História Relatos Sobre o Homem Esguio - Capítulo 9


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Categorias Slender (Slender Man)
Tags Homem Esguio, Slender Man, Terror
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Palavras 980
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Policial, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Mutilação, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Olívia


Minha cabeça latejava. Peguei a xícara de café que me foi oferecida e bebi longamente. A bebida não estava boa, tão amarga quanto minha boca, refletindo a última refeição que havia sido na hora do almoço. Na delegacia era o próprio delegado quem encarava a mim e ao meu irmão, espaçosamente sentado em sua mesa.

— Então a moça desapareceu? Que horas mesmo foi isso? — possuía uma voz rouca de um fumante inveterado.

— Foi de tarde, tá legal! — meu irmão já havia ultrapassado o limite da paciência há tempos.

— Ei, rapaz, só queremos esclarecer os fatos. Depois do que aconteceu em Bueno Brandão, com aquele casal de turistas...

— Pode estar se repetindo aqui! — Jonas enfatizou — Já pensaram na possibilidade de haver um assassino em série pela região?

— Deixe os programas de tevê um pouco de lado, que tal? — o delegado retrucou debochado. Pegou sua própria xícara de café e o sorveu demoradamente.

Coloquei a mão no braço do meu irmão, pedindo para ele acalmar-se. Animosidades não contribuiriam para encontrarmos Fernanda.

— Seu delegado...

— Álvaro. — ele disse.

— Delegado Álvaro, nós estávamos andando nesta região que vocês chamam de “Morro” por volta das duas da tarde.

— O que faziam lá, hein? Aquele lugar abandonado...

— Como dissemos, somos de um blog que documenta fatos estranhos e estávamos investigando a história que os garotos afirmaram ter ocorrido na semana passada com eles. Do homem que supostamente os estava perseguindo.

Delegado Álvaro suspirou e pousou sua xícara na mesa.

— Isso foi uma tremenda burrice. A mata lá é muito fechada, há dezenas de ninhos de jararacas para todo lado. Você sabe o que é uma jararaca, moça? É uma cobra venenosa agressiva, uma verdadeira serpente. A picada dela pode matar qualquer pessoa em horas.

— Certo, nos desculpe. — argumentei submissa. Não conseguiríamos ajuda alguma sendo arrogantes — É justamente por isso, por medo de que nossa amiga tenha se machucado seriamente, que viemos aqui. Nós ficamos procurando-a das duas até às cinco da tarde, e não encontramos sinal de para onde ela pode ter se perdido naquele matagal.

— E então vieram à cidade nos contatar?

— Sim. Estava escurecendo, e sozinhos não podíamos fazer mais nada. Acontece que agora já anoiteceu e ainda não saímos daqui para achá-la. Existe a possibilidade de irmos procurá-la imediatamente?

— Moça, vou ser sincero com você — e virou para meu irmão cheio de desdém — E com você também. A cidade é pequena e minha equipe reduzidíssima. Está acontecendo um rodeio na cidade ao lado e tive de disponibilizar oitenta por cento da minha “força” policial porque aqui não costuma acontecer absolutamente nada! Vou registrar o desaparecimento da jovem e reunir meus homens para a primeira hora do dia.

— PRIMEIRA HORA DO DIA? AINDA NÃO SÃO NEM NOVE HORAS! — Jonas ficou revoltado.

— Calminha, valentão.

— Ela é nossa amiga! — suspirei — Está sozinha, em perigo, ao relento.

— Deveriam ter pensando nisso antes de se emprenharem em terreno privado. — ralhou-nos — Digo e repito, não posso dispor de uma força policial que não tenho.

— Quantos têm aqui? Qualquer ajuda é melhor do que nenhuma. — perguntei desesperada.

— Moça...

— Me chamo Olívia — o corrigi alterada com tantos “Moça”.

— Olívia — ele disse sarcástico — É só eu, o recepcionista, o motorista de camburão e um guarda, que fica na praça. Como disse, minha força se foi para ajudar a cidade vizinha hoje.

***

Impotentes e desolados, voltamos para junto de Ricardo. Ele não se encontrava na delegacia nem na pensão, mas sim no pequeno hospital público do centro. Ele havia ficado tão nervoso e em choque pelo desaparecimento de Fernanda que acabou desmaiando na volta para cidade. Apliquei meus conhecimentos, mas ao perceber que sua pressão deveria estar baixa, levamos ele as pressas para um ambulatório.

Entramos no hospital e abordamos a mulher que cuidava da recepção:

— Viemos saber como Ricardo Augusto de Liz está. — meu irmão informou.

A recepcionista, de aproximadamente quarenta anos de idade, usou o telefone para buscar tal informação e retornou até nós.

— A enfermeira dos internados está ocupada, mas já vai lá checar o paciente e me retorna com a informação.

— Ok. — Jonas encarou o vazio. Seu olhar era culpado.

Queria consolá-lo, dizer que nada daquilo era culpa dele, mas sabia que meu irmão se tornava irredutível em algumas ideias. Ainda mais as fatalistas. O fato de ser justamente Fernanda, a única pessoa que não queria estar no meio de nossas investigações, a desaparecida, tornava tudo pior. A enfermeira tentou puxar conversa conosco:

— Esse rapaz que vocês procuram, é o que estava no Morro?

— Isso. — Jonas respondeu distraído.

— Pobrezinho. — ela argumentou consternada. — Vocês são amigos dele?

— Sim.

— Estavam com ele quando a namorada desapareceu? — as notícias corriam depressa no pequeno hospital.

— Exato. E essa maravilhosa delegacia não quer ajudar. Não tem policiais. Acho melhor vocês pressionarem o prefeito nas próximas eleições, porque se algo lhes acontecer ninguém vira em socorro com essa incrível força-tarefa. — disse Jonas asperamente.

Dei um cutucão nele. A enfermeira pareceu não se importar, estava com um olhar vidrado e soturno, e foi realmente assustador quando ela falou:

— Não tem mais ajuda para a jovem. O Homem Esguio a pegou.

Encarei a mulher. Minha espinha gelou.

— Homem Esguio?

— É ele que caça nas matas. Tem braços e pernas de aranha, veste um terno negro como a noite, e na cabeça usa uma máscara branca para ocultar sua face demoníaca, sua boca infernal.

O telefone da recepção tocou, assustando a mim e ao meu irmão. Por um momento ficamos estáticos e hipnotizados pelas palavras da recepcionista. Ela virou-se e pegou tranquilamente o aparelho do gancho. Falou por alguns segundos com a pessoa do outro lado da linha e depois desligou:

— O amigo de vocês não está mais aqui. Saiu sem receber alta.

— Como assim? Vocês não o seguraram?

— Ninguém viu ele saindo, na verdade.

Jonas já estava correndo para o carro outra vez. Eu o acompanhei. Sabíamos para onde Ricardo tinha ido. Para onde deveríamos ir também.



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