História Relatos Sobre o Homem Esguio - Capítulo 7


Escrita por:

Postado
Categorias Slender (Slender Man)
Tags Homem Esguio, Slender Man, Terror
Visualizações 2
Palavras 1.123
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Policial, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Mutilação, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 7 - Olívia


Partimos logo depois do almoço para a casa das possíveis testemunhas. Os primos moravam num bairro afastado do Centro, em um casebre de tijolos vermelhos. Havia um fusca amarelo com a pintura enferrujada estacionado no terreiro, e um cachorro vira-lata latindo incessantemente através do portão de madeira. Batemos palma, eu e Jonas, enquanto Ricardo abanava Fernanda com uma revista para espantar o calor de trinta e tantos graus que assolava sobre nossas cabeças.

Uma mulher de meia idade abriu a porta e perguntou o que queríamos.

— Pedro ou Vinicius. Eles moram aqui? — meu irmão gritou através dos latidos incessantes do cachorro.

A dona da casa ralhou com o cão, mandando-o afastar-se do portão, e caminhou até nosso encontro de vassoura na mão.

— Quem são vocês? — perguntou desconfiada, levando uma mão ao rosto para cobrir o sol cegante.

— Ah, claro. Eu me chamo Jonas, essa é minha irmã, Olívia. Ali perto do carro são amigos nossos. Temos um blog na internet que aborda temáticas sobrenaturais e atualmente estamos interessados na lenda do “Homem Esguio”. — a mulher arregalou os olhos, verdadeiramente assustada.

— Vocês são da televisão? — ela quis saber ainda mais receosa.

— Isso! É por aí! — concordei para ver como ela reagiria.

— Entrem, podem entrar. — foi abrindo o portão e mostrando mais simpatia.

Sorri para meu irmão e ele me piscou, impressionado com a improvisação.

Dentro da casa tudo era muito simplório e gasto. Sentamos num sofazinho puído e rasgado, enquanto ela ia chamar os garotos que aparentemente jogavam videogame no quarto. Quando chegaram, eram dois rapazinhos de aproximadamente treze ou quatorze anos. Vestiam camisetas desbotadas, shorts e chinelos Havaiana. Sentaram no sofá de dois lugares adiante e nos encararam, ansiosos:

— Olá! Eu me chamo Olívia. — saudei-os — Esse é meu irmão Jonas, e nossos amigos. Somos investigadores e gostaríamos de fazer algumas perguntas sobre o que viram na mata na semana passada. Pode ser?

Os meninos olharam confusos para a mulher que nos atendeu. Ela também pareceu desorientada ao dizer:

— Investigadores? Não eram da tevê?

— Investigadores da tevê, senhora — meu irmão respondeu numa convicção que poderia convencer um cego a atravessar uma avenida barulhenta — O depoimento dos meninos podem aparecer no nosso programa paranormal.

— Cruz-credo! — ela fez o sinal da cruz — Conte logo para eles, vá! — exigiu dos garotos — Conte logo para que possam ir embora. Ficar remoendo esse assunto é perigoso.

— Claro, senhora. Seremos completamente objetivos. — eu assegurei — E então, Pedro, Vinicius... Quem é quem?

O mais alto, de camisa branca, ergueu o braço:

— Eu sou Vinicius.

— E eu Pedro. — anunciou o mais baixo e mais acanhado.

— Ótimo. Sei que a cidade não gostou do que vocês disseram te visto naquele dia, mas agora estão entre pessoas que adorariam, de verdade, descobrir cada detalha. O dia exato, a que horas ocorreu, o que viram exatamente. Toda a informação que puderem nos dar.

Vinicius assentiu passando a língua nos lábios. Fitou para o primo, pedindo coragem com o olhar e começou:

— Era sábado depois do almoço. Eu e o Pedro íamos pra casa da vó, como de costume. A gente pegou as bicicletas e seguimos pela estradinha dos Arreios. Só que tinha dado um chuvão na noite passada e quando chegamos lá o barranco tinha despencado todo. Então não deu pra ir de bicicleta por ali.

— Ok... E o que fizeram para avançar?

— Nós fomos pelo Morro. — Vinicius continuou — Tem que caminhar menos, o que era bom, mas o lugar é abandonado.

— O que é o Morro?

Desta vez a mulher intrometeu-se:

— É um loteamento abandonado, moça. — disse-me — Ia ser tudo conjunto habitacional, só que a prefeitura nunca cumpriu o prometido. Desmatou tudo durante a eleição e quando o prefeito se elegeu abandonou o projeto. Isso foi há dezessete anos. Eu ainda era garota. Desde então, aquilo tá perdido de mato!

— Entendo — anui.

— E como vocês conseguiram passar se está o maior matagal? — Jonas inquiriu dos garotos.

— A gente foi lá descobrir. Dava pra passar com a bicicleta e... — Vinicius travou. Seu primo, Pedro, o completou:

— Tem um caminho, moço. É matagal pra todo lado sim, e ele tá maior do que sua altura, mas tinha trilha de mato seco pra todo lado.

— Mato seco?

— É. Como se algo caminhasse por lá matando por onde pisasse.

—Interessante. — Jonas sorriu.

Perante o entusiasmo de meu irmão, os primos soltaram-se mais no relato. Provavelmente haviam sido extensivamente ralhados por outros adultos, quando contaram essa história.

— Achamos estranho, só que não ligamos. Passamos por lá numa boa nas bicicletas.

— E então? — ergui a sobrancelha.

— E então eu olhei pra trás pra falar algo pro Pedro e vi. — disse a criança ficando pálida. Engoliu em seco e prosseguiu: — Era um homem, parecia um homem, só que era bem altão. O cara mais alto que eu já vi na vida.

— Quantos metros? Consegue supor? Por exemplo, levante Jonas! — meu irmão obedeceu — Jonas tem um metro e oitenta e oito de altura. Esse cara era quanto mais alto que ele? Você pode estipular?

Vinicius ficou pensativo, muito pensativo. Roeu as unhas por quase um minuto e então respondeu:

— Dava o tamanho dele e mais metade. — informou.

— Caramba! — Ricardo assoviou. Ele e Fernanda estavam em pé, no corredor entre a sala e a cozinha.

— E que mais? Tem mais detalhes sobre ele? — instiguei o interrogado.

— Os braços, eles eram longos, assim como as pernas.

— E tinha a cabeça! — Pedro se intrometeu.

— Você viu ele também, Pedro? — questionei-o.

— Na hora não. Vinicius disse pra eu olhar pra trás, daí quando olhei não tinha ninguém por lá. Achei que era mentira dele.

— Só que não era. — o primo desdenhou olhando irritado para seu parente — Quando a gente tava quase saindo daquela trilha de mato estranho, ele viu.

— E como foi isso, Pedro?

— Tinha uma vala no chão e ela tava coberta por mato. O pneu da minha bicicleta entrou lá e eu caí. O Vinicius já tava bem na frente. Então eu xinguei e comecei a puxar minha bike sozinho, só que ela era pesada. Acabei demorando um pouco. Daí... daí eu percebi o mato se mexendo na minha frente e vi... vi que... — o garoto perdeu a coragem.

— Eles estão assustados. — disse a mulher que nos atendeu.

— Eu compreendo, mas preciso só desse desfecho — insisti — Pedro, o que você viu?

— Ele... Ele era grande. Achei que era um homem, ia pedir pra me ajudar com a bike, mas eu vi a cabeça. Não tinha rosto, como se usasse uma máscara branca... Não sei ao certo.

— Tinha a cabeça branca?

— Humrum.

— E você falou com ele?

— Eu fiquei apavorado. Eu gritei, gritei e saí correndo sem olhar pra trás.

— E sua bicicleta? Voltou para buscar?

— Meu pai e meu tio foram no outro dia. — Vinicius disse — E ela não estava mais lá. Tinha sumido.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...