História Remember Me - Capítulo 40


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Categorias Magi: The Labyrinth of Magic
Personagens Ja'far, Sinbad
Tags Jafar, Lemon, Magi, Sinbad, Sinja, Yaoi
Visualizações 54
Palavras 3.566
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, pessoal! Nossa, quanto tempo! Perdoem a demora que foi... imensa! O capítulo de hoje vai andar MUITO nesta reta final. Muito obrigada a todos que me acompanham até agora, antigos e novos leitores! Foi um capítulo difícil de escrever, bastante intenso! Espero que vocês gostem! <3

Capítulo 40 - Indecisão


 Não podia acreditar naquilo que seus olhos refletiam. As bandeiras hasteadas de Sindria eram violentamente agitadas pelo vento enquanto a imponente embarcação abria caminho fazendo ondas e se aproximando da parte detrás do palácio de Balbadd. 

 Por medidas de segurança, certificando-se de que Ja’far não teria como escapar, seus aposentos ficavam nos fundos da imponente construção, de costas para o mar, ao sul do continente. Melhor impossível - Ja’far pensou ao contemplar aquelas bandeiras, tendo a certeza de que era o único que havia percebido a aproximação estratégica daquele que não chegaria pelo porto de Balbadd e, sim, vinha para resgatá-lo de forma silenciosa. 

 Ja’far sentiu seu peito ser preenchido por um calor aconchegante. Lágrimas embaçaram o par de esmeraldas. Afinal, havia realmente pensado que Sinbad o esqueceria, como havia pedido. E como sofreu para escrever aquela carta e as palavras que exigiam que seu rei e amante não o procurasse. Depositara, ali, palavras tão falsas quando, na verdade, ansiava pelo minúsculo lampejo de esperança de ser, um dia, resgatado dali e voltar ao seu lar, ao seu amado país… a seu amado rei. 

 Mas subitamente balançou a cabeça, tentando sair do transe que a emoção havia lhe colocado. Precisava pensar. Precisava fugir. Precisava encontrar Sin. 

 Começou a correr pelo quarto. E se fizesse uma corda com lençóis? - Voltou à janela e se assustou ao ver as rochas de tamanhos diferentes, completamente desniveladas, que eram açoitadas pelas fortes ondas. Um deslize, literalmente, e poderia acabar com sua própria vida. E se voltasse a bater a cabeça e se esquecesse de tudo novamente? Afinal, se estava naquela situação, era por culpa da bendita queda que…

- Ja’far-samaaa!!! Ja’far-sama!

 Uma voz feminina acompanhou as batidas na porta. 

- Droga! - ele resmungou consigo mesmo ao respirar fundo. Teve uma idéia.

- M-Me sinto indisposto. Por favor, volte outra hora!

- Ja’far! 

 Uma voz diferente. Uma voz que fez Ja’far gelar dos pés à cabeça, evaporar o calor que havia aquecido seu coração. Era Kouen. 

- Ja’far, o que você tem? Trouxeram seu hanfu para nosso casamento. 

 Precisava pensar rápido. Se Kouen entrasse e fosse até à janela… Rapidamente Ja’far fechou as compridas cortinas de linho rubro. 

- En, estou indisposto, só isso. - ele forjou carinho com o típico apelido. 

- Então vou chamar um médico para te…

- Não se preocupe! Preciso só dormir mais um pouco! 

- Mas…

- Kouen-sama. - Ja’far ouviu a criada intervir. - Ela deve estar muito nervosa. É o dia do casamento e com o senhor! Por favor, seja compreensivo!

 O ruivo mordiscou o lábio inferior. Se as circunstâncias fossem as consideradas normais, ele acreditaria na explicação de sua serva, mas depois de tudo o que havia acontecido, não conseguia acreditar que, de fato, Ja’far pudesse estar ansioso para a realização da cerimônia - por mais que isso soasse como a realização de um sonho para Kouen. Como gostaria que seu Ja’far voltasse, aquele que odiava Sinbad, aquele que tinha olhos apenas para o primeiro príncipe de Kou. 

- Mas a cerimônia é ao meio-dia! Precisa se aprontar logo! 

- Por favor, En… - Ja’far exclamou do lado de dentro.

 Kouen sacudiu a cabeça e, sem pensar duas vezes, empurrou a porta com o ombro. Não foi preciso muito esforço para abri-la e, então, encontrar Ja’far de pé, com os olhos arregalados.

- Está indisposto e está de pé? - a pergunta do ruivo foi bastante incisiva. 

- Ouvi que o casamento é meio-dia e decidi me levantar para ver se me sinto melhor. Aliás, bom dia para você também… En. - afiado, Ja’far logo respondeu.

 Havia algo de estranho e o príncipe era perspicaz demais para não observar os dedos de Ja’far que tremiam enquanto apertavam as mangas que cobriam os braços cruzados. O alvo evitava encará-lo. Era óbvio que Ja’far estava magoado depois dos maus tratos que sofrera, e com toda razão, mas Kouen tinha certeza de que algo estava muito estranho.

- Está acontecendo algo que não sei?

 Ao mesmo tempo em que a tensão explodiu no interior do ex-conselheiro de Sindria, sua expressão refletiu tranquilidade ao erguer o rosto e encarar o ruivo. 

- A única coisa que está acontecendo é que quero ficar em paz antes da cerimônia.

 A serva se assustou. Nunca, desde a chegada da futura imperatriz a Balbadd, a presenciara falando com tamanha rispidez. Kouen suspirou diante da resposta áspera.

- Como quiser. Então nos vemos na hora da cerimônia.

 Não havia jeito e a única preocupação do imperador era que a cerimônia fosse realizada e, finalmente, pudesse sair vitorioso como cônjuge de Ja’far. Sinbad havia o perdido para sempre.

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 Os olhos dourados observavam a imponente construção se aproximar. Quantas vezes havia ido até ali, visitar seu velho e grande amigo, o Rei Rashid? Lembrava-se de sempre estar em paz e transbordando felicidade ao pisar no solo de Balbadd. Era a primeira vez que se sentia tão tenso ao chegar perto daquelas terras.

 Também pudera, não se lembrava de chegar ali às escondidas. O anfitrião, sempre tão hospitaleiro e que costumava tratar Sinbad como um filho, fazia questão de recebê-lo com festejos e, claramente, o fazia pelo principal porto do país litorâneo. 

 Era a primeira vez que chegava ali… na verdade, era a primeira vez que chegava a qualquer lugar quebrando a principal regra estabelecida pela Aliança dos Sete Mares: nunca, jamais invadir outro país. Estava ali buscando algo que sempre desejou tanto evitar: uma guerra. 

 Todas as lutas travadas anteriormente haviam sido por seu povo, pelos menos favorecidos. Jamais havia lutado com tanta garra por… questões pessoais. Mas Sinbad tinha certeza de que seu país… até mesmo seu povo… ou a paz eram irrelevantes se não tivesse Ja’far ao seu lado. Decerto havia enlouquecido de vez, ele pensava. 

 Sinbad mordeu o lábio inferior a ponto de verter um pequeno filete de sangue, ao mesmo tempo em que desviou seu olhar para focar em suas mãos e encontrar os anéis de Veppar e Furfur, o bracelete de Crocell em seu braço esquerdo, o de Focalor no direito. Então tocou com a ponta dos dedos os colares de Valefor e Furfur, na altura de seu peito, enquanto apoiava com a outra mão a guarda da espada de Baal. Suspirou em alívio ao constatar o óbvio: estavam todos ali, seus sete metal vessels, seus sete djinns. Precisaria de todos para derrotar Kouen, por mais que soubesse que o imperador possuia apenas dois metal vessels. De qualquer forma era muito mais forte. Havia lutado muito e vivido tantas coisas… O imperador de Kou e Balbadd não era páreo para ele. Mas por que seu coração estava tão inquieto? O rei de Sindria se abanou, sentindo o sol mais quente do que, de fato, estava. 

- Aportamos em dez minutos, Majestade!

- A voz de Sharrkan o arrancou de seus devaneios. Ele piscou, bastante assustado, ao se virar de frente para seu general. 

- Algum problema, Majestade? Parece pálido. 

- Na-não. - o gaguejar era inevitável. - Obrigado por me avisar, Sharrkan. 

- Não se preocupe. Vamos levar o Ja’far-san em segurança. Vai ficar tudo bem. 

 Sinbad se esforçou para abrir um sorriso, por mais descrente que estivesse. Queria retribuir a preocupação de Sharrkan em tentar animá-lo. 

- Só há uma conclusão possível para o que estamos fazendo...

 A voz grossa de Hinahoho veio acompanhada pela sombra do gigante, que se projetou sobre o rei de Sindria. Sharrkan e o monarca o encararam.

- Vamos sair daqui com Ja’far e dar fim a tudo isso!

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 Ja’far se banhou rapidamente. Negou-se a ir à jacuzzi - ele queria ser rápido.  Contorcendo-se a cada momento em que jogava a água da tina por cima de seu corpo, sentindo o líquido em contato com as feridas mal cicatrizadas, ele respirava fundo; aquele inferno estava acabando. 

 Logo estava sendo vestido pelas únicas duas servas que sabiam que Ja’far não era uma mulher, como Kouen declarava e apresentava a todos.Obviamente o soberano pagava caro para as moças manterem o silêncio, mas obviamente sem deixar de ameaçá-las caso aquele… segredinho saísse da boca de ambas. 

 O sorriso estampado no rosto das moças que agora o maquiavam com tanto empenho contrastava com a expressão apática da futura… imperatriz. Essa que fitava, no comprido espelho, seu próprio reflexo por entre as brechas da grande movimentação das empregadas.

 As bochechas alvas assumiram um tom rosado a cada pincelada daquela bucha grossa, que espalhava o pó cor-de-rosa enquanto lhe eram colocados pesados e compridos brincos de ouro. Sem piscar, como se fosse maquiado todos os dias, Ja’far teve os olhos delineados e esfumados de dourado e preto. 

 Uma gargantilha de diamantes laçou seu pescoço antes de ter os lábios pintados de vermelho rubro. Tão rubro e vivo quanto sangue. Tão rubro e intenso quanto Kouen. 

 Ja’far se permitiu, pela primeira vez, suspirar ao pensar no ruivo. Sinbad não o machucaria, certo? - ele se perguntava ao mesmo tempo em que, em sua consciência se punia ao se ver preocupado com Kouen. Ora, o imperador de Kou o agredira de todas as formas e… havia caído em uma armadilha terrível! Se não tivesse recuperado a memória, provavelmente nunca mais veria Sin ou seus amigos. Pior do que isso, poderia até mesmo ter ferido, ou matado Sinbad. E só de pensar nos meses em que esteve amnésico, Ja’far se sentia angustiado. Foram meses terríveis em que se sentiu completamente perdido, manipulado pelas mentiras de Kouen e… e quantos riscos havia passado nas mãos de Koumei e… Judal. A amnésia era um acidente. A verdadeira intenção de Kouen… era matá-lo. 

 Mas por que se preocupava ainda com aquele homem?! Será que, no fim das contas, seu coração…

- Ja’far-san! 

 A voz feminina o arrancou daqueles devaneios, tão confusos e… perigosos. Piscando, voltando à realidade, o alvo fitou a moça.

- Já está pronto. - ela saiu da frente do espelho para que o alvo pudesse se ver. 

 E simplesmente não podia acreditar no que via. Estava… incrível. As bochechas já coradas pela maquiagem ficaram mais avermelhadas, acanhado por ver si mesmo tão bonito e… feminino. 

- Gostou, Ja’far-san?

 Ele não ouviu. 

 Levantou-se e, com aquele movimento, fez com que o voil dourado, por cima da seda vermelha do hanfu luxuoso, despencasse lenta e majestosamente, cobrindo-lhe até os pés, que ainda estavam descalços.

 Estava boquiaberto. Em choque. E a resposta para tamanha surpresa… ele sabia muito bem.

 Afinal, era… exatamente assim que, muitas vezes, sonhou ser para Sinbad. Apesar de nunca abandonar sua masculinidade, quantas vezes não desejou ser mulher para se sentir digno de ser assumido por Sinbad? Isso já que ele… Ja’far levou uma mão à altura do peito quando toda aquela confusão se encaixou em sua mente: por mais que Kouen estivesse fazendo com que se passasse por uma mulher, estava movendo mundos para se casar e assumi-lo, enquanto Sinbad… Jamais foi capaz de fazê-lo. 

 Ja’far engoliu a seco ao ouvir sua própria consciência lhe explicar. Estava trêmulo enquanto uma lágrima rolou.

 Anos e anos, ao lado de Sinbad, desde sua adolescência fora obrigado a vê-lo se oferecer a inúmeras mulheres, cortejá-las… E, quantas vezes, antes de assumirem seus sentimentos, surpreendeu seu rei na cama com tantas concubinas diferentes? Quantas vezes seu coração não falhou várias batidas ao ver uma mulher, estonteante como agora estava, adentrar os corredores do palácio e ser alvo daquele par dourado que tanto desejava… uma mulher. 

- Sente-se bem, Ja’far-san?

- Anh!?!

 Novamente Ja’far tinha seus pensamentos interrompidos pela serviçal. A moça o encarava com preocupação. 

- É muita emoção, não é? - a outra, sorridente, usou a ponta dos dedos para secar, delicadamente para não estragar a maquiagem, a lágrima que rolava pelo rosto da noiva. 

- Me… Me desculpem. Está… lindo. Muito obrigado! - os olhos verdes, disfarçadamente, fitaram a janela. Podem me deixar um pouco sozinho?

- Mas está quase na hora da cerimônia! - lembrou. 

- Tudo bem. - ele se esforçou para sorrir. - Estarei lá. Só quero me acalmar um pouco, ok?

 As duas se entreolharam e, trocando risinhos, assentiram e saíram do quarto. 

 Foi quando, finalmente, Ja’far conseguiu suspirar, deixando o peso finalmente derrubar seus ombros quando sentou na beira da cama. Ele apertou as próprias mãos e apoiou o queixo sobre elas, como se rezasse silenciosamente. Suas pálpebras tremiam. 

- Por que não consigo odiá-lo?! - perguntou entredentes. - Por que… Por que sinto que Kouen me faria mais feliz que… que o Sin? Eu pedi tanto para que Sin me buscasse… enquanto Kouen me tratava como prisioneiro… E agora… agora sinto como se não quisesse voltar… Será que… Será que amo os dois? Tsc, como posso amar alguém que fez o que Kouen fez comigo?! Como...

 A porta se abriu, fazendo com que Ja’far, instintivamente, cobrisse os lábios com as mãos como se quisesse engolir de volta as palavras que havia proferido. 

 E lá estava ele… Estonteante como sempre. Não. Desta vez estava ainda mais bonito. 

 Kouen estava vestido como um verdadeiro imperador, banhado em jóias. E como qualquer imperador que se prezasse em seu país, em sua boda, estava trajando vermelho e dourado dos pés à cabeça. 

 Ja’far podia ver, arregalados, os olhos dourados que eram parcialmente cobertos pela cortina de contas douradas e pérolas prateadas que caíam da parte frontal da coroa imperial.

 O imperador estava completamente extasiado com o que assistia: Ja’far era a noiva perfeita. 

 E como se absolutamente todas as desavenças desaparecessem, os corações de ambos palpitavam ao se encararem. Desejavam-se intensamente. E como Ja’far se sentia… péssimo ao detectar a aceleração do ritmo em seu peito.

 Ele engoliu a seco, tentando retomar a consciência. Sin estava ali. Sin ia buscá-lo. Aquilo… estava chegando ao fim. - por que lágrimas se formavam nos cantos de seus olhos ao pensar que se afastaria de Kouen? Seus joelhos… seu rosto… seu coração… ainda doíam. 

- A-Algum problema? - o alvo se pôs de pé. - Não íamos nos ver apenas na cerimônia? 

 O espanto se dissolveu em um sorriso que misturava admiração e orgulho. Kouen se aproximou, ainda em silêncio, quando, bem próximo, lhe tomou uma das mãos. 

- Está… perfeito! - a voz rouca sussurrou. -  Você… nasceu para ser minha imperatriz, Ja’far.

 A palpitação no coração de Ja’far piorou. Era um péssimo sinal. Sentiu o corpo amolecer quando a mão livre do ruivo segurou, com toda a delicadeza do mundo, seu queixo. De forma inata, seu corpo obedeceu. Ficando nas pontas dos pés, foi Ja’far quem capturou os lábios de Kouen. Como o desejava naquele momento e por quê? 

 O tempo parou durante aquele beijo. Tão intenso procurando o sabor do… para sempre. 

 Uma forte explosão. Então o tempo voltou a correr… não para Kouen e Ja’far, porque Ja’far sabia que… era sua despedida. Ele tinha certeza de que Sinbad chegara. O beijo que não chegou ao fim fora interrompido quando ambos se assustaram com o barulho intenso que ecoou e fez todo o palácio de Balbadd tremer. 

- O que significa isso? - Kouen exclamou, abraçando Ja’far na tentativa de protegê-lo.

 Ja’far, sem qualquer reação, apenas o encarou. Logo começou a agitação no corredor quando um dos guardas entrou.

- Kouen-sama! Tropas de Sindria! 

 Não houve tempo de responder.

 Um forte clarão invadiu os aposentos onde se encontravam e Ja’far sabia muito bem do que se tratava: Bararaq Saiqa. Uma nova explosão e desta vez tão forte que algumas rachaduras se abriram nas paredes do lugar. 

- Sin!!! 

 Kouen franziu o cenho ao ouvir aquele nome monossilábico escapar por entre os lábios de Ja’far. Lembrou-se de mais cedo, a inquietude de mais cedo, Ja'far atento à janela... Ele sabia? Imediatamente o segurou pelo braço e o sacudiu. 

- VOCÊ SABIA QUE ELE ESTAVA AQUI?! 

 A agressividade voltava a dominar o ruivo, como todas as vezes em que se deixava dominar pelo ciúme. O pequeno castelo de ilusões de Ja’far, alicerçado por aquela paixão arrebatadora voltava a ruir. O ciúme doentio e a possessividade de Kouen… eram capazes de destruir qualquer sentimento.

 Precisava dar um ponto final àquela loucura. Nada, absolutamente nada valeria se Kouen fosse tratá-lo como um objeto. Mas seu coração doía. Definitivamente tinha que escolher com quem ficaria. Como podia se enganar? Estava enlouquecendo… Estava farto.

- Eu… Eu que pedi que ele viesse. - a voz, quase sem forças, assumiu. 

- Quê?!

 O chão parecia ter se aberto sob os pés de Kouen. Chegou a ficar zonzo, ainda sem soltar o braço de Ja’far, que tremia intensamente ao revelar aquilo. 

- Fui eu que o chamei... através do ítem mágico da Yamuraiha-san. Não posso mais… Me deixar confundir por essa loucura que vivi com você… Ko-Kouen… 

 Ja’far gaguejou. Como era difícil não proferir o habitual En, mas se quisesse se livrar das marcas profundas que En havia deixado, precisava se conscientizar e enfrentar o Kouen que estava na sua frente. O tirano Kouen que o tirara de Sindria com o único intuito de ferir Sinbad, colocando sua vida em risco, privando-lhe de sua vida e mentindo.

- COMO PÔDE?! - o sangue do ruivo fervia e ele apertava cada vez mais o antebraço de Ja’far. - Agora mesmo me…

- Sim! Eu… muitas vezes pensei que te amava, En. - escapou. - E posso dizer que, realmente, eu te amei e… te amo! 

- Então por quê?! - o ruivo balançava a cabeça negativamente, completamente incrédulo.

- Se toda vez que eu proferir o nome do Sin você me tratar assim… você vai me matar em uma semana. - Ja’far foi direto, reunindo forças não sabia ao certo de onde. - E não é só isso, En… Eu era apenas parte do seu plano para atingir o Sin… Você mentiu para mim, moldando em mim uma nova personalidade, modificando meu mundo e… 

- Eu te amo! 

 Aquela interrupção doeu em Ja’far como uma estaca perfurando seu peito. Mas a fúria não saía dos olhos dourados.

- Tem razão, inicialmente eu realmente queria usá-lo, mas… eu me apaixonei! Dei tudo para você! Abandonei minhas ambi…

- NÃO MINTA, KOUEN! - Ja’far o interrompeu. - Você vive de me ameaçar, você quer destruir Sindria, meu país, meus amigos, as pessoas… O HOMEM QUE EU AMO!

 Era a gota d’água. 

 O punho cerrado de Kouen golpeou de forma certeira o rosto de Ja’far. O alvo se desequilibrou, mas o ruivo ainda o segurava firmemente, investindo toda sua força em torcer o braço de sua… noiva.  

 O que Kouen não esperava era ver um sorriso naquele rosto. Nos lábios sorridentes, o vermelho do sangue que escorria pelo canto se misturou com o vermelho do batom. Mas assim como o filete rubro cruzava seu queixo, as lágrimas cruzavam as bochechas - uma agora bem mais avermelhada que a outra. Ele sorria enquanto seu coração era estraçalhado. 

- Eu finalmente entendi… a diferença, Kouen… - sussurrou Ja’far. - O Sin pode… não ter me pedido em casamento… e pode… não ser tão atencioso… Mas ele, Kouen… me ama do jeito que eu sou. E se… se ele entrasse aqui e… eu dissesse para ele que te amo e… não quero vê-lo mais, Kouen… Pode ter certeza. Ele sairia daqui sem tocar… em um fio de cabelo meu ou seu. E sabe… - Ja’far riu. - isso realmente poderia ter acontecido se… se você não provasse que é… um homem desprezível!

- SEU!!!!

 Não. Não podia aceitar o que estava ouvindo. Então Ja’far… mesmo com Sinbad ali pensava em ficar ao seu lado? A raiva que sentiu foi tanta que Kouen perdeu a noção da força. Apenas ouviu o estalo quando sentiu quebrar o pulso do alvo, que gritou o mais alto que pôde ao se contorcer com a dor lancinante. 

- Está gritando porque acha que ele vai te ouvir, é?! 

 Kouen arremessou Ja’far contra a cômoda. O conselheiro de Sindria, ao chão, se encolheu, revirando-se na tentativa de aliviar aquela dor. Mal viu que o imperador havia ido até a cama, de onde puxou um dos lençóis que a cobria. Enrolando-a, Kouen a amarrou no pé da cama para então se voltar a Ja’far.

 Sem dó capturou as duas mãos do alvo, que voltou a gritar até ficar sem forças, enquanto o ruivo amarrava os punhos juntos em um forte nó.

- Você nunca - ouviu bem? - NUNCA vai sair daqui. - ele enfatizou. 

- Isso é o que você pensa, seu desgraçado! 

 A resposta veio por trás do ruivo. 

 Virando-se em direção à porta encontrou ninguém menos que o rei de Sindria. Brandindo a espada de Baal em sua mão direita, enfurecido, Sinbad o encarou. O imperador de Kou se levantou, altivo, ignorando Ja’far. Mordeu o próprio lábio de tanta raiva que estava sentindo.

- Sinbad…

- Hoje… todo esse sofrimento vai acabar, Ja’far. 

- Si...

 Não havia forças. A vista turva ia escurecendo a cada segundo em que se esforçava mais para ver seu rei. Sinbad, por sua vez, tinha o coração na mão ao ver Ja’far naquele estado. 

- Tem razão, Sinbad. - Kouen capturava a atenção do moreno. - Hoje tudo isso acaba! Acabarei com você, tomarei Sindria e… Ja’far será meu para sempre!

- Jamais, Kouen. Se você trata quem diz que ama como faz com Ja’far… O que fará com meu país? Ja’far sairá daqui hoje e você - nunca mais - vai vê-lo porque… não sairá vivo daqui!


Notas Finais


Uffa! Esse é aquele tipo de capítulo que eu termino bem... cansada. Eu estava com ele travada há algum tempo já e hoje abri o arquivo, respirei fundo e... tudo fluiu. Quando escrevo assim, eu costumo dizer que só estou relatando o que estou vendo, mas confesso que foi sofrido e, bastante exaustivo, descrever toda essa confusão do Ja'far. E acho que aqui é o ponto principal da história, onde nós vemos que o Ja'far, apesar de manipulado e enganado, nutriu fortes sentimentos pelo Kouen JUSTAMENTE por ele oferecer pequenas coisas que o Sin não o oferecia. E a sede por essas pequenas, mas importantes coisas e valorizações, fez com que ele estivesse disposto a se submeter a um relacionamento... bastante abusivo. O En que começou a amar o Ja'far fica bastante diferente do En desse momento. O En que amava o Ja'far estava confiante que, pela amnésia, o Sin não era uma ameaça. Agora, tomado pelo ciúme, a raiva o consome e ele mesmo acaba sendo o responsável pelo assassinato do amor do Ja'far por ele.
Eu quis deixar esses pontos claros porque, no meio desta trama louca, eu acabo abordando certos comportamentos e fico: será que saiu como pensei? Eu espero que sim e quero MUITO saber o que vocês acharam dessa chegada do Sin, dessa confusão do Ja'far, de TUDO! <3 Ou se só quiserem mandar um oizinho eu também vou amar!
Muito obrigada por acompanharem e eu pretendo postar o próximo capítulo em breve! Saibam que todo meu ânimo para prosseguir a história vem das interações de vocês que me motivam tanto, cada comentário, favoritada, ou só a visualização já me dá uma força imensa para prosseguir!
Até o próximo capítulo, pessoal!


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