História Remember Me - Capítulo 5


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Categorias Agust D / Suga, Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Drama, Hetero, Imagine Suga, Interativa, Kim Taehyung, Menção Namjin, Min Yoongi, Pov, Remember Me, Romance, Suga, Você
Visualizações 21
Palavras 4.326
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Hentai, Literatura Feminina, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá!
Aqui estou trazendo mais um capítulo da história para vocês.
E que ainda não é o esperado POV de Taehyung, mas que vou explicar o porquê nas notas finais.
Boa leitura! <3

Capítulo 5 - Organizando a Casa


Fanfic / Fanfiction Remember Me - Capítulo 5 - Organizando a Casa

Eu empurrava a chave na fechadura e tentava rodar de um lado para o outro e aquela merda simplesmente não girava. Não adiantava mudar o jeito, direcionar a ponta mais para esquerda ou mais para direita, traze-la mais para trás ou empurra-la mais para o fundo, nada fazia a chave abrir a maldita porta. Eu não conseguia acreditar que somando a todas as coisas que já tinham acontecido naquele dia agora eu não estava conseguindo entrar no meu próprio apartamento!

Será que isso aconteceu com o visitante indesejado esta manhã? Que droga de pensamento! Comecei a dar chutes na base da porta com força, ignorando completamente a possibilidade de algum vizinho daquele andar aparecer e ver meu comportamento agressivo no corredor; na verdade, estava pouco me importando com aquilo no momento, eu iria entrar, de um jeito ou de outro, e nada e nem ninguém ia me impedir.

Comecei a olhar para os lados porque alguma coisa me faria descer abaixo aquele pedaço de madeira que me impedia de entrar. Tapete, mesa de canto, vaso com flores, espelho, extintor... Extintor de incêndio. Caminhei em direção ao extintor tirando o blazer preto e deixando com que ele caísse no chão, não adiantava me preocupar com minha roupa agora, ela já estava completamente arruinada desde que fui jogado no chão do estacionamento pelo Taehyung. Pensar no chute que me arremessou para fora do elevador me fez puxar minha gravata com força enquanto também a retirava e a deixava largada no corredor.

Arranquei o extintor da parede e voltei até a entrada juntando toda a força que tinha para fazer aquele objeto colocar a porta abaixo. Então, levantei os braços e quando estava pronto para forçar minha entrada no apartamento, ouvi uma voz familiar:

– O que você está fazendo?

– Tentando entrar! – Namjoon aproximou-se de mim e dei um passo para trás, ainda segurando o pesado objeto no alto.

– Dá pra você abaixar este extintor de incêndio, por favor? – Percebi que ele virou o seu rosto para o lado e seus lábios se movimentaram em um “Me desculpe!”, virei meu olhar na mesma direção que ele e vi que a vizinha da frente, uma senhora pequena e agora visivelmente assustada, estava nos observando por uma fresta. Revirei os olhos e voltei a me aproximar da minha porta, percebi que a mulher entrou de volta no seu apartamento rapidamente, mas antes que pudesse fazer qualquer outra coisa, mais uma vez fui interrompido, desta vez com uma mão no meu ombro. – Yoongi, você não precisa colocar a porta abaixo, o que precisa fazer é tentar não abrir o apartamento com a chave do carro.

– O que? – Eu levantei a sobrancelha surpreso com a frase e ele logo apontou para a fechadura da porta e percebi que ali estava pendurada a chave da minha Ranger.

– Você nunca conseguiria entrar com essa chave, né? – Namjoon se colocou na minha frente e segurou meus braços para que eu descesse o extintor – Agora, coloca isso no lugar, por favor! – Namjoon mantinha uma voz muito calma e convincente e me olhava no fundo dos olhos, o que fez com que eu me dobrasse ao seu pedido, além disso a raiva me fez fazer um baita papel de idiota, e tinha que reconhecer isso. 

– Ok! – Mesmo carregando a vontade de descontar minha raiva e frustração quebrando a porta, andei até o fim do corredor e coloquei o extintor preso à parede. Eu não estava calmo ainda, podia sentir minhas mãos formigando e tremendo, além disso, minha testa suava por conta dos movimentos anteriores, mas desconfiava que também estava assim pelo nervoso que corria em cada parte de mim. Voltei a passos lentos e antes de chegar na porta, me curvei para pegar a gravata e o blazer, uma peça da Armani arruinada pela tarde de raiva, chuva e briga. Quando me aproximei de Namjoon, percebi que ele estava tirando uma chave de seu bolso esquerdo e destrancando minha porta.

– Você tem minha chave? – Eu estava olhando para ele totalmente incrédulo – Será que nenhum de vocês tem a mínima noção de privacidade?

– Sim! – Ele disse calmamente, apesar da minha pergunta malcriada, e entrou no apartamento – A pessoa que mora com você me deu uma cópia.

– Como assim? – Eu fui seguindo ele em seguida.

– Você claramente se incomoda com umas coisas que ela não. – Namjoon agora passava os olhos pelo cômodo enquanto tirava seu casaco e eu ainda o olhava da porta sem entender. – Eu tenho uma cópia, Seokjin tem uma e Taehyung, se não me engano, também. – Boquiaberto. Sim, essa era a única palavra que poderia me descrever no momento. Parado e boquiaberto. E Namjoon parece ter percebido meu estado porque quando se virou para mim, deu uma risada baixa. – É sério que você não sabia disso? – Fiz uma negativa com a cabeça e ele riu outra vez – É por conta do Jungkook! A gente sempre está levando e trazendo da creche, da natação, do parque, da praia... Todo mundo tem a chave da sua casa porque todo mundo olha o seu filho.

Isso pareceu um tapa sem mão na minha cara? Sim! Tão grande que me fez virar e fazer a porta fechar com força. Me virei pronto para rebater Namjoon e afirmar que aquilo não era verdade, mas meu amigo continuava falando enquanto estendia seu casaco no cabideiro ao lado da entrada.

– Vocês estão sempre trabalhando... – E de repente parou de falar e caminhou até o meio da sala – O que aconteceu aqui?

Revirei os olhos com sua pergunta, mas sabia que ela fazia total sentido, eu não podia negar isso, porque sabia que ela havia surgido por conta das marcas de mãozinhas na cortina, dos desenhos de giz de cera nas paredes da sala, das toalhas de banho e roupas no sofá, dos calçados no corredor e da cozinha que estava com mais utensílios fora do que dentro dos armários.

– Três semanas com Cookie, isso que aconteceu! – Joguei as peças que estavam na minha mão em cima do sofá e caminhei até a cozinha sendo seguido por ele – Não sei como cheguei a esse ponto, mas ontem a hora do banho, o jantar e uma ligação de um cliente aconteceram ao mesmo tempo. – Abri a porta da geladeira, percebendo que além de tudo eu ainda tinha esquecido de passar no mercado e agora não tinha praticamente nada para comer na casa a não ser sobras de fast-food do fim de semana. – Tudo que tinha feito queimou e eu tive que dar cereal de chocolate pra ele jantar. – Bati a geladeira, encostei o corpo na bancada que ficava no centro da cozinha e coloquei as mãos no rosto. Nada estava dando certo, nada ficava no lugar, nada conseguia ser organizado do jeito que eu queria, a frustração crescia e se espalhava sem controle por todo lado.

– Para de bater as coisas! – Vi Namjoon passando por mim e abrindo os armários em seguida.

– Eu estava falando no telefone, preparando a comida e tentando convencer Cookie a parar de correr com uma toalha amarrada no pescoço, porque ele estava a ponto tropeçar e cair, mas nada parecia fazer ele desistir de ser o Super-Homem as 11:30h da noite. – Deixei meu corpo cair em cima da bancada, ficando com metade de mim deitado na superfície fria e fechei os olhos.

– Taehyung levou ele no mês passado para ver Batman vs. Superman – Só de ouvir aquele nome eu soquei o punho no tampão de mármore que estava deitado.

– Você acha que eu não sei? – Levantei meu corpo novamente – Ele só fala disso! E eu já fui o Batman, o Super-Homem, a Mulher-Maravilha e até o Alfred!

– Pelo estado dessa casa, você deve ter sido um péssimo Alfred!

– Vai a merda! – Olhei em volta, vendo as louças sujas e as panelas com comida velha – Eu tenho tanta coisa para fazer, Namjoon! E eu não consigo terminar nada, toda vez que eu pego uma tarefa algo me interrompe, alguém me liga, lembro de algum trabalho, meu filho me chama ou simplesmente minha mente vai até ela. Tem roupa suja de semanas, tem marcas de mãozinhas em todo lugar, cereal e biscoito por tudo quanto é lado, essa louça imensa na pia para lavar. 

E pronto, parecia que agora tinham aberto a válvula da frustração, ela iria escorrer pela minha boca: – O Jungkook não para quieto, ele corre todo tempo e eu sempre acho que ele vai se machucar, tem brinquedos demais no chão, ele sai cedo demais da creche, eu não consigo entender os horários dele, nem fazer ele dormir na hora certa ou acordar, ele quer a mãe e tudo o que eu faço ele compara com outras pessoas então diz coisas como “Jin faz assim...”, “Joonie não faz...”, e pra completar NÃO PARA DE PERGUNTAR DA PORRA DO "TAE-TAE"! – Namjoon estava encostado na geladeira e me ouvia atento enquanto comia um pacote de bolachas que eu nem sabia que existiam no armário, quando eu dei meu último berro, parou a mão dentro do pacote e arregalou os olhos – Desculpa! Sei que meu filho é inocente e não faz por mal, é que... Eu estou cansado, estressado e frustrado.

– Tudo bem, vamos por partes. Você não conhecia seu filho... – Namjoon se aproximou e ficou parado na minha frente do outro lado da bancada. Apesar da sua voz serena, ouvir mais uma pessoa me acusando de não conhecer meu filho, fez eu me sentir atacado.

– Eu conheço o meu filho! – Tive que interromper ele – Só que eu trabalho, eu tenho reuniões e compromissos, eu estou aqui, só não faço esse tipo de coisa.

– Que tipo de coisa? Se dedicar ao seu filho?

– TUDO O QUE EU FAÇO É ME DEDICAR A ELE, TUDO QUE EU FAÇO É POR ELE! – Enquanto eu gritava lembrava das palavras de Taehyung, e por mais que não estivesse ali naquele momento, eu queria que ele pudesse me ouvir, só que não era justo com Namjoon, então logo me corrigi e abaixei o tom de voz – Eu trabalho mais de dez horas por dia, porque eu quero dar tudo pra ele, nunca pedi nada ao meu pai, nada aos pais da _______, porque tudo que temos é do nosso trabalho, e não quero que falte nada!

– Eu sei de tudo isso, Yoongi, calma! – Percebi que ele puxou um dos bancos da cozinha e sentou próximo a bancada, em seguida apontou para que eu fizesse o mesmo e, mesmo meio relutante, eu obedeci – Me diz: O que você tem que fazer no trabalho no momento?

– Tenho que responder os e-mails da minha caixa de entrada que está lotada, preciso ler quatro propostas de empreiteiras de construção e deveria ter ido a São Paulo checar as especificações da nova instalação que vamos fazer.

– A empresa vai expandir para o Brasil agora?

– Sim, lidar com os brasileiros não é complicado, o problema é a língua, então comecei um curso online, mas as aulas estão atrasadas.

– Você não acha que isso é muita coisa, não?

– Eu preciso fazer minhas tarefas, Joon!

– Você lembra quando veio para cá?

– O que isso tem a ver?

– Isso tem tudo a ver! Quando a gente te trouxe pra cá, você tinha agredido pessoas em um bar e foi preso, o estresse por excesso de trabalho te fez começar a beber diariamente, acumular frustração e se tornar uma pessoa que ninguém gostava.

– Eu não posso parar de trabalhar agora! Eu tenho uma família para sustentar, eu tenho um filho e eu preciso dar as coisas que ele precisa.

– O que Jungkook gosta de comer? Qual é o bichinho de pelúcia favorito dele? Onde ele mais gosta de ir? – Eu havia ficado em silêncio depois desta sequência de perguntas dele, porque de fato não sabia responder nenhuma delas, e isso fez me sentir muito mal – O fato de você não saber, é a prova de que você não dá a ele o que precisa, porque ele precisa de você, não só do seu dinheiro!

– Eu faço tudo o que está ao meu alcance! – Sabia que não adiantava me defender, mas alguma parte dentro de mim ainda queria mostrar que Namjoon estava errado.

– Você não faz! Onde você estava quando a mãe do seu filho entrou em trabalho de parto? Quando seu filho deu o primeiro passo? Quando ele falou a primeira palavra dele? E quando ele teve o primeiro dia na creche? Trabalhando! Você voltou a trabalhar demais por conta deles, eu entendo, só que agora você está sempre viajando, em ligação, numa reunião, ocupado no escritório ou hospedado no centro da cidade! – Conforme as palavras dele saiam eu me sentia murchando no banco em que estava sentado – E é por isso que o seu filho pergunta de mim, do Seokjin, do Taehyung e da mãe porque ele não está acostumado com você na rotina dele, e nem você com ele na sua rotina. – E o silêncio espalhou mais uma vez, eu não sabia que o que dizer, mas sentia algo crescendo desenfreado em mim e talvez fosse explodir quando alcançasse a minha garganta – E, amigo, você bater no Taehyung não vai mudar isso... Ele mentiu quando falou do Cookie?

Então, sem aviso prévio, dó ou piedade, minhas lágrimas vieram! Eu não conseguia contê-las porque tudo o que eu havia feito durante muito tempo foi me conter. Eu sabia que desde antes do acidente existiam momentos que em que eu queria largar tudo, parar em um canto e chorar, mas principalmente após o acidente eu queria isso, chorar e chorar até que não pudesse mais. Eu precisava daquilo, só não havia conseguido libertar isso antes. Mas, agora com aquela conversa, com a casa em silêncio e com a segurança que sabia que só podia encontrar em Namjoon, desabei. Sabia que o som do meu choro se espalhava pelo apartamento, sentia minhas lágrimas caindo sobre a bancada e minha vista ficava cada vez mais embaçada, e meu amigo me compreendeu em silêncio.

Só após alguns minutos, que não sei dizer exatamente quantos, senti seu corpo próximo do meu e sua mão passando pelos meus cabelos, e encostei a cabeça no seu ombro.

– Namjoon, eu não aguento! Por mais que eu me esforce, eu não sou suficiente, eu sou um fracasso e faço tudo errado! – Eu levantei a cabeça e apontei para a sala – Olha essa casa! O Taehyung me acha um idiota, e aí ele entra aqui e vê a casa assim! Ele não mentiu e eu fiquei com raiva, porque... – Escondi meu rosto com as duas mãos, virei de costas para ele e abaixei a cabeça outra vez deixando minhas lágrimas rolando – Ele estava certo nessa parte! Eu não mereço meu filho, nem a mãe dele! Eu nunca mereci ela! Eu juro que eu tento ser o suficiente, que eu tento ser bom para eles. E estou tão cansado, mas eu continuo, tento e tento, e mesmo assim faço tudo errado.

– Eu sei que você está tentando, a gente sabe que você tenta de verdade, só que você está tentando da maneira errada. – Senti quando ele se afastou, ouvi seus passos irem para longe e depois se aproximarem, quando tocou meu ombro e o apertou de leve, tirei minhas mãos do rosto e olhei para ele, vendo que estava segurando uma garrafa de água em uma mão e alguns guardanapos na outra. Assenti mostrando agradecimento, peguei os itens de sua mão, enquanto tomava alguns goles de água observei sua ação de trazer seu banco para perto do meu e sentar ao meu lado em seguida.

– Não sei mais o que eu faço... – Eu disse quando deixei a garrafa em cima da bancada e passei a secar meu rosto. Sabia que minha voz estava embargada, mas por mais que estivesse com vergonha de ter desmoronado daquela maneira, sabia que estava com a pessoa certa.

– Yoongi, a primeira coisa que você precisa fazer é ser o protagonista da sua própria vida, parar de ser o coadjuvante, a pessoa que observa de fora e participar ativamente dela. – Suas palavras me fizeram piscar algumas vezes enquanto lhe encarava – Digo isso porque você já percebeu que nunca faz as escolhas diretas na sua vida? Você deixa com que as coisas aconteçam, que os outros decidam, que as pessoas façam e digam por você, mas não toma posição e fala o que realmente quer! Você mora com a mulher que ama há quatro anos e nunca disse o que realmente sentia por ela, você tem um filho e não participa da vida dele, você praticamente deixou que um cara viesse de fora e fizesse papel de pai e marido da sua família. – Senti ele colocando suas mãos em meus ombros – Eu te amo, amigo, mas você é a pessoa mais omissa que eu já vi na vida.

 Quando ele me puxou para um abraço e eu deixei porque senti que precisava. Após alguns instantes, pude ouvi-lo falando baixo: – Você realmente ama a _______? – Sua pergunta me fez engolir em seco, mas não havia mais barreiras ali, não depois de eu ter quase me desfeito em lágrimas na sua frente, por isso assenti com a cabeça, mas minha resposta silenciosa fez com que ele se afastasse e me olhasse nos olhos – Eu quero que você fale, seja sincero e diga!

– Sim! Eu a amo, sempre amei! Quando a vi andando na sua loja no dia seguinte em que eu e ela nos conhecemos, ali foi quando senti pela primeira vez que a amava... – Eu nunca havia dito isso em voz alta – Ela estava tão linda, o cabelo dela balançava, ela sorria e tinha cheiro de flores, e eu lembro de cada detalhe porque desde aquela manhã eu tive certeza que ela era quem eu sempre estive procurando. – Sei que cada frase minha saiu de forma lenta, porque a imagem daquele momento passou nitidamente pela minha mente e mais uma vez confirmei que eu a amava mesmo, só que dessa vez na frente de outra pessoa, que estava com os olhos marejados?

– Seokjin vai ficar muito puto quando souber que ele perdeu esse momento – Eu dei uma risada fraca e bati de leve com o punho no seu ombro, o que fez ele rir também – Por que você nunca disse isso pra ela?

– Basta olhar para ela e você vai saber... Ela não precisa de mim, de ninguém, aliás. E além disso, ela disse que a gente não precisava ter um relacionamento e que não queria nada comigo.

– E quantos anos tem isso? Se ela não quisesse estar com você, já não teria ido embora, Yoongi? Se ela realmente quisesse ser livre, ela não ficaria aqui e já teria arrumado outra pessoa, mas não foi o que ela fez. Dia após dia, nos momentos bons e ruins, ela ficou com você!

– Eu não sei! A gente nunca conversou sobre essas coisas. 

– Você é uma das pessoas mais inteligentes e dedicadas que eu conheço, e sua mulher é uma das mulheres mais fortes e decididas que existem nesse mundo, mas emocionalmente falando vocês dois são péssimos. Vocês têm o mesmo modus operantis: vocês querem mostrar que se amam através de ações, tudo o que vocês fazem é se colocar como prioridades um do outro. E isso é muito bonito! Mas, as palavras também são necessárias, o momento de conversar precisa chegar e o problema é que ele nunca chega pra vocês. – Vi meu amigo levantar do banco e se dirigir até a pia enquanto levantava as mangas da camisa.

– Por que que você nunca me disse isso antes, Namjoon? – Estava observando ele enquanto abaixava e procurava alguma coisa no armário abaixo da pia.

– Sei lá! Eu não estou na sua lista de contatos do Skype, nem na sua agenda de compromissos importantes. – Ele gargalhou e eu acompanhei.

– Você é um idiota... Me desculpe por ter sido tão ausente na vida de todo mundo? 

– Confio que você vai mudar isso, então desculpo! – Percebi ele se virar com uma caixa de primeiros socorros e fiquei sem entender, mas assenti com a cabeça – Mas agora a primeira coisa que você vai fazer é me deixar limpar esse corte no braço. – Desci o olhar para meu braço, e sim tinha um corte aberto ali que podia ser visto por conta da manga da minha camisa levantada, que eu não tinha visto, mas que havia sangrado bastante e já estava com o sangue coagulado em torno da abertura. Lembrei da queda provocada por Taehyung e associei o ferimento aquilo, era a única possibilidade. – E depois vai esperar seu amor receber alta, conversar com ela, ser sincero, dizer tudo o que você sentia e ainda sente, mas principalmente pedir desculpas. – Quando percebi Namjoon já estava próximo com algodão e iodo na mão.

– Mas, e o Taehyung? – Mordi o lábio inferior de leve quando senti a ardência que o algodão provocou quando ele começou a limpar meu machucado – Eu odeio o Taehyung!

– O Jin também! – Namjoon balançou a cabeça enquanto passava um novo algodão no ferimento – Eu não sei como conseguem alimentar esse tipo de sentimento dentro de vocês.

– Por favor, diz que odeia ele também, fica do nosso lado, amigo.

– Eu não odeio ninguém, Yoongi! – Ele agora estava envolvendo aquela parte do meu antebraço em uma espécie de curativo e eu olhava atentamente – O Taehyung é um cara legal e dedicado, ele se esforça muito em tudo o que faz e realmente tem um carinho muito grande pela amiga e pelo seu filho. Claro que ele tem defeitos, todo mundo tem, mas agora você tem que se preocupar nos seus defeitos, na sua culpa e corrigir seus próprios erros. – Ele catou os algodões sujos e jogou no lixo, e em seguida levantou e guardou a caixa no lugar aonde havia pegado.

– Eu não lembro quando você fez Enfermagem na universidade, jurava que tinha feito Administração! – Eu olhava admirado para o curativo muito bem feito por ele.

– Para de palhaçada! – Ouvi então uma movimentação de panelas e olhei para a direção da pia, vendo-o concentrar a louça suja para um canto específico – Então, vamos limpar a casa? O Jin vai chegar com o Cookie daqui a pouco e você não vai querer ouvir ele falar do estado desse lugar se estiver bagunçado. Você já deixou ele puto o suficiente por hoje.

– Ele te contou? – Eu levantei e fui caminhando em direção a sala para pegar outros pratos e copos que estavam espalhados por lá.

– Claro que ele me contou, estou aqui por isso, porque se ele viesse não ia exatamente “conversar” com você, além disso eu sou a pessoa mais sensata entre nós. – Voltei trazendo a louça e coloquei junto com as outras que haviam sido separadas por ele. – E antes que você volte a arranhar o disco perguntando “E o Taehyung?”, saiba que ele não apareceu de novo lá, Seokjin chegou na sala de espera sozinho.

– Tá bem!

– Agora, é sério... Que cheiro é esse?!

– Carne assada carbonizada! – Vi Namjoon arregalando os olhos pra mim – Já te disse que eu queimei a comida porque ainda não aprendi a fazer duas coisas ao mesmo tempo quando uma delas envolve o Cookie. – Meu amigo riu e virou o pescoço de volta para a pia, começando a lavar a louça.

– Vou te dar uma dica: Leva ele na praia. Deixa o Jungkook correr bastante na areia e depois volta pra casa, dá um banho nele, prepara um mingau e você vai ver que ele vai apagar.

– Eu nunca vou à praia!

– O que é uma vergonha porque você mora praticamente em uma, Yoongi! Faz um esforço, pelo amor dos deuses! – Senti ele jogar água em mim e me afastei da pia – Agora, sai daqui! Liga pro Seokjin e pede pra ele não vir pra cá e preparar o jantar, diz que vamos todos lá pra casa hoje. E vai arrumar esse apartamento, por favor!


*

– Aqui está! – Seokjin se aproximou de mim com duas xícaras na mão e percebi que o conteúdo delas era diferente.

– Você realmente vai me obrigar a beber chá depois do jantar?

– Sim! E você vai tomar cada gota! Só então eu vou te perdoar pelo o que fez hoje. – Ele ficou ao meu lado, deu um gole em sua xícara de café e fiz o mesmo com o chá, confirmando o que já sabia: sabor camomila.

– Não era pra eu ter me descontrolado daquela maneira.

– Eu esperava que você fosse perder o controle com o Taehyung em algum momento, quem não perderia?! 

– NAMJOON! – Dissemos alto ao mesmo tempo e demos uma risada conjunta.

– Meu namorado é muito iluminado! – Acompanhei o olhar de Seokjin e vi que ele observava Namjoon caminhando na areia a nossa frente – Nós, meros mortais, não somos iguais a ele! – Percebi que seu olhar havia caído de novo sobre mim e virei para encara-lo também – Me surpreendeu como você se aguentou durante tanto tempo, só podia ter esperado um pouco mais, sabe... Até estar fora do hospital!

– Eu sei que errei! E ainda te coloquei no meio! Me perdoa?

– Sempre! Você é meu melhor amigo, é claro que eu te perdoo! E quanto ao Taehyung, não se preocupa, ele não vai contar nada.

– Como sabe que não?

– Nós tivemos uma conversa!

– E eu posso saber o que conversaram?

– Não... Por enquanto, não.

Seokjin deu mais um gole em sua bebida e me deu a xícara para segurar, em seguida foi se afastando de mim, e não insisti em saber da conversa deles por mais que tivesse ficado intrigado. 

A lua brilhava forte e sua luz iluminava todo o deck dos fundos da casa dos meninos, além disso a areia refletia o brilho da lua na areia, e eu podia ver Seokjin se juntando a Namjoon e Cookie em uma brincadeira de corrida. Meu filho sorria e parecia muito feliz, ter lhe tirado do apartamento realmente foi uma ótima ideia. As risadas deles se misturavam ao som das ondas e do vento, ouvir aquela mistura gostosa de sons fez eu me sentir alegre e isso levou meus pensamentos até ela, então sorri.


Notas Finais


Então, sei que o capítulo foi bem emotivo, né?
Eu também estou na torcida por um capítulo totalmente feliz, eu não aguento mais sofrer e quero ver essa família junto e em casa... E por isso já aviso que isso vai acontecer no próximo capítulo.

Sobre o Spin-off de Taehyung: Ele está pronto! E apenas aguardando o momento certo para ser postado. Eu adiei a postagem porque estive conversando com algumas leitoras e elas me aconselharam a fazer isso, aguardar mais um pouco do desenvolvimento da história para "mostrar o outro lado".
Falando em conselhos, preciso deixar aqui todo meu amor pela minha beta não-oficial @yifanta <3

Até a próxima atualização!
(Isso se sobrevivermos a esse fim de semana de Love Yourself: Tear e MV: Fake Love *O*)


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