História Remember Me - Capítulo 17


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Categorias Pentagon (PTG)
Personagens E'Dawn, Hong-seok, Hui, Jin-ho, Kino, Shin-won, Woo-seok, Yan An, Yeo One, Yuto
Tags Huidawn, Jinhongseok, Wonki, Wooyu, Yanone
Visualizações 215
Palavras 4.428
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, como estão? Eu estou bem, eu acho. Enfim, eu queria conversas com vocês um pouquinho. Leiam as notas finais por favor.

Observações importantes:
- Capítulo não betado e sujeito a mudanças para correções.
- Fanfic de minha autoria, plágio é crime.
- Os trechos em itálico no começo dos capítulos se referem aos pensamentos ou sonhos que o personagem em foco do capítulo tem.
- A contagem do tempo, na fic, será realizada e demarcada por palavras em negrito.
- O símbolo /~/ representa uma memória, se o símbolo aparecer significa que o personagem está tendo uma lembrança de alguém ou de um ocorrido. O símbolo não aparece quando há lembranças de frases ou de vozes.
- A fic cita indiretamente a depressão, mas não é de forma muito explícita ou profunda. Sinta-se a vontade para não ler se isso o/a incomoda. Procure o CVV (Centro de Valorização a Vida), a sua vida é importante. Você pode conversar com um voluntário do CVV ligando para 188 (a ligação é feita gratuitamente por telefone fixo, celular ou orelhão/telefone público)(o número começou a ser válido para todo o país a partir do dia 1 de julho de 2018).

Boa Leitura e leiam as notas finais.
P.S.: Alguns personagens escondem mais do que apenas opiniões, fiquem atentos as pontas soltas ;)

Capítulo 17 - Dores Persistentes


Cinco anos atrás.

Jinho batucava o lápis no caderno de forma calma, estava extremamente concentrado em seus estudos. Estava em uma ótima fase de sua vida e queria que tudo desse certo, isso incluía não só seu romance com Hwitaek, mas a forma como seu rendimento melhorava.

– Toc, toc. – a voz feminina alcançou os ouvidos do Jo. – Sempre soube que você era um ratinho de biblioteca, mas ter a certeza é assustador.

– Oi noona.

Jihyun era prima de Jinho, alguns anos mais velha e considerada a ovelha negra da família; era a familiar que o rapaz mais gostava. Ela não media esforços para expor seu ponto de vista e pouco se lixava se o mundo não gostava dela, a jovem era alguns centímetros mais alta, mas isso não impedia Jinho de sempre tentar cuidar da mais velha.

– Não sabia que estava na cidade.

– E não estou. – piscou um dos olhos. – Gayoon queria fazer compras e eu achei que seria uma boa trazer ela a esta parte da cidade.

– Meus pais sabem que você entrou?

– Sim, passei pela porta da frente. – deu de ombros. – Seus pais não são o resto da família Jinho, eles tem dinheiro para um caralho, mas não herdaram o lado hipócrita dos nossos avós e nem mesmo a ignorância deles.

– Nisso você tem razão. – sorriu. – Vai ficar quanto tempo dessa vez?

– Uns dois ou três dias, não sei. – sorriu em retorno. – A Jiyoon, irmã da Gayoon, mora aqui então não sei se ela vai querer ficar ou se vai sumir na primeira esquina que acharmos.

Gayoon era a suposta namorada de Jihyun, as duas viviam juntas e até dividiam um apartamento – sabe-se lá onde – que, segundo alguns, era bastante luxuoso. Jinho sabia que sua prima não era o melhor exemplo a se seguir, vivia bebendo e saindo para noitadas. Algumas pessoas diziam que ela não morresse de cirrose, morreria em uma das brigas que se metia.

O mundo culpava Jihyun por ser assim, enquanto ela culpava os próprios pais.

– Como anda a reabilitação do Hui? – ela sorriu de canto. – Já presenciou alguma crise? – indagou vendo o menino negar. – Espero que não passe por essa fase.

– Por quê?

– Digamos que eu não sou quase cega de um olho por simples descuido. – piscou um dos olhos. – Mas, se serve de consolo, Hui era o único ali que ainda tinha jeito.

Jinho sabia pouco sobre a vida de Hwitaek, ele era emancipado, não conhecia os pais e viveu a vida inteira com a avó. No testamento a idosa deixou tudo para o neto e ainda garantiu a maioridade dele, como consequência Hwitaek aprontou o que podia e o que não podia também. Faltou aulas, repetiu o ano, acabou sendo colocado na pior turma e agora lutava para não matar nenhum deles.

O rapaz começou a organizar festas a mando do dono de um bar, convidava gente de todas as idades e não parecia criar remorso algum quando via algum adolescente largado na calçada tão bêbado que nem abria os olhos.

Claro que as coisas melhoraram depois que os dois se conheceram e agora, o estudante de ensino avançado e o até então terceirista, eram um casal quase perfeito.

Estavam juntos há meses, Jinho fazia questão de contar não só os dias como também atualizava seu melhor amigo sobre tudo. Yang Hongseok fora um rapaz que conhecera em uma de suas mudanças de escola, ele era recluso, calado e muitas vezes evitava olhar para as pessoas. Fora um ensino médio conturbado e cheio de muitos desentendimentos entre os dois, mas no fim a amizade prevalecia. Ambos estavam a um passo da universidade, mas somente o Jo parecia entusiasmado. Jinho achava estranha a atitude do Yang, mas depois de algumas pesquisas e algumas horas conversando com sua mãe; o Jo criou uma hipótese para o afastamento do rapaz.

Hongseok era cego.

Claro que ele não esperava aquele tipo de cegueira, mas se sentia feliz em ver sorrisos no rosto do rapaz. Os dois rapidamente viraram melhores amigos e confidentes, o Yang foi o primeiro a saber sobre o relacionamento e também era o único que sabia de suas inseguranças e medos. Medo de um relacionamento fadado ao fracasso ou de se machucar bem mais do que deveria.

– E aí, quais as novidades e planos para esse fim de ano?

– Estudar e quem sabe me divertir um pouco. – Jinho deu uma risadinha. – E você?

– Vou pra Daejeon, passo umas semanas lá e depois volto para casa. – sorriu. – Ei, você não me contou nada a respeito do seu namoro. Algum problema?

– Sim… Kim Hyojong. – suspirou. – Ele fica cercando o Hwitaek o tempo todo e isso me irrita.

– Deixa o pirralho, você vive falando do Hongseok e nem por isso o Hui te apedreja. – sentou-se na cama e chamou o primo com a mão. – Agora larga esses livros e vem matar a saudade da sua prima.

– Noona…

– Jinho, suas notas são as melhores. Ninguém pode supera-las, você vai entrar na universidade. São só mais dois anos de ensino avançado¹ e acaba, tenha paciência sim? – sorriu ao ver o menino aproximar-se. – E quanto ao Hui, vai ficar tudo bem, não aja como se Hyojong fosse tirar seu namorado de você.

– É… Você tem razão.

 

Jinho acordou sentindo o suor escorrer por suas costas, estava tendo um sonho. Ou melhor, uma lembrança em forma de sonho. Olhou para o espaço ao seu lado e viu que Hongseok não estava mais ali, passou as mãos pelo rosto e decidiu beber um pouco de água. Já havia alguns dias que os dois estavam nessa pequena paz, dividiam a rotina e em algumas noites a cama. Nada além de um pequeno contato mais carinhoso antes de dormir, Jinho sentia-se seguro ao lado do Yang. O Jo desceu as escadas de forma lenta, encarou a pouca iluminação da casa e sorriu de canto, mesmo no escuro ele ainda sabia onde ficava cada mínima parte da decoração. Acendeu a luz da cozinha e semicerrou os olhos, pegou um copo e dirigiu-se a geladeira.

Bebeu um pouco de água e suspirou aliviado. Colocou o copo na pia no exato momento em que um barulho ecoou no andar onde ele estava, Jinho franziu o cenho e encarou o longo corredor. Ligou a luz do amplo espaço e viu que a porta do quarto de hóspedes estava aberta, engoliu em seco enquanto caminhava até o local. Os passos lentos e hesitantes demonstravam o quanto ele estava assustado com algo em sua própria casa, todos ali afirmavam que o condomínio era tão seguro quanto colo de mãe, então porque o Jo se sentia apavorado?

O som de algo caindo fez um arrepio subir a espinha de Jinho.

– Te acordei? – a voz era doce e estava relativamente perto.

Jinho virou-se como um digno personagem de filme de exorcismo, aos poucos e com o corpo totalmente travado. Os olhos encontraram com os do mais alto e ele suspirou aliviado, era apenas Hongseok.

– Você quase me matou do coração. – disse de forma trêmula. – Achei que alguém tivesse invadido a casa.

– Isso é bem improvável, mas entendo sua preocupação. – sorriu. – Eu estava organizando meu antigo local de trabalho, minha cabeça começou a doer e eu precisei de um descanso.

Jinho encarou a porta e viu a luz extremamente forte que vinha de lá, deveria ser uma batalha entrar naquele lugar. Principalmente portando uma deficiência tão complicada, o Jo virou o rosto para o Yang e viu que ele estava com os óculos escuros.

Precisava fazer uma nota mental a respeito das lâmpadas novas.

– Se quiser eu paro, assim pode dormir mais tranquilo.

– Não vou dormir enquanto não estiver lá em cima comigo. – Jinho disse enquanto caminhava para o quarto. – No que você trabalha?

Trabalhava.

– Apenas responda.

– Eu fazia revisão de textos, ou pelo menos tentava. – informou enquanto abria a porta. – Gravava em áudio as mudanças dos textos da forma mais expressiva possível, pedia para você ouvir e, se estivesse bom, em seguida enviava.

– Eu te ajudava?

– Sim. – sorriu. – Em troca eu te ensinei um pouco sobre flores.

– Pretendia perguntar sobre isso… – murmurou encarando um pedaço de papel onde a caligrafia expressiva e quase robótica do Yang estava, uma letra deveras bonita apesar de mal organizada. – Eu não encontrei anotação nenhuma sobre o que as flores significam, nem mesmo como associa-las ao meu dia-a-dia, o que me levou a crer que tudo foi decorado...

– Eu sempre quis ser botânico, mas minhas limitações me impediam de chegar ao curso. – O Yang informou enquanto procurava algo no meio da bagunça, ao encontrar virou-se para o Jo.

Hongseok estendeu um pequeno caderno na direção do mais velho, sorriu de canto e esperou que ele o abrisse.

– Você não encontrou porque eu sempre o guardei aqui, então quando começávamos a falar de flores; você o pegava para anotar o que faltava. – deu de ombros. – Eu comecei a aprender sobre flores por conta própria, você era meu melhor amigo na época e mesmo a distância me ajudava com algumas coisas…

Jinho observou atentamente a forma como Hongseok se movia no cômodo bagunçado e destruído, mesmo estando rodeado de coisas que poderiam lhe machucar ou causar danos ao seu corpo; ele sequer encostava-se a elas. Movia-se com uma maestria incrível entre as caixas e móveis, tudo de forma quase automática.

Nesse momento Jinho repensou seus princípios.

Tinha em mente que Hongseok era completamente dependente, que dificilmente faria algo contra a vontade dos outros e que sequer seria capaz de conseguir se virar sozinho. Mas vendo o Yang andando tão livremente, ele se perguntou o quanto era privado de Hongseok sem que ele questionasse a decisão. Suas anotações sempre diziam o que Hongseok podia e o que não podia fazer, uma espécie de controle disfarçado. Jinho controlava a vida de Hongseok e, ao que tudo indicava, não gostava quando era contrariado.

– Eu fazia anotações descritivas sobre as flores e você me ajudava a associar as cores. – sorriu levemente enquanto pegava o pequeno caderno. – Verde pode ser esperança, mas também pode ser algo nojento ou estragado. Vermelho é amor, mas também pode ser associado ao sangue que levemente lembra dor. Rosa traz uma sensação de carinho, de delicadeza, mas também pode lembrar aqueles remédios ruins que tomamos na infância… – balançou a cabeça. – Todas essas associações vêm de você.

– Isso foi fofo. – Jinho disse sentindo o rosto esquentar. – Precisa de ajuda com tudo isso?

– Sim.

 

 

Hyojong estacionou o carro, suspirou cansado e saiu. Abriu o porta-malas e em seguida retirou as sacolas, precisava parar com essa mania de sempre comprar as coisas quando não tinha mais para onde fugir. Ele não tinha costume de fazer compras, tudo era coordenado e comprado por Jinho. Levou as sacolas ao interior da casa e depois voltou para buscar o restante, caminhou até o carro e notou que havia alguém próximo a ele. Franziu o cenho e se aproximou lentamente, arregalou os olhos ao ver a figura magra e de longos fios loiros checando suas compras.

– Jihyun? – ele indagou de forma surpresa.

– Olá Hyojong. – ela sorriu de canto. – Como está?

– B-Bem e você? – de repente ele se sentia nervoso.

– Estou ótima. – ela o analisava de forma séria. – Sabe se Jinho está em casa?

– Sobre isso… – suspirou. – Ele está, mas provavelmente não saberá quem você é.

– Como?

– Jihyun, preciso que entre. – Hyojong pediu de forma doce. – Tenho que te contar algo.

Hyojong não sabia qual seria a reação de Jihyun, ele torcia, do fundo de seu coração, para que ela não surtasse. Ou pior do que isso, que quisesse tomar as rédeas da situação. O Kim conhecia a jovem como a palma de sua mão, sabia que a personalidade agressiva e livre contradizia totalmente com a do primo. Mas, por algum motivo, eles se davam bem e até partilhavam de uma proximidade absurda quando o assunto era a possível liberdade que queriam para si. Isso daria, basicamente, a Jihyun o direito de agir conforme ela quisesse em relação à condição atual dos rapazes.

Foi por isso que ele contou sobre tudo, sobre cada pedacinho do ocorrido.

E depois se arrependeu amargamente.

O Kim observou de forma silenciosa enquanto Jihyun passava as mãos pelo rosto, parecia desnorteada ou até mesmo confusa. O rapaz engoliu em seco assim que o olhar dela encontrou o seu, ela não era uma pessoa de muitas palavras e Hyojong sabia disso. Conhecia aquela mulher de muitas outras conversas, algumas com ela e outras sobre ela. Sabia que Jihyun era parceira de confusões de Hwitaek, sabia que ela estava com ele em todas as vezes que ele largou jovens bêbados pela cidade. Hyojong sabia que ela fora a primeira que notara o quanto a vida do Lee estava afundando e também foi a primeira a tentar tirar Hwitaek de onde ele estava, os dois discutiram e um deles acabou machucado.

– Noona.

– Eu não sou a sua noona. – ela disse entredentes. – Jinho e Hongseok sofreram um acidente, ficaram em péssimas condições e nenhum de vocês teve a consciência de me avisar?

– Nós tentamos te ligar, mas-...

Tentaram! – ela gritou se erguendo do sofá. – Sequer ousaram me procurar!

– Eu estou tentando te dizer exatamente isso! – o Kim elevou o tom de voz. – Procuramos por você em todos os lugares onde você poderia e deveria estar, isso inclui até mesmo Gayoon, Jiyoon e aquela menina que trabalha na clínica do doutor Yoon!

– Sohyun…?

– Sim. – suspirou. – Até mesmo Hyuna tentou te contatar, mas você simplesmente sumiu do mapa.

Jihyun travou a mandíbula ao ouvir o nome de suas antigas amigas.

– Noona, nós realmente tentamos te procurar, mas não conseguimos. – suspirou. – Acredite em mim.

– Sinto muito, mas vindo de você é bem difícil de acreditar.

Hyojong franziu o cenho, o que ela queria dizer com isso?

– Eu sei que você e meu primo têm uma convivência amigável, que são próximos e o escambau. Mas eu não confio em você. – murmurou de forma séria. – Um garoto que simplesmente surgiu na vida de Hwitaek, que causou a separação deles, que tem um contato constante com todos os amigos de Jinho… Você é uma víbora Hyojong.

– Ei, você está na minha casa. – elevou o tom de voz. – Exijo que tenha, pelo menos, um pouco de respeito.

– Pessoas como você não podem exigir nada. – ela elevou o tom de voz. – Você nunca me convenceu de seus sentimentos, nem mesmo que era inocente em toda a história. Aposto que até mesmo a sua depressão não passa de uma grande e exagerada mentira!

Hyojong fechou a mão em forma de punho, não queria perder a paciência justamente com a prima de seu amigo. Ele respirou fundo para conter não só a raiva, mas também a vontade imensa de chorar. Ele sabia que ninguém acreditava na sua doença, da mesma forma que não acreditavam em Hongseok.

– Hyojong, você realmente se importa com o que aconteceu com Jinho?

– E você, realmente, saiu de onde estava enfiada só para atormentar meu namorado? – a voz de Hwitaek chamou a atenção dos presentes. – O que pensa que está fazendo Jihyun?

– Vim saber as notícias que vocês não me contaram. – ela cruzou os braços. – Ou, melhor dizendo, que o seu namoradinho não quis contar.

– Hyojong não era o único que tinha a vontade de te contar algo, todos nós estávamos com esse fardo nas costas. – informou enquanto se aproximava da jovem.

– Vocês tinham a obrigação de me contar!

– Não, nós não tínhamos obrigação nenhuma de te informar nada! Você é quem tinha a obrigação de estar ao lado dele, afinal de contas, você é parte da família! – o Lee gritou. – Acontece que, fora Hyojong, nenhum outro quis gastar todo o tempo livre que tinha procurando por você.

– Seu namoradinho é uma cobra, mas você é duas vezes pior Hwitaek. – a jovem murmurou enquanto descruzava os braços. – Eu vou falar com Jinho.

Jihyun ameaçou sair da casa, mas Hwitaek segurou o braço da garota. A encarou com uma expressão séria e viu, levemente, a diferença no brilho dos olhos da garota. Por uma fração de segundos, Hwitaek se sentiu culpado.

– Você não vai a lugar algum. – o Lee estava sério. – Jinho está muito bem, confronta-lo agora não vai ajudar em nada.

– Como pode ter tanta certeza?

– Vai por mim, eu sei. – o Lee disse enquanto soltava o braço da garota. – Aborda-lo dessa forma não é o certo, ele não se lembra, não vai adiantar de nada.

– Você não manda em mim. – Jihyun informou enquanto saía porta afora.

Não foi difícil segui-la, até porque Hwitaek sabia aonde Jihyun iria. A casa mais delicada e simples daquele bloco, aquela com cores delicadas e portadora de um ar acolhedor. O que de fato era confuso se levasse em consideração que as pessoas que ali moravam tinham suas dificuldades com elas, Jihyun não se preocupou em abrir a porta com toda a força que tinha. A cena que se seguiu fui um rapaz alto e forte fechando os olhos e soltando um muxoxo de dor, a mais velha sentiu seu coração se apertar ao que os olhos se enchiam de lágrimas.

Hongseok usava uma bermuda jeans, estava sem camisa e cobria levemente o rosto. O tronco do rapaz ganhara um pouco mais de músculos, mas as cicatrizes do acidente ainda eram visíveis. O machucado do ombro estava quase cicatrizado, o joelho era mantido em isolamento através de uma joelheira específica.

– Fechem a porta, por favor. – pediu vendo os presentes entrarem apressados na casa.

– Desculpe. – Hyojong pediu enquanto fechava a porta. – Onde está Jinho?

Hongseok apontou para o andar superior e todos assentiram, não precisava de muitas palavras. Hongseok ofereceu o sofá para as pessoas se sentarem, não tinha muito que fazer. Jihyun o encarava com certa delicadeza, até mesmo com devoção, era o mesmo menino de antes. A mesma delicadeza e até mesmo o olhar continuava igual.

– Hongseok, eu encontrei esse caderno e acho que podemos... Restaurar... O que fazem aqui? – Jinho indagou confuso. – Quem é ela?

– Jihyun, sua prima. – Hyojong respondeu vendo a expressão do rapaz se manter inerte.

– Oi Jinho. – ela sorriu. – Que bom te ver...

Jinho se sentia estranho na presença daquela mulher, como se ela não se encaixasse em sua rotina. Deu um pequeno passo para trás e instintivamente se colocou atrás de Hongseok, Hyojong e Hwitaek perceberam a forma com a qual o Jo queria se defender. Se proteger de algo.

Jihyun parecia não notar, ela apenas encarava o primo como se vê-lo fosse a melhor coisa do mundo.

– Jinho, podemos conversar? – ela pediu de forma doce.

– Eu... Eu não sei. – ele olhou para todos os presentes. – Eu estou um pouco... Confuso.

– Não acho que seja uma boa ideia agora. – Hongseok tomou a frente da situação. – Estamos organizando umas coisas e... Bom, não quero que esse assunto seja discutido nesse momento.

Você não quer? – ela disse confusa. – E o que o Jinho quer?

– Quero que obedeçam ao que Hongseok pede. – o Jo disse de forma trêmula, sentia-se nervoso.

Jihyun assentiu enquanto saía da casa, Hyojong se despediu dos amigos e seguiu a mais velha. Hwitaek sorriu de canto antes de dizer que voltaria depois para explicar algumas coisas, Hongseok concordou e Jinho apenas de encolheu levemente com a possibilidade de ter afastado algum integrante importante de sua família. Quando a porta bateu indicando que os visitantes haviam saído, o Yang se virou na direção do mais baixo e sorriu. Pediu que ele explicasse o que queria e rapidamente a expressão de Jinho se iluminou, seria um longo dia.

 

 

Jihyun suspirou derrotada enquanto passava as mãos pelo cabelo, Hwitaek pediu que o Kim fosse pra casa e mesmo relutante o mais novo obedeceu. Ali, a sua frente, estava uma parte que o Lee queria ter esquecido. Aproximou-se da mais velha e esperou que ela dissesse algo, mas Jihyun apenas suspirou de forma triste.

Era sua família, ou a parte boa dela.

– Quer conversar em outro lugar? – perguntou vendo a mulher sorrir levemente. – As opções que temos são a pracinha do condomínio e uma cafeteria que fica a duas quadras daqui.

– Não quero correr o risco de encontrar Hyuna. – suspirou. – Você dirige.

Jihyun jogou as chaves do carro e Hwitaek sorriu, seguiu a mais velha até um automóvel modesto, mas ainda assim bem mais caro que a média. Seguiram em silêncio até o estabelecimento citado, desceram do carro e adentraram sendo muito bem recebidos. A jovem atendente sorriu abertamente e o Lee a reconheceu como sendo uma das moradoras do bloco Crystal, cumprimentou a jovem e seguiu até a mesa afastada.

Hwitaek pediu um café expresso e Jihyun optou por um cappuccino, como acompanhamento os dois optaram por alguns biscoitos. A jovem se retirou e o Lee encarou a expressão pensativa da mais velha, o rapaz sorriu de canto ao notar que ela não mudara quase nada.

– Nunca pensei que um dia seria esquecida justamente pela parte boa da família. – ela comentou enquanto encarava os guardanapos. – Como aconteceu?

– O acidente ou a perca de memória?

– Os dois.

– Jinho não se lembra de muita coisa referente ao acidente, mas ao que tudo indica eles bateram em outro carro. – Hwitaek suspirou.

– O que quer dizer com “ao que tudo indica”?

– O hyung relatou que havia outro carro envolvido, mas os socorristas não afirmam isso. Pelo menos não para nós. – fez uma pausa ao avistar a atendente, agradeceu brevemente e só voltou a falar quando ela saiu. – O carro bateu, capotou e em seguida derrapou. Segundo um dos socorristas, Hongseok foi arremessado para fora do carro e sofreu danos no ombro e no joelho. Além de algumas escoriações. – bebeu um pouco de seu café. – Jinho ficou no carro, girando e depois deslizando, até atingir uma mureta. Foi quando o carro parou, eu não sei quem chamou a ambulância, se foi Hongseok ou outra pessoa que viu o acidente. Mas quando eu recebi a notícia de que algo tinha acontecido, Jinho já estava em coma.

– E Hongseok?

– Devastado. – suspirou novamente. – Durante todo o processo de socorro, Hongseok só sabia implorar para que ajudassem Jinho. Mesmo que eu tenha achado que a culpa era dele no começo, agora tenho total certeza que se ele não tivesse feito isso; o hyung estaria morto.

– E a perca de memória?

– Ninguém sabe afirmar o que aconteceu. – bebeu mais um pouco do café. – O doutor Im acha que é uma reação natural do corpo, eu pesquisei muito a respeito e o impacto foi muito agressivo. Jinho perdeu sangue e ainda passou por um processo cirúrgico, é muita coisa para o corpo lidar sozinho.

– Ele precisava de um descanso… – Jihyun completou vendo o Lee assentir. – Ele se esqueceu de tudo?

– Sim e não. – deu uma risadinha. – Ele não se lembra dos amigos e familiares, mas se lembra das flores.

Jihyun não impediu que um pequeno sorriso brincasse em seus lábios.

– Hongseok deve estar se sentindo bastante pressionado, não está? – Jihyun disse com uma sobrancelha erguida.

– Sim, mas não pelo que você imagina. – suspirou. – Eu agi como um idiota e afastei Hongseok, achei que ele tinha culpa no acidente e como nunca nos demos bem; foi bem fácil jogar toda a culpa em cima dele. Acontece que eu não sabia sobre a cegueira de Hongseok, nem mesmo que ele não podia dirigir. – encarou a expressão serena da mulher a sua frente. – Eu forcei Hongseok a sumir da vida de Jinho, tirei todas as suas coisas da casa e o mandei para sabe-se lá Deus onde.

– Jinho não contou a vocês sobre a Acromatopsia...

– Você sabia?

– Claro que sim. – riu. – Jinho sempre me manteve a par de todas as coisas, eu não sou tão afastada quanto imaginam. Só voltei para a cidade porque a falta de notícias dele me assustou.

– Acho que eu era o único que não sabia…

– Você e todos os outros. – mordeu um biscoito. – Não era culpa do Jinho, ele queria compartilhar as dificuldades, mas Hongseok não permitia porque ele tinha medo de afastar vocês. – sorriu de canto. – Imagine em quantos momentos de raiva, entre as brigas de vocês, a cegueira do Hongseok poderia ser usada como argumento. Como implicância, ou, pior do que isso, como ofensa. Jinho não queria só esconder de vocês, se pudesse, ele esconderia Hongseok do mundo.

Hwitaek abaixou o olhar para a xícara, sentia-se diminuto.

– No começo é difícil acreditar, assim como me recusei a crer que Hyojong tinha depressão… – ele largou o biscoito ao lado da xícara. – O mundo é tão complexo, mas ao mesmo tempo tão simples. São coisas que não vale a pena esconder, as pessoas notam e desnotam tudo. Então porque Hongseok não falou sobre a cegueira? Porque Hyojong não me contou que tinha depressão?

– Porque você não contou para todos os outros sobre o seu passado? – Jihyun retrucou e ganhou o olhar do rapaz sob si novamente. – Tirando Hyojong e Jinho, quantos sabem sobre o verdadeiro Hwitaek? Quantos deles sabem que o grande hyung que protege todos, o homem corajoso e o exemplo para todos, na verdade, já foi uma completa fraude?

Hwitaek não respondeu.

– Aí está a sua resposta Hui. – sorriu de canto. – Se você teve medo de contar por não saber como eles reagiriam, seus amigos não te contaram seus segredos por não saberem como você reagiria.

Jihyun começou a beber seu café e deixou que o Lee pensasse em tudo o que havia dito, quando o silêncio já se tornava incomodo ela começou uma conversa aleatória. Os dois riam e conversavam de forma amigável, não parecia a mesma coisa de anos atrás e claro que a mais velha notou aquilo.

– Você realmente mudou... – ela se pronunciou depois que o rapaz pedira a conta. – Acho que fiz o certo quando tentei te tirar de lá.

– Sobre isso... – suspirou. – Sinto muito por tudo o que aconteceu, sobre as brigas e sobre o seu olho.

– Ei, não foi nada. – ela riu. – Não aja como se eu não soubesse onde estava me metendo, ninguém é totalmente inocente na vida Hui. Quer dizer, há pessoas que são, mas no nosso caso; nenhum de nós dois entrou naquele bar sem saber o que nos esperava. – tocou a mão do rapaz. – Estou feliz por simplesmente saber que você está bem. E quanto ao meu olho, não se preocupe, eu não sou totalmente cega e talvez até tenha jeito. Só preciso me esforçar mais para procurar...

Hwitaek sorriu, mas sentia que Jihyun não era a única aliviada com a sua mudança. Havia mais alguém, mesmo que agora ele não se lembrasse de tudo o que aconteceu. Com o pensamento de que deveria não só agradecer a todos, como também contar-lhes a verdade, Hui pegou seu celular e mandou uma mensagem para Jinho.

“Reúna todos os nossos amigos, preciso contar uma coisa para vocês.”


Notas Finais


Acho que todos estão cientes dos últimos acontecimentos em relação ao Pentagon e a Hyuna. Isso, novamente levantou a questão do quanto as pessoas acham que podem mandar na vida de alguém. Não falo isso em relação a empresa, até porque o contrato deles tem cláusulas a serem seguidas e como eu nunca vi nenhuma delas (seja por foto ou qualquer coisa do tipo); não sei afirmar com exatidão o que eles PRECISAM seguir dentro da empresa (apesar de ter ciência de algumas coisas). Eu me refiro ao nosso papel como fã e apoiadores majoritários deles. Eu acompanho Pentagon já faz um bom tempo e por isso eu tive um susto com o que foi ""noticiado"", procurei saber mais sobre o assunto antes de falar a respeito e - enquanto eu me informava - vi fanbases de fotos de ambos os idols (Hyuna e Hyojong) iniciarem hiatus ou simplesmente desativarem suas contas. Isso me levou a pensar: até onde vai a "lealdade" de algumas pessoas. Eu não deixei de apoiar nenhum dos dois por causa disso, eles são humanos, são livres, são adultos. Eles podem namorar sim, mesmo que haja alguma restrição no universo dos idols, eles são "livres" nesse aspecto também. Eu sou FÃ e não DONA deles, por mais que esteja surpresa ou confusa com tudo isso, eu vou apoiar os dois. Pentagon é composto por DEZ pessoas, que juntas fazem UM grupo brilhar, que criam UM UNIVERSO que deveria os apoiar e não destilar tanto veneno. Hyuna é uma grande artista e uma das minhas solos preferidas e eu fiquei DOENTE vendo gente criticando ela e o Hyojong. Então, por favor, vamos nos unir e dar o amor que eles merecem. Eu sei que dizer isso aqui não adianta nada, mas eu queria expor que sim, eu estou triste em ver algumas pessoas falando bobagem sem realmente se importarem com o bem estar de um idol. Não quero que eles fiquem tristes, chateados, eles foram fortes e sinceros conosco. Se importaram conosco e se abriram para nós, custa alguma coisa retribuir isso?! Acho que já me prolonguei demais, bom... É isso. Desculpem o textão.
~~~

1 - Não sei como funciona o ensino na Coreia, mas digamos que eu uso esse termo para me referir a uma espécie de preparação para a universidade. Ok? Ok.

Gostaram do capítulo? Comentem ok?
Me digam o que acharam, eu fico muito feliz com o feedback de vocês.
Kyusses e até o próximo <3
P.S.: Alguns personagens escondem mais do que apenas opiniões, fiquem atentos as pontas soltas ;)


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