História Relicário de Memórias - Capítulo 7


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook)
Tags Bts, Jhope, Jimin, Jin, Jungkook, Namjoon, Suga
Visualizações 28
Palavras 1.692
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lírica, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, minhas panquecas! Como vocês estão? Cheguei com mais uma atualização para vocês. A partir do próximo capítulo as coisas vão ficar cada vez mais claras, será o ponto de vista do Jeongguk! AH! IMPORTANTE! Criei um grupo no zipzop para conversar com vocês, quem quiser dar um oizinho lá o link vai estar nas notas finais! Boa leitura <3

Capítulo 7 - Quando ele deixou de ser um ideal para ser real


Fanfic / Fanfiction Relicário de Memórias - Capítulo 7 - Quando ele deixou de ser um ideal para ser real

"Alguma vez já se perguntou como ele se sente?"

            A pergunta de vovó impedia que eu pegasse no sono naquele domingo. Na verdade, como havia passado de meia noite, já era segunda e a primeira aula começaria em algumas horas. Eu nunca havia perguntado e tampouco ele fizera questão de dizer. O irônico disso tudo é que agora, deitada na cama enquanto minha colega de quarto dormia pesadamente, eu me perguntava quem havia sido mais egoísta: eu ou Jeongguk.

            Não era um pensamento abusivo contra mim mesma. Aquela agonia psicológica que fazia a vítima de agressão se culpar por ter sido agredida, se sentir merecedora daquilo. Eu não me sentia daquela forma, só estive ocupada, durante todo esse tempo, sofrendo, que não pude entender o quanto eu havia insistido e dilacerando sua paciência para que ele não partisse, apenas para que eu não sentisse sua falta; também não fizera questão de entender os motivos dele, mesmo ele sendo firme em sua decisão de manter o segredo apenas para si.

            Lembrando daquele momento, há dois anos, eu poderia considerar que vivia uma vida perfeita junto a ele. Éramos melhores amigos, nos beneficiávamos de vez em quando, morávamos juntos, estávamos empurrando a vida para algum lugar e eu o amava mais que tudo no mundo. Se havia alguma coisa errada, e de fato havia, Jeongguk conseguia esconder muito bem. A única coisa da qual eu desconfiava era de suas ligações estranhas na madrugada, ou quando ele ficava um dia inteiro sem falar absolutamente nada com alguém e de cara emburrada.

Ainda assim eu amava cada detalhe que ele tinha.

            E eu não tinha medo de amá-lo daquela forma totalmente devota, entregue, sem freios e sem consciência. Sabia, entretanto, que não era saudável e ficar longe dele me fazia entender que eu estava amando-o errado. Eu sabia que o sentimento que eu tinha por Jeongguk não iria morrer nunca, mas eu finalmente havia compreendido que eu não podia deixar que tudo o que ele representava para mim preenchesse o vazio que eu sentia de mim mesma. Mas eu deixei. Deixei e quando ele foi embora eu não soube o que fazer com o que restou de mim por um longo tempo. O meu maior erro foi idealizar Jeon Jeongguk.

            Era dilacerante e até suicida depositar toda a felicidade, o tudo, em um único algo, ou alguém. Inevitável, contudo. O sentir nunca fora questão de escolha porque apenas acontece. Não tem controle porque não tem começo. Acontece e pronto. E o acontecer podia vir carregado de uma intensidade tão massacrante que não parecesse certo ou fizesse sentido, ou fosse moral, até saudável. Não era escolha, era sensação. Era a alma correspondendo ao que lhe atingia com ardor, era a alma nutrindo-se de vida pelo o que abalroava sem piedade, ainda que piegas. Era dependência, como cocaína, e transbordava de alguma coisa boa e fugaz.

            Não era certo, nunca fora. Era desnutrição da alma, diziam para mim. Era querer ferir-se a troco de algo que não valia pena, mas mostrava que valia. Era falácia metaforizada em amor brando e falso e que assemelhava-se ao sentido de uma vida inteira, mas não o era. Diziam, também, sempre diziam. Dizer nunca fora questão de compreensão, ou de entender o que é dito, ou a força como é expelido para fora com a boca e com a materialização do som. Diziam, eu ouvia e deixava para trás porque aquilo feria o amor incondicional que existe no meio daquele vão de dependência, naquele depósito de felicidade que se uma hora desmoronasse levaria tudo embora junto consigo.

            A compreensão era única e exclusiva a quem podia sentir o inevitável, que apenas acontecia. A compreensão só atingia quem nutria a alma com aquela intensidade clandestina que chega para ocupar cada canto de si com algo que não pode permanecer, mas pode permitir que algo outro fique. Algo vital. Indispensável. Essencial. Como a água.

            Tudo era uma idealização objetivada a fazer ficar tudo bem. E ela vinha em excesso. O problema do excesso da idealização é que a vida inteira se torna uma decepção. Finca-se uma frustração constante na alma e sobressai a crença de que tudo é menos que deveria ser quando tudo é aquilo ali mesmo que se despreza. O problema da idealização é transcender o limite das sensações e de si própria. É um constante inalcançável que fica cada vez mais distante. A personificação do impossível. O próprio impossível.

            E ainda que um problema, a idealização era necessária. Mesmo que ela fosse uma fonte constante do que não viria a existia nunca e mesmo que ela fizesse depositar a si em algo bambo e prestes a romper. Ela, pelo menos, adocicava a vida. Dava um rumo e transmitia espasmos de amor, esperança, vontade e aquela ressaca marinha de sentimentos gostosos que não existiam dentro das sensações, só no que era escrito e desejado. Ela era tão necessária, mesmo que seu ápice fosse, também, sua própria ruína. Não se sabe o que mil-folhas de sentimentos justapostos no inconcreto podem causar até que, por fim, desmoronem na realidade.

            E eu cai sob minha realidade quando eu implorei para que ficasse e ele não ficou. Eu me vi ruir diante de sua partida, me contorci pela sua ausência e como se fosse surtir efeito anestésico, decidi juntar meus cacos e parti também. Um ano que sucedeu aquilo, eu não me sentia parte do mundo em que ele era o dono, mas que deveria ser meu. E mesmo que as palavras de vovó me assombrassem agora, eu me sentia satisfeita e aliviada por tudo o que aconteceu, mesmo que tenha me doído como apenas um único outro acontecimento da juventude. E nada disso era culpa de Jeon, era a minha culpa. Meu alívio era por não mais nutrir um amor cego e sem espaço para o individualismo.

— Você ainda está acordada? — Heejin me acordou dos meus próprios pensamentos. Olhei para a garota que me fitava curiosa entre a meia luz fraca de um mini abajur de coração. Ela parecia estar preocupada.

— Sim. Não estou conseguindo dormir. A luz está te atrapalhando?

— Não. São cinco horas, _____. Já é hora de levantar.

— Ah... nossa. Nem vi a hora passar desse jeito.

— Estou vendo que não.

— Pode ir tomar banho primeiro. Vou depois.

— Ok.

— E tente não usar toda a água quente, por favor. — Minha colega riu, levantou e arrastou-se até o mino banheiro me deixando sozinha no quarto novamente. Respirei fundo ainda sem sentir o sono e tenho consciência de que ele viria no momento em que eu pusesse meus pés na sala de aula. Vovó estava certa, eu nem gostava tanto de química assim. A verdade é que nem eu sabia do que, de fato, gostava. Nunca tive um sonho, uma ambição. Eu gostava do comodismo. Isso me maltratava muitas vezes porque para a sociedade do século vinte e um era agonizante que uma mulher da minha idade não tivesse um sonho, uma vontade, uma ambição. Ou, talvez, eu apenas não tinha encontrado o que queria. Era normal. Jeongguk me dizia que estava tudo bem e eu costumava acreditar nele.

            Peguei meu celular e digitei seu nome nas redes sociais. Não era nenhuma perseguidora ou stalker, eu só queria me certificar que ele ainda queria me manter longe o suficiente para que não soubesse nada dele. Para minha surpresa e solavanco do coração, a foto azul com uma sombra cinza no facebook fora substituída por uma foto de um garoto. O cabelo continuava no formato tigela, apesar de mais arrumado. O rosto menos redondo, a expressão mais madura, pele mais bronzeada. A cicatriz na maçã do rosto continuava intacta. Senti meu corpo gelar e não era por causa do frio. Ele, enfim, havia me desbloqueado de todas as redes sociais. Até sua foto no kakao eu, agora, podia ver.     

            Ao contrário do que eu imaginei, não achei aquilo a coisa mais extraordinária do mundo e tampouco o feito havia me causado um efeito estarrecedor, coisa que certamente faria em um passado não tão distante. Apesar de, novamente, sentir alívio e sentir uma pontinha de felicidade. Eu não sabia o que havia o levado a tomar tal atitude depois de dois anos, minha cabeça ainda era confusa com relação aos seus motivos e suas ações dolorosas, a pergunta de vovó brilhava e neon em frente aos meus olhos. Ele havia voltado antes da hora e havia desbloqueado sua redes sociais. Isso deveria ser significativo em algum momento. Eu, no fundo, esperava que fosse.

— Ainda há bastante água quente para você. Aproveite! — Heejin retornou enrolada em uma toalha roxa e foi até o armário que dividíamos.

— Já vou! Só um minuto. — Deslizei o dedo pela página temendo curtir algo sem querer e fui até suas informações. Natural de Busan, morando em Seul e...artes cênicas?

            Estávamos na mesma cidade há dois anos e nunca, absolutamente nunca, havíamos nos esbarrado. Aquele excesso de informação estava começando a me incomodar, ao mesmo tempo em que eu queria fuçar tudo o que tinha relação com ele na internet eu queria livrar minha mente daquele completo pesadelo. Ele queria me assombrar, não era possível. Ele voltava até mim aos poucos, como um fantasma provocado sons e vultos, me causando dúvida e confusão, deixando ainda mais em aberto o vácuo de sentido em todas aquelas atitudes que ele teve desde que decidiu ir embora sem dizer o motivo, sem dizer para onde, sem dizer como.

            Em um último ato, desci um pouco mais sua página de perfil até encontrar as fotos destacadas. Duas eram dele e duas eram deles com um garoto loiro. Mordi meu lábio inferior contendo a vontade de vasculhar tudo o que tinha a ver com aquilo, mas Heejin me salvou, mais uma vez, de me afundar na procura por respostas que não cabia a mim encontrar.

— Você vai se atrasar, ____. Você sabe o quanto o professor de hoje é chato.

— Estou indo. — Respirei fundo, pus o celular para carregar e entrei no banheiro. Mentiria se dissesse que eu durante o dia aquilo desocupou minha cabeça. Muito pelo contrário. Eu parecia querer mais os porquês do que sua presença.


Notas Finais




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