História Remember? - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony, Tinashe, Troye Sivan
Visualizações 6
Palavras 1.928
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 7 - VII


Olhei para a morena a minha frente, que agora mordia os lábios e mantinha um semblante pensativo. Ela arqueava sua sobrancelha e focava seu olhar a mesa no centro da sala. Desta vez, mexeu seus lábios várias vezes, mas não atrevia-se a falar uma palavra sequer.

Ouvimos o barulho da porta sendo aberta e logo a imagem de Troye se fez presente naquela sala, que agora vestia roupas secas e diferente da última vez, não tremia de frio.

— Cheguei na hora errada ou é apenas impressão? —O garoto dos olhos claros disse enquanto se jogava no sofá, recebendo pequenos tapas da morena graças a brutalidade do mesmo em se sentar naquela mobília. —Ai! Você tem é que bater na Normani, não em mim, sua vagabunda! —Exclamou enquanto passava a mão em seu braço, buscando diminuir a dor.

—Ela quer saber o porquê de não podermos visitá-la —A morena finalmente voltou a falar, talvez deva ter ficado mais confortável com a presença de Troye.

—Não é de nós que ela tem que ouvir isso — Troye disse e Tinashe pareceu convencida de seu argumento, ambos voltando seus olhares para mim.

Uma luz forte vinda de fora do apartamento clareou toda extensão da sala, graças à porta de correr totalmente de vidro temperado que estava sem nenhum tipo de cortina para bloquear tal  invasão. Segundos depois da grande luz, veio um forte trovão fazendo Troye dar um enorme grito agudo que provavelmente poderia ser escutado  no prédio ao lado.

Acabamos rindo da situação por longos minutos, eu já  sentia pequenas dores nas bochechas graças as minhas risadas e então decidi tentar parar antes que ficasse mais forte. Depois de três ou quatro tentativas lá estava eu, sentindo um grande alivio nas bochechas por ter dado fim àquela risada contagiosa.

Troye e Tinashe continuavam a rir de forma desesperada. Obversando ambos quase caindo do sofá agradeci mentalmente por estar ali, era diferente. Fazia tempo que não saía do apartamento dos meus pais assim como também não ria.

A Júlia dos últimos dez anos tinha bons amigos que, por mais cômico que seja, conheci pela manhã. Era bom saber que havia conseguido colher boas amizades depois de passar o início da minha adolescência até meus quinze anos sem nenhum amigo em que eu realmente podia contar para todas as horas. Mordi os lábios para tentar impedir que um sorriso nascesse em meu rosto, mas vacilei. Para uma garota que não queria ter contato com ninguém pela manhã, eu estava me saindo muito bem e agora, sem nenhum esforço, sem nenhuma obrigação de manter diálogo. Se eu estava interagindo, era por vontade própria e isso era bom, certo?

Troye como o maior folgado da cidade inteira do Rio, decidiu que veríamos um filme e invadiu a dispensa velozmente, tirando quaisquer guloseimas que encontrava pela frente. E assim passamos o fim da manhã e o começo de tarde, assistindo todos os filmes da Saga Crepúsculo que,  segundo Troye, era sua saga favorita e eu sabia exatamente o porquê.

O último filme da saga havia acabado e junto com ela a forte chuva que caía lá fora por horas, agora dando espaço para o sol fazer seu trabalho. Troye, em meio às cobertas no sofá, chorava pelo final do filme enquanto Tinashe segurava sua risada para não rir da sensibilidade do garoto.

—Tee, que horas são? —Troye disse de forma manhosa.

— Quase 17H —Respondeu a morena quase que imediatamente com seu celular em mãos.

—Preciso levar a dona esquecida de volta para o prédio dela —O  de olhos claros desta vez sentou-se no sofá tratando de calçar seus sapatos.

—Tudo bem. Só deixa eu me despedir, não sei quando virei esse saco de arroz branco novamente —A mulher caminhou em minha direção, logo me envolvendo em seus braços e dando-me um beijo na bochecha. —Se cuide e nada de se esquecer dos seus amigos outra vez, ok? —Completou enquanto fechava zíper do meu casaco.

—Ok! —Respondi indo em direção à porta encontrando Troye. —Tchau —Por fim acabei por acenar quando já estava fora de seu apartamento.

Pegamos o elevador e deixamos o hall do prédio de Troye, como a chuva já havia acabado, não precisávamos sair correndo como de manhã, apenas tivemos o trabalho de olhar para ambos os lados da rua e ver se nenhum carro estava passando. Caminhamos lentamente até o meu prédio e vi Troye suspender seus passos antes de chegarmos desta vez ao hall do meu prédio.

—O que foi? —Indaguei também interrompendo  meus passos.

—É aqui que nosso passeio acabada —Disse ele com um sorriso de canto —Mas preciso que você me prometa algo — Troye sussurrava cada palavra, deixando a ideia de que não queria que ninguém ao nosso redor ouvisse.

—O que? —Perguntei aos sussurros.

—Não conte nada a sua mãe e nem a sua irmã, a Jéssica é maravilhosa, mas não sei se ela sabe guardar segredos. Da sua família apenas o seu pai sabe, ele foi o cabeça de tudo isso. Então, por favor, não conte nada a elas, senão não poderemos mais ver você e seu pai estaria fodido. —Ele relevou desta vez sério, enquanto segurava em meu braço delicadamente.

—Eu prometo, mas por que não posso contar?

Não obtive nenhuma resposta, apenas vi Troye atravessar a rua e me deixar na frente do meu prédio. Decidi não pensar no que havia me dito e simplesmente peguei o elevador que teria como destino final o andar do apartamento dos meus pais.

Aproveitei os últimos minutos de paz que teria com um bom e demorado banho quente. Como não sairia naquele fim de tarde em uma plena quinta-feira, tratei de vestir meu pijama e assistir mais uma vez o pôr do sol.

Não era o melhor que já tinha visto, na verdade, não chegava nem perto. Por mais que amasse o tempo frio e chuvoso, o detestava aos fins de tarde quando suas nuvens carregadas cobriam toda a visão que tinha do sol que, infelizmente, não tinha o mesmo brilho de dias quentes.

Em decepção suspirei e voltei para a sala, ligando a televisão e trocando os canais até descobrir algum programa interessante. Optei por deixar no jornal, era melhor do que assistir às novelas que aparentemente não saíram de moda.

Minha atenção foi roubada quando ouvi o barulho de porta sendo aberta. Provavelmente seria meu pai chegando com a Jéssica, já que minha mãe voltou a fazer horas extras no hospital.

Vi Jéssica passar correndo pela sala e ao me notar sentada no sofá, deu meia volta e me abraçou começando a disparar um milhão de palavras que formadas em várias frases eram sobre o que havia feito hoje na escola e na casa de seu colega onde ela ficava durante a tarde. A mesma se soltou e correu animada para seu quarto, ela estava mais animada que o normal.

Meu pai, totalmente diferente de Jéssica, apenas sentou-se na poltrona e por ali ficou, com seus olhos fechados, parecia relaxar depois de mais um dia cansativo.

—Então, como foi? —Ele disse sem sequer abrir seus olhos.

—Foi divertido —Disse de forma simples, o que fez meu pai abrir seus olhos rapidamente e me olhar com uma enorme expressão de dúvida.

—O que você e o Troye fizeram? —Perguntou o mais velho, agora sentando-se ao meu lado dando a entender que não era para Jéssica ouvir a conversa.

—Nós fomos até o apartamento da Tinashe e assistimos alguns filmes, só isso —Olhei para o meu pai que agora tinha um sorriso orgulhoso em seu rosto.

\\

O alarme de Jéssica tocava sem nenhum tipo de interrupção e aquilo estava me dando nervos. Em meio ao jantar da noite anterior, meu pai deixou sob minha responsabilidade arrumar Jéssica e no horário do almoço ir buscá-la na escola que, segundo ele, não era muito longe e poderia ir andando até lá.

Ouvi os pequenos resmungos da garotinha em meio à sua voz sonolenta. Graças a Deus ela tinha acordado, me poupando o enorme trabalho de tentar acorda-la. Junto com o fim de seus resmungos, o som extremamente irritante que saía daquele despertador também teve seu fim. Certo, era hora de acordar e tentar ser uma boa irmã mais velha.

—Jéssica, hora do banho —Alertei enquanto levantava da cama e puxava o lençol da pequena menina que dormia ao lado.

Em troca recebi apenas resmungos e uma menina aborrecida levantando de sua cama e sumindo pelo  corredor.

Caminhei até a cozinha apressadamente, meus pais já tinham saído então provavelmente a responsabilidade de preparar algo para Jéssica comer também era minha, o que me fez suspirar em negação, não era boa na cozinha.

Olhei para o relógio digital da cozinha, eram exatamente 06:30 de uma sexta-feira, ainda era cedo então poderia tentar fazer algo para Jéssica comer ou simplesmente por um pão para esquentar. A escolha era difícil, era como escolher praticamente entre aprender algo novo ou por fogo no apartamento e bom, eu não poderia arriscar por fogo em nada, tirando o vizinho que escutava Roberto Carlos todas as tardes.

Coloquei o pão no micro-ondas e me posicionei frente a bancada para esperar os poucos segundos que levaria para ele estar no ponto para Jéssica.  Olhei de volta ao relógio, não haviam se passado sequer dois minutos e o ‘’sexta-feira’’ continuava ali, bem destacado.

Ri ao lembrar-me uma música que vivia cantando quando adolescente, onde minha parte favorita dela falava sobre sextas-feiras. Me lembrava de todas as músicas que cantava e quais explodiam na rádio quando tinha quinze anos, o que foi a basicamente meses atrás e eram bem atuais para mim. Porém se passaram dez anos e cantar qualquer coisa que amava aos quinze, seria como desenterrar algo que havia sido esquecido há séculos.

‘’Thank God it's Friday’’

(Graças a Deus que é sexta)

‘’ Cause Fridays will always be better than sundays’’

(Pois sextas sempre serão melhores do que domingos)

‘’Cause sundays are my suicide days’’

(Pois domingos são meus dias suicidas)

Cantarolava os pequenos versos da música quando o ‘’bip’’ do micro-ondas ganhou  vida na cozinha. Rapidamente tirei o pequeno pão de lá colocando-o diretamente ao prato, que logo se juntaram ao copo de suco na bancada.

Estava prestes a chamar Jéssica quando a pequena menina surgiu pelo corredor coçando os olhos e andando lentamente. Ri ao perceber que o banho não serviu para espantar o sono da garotinha.

A menina já tinha seu uniforme vestido, mais uma vez poupando-me trabalho. Porém seus cabelos estavam extremamente bagunçados e eu tinha total certeza que aquele não era seu penteado para acompanhar as aulas. De suas pequenas mãos surgiram algo parecido com uma escova e um pequeno pente. Sorri nervosa ao perceber que eu faria aquele trabalho.

Jéssica conseguiu senta-se na cadeira com um pouco de dificuldade, pois o assento era alto para ela. Mas não pareceu ser nenhuma barreira, porque em poucos segundos a pequena devorava o pequeno pão que havia esquentado.

—Você não vai pentear meu cabelo? —Perguntou ela com sua boca suja de geleia.

—Ah, claro! Vou sim —Respondi, dando pequenos passos até chegar as costas de Jéssica.

Por alguns segundos fiquei pensando no que faria no cabelo da garota que estava sentada a minha frente e como conclusão: Bom, eu não fazia ideia.

Jéssica pareceu perceber e então se virou com um pouco de dificuldade, suja boca ainda estava suja de geleia o que a deixava extremamente fofa, mas seu rosto carregava um olhar avaliativo.

—Você ainda tá dodói da cabeça, não tá? —Vi a primeira lágrima cair de seus olhos e aquilo partiu meu coração.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...