História Relatos Sobre o Homem Esguio - Capítulo 5


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Categorias Slender (Slender Man)
Tags Homem Esguio, Slender Man, Terror
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Palavras 1.132
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Policial, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Mutilação, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Olívia


Terminei de atualizar nosso blog “Diário de Aventuras Sinistras” deixando um significativo relato sobre o que conseguimos até o momento, e fechei o notebook. Os poucos, mas fiéis leitores estavam agitados pela próxima atualização que viria após nossa excursão na Cachoeira das Pedras.

Jonas me esperava no saguão, Ricardo e Fernanda já haviam ido para o carro.

— E a Fernanda? — perguntei para ele.

Meu irmão fez uma careta antes de responder:

— Tá com aquela cara, mas não disse nada demais.

— Então vamos! — exclamei animadamente, querendo esquecer os empecilhos.

***

As dez e quinze da noite entramos na estradinha de terra que supostamente levava até a Cachoeira das Pedras. Um tortuoso, deserto e escuro caminho através do matagal, iluminado somente pelos faróis do veículo e pelo majestoso luar.

Fernanda finalmente saiu de seu voto secreto de silêncio e argumentou:

— Esse moço desaparecido deve é ter batido a cabeça nessas tais pedras.

— E o corpo? — Jonas perguntou olhando-a do retrovisor.

Fernanda considerou um pouco antes de responder:

— Vai ver eles brigaram, ela o empurrou e ele caiu batendo a cabeça. A namorada pode ter entrado em pânico e enterrado o corpo em qualquer lugar.

— Não faz muito sentido... — Ricardo resmungou — Poucas pessoas têm tendências psicopatas a ponto de...

O carro deu um forte solavanco quando Jonas brecou abruptamente. Ricardo soltou um palavrão. Eu, que só não fui parar no painel porque estava de cinto de segurança, também praguejei:

— Que merda, Jonas! Porque brecou desse jeito? — olhando irritada para meu irmão, vi que ele fixava em um ponto fixo na estradinha precária. Encarei na mesma direção que ele, contemplando o para-brisa e enxergando um vulto gigantesco esparramado no caminho.

— Que porra é essa? — Ricardo perguntou, enfiando o corpo entre os bancos da frente.

— Uma vaca... eu acho. — Jonas disse baixinho.

— Vacas não deitam assim. — Fernanda disse assombrosamente.

— É porque está morta. — dei minha opinião, observando seu rúmen rígido, sem movimento.

Sai do carro para conferir melhor. Jonas acompanhou-me, deixando os faróis ligados. Ricardo foi logo atrás, seguido de uma Fernanda totalmente contrariada em deixar o automóvel.

— Vamos só contornar o bicho e seguir o caminho. — ela defendia.

Chegamos ao grande ruminante, os quatro rodeando seu corpo maciço e fúnebre.

— Tá fedendo! — Fernanda exclamou tapando o nariz.

— Deve ter ficado aqui o dia inteiro. — sugeri — Olha o tamanho desse estômago? — o rúmen da vaca estava absurdamente grande e ovalado.

— Será que ela não conseguiu ter filhote? — perguntou Jonas.

— Não está prenhe. O estômago fermentativo fica gigantesco depois que se passa muito tempo que esses animais morreram. Certamente está por aqui a mais de um dia.

— Isso quer dizer que ninguém passa por essa estrada há um dia? — Ricardo ergueu as sobrancelhas.

— Ou ninguém com um trator para rebocá-lo. — objetei.

— O que será que houve com ela? — Ricardo quis saber.

— Não somos um CSI veterinário, gente. Vou contornar ela e seguir viagem, quando chegar a Munhoz avisamos que está aqui.

Sem pestanejar Fernanda correu para o automóvel. Eu peguei meu celular e tirei uma foto para rechear mais a próxima postagem no blog.

***

Precisou de mais vinte minutos de percurso para perceber que não estávamos perdidos. O barulho começou tímido, porém foi crescendo palatinamente nos nossos ouvidos até se tornar uma estrondosa tromba d’água ecoando pelas montanhas.

— Esse som é da cachoeira? — Fernanda perguntou.

— Bem que o Seu Chico disse que ela tinha uma queda bruta! — Jonas sorriu.

Passamos a emparelhar com um rio agitado e tivemos de sair do percurso da margem por conta de um montante de arvoredos. Quando o som da queda d’água tornou-se muito alto, Jonas estacionou, pegamos nossas lanternas e partimos a pé entre o matagal.

— Vocês inventam cada coisa! — Fernanda reclamou, agarrada ao braço de Ricardo.

Eu e Jonas íamos na frente, desbravando a noite e torcendo para não ter cobras ou nenhum outro animal peçonhento, ardiloso o suficiente para se infiltrar pela barra de nossas calças jeans. A lua derramava-se sobre a trilha selvagem, tão prateada e densa que nos deu de presente a fantástica visão da Cachoeira das Pedras e seu véu feroz de água, quando chegamos à margem.

— Olha o tamanho disso, Jonas! — assoviei.

Ricardo e Fernanda ficaram parados e calados, admirando o espetáculo.

— É gigantesca. De manhã eu até considero um banho por aqui, mas a noite é meio macabro mesmo. Ela parece verdadeiramente ameaçadora! — Jonas me disse.

— E mais, percebe?

— O que? — ele olhou-me interrogativo.

— Estamos berrando para conversamos um com o outro, irmão. Além do mais esse lugar é um fim do mundo... Ele bem poderia ter morrido e ela dado cabo do corpo. Não acho que a polícia tenha se esforçado muito para procurar por aqui. O terreno nem parece ter sido revolvido.

— E o tal “Homem da Cabeça Branca”? Ao que parece ele estava aqui, exatamente onde estamos agora, encarando o casal dali — apontou para água.

Evitei olhar para trás, mas senti um arrepio estúpido na espinha. Esse papo de “Homem da Cabeça Branca” me remetia a uma história muito semelhante, uma lenda urbana americana.

— Eu acho que essa moça andou jogando ou vendo alguém jogar muito vídeo game. — dei de ombros.

— É, pode ser. — ele caminhou para margem, agachou-se e tocou na água.

De repente uma movimentação agitada e um grito agudo gelou meus ossos. Vinha da direção de Ricardo e Fernanda.

— QUE É ISSO??? — Ricardo olhou para a namorada e perguntou num berro.

— Tem alguma coisa ali! — ela apontou na trilha sobre as nossas costas.

Jonas e eu nos pusemos alerta, sacando nossas lanternas na direção indicada. Foi então que dois olhos esverdeados nos encararam por entre os arbustos. Sustentou o olhar cheio de medo e curiosidade por alguns segundos, então correu na direção contrária, para o topo das montanhas.

— Acho que era um Cachorro do Mato. — disse tentando quebrar a tensão pungente.

— Provavelmente. Ou um cachorro normal, de algum rural da redondeza. — Jonas reforçou a ideia.

— Eu quero ir embora daqui. Tem como a gente ir embora daqui? — Fernanda perguntou abalada e histérica.

— Vamos sim. — Ricardo prometeu, pegando a namorada pelos ombros. — Gente, vamos esperar no carro. — e voltaram para a trilha.

Jonas virou para mim:

— Acho que não há nada para se ver aqui. Mas é uma linda cachoeira e lindo lugar para alguém sumir do mapa.

— Seria poético se não fosse macabro. Se a namorada o matou teve um grande sangue frio para conseguir sumir com o corpo no meio desse breu.

Meu irmão ficou calado, praticamente meditativo, e depois de um longe minuto confessou-me:

— Sabe, Olívia, eu estou com um bom pressentimento sobre esse caso. Por enquanto vamos ver que boas novas Munhoz nos conta sobre a lenda local e aguardar por um clímax mais condizente.

— Tá de brincadeira — sorri — O grito de Fernanda congelou meu sangue. Vai haver mais clímax que isso?

— É... provavelmente não.



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