava um muxoxo por vê-la cobrindo aquele pequeno espaço de pele descoberta.

_Vê se agora não se distraia, por favor _ pediu, mas soou mais como se fosse uma ordem _ Enfim, o que eu estava falando era que devíamos pegar alguma coisa para levarmos um pouco de água para limpar o vestido, o que você acha?

_É uma ótima ideia, mas pegaremos aonde? Porque eu não estou vendo nada aqui que possamos utilizar para fazer isso _ retruquei olhando para todos os cantos.

_Tem sempre um balde por aqui _ respondeu indo em direção de alguns arbustos _ Toushirou sempre deixa algum escondido, pois sempre esquecemos de trazer um quando vamos pegar água por aqui _ comentou remexendo nas plantas.

            Comecei a resmungar mal-humorado por conta dela tocar no nome do albino irritante, afinal não é como se eu me importasse com as coisas que ele fazia ou deixava de fazer e eu nem mesmo queria saber das coisas que os dois faziam juntos também, visto que eu odiava a intimidade que tinham, contudo a raiva que eu sentia do relacionamento deles era brincadeira de criança perto da que eu sentia quando envolvia Rukia e Renji.

            Esse sim me tirava o juízo, o que era longe de ser algo bom. Estava tão na cara o quanto ele era apaixonado por ela pela forma em como ele a olhava, pelo jeito que ele agia perto dela ou com o ódio transparente que ele sentia por mim, já que o noivo dela é eu.

            Eu sei que ele não se conformava com isso, assim como eu também sabia que ele jamais se conformaria.

            Mas ela era tão inocente com aquele amor fraternal que ela acreditava ser de ambas as partes, o que me deixava sem ação, afinal, mesmo que eu nem queira imaginar como seria ele se declarando para ela, sei que isso ocorrerá em algum momento, uma vez que se eu não estiver enganado com os sentimentos dele, uma hora eles irão transbordar e irá ser o momento dele se declarar à ela.

            E só Deus sabe o que ela dirá e como ela racionará à isso.

            Eu tento me tranquilizar, me enganando que não importa como ela vai agir perante à isso, mas tenho medo de que no final de tudo, o sentimento acabe sendo recíproco.

            E eu sinceramente não sei como reagiria à isso.

 

                       

                                                                                   RENJI

 

_Rukia? _ chamo por ela enquanto corro pelos jardins. Ela tinha o habitual costume de se esconder entre suas amadas flores quando estava chateada com algo, ou até mesmo, nesse caso, com alguém _ Rukia? _ chamo outra vez metendo o meu rosto entre os lírios a procura dela. Solto um espirro ao mesmo tempo que ouço um barulho no meio dos arbustos do outro lado _ Rukia, é você? _ pergunto e vejo dessa vez os galhos se mexerem. Ando até lá e abro caminho com as mãos, metendo a minha cara em seguida, pegando a pequena desprevenida _ Aí está você! _ digo abrindo um sorriso vitorioso.

_Humph! O que você quer, seu enxerido? _ retruca mal-humorada inflando as bochechas. Acho ela fofa.

_Credo, com essa cara enrugada, você ficará velha logo _ zombo atravessando por fim aquela barreira de plantas, parando bem a sua frente.

_E o que você tem a ver com isso? _ rebate ainda irritada, mas aquilo só me faz rir.

_Posso perguntar o porquê você está escondida aqui e com esse humor? _ indago me sentando do seu lado. Ela me olha em seguida arranca uma folha de um arbusto atrás de si e começa a tritura-lo entre os seus dedos devagar.

_Meu irmão tocou naquele assunto de novo _ resmungou chateada colocando mais força ainda nos dedos, fazendo-os ficarem com as pontas vermelhas.

_A do seu noivado? _ questiono franzindo as sobrancelhas. Ela concorda com a cabeça de forma triste enquanto olha para baixo _ O que foi que ele disse dessa vez?

_Ele disse que talvez o pai da ‘criatura surgida dos confins do mundo’ vai vir aqui por uns dias _ responde, suspirando em seguida. No minuto seguinte seus olhos se viram pra mim, quase que pedindo por ajuda.

_Essa ‘criatura surgida dos confins do mundo’ pelo qual você se refere é....

_O meu noivo _ falou rolando os olhos o que me fez sorrir.

_Por que ‘criatura surgida dos confins do mundo’ ? _ instiguei sorrindo ainda mais do bufo impaciente que ela deu.

_Essa explicação é realmente importante? _ indagou arqueando a sobrancelha.

            Gargalhei alto, balançando a cabeça.

_Não, não é _ respondo assim que me recomponho _ mas ela me parece divertida.

_Isso, não vem ao caso, o que importa é que eu disse pro meu irmão que não queria ver esse homem e disse que fugiria se ele viesse para o nosso castelo _ disse quase atropelando as palavras de tão rápido que elas saíam da sua boca, porém, deu uma pausa no final _ Mas ele brigou comigo e disse que eu não fui criada para ser mal educada dessa forma _ seus olhos se encheram de lágrimas.

_Hey _ chamei-a segurando seu queixo, erguendo seu rosto para que seus lindos olhos lilases se encontrassem com os meus _ Não chore, seu irmão deve estar só um pouco irritado de novo depois de uma reunião, sei que daqui a pouco ele virá se desculpar com você _ falei enxugando algumas lágrimas teimosas que insistiam em cair nas suas bochechas vermelhas.

_Eu não quero me casar com alguém que eu não conheço e nem gosto _ desabafou chorando ainda mais. A abracei, afagando sua cabeça com carinho.

_Está tudo bem, está tudo bem _ tranquilizo-a. Era uma coisa normal ela estar agindo assim, mesmo que seja uma princesa com deveres e responsabilidades a serem cumpridos, ela só tem sete anos, é um fardo muito grande para alguém tão pequena lidar. Mesmo eu tendo nove anos, tenho consciência disso.

            Ela chorou e fungou agarrada à mim até se acalmar. Quando, por fim, seu choro se findou, os olhos, o nariz e as suas bochechas estavam vermelhos.

_Me desculpe _ sussurra com uma expressão culpada enquanto olhava para o chão. Suas mãos retorciam sem parar a barra da saia do seu vestido amarelo.

_Está se desculpando pelo que exatamente? _ pergunto à ela confuso.

            Nesse momento ela ergue se olhar na minha direção e foi impossível não achá-la adorável com os seus grandes olhos brilhantes, as bochechas levemente vermelhas por conta do choro e os cabelos sendo levados pelo vento que soprava naquele instante.

_Por ter chorado por esse motivo _ respondeu sincera, largando a barra da saia e começando a chutar algumas pedrinhas _ Sei que não devo chorar por um motivo bobo desses.

            Retornei pegar o seu queixo para que eu pudesse enxergar o seu rosto novamente.

_Esse motivo não é bobo, muito pelo contrário. Eu queria que você pudesse escolher o rumo da sua própria vida, afinal, você deveria ter esse direito como qualquer pessoa normal _ falo isso sem nem piscar olhando diretamente em seus olhos _ sinto muito que eu não possa fazer nada agora, mas um dia quando você estiver mais velha e estiver quase pra se casar com essa ‘criatura surgida dos confins do mundo’ _ ela riu do tom engraçado que eu usei nas últimas palavras _ eu vou fazer algo pra impedir.

_Você promete? _ indagou e sua expressão esperançosa me fez abrir um sorriso doce.

_Eu prometo _ confirmo, alargando ainda mais o meu sorriso para ela.

_Eu queria que você fosse o meu noivo ao invés da ‘criatura surgida dos confins do mundo’ _ declarou abrindo um sorriso lindo. Nesse momento eu não sei qual foi dos motivos que fez o meu coração parar: o sorriso ou a declaração que ela acabara de dizer, mas acho que eu cheguei à um consenso de que fora ambos.

_P-por-por q-qu-que? _ gaguejo sentindo as minhas bochechas esquentarem.

_Porque eu acho que seria melhor se casar com o meu melhor amigo do que com um desconhecido _ responde simplesmente ao mesmo tempo que observa uma borboleta. Rukia sorri e a borboleta pousa bem na ponta do seu nariz, como se até ela tivesse caído nos encantos da menor que lhe sorria feliz.

            Eu também queria que eu fosse o seu noivo, mas os meus motivos eram muito diferentes dos dela. Eu não queria casar com Rukia porque ela era a minha melhor amiga, eu queria casar com ela porquê...

 

_Você tem certeza que está bem? _ perguntei franzindo as sobrancelhas preocupado.

_Estou _ respondeu abrindo um sorriso tranquilizador.

_Tem certeza absoluta? _ insisto ainda não muito convencido da sua resposta, contudo ela apenas soltou um sorrisinho.

_Tenho _ afirmou com um aceno de cabeça ajeitando o sobretudo que fora recentemente comprado _ Você acha que dá pra ver alguma coisa?

_Não _ respondi depois de olhá-la de todos os ângulos possíveis _ Mas voltando ao assunto, você tem certeza-

_Sim, eu tenho _ disse antes mesmo que eu terminasse de pronunciar toda a minha pergunta _ de verdade, você está com uma expressão que me diz que está se culpando pelo que houve agora a pouco, mas você não teve culpa alguma.

_Mas você está na minha responsabilidade... deixar que algo assim ocorra com você estando sobre a minha tutela é.... simplesmente vergonhoso para a minha profissão _ confessei me sentindo um fracasso como guardião. Gentilmente ela tocou o meu braço tentando me passar apoio.

_Foi imprudência minha agir daquela forma, então está tudo bem, de verdade _ afirmou me olhando com firmeza nos olhos _ só quero que mantenhamos isso em segredo dos outros _ pediu.

_Não posso _ neguei com uma expressão séria.  Ela franziu as sobrancelhas.

_Por que não? _ quis saber cruzando os braços. Era notório que aquela resposta negativa não lhe agradara nem um pouco.

_Não me leve a mal, majestade, mas acho que você precisa de cuidados médicos _ expliquei com calma tentando fazer com que ela entendesse o meu ponto de vista _ Pois se mantermos isso oculto, a senhorita poderá ficar com algumas marcas na sua pele que talvez nunca irão sumir.

_Tenho plena ciência disso, guarda Abarai _ retrucou com um tom de voz sério _ Mas se os outros souberem, você e eu estaremos em apuros, por isso não se preocupe com essas feridas, as cuidarei e pedirei a ajuda da Barbi quando chegarmos ao castelo e estivermos sozinhas _ tranquilizou-me, suavizando o tom da sua voz nas últimas palavras.

_Mas- _ tentei intervir, todavia ela pousou novamente sua mão no meu braço. Olhei para seu rosto e ela me sorria calma.

_Está tudo bem _ voltou a afirmar _ não é a primeira vez que algo assim ocorre e ela me ajuda, no máximo ela só vai me dar uma bronca pela minha imprudência, mas eu afirmo que ela é muito boa cuidando de ferimentos.

            Suspirei concordando com a cabeça mesmo não estando de acordo com a sua decisão, afinal suas palavras eram muito seguras e firmes do que ela dizia para mim continuar a contradizê-la.

_Agora já podemos parar de nos tratar formalmente? _ brinquei, tentando dissipar a tensão que de uma hora para outra ficara muito pesada com a ausência de palavras.

            E funcionou porque ela sorriu.

_Podemos sim _ respondeu acenando positivamente enquanto sorria _ mas só lembrando que foi você quem começou com o tratamento formal.

_Eu reconheço isso _ ergui as mãos em sinal desistência ela soltou um sorrisinho engraçado.

            Ao contrário do que eu pensava, ela não era tão insuportável como seu primo, muito pelo contrário, sua presença era divertida e ela era uma pessoa incrivelmente inteligente, não que aquilo de fato, me surpreendesse, afinal se ela tinha a posição que agora ela usufruía, não era à toa.

            Embora eu reconhecesse isso, em algum recanto da minha mente eu me repreendia pelo mesmo motivo, uma vez que isso significava reconhecer que nem tudo relacionado aquele maldito era ruim e eu não queria absolutamente nada que fizesse com que a minha opinião, de algum jeito, lhe fosse favorável.

            Eu o odiava.

            Eu o odiava como nunca odiei algo em toda minha vida.

            Odiava tudo dele, o tom da voz dele, a maneira convencida que ele sempre desposara, o ar arrogante com qual ele sempre parecia tratar a qualquer pessoa, o sorriso enjoativo que parecia derreter as pernas de qualquer dama no mesmo recinto que ele, mas mais do que tudo isso, odiava a maneira que fazia Rukia parecer incrivelmente tola ao seu lado.

            Ela parecia apaixonada por ele, completamente apaixonada.

            E isso me deixava incrivelmente furioso.

            Afinal, ela nem mesmo queria casar com ele, ela era boa demais para um sujeito de meia tigela feito ele, ela era boa demais pra qualquer um.

            Ninguém chegava aos seus pés quando ela sorria e iluminava qualquer lugar por mais claro ou escuro que poderia ser, seu sorriso era lindo, e eu viva apenas para vê-lo e contemplá-lo. Ninguém era tão incrivelmente sexy quanto ela quando ela abria um dos seios meio-sorrisos e piscava os olhos devagar, na realidade, eu suspeitava que ela nem sabia que tinha esse poder sobre os homens ou até mesmo o quanto aquilo era fatal.

            Ela era linda, toda linda, em todas suas expressões, humor e até mesmo quando ela achava que não era. E era doloroso pra mim viver ao seu lado sem nunca poder dizer aquilo.

            Eu nunca poderia lhe dizer que toda vez que eu a via, o mundo inteiro pra mim girava mais rápido e muito devagar ao mesmo tempo, ou falar que não importasse o quão linda fosse uma música, ela jamais chegaria perto da bela melodia da sua risada, ou que cada vez que ela olhava para mim eu me apaixonava mais uma vez.

            Eu nunca, nem mesmo, poderia lhe dizer que a amava.

            Mas estava tudo bem. Pra mim bastava estar apenas ao seu lado, mesmo que eu soubesse que havia um limite, o qual eu jamais poderia ultrapassar.

            Mesmo que ela estivesse pra se casar com outro, meu coração bateria por ela até a sua última batida ou até mesmo depois que parasse de bater, porque eu a amava e já havia me conformado que seria assim para sempre.

_Renji? _ escutei meu nome ser chamado bem baixinho.

_Sim? _ voltei minha atenção a Arael que me olhava preocupada.

_Você está bem? _ indagou observando-me com atenção.

_Sim, por quê? _ respondi-lhe ao mesmo tempo que tentava abrir um sorriso para tranquiliza-la, entretanto fora sem sucesso ao perceber que ela franziu as sobrancelhas.

_Você de repente fez uma expressão tão triste... _ falou num tom baixinho.

_Impressão sua _ desconversei. Droga! Não queria que ela tivesse percebido! _ Estamos quase chegando e eu estou nervoso que alguém perceba os seus machucados, só isso _ improvisei ao ver que aquela primeira explicação não lhe bastara.

_Você acha que dá pra notar? _ intrigou tentando se olhar de todos os ângulos possíveis preocupada.

_Não, não dá, é só paranoia minha mesmo porque eu estou preocupado com você _ bom, ao menos isso não é de todo, mentira.

_Entendo _ murmurou olhando para algumas crianças correndo à nossa frente _ Eu estou bem, mesmo que já tenha repetido umas cinquenta vezes para você _ sorriu e eu a acompanhei _ prometo que quando voltarmos eu vou cuidar dos meus machucados devidamente e te manterei informado deles.

_Eu fico grato _ agradeci sincero _ Mas bem, nós já estamos chegando no ponto de encontro então- _ não consegui terminar de dizer o que eu tinha pra falar, o que não importava no fim das contas uma vez que aquilo sumiu da minha mente no mesmo momento que eu pus os meus olhos no casal um pouco mais à minha frente.

            Rukia e Ichigo.

            Ele a estava segurando pela cintura no alto, sorrindo, enquanto ela brigava com ele para deixa-la no chão, no entanto, via que a morena não estava sendo firme como deveria, pois um sorriso estampava na sua cara.

            Eu nem mesmo sei como eu os vi, os dois estavam em um lugar onde ninguém mais os via, a não ser que se, realmente, prestasse atenção e, bom, ninguém estava, exceto eu.

            Ela parecia feliz e ele também. Ichigo a rodopiava no ar, até que, em um momento, ele a pôs no chão e a princesa começou a estapeá-lo como castigo pelo gesto sem a autorização dela, todavia, antes que ela pudesse continuar dizer-lhe ou fazer-lhe algo, o ruivo rouba um beijo dela.

            O beijo em si não durou por muito tempo e assim que ambos se separaram ela voltou a brigar com ele, estapeando-o. Contudo a sua face estava agora tomada num tom carmesim e um indício de sorriso dançava em seus lábios. Ele por sua vez, apenas sorria do castigo que recebia e voltou a se aproximar dela a abraçando mesmo contra a vontade da menor. Rukia relutou por alguns segundos, mas aceitou o abraço, retribuindo em seguida com carinho enquanto encostava sua bochecha no peitoral dele, abrindo um sorriso doce.

            Seria uma cena bem cômica, para mim se fossem outro casal, uma vez que ele vestido de mulher e ela vestido de homem fazia aquela cena um tanto estranha, contudo aquilo não passava de trágico pra mim e repulsivo.

            A primeira coisa que eu senti foi dor. Uma dor tão grande e insuportável que dificultou a minha respiração e eu não conseguia expirar e inspirar, pra dizer a verdade, era como se, de repente, tivesse esquecido de como fazia essa simples tarefa. Depois veio a pontada no meu peito e um som ensurdecedor ao fundo de algo se partindo, era como se um vidro tivesse sido jogado brutalmente em uma parede e se estilhaçado em mil pedaços.

            Em seguida veio uma imensa vontade de ir para qualquer lugar que não fosse justamente aquele que eu estava, a vontade de desaparecer era tanta que por um momento eu me desliguei de tudo a minha volta de um jeito tão profundo que quando retornei sei lá de onde, me esqueci de onde estava.

            E então veio todos aqueles sentimentos juntos: raiva, mágoa, dor, tristeza...

            ...dor, dor e mais dor...

            E foi aí que eu me lembrei de quando ela foi oficialmente pedida em casamento.

            Foi a mesma sensação.

Naquele dia ela estava tão linda... estava brilhando mais que qualquer uma naquele baile. Ela sempre estava muito bonita, porém ali, no seu aniversário, era como se nenhuma coisa, por mais brilhante que fosse, cintilava como ela. Tudo nela resplandecia e radiava felicidade. E não me passou despercebido que no dia anterior a chegada do seu noivo, ela estava um pouco para baixo.

            Na verdade, no mês em que eles dois não se viram logo após se conhecerem, ela havia ficado um tanto deprimida, eu convidava-a para passearmos juntos, mas ela apenas dizia que estava sem vontade ou que tinha algum compromisso a cumprir designado por seu irmão. Cheguei, inclusive a sugerir um dos seus amados passeios as escondidas pela província, mas de nada adiantou. Ela parecia sentir falta de algo e as vezes eu a pegava olhando para o colar que sempre carregava consigo desde a partida do seu noivo.

            E eu sempre tinha uma sensação ruim quando isso ocorria.

            Mas quando eu a vi, no seu aniversário junto com ele foi como se cada pensamento de inveja e ciúmes tomasse conta de mim, eu tentava fingir que ele ao menos não me importava tampouco, não queria que as pessoas ao nosso redor desconfiassem disso, mas não me importava em deixá-lo saber que ele não me passava por nada pela garganta.

            Afinal, eu nem mesmo gostava dele logo que eu soube que Rukia estava prometida à alguém e gostei muito menos quando, pesquisando um pouco sobre ele, descobri a fama promíscua que carregava, não que eu pudesse criticá-lo ou algo assim, minha fama também não é das mais perfeitas, contudo para mim, no mínimo gostaria que a pessoa com a qual ela se comprometesse não fosse um libertino com “L” maiúsculo.

            Ela merecia alguém gentil, que a amasse mais que tudo, que fosse seu amigo para todas as horas, que sempre estaria com ela, tanto nos momentos ruins quanto nos bons, que lhe dissesse que ela estaria linda todos os dias e que a fizesse sorrir sempre, mesmo quando ela estivesse triste, que fosse seu porto seguro a protegendo de qualquer um ou qualquer coisa, que a fizesse se sentir a coisa mais importante e mais amada do mundo inteiro.

            Ela merecia alguém que não fosse nem eu e muito menos ele.

            Mas quando ele a olhava e ela olhava-o de volta, pareciam tão...

            ... Apaixonados.

            E doía, doía vê-los juntos, doía vê-la sorrindo para ele como se aquele maldito fosse o motivo da sua felicidade. Doía saber que eu nunca tive chance porque ela sempre estaria fora do meu alcance.

            Sempre.

            Embora eu sempre tivesse ciente disso, nunca essa realidade me atingiu tanto quando eu o vi pedindo-a em casamento na frente de todo mundo. Eu reparei todas suas reações: primeiro veio a surpresa estampada em sua cara, tanto que o seu queixo caiu e ela ficara estancada no mesmo lugar. Em seguida veio o som da sua risada melodiosa preenchendo o recinto que havia ficado em silêncio total, não era uma das suas risadas costumeiras, era uma risada que transbordava alegria. E por fim veio as trocas de palavras enquanto ela, enfim aceitou o pedido na frente de todos.

            Naquele instante, ninguém poderia dizer que os dois estavam se casando por obrigação, ninguém nem suspeitaria disso se a notícia não tivesse chegado à público anos antes pelos próprios reis dos Reinos do Sol Negro e da Lua Branca, visto que todo mundo ali presente jurava que aquele casamento havia sido feito por duas pessoas perdidamente apaixonadas.

            Um compromisso feito por amor.         

            E aquilo doeu como nunca algo havia doído antes, doeu como se cada pequena partícula do meu corpo estivesse morrendo e eu senti que estava, de alguma forma, morrendo.

            E foi impossível pra mim não olhá-la com mágoa quando ela voltou feliz com um novo anel adornando o seu dedo. Me sentia de alguma forma traído por ela, traído pelas suas palavras anteriores de o quanto ela o odiava, ou o quanto tinha repugnância por estar sendo obrigada a se casar com ele, ou até mesmo pela sua promessa de que nunca chegaria a amá-lo por ele representar tudo de ruim na vida dela.

            Era como se fosse outra pessoa com a chegada dele, uma pessoa completamente diferente e isso me fez estranhá-la de tal modo que eu não conseguia enxergar ali a minha Rukia.

            Mas só que ela estava lá, era ela, a mesma de sempre, só que gostando de outra pessoa. Gostando dele.

            E quando ela me olhou tão alegre e feliz com as faces vermelhas pelas enxurradas de perguntas e comentários da nossa pequena roda, foi como se a minha tristeza fosse muito maior naquele momento. Foi impossível esconder o quanto eu estava ferido vendo ela parecer feliz ao lado de outra pessoa.

            E ela notou isso, mesmo eu tentando não demonstrar o quanto aquilo me machucava. E ela tentou conversar comigo e descobrir o que havia, mas tudo que ela dizia parecia que só fazia piorar as coisas pra mim e acabei dizendo o que eu não queria, pra dizer a verdade quase digo algo do qual eu me arrependeria muito mais tarde, por isso vi a minha deixa quando eu vi a laranja estragada vindo na nossa direção.

            Desde então eu sabia que ela queria falar comigo, todavia as circunstâncias não permitiam por falta de oportunidade, afinal o que tínhamos para falar, o que ela tinha pra me perguntar na verdade, era apenas em privado.

            E eu achava isso bom. Eu não queria falar e ter aquela conversa com ela. Não agora e nem nunca se dependesse de mim.

            No entanto, ver eles ali juntos, a maneira como estavam, a maneira como ela estava agindo, doía tanto que eu parecia que iria sufocar com o nó que deu na minha garganta.

_Renji? Ren...ji? _ chamava-me Arael num tom baixinho. A minha expressão deveria estar realmente ruim, pois quando ela viu o meu rosto me abraçou como se estivesse me consolando.

_O que? O que houve? _ perguntei sem entender o seu gesto repentino. Ela apertou seus braços me abraçando mais forte.

_Você parecia que precisava de um abraço _ sussurrou baixinho com uma voz gentil.

_Eu não- _ nessa hora senti algumas gotas de água escorrerem pelo meu rosto. A princípio pensei que poderia ser uma chuva que estava a cair ali naquele momento, entretanto, percebi que não se tratava disso quando a minha visão ficou turva.

            Eram lágrimas, as minhas lágrimas.

            Fiquei em choque quando eu as notei, visto que nem me lembrava da última vez que eu havia derramado alguma lágrima. Mas, naquele instante, foi como se elas viessem uma a uma, sem esperar que a outra se findasse para prosseguir escorrendo até o meu queixo.

            Tentei pará-las, porém não consegui, era como se naquele instante, eu não tivesse controle sobre os meus vasos lacrimais ou sobre os meus sentimentos transbordando mágoa e dor. Eu nem mesmo percebi quando apoiei meu rosto no topo da cabeça da pequena rainha, aceitando o conforto que a pequena me dava. Normalmente eu jamais aceitaria fraquejar na frente de alguma pessoa, porém, naquele momento eu nem sequer sabia o significado da apalavra orgulho. Tudo que eu queria era ser consolado. E consolado por alguém que me dissesse que tudo ficaria bem.

            Meu coração doía e apesar de saber que a dor era apenas emocional, eu jurava que chegava a ser uma dor física também.

_Renji? Arael? O que vocês dois estão fazendo aí parados? _ indagou uma voz feminina indo ao nosso encontro.

            Tomei um susto e me virei de costas tentando enxugar as lágrimas que ainda caíam, já era humilhante demais que uma garota de treze anos tivesse me visto chorando e ainda me consolado, não queria que a minha dignidade caísse por terra ao ser visto por outras pessoas. Arael, por outro lado, se virou de frente para a dona da voz, que no caso, era a Bárbara.

_Bárbara, Toushirou! Que coincidência vê-los aqui! _ exclamou Arael num tom estridente demais.

_Nem tanto, afinal já não é a hora de nos encontrarmos no ponto marcado? _ retrucou Toushirou de forma seca. Por um momento pensei que era estranho ele usar aquele tom às outras pessoas, normalmente ele fazia jus a educação que recebe dos pais.

_Renji? _ ouço a Ministra chamar o meu nome. Sua voz soava preocupada _ você está bem?

            Respirei fundo na tentativa de me recompor e retomar o controle das minhas emoções que, no momento, estavam um caos e assim que achei que poderia manter a minha cara impassível tomei coragem para dar atenção à dupla que acabara de chegar.

            Bárbara ainda me olhava preocupada esperando por uma resposta enquanto Toushirou parecia irritado com alguma coisa.

_Estou bem _ respondi abrindo um sorriso fraco, já que naquele instante era a única coisa que eu conseguia me forçar a fazer para lhe transmitir que eu estava bem.

            Ela me olhou desconfiada e vi ela abrir a boca prontamente para insistir no assunto, mas sua irmã tocou o seu braço e balançou a cabeça negativamente num claro sinal que ela não deveria me fazer perguntas. Ela ficou me olhando em silêncio por um tempo e me sorriu doce. Eu não sei se aquela amabilidade era coisa de família, mas elas duas tinham uma sensibilidade com as pessoas ao seu redor que de certa forma me encantou.

_O que vocês dois estavam fazendo? _ indagou Toushirou intercalando seu olhar de mim para a Arael, seu humor não parecia dos melhores.

_Como assim? _ perguntei confuso. Ele parecia estar com....

            ... Ciúmes?

_Vocês estavam abraçados, não estavam? _ inqueriu semicerrando seus olhos afiados para mim e para a pequena ao meu lado.

_Quem estava abraçando quem? _ perguntava dessa vez uma voz curiosa ao fundo. Meu coração parou no mesmo momento que eu vi a dona da voz juntamente com o terror dos meus pesadelos ao seu lado.

_Arael e Renji _ apontou Toushirou acusatório _ quando chegamos aqui eles dois estavam abraçados, abraçados demais _ enfatizou e parecia que ele me olhava com.... raiva?

_E o que você tem a ver com isso, seu intrometido? _ rebateu Arael no mesmo instante. Ele a lançou um olhar fulminante, quase tão parecido quanto o dela própria.

_Está bem, está bem. Acabou a intriga _ interviu Bárbara se colocando no meio de ambos como se fosse uma irmã mais velha dos menores.

_Mas foi ele quem começou! _ protestou Arael revoltada.

_Mas eu já estou acabando! _ retorquiu Bárbara usando um tom de advertência parecido como de uma mãe.

_Isso é tão injusto! _ resmungou a pequena rainha cruzando os braços zangada. Sem perceber acabei soltando um risinho.

_Parece que vocês andam agitadas como sempre _ comentou o cabeça de cenoura podre, sorrindo.

            Meu sorriso se fechou no mesmo instante. Era incrível como apenas o tom de voz dele era o suficiente para querer perder o sentido da audição por vontade própria, não que isso fosse alguma novidade pra mim, qualquer coisa vinda dele já me fazia querer matá-lo ou me matar por ser obrigado a conviver com ele.

            O resto da conversa foi regado a comentários cômicos sobre o que cada um havia feito nas horas que nos foram dadas. Claro que a mudança de roupa de Rukia havia sido bastante enfatizada, afinal por que motivo ela teria se dado ao trabalho de trocar de vestimenta por nada? Além disso o vestido que o ridículo do seu noivo usava, estava com algumas sujeiras despontando no tecido vermelho, coisa que não passou despercebido pela sua dona que jurou que se aquele vestido manchasse ela mancharia também a pele dele de hematomas, o que, vale ressaltar, me fez simpatizar bastante com ela.

            Embora ambos tivessem desconversado o assunto e tivessem dado uma desculpa elaborada que fora suficiente para Toushirou, Bárbara e Arael, não fora o bastante pra mim. Eu sabia onde eles estavam e odiei saber que ela havia levado ele ali. A única pessoa que eu aceitava além de nós dois naquele lugar era Toushirou, mas isso porque o albino era considerado por mim e por ela como um irmão caçula e, pra mim, era imperdoável que ela o tivesse levado ali.

            No nosso lugar.

            E como já não bastasse sentir como se eu tivesse levado um soco no estômago ao me sentir traído novamente, havia aquelas paranoias que a minha mente inventava para preencher a curiosidade do porquê que ambos estavam daquele jeito.

            Era como se eu sentisse o inferno pela segunda vez naquele dia.

            Nos instantes seguintes resolvemos retornar ao castelo e eu agradecia mentalmente por aquilo. Eu estava exausto. Queria me afogar em qualquer prazer carnal na tentativa de esquecer por um breve segundo a dor, mágoa e raiva que eu sentia naquele instante e eu não me importava de que o fosse por alguma desconhecida.

            Eu só queria esquecer.

            Dessa forma quando cada um chegou ao castelo de forma sorrateira, tiramos nossos disfarces em um local privado, com a exceção da pequena rainha que deu a desculpa de que o preferia fazer na comodidade do seu quarto e assim seguimos para lados diferentes. Concordamos que depois chegaríamos a um consenso de quem havia ganhado aquela aposta ridícula, a qual eu nem mesmo acreditara que havia concordado, pois achava que a minha dignidade nunca mais se recuperaria.

            Fui ao encontro de sua Majestade Kuchiki que ordenara algo que eu precisava-lhe informar da província e assim que eu terminei o meu relatório, saí em busca de algum conforto carnal com uma das convidadas do matrimônio, matrimônio este que eu mais detestava no mundo. A moça era uma condessa viúva, ainda à flor da idade, pois seu marido falecera logo após ambos terem feito dois anos de casados. Ela chamara a minha atenção não somente por ser incrivelmente bela, mas também por ter algumas feições semelhantes às de Rukia e seu interesse ficara bem estampado logo que ela botara seus olhos em mim.

            Nos envolvemos pela primeira vez no aniversário da caçula Kuchiki e não fora nada ruim, principalmente por ter necessitado de um conforto amigo naquele instante, assim como eu estava precisando agora e levando em conta que ela deixara totalmente claro que quando eu sentisse vontade era só ir vê-la, me vi direcionando meus passos até o seu quarto.

            Contudo, meus planos foram bruscamente interrompidos quando eu senti um soco violento atingir o meu rosto. Em questão de segundos me vi no chão soltando um gemido de dor, segurando o local atingido. Quando olhei para cima vi a pessoa responsável por aquele ato revoltante.

            Era a pessoa que eu mais odiava no mundo inteiro.

            Não pensei duas vezes em me erguer e voar pra cima dele com todo o meu ódio, raiva e mágoa reprimidos até então. Eu não queria saber o motivo dele ter me dado o primeiro soco, até porque não me importava, afinal aquilo era um bom argumento que poderia utilizar quando desfigurasse aquele maldito rosto. Eu iria descontar a minha fúria ali.

            E que Deus me segurasse de não matá-lo.


Notas Finais


E qual será o motivo do soco de Ichigo?
E chegamos finalmente ao confronto dos dois ruivos!
E então? Qual é o seu lado? #TeamRenji ou #TeamIchigo?
O meu é... segredo *risos*.
Ai gente, eu fiquei com o coração na mão narrando a parte do Renji, afinal todo mundo entende o quão doloroso um sentimento platônico é, não é mesmo?
Eu não sei quando postarei o próximo, mas espero que logo.
Obrigada por lerem até aqui e espero ser merecedora de comentários S2
Beijinhos e até a próxima, meus bebês S2 *3*


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