História Relatos Sobre o Homem Esguio - Capítulo 8


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Categorias Slender (Slender Man)
Tags Homem Esguio, Slender Man, Terror
Visualizações 2
Palavras 1.207
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Policial, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Mutilação, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Jonas


A entrevista com os garotos superou todas as minhas expectativas sobre Munhoz. Eles eram testemunhas duvidosas, levando-se em conta a idade e suas mentes férteis. Entretanto, havia algo nos olhos de Vinicius e Pedro que me davam a certeza de que viram realmente o que acreditavam ter visto. De verdade.

Assim que entramos no carro novamente, já munidos das coordenadas fornecidas pela mãe de um dos garotos de como chegar ao Morro, me decidi:

— Vamos ao Morro agora.

— Agora?! — Fernanda exclamou espantada.

— Sim. Que tal, pessoal?

— Eu preferia ficar na cidade ou irmos procurar uma pousada mais aconchegante. — a namorada de meu amigo palpitou.

— Vai ser uma passada rápida.

— É amor — Ricardo apoiou-me — E tá de dia, não? Que mal a nisso? Ou você acreditou mesmo em dois moleques arteiros como aqueles dois pareciam ser?

Ela ponderou e acabou maneando a cabeça.

— Tudo bem. Não há de ser nada demais — resmungou sem muita convicção.

***

Antes de subirmos para o acesso que dava ao loteamento abandonado, passamos pela tal estradinha dos Arreios. Um grande deslizamento de terra ocorrera por toda extensão da passagem e uma escavadeira enferrujada, um veículo realmente decrépito, tentava reparar a desordem. Parei um pouco para observar o ocorrido e um dos trabalhadores, um homem comum com vestes rurais, aproximou-se:

— O caminho tá fechado, amigo. Foi à chuva da semana passada. — informou-se exibindo seu forte sotaque mineiro.

— Tudo bem. Já estou a par. Diga-me uma coisa, o Morro é seguindo reto por aqui? — apontei para o entroncamento a frente.

Ele me olhou cheio de cisma.

— Não tem acesso por lá.

— Eu sei. Queremos ir ao Morro.

— Por quê? — inquiriu-me puxando o “r” acentuadamente — Lá não é um bom lugar pra se ir não.

— Somos da prefeitura e estamos avaliando o terreno. — menti para evitar qualquer possível atrito.

O mineiro continuou encarando-me pouco crendo nos meus argumentos, porém confirmou:

— É isso sim. Tá perto. Só subir às direitas. Quando a estrada acabar e o mato começar a crescer, vocês chegaram.

— Obrigado. — sorri e engatei a marcha, quando comecei a acelerar e tomar distância, o ouvi gritar:

— Boa sorte!

***

Realmente o matagal crescia agressivo ao fim da estrada de terra. Parei o carro, desliguei o motor, e descemos. O calor era insuportável agora.

— O que eu não daria pra voltar para aquele ar condicionado. — Ricardo, suando debaixo dos braços e nas costas, reclamou.

Minha irmã rapidamente saltou do automóvel e circundou a região onde a natureza passava a predominar. Encontrou algo e venho nos chamar:

— Pessoal, venham aqui.

Terminei de fechar o carro, embora ninguém fosse para aquele lado para correr risco de ser roubado, e caminhei ao encontro dela. Olívia apontava para algo extraordinário. Era um caminho ressequido, tomado por uma coloração esbranquiçada e morta. O terreno parecia muito pisado e prosseguia como uma trilha perfeitamente recortada entre a vegetação.

— Acho que foi esse caminho que com meninos se referiram. — peguei meu celular e garanti algumas imagens.

Começamos a andar pela trilha. Eu e Olívia na frente, Ricardo e Fernanda na retaguarda.

— Isso só pode ter sido feito por uma máquina. — comentou Fernanda.

— É. Parece mesmo. — tinha de admitir, a descontinuidade do verde para a nada era assombrosamente bem delineada.

Andamos por mais de dez minutos sem encontrar bifurcações ou o fim daquele percurso. Ao redor, apenas o agudo canto dos grilos nos acompanhava.

— Será que não estamos andando no meio daqueles desenhos alienígenas nas plantações de milho? — Ricardo supôs risonho.

— Seria um salto e tanto na nossa investigação. — minha irmã argumentou por sobre o ombro, para o casal. Então parou abruptamente, arregalou os olhos e gritou: — QUEM ESTÁ AÍ?

Eu, Ricardo e Fernanda demos um salto para trás, olhando na mesma direção de Olívia. Meus olhos não foram capazes de enxergar nada além do mato.

— O que houve?

— Eu tive a impressão de que... — ela suspirou irritada.

— Tava brincando com a nossa cara, é? Não tem graça! — Fernanda exasperou-se, passou por nós e saiu pisando duro trilha adiante. Ricardo seguiu-a.

Eu e Olívia ficamos sozinhos. Aproximei-me dela e perguntei:

— Viu alguém ou era brincadeira?

— Você sabe que não sou de brincar. — ela disse séria, fitando-me com seus olhos verdes — Eu vi, ou ao menos achei ter visto um vulto.

— E como ele era?

— Só um vulto, Jonas. Não deu para captar a forma.

— Então vamos investigar! — exclamei animado, voltando alguns passos do caminho que já havíamos percorrido.

Andamos vagarosamente, abrindo o terreno agreste com as mãos, chamando alto por alguém perdido e nos atentando a cada som. Contudo, somente a soturnidade de uma quente tarde mineira nos respondia. Eram estranhos meus sentimentos, porque havia em mim a impressão de que a qualquer instante o jogo se reverteria e algo aconteceria para valer. Ficamos próximos um do outro, nos separando por poucos metros de distância, e ao fim de vinte minutos de busca, reencontramo-nos, desistindo.

— Não devia ser nada. — ela disse, suada e desanimada, chutando uma pedrinha no terreno.

— Tudo bem. Vamos continuar pela trilha. Descobrir onde se meteram Ricardo e sua complicada Fernanda. — lembrei, revirando os olhos.

E assim fomos. Vagamos por outros tantos minutos e nem sinal daqueles dois. Num determinado momento, a trilha se bifurcou em duas e ficamos indecisos.

— E agora? — Olívia colocou as mãos na cintura.

— RICARDO! FERNANDA! — levei as mãos à boca para aumentar a potência de meu berro. Nada, nem uma resposta de volta. — RICARDO! FERNANDA! — chamei mais alto, mas o silêncio novamente me cercou. — Será que eles se perderam?

— Seria algo bem ruim. O que quer fazer? Nos dividirmos?

— Acho que isso não seria algo muito sábio. E nem sabemos o tamanho desse lugar. Vem, seguimos pela direita. — puxei-a pela mão, entretanto quando estava para dar o segundo passo tropecei em algo e quase cai. — AI! DROGA!

Olívia hesitou, mirando algo no chão.

— No que eu pisei... — ia reclamar, toda via acabei me calando. Ela já estava ajoelhada revolvendo o mato a procura de algo.

— Olha aqui, Jonas! Olha aqui! — dizia em êxtase — É uma bicicleta!

E era mesmo. Oculta pelas folhas, abrigada dentro de uma vala, estava a modesta bike azul marinho.

— Será que é do Pedro?

— Provavelmente. — Olívia respondeu e se pôs a puxá-la pelo guidão. Eu ajudei.

De súbito ouvimos um farfalhar frenético e crescente a nossa direita. Pareciam passos e vinham acelerados. Recuei, protegendo minha irmã atrás de mim e gritei cegamente para aquilo que não podia ver:

— Quem está aí? Quem tá aí, porra?

Foi então que a coisa saltou-se sobre nós, mergulhando para fora do mato. Usava uma camisa branca e a tez era a mais completa personificação do medo. Era Ricardo.

— A Fer, ela sumiu! — ele gritou descontrolado.

Aliviado por ver meu amigo, peguei-o pelos ombros e procurei acalmá-lo:

— Respira, cara. Respira!

— Não...

— Calma, calma! A Fernanda caiu e se machucou? — busquei entender.

— Não! Ela... PORRA!

— Ricardo, se você não ficar calmo e nos responder direito, não poderemos ajudá-lo.

— Ela... Jonas! Tinha alguém seguindo a gente na trilha.

— Vocês realmente o viram então? — Olívia retrucou.

— A minha namorada, gente. Ela sumiu. — Ricardo levou as mãos ao rosto, estava prestes a chorar.

Segurei meu amigo firmemente pelos ombros e fitei-o nos olhos:

— Me diz, o que era? Uma pessoa?

— Não. Não. Foi a Fernanda que viu... Viu e agora sumiu!



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