História Remember (Vkook) - Capítulo 9


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Boa Leitura ^ ~

Capítulo 9 - Winter Flower


Fanfic / Fanfiction Remember (Vkook) - Capítulo 9 - Winter Flower

Taehyung 

 

Meus olhos ficaram grandes, meu coração explodiu em batimentos acelerados assim que me deparei com Jin na saída do elevador. Desde o jantar, antes do acidente, não vi mais.  

Sei que ele tem me evitado depois do que houve e não vou mentir que também fiz o mesmo. Nunca pensei que o olharia dessa forma, mas depois do que aconteceu não consegui mais confiar 100% nele.  

Tendo a certeza em mim que a todo custo restauraria minha vida com Jungkook, para ele, significaria a perda de sua tia nessa guerra. Era completamente triste e desconfortável não saber de que lado ele estava. E... eu não poderia arriscar perder minha chance, caso ele não estivesse comigo.  

Logo minha mente começou a maquinar uma desculpa perfeita para despista-lo, quando ele pareceu cair em si de sua ignorância e se encolheu, olhando para o chão antes de quase sussurrar um pedido de desculpas.  

- Que grosseria da minha parte... - ele suspirou sem jeito, pondo as mãos no bolso da calça. - Como você está? 

Encarei seus olhos por alguns segundos. Ainda não conseguia ver apenas o meu velho amigo bem a minha frente. Eu ainda estava com medo. Porém, notei o quanto ele parecia abatido e magro. Me lembrei que Jimin havia me contado que Namjoon confessou com tristeza o quanto Jin ainda se culpa pelo que aconteceu. Quem sabe por isso ele esteja dessa forma.  

- Estou sobrevivendo – respondi, lhe dando um meio sorriso. Meu coração ainda estava apertado e respirei fundo, olhando ao redor, me certificando de que ele estiva realmente sozinho. E então, éramos só nós naquele andar vazio.  

Trocamos olhares indecifráveis por alguns segundos. Eu realmente gostaria de ter apenas meu amigo de volta naquele momento. Encarei o chão e com o coração magoado, tentando me convencer de que ele apenas pretendia unir a família naquela noite... nada mais.  

- Namjoon me pediu para vir pegar uns relatórios de algumas empresas que poderia tentar algo no meu futuro negócio - menti, vendo que desviou seus olhos dos meus, encarando as paredes ao nosso redor antes de voltar a fitar meus olhos. - Mas, tiveram uma reunião de emergência e, como não saíram da sala até agora, eu vou indo.  

Ele continuou em silêncio. Sei que sabe que inventei tudo isso. Sei também que provavelmente irá perguntar ao namorado depois. Mas eu apenas quis ser educado com ele. Por isso, me despedi apenas com um pequeno sorriso e passei por ele sem mais palavras. Não havia o que dizer. 

Agora... eu só desejava minha casa.  

 

[...]  

 

Jungkook 

 

Minha cabeça latejava. Sentia como se fosse explodir. Durante horas ouvi atentamente todos aqueles homens de terno discutindo sobre uma estranha queda nos lucros da empresa e as possíveis causas de tudo isso.  

Todos opinavam e davam sugestões. Todos tão entendidos e tão por dentro de tudo aqui...  

Eu? Fiquei apenas calado, por mais que certamente esperassem ouvir algo de mim. Espero que não tenham esquecido que sou apenas um novato, apesar do meu cargo. Não poderia dar as informações que desejavam e essa incapacidade estava começando a me irritar. 

Tentei pensar... 

Um tempo atrás, mesmo ocupado apenas com os estudos na faculdade, sempre escutava as atualizações de minha mãe sobre tudo o que acontecia na empresa. Ouvi diversas vezes seus desabafos preocupados com a quantidade de outras empresas que estavam nascendo e crescendo ao redor da cidade em uma velocidade absurda.  

Meu pai não tinha medo de coisas como essas... ele deixava que surgissem e evoluíssem e então, as comprava. Mas essa é a questão, as coisas mudaram. Essas novas empresas já não tinham tanta confiança na JeonGroup” desde que o comando já não pertencia a lenda empresarial da cidade... e isso, pareceu desvalorizar ou desmerecer nossos negócios, aos olhos desses novos empresários.    

Não estava sendo nada fácil depois que meu pai se foi. Era como se... ele fosse as colunas desse lugar e então, agora essas estruturas pudessem poder cair a qualquer momento.  

Na minha cabeça, é claro. 

Olhei ao redor da mesa e pude ver a tensão no olhar de cada um. O cansaço, misturado com o medo de tudo dar errado... afinal de contas, é o ganha pão de todos. E então, em questão de segundos, uma nova falação se instalou e eu já não conseguia entender uma palavra sequer.  

Passei brevemente minhas mãos no rosto. Sem dúvidas eu deveria estar vermelho como um pimentão. Como papai aguentava isso todo dia?!  

- Silêncio, por favor – minha voz saiu mais firme do que pretendia, ecoando pela sala e então todos finalmente se calaram. Encarei todos aqueles olhos cansados a minha volta, pensando nas palavras certas a dizer.  - Precisamos ser... sábios e, precisos em nosso próximo passo...   

Me ajeitei na cadeira que estava, respirando fundo mais uma vez quando o simples movimento que fiz, deslizando minhas mãos pelo couro do material onde estava fez com que eu revivesse a velha memória de meu pai sentado neste mesmo lugar. Ele não devia ter partido tão cedo... essas pessoas contavam com ele... essa empresa precisava dele... Aish, eu preciso.  

Pisquei demoradamente, sentindo meus olhos levemente úmidos, respirando fundo, antes de finalmente voltar a falar. 

- Faremos da seguinte forma: amanhã, levem para minha sala todos os relatórios financeiros dos últimos anos da empresa e também todos os últimos contratos dos negócios que adquirimos, junto dos locais de cada uma delas.  

Alguns olhos se arregalaram, antes de começarem a anotar o que eu pedia com rapidez. 

- Tragam também os movimentos de nossas filiais e os contatos de todos os sócios com as quais desejamos comprar e vender. Se possível for, me entreguem tudo até o fechamento de amanhã. - Me levantei, passando levemente a mão no cabelo, jogando uns fios rebeldes para trás. - Se não sabemos onde está o problema ou como sair dele, então vamos descobrir. A reunião está encerrada.  

Sem mais palavras, caminhei para fora da sala, sendo o primeiro a sair. Era isso ou ficaríamos a noite inteira discutindo.  

A empresa estava vazia e silenciosa, foi então que me lembrei de Taehyung.  Adentrei ao meu escritório tendo a certeza que ele não estaria mais ali e como previa ele realmente não estava.  

Cansado, me joguei na cadeira da sala, decidido a esperar que todos fossem embora primeiro, assim não correria o risco de ser importunado por algum deles. Eu ainda estava preocupado e furioso, me sentindo tão insuficiente em um momento como esses... ainda questionava minha capacidade para resolver esse problema. Mas, mais do que tudo, temia fazer tudo errado e perder todo o trabalho de anos de meu pai.  

Que vergonha seria... Não posso permitir que isso aconteça. De forma alguma... 

- Tsc... - Resmunguei algo mais, passando as mãos no rosto e foi então que meus olhos caíram sobe a mesa a minha frente... completamente arrumada e organizada. Meus olhos ficaram grandes enquanto analisava aquele milagre. Como Taehyung fez isso e tão pouco tempo?    

Me coloquei de pé, caminhando ao redor daqueles papeis, agora perfeitamente separados por ordem de datas e outros dados. Alguns, tinham até anotações e observações. Tudo tão detalhado e organizado... Incrível.  

Ouvi baterem na porta do escritório e meu pequeno sorriso se desfez tentando imaginar quem poderia ser.  

- Sim...? - Perguntei, quando estava próximo o bastante da madeira que me separava e, dependendo de quem fosse, apenas ouviria uma desculpa qualquer e ficaria onde está.  

- Sou eu, Namjoon.  

Abri a porta e encarei suas covinhas, antes de pegar sua mão que me puxou para um rápido abraço. Fechei a porta, assim que ele entrou e o vi se jogar na poltrona enquanto permaneci de pé. Ele estava com um olhar divertido e sei bem o porquê.  

- Você está um trapo. - Namjoon resmungou o que eu já previa ouvir e rir baixo por isso, passando as mãos em meus cabelos já bagunçados. Sim, eu estava um lixo. - Saí agora pouco da minha sala. Soube da reunião e imaginei que ainda estivesse aqui. Está tudo bem? 

- Vai melhorar... - Suspirei, voltando a ficar sério ao lembrar do assunto.  

- Vai sim. Não tenha dúvidas disso... e, como foi com seu secretário? - ele perguntou, me fazendo encarar brevemente seus olhos antes de apenas assentir. - O cara é bom mesmo, então?  

- Bom... ao meu ver... sim - quase resmunguei, tentando não deixar claro o quanto realmente estava impressionado. - Talvez ele realmente me seja útil nesse momento.  

- Vai ser sim, quem sabe será mais do que útil - Ele suspirou, se colocando de pé e caminhando até onde eu estava com um sorriso estranho, apesar de cansado. - Vou para casa, Jin já deve estar louco com minha demora. Mas... no que precisar, estou aqui meu amigo.  

- Obrigado. Eu sei que está. - Afirmei, pegando sua mão estendida a mim e aceitando mais um de seus breves abraços antes de o ver sair porta a fora.  

Não havendo mais o que fazer, decidi ir também. Sem demoras, entrei em meu carro satisfeito por ser o último no estacionamento. Namjoon tinha razão, eu estava um trapo e desejava mais do que qualquer coisa apenas minha cama e uma perfeita noite de sono. 

Eu estava precisando. Muito.  

Ao chegar em casa, para minha sorte, tudo estava vazio e silencioso. Finalmente pude tomar um banho quente e me enrolar nas cobertas como queria, desejando que no dia seguinte eu estivesse descansado e que fosse um dia melhor.  

 

[...] 

 

- Eu queria ter ficado mais... - Taehyung resmungava com Jimin, jogado no sofá de seu apartamento, vestindo apenas uma calça de moletom, enquanto se remexia inquieto no estofado macio. - Queria ter visto a carinha linda dele feliz ao ver todo meu trabalho bem feito...  

- Sem dúvidas deve ter ficado muito satisfeito – o amigo afirmou com um pequeno sorriso, devorando seu lanche, enquanto o de Taehyung esfriava no prato. - Talvez, impressionado... seria a palavra mais adequada.  

Taehyung sorriu bobo, ficando agora quase de cabeça para baixo.  

- Sossegue e venha comer! - Jimin o obrigou e com um bico fofo ele finalmente saiu do sofá e sentou ao seu lado a mesa, pegando seu lanche e bebendo um pouco da Coca-Cola.  

- Foi tudo tão estranho... - Taehyung resmungou com a boca cheia. - Era como se voltássemos no tempo e estivéssemos novamente na faculdade. Só que... agora, ele é finalmente o CEO que tanto temia ser. - analisou mentalmente, mordendo mais um pedaço do lanche e vendo o amigo sorrir ao imaginar a situação narrada.  

- Eu disse que conseguiria ficar perto dele.  

-  Ah, Jimin... Você não imagina o quanto foi difícil! - Taehyung quase gritou, largando o lanche no prato e passando as mãos no rosto. - Ele estava tão perdido... tão triste e preocupado com tudo... - choramingou. - E... ele ficou tão gostoso naquele terno... Oh, droga...  

Jimin riu.  

- Não é engraçado. É triste. - Taehyung voltou a reclamar, pegando o lanche novamente e mordendo mais um pedaço com raiva.  

- Eu sei que é. Mas não consigo ficar sério diante disso, desculpe - se explicou. - Fique tranquilo. Só de estar próximo dele já é um grande avanço. Logo tudo vai voltar ao normal... você vai ver.  

Ambos sorriram um para o outro antes do celular de Jimin anunciar uma mensagem de Yoongi.  

- Ele é está me esperando lá em baixo. Disse que não vai poder subir para falar com você hoje, saiu agora do trabalho. Tadinho do meu bebê...  

- Tudo bem. Mande um abraço a ele. - Taehyung pediu, se colocando de pé junto dele e caminhando até aporta.  

- Vou contar a Yoon as novidades e se ele tiver alguma, te conto depois. - Jimin avisou, arrancando um sorriso do amigo quando o abraçou com carinho. - Estou feliz por você. Muito.  

- Obrigado. - Taehyung agradeceu, se separando dele ainda sorridente e o vendo caminhar para o elevador, antes de acenar e desaparecer com as portas de aço sendo fechadas. Só então entrou e fechou a porta do apartamento.  

Se sentindo cheio, guardou as coisas postas a mesa e finalmente se jogou na cama, agarrado a uma peça de roupa do amado. Aquela noite não seria tão triste como as outras, ele o vira finalmente e estivera tão perto depois de tantos dias distantes.  

Aquela chama de esperança ainda queimava forte dentro do seu coração, desejando mais do que tudo que seu amado apenas se lembrasse...  

 

[...]  

 

As horas se passaram e naquela madrugada a noite estava afim de brincar com corações partidos...  

Sem piedade, um mesmo sonho invadiu a mente dos dois amantes, se divertindo com seu consciente inconsciente. Nele, a memória viva em cada um se fez real, quando ambos adentravam afoitos ao apartamento de Taehyung, naquela madrugada após o baile, minutos depois de terem se amado a primeira vez dentro do carro de Jungkook.  

Jovens e cheios de paixão, estavam insaciáveis, transbordando de desejos guardados e presos, escondidos por dias-e-dias, em meio aquelas horas cansativas e estressantes de estudos e responsabilidades... as mãos desesperadas arrancaram cada peça de roupa às pressas sem um pingo de delicadeza deixando todo aquele momento mais quente do que já estava...  

Taehyung deu a direção do sofá, fazendo Jungkook caminhar de costas, sem deixar seus lábios desenhados um minuto sequer e assim que as panturrilhas do amado encostaram no estofado, o empurrou, fazendo com que caísse sentado.   

Com um olhar tentador, o observou ali de cima, admirando toda a beleza do corpo nu a sua frente e sendo admirado também. Jungkook era uma obra de artes e sentia que poderia gozar apenas com aquela visão. Mas esperou tempo demais para ter apenas isso, queria saciar todos os desejos, sonhos e fantasias que tivera por todos esses anos.  

Agora, ele era todo seu. Finalmente seu.  

Pondo os joelhos um em cada lado das pernas grossas do amado espalhadas no sofá, Taehyung se aproximou, juntando novamente seus lábios aos dele, sentindo suas grandes mãos acariciarem sua pele das costas descendo lentamente até a carne da bunda, onde demorou um pouco mais, finalmente a agarrando com desejo, o fazendo gemer em sua boca pela boa sensação...  

Transpirando, ainda arrolado nas cobertas, Jungkook se remexia inconsciente na cama de sua casa...  

Enquanto isso, em seus sonhos, Taehyung sentou em seu colo, o fazendo resmungar por senti-lo por inteiro, molhado e quente em seus braços... Sua língua enrolando na sua... suas mãos em seus fios, os acariciando e puxando na intensidade perfeita...  

- Ahm... Neném... - Taehyung gemeu, afundando a cabeça nos travesseiros da cama em seu apartamento, sem conseguir despertar do sono quente que estava, se contorcendo todo quando quase pode sentir o membro de Jungkook invadindo seu interior tão deliciosamente...  

Mordendo o queixo e os lábios finos do amado, Taehyung o beijava enquanto se movia com intensidade sobe ele, se excitando ainda mais com os barulhos do sofá rangendo junto das respirações ofegantes... Desesperado pela explosão de sentimentos que transpassava seu corpo inteiro, tombou a cabeça nos ombros largos e fortes de Jungkook, o ouvindo gemer quando sugou a pele do pescoço clarinho e delicado a sua frente, deixando marcas... 

- Não... - Atordoado, Jungkook resmungou, juntando as sobrancelhas quando se viu levantar com o moreno no colo, sem afastar seus corpos um centímetro sequer... se viu caminhar assim com ele para o quarto, onde o deitou na cama com delicadeza.  

- Para... - Implorou em vão ao seu subconsciente que apenas teve a visão de Taehyung completamente nu, virando sobe a cama e agora de costas, mordendo os lábios enquanto empinava o corpo...  

Travesso, o moreno sorriu ao ver a expressão do mais novo, parecendo ter um pequeno surto a provocação feita e então se pôs de lado, elevando um pouco o corpo e pegando em uma de suas mãos, o trazendo para mais um beijo quente, quando seus corpos novamente se uniram, naquela mesma posição...  

Apertando seu corpo contra o dele, trocaram mais beijos molhados antes de Taehyung serpentear uma de suas mãos pelo corpo de Jungkook, pegando seu membro quente e pondo em sua entrada. Um arrepio tomou seu corpo e fechando forte os olhos o sentiu pressionar mais, mordendo os lábios enquanto o sentia entrar bem devagar até que estivesse completamente dentro de si. Só então abriu os olhos e encarou os de Jungkook também sobe si, pequenos e pesados de prazer...  

- Mata meu desejo... - Taehyung suspirou contra seu rosto, pairando a boca entreaberta sobe a dele também da mesma forma, ainda sem se mover e ele também. - ... e fode comigo até amanhecer.  

- Ahm... - Jungkook gemeu em sua cama, sentindo seu corpo ter uma sequência infinita de calafrios quando finalmente se viu estocar inúmeras vezes contra o corpo quente do moreno maravilhoso em seus braços...  

Vencido pela tentação e a paixão, agarrou uma das pernas grossas de Taehyung, a levantando um pouco mais e indo mais fundo, acertando seu pondo principal e o fazendo alucinar de tesão...  

Ainda preso ao sonho, o moreno sorria enquanto se remexia inquieto na cama, deslizando suas mãos pelo próprio corpo... Da mesma forma inconsciente, com os olhos fortemente fechados, Jungkook se virou no colchão da cama que estava deitado, desesperado, estocando contra o travesseiro que surgiu como alivio ao seu membro completamente duro e sensível...  

Sugando a pele da orelha de Taehyung, Jungkook deslizou uma de suas mãos pelo peito forte do moreno, descendo pela barriga lisinha, antes de chegar em seu membro, o pressionando em movimentos lentos, o segurando quando o sentiu quase girar em seus braços, atordoado, perdendo o ritmo do beijo enquanto o enlouquecia com sua mão, sem parar de se movimentar dentro de si.  

- Taehyung...  

- Jungkook... 

Apenas a Lua era testemunha desses sussurros desesperados, enquanto gemiam o nome um do outro na calada da noite. E dessa mesma forma, se desmancharam entre as cobertas, despertando ambos atordoados e soados...  

Era uma pena a felicidade transbordar em um, enquanto a confusão e angustia tomava o outro...  

Para ambos, a noite ainda seria muito longa... 

 

[...]  

 

- Estou indo. - Namjoon dizia ao namorado, deixando um beijo rápido em seus lábios, enquanto terminava de pegar as coisas para o trabalho. - As coisas estão meio agitadas na empresa, então... é provável que eu demore a chegar outra vez.  

- Ok. - Jin resmungou, sem dar muita atenção ao que o moreno dizia, sem parar de comer sua refeição, lendo algo no celular.  

- Isso quer dizer que... não precisa ir a empresa mais uma vez por causa disso. - Namjoon completou, pegando por fim as chaves e ignorando o olhar mortal que recebeu.  

- A empresa é da minha família, caso não se lembre e até onde sei sou muito bem vindo lá. - Magoado, Jin o respondeu. - Ou... existe um motivo em especial para que me diga isso?  

- Não me leve a mal, meu bem. - Namjoon pediu, se aproximando dele novamente, mas o viu voltar a atenção ao celular apenas de birra. - Eu só... não acho muito legal para mim que venha ao trabalho sempre que eu me atrasar.  

Deixou outro beijo nos lábios bicudos do namorado.  

- Ei... Não zanga comigo. Eu te amo. - Resmungou o beijando mais uma vez. - Ouviu?  

- Sim. - Finalmente o respondeu, enfraquecendo ao sentir cócegas dos beijos agora em seu pescoço. Seu sorriso o fez sorrir e parecendo melhor o viu sair porta a fora.  

Ele decidiu não contar ter visto Taehyung na empresa. Lógico que sabia não ser um segredo a presença dele lá. Sem dúvidas algo estava acontecendo. Mas deu de ombros. Não tinha intenção alguma com essa informação.  

Mesmo assim, não deixou de ficar magoado com o pedido do namorado para que ficasse longe da empresa e por isso fechou o sorriso ao pensar os motivos de tudo isso. Ao mesmo tempo, sentia que não deveria ficar chateado com atitudes como essas ao seu redor e os cuidados que estavam tendo. Sabia que a culpa era toda sua.  

Queria apenas ignorar. Mas ainda doía...  

 

[...] 

 

Taehyung 

 

Eu estava radiante aquela manhã. Aquela noite de sonhos e memorias foram tudo o que eu precisava para renovar minhas forças...  

Me levantei cedo e escolhi um conjunto de roupas que combinavam bem com meu humor... uma calça azul marinho, junto de uma blusa branca de tecido fino que realçavam as curvas do meu corpo. Sorri ao lembrar dos dias na faculdade, quando planejava com cuidado cada peça que usaria para me infiltrar na mente de Jungkook e o enlouquecer.  

Bom... dessa vez não estou muito diferente disso e a intenção voltou a ser a mesma. 

Cheguei mais cedo do que pretendia e a empresa estava começando a ficar movimentada. Bati na porta e não obtendo respostas apenas entrei a encontrando vazia.  Caminhei até a outra sala e fiz o mesmo, vendo que realmente meu neném ainda não havia chegado.  

Quando retornei ao meu lugar, pretendendo iniciar algum serviço enquanto o aguardava, me assustei ao dar de cara com Kaio e ele comigo. Os muitos papeis em suas mãos foram para o chão e passei as mãos no rosto quando vi desesperado para recolhe-los.  

- O que você tem, menino? Porque não bateu? - Resmunguei o ajudando. 

- Me desculpe, sr. Kim, é que... o sr. Jeon não estava então eu pensei que a sala ainda estivesse vazia e...  

- Tudo bem - o cortei, colocando os papeis sobre a mesa. - O que é isso tudo?  

- São relatórios que o Sr. Jeon pediu. - Ele explicou, fazendo o mesmo que eu ao deixar os papeis que pegou no mesmo lugar. - Tem muito mais de onde veio esses daí...  

Eu o escutava distraindo, analisando as informações em alguns daqueles papais...  

- Já volto, sr. Kim – o ouvi anunciar, um pouco ofegante, caminhando até a porta e parando ao direcionar seus olhos novamente a mim. - O sr. deseja alguma coisa?   

- Não, Kaio. Obrigado por perguntar. 

E então, me lembrei de algo importante e olhei para ele, já quase do outro lado da porta.  

- Kaio... - o chamei. 

- Sim? - ele perguntou, voltando para dentro da sala e fechando a porta.  

- Gostaria de te pedir algo importante...  

- Sim, o sr. Kim, pode pedir o que desejar.  

- Não conte a ninguém sobre o que te contei... sobre Jungkook e o café. - Pedi, o vendo piscar os olhos algumas vezes, confuso, antes de apenas assentir. - Não pegaria muito bem para mim, sabe... saber coisas bobas sobre o chefe...   

- Tudo bem sr., como quiser.  

Ele me pareceu sincero e enquanto voltava a caminhar para a porta, tive uma curiosidade...   

- A propósito... o que serviu a ele? 

O vi parar, segurando a maçaneta e então seus olhos ficaram grandes, parecendo pensar no que diria? Um sorriso sem jeito surgiu em seus lábios antes de quase sussurrar... 

- Bom... na cozinha... havia uma garrafa de bebida muito bonita...  

Coloquei meus longos dedos sobre os olhos, segurando uma risada que subiu minha garganta, enquanto ele continuou.  

- ... havia chocolate nos ingredientes e... não sei... parecia ser bom. Mas era bebida de adulto! Tenho certeza que era! 

 - Você bebeu?! - Perguntei preocupado, tirando a mão dos olhos para encarar seu rosto completamente vermelho.   

- Não! Não, senhor! Eu... eu li o rótulo e vi que era bebida alcoólica... - ele explicava desesperado, caminhando para perto de mim com os olhos quase saindo do rosto. - Eu... fiz errado? Ele vai brigar comigo por isso, não é? Estou despedido...  

- Não Kaio...  

- É que, minha mãe toma coisas assim quando está estressada e sabe... o Sr. Jeon estava parecendo estar muito nervoso, então eu pensei: se ele não bebe café e está assim... 

- Kaio, fique calmo – pedi, o fazendo se calar e olhar para meus olhos. - Ele não vai te mandar embora por isso. 

- Tem certeza? Eu deveria ter te consultado primeiro antes de...  

- Seria um grande problema para a empresa se te vissem mexendo em algo assim, então, não faça mais isso. - Ele assentiu. - Eu compreendo seu modo de pensar, mas, na dúvida, sirva água.  

Sorri pequeno e ele respirou fundo. Sua cor foi voltando ao normal e após assentir mais uma vez, caminhou para fora da sala.  

Quando a porta se fechou pude rir baixinho porquê... foi hilário... Imaginei a cara de Jungkook quando percebeu o que seu estagiário havia o entregado...  

Mas ao me lembrar de suas palavras, contando como meu neném estava péssimo naquela reunião, meu sorriso morreu. Eu queria tanto ter o ajudado... Espero que amenos tenha tido uma boa noite de sono e que assim esteja renovado para que possamos juntos resolver essa situação, seja qual for. E... principalmente para que eu possa me aproximar também...  

Quando olhei meu relógio me preocupei ainda mais ao ver que estava atrasado outra vez e tive dois segundos para disfarçar quando a porta foi aberta e dessa vez não era Kaio, mas finalmente meu neném, com a roupa amarrotada, o cabelo meio bagunçado, com os fios rebeldes e olheiras escuras.  

Meu coração doeu e tenho certeza que não consegui disfarçar o bico que se formou em meus lábios quando sussurrei um “bom dia, sr. Jeon antes de ele assentir de qualquer maneira e sumir na segunda sala, fechando a porta.  

Me estiquei na cadeira, passando a mão no meu cabelo e mordendo o canto dos lábios enquanto me perguntava o que estava o deixando daquela forma. Ele estaria passando mal e não conseguindo dormir bem a noite? Não era uma opção descartada já que teve serias sequelas depois do acidente... Ainda estava se recuperando. Quem sabe, tinha dores...?  

Inquieto e preocupado, batia freneticamente meus pés no chão esperando que ele finalmente saísse da sala e viesse falar comigo. Eu aceitaria qualquer coisa vinda dele naquele momento... trabalhos, elogios ou até esporros por algo que não fiz, mas apenas queria vê-lo com mais calma, dizer algo que o fizesse sentir melhor...? Qualquer coisa.  

Quase meia hora se passou e nada dele e quando me levantei decido a bater em sua porta e me aproximar de qualquer maneira a porta da minha sala foi aberta e avistei Kaio adentrar mais afobado que o normal, carregando um celular nas mãos. 

- Sr. Jeon chegou? - ele perguntou enquanto se aproximava. Fiz que sim com a cabeça e ele então bateu na porta do escritório de Jungkook.  

Me sentei novamente na cadeira frente a mesa e observei o jovem entrar, fechando a porta em seguida. Batuquei meus dedos na madeira a minha frente e me levantei olhando para os lados antes de encostar meu ouvido na porta.  

- Me pediram para te entregar esse celular – ouvi Kaio dizer. - É alguém importante.  

Juntei minhas sobrancelhas me perguntando quem seria. Um grande silêncio veio logo depois, me deixando mais curioso ainda.   

- Quem fala? - Ouvi Jungkook perguntar com a voz séria. - [...] Porque não ligou para meu celular? [...] - Ah... Sim, esqueci que estou com outro...  

Com quem ele está falando? E porque está com outro celular?  

- Tudo bem. Pode ser no lugar de sempre. [...] Ok. Até mais.  

Me afastei rapidamente da porta quando ouvi passos e quando me sentei novamente na cadeira a porta se abriu. Kaio saiu primeiro de lá e me cosei de curiosidade para saber ao menos de quem era o celular, mas não poderia o perguntar, Jungkook poderia sair da sala e me ouvir.  

Enquanto o observava caminhar para a porta, estiquei meu pescoço, tentando analisar o aparelho em suas pequenas mãos, mas me ajeitei rapidamente na cadeira quando a porta se abriu novamente e meu neném saiu de lá, parando próximo a mim.   

Levantei meus olhos sentindo meu corpo tencionar ao encontrar os dele. As lembranças dos sonhos me invadiram e senti minha pele arrepiar de saudade...   

- Venha a minha sala, por favor - ele pediu e não demorei a segui-lo. - Preciso sair agora e gostaria que faça umas coisas enquanto isso.  

- O que quiser. -  Suspirei fraco, pigarreando quando vi que engoliu a saliva com dificuldade, antes de caminhar até frente a mesa de seu escritório, observando os papeis que Kaio trouxe mais cedo, agora ao lado dos que organizei.  

- Ontem... tivemos uma reunião importante, como já sabe e... algo não está certo na empresa – o ouvi suspirar, antes de continuar. - Pedi que me trouxessem todos esses relatórios de diversos movimentos dentro e fora da empresa e... preciso que dê uma olhada em cada um deles.  

Me aproximei, pegando algumas das folhas e dando uma olhada, como na primeira vez...  

- Eu... nem sei por onde começar com esse problema, então... faça o que for ao seu alcance – pediu, passando os dedos longos na testa. - Sei que é muita coisa para ver e não desejo faça horas extras por causa disso...   

- Não se preocupe com meus horários, sr. Jeon – deixando as folhas no lugar o respondi, me virando em sua direção e encarando seus olhos escuros e cansados. - ... já disse que estou disponível para o que precisar.  

Como nas épocas de faculdades o vi desviar o olhar para qualquer outro canto, intimidado pelos meus, cheios de desejos... O observei caminhar até o cabideiro no canto da sala e foi minha vez de passar sufoco quando apenas o observei pôr o terno por cima da blusa social que vestia, vendo cada linha das suas costas largas, enquanto se movia...  

-  Não me espere. Não tenho hora para voltar. - Ele avisou, fazendo meu coração inseguro se apertar. - Quando der seu horário, pode ir.  

Agora com olhos tristes o observei caminhar para fora da sala, fechando a porta atrás de si e me deixando sozinho com aqueles papeis. Meu coração calejado estava preocupado com essa ligação... com quem ele estava indo se encontrar? 


Notas Finais


"Estou perdida tentando encontrar o motivo que nasci e te conheci.
Lágrimas congeladas, os sonhos abandonados dão luz à outras feridas
Onde está o fim dessa estação?

Vou ficar ao seu lado
Até você sobreviver...
Vou esperar que você floresça
Aguente firme, aguente firme...

Eu nunca esqueço o seu calor
Eu estarei ao seu lado...
(Fique)
Eu estou com você.

Winter Flower - Younha (feat. RM)


>>>>>>>>>>> https://www.youtube.com/watch?v=lZumx70VjU4


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