História Remember - Interativa - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Tags Ash Stymest, Daniel Sharman, Interativa, Mistério, Suspense, Vagas Abertas
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Palavras 2.076
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Bea, anjo do céu que betou esse capítulo. Obrigada meu amor

Banner: Fairy Edits.

Capítulo 2 - 00; Velas e orações


Fanfic / Fanfiction Remember - Interativa - Capítulo 2 - 00; Velas e orações

16 de Dezembro de 2016 ─ Nova Orleans.

 Bonjour, mes amis. ─ a porta do galpão se fechou e o homem não obteve resposta. Estavam morbidamente silenciosos a parte de dentro e a de fora do lugar. Não que isso fosse ruim, na verdade, este fato havia sido minimamente calculado; o galpão era afastado da cidade, de casas, de tudo. ─ Ah, qual é! Francês, Nova Orleans...  sacaram? Eu sei que sua espécie não é muito inteligente, mas isso está meio óbvio! ─ e assim, sua resposta também não foi obtida. ─ Vocês estão insuportavelmente mortos hoje, sabiam?

Com um estrondo, a chave da eletricidade foi ligada e, uma a uma, as luzes do pequeno galpão foram se acendendo. A visão proporcionada não foi das melhores. Havia sangue por toda parte, inclusive no teto baixo feito de telhas. Os membros dos corpos mutilados por todos os lados já estavam em decomposição, deixando um odor nem um pouco agradável no lugar. Podre era pouco para descrever o chorume que estava no galpão. Porém, isso não parecia incomodar de forma alguma o garoto, assim como o fato de a única mulher viva dali se encontrar amarrada no teto, em uma corrente grossa pelas mãos sujas de sangue. Dias atrás, ela usava um vestido claro florido, deixando a pele negra mais bonita do que já era; os cabelos estavam bem arrumados em um coque apertado e enfeitado por pequenas flores.

Agora, as madeixas se encontravam soltas e jogadas no rosto, o amarelo do vestido estava com manchas marrons por causa do sangue e a pele perfeita exibia machucados e cortes. Hematomas eram o que mais se via na mulher. O rosto antes bem maquiado e bonito agora estava inchado, os dedos das mãos se encontravam, aparentemente, quebrados. Um pé estava em um ângulo estranho, e a sola e lateral do outro, toda queimada. 

─ Bom dia, Bill ─ o moreno se abaixou, ajeitando a cabeça decepada do homem acima de seu pescoço. Em seguida, ajeitou para o lado os cabelos ralos e acinzentados por conta dos fios brancos do mesmo. Era como brincar de bonecas para ele. ─ Jack, como vai? ─ passou sob o corpo do homem como se fosse um monte de roupas sujas no chão e não o antigo carteiro da vizinhança. ─ Lisa! Feche as pernas, você é uma dama, garota. Se dê respeito, a senhora já é avó. ─ com cuidado, as pernas do cadáver foram juntadas e depois cruzadas. Uma perna não possuía mais pé e a outra estava em carne viva, completamente sem pele. Adam tinha quase certeza de que um dente da mulher estava preso na carne do joelho, mas era difícil saber. Havia feito muitas coisas com aquela mulher em especial.

 E, para você, minha doce e querida April ─ O homem girou o corpo ainda vivo da mulher e apertou o corte mais recente em sua pele recebendo um grito de dor em resposta. Música para seus ouvidos. ─ Um excelente dia. O que faremos de bom hoje?

 Por favor ─ implorou mais uma vez; já não tinha nem mais forças para chorar. Estava ali a dois dias e quando chegou, todos os outros já estavam mortos. April conhecia aquelas pessoas, eram boa gente, pagavam seus impostos e viviam suas vidas. Não mereciam aquele fim, estavam apenas cumprindo seus deveres. ─ Me deixe ir, prometo que não conto nada a ninguém, eu tenho família, filh...

─ Ah, família ─ o homem a interrompeu e se virou para a mesa ao lado de April, pegou uma faca de caça qualquer e se encostou na mesa, observando atentamente a mulher. Adam admirava a resistência de April, era uma mulher forte e ele gostava disso. ─ Que bom que tocou no assunto. Está pronta para me dizer onde está meu irmão?

 ─ Eu não sei quem é seu irmão, eu não sei quem é você! ─ já estavam naquilo desde que April havia chegado ali: Adam a torturava todos os dias, no final, lhe dava água e comida e depois ia embora. No dia seguinte, tudo se reiniciava. April sabia que aquilo não iria acabar tão cedo e sabia que o garoto pretendia prolongar aquilo o máximo possível.  refeições eram prova disso. ─ Me deixe ir.

Adam negou com a cabeça e se aproximou da mulher devagarinho, estudando-na. A faca de caça girava em sua mão com uma familiaridade assustadora. Meses atrás, ele mal sabia fatiar um bife sem cortar a ponta do dedo junto, e embora cursasse culinária, era horrível em cortes. Agora havia deixado uma trilha de corpos de Seattle até Nova Orleans, todos mutilados, torturados e devidamente desovados. Sentia pena dos corpos, de suas antigas almas, e era por elas que Adam acendia uma vela todas as noites. Não pelas que torturou e matou, mas sim pelas almas em agonia dentro dos corpos. Adam tinha certeza de que a mulher mentia. Ela sabia quem era ele, as notícias corriam rápido entre os súditos de Lilith, e os boatos de um escolhidos indo atrás da gente deles era uma senhora fofoca; fofoca essa que se espalhava como sementes no vento, não só por ter o que se falar, mas sim pelo cuidado a ser tomado. 

Se April queria fazer do jeito difícil, quem era ele para negar a ela uma pequena amostra do que acontecia quando não davam o que ele queria? E, se Adam queria seu irmão, ele teria seu irmão. April estava jogando com Adam, mas não por muito tempo. Já estava cansado daquilo e, com um movimento rápido, enfiou a faca na barriga da mulher, que gritou de dor.

─ Deixe-me te ajudar a se lembrar dele, April. ─ Adam girou a faca ainda presa no corpo da mulher que gritou mais alto e ela começou a implorar por piedade, coisa que ele não teria. Não com ela, não com a gente dela. ─ Alto, 1.87 mais ou menos. Cabelo loiro meio enrolado, bonitinho até, extremamente sorridente e simpático, estupidamente otimista e positivo. Uma ótima pessoa, ajuda velhinhas a atravessar a rua, tem a péssima mania de comprar uns biscoitos ruins de escoteiras chatas e escandalosas. Infelizmente não pude escolher a família e vocês tiraram de mim a única que prestava. Então, se lembra agora?

A mulher arregalou os olhos e Adam viu o pavor neles. Não pelo que estava acontecendo ou pelo que ia acontecer, mas sim pela descrição do homem. Jonathan era um dos dez assim como Adam. April, da mesma forma que Jack, Bill e Lisa, tinha noção do que aquilo queria dizer. O medo em seus rostos não era pela tortura, era pelo simples fato de que um dos escolhidos tinha plena consciência de quem era o outro. Pior que isso, um dos escolhidos estava atrás de seu líder,  podendo esse fazer com que a promessa fosse cumprida a qualquer instante. Os súditos de Lilith caçavam décadas após décadas cada um dos escolhidos. Iam atrás dos dez, um por um, e os matavam, muitas vezes antes de atingirem a adolescência por precaução. Vez ou outra, um escapava, mas os outros já haviam partido e não fazia diferença, apenas um não seria o suficiente para cumprir a promessa. Tinha que ser todos. O fato era que dessa vez estavam bem escondidos. Não foram encontrados pelos súditos de Lilith, haviam procurado e ainda procuravam por eles, mas não haviam achado rastro de nenhum deles, o que era agoniante. Precisavam adiar a promessa por mais uma década ou duas.

─ Eu não sei onde o Escolhido está, garoto. ─ E ali estava, sem máscara, sem fingimento. Apenas o monstro que realmente era e que devia ter morrido séculos atrás junto com seus irmãos e irmãs. ─ E mesmo se soubesse, não te contaria. Os Dez são perigosos para o meu povo. Vocês são monstros, falam como gente, se vestem como gente, mas são aberrações. ─ Adam se segurou para não rir, a inversão de valores ali era gritante, mas se April o via como um monstro, por que não ser? Puxou a faca  da mulher e a enfiou novamente, agora no quadril. ─ Anda, continua seu joguinho de tortura e ameaça, corte minha garganta, sabe que isso não vai me matar de verdade. Só vou perder o belo corpinho de April Scott. 

Adam simplesmente deu risada da mulher e puxou a faca do quadril de April arrancando um grito dela. Os outros também fizeram o mesmo discurso achando que Adam era idiota. Embora não houvesse recuperado todas as suas memórias, suas verdadeiras memórias, Adam sabia que facas comum não os matariam e ele estava preparado para aquilo, sabia parcialmente quem realmente era, e aquilo era o suficiente para sentir toda a ira que sentia. Era o suficiente para se lembrar do que haviam feito com ele e seus companheiros em 1245, e, principalmente, o que haviam feito com o amor de sua vida naquele dia. Lilith sabia que ela estava grávida, mas nem assim poupou a jovem mulher da execução. Gretta morreu esperando um filho dele e Adam não teria piedade dos filhos de Lilith depois disso.

─ Droga, April. Você sujou meu sapato favorito ─ Adam olhou para os pés, graças ao sangue que pingava do quadril de April, o all star preto agora continha gotas vermelhas em sua coloração.  ─ Eu considerei não te matar, mas não posso perdoar você por isso, eram um par perfeito de Chuck Taylor. Sem falar que Bill, Jack e Lisa ficariam com inveja, não acha? 

─ Como se eles estivessem mortos de verdade. Sabe que não pode nos matar com esses seus brinquedinhos aí. ─ A mulher olhou com desdém para a mesa e a vontade de rir surgiu novamente em Adam, ela achava mesmo que aquilo era tudo? Patético! ─ Faça o que quiser comigo, pivete, mas não se esqueça que eu irei atrás de você em breve e irei retirar seus órgãos um a um enquanto você grita de dor debaixo de mim.

─ Que nojo, April, eu esperava mais de você, sinceramente, faltou criatividade nisso aí. ─ Adam largou a faca na mesa e abriu a caixa de madeira cuidadosamente talhada e decorada. Uma adaga de lâmina branca brilhou com o simples toque do garoto. April, ao ver o brilho da lâmina se desesperou e desejou retirar tudo que havia dito. Aquela não era uma faca comum, aquela era uma das armas usadas no massacre de 1245, uma das poucas coisas capazes de matar Lilith e seu povo. ─ Mas para o seu azar, April, você não vai ter a chance de realizar esse seu fetiche bizarro, o que é uma pena. Órgãos e tal, me deixou um pouquinho excitado. ─ Adam ergueu a arma e em um movimento rápido, cortou a garganta da mulher, o sangue que começou a sair do corte era escuro como a noite, completamente negro.

O moreno limpou a lâmina suja em um pano qualquer e a guardou novamente na caixa, não se deu ao trabalho de tirar April do lugar, simplesmente deu as costas a mulher ainda sangrando e saiu para fora do galpão trancando a porta em seguida. O vento frio açoitou o rosto de Adam que esfregou uma mão na outra para as aquecer e levou as mesmas para o bolso da jaqueta de couro preta. Sem dúvida, a peça de roupa era um pouco maior que Adam, também pudera, Jonathan era o verdadeiro dono da jaqueta e era significativamente maior que seu irmão caçula. 

Antes mesmo das mãos se aquecerem, foram retiradas segurando a caixa de cigarros e um isqueiro, o maço foi colocado entre os lábios rachados e o estojo substituído pelas chaves do carro, outro pertence de Jonathan. A fixação de seu irmão por uma série qualquer de dois irmãos que caçam demônios foi tanta, que Jonathan juntou dinheiro por dois anos e assim, comprou seu amado Impala 67. Quando seu irmão sumiu, Adam passou a usar o carro, assim como a jaqueta, e, conforme as memórias foram voltando, o moreno viu a ironia que era Johnny ser apaixonado pela série. 

Era uma piada de mal gosto do universo.

Entre uma tragada no cigarro e a troca de marchas do carro, Adam retirou uma vela branca de dentro do porta-luvas, April era sua vítima da noite, e como em todas as outras noites em que Adam tinha uma pequena conversa com os membros da corte de Lilith, essa seria regada a base de velas e orações para que April Scott tivesse a paz que merecia.


Notas Finais


O Adam é meu neném e eu vou protegê-lo

• Trailer feito pela musa @suburb : https://youtu.be/FkkAk7F8WzU


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