História Relatos Sobre o Homem Esguio - Capítulo 10


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Categorias Slender (Slender Man)
Tags Homem Esguio, Slender Man, Terror
Visualizações 5
Palavras 1.492
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Policial, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Mutilação, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Capítulo Final - Jonas


Como brincar com fogo, cutucamos a fogueira com um graveto seco e as chamas se rebelaram contra nós. Meu coração estava a mil por hora. Eu e Olívia víamos o mesmo cenário daquela tarde, só que agora completamente sombrio e inquietante. Pedi para minha irmã permanecer no carro, não queria que ela se arriscasse, afinal algo muito sério, que fugiu do nosso controle, enfim estava acontecendo. Claro que ela não foi capaz de me obedecer. Era tão teimosa e comprometida em sua teimosia quanto eu.

Contornamos o veículo até o porta-malas e pegamos as lanternas. Depois seguimos por aquela trilha esquisita novamente. Ansioso por encontrar Ricardo ou Fernanda (os dois juntos seria como ganhar na loteria!) gritei:

— RICARDO! RICARDO! — meu chamado ecoou para o vazio como se nada vivo pudesse me retrucar — RICARDO!

— Talvez seja melhor andarmos em silêncio. — Olívia disse ao meu lado. Ela estava com medo, vi isso em seu rosto. As pupilas dilatadas, a boca crispada.

— Fica no carro. Melhor, volta para pensão, quando eu os achar te ligo e você vem nos buscar. — incentivei-a transparecendo positivismo. Queria que fosse apenas uma questão de tempo para aquele pesadelo acabar.

Olívia balançou a cabeça negativamente e ainda murmurou:

— Nunca deveríamos ter nos metido nisso, Jonas.

— O blog? Tá arrependida do blog? — eu me sentia irrevogavelmente culpado pelo o que acontecia, mas se havia algo do qual me orgulhava era aquele blog. Algo que me proporcionou tantas horas de teorias malucas e diversão criativa com minha irmã.

— Não é isso. — ela balançou a cabeça novamente — Ricardo, Fernanda. Trazê-los. Que grande erro!

— Acha que não me culpo por isso? — reclamei chateado.

— Desculpe. — Olívia colocou a mão no meu ombro.

Continuamos a caminhada. Era uma noite nublada, tão logo somente nossas lanternas conseguiam garantir que enxergássemos adiante. Cada vez que nos emprenhávamos mais dentro do terreno, mais impressão de que algo não estava normal, eu tinha. Não normal na nossa situação, mas normal no ambiente que nos rondava. Chegamos a olhar para trás algumas vezes, tocados por sensações e impressões, ouvindo o mato seco sendo pisado a nossas costas. Nunca havia nada. Em um determinado ponto, completamente desprovido de esperança, parei.

— E aquilo que a recepcionista nos disse na cidade?

Olívia rapidamente captou sobre o tema que queria levantar:

— O Homem Esguio?

— Exatamente isso.

— Alguma chance de ser um sequestrador da região que se fantasia para assustar as pessoas?

Olhei para minha irmã, muito sério e concentrado.

— Olívia... Porque, esses anos todos, gostamos e nos empenhamos nessas investigações?

— Porque sempre gostávamos das histórias de terror que mamãe nos contava. Porque queríamos uma desculpa, em nossa atribulada vida, para podermos permanecer unidos. — ela pegou minha mão carinhosamente e sorriu.

— Além disse, irmã... — instiguei-a, mas ela não captou minha essência. — Nós deveríamos acreditar, não é?

— Nunca nada real e concreto apareceu para tanto.

— E se esse momento for agora?

Ela ia responder, porém a interrompi quando percebi uma sombra a suas costas. Deslizei agilmente o facho de luz na direção e Ricardo estava lá. Parado, nos encarando de uma forma que não conseguia entender ou descrever. A camiseta branca manchada de uma tonalidade vermelha muito intensa, os olhos vidrados, a boca semiaberta.

— Ricardo, graças a Deus! — exclamei. Ao tentar me aproximar ele virou-se e começou a correr, se emprenhando no matagal. — Ricardo?

— Meu Deus, Jonas, o que era aquilo na camiseta dele? — Olívia interrogou-me pálida.

Não a respondi. Saí correndo para seguir meu amigo, sem entender o porquê de sua fuga. Mergulhei naquele agreste selvagem, o matagal picando meu rosto e meus braços, quase tropecei duas vezes. Ainda assim, segui obstinado na vã tentativa de encontrá-lo. Corri por quase cinco minutos ininterruptos, e em algum momento perdi seu rastro, estando completamente cercado pela vegetação. Percebi também que eu estava perdido porque não havia corrido reto, porém fazendo curvas, sempre que parecia que meu amigo tinha escapado por um determinado local.

Irritado, tentei voltar e não consegui. Além disse comecei a me desesperar, notando que minha irmã não estava em parte alguma. Minha perseguição desembestada deixou-a para trás. Foi quando a escutei gritando, um berro gutural de puro horror rasgando a noite.

— OLÍVIA! MEU DEUS, OLÍVIA! ESTOU INDO! — berrei alarmado, indo na direção dos gritos. Encontrei a trilha novamente, mas nem um sinal de minha irmã. Em seu lugar, apenas a lanterna que ela portava, jogada no solo, rodando freneticamente. — SEU FILHO DA PUTA! APAREÇA COM MINHA IRMÃ! — exigi para a noite.

Havia alguém ali. Alguém que desapareceu com Fernanda, alguém que fez algo com Ricardo, alguém que estava querendo levar minha irmã.

Olívia não! Minha irmã, não!

Prossegui pela trilha, correndo e ameaçando, praguejando um algoz oculto e transparente. Sentindo um alívio me irradiar eu finalmente a vi. Ajoelhada a poucos metros frente, minha querida irmã, me fitava. Seus cabelos estavam soltos e desgrenhados, e seu olhar... aquele mesmo olhar vidrado de Ricardo. Desta vez corri o máximo que pude para não perdê-la como foi com ele. Mas Olívia não se mexeu quando cheguei. Ajoelhei ao lado dela e peguei-a pelo rosto, sacudindo-a:

— Olívia, você está bem? Ei, ei? O que houve? — ela mostrava-se catatônica ou hipnotizada. Simplesmente não me respondia. — Quem está aqui conosco? Alguém te feriu?

Parecia que ela ia abrir a boca para dizer algo, contudo apenas me encarou. E em seus olhos enxerguei um medo visceral, um terror que nunca vi nos olhos de ninguém. Nem mesmo no cinema. De repente, por de trás dela aquilo surgiu. Aquilo, porque apesar de sua forma humanoide eu tinha certeza que não pertencia a nosso mundo. Surgiu do matagal. Primeiro um membro, a perna direita, depois à esquerda, então o tronco, os braços, e por último a cabeça. Vestia um terno negro, fúnebre. O corpo era alongado, como um aracnídeo dantesco, e mesmo estando há muitos metros de mim, poderia facilmente esticar um braço e me agarrar. O Homem Esguio. Sua cabeça não possuía olhos, nariz ou boca. Apenas uma máscara branca. O Homem da Cabeça Branca.

— O que... — tentei articular, mas as palavras não saiam. Minhas pernas pareciam borracha quando me levantei. Ele não saia do lugar, me encarando. Quis puxar Olívia pelo braço, mas ela tombou no chão como uma boneca sem alma. Ele começou a caminhar até mim. Andava de um modo aberrante, se bamboleando infernalmente.

Covardemente, e instintivamente, corri, deixando minha irmãzinha para trás. Corri tanto que senti que minhas pernas não eram mais minhas. Percorri a trilha, sempre com a lanterna na mão para iluminar meu caminho. Súbito, na minha frente, ele surgiu novamente. Parado, estático, esperando pacientemente. Girei os calcanhares, um bolo de enjoou formando-se na garganta, e mais uma vez corri com toda a potência de minhas pernas, mas agora optei por emprenhar-me no mato. Fui seguindo na direção onde supunha que conseguiria chegar ao carro. Sem perceber começava a chorar. Chorar feito um bebê desamparado. Pela minha irmã, pelos meus amigos, pelo horror de ser perseguido por aquela coisa!

O matagal se abriu numa clareira e, diante dela, novamente a morte conjurou-se. Esguio e sepulcral ele me encarava. Gritei em desespero, cansado, ofegante, taquicárdico. Virei para voltar por onde tinha vindo e ao virar-me ele estava lá. A poucos centímetros de mim, como uma parede mortífera da qual jamais poderia escapar. Resfoleguei e senti as lágrimas caindo livremente pelo meu rosto. Era uma criança apavorada, chorando na calada da noite. Ajoelhei no chão e cobri o rosto com os braços. Ninguém poderia fazer nada por mim. Nunca mais.

Naquela noite descobri que as lendas existiam. Que nunca mais ia ver minha irmã e que nosso blog sumiria na internet assim como eu e ela, e toda a verdade. Ele tirou a máscara. Vi a cara da morte. Ela tinha uma boca rasgada e abissal, que se abria a ponto de engolir um corpo humano inteiro, de uma só vez. E tinha olhos também. Olhos sem pálpebras, que ficaram arregalados o tempo todo, até terminar de me devorar.

~ Jornal de Minas ~

“E hoje completa vinte e cinco dias desde o desaparecimento de quatro jovens da cidade de Munhoz. O grupo formado por Fernanda Lisboa, Ricardo Augusto de Liz, e os irmãos Jonas e Olívia Santana Moreira, saíram de Itatiba, São Paulo, no dia quinze de Janeiro e viajavam pelo sul de Minas a passeio. A última cidade visitada pelos jovens, Munhoz, aparentemente continua sendo o paradeiro final deles. O delegado da cidade, Álvaro Simões, atualmente afastado do cargo, teve de prestar depoimento na décima quinta delegacia de Belo Horizonte esta semana, para justificar novamente porque negligenciou auxilio a Jonas e Olívia, que o procuraram horas antes dos seus desaparecimentos, relatando que Fernanda havia sumido numa mata fechada, um terreno municipal abandonado conhecido como Morro. Enquanto isso, os investigadores do caso colhem depoimento de possíveis testemunhas para tentar traçar um padrão entre esses jovens e Felipe Guimarães, outro rapaz desaparecido de forma enigmática há mais de dois meses, em Bueno Brandão. E agora: Política. O desembarcador...“.



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