História Relatos de um crime - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Comedia, Década De 60, Ditadura, Drama, Fatos Historicos, Policial, Romance
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Policial, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - "1500 DEAD IN HAWAII. CONGRESS VOTES WAR."


Fanfic / Fanfiction Relatos de um crime - Capítulo 1 - "1500 DEAD IN HAWAII. CONGRESS VOTES WAR."

A televisão estava ligada, enquanto o Delegado dormia no sofá. Sua filha estava sentada no chão, prestando atenção em cada detalhe que passava no noticiário. A cada dia, uma nova possibilidade de ataque aos Aliados assustava a menina, que desde pequena, sonhava em ser como seu pai. Apesar do medo, ela o vencia, imaginando que era como os heróis americanos que lutavam contra o nazismo.

– Por que você ainda está acordada? – Ela levou um susto ao ver que seu pai se ajeitava no sofá.

– Estava assistindo a notícia do ataque a Pearl Harbor, papai. – Ela respondeu timidamente.

– E o que dizia? – O pai sentou no sofá e acariciou o cabelo negro da filha, dando um beijo em sua cabeça.

– Que haviam... Mil... Dois mil... Mil e quinhentos mortos em Oahu e, que o Congresso Americano decidiu entrar na Guerra ao lado dos Aliados. – O pai bagunçou o cabelo da menina, enquanto ela se bagunçava com as palavras.

– E o que você acha? – Ele olhou para a menina, que havia um brilho nos olhos.

– Que eles estão certos em lutar pela democracia! – Ela levou a mão ao peito e sorriu ao falar com convicção.

– Essa é a minha garota! – Ela levantou do chão e abraçou o pai. Os dois permaneceram em silêncio durante o abraço.

– Um dia serei como você, papai. – Ela confessou. O delegado sorriu e acariciou o rosto da menina.

– Eu sei que será, mas ainda terá que beber muito para chegar nessa minha barriga. – Os dois riram e logo se abraçaram novamente.

"Sei que será, e ainda, será melhor do que seu pai", ele pensou enquanto sua filha estava em seus braços, apertando-a com força após o pensamento.

•••

"Hoje completa vinte e dois anos desde a ida dos ex-combatentes da FEB ao solo Europeu. A nossa repórter Dolores Nogueira irá nos mostrar as homenagens feitas pelos parentes dos nossos heróis..." – Margarethe desligou a televisão e logo se jogou no sofá. Em sua mão havia uma Budweiser que ela bebericava enquanto relembrava memórias de sua infância.

– Vinte e dois anos atrás, o senhor estava aqui ao meu lado. – Ela disse em voz alta. A menina já estava em sua quarta garrafa, era fraca com bebidas alcoólicas. Misturava a realidade com a imaginação, uma das situações que a saudade e o teor do álcool proporcionavam. – Estou bebendo pai. – Ela riu da situação ao lembrar do que seu pai havia dito na noite anterior a sua partida.

As lágrimas corriam pelo seu rosto. Todas às vezes neste dia, ela repetia o mesmo ritual. Não conseguia lidar com seus sentimentos, assim como seu pai, que usava a bebida como escape. Margarethe cresceu sem a mãe e, por muito custo, foi criada pelo pai. A menina havia apenas um ano, quando sua mãe foi vítima de um assassinato. Desde então, a postura de seu pai mudou drasticamente. Começou a beber, tornou-se cada vez mais relaxado e despreocupado com tudo e todos. Apesar de tudo, o comportamento dele não afetou a educação da menina, que se tornou uma das melhores agentes do Rio de Janeiro.

O dia amanheceu. O canto dos pássaros acompanhado do som do despertador compunham a melodia daquela manhã. A menina se despreguiçou da noite de sono que teve no sofá e caminhou em direção a escada que levava ao seu quarto. "Tenho que parar de beber", ela pensou enquanto subia as escadas, sentindo uma forte dor de cabeça. Chegou ao seu quarto e, logo, retirou suas roupas, ficando nua. Seu corpo era esbelto, a pele branca, seus cabelos curtos e negros, e os olhos esverdeados marcavam sua fisionomia. Ela caminhou até o banheiro, abriu a torneira de sua banheira e a deixou encher. Já estava acostumada àquele procedimento. Por conseguinte, estava dentro da banheira. Costumava olhar a área verde pela janela enquanto se banhava. Ficou refletindo por alguns instantes, admirando a temperatura da água sobre sua pele. Por fim, levantou-se da banheira, pegou sua toalha e enrolou no seu corpo. Caminhou até seu guarda roupa e retirou seu uniforme e o vestiu. Estava pronta para mais um dia de trabalho.

•••

– Pai, pai! – A menina cutucava desesperadamente o delegado.

– O que foi, Marg? – Ele olhou para a menina rapidamente, logo voltando o olhar para a estrada.

– Hoje eu poderei atirar? – Ela perguntou animada, seus olhos brilhavam. Aquele mesmo olhar que sua mãe havia, e que o Delegado João Carlos Cardoso não resistia. Ele olhou para a menina e novamente para o volante.

– Poderá... Mas... – Ele foi interrompido com o abraço da menina, atrapalhando-o a dirigir.

– Obrigada papai! Você é o melhor pai do mundo! – Ela deu um leve beijo sobre a barba desgrenhada de Cardoso.

•••

A menina ligou a rádio na sua estação preferida. A voz de Elvis Presley cantando Can't Help Falling In Love, despertava lembranças à respeito de seu pai. Começou a cantarolar juntamente com a canção. Possuía uma voz doce e suave, assim como as gotas da chuva sobre as pétalas de uma rosa. Lembrou de todos os momentos em que seu pai imitava Elvis Presley e o quão bom ele era naquilo. Logo, chegou na cafeteria em que sempre tomava seu café. Ela desceu de seu carro, o trancou e seguiu em direção ao recinto.

– Bom dia, Margarethe. – Um dos conhecidos de seu pai, cumprimentou a mulher enquanto saia do local.

– Bom dia, Senhor Salvador! – Ela sorriu.

Todos a cumprimentavam. Sentou no mesmo lugar de sempre, onde costumava a sentar juntamente com seu pai.

– Bom dia, Marg! – Uma senhora com a aparência doce cumprimentou a menina. – O mesmo de sempre? 

– Sim, obrigada Nicole. – A senhora assentiu e saiu, indo em direção à cozinha. Ela pegou o jornal que estava em cima da mesa, e começou a lê-lo enquanto a senhora preparava o seu café sem açúcar.

– Vocês ficaram sabendo? Após o jornal ontem à noite, a senhorita Dolores Nogueira foi encontrada brutalmente assassinada na Lapa.

– Não, que absurdo! Como isso aconteceu?

– A polícia não deu notícias ainda sobre o caso, mas há suspeitas de que há um assassino em série pela região.

– Aposto que é mais uma notícia sensacionalista destes militares.

– Bom, eu não sei, mas achei bem estranho.

Margarethe desviou a atenção do jornal para a conversa que os três homens estavam tendo na bancada. "Um assassino? Por que não fui avisada?", ela pensou enquanto Nicole trazia seu café.

– Pronto, Marg. Aqui está o seu café sem açúcar. Bernardo já irá trazer os ovos e o bacon.

– Obrigada por ser tão prestativa. – Ela sorriu e levou o café a boca, bebendo o mesmo, vagarosamente. – A propósito, Nicole, você está sabendo sobre o que aconteceu com a Dolores?

– Notícia horrível! Não é mesmo? – Ela suspirou. – Ela foi encontrada brutalmente assassinada no quarteirão perto de sua casa.

– Muito triste... Já sabem quem é o assassino?

– Não, minha querida, ninguém ainda sabe a respeito. – Um cliente gritou pelo nome dela. – Desculpe, querida, mas terei que ir.

– Obrigada pela informação. – Ela sorriu para a senhora.

– De nada, sempre estarei aqui! – Ela saiu apressadamente em direção ao cliente.

Margarethe olhou para os três homens que conversavam sobre a menina. Sentia alguém lendo seus pensamentos, porém não sabia quem. Olhou para todos presentes naquele local. Todos conversando, rindo, comendo e nada de alguém que parecesse criminoso. Seus pensamentos novamente foram interrompidos, só que dessa vez pelo seu amigo de infância.

– Sempre viajando. – Ele colocou o prato na mesa, enquanto se sentava na sua frente.

– Desculpe, não consigo resistir às conspirações da minha mente. – Ela sorriu, pegando o garfo e levando ao ovo.

– Qual é a que te atormenta dessa vez? – Ele perguntou ironicamente.

– Estava pensando o porquê de você ser tão insuportável a ponto de eu aguentá-lo. Descobri que é um paradoxo inexplicável.

– Tem explicação sim, senhorita. – Ele pigarreou.

– E qual é? – Ela levantou a sobrancelha, enquanto bebia um gole de seu café.

– O seu amor por mim. 

 Ela cuspiu o café nele.

– Meu amor por você? 

Ele levantou rapidamente, ao sentir o café quente sobre sua pele.

– Que porra, Marg! – Ele tentou limpar-se com seu avental, não tendo muita eficiência.

– Desculpe, Bê! – Ela riu. – Eu já esperava que você desse uma resposta clichê, então aproveitei para ser clichê também.

– Jogando café em mim? Parabéns, você conseguiu. – Ele deu um leve empurrão nela, voltando a sentar-se no seu lugar.

– Obrigada, sei que sou bem criativa. ­– Ela terminou de comer seu café da manhã e voltou o olhar para o homem. – Bê, você pode encontrar-me depois do expediente?

– Posso sim... No mesmo lugar?

– No mesmo lugar.

Ele retirou a caneca de café, o prato e os talheres que a menina utilizou e se despediu dela. Margarethe pagou pelo café da manhã e, caminhou de volta ao seu carro, partindo para o serviço. Por mais, que ela quisesse acreditar que o caso de Dolores fosse mais um comum no Rio de Janeiro, ela não conseguia, pressentia que era mais um de vários que traria aborrecimento para ela, o que de certa forma a revivia. 


Notas Finais


Olá para você que caiu de paraquedas aqui! :)

Bom, espero que se divirtam... E, toda dica é necessária. Obrigada ❤


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