1. Spirit Fanfics >
  2. Remember Me >
  3. Capítulo 08

História Remember Me - Capítulo 9


Escrita por:


Capítulo 9 - Capítulo 08


Fanfic / Fanfiction Remember Me - Capítulo 9 - Capítulo 08

“And every time I try to pick it up

like falling sand

as fast as I pick it up

it runs away through my clutching hands”A Letter to Elise - The Cure

 

 

            Sansa parecia uma criança enquanto observava as novas paisagens que surgiam enquanto o carro se distanciava cada vez mais da cidade. Diferentemente do clima quente e tumultuado do centro de King’s Landing, eles se encontravam na parte mais distante da cidade, onde o verde e a calmaria se faziam presente.

            A princesa estava animada com o dia que teria, afinal, queria muito conhecer a casa de campo da família de Jon.

            Jon tinha um sorriso no rosto enquanto observava a animação da esposa, ela o bombardeou com perguntas sobre o local durante todo o caminho. Ele acabou rindo com o suspiro de espanto assim que o carro cruzou o portão de ferro de Dragonstone.    

            A loira sentia vontade de abrir a porta do carro, mesmo com o veículo em movimento e explorar aquele lugar. Tudo parecia bonito demais, diferente também, visto que na cidade não era comum a existência de vasta diversidade de vegetação.

“Ual!” Sansa exclamou assim que o carro parou em frente a residência de cor creme.

“Você gostou?” Jon perguntou animado, ele se sentia feliz com o fato da esposa aparentar estar tão contente.

“Sim! Esse lugar parece ser maravilhoso!”

“Então acredito que deveríamos sair do carro para eu te mostrar tudo.”

            Jon mal terminou de falar e a loira tratou de sair do veículo, o marido não ficou pra trás, visto que logo já estava do lado de Sansa que encarava tudo com um grande sorriso no rosto.

            A loira andava a frente enquanto os dois adentravam a residência. Como Sansa esperava, era tudo muito bem decorado, com tons pastéis dominando a decoração elegante, apesar de ser uma casa de campo. Encontrou uma grande sala com sofás de tecido de cor creme, o teto possuía detalhes em madeira, o que dava um toque rústico à sala.

            Em seguida Jon mostrou o quarto em que a princesa ficaria e Sansa não poderia estar mais feliz com o que encontrou: uma grande cama king size com uma grande variação de travesseiros, uma grande janela que dava para uma sacada magnífica e uma bela coleção de quadros que estavam dispostos nas paredes.

“Espero que tenha gostado.” o ruivo murmurou enquanto observa a esposa encarar atentamente um dos quadros, um hábito que ela sempre fazia quando via uma obra de arte.

“Eu adorei.” ela sorriu, ainda encantada com o quadro.

“Esse é o quarto que você costumava ficar antes de nos casarmos… Achei que talvez pudesse ser mais familiar para você.” ele comentou e Sansa tornou a encará-lo.

“Obrigada, Jon.” ela agradeceu sincera, sentia-se grata por tudo que o marido fazia por ela, tinha que agradecê-lo por todo o carinho e a segurança que ele lhe fornecia, não tinha palavras para expressar quanto era grata a ele. “Eu digo, por tudo…”

“Não quero que agradeça, Sansa. Não estou fazendo nenhuma obrigação, você é minha esposa e… Eu amo você, só quero vê-la bem.” ele sorriu.

            Sansa se arrepiou com a voz rouca vinda de Jon, não somente pelo tom de sua voz, mas pelo significado de suas palavras. Não sabia o que dizer. Cada vez que Jon dizia que a amava, sentia seu coração se afundar, afinal, ela não poderia respondê-lo com as mesmas palavras, ela não o amava, ela mal o conhecia, ele ainda era o estranho que se encontrava ao seu lado quando acordou no hospital.

            Queria pedir desculpas novamente. Sentia que deveria, pois a sensação de culpa nunca a deixava, ela era culpada por tudo aquilo, por todo o sofrimento alheio, pelo olhar triste que via em cada um quando viam que, de fato, ela não se recordava de nada.

            Porém, também sabia que desculpas em nada adiantavam, seriam apenas palavras jogados ao vento que não trariam nenhuma mudança, continuaria na mesma atual situação. Era inútil, na verdade, era exatamente como ela se sentia: uma inútil. Não conseguia lembrar-se de nada. Não sabia o que fazer, o que falar. Se sentia perdida. Era, de fato, uma inútil.

            Sentiu os olhos lacrimejarem e logo tratou de piscar algumas vezes para dissipar as lágrimas antes que Jon notasse.

“Será que eu poderia descansar um pouco? Estou me sentindo um pouco cansada…” ela pediu e tão logo Jon concordou.

“Claro, vou resolver algumas coisas. Você acha que estaria disposta no fim da tarde? Queria mostrar-lhe um lugar…”

“Creio que sim.” ela sorriu levemente não querendo deixar que Jon tivesse qualquer ideia de quão bagunçados estavam seus pensamentos.

“Bom descanso.” Jon que já estava próximo da esposa, deu um passo até estarem frente a frente e, após uma breve inspeção na esposa, deu um suave beijo na sua testa. “Me chame se precisar de algo…”

            Sansa acenou em concordância antes de, sem se preocupar com as roupas que vestia, jogar-se na imensa cama, para então tornar a ter seus pensamentos depressivos.

 

***

 

“Jon, já estou cansada!” Sansa suspirou cansada pelo que parecia ser a décima vez, o que fazia Jon rir cada vez que ela repetia a frase.

“Já estamos quase chegando…” ele deu a mesma resposta que dava sempre que a pergunta surgia.

“Você já disse isso umas dez vezes.” ela reclamou o que fez Jon rir de sua impaciência.

“Isso porque você já me fez a mesma pergunta umas dez vezes…” Jon, que guiava o caminho, virou-se para a esposa para dar uma piscadela e novamente ela acabou rindo.

“O que você quer me mostrar?” ela perguntou enquanto observava a volta, os dois sumiam um pequeno morro coberto por uma grama baixa e várias árvores a volta, ela via a residência ficar cada vez mais longe, ao mesmo tempo que o sol também parecia estar prestes a se pôr.

“Não vou contar até estarmos lá, sua impaciente.” ele respondeu rindo, em seguida, tornou a ficar de frente para ela e, sendo assim, fazendo com que Sansa interrompesse a caminhada. Ele sorriu e, subitamente, pegou a mão da esposa e caminhando um pouco mais rápido, chegando ao pico do morro.

            Sansa ficou espantada com o que viu. O sol se punha no horizonte, junto com o mar e toda a cidade de King’s Landing que formavam uma visão espetacular.

            Jon já estava acostumado com aquele cenário, afinal, aquele lugar era muito especial, sem contar que amava ficar ali apenas observando a cidade. Ele sorriu com a visão, mas não com o espetáculo da natureza que ali acontecia, mas por conta do brilho nos olhos de Sansa.

            A loira resolveu sentar no chão, estava tão hipnotizada que ficaria ali por mais alguns minutos, apenas admirando o que via. O marido repetiu o seu ato e logo ambos estavam lado a lado, mergulhados em um silêncio confortável.

“Jon.” Sansa chamou o marido “Posso fazer um pedido?” ela perguntou delicadamente, sem deixar de observar a paisagem.

“Claro, querida.” ele respondeu prontamente.

“Será que eu poderia retornar para as minhas antigas funções?” ela pediu delicadamente, vendo a incerteza nos olhos do esposo, ela continuou “Eu quero me sentir útil, não sinto nenhum desconforto físico e penso que retornando para os meus afazeres irá me ajudar na única coisa que me falta: ter a minha memória de volta.”

            Ela argumentou e Jon suspirou. Tinha medo daquela ideia, pois ele sabia como todos lá fora podiam ser cruéis, não queria a sua Sansa sofresse. Na verdade, se pudesse, a deixaria o mais longe possível do mundo real, a trancafiaria para que ninguém pudesse ter a oportunidade de magoá-la, mas Sansa era livre para fazer o que quisesse, ele jamais negaria a liberdade dela.

            Um longo silêncio se seguiu. Sansa estava ansiosa por uma resposta, mas Jon estava receoso. Sabia bem que a esposa deveria estar cansada de ficar presa em casa, sabia que ela tinha curiosidade para ver o mundo, mas a ideia o deixava nervoso, porque, talvez, ela não estivesse preparada para aquilo.

“Você tem certeza disso, querida?” ele perguntou após o que pareceu uma pausa eterna para a princesa.

“Sim Jon, eu tenho. Eu sei que estou pronta. Eu só quero enfrentar tudo de uma vez. Ficar nessa expectativa parece que só me faz mal, porque eu sempre sei que o pior ainda não passou, que ainda tenho um longo caminho pela frente, mas que eu sequer comecei a traçá-lo. Eu me sinto pronta. Quero minha vida de volta, quero fazer tudo que eu fazia.”

            Por um momento Jon se sentiu culpado. Como poderia querer privar a esposa de viver sua vida? Ele sabia que fazia aquilo pensando no bem de Sansa, mas, ainda assim, ela parecia tão certa daquilo que falava que, talvez, ele pudesse realmente cogitar a ideia.

“Eu posso conversar com os meus pais. Acho que podemos pensar em algo que será mais tranquilo, talvez um jantar para os mais próximos e, após, podemos pensar em outra coisa.”

            Um sorriso apareceu no rosto da loira, enquanto os olhos pareceram brilhar de repente. Ela não pôde se conter, da melhor forma que conseguiu, abraçou o marido, ali sentados chão, sem se importar que ela não era tão adepta a tais contatos. Simplesmente não ligou. Abraçou Jon com força, como se quisesse agradecer por tudo que ele fez nos últimos tempos, os cuidados, a paciência e todo o carinho e amor que ele tinha por ela.

            No primeiro instante Jon estava surpreso o suficiente para não retribuir o abraço, mas assim que se deu conta, cercou o corpo miúdo de Sansa com seus próprios braços. Respirou fundo e com o ato pôde sentir o doce perfume que vinha dos cabelos da loira, ele sempre gostou daquele cheiro, uma mistura de morangos com algo que ele não conseguia decifrar, mas que sempre gostou.

            A princesa não entendia exatamente a razão de seu ato repentino. Mas ela se sentia bem com o esposo, principalmente próxima a ele, era de certa forma estranho, porque era tão fácil e natural.

            Foi Sansa que partiu o abraço, mas os olhos dela continuavam brilhando, assim como o sorriso sereno e bonito presente em seu rosto, tal sorriso que era capaz de fazer com que Jon movesse montanhas apenas para vê-lo mais uma vez em seu rosto.

“Obrigada Jon. É um grande passo para a minha recuperação.” ela agradeceu.

“Eu vou sempre te ajudar.” ele respondeu automaticamente, pois era a mais pura verdade, ele sempre a ajudaria, não importava o que fosse.

 

***

 

“Advinha quem é?” uma mão macia e pequena cobriu os olhos do garoto, mas ele não teve que pensar muito para saber de quem se tratava, ele sabia muito bem a quem pertencia aquela mão.

“Uma pessoa bem chata que adora me incomodar.” Jon respondeu rindo, a resposta fez a garota tirar a mão dos seus olhos, para então dar um tapa certeiro em seu ombro. “Ei!”

“Não fale isso de mim! Você que é um chato.” ela reclamou, mas, contradizendo suas palavras, passou a sentar ao lado do garoto naquela grama verde.

“Como que é que me achou?” ele perguntou.

“Tá brincando? Como se isso fosse uma tarefa difícil…” rolou os olhos teatralmente “Você está sempre aqui.”

            A garota tinha razão, não era nada difícil encontrar o Príncipe Jon quando ele se encontrava em Dragonstone. O garoto simplesmente corria para o seu lugar preferido: o pico de uma montanha que ficava dentro da fazenda. Lá de cima ele podia ver toda King’s Landing aos seus pés, e essa visão era simplesmente espetacular. Sem contar que ali ninguém o incomodava, algo raro em sua vida, visto que sempre estava cercado por seguranças ou de pessoas o bajulando, era uma rotina cansativa.

“Tem razão, Sansa. Que pergunta estúpida!” ele riu e bateu a mão em sua testa o que fez Sansa rir.

            O riso fez Jon encarar a amiga, toda vez que ele a olhava era a mesma coisa, sentia uma estranha sensação no estômago, algo que ele não sabia analisar, com certeza, do que se tratava. Era jovem demais para entender, mas bem sabia que não via Sansa apenas como uma amiga, sempre que ela estava por perto ele sabia que era algo a mais.

            Jon desviou o olhar assim que Sansa o pegou a encarando. Na tentativa de disfarçar o que fazia, tornou a encarar suas botas de cavalgar que usava. Sansa achou engraçado tal ato, visto que ela sempre via Jon a encarando.

“Jon, posso fazer uma pergunta?”

“Claro.” ele respondeu prontamente, mesmo sabendo que ainda que dissesse não, Sansa ainda faria a pergunta, ele a conhecia muito bem.

“Como que é beijar?” ela perguntou curiosa, o ruivo a olhou com espanto, sem saber como respondê-la.

            Jon tinha treze anos, mas já tinha alguma experiência amorosa, claro que, se pudesse contar seu primeiro beijo desastroso com Jeyne. Ele era consciente o suficiente para admitir que ainda era um mero iniciante no quesito beijo, com Jeyne não havia sido ruim, apenas regular, o que o fazia acreditar que com apenas a prática aprenderia.

“Eu não sei explicar, Sansa. Você tem que beijar para saber.” ele respondeu um tanto quanto incerto. Ele não conseguiria dar nenhuma explicação para Sansa, mas tinha certo receio do porquê ela fazia tal pergunta.

“É que eu tenho curiosidade…” ela deu de ombros. “Estou pensando em dar meu primeiro beijo em Joffrey”

            Jon se espantou com o que ouviu, e de certa forma se enciumou. Conhecia muito bem Joffrey, ele era um garoto atrevido cujo pai era amigo do pai de Sansa. Ele não desejava que o primeiro beijo de Sansa fosse com alguém que não gostasse dela, e ele sabia que Joffrey não tinha sentimentos por ninguém, não queria que o mesmo que aconteceu com Jeyne acontecesse com Sansa: beijar alguém que não gostava dela.

            Se pudesse escolheria alguém que soubesse como Sansa era, na realidade, se realmente pudesse decidir, ele se escolheria, pois ele sim gostava dela. Quase riu com tal pensamento, Sansa não permitiria, certo?

“Você não pode beijar Joffrey.” ele respondeu nervoso com a ideia que lhe era absurda e inadequada.

“Porque não?” ela perguntou sem entender.

“Porque ele não gosta de você.”

“Você não gostava de Jeyne.” ela argumentou, sabendo que tinha razão sobre aquilo.

“Sim, eu sei, e é por isso que digo que você merece alguém que goste de você. Alguém que, pelo menos, a conheça de verdade.”

            Sansa sabia que Jon tinha razão. Ela era bastante sentimental e romântica e talvez se arrependesse de ter tal experiência com alguém que mal conhecia.

“Mas eu estou pronta. Não quero esperar mais. Tenho certeza que quero fazer isso.”

“Então faça, mas com alguém que você tenha certeza que é a pessoa certa para fazer isso.”

            Um instante de silêncio se seguiu, cada qual com seus pensamentos, mas não durou muito, logo Sansa fez Jon virar o tronco para ela, para que assim ela pudesse fazer uma certa pergunta.

“Jon, você me conhece muito bem. Você me beijaria?”

“O que?” Jon se encontrava com os olhos arregalados.

“Beijaria ou não?” ela perguntou novamente, parecia estar decidida da pergunta que fazia, o mesmo não acontecia com o garoto, ele a olhava com espanto, tal espanto por nunca imaginar que tal perguntaria sairia um dia da boca de Sansa.

“Sansa, o-o-que?” ele balbuciou incerto, sem ter certeza do que dizia.

“Jon, não é uma pergunta difícil, você só precisa dizer sim ou não.” ela respondeu, parecia tão adulta naquele momento que Jon duvidou que ali a sua frente estava a verdadeira Sansa.

“Eu não sei, Sansa. Acho que você pode se arrepender disso.” ele disse incerto, pois sabia que se fosse de sua vontade, beijaria Sansa sem hesitar, mas tinha medo que ela se arrependesse de beijá-lo.

“O que? Não, não. Jon, você é meu melhor amigo, eu amo você e sei que você também me ama, você é a pessoa que mais me conhece e eu quero fazer isso com você, não com algum garoto que contará pra todo mundo que me beijou.”

            Nesse ponto Sansa tinha razão, Jon bem sabia que o garoto que tivesse a sorte de beijar Sansa Stark espalharia para a maior quantidade de pessoas possível.

“Você tem certeza?” foi tudo que ele conseguiu formular.

“É claro que sim!” ela rolou os olhos com o comportamento de Jon, parecia que quem daria o primeiro beijo era ele e não ela.

            Jon acenou com a resposta e Sansa sorriu docemente para o amigo. Estava nervosa, aquilo era novo para ela, mas estava confiante, pois confiava em Jon, algo que não aconteceria se ela beijasse outra pessoa.

            Jon encarava a loira a sua frente, nunca havia beijado alguém que ele gostava, tinha que confessar, estava tremendamente nervoso. Quando conseguiu ter coragem suficiente, aproximou o rosto para perto de Sansa, em seguida, com as mãos trêmulas e geladas, segurou a bochecha da garota, ela sorriu e em seguida, fechou os olhos, o que foi o momento perfeito para que ele depositasse um doce beijo nos lábios dela.

            Era eletrizante, não se comparava em nada com Jeyne, pois era completamente diferente de suas antigas experiências, pois tinha emoção, algo que ele não encontrou antes. Quando se afastaram e uma Sansa sorridente o encarou, ele tinha certeza que seus olhos estavam brilhando, exatamente como os olhos de Sansa estavam.

“Obrigada Jon, foi o melhor primeiro beijo que eu poderia ter.”

 

***

 

            Sansa acordou assustada. Estava escuro e ela demorou vários segundos para adaptar a visão até que pudesse reconhecer que estava em seu quarto em Dragonstone.

            Um sonho. Tudo fora um sonho. Fora engraçado ver Jon tão jovem, mas… Seria mesmo um sonho, uma criação de sua mente por conta dos últimos acontecimentos ou aquilo teria mesmo acontecido?

            Subitamente sentiu calor, e rapidamente destampou-se, mas a cama não estava tão confortável como outrora, estava quente demais para permanecer ali. Levantou-se e sem saber exatamente para onde ir, desceu as escadas e ao chegar a sala pode ver a porta que ia para a varanda aberta. Estava fresco lá fora, podia sentir o vento que vinha da rua, por conta disso, não perdeu tempo, mas ao chegar a porta constatou que a varanda não estava vazia.

            Jon estava sentado em um dos sofás, estava distraído demais para notar a presença de Sansa, tinha um pequeno objeto em mãos o qual ele observava com atenção. A princesa lembrava daquele local quando Jon tinha mostrado toda a casa, parecia tão aconchegante com todas as flores coloridas enfeitando o local e os vários sofás dispersos no ambiente, os sofás pareciam ser quase mais confortáveis do que sua cama.

            Sansa pensou em voltar para cama, ou então em ir para qualquer outro lugar, mas Jon parecia tão solitário que achou que talvez pudesse lhe fazer companhia.

“Jon?” ela chamou e em seguida os olhos dele estavam nela, Sansa percebeu que antes de respondê-la, ele depositou o pequeno objeto em uma pequena mesa que ficava em frente ao sofá.

“Ei Sansa.” ele sorriu docemente “O que faz acordada tão tarde?” ele perguntou curioso, em seguida apontou um lugar no sofá, o qual Sansa tratou de se acomodar.

“Tive um sonho e acabei acordando… Estava quente demais para continuar na cama.” ela o respondeu, logo ele tinha um olhar preocupado.

“Oh, quer que eu vá diminuir a temperatura do quarto? Ou então posso abrir as janelas para você…” ele enumerou.

“Oh não, não se preocupe. Acho que foi o sonho que me manteve acordada.”

“Um sonho? O que você sonhou?” ele perguntou interessado.

“Bem, sonhei que estávamos no mesmo lugar que você me levou hoje, só que dessa vez éramos crianças, talvez até adolescentes…”

“E o que estávamos fazendo lá?”

“Estávamos conversando…” as bochechas de Sansa ficaram rosadas assim que ela acabou se recordando do que viria a seguir no sonho. “E… Bem, de algumas forma o convenci que me beijasse.”

            As palavras de Sansa imediatamente fizerem Jon gargalhar, enquanto Sansa ainda tinha as bochechas coradas de vergonha, Jon continuava rindo. Vendo o desconforto da esposa, ele se esforçou para parar de rir.

“Oh Sansa, desculpe. Mas acredite, você não precisou me convencer de coisa alguma.”

“O que você quer dizer? Então não foi um sonho?” ela perguntou curiosa.

“Creio que não. Acho que você acabou se recordando do nosso primeiro beijo.”

“Oh.” ela exclamou espantada. Então aquilo tudo não fora sua imaginação? Não conteve o sorriso que surgiu, era bom ter esse tipo de memória, lhe dava esperanças para continuar acreditando na sua recuperação. “Sério?” ela ainda perguntou sem acreditar.

“Positivo, senhorita.” ele concordou sorrindo, ele também estava feliz por ela.

“Bom, até que você beija bem.” ela brincou, não que tivesse algum comparativo, mas no sonho era como se ela pudesse sentir todo o carinho que Jon depositou naquele beijo. Novamente, ele gargalhou.

“Eu tento dar o meu melhor.” ele brincou fazendo Sansa rir.

            Estava tudo tão quieto, apenas os dois ali, conversando, apenas ao longe podia-se ouvir alguns sapos que gostavam de ficar no lago, mas fora isso, um silêncio reconfortante imperava.

            O Palácio, apesar de ser mais afastado na movimentação da cidade, ainda não era tão silencioso como em Dragonstone. Sempre tinha alguma movimentação no Palácio, seja pelos jantares e os mais variados eventos ou então pelas diversas visitas ou empregados do Palácio. A quietude de Dragonstone era rejuvenescedora, era exatamente o que a princesa precisava e, também, o que Jon precisava.

“Jon, o que é aquilo?” a princesa apontou para o objeto que Jon tinha depositado em cima da mesa, sem ainda identificar do que se tratava. O homem se esticou para pegá-lo novamente, e em seguida entregou para Sansa.

“Pode abrir.” ele disse assim que a pequena caixa de veludo negro estava nas mãos na loira.

            Rapidamente, Sansa abriu a pequena caixa, e descobriu que ali estavam guardados dois anéis. O primeiro era um anel em ouro, com uma safira no meio de dois diamantes, era belíssimo e muito delicado. O segundo era uma aliança também em ouro e parecia ter algo gravado dentro, o que fez com que a loira o pegasse em mãos para examiná-lo.

            Depois de um breve exame, ali perfeitamente gravado em uma letra cursiva, estava: “Eu esperei durante toda a minha vida por você”. Era uma linda aliança, assim como o outro anel, que era tão delicado e bonito que Sansa ficou sem palavras.

“Jon, são lindos!” ela murmurou ainda os analisando.

“É o seu anel de noivado e a sua aliança de casamento.” ele comentou.

            Os anéis e todas as joias que Sansa usava durante o acidente foram tirados quando ela chegou ao hospital, todos seus pertences haviam sido entregues diretamente para Jon, o homem guardou todos, porém, não pôde evitar de guardar os anéis de noivado e casamento para si. Ele gostava de manter em uma pequena caixinha perto dele, onde ele sempre poderia pegar e, assim, lembrar-se dos dias que Sansa também usava aqueles acessórios que simbolizava o matrimônio deles.

            Jon observou como Sansa analisava os acessórios com emoção, talvez por aqueles objetos serem símbolos de algo que ela esqueceu, algo que ela não se recorda de ter tido antes: um casamento.

“São lindos, de verdade Jon.” ela novamente frisou. “Eu posso colocá-los?” a pergunta fez os olhos dele se arregalarem, ela gostaria mesmo de usar a aliança de casamento? Isso parecia surreal para ele, porque talvez aquilo significasse que, mesmo sem se lembrar, o casamento deles tinha algum significado para Sansa.

“É claro.” ele murmurou desconcertado e em seguida pegou a pequena caixa das mãos dela “Deixa eu ajudar você.

            O homem, delicadamente, pegou a mão esquerda de Sansa, não podia deixar de recordar quando fizera o mesmo ato no dia em que se casaram. Foi um dia emocionante, ele ainda se lembrava como aquele dia tinha sido ensolarado e bonito, tudo parecia refletir o que ele sentia dentro de si: uma tremenda felicidade.

            Primeiro ele colocou o anel de casamento e em seguida o de noivado, ambos deslizaram facilmente pelo dedo anelar de Sansa. A loira sorriu quando viu os anéis em seu dedo, eram tão bonitos e serviam perfeitamente!

            Sansa sorriu docemente para Jon, logo ela percebeu que os olhos dele brilhavam por conta de algumas lágrimas acumuladas, ele estava emocionado, Sansa usar novamente a sua aliança era algo muito significante para ele. A loira não pôde deixar de achar doce a reação do esposo, o que a fez pegar uma das mãos dele.

            Os olhares não se desviaram enquanto Sansa fazia um leve carinho na mão dele, ao longo dos minutos, os olhos de Jon estavam sem lágrimas, em troca, agora um sorriso estampava o seu rosto. Eles estavam próximos demais e Sansa não estava nem um pouco incomodada com isso, com isso, ele não pôde se conter, aproximou-se mais da esposa e em seguida levou uma das mãos na bochecha dela.

            Sansa não se esquivou do contato, continuou onde estava, encarando Jon atentamente, também não se moveu quando percebeu que ele estava se aproximando cada vez mais dela, tal qual fez no sonho que teve minutos antes. Na verdade, ela não sabia qual reação ter, apenas continuou parada, encarando o marido até os lábios dele tocarem os seus, tamanho era a sua surpresa que não fechou os olhos.

 

Oh Elise it doesn't matter what you say

I just can't stay here every yesterday

like keep on acting out the same

the way we act out

 

Every way to smile, forget

And make-believe we never needed

Any more than this

Any more than this

           

O tocar de lábios era carinhoso, sem pressa, praticamente um roçar de lábios, mas que fez o coração de Sansa acelerar, mal percebeu quando fechou os olhos, em um ato totalmente natural e incontrolável. As mãos de Jon seguravam seu rosto, mantendo-a próxima, não que precisasse, pois a loira estava completamente entregue ao momento.

 

The way the blue could pull me in

If they only would

If they only would

At least I'd lose this sense of sensing something else

that hides away

 

            O ruivo não queria assustá-la, mas, suavemente, passou a língua pelos lábios de Sansa, ela por sua vez, sentiu um arrepio com o ato e por consequência se aproximou mais dele. Ela estava completamente entregue, simplesmente aproveitou o momento sem medo, mas foi quando o ar foi necessário para respirar que eles pararam.

            Jon ainda mantinha as mãos no rosto de Sansa, um sorriso estava em seu rosto enquanto ele colocava uma mecha teimosa de Sansa atrás da orelha, mas era nesse momento que ela parecia se tocar do que realmente aconteceu entre eles. Ela ficou petrificada, abaixou o rosto, sem conseguir encarar Jon.

“Sansa?” ele tentou levantar o rosto dela, mas ela se recusou “Querida?” ele tentou novamente, dessa vez preocupado.

            Ela não conseguiu falar algo, queria correr dali e não encarar as consequências do que havia acontecido.

“Desculpe Jon.” ela disse antes de conseguir se desencilhar dele e andar o mais depressa para dentro de casa, ainda conseguiu ouvir ele a chamando, mas não parou até estar na segurança de seu quarto. 

From me and you

there're worlds to part

With aching looks and breaking hearts

And all the prayers your hands can make


Notas Finais


HABEMUS BEIJO!

Então, o que vocês acharam?
Se você leu esse capítulo peço que, por favor, diga um oizinho, ficarei muito feliz <3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...