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História Remedy - amizade colorida - Capítulo 3


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Notas do Autor


vamos de aula de cores primárias.

Capítulo 3 - Aquele com os lábios lilás


Não me use como uma de suas manipulações eu não sou assim. [...]

É assim que me enxerga?  Sou uma manipuladora sem coração? Me poupe eu tenho sentimentos.

— Alissa

É domingo de manhã, deduzi isso pelo fato de estar entrando sol pela janela pois esqueci de fechar as cortinas noite passada.

O sol bate em meus cabelos que estão bagunçados e a maioria se encontra em meu rosto. Eu afasto os fios para poder enxergar.

Levantei, e logo vesti uma roupa com clima de domingo. Que no caso domingo é chato.

— bom dia Alissa. — minha mãe entrou no quarto e me deu um beijo na testa. — precisamos conversar. 

Fodeu, se for o que eu tô pensando fodeu.

Ela faz sinal para eu sentar na cama, embora eu desejo ser como minha mãe, ela é o único ser universal que pode me assustar falando um simples "sente-se".

Ela anda pelo quarto e abre uma gaveta, tira de lá um caderno que tem a capa de um desenho animado. 

Esse caderno é meu diário. Sim eu tenho um diário aos 16/17 anos de idade, não posso ficar escondendo tudo para mim mesma, eu precisava por em algum lugar, então disse para a minha mãe que era um caderno para arrumar as tarefas da escola, já que a mesma é interna, então tem muitos deveres de casa.

Ela abre, procura uma página em específico e quando acha começa a ler.

— "estou sentindo falta de ar, meus pulmões doem e diminuíram três vezes, ou pelo menos essa é a sensação, meu estômago está revirado em borboletas, tive pesadelos a noite inteira, acho que é por que não comprei o presente da minha mãe para o aniversário dela". — ela vira a página. — eu cortei os braços hoje, foi uma sensação boa. — vira novamente. — consegui mudar minha nota de 6 para 9 apenas falsificando atestados dizendo que eu estava exausta psicologicamente, o que não é mentira mas eu estou longe de me chamar doutora Patty.

É eu fiz isso, fotoshop amigos, aprendi sozinha.

Ela vira outra página.

— não sei o que senti, mas quando vi Morfeu e aquela ruiva, não me contive e tive que ligar para a mãe dela e dizer que o exame dela estava pronto, eram exames de gravidez, nunca mais vi a ruiva com Morfeu. Não deveriam ensinar nos filmes se não querem que façamos na vida real.

Parece que ela leu cada página, cada crise, cada noite mau dormida, e algumas merdas que fiz, como usar um garoto para entrar em uma festa, ou ficar com uma garota para ela me levar em evento de anime.

Eu estou ferrada, morta, o que eu vou fazer?

— pode começar a me explicar, não tente me enganar de novo. — ela jogou o caderno na cama e cruzou os braços esperando minha resposta.

— eu só queria ser a filha que você tanto quer. Eu só não queria te decepcionar então eu finjo ser quem você quer que eu seja, finjo para todo mundo, até às vezes para Morfeu, eu não queria ter nascido assim, me desculpa. — eu já estava chorando, dessa vez tentei ser verdadeira com ela.

— independente do que você é, precisa falar a verdade para mim, me decepcionou, você lida com ansiedade sozinha a três anos Alissa! — ela descruzou os braços e agora faz massagem nas têmporas.

— tem razão. Mas você não conseguiu me ajudar, ninguém conseguiu, você quer que eu ache o que? Eu só estava deixando você preocupada e te fazendo gastar dinheiro em coisas que não tem o menor sentido.

— filha, você ser diferente do mundo, nunca foi um problema, todo mundo é diferente, só que uns ganham destaque, eu só estava tentando fazer você tratar o bullying e a ansiedade, e o negócio de você se cortar para ver sangue. — ela para e solta o ar que parece estar preso, e também está chorando. — precisamos nos unir meu amor, somos só eu e você nesse mundo louco, preciso da minha maluquinha sã.  quando você estiver com seus momentos assim, pode me pedir ajuda, desabafar, ou só ficar falando de séries, eu estou aqui.

— vou tentar pensar nisso.

— ótimo, vai ter bastante tempo para pensar, está de castigo.

— o que? 

— acha mesmo que eu não li cada palavra desse diário? Você começa na terapia amanhã. Sem saídas a noite, ou jogos de mesa. As 20:00 da noite seu celular vai ser desligado. E de sobra, vai fazer as tarefas de casa que deveria fazer mas não faz.

— tá né. — se eu descordar dela o castigo aumenta.

— e sem carro, eu sei muito bem o que você fez com o Morfeu, ele é todo errado, mas isso não se faz, não gostaria que ele lhe prendesse em um quarto fechado não é?

— não. — revirei os olhos.

— ótimo, hoje você limpa a casa. — ela sai do quarto e fecha a porta.

Ótimo, horário para voltar, terapia e celular grampeado. Além de eu ser feita de Cinderela.

 ∆ • ∆ • ∆ 

Eu passei o dia limpando a casa, acho que toda a sujeira grudou em mim, estou cheirando a suor e produtos de limpeza.

Dessa vez meu banho foi longo, lavei o cabelo hidratei, fiz tudo o que me é de direito.

Quando me vesti com meu short soltinho de pijama e minha regata, olhei no relógio do celular e ainda não são oito da noite. Acho que vou mandar mensagem para o mariposo.

°•morfeu•°

Tá aí? —

Ô puto de esquina.—

— o que é quer me contratar?

Essa noite não. —

Minha mãe descobriu tudo. —

Tô de castigo. —

— tomou no cu né princesa. 

— dorme aqui hoje?

Pede você pra minha mãe.— 

Acho que só assim ela deixa. — 

Ela sabe que te tranquei na coisa de metal com rodas. —

— ta, ela me ama. [ 18:57]

Okay. [18:57]

— energúmeno pega tua escova de dente e vem.

Eu pego algumas coisas para amanhã, que no caso é segunda, mas acho que vou usar a blusa de uniforme do Morfeu.

Após pegar o necessário, dou tchau de longe para minha mãe, não quero encarar a fera.

Vou a casa de Morfeu a pé, é perto mesmo.

Quando chego lá e entro, eu não preciso bater na porta, sou de casa, o pai de Morfeu está sentado no sofá.

— oi Al! — Willian me chama assim. — meu filho está no banho.

— tá bom.

Eu estou apertada para fazer xixi. Eu não gosto de usar o banheiro principal estou acostumada com o do quarto do mariposo.

— caralho destranca eu quero mijar.

Eu ouço o barulho de chave girando, espero uns três segundos para Morfeu voltar ao box, vê- lo nu com frequência não seria ético.

Eu entro e, bem, não tem nenhuma novidade em fazer xixi...

— por que está tomando banho, teve o dia todo para isso.

— não há novidade em tomar banho sua porca.

— então por que seu lençol cheira a perfume feminino? — eu sentei na cama esperando para ver se conseguia segurar o xixi, o cheiro era sutil, mas dava de perceber. Afinal, Morfeu só usa perfume masculino.

— não tem a ruiva, a Laura? Ela esteve aqui antes de você. — ele tirava o shampoo do cabelo.

— e? — perguntei sem entender o motivo do perfume dela estar no lençol.

— não seja ingênua. É só usar nosso neurônio.

— aí que nojo Morfeu! — agora eu entendi, ele come a garota e depois chama a amiga para dormir em casa, impressionante seria se a pessoa que fizesse isso não fosse Morfeu. — você vai trocar a roupa de cama toda!

— tá sua chata. Me dá a toalha.

Eu entrego a toalha para ele. E ele se seca. Com a toalha na cintura ele vai para o quarto se vestir, e eu o sigo.

Eu tiro o lençol da cama e me deito nela enquanto ele se veste.

Ele está pondo uma cueca preta, uma bermuda de moletom cinza e acho que vai por blusa, eu só acho.

No fim não colocou.

Ele pega o lençol e as fronhas e faz sinal para eu sair dali.

Ele arruma tudo pega o cobertor e nos deitamos.

Ele ligou a tv e olhou o celular.

— tem uma mensagem da sua mãe. 

— e-e o que ela disse?

— que você tem que ficar sem celular as oito. — ele arranca meu celular de mim e levanta da cama.

— é sério? Me dá! 

— ownt, você fazendo birra até parece uma criança catarrenta dentro do mercado. — ele colocou o celular em cima do guarda-roupa dele, se ele que é mais alto para chegar lá preciso de um banquinho, como eu com 15 centímetros a menos que ele fico?

Preguiça, vou deixar ele lá.

— não fala comigo nunca mais até hoje. — eu disse fazendo uma linha na coberta para dividir o espaço entre nós.

— tá né quer ver o que?

— lie to me!

— não. — eu sei que ele não gosta dessa série, mas não custa tentar.

— deixa eu te maquiar? Eu trouxe sombra azul. — fiz carinha de pidona, pq sim.

— deixa eu fazer o mesmo em você primeiro?

Arg, ele vai zoar com a minha cara. Mas maquiá-lo não tem preço.

— deixo...

Eu levanto e pego a nécessaire que eu trouxe na minha pequena mochila.

Me sento na cama e ele vasculha a bolsinha em cima da cama, parece uma criança que acabou de receber sua caixa de lápis de cor nova.

— vamos ver... Olha isso brilha, vou passar no seu olho. — ele se referia ao iluminador.

Por mais que ele se maquie um pouquinho acho que não sabe para que serve a maioria das coisas, ainda mais se for de marca diferente da que ele compra.

Ele se sentou em meu colo para ter uma visão melhor do meu rosto.

Suas pernas passavam minha cintura e minhas mãos estavam na cintura dele.

Ele passava o iluminador em meu olho e de vez em quando olhava para ver se estava bom.

— hora da sobrancelha. — ele olhou e olhou, no fim pegou o delineador que jurava de pés juntos que era para desenhar fios de sobrancelha. Detalhe o delineador é preto e eu sou loira.

— amado isso não é o tom da minha sobrancelha.

— cala a boca estou te fazendo virar gente.

Ele acabou minha sobrancelha e fez minha pele, a base pelo menos ele sabe espalhar e as outras coisas também.

— batom! — ele estava falando da sombra líquida azul.

— n-não. — apertou minhas bochechas formando um bico em minha boca.

— vai ficar linda, prometo.

Ele termina de passar e saiu do meu colo.

— posso me olhar no espelho?

— calma borrou aqui. — ele molhou a ponta do dedo com a língua e passou onde estava borrado em meus lábios.

Isso é nojentinho, mas me fez arrepiar inteira, foi o toque mais delicado que ele já me deu por conta própria.

— pronto sua vez. — ele se sentou na cama.

Me olhei no espelho, estou parecendo uma palhaça.

— Morfeu!

— está linda, bem mais que o normal. — ele segurava o riso ao olhar a merda feita em meu rosto, de sua própria autoria.

Me sento na mesma forma que ele estava sentado em mim.

Suas mãos também pousam em minha cintura.

Eu faço os olhos dele com o mesmo azul de meus lábios.

Passo rímel e tals.

Eu estou mega a vontade quando ele solta um: 

— da para parar de ficar se mexendo?

QUE MERDA ALISSA, ele é seu melhor amigo, tá mas, não a rola.

eu... Eu vou passar o batom. 

Minha consciência vem com tudo e se pergunta, vermelho com azul fica que cor?

Me viro para trás e no colo de Morfeu tem uma almofada...

Bom, que tal descobri na marra que cor faz?

Eu me sento novamente onde eu estava, dessa vez com delicadeza digamos assim.

Passo o batom bem de vagar nos lábios de Morfeu, consigo até visualizar a cicatriz de um piercing de quando ele tinha 14 anos.

Quando borrou faço o mesmo que ele fez comigo.

Se está se perguntando o que eu exatamente estou fazendo. 

Estou provocando Morfeu.

Por ser sua melhor amiga, tive que aprender na marra o que eu posso ou não fazer para evitar coisas como uma ereção indesejada.

Meninos de 13 anos tem muitos hormônios a tona, o pai de Morfeu que conversou comigo sobre isso, e é nojento lembrar essa conversa.

Eu limpo delicadamente o batom borrado, e para limpar meu dedo o passo em minha boca e depois tiro o excesso em meu short de pijama.

Eu passo os dedos em sua sobrancelha fingindo estar arrumando alguma coisa, ajeito também seu cabelo.

Posso sentir o nervosismo nele, quando suas mãos que pousam em minha cintura estão começando a ficar suadas.

Eu me mexo e guardo algumas coisas na nécessaire ainda sentada em seu colo.

Quando termino jogo ela na cama.

— vamos brincar? — pergunto com cara de inocente.

— e eu tenho 6 anos AL?

— é conhecimentos gerais. — coloco minhas mãos no ombro dele e chego mais perto de seu ouvido. — você sabe a cor que forma quando se junta vermelho e azul? — sussurei e acho que o fiz arrepiar já que sua postura mudou.

Ele me fita, olha para meus olhos e meus lábios.

Bem, eu não vou esperar que ele tome alguma iniciativa.

Com a minha mão que está em sua nuca o puxo para um beijo, algum tempinho depois, ele pede passagem com a língua e logicamente eu a cedi.

Quando nossas línguas se tocam e é um arrepio atrás do outro, pareço em curto circuito.

Devemos ter ficado aos beijos por um bom tempo.

Ele apertava minha cintura contra a dele juntando nossos corpos, eu puxava seus cabelos e arranhava seu pescoço, me desculpe Morfeu mas eu não cortei as unhas.

Só paramos quando ele se deu por si e descolou nossos lábios, descolou é a palavra perfeita, estávamos colados e encaixados.

— isso não é certo. — disse tirando as mãos da minha cintura e passando-as pelos cabelos.

— desde quando somos corretos? Somos o caos mariposo.

— você me manipulou para isso. — ele parece desorientado.

— você que cedeu. — eu provoquei, sim foi tudo culpa minha, mas a língua dele também entrou na minha boca ué.

— foi impulso. — ele falou baixo.

— deveria usar eles mais vezes.

— não me use como uma de suas manipulações eu não sou assim.

— e eu sou? — sai de cima dele.

— eu quem pergunto, olha o que fez.

CARALHO EU BEIJEI O MORFEU! 

MERDA. MERDA. MERDA. MERDA.

eu sou a manipuladora fria? É assim que me vê? Sem sentimentos?

— vamos esquecer que isso aconteceu. — ele se levanta e vai ao banheiro.

— então é assim que me vê! tudo bem. Eu sou uma péssima melhor amiga.

— está se jogando a culpa para que eu te defenda? Está manipulando sem nem mesmo perceber.

— e-eu eu...

— antes que você se chame de melhor amiga ruim, avalie isso que nós temos e veja se parece com uma amizade e terá sua resposta.

Filho da puta.

— me desculpa eu não quis usar você.

— errado, você quis sim, só percebeu agora, você tem noção, que ME usou? Pra que? Para matar seu fogo no cu ou algum outro motivo.

— sim eu quis te usar, se não acredita no meu arrependimento e não sente sentimentos por mim, não que eu sinta, então paciência. — saí do quarto.

— vai para onde? — ele perguntou.

— comprar vodka. — peguei minha carteira e saí, levei a chave da porta caso ele resolva me trancar na rua ou me despejar da casa dele.

Chego na mercearia, pego a garrafa e passo no caixa, acho que esqueceram de pedir minha identidade.

Eu abro a garrafa no caminho mesmo, e tomo, cada gole é um rasgo na garganta e uma lembrancinha adorável de como manipulei Morfeu para me beijar.

Quando chego a porta está aberta, eu fecho, e vou para o quarto.

Ele dorme, no balcão ao lado da cama uma cartela de comprimidos, quando os pego para ler descubro que são de sono, ele não queria estar acordado quando eu chegasse.

Eu bebo até a garrafa acabar e me deito, talvez eu tenha chorado.

Talvez.

Parando para pensar nossa relação é muito tóxica, talvez, com a terapia eu consiga me afastar dele. E seguir meu rumo. Não ser dependente de seu jeito instável.

A quem eu quero enganar? Morfeu me fascina. Eu sei que sou um enigma para ele. Eu me lembro de ontem no bar.

Não sou só eu que desejo algo as vezes.

Mas arriscar por outros tipos de sentimentos no meio do nosso caos valeria a pena por curtos circuitos como o de hoje?

Tsc, no que eu estou pensando. 

Eu preciso mesmo urgente de ajuda.

Para ter uma amizade colorida Primeiro precisa ter a amizade, o que não temos.

Aliás quando se mistura azul e vermelho fica lilás.










Notas Finais


Ficou mto grande Sorry kskksksksksksksk


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