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História Remedy - amizade colorida - Capítulo 8


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Notas do Autor


Fala consagrados, eu esqueci de por as notas ontem então estou pondo às 4:24, boa leitura.

Capítulo 8 - Aquele que não consegue respirar


As garotas boas eu levo para jantar, garotas como você, eu levo a loucura.

Alissa.

Eu ouço o despertador tocar, mas eu logo desligo pois estou acordada antes dele, na verdade nem dormi.

Levanto e vou ao banheiro me olhar no espelho, não estou tão ruim assim.

Só coloco o uniforme, passo desodorante escovo os dentes, prendo o cabelo num rabo de cavalo calço meu tênis e vou a luta.

Eu falei algumas vezes que a escola é interna então... Eu não durmo lá pois não posso. Na verdade...

Ano retrasado, eu e Morfeu, que também não pode dormir lá, estávamos na cozinha e quase colocamos fogo nela. Detalhes são irrelevantes, pagamos com serviço comunitário e agora estudamos no período da manhã e depois vamos para casa.

Falando em escola, me encaminho para lá neste momento.

Eu quase atropelei um cachorro. Acho que eu vou ter que deixar o carro no estacionamento da escola hoje.

Como sai antes do horário e está cedo, eu estaciono o carro e fico lá dentro pensando na vida.

Por falta do que fazer e faltando quase uma hora para tocar o sinal, eu vasculho o porta luvas e encontro um...

Um uísque?

Eu olho a embalagem pequena da bebida, acho que eu posso beber...

NÃO VOCÊ NÃO PODE! 

Eu jogo a garrafa para o banco de trás.

Vasculhando mais achei uma lâmina.

É o destino querendo que eu tenha uma recaída? Talvez seja.

Eu olho para ela, que brilha, é reluzente e convidativa, me imagino por um momento fazendo só um arranhão, para aliviar os sentimentos ruins com quais acordei.

Foda-se tudo.

Cada arranhão é uma cor e um sentimento.

Eu coloco meu braço a minha frente, o direito, sou ambidestra.

Olho para as outras cicatrizes que tem, não são perceptíveis mas eu sei onde se localiza cada uma.

O primeiro é leve, acho que a cor seria o  branco, e o sentimento... Acho que é sufoco.

O segundo é lilás óbvio, ele é mais profundo que o primeiro, sai bem mais sangue, muito mais.

Não me incomodo com a dor.

Mais alguns e logo me dou conta do que fiz e jogo o objeto cortante para o mesmo lugar do uísque.

ANTA ANTA! É ISSO QUE VOCÊ É ALISSA UMA ANTA!

A falta de ar  está presente, a sensação dos pulmões pequenos também aparece, minhas mãos estão geladas e meus pés também.

Estou suando frio, minha cabeça dói. Resolvi então ligar o ar condicionado do carro, peguei uma garrafa de água que carrego comigo e tomo toda a água que ali estava.

Eu começo a chorar sem nenhuma explicação.

Acho que vou ligar para minha mãe.

— essa chamada está sendo encaminhada para a caixa postal por favor tente mais tarde... — a voz dessa caixa eletrônica só aumenta meu desespero.

Ouço alguém dar batidas de leve no vidro, era Steve.

Eu abaixo o vidro do carro e solto o celular de minhas mãos o deixando na minha coxa esquerda.

— o que houve Al? 

— não. — enxuguei as lágrimas. — não se preocupe, eu vou voltar ao normal.

— você pode sair do carro? — assenti com a cabeça.

Eu abro a porta pego minha mochila e aperto o botão de alarme do controle.

— vem cá. — Steve me abraçou. — você acordou num dia ruim?

— uhum.

— o que posso fazer para te ajudar? — ele fazia carinho no meu cabelo.

— só não me solte. 

— ownt. — ele apertou nosso abraço.

Eu me sinto mais calma só com isso. Quer dizer é uma coisa simples porém Steve vale o mundo e não eu não valho nada.

— vem, vou levar você para a enfermaria. — ele pegou minha mão, eu não tinha muito o que falar ele me levaria de qualquer jeito.

Eu ando de cabeça baixa até o local, no caminho até encontro uns rostos conhecidos o de Morfeu é um deles.

— com licença enfermeira. — Steve disse de maneira gentil para a moça que estava sentada na sua mesinha anotando coisas em um papel.

— sim em que posso ajud... — Steve me empurra para frente dele com cuidado.

— oh meu santo Deus! Menina o que houve com você?  Steve né? — ele concorda. — pode nos dar licença, vá para sua aula quando ela estiver melhor eu o avisarei.

Ele me deu um beijo na testa e saiu.

A enfermeira enche um copo de água e coloca algo ali dentro e me entrega.

Tem gosto de maracujá amargo. Como maracujá pode ser amargo? Não me pergunte.

— vamos limpar seu braço. 

Eu o escondo, não quero que ela o veja.

— eu não estou aqui para te julgar, quero te ajudar, eu posso?

Dei meu braço a ela, que com um algodão molhado no que julgo ser soro fisiológico ela passa devagar e com cuidado, ela é tão delicada que nem arde.

Ela põe um band aid no lilás que é o mais fundo e nos outros só um esparadrapo, para não ficar a mostra.

O treco amargo faz efeito e eu me acalmo.

— você teve uma crise de ansiedade Alissa?

— sim eu tive.

— e você trata ela?

— trato.

— olha isso é um bom começo, desde que você se esforce ela diminui, e poderá controla-lá. Seja a ditadora desse jogo.

— é, eu sou boa com jogos.

— a vida não é diferente deles, pense só, o mundo é o tabuleiro e as pessoas as peças, cada uma com sua função. Se não pensar em uma estratégia você perde peças, e o oponente, que no caso são as dificuldades, eles ganham o jogo e...

— xeque mate.

— não dê esse gostinho a elas, cair é normal, mas desde que se levante sempre.

— okay. 

Alguém bate na porta.

— pode entrar. — disse a enfermeira.

—oi, posso falar com a Alissa? — era Morfeu, ele estava com vergonha, pude perceber pois ele não para de coçar a testa.

— ele pode? — eu assenti e ela saiu da sala.

— tudo bem? Está melhor? — ele está parado em minha frente.

Eu estou sentada na maca, como ela é alta meus pés ficam balançando.

— estou melhor sim obrigada. — não consigo olhar ele nos olhos. — se veio só para ver se estou bem, pode ir, estou melhor não que se importe.

Ele não diz nada, quando ia abrir a porta ele se vira.

— Sabe Alissa... Você continua sendo uma pau no cu.

— e você um filho da puta. — retruco.

— você tinha uma paixão platônica por esse filho da puta.

— ah Morfeu eu era outra pessoa. — eu revirei os olhos.

Ele tranca a porta e chega perto suficiente para que eu possa sentir seu cheiro de erva doce e sua respiração regulada, ao contrário da minha que está um caos desde cedo.

— tem coisas sua aspirante a alcoólatra, que nunca mudam. Não importa o quanto você tente uma parte sua é totalmente alimentada por nossa loucura.

— não diga merda. Não te quero ver no chão por bater a cabeça num box de novo, você é instável e já levantou a mão para mim.

Ele se apoia na maca com as mãos me fazendo chegar para trás.

— eu sou sua ruína. Nesse jogo, nós dois perdemos. — sussurou em meu ouvido.

— não, não é isso que devemos fazer. — minhas mãos começam a suar novamente.

— não seria um relacionamento tóxico se não fosse um relacionamento... — ele continua a falar em meu ouvido.

— não vou te chamar de louco, isso seria elogio.

— seria...

Eu o empurro para sair do meu ouvido. — procure outra pessoa para enlouquecer Morfeu, como a ruivinha.

— garotas boas eu levo para jantar, garotas como você eu levo a loucura.

— como pode levar a loucura alguém que já nasceu nela?

— existem outras maneiras de levar alguém a loucura.

Eu estou nervosa novamente. Estou começando a ficar sem ar, tento regular minha respiração mas é em vão.

— Morfeu, sai! — eu aumento o tom, mas a voz saiu falhada.

Ele me encara por alguns segundos e analisa meus movimentos tentando regular a respiração.

— quer água?

Eu não respondo mais por mim é muita falta de ar.

— calma, eu não sou tão gostoso assim. — ele tentou quebrar o clima tenso.

Apontei para a porta e ele a abriu tentando achar a enfermeira.

— eu não posso te deixar aqui sozinha, você vai cair dura no chão.

— a-água. — foi a única coisa que saiu.

Ele pega o copo da minha mão e enche de água no bebedouro.

Eu tomo tudo, mas água não é a cura para todas as coisas.

Enquanto ele enche mais uma vez o copo a enfermeira entra.

— Amada, se você não chegasse logo eu que iria passar mau com a loirinha. — dizia Morfeu aliviado por ela ter entrado.

— o que houve? — ela me pergunta e eu faço negação com a cabeça. — sabe o telefone da sua mãe? — eu aponto para Morfeu. 

— ah eu tenho. — ele tirou o celular do bolso.

— ótimo diga para ela vir buscar a Alissa, agora.

Pensar em Morfeu falando com a minha mãe me apavora.

— NÃO! — eu gritei.

— não? — os dois falam juntos e incrédulos.

— não. Ela vai brigar por Morfeu estar aqui. — eu o olho e ele pareceu chateado.

— certo... — ele disse olhando para o chão. 

Ele ama minha mãe, acho que ela tentar me proteger dele acabou gerando uma imagem mais ruim na cabeça dela sobre ele.

— Morfeu...

— certo, fique bem eu vou fazer o que pediu e sair.

Ele saiu. Confesso que meia hora depois de ele sair eu me senti muito melhor. Minha mãe chega, e eu perdi um dia inteiro de aula.

Ela me leva para casa, no carro olho meu celular e tem uma mensagem do Steve.

— melhor?

Sim, estou indo para casa ver se durmo pode me mandar foto do que teve depois?— 

— claro.

— você encontrou com morfeu?

— ele parecia preocupado

— e no fim da aula parecia meio louco de novo.

Ah eu encontrei com ele— 

Como assim meio louco? — 

— sei lá ele mandava alguém calar a boca sendo que não tinha ninguém com ele e falava coisas como "foi um erro eu a machuquei de novo"

Entendi— 

Beijo estou chegando em casa —

— durma o dia todo princesa.

Ah claro tomara que eu sonhe com você, seria o melhor sono possível.

— seria mesmo, eu sou incrível.

— beijo.

Não falei nada no caminho, eu só cheguei em casa e tomei meu banho, minha mãe deixou uma xícara de chá e um bilhetinho.

Só fui comprar um calmante, durma, eu te amo.

Eu tomo o chá e deito na cama.

Após me mexer por alguns minutos o sono vem e eu durmo.



Notas Finais


Isso que dá ficar ouvindo música de apaixonada e não estar apaixonada


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