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História Remendos -Fillie - Capítulo 18


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Notas do Autor


Gente eu sumi eu sei. Eu fiquei doente esses dias e como o capítulo ficou bem grande eu passei cada dia escrevendo um pouco dele, por isso demorei. A partir de hoje acho que volto a postar normal, pelo menos um a cada dia.

Boa leitura ❤️

Capítulo 18 - Capítulo 17


-Você quer chegar atrasada na aula garota? Levanta daí! -O grito de Sadie me despertou com um susto, ela estava parada na frente da minha cama, totalmente produzida no seu lindo vestido cor de rosa e seus cabelos totalmente alinhados em um rabo de cavalo alto.

Eu me sentei abruptamente.

-Que horas são? 

-Faltam quinze minutos. -Ela respondeu enquanto saía do quarto parecendo mal humorada.

Arregalei os olhos e corri para o banheiro, não dormia tanto assim desde.. nem sei, eu nunca dormia demais. Depois de só me molhar e escovar os dentes, voltei para o quarto e vesti uma calça jeans, uma camisa verde meio desbotada que foi a primeira que encontrei e penteei o cabelo. Peguei meu casaco e minha bolsa e desci rapidamente as escadas, encontrando Sadie esperando dentro do carro. Ela virou o volante com um resmungo assim que entrei e saiu em disparada.

-Voce está zangada comigo? -Não contive a pergunta, observando a carranca dela enquanto dirigia.

Sadie olhou para mim no mesmo segundo e respondeu

-Não. Claro que não.

-Então por que está assim? Com essa cara? Pensei que a noite ontem com o Caleb tinha sido boa.

Ela voltou a olhar para frente e pigarreou.

-Não era o Caleb.

Fiquei alguns minutos em silêncio percebendo minha indiscrição.

-Desculpa eu pensei que...

-É pois é. Não tenho nada com ele e é assim que tem que ser. -Ela me interrompeu, encerrando o assunto.

Fiz que sim com a cabeça e virei o rosto para encarar a estrada, a mensagem anônima voltou aos meus pensamentos então peguei o celular e verifiquei se havia alguma outra, mas a única mensagem recebida mais cedo foi de Paige me desejando bom dia. 

Algumas ruas depois, dirigindo a toda velocidade Sadie parou o carro no estacionamento da PSU ainda em silêncio e nós duas saímos correndo em seguida, não havia quase ninguém pelos corredores nem mesmo no refeitório. Subi as escadas para o segundo andar e apenas entrei na minha sala, ela estava escura porque o projetor já estava ligado, então eu fechei a porta rapidamente para não atrapalhar Elizabeth, mesmo assim todos os alunos se viraram para ver quem tinha entrado. Engoli em seco com a exposição e saí pelo canto procurando algum lugar vazio em meio a sala lotada. Quando cruzei uma fila de cadeiras Jacob fez sinal com a mão para mim, mostrando um lugar vazio ao seu lado. Me senti aliviada e me espremi até chegar e me sentar.

-O que houve? Você nunca se atrasa.-Ele perguntou num sussurro.

-Eu sei.. bem, acho que dormi demais. -Respondi retirando meu bloco de notas da bolsa.

Ergui a cabeça quase como um ato reflexo para procurar o Finn e meus olhos foram diretamente atraídos para o outro lado da sala, ele estava sentado todo torto, olhando para mim com uma carranca de raiva, percebi que a cadeira ao seu lado estava ocupada somente com sua mochila, ele fez sinal com a cabeça indicando o lugar, mas eu disfarçadamente fiz que não com a cabeça. Virei o rosto mas sei que ele provavelmente praguejou ou gruniu em reação a minha recusa. O que ele queria? Que eu me levantasse e fosse correndo no meio de todo mundo pra ficar ao seu lado? Era óbvio que sim.

Confesso que fiquei feliz de ver que a Iris não estava lá, nem parecia estar na aula, mesmo assim era cedo demais para essa aproximação porque eu nem se quer tinha uma resposta ainda.

Fiz um grande esforço para parar de pensar sobre isso e me concentrei somente nos cálculos e nos slides da aula.

-Eu trouxe um uniforme pra você. -Jacob interrompeu minha concentração no meio da aula e apontou para a mochila em seu colo. -Era o menor que tinha, então acho que deve ficar bom.

Fiz que sim com a cabeça e não pude deixar de sorrir com a sua gentileza de achar que eu vestia o menor numero. Vez ou outra eu olhava na direção do Finn e encontrava seus olhos ainda em mim, nenhum sorriso, ele apenas mexia a cabeça negativamente enquanto suas pernas tremiam, um gesto que tomei como puro ciúmes.

Depois de muitos cálculos e um breve debate sobre materias biodegradáveis, Elizabeth encerrou a aula. Me levantei guardando tudo na bolsa, conferindo o celular que havia vibrado a um certo tempo no meu bolso. Havia uma nova mensagem.

Passa no almoxarifado no final do corredor da coordenação antes de ir pra biblioteca.

F.

A mensagem de Finn era mais uma ordem do que um pedido, guardei o celular na bolsa e torci as mãos uma na outra sabendo o que estava por vir. Quando metade da turma já havia saído, Jacob me acompanhou até a porta.

-Vamos almoçar primeiro? -Ele perguntou já indo na direção do refeitório.

-Ham, sim. Só tenho que ir ao banheiro antes, você pode ir na frente, nos encontramos depois. -Menti, parando de andar.

-Beleza. Não demora, hoje vai estar lotado. -Ele sorriu e saiu seguindo o caminho em que já estava.

Esperei que ele se afastasse o suficiente para desviar e subir outro lance de escadas até o corredor da coordenação. Os professores estavam todos descendo por conta do horário de almoço, passei por Guzman com seu terno azul habitual, ele apenas sorriu, agradeci por ser uma boa aluna e não levantar suspeitas andando pela área destinada apenas aos professores e reitoria.

Quando cheguei no corredor cheio de portas perpendiculares de vidro, finalmente o caminho estava vazio, sai em busca da tal sala que Finn havia falado mas ela parecia ser uma das últimas. Continuei seguindo até sentir uma mão fria envolver meu braço, me fazendo virar o rosto.

-Podemos conversar Millie? -A voz de Iris assim como sua imagem era a única coisa que eu não queria ouvir ou ver.

Ela estava impecável como sempre, usando uma calça flare jeans e um suéter vinho, realçando os cabelos loiros e os olhos azuis vivos, apesar de parecer normal era possível sentir a aspereza em suas palavras. Eu não podia deixar de conter o frio na espinha que me correu. Olhei para o meu braço onde ela segurava e com um impulso o puxei de volta.

-Estou ocupada. -Respondi, mas a minha voz falhada entregou que era mentira, apesar de não ser exatamente.

Iris cruzou os braços irredutível.

-Não vai demorar. -Ela garantiu, olhando de um lado para o outro. -Eu só quero esclarecer umas coisas.

Eu gelei. Só havia um assunto pelo qual ela poderia estar se referindo e eu com absoluta certeza não queria falar sobre.

-Tipo o que? -Eu fingi não saber, cruzando os braços também.

Ela riu de mim, mas depois ficou séria.

-Vamos parar com esse joguinho. Você sabe muito bem que eu já sei que o Finn está com você.

Engoli em seco, apesar de saber que era isso eu não estava preparada para ouvi-la ser tão direta.

-Sabe... No começo, quando eu percebi que tinha outra pessoa confesso que você não estava nem no top cem de suspeitas... Até aquele dia no acampamento. -Ela olhou para o lado, como se estivesse lembrando. Eu continuei fitando-a, tentando controlar o espasmo da minha perna. -Nossa.. a forma como ele gritou comigo pra defender você, e depois quando ele saiu correndo pro pai dele, ele realmente parecia disposto a tudo. -Ela concluiu olhando para mim, dos pés a cabeça o julgamento evidente em seus olhos.

Soltei um pigarro desconfortável.

-Edai? -Resmunguei fingindo pouco interesse, acontece que o pouco que eu conhecia dela era o suficiente para não confiar e saber que ela não dava ponto sem nó, como no acampamento, quando ele fez um joguinho idiota para ver como ele reagiria.

-Edai que não pude deixar de notar a semelhança.. ele deve ter te contado que pra namorar comigo ele teve que fazer basicamente a mesma coisa, enfrentar o pai dele, o meu, o mundo todo pra poder ficar comigo. -Ela disse, de forma simples como se tivesse realmente convencida de que era a mesma coisa. Porque eu não pensei?

-Eu não tenho nada a ver com a história de vocês. -Respondi da forma mais evasiva possível, passando o peso de uma perna para outra, outro sinal de que meu corpo estava rejeitando minhas palavras.

Ela riu jogando a cabeça para trás como se fosse algo realmente engraçado.

-Ai Millie... você é realmente muito ingênua...-Ela limpou uma lágrima falsa no canto do olho ainda sorrindo de forma sarcástica. - Você não vê que é exatamente o que vai acontecer com você? Ele vai fazer a mesma coisa quando perceber que não pode tirar muita coisa de você.

Eu recuei um passo para trás, sentindo que ela se referia a algo em específico que eu não estava querendo acreditar. Ela estava insinuando que ele estava querendo me usar?

-O que você quer dizer com isso?

-O que eu acabei de dizer! -Ela praticamente berrou, cerrando os dentes como um animal raivoso, mudando sua feição anterior. -Eu vou assistir a tudo, e um dia você vai se arrepender de não ter me escutado. Não pense que eu sou só um garota mimada e egocêntrica que não sabe lutar pelo que é meu. -Ela avançou, me fazendo recuar ainda mais. -E ele é meu, não pense que isso acabou porque ele escolheu você agora, o Finn vai voltar, e eu vou rir quando ele passar por cima de você no meio do caminho.

Meus olhos começaram a arder mas eu controlei a vontade de chorar, ela falava com tanta certeza, como se realmente soubesse que era exatamente isso que ia acontecer. Era um aviso.

-Foi você não foi? Que me mandou uma mensagem anônima ontem? -Eu perguntei, a minha coragem vindo a tona pela primeira vez.

Iris cerrou os olhos confusa e se afastou.

-Nao sei se deu pra notar mas quando eu quero falar uma coisa eu simplesmente faço. -Ela disse rispidamente. Isso fazia sentido, porque ela mandaria aquilo pra depois vir falar comigo?

-Millie? -A voz grave de Finn ecoou nos meus ouvidos fazendo meu pensamento se dispersar.

Virei o rosto e o vi se aproximar vindo do final do corredor, seu rosto estava contorsido de raiva, mas ele não olhava para mim.

-O que você está fazendo aqui? -Ele perguntou quando se aproximou, me puxando para ficar atrás de si. Eu larguei meu braço atordoada.

-Perfeito! Chegou quem faltava, pena que eu já estava indo embora. -Iris respondeu rindo enquanto me encarava por cima do ombro dele.

-Otimo, e está esperando o que ?

Ela finalmente olhou para ele, seu rosto levando uma expressão de desprezo, e saiu, jogando os cabelos loiros para trás,como se não tivesse jogado uma bomba quilométrica em cima de mim.

-O que ela queria? Ela te falou alguma coisa? -Finn se virou abruptamente e deu alguns passos na minha direção.

Ele vai passar por cima de você no meio do caminho

Eu o encarei, tentando ver em seus olhos se ele seria realmente capaz de fazer aquilo, me usar e me jogar fora depois, foi isso que ele fez com ela? Finn se aproximou ainda mais me pegando de surpresa com um abraço protetor.

-Millie, você tem que me falar o que ela disse... Anda, fala comigo.

Me mexi em seus braços e recuei um passo, ele me soltou mas seu rosto pareceu imensamente carregado de preocupação.

-Ela não disse nada. Porque está tão preocupado com essa possibilidade? Ainda tem algo que eu não sei? -Perguntei sendo tomada pelo sentimento sofrível e tão familiar de desconfiança.

Ele mexeu nos cabelos e olhou de um lado para o outro.

-Não. Não é isso, mas ela pode inventar alguma coisa. É por isso que eu preciso que confie em mim. -Ele pediu, como se fosse a coisa mais fácil do mundo.

Eu exalei uma grande quantidade de ar pela boca, me sentindo extremamente cansada enquanto minha mente fervilhava.

-Ela não vai desistir... Ela deixou bem claro que quer você.

-Não tem a mínima importância. Eu não quero ela, quero você e você sabe disso. -Ele juntou as mãos, implorando para que eu acreditasse.

Um misto de sensações me invadiu, entre elas o medo inevitável de me envolver naquilo a ponto de sofrer as mais terríveis consequências só crescia, ela já havia constatado nosso fim, e eu ainda nem sequer havia começado.

-O que você está pensando? Porque não fala comigo? -Ele interrompeu meus pensamentos, pegando nos meus braços.

-Eu não sei... -Balancei a cabeça. -Eu estou muito confusa.

Ele encostou minha cabeça em seu peito, enquanto beijava o topo da minha cabeça.

-Eu sei. Desculpa envolver você nisso. -Finn fez uma longa pausa. -É por isso que você tem que ficar comigo, separados nós somos fracos, ela vai envenenar sua cabeça e fazer com que desista. -Ele pegou minha cabeça com as mãos me fazendo encará-lo. -Juntos nós podemos enfrentar tudo isso.

Eu estava com um pressentimento de que ele não estava falando somente da Iris, o que elevava meu medo para outro patamar, eu sei que poderia vir muito mais depois. A pergunta é: eu realmente estava disposta a entrar nisso? A me envolver não só com ele, mas com essa história sórdida e confusa entre ele e a família? Julgando pelo meu estado atual depois de ser encurralada por Iris eu sabia que não.

-Eu ainda não tenho uma resposta. Isso.. eu não entendo nada, queria ficar com você e só, mas parece que sempre tem mais alguma coisa, não sei se eu sou capaz de lidar com tudo isso. -Conclui, sentindo meus olhos se encherem de lágrimas. Ficar com ele significava aceitar e lidar com mil e um problemas que viriam juntos no pacote. Porque tinha que ser tão complicado?

Ele passou os dedos pelo canto do meu rosto.

-Eu sei que parece muita coisa agora, mas eu prometo que tudo vai se resolver... Me diz que isso não te fez mudar de ideia, me diz que isso não diminuiu as chances do meu sim.

Eu segurei suas mãos que ainda estavam no meu rosto, tentando ao menos tranquiliza-lo, apesar de tudo, não era culpa dele. Eu acho.

-Preciso de mais tempo. -Pedi.

Ele olhou novamente de um lado para o outro e beijou minha testa.

-Tudo bem. Vem pra minha casa comigo.

Eu dei um passo para trás.

-Não! Você não me ouviu? Eu acabei de dizer que preciso de mais tempo!

Ele riu de forma leve e natural, algo que fez meu coração se acalmar um pouco.

-Você é muito nervosinha. Só quero te fazer uma surpresa.-Ele afastou uma mecha do meu cabelo. -Vem anda, deixa de ser tão ranzinza, eu juro que vou me comportar e não vou te perguntar a cada minuto se já tem uma resposta.

Eu revirei os olhos mas sorri em seguida, era impossível controlar.

-Nós temos que voltar pra biblioteca e mais tarde é meu primeiro dia no restaurante e..

Ele me silenciou com o dedo nos meus lábios.

-Você disse que eu poderia te levar, além disso é bem mais fácil se formos da minha casa.

Fiz um maneio com a cabeça, era um convite tentador passar uma tarde com ele e o que ele quis dizer com "surpresa"? Torci internamente para que cantasse de novo.

-Pode ser... Mas agora nós vamos voltar pra biblioteca, e isso não está em discussão.

Ele riu e segurou minha mão.

-Você é bem mandona sabia?

-Você não viu nada ainda.

-Assim espero.

Ele me agarrou pela cintura enquanto deciamos as escadas mas eu o empurrei quando algumas pessoas começaram a surgir no meu campo de visão. Eu ainda queria aceitar seu pedido, e jurei realmente pensar no assunto sem decidir com base nos últimos minutos, mas isso não queria dizer que iria ser fácil esquecer tudo o que Iris disse, nem a mensagem, nem a minha vontade de descobrir tudo sobre ele, coisa que percebi que iria ser aos poucos, mas se ele gostava de mim o quanto parecia, talvez fosse mais fácil se abrir de verdade com o tempo.

Paramos em frente a porta de vidro da biblioteca e eu tentei agir naturalmente, mesmo me sentindo acuada pela sua presença, a parte mais difícil disso era fingir que não sentia nada por ele para as outras pessoas, mas era necessário para que eu pudesse executar tudo o que tinha em mente. Ele entendeu minha hesitação e deu um passo para trás, entrando somente alguns segundos depois de mim. A biblioteca estava vazia exceto por alguns alunos mexendo nas prateleiras.

Dei a volta em algumas mesas até chegar ao final da sala, onde nós costumávamos ficar, ocupando a maior mesa do lugar. Ele me seguiu e puxou uma cadeira para que eu me sentasse.

-Não somos namorados mas eu sou um cavalheiro nato. -Ele sorriu enquanto eu me sentava. -E eu espero ter uma resposta ainda hoje.

Revirei os olhos enquanto ele sentava ao meu lado.

-Vai ser quando eu quiser. Não sei se não deu pra notar mas você não manda em mim.

Antes que ele respondesse a porta se abriu e Jacob entrou, acompanhado de Wilson que carregava dois tubos pendurados nos ombros.

Jacob franziu o cenho de surpresa ao me encontrar sozinha com Finn, eu peguei algumas anotações na bolsa para disfarçar.

-Achei que fosse almoçar. -Ele disse ao chegar e puxar a outra cadeira ao meu lado.

-Vou deixar pra comer em casa. Vocês estão com o projeto que fizemos naquele dia? -Perguntei oscilando entre Jacob e Wilson que sentou na minha frente, dando um soquinho no punho de Finn no ar.

-Pode ter certeza. -Ele arremessou os tubos na mesa de forma desajeitada.

Comecei a desembrulhar o papel De dentro.

-Então você vai deixar pra comer em casa. Na minha casa, você quer dizer. -Finn sussurrou baixinho no meu ouvido, perto o bastante para que só eu ouvisse.

Um arrepio correu em meu corpo, e eu balancei a cabeça discretamente.

-Posso deixar você em casa, sabe, você ainda tem que experimentar a roupa. -Jacob olhou para mim enquanto apontava para sua bolsa.

Por baixo da mesa senti o joelho de Finn começar a tremer.

-Não precisa. Eu experimento antes de ir. -Respondi educadamente e Jacob deu de ombros, abrindo o outro tubo.

-Você já fez a lista Brown? Acho que podemos montar a maquete ainda nessa semana.

Wilson começou a desenrolar o papel do projeto, espalhando-o em cima da mesa. Puxei meu bloco de notas onde havia anotado tudo mais cedo e lhe entreguei.

-É acho que dá sim. Podemos comprar tudo amanhã. -Ele constatou satisfeito.

-Acho que alguém está ansioso demais por isso, tem certeza de que está tudo bem Will? -Finn brincou, esticando o braço para tocar a testa de Wilson que a afastou com um safanão.

-Isso vai salvar meu ano... Se eu não passar adeus mesadinha. -Eles dois riram.

Jacob apenas balançou a cabeça negativamente.

-Certo rapazes. Podemos comprar amanhã e fazer na quinta ou na sexta. -Eu os interrompi gesticulando com os braços. -Pro solo eu pensei em argila, podemos pintar um céu azul com glitter e usar algum tipo de material reciclado como plástico endurecido para simular a madeira, e outras partes sobressalentes. -Expliquei, apontando para o desenho, indicando o que estava falando.- Sobre a outra maquete eu faço questão de fazer o projeto e comprar os materiais sozinha, vocês já estão contribuindo muito e como agora eu consegui um emprego quero fazer algo também....

-E você Finn? Já reservou sua parte? -Jacob me interrompeu, olhando para a direção de Finn, realmente bem incomodado. Eu gelei.

-Agora não Jake. -Eu atropelei as palavras antes que Finn pudesse dizer alguma coisa, com um medo evidente de sua reação.

-Agora não o que? Todo mundo ajudou em algum ponto, ele não fez nada, mal aparece na aula e sinceramente isso de você defende-lo sem nenhuma razão está ficando chato. -Jacob vociferou, esticando as palmas na mesa grande.

-O que você disse? -Finn se levantou ao meu lado, empurrando a mesa com força fazendo a madeira ranger sobre o chão.

Eu me levantei também para impedi-lo de avançar.

-Você ouviu muito bem o que eu disse. Estou a um passo de te denunciar pro Guzman pra te tirar de vez desse trabalho.

Jacob se levantou também, cuspindo as palavras de forma ácida e convicta. Ai não, de novo não. Finn rugiu atrás de mim, deu passo mas foi bloqueado pelo meu corpo.

-Por favor, não. -Eu pedi, segurando seu punho com força, ele relaxou um pouco mais mas ainda estava com um olhar raivoso. -Ele vai contribuir Jacob, e você não pode tirá-lo do trabalho sem consultar o resto da equipe. -Me virei para encara-lo, enquanto ainda segurava a mão de Finn nas minhas costas.

Jacob sorriu sarcasticamente, parecendo incrédulo.

-Qual é Millie, você mais do que ninguém está dando tudo de si por isso, porque agora você vai deixar que ele estrague tudo?

Engoli em seco, incapaz de falar algo que soasse convincente.

-Relaxa gente. Não vamos brigar por isso. -Wilson disse calmamente enquanto guardava o projeto no tubo. Agradeci sua intromissão que me poupou de falar mais alguma coisa.

-Que seja. -Jacob gruniu, pegando sua mochila, tirando um pacote de dentro. -É o seu uniforme. Nos vemos mais tarde, tenho que sair.

Ele virou as costas e saiu pisando duro atravessando a biblioteca vazia batendo a porta de vidro. Só depois disso eu consegui voltar a respirar. Essa cena se repetiu de novo e eu não acreditava, estava tudo bem até os dois voltarem a agir que nem criança. Porque sempre estou tentando separar brigas?

-Da próxima vez não me impessa de arrebentar a cara de alguém quando eu quiser fazer isso. -Finn falou entredentes puxando sua mão do meu aperto com ignorância, fazendo com que eu me assustasse pela forma mortal como ele encarava a porta.

-Não sei o que tá rolando aqui, e sinceramente não é da minha conta mas espero que não atrapalhe o andamento do nosso trabalho. Eu falei sério quando disse que preciso dessa nota. -Wilson disse, com cautela, olhando para mim como se fosse minha culpa.

Porque eu estava sendo responsabilizada por isso? Pior, porque todo mundo parecia preocupado com o trabalho enquanto eu parecia estar sempre só segurando as rédias deles dois? Me odiei ao constatar que eu tinha invertido minhas prioridades.

-Vamos. -Finn me tirou dos meus pensamentos, pegando no meu braço, parecendo um pouco mais contido.

Me afastei por impulso causado pela aversão a situação que se repetia na minha mente, voltando a me sentar na cadeira.

-Nós ainda não terminamos.

-Ah eu acho que terminamos sim. -Ele insistiu. Eu olhei furiosa.

-Tudo bem Brown, não dá pra continuar sem o Jacob. -Wilson disse se levantando da cadeira, recolocando os tubos de volta nos ombros. -Podemos ir amanhã a tarde comprar os materiais? Umas duas horas talvez?

Fiz que sim com a cabeça. Ele deu um soquinho novamente no punho de Finn e partiu em direção a saída.

-Agora nós podemos ir? -Finn esticou a mão para tocar a minha.

-Eu odeio isso. Tudo isso. -Gruni afastando sua mão. -Isso entre você e o Jacob tem que acabar, vocês dois estão arruinando tudo.

Finn exalou ar e sentou ao meu lado.

-Nós dois não é? Então porque você só briga comigo? Foi ele quem começou.

-Eu não quero saber! Você não tem um pingo de controle, se eu não tivesse te impedido sabe-se lá o que teria acontecido.

-Teria acontecido o que deveria, ele levar um soco bem dado nas fuças. -Ele fechou a mão em punho.

-É exatamente disso que eu estou falando, Voce não pode resolver tudo desse jeito, ele estava preocupado com o trabalho e isso é bem compreensível.

-Então você concorda com ele? Beleza Millie, vai lá, pede pra me tirar da sua equipe e aproveita e fica com o Jacob logo de uma vez, não é isso o que você quer? -Ele me encarou, furioso, seu rosto em conflito com duas próprias palavras.

Juntei todas as minhas coisas em cima da mesa e coloquei na bolsa, me virando para ele em seguida, não podia acreditar no que tinha acabado de ouvir.

-Eu acabei de defender você. Não acredito que possa achar que eu quero ficar com ele, depois de tudo o que aconteceu hoje você não tem esse direito. É por isso que nunca vamos dar certo juntos, não se passa uma hora se quer sem que tenhamos que brigar e eu estou cansada disso.

Virei de costas e comecei a andar, precisando ficar o máximo possível longe dele. Claro que Finn se levantou em seguida, começando a me seguir através do corredor.

-Não faz isso Millie. Você não pode fugir de mim pra sempre. Vem comigo, você disse que iria pro meu apartamento. -Ele gritou, fazendo com que alguns alunos que zanzavam pelo corredor estreitassem os olhos para nos olhar.

Eu não respondi. De repente em um salto, ele pareceu na minha frente trombando a minha passagem.

-Fala comigo! -Ele agarrou meus ombros me olhando como se estivesse prestes a fazer um escândalo ainda maior se eu não lhe desse atenção. -Se você tivesse aceitado ser minha namorada tudo isso poderia ter sido evitado. Ele largaria do seu pé se visse que não tem a menor chance com você... Você sabe muito bem que só tem uma maneira de ser feliz e é comigo!

Eu respirei bem fundo, sentindo as batidas doerem no meu coração, o que isso tinha a ver?

-Você é muito presunçoso, do que adianta você me fazer feliz se boa parte das coisas ruins que sinto também são causadas por você? -Eu olhei para sua mão que me apertava. -Você acha que namorar comigo vai te dar o direito de ditar regras na minha vida? Vai me controlar e dizer o que eu posso ou não fazer, com quem eu posso ou não falar? Eu não quero, nem preciso disso, você está me confundindo com a Iris, mas eu sou completamente diferente dela.

Ele automaticamente deu um passo para trás, parecendo ofendido.

-Não quero mandar em você. Nunca quis isso. Nem estou te comparando a ninguém. Será que você não entende que a única coisa que eu quero é ficar com você,? Tirar essa desconfiança e acabar com essas brigas? Ou você acha que eu gosto disso?

-Não sei. Mas você acha que tudo vai se resolver depois que eu te disser sim, mas não vai. Você tem que aprender a me respeitar, respeitar as pessoas com quem eu convivo e tem que saber que não vai mandar em mim. Você está me pressionando e eu odeio isso. -Respondi, deixando que minha voz se elevasse tanto quanto a dele.

Finn baixou a cabeça e enfiou as mãos nos bolsos da calça.

-Você tem razão. Desculpa. -Ele pediu de novo, como sempre faz, dessa vez com um tom de voz mais brando.

-Certo. -Respondi de forma automática, também como sempre faço. -Acho melhor eu ir, você pode me deixar no restaurante mais tarde se quiser, mas não acho que seja uma boa ideia ir pra sua casa agora.

Ele fez uma careta de desaprovação e exalou o ar.

-Ta bom. Mas vou te deixar e te buscar quando sair, não abro mão disso.

-Tudo bem. -Respondi aceitando a idéia. -Vou indo então. Até mais tarde.

Olhei pra ele mais uma vez, com vontade de ir com ele, mas tinha que seguir meus ideais, tinha que respeitar minha própria decisão. Virei de costas e continuei andando, sem esperar respostas.

Quando desci até o refeitório notei que Finn não tinha me seguido, o que era bom, já que mostrava que ele estava me dando o espaço de que eu precisava. Caminhei até chegar na mesa onde Sadie estava sentada, junto com Caleb e Noah.

-Ja terminou? -Sadie perguntou quando me sentei ao seu lado, ela parecia menos mal humorada do que antes, diferente de Caleb que parecia emburrado e calado.

-Ja, só íamos decidir algumas coisas.

-Você começa hoje lá no El Cacho não é? -Noah perguntou deixando de lado o iPad em que mexia.

-Sim. - eu espondi, bebericando um restinho de suco do copo de Sadie.

-Talvez possamos passar lá mais tarde, que tal Sadie? -Ele jogou a ideia, enquanto colocava batatas fritas na boca. -E Caleb, claro. -Ele completou, embora o clima não fosse nada amigável.

Caleb que esteve o tempo todo calado e sério balançou a cabeça.

-Se a Sadie não tiver nada melhor pra fazer, por mim pode ser. -Ele deu de ombros embora seu rosto não transparecesse indiferença. Algo tinha acontecido, será que ele soube que ela ficou com o outro cara depois dele ?

-Desculpa Millie, mas eu tenho sim outros planos. -Ela respondeu para mim, como se eu tivesse dado a ideia.

Caleb passou as mãos no cabelo crespo. Pelo balançar do seu casaco do time de futebol notei que sua respiração ficou mais acelerada. Ele levantou arrastando a cadeira para trás.

-Até quando você vai me ignorar? Que merda! -Ele gritou, fazendo com que Sadie tremesse com o susto. -Olha pra mim quando estiver falando comigo!

-Calma aí cara, não precisa gritar. -Noah levantou também, tentando apaiziguar a situação, mas teve o efeito contrário.

-Eu não estava falando com você. Acho que vocês dois estão colocando coisas demais na cabeça dela e por isso a Sadie está me tratando assim. -Ele apontou para Noah, depois pra mim, fúria e desprezo irradiando do seu rosto.

Sadie se levantou o encarando pela primeira vez.

-Escuta aqui! Você não tem o direito de acusar meus amigos de nada! Sou eu que não quero falar com você, eles não tem nada a ver com isso, se você fosse inteligente o suficiente saberia o porque! -Ela gritou, apontando o dedo em seu peito.

Eu me retorci na cadeira, incapaz de dizer alguma coisa. Caleb riu desajeitado, como se tivesse perdendo o pingo de paciência que lhe restava.

-Não seja tão ingênua, eles são seus amigos de verdade? Então porque a Millie não te contou que o Finn pediu ela em namoro ontem? Em? Porque o querido Noah não conta logo que é  gay ao invés de ficar tentando esconder uma coisa que todo mundo já sabe?

Sadie engoliu em seco, Noah arregalou os olhos e eu comecei a tremer na cadeira. Caleb manteve o rosto endurecido na carranca e sem dizer mais nada se retirou do refeitório, balançando a cabeça negativamente enquanto andava. Olhei para Noah que manteve a cara de surpreso e foi pouco a pouco caindo de volta na cadeira incrédulo. Sadie respirou profundamente, muitas vezes e seu silêncio se tornou perturbador.

-Sadie? -Consegui chama-la em meio ao fio de voz que consegui emitir. Ela se virou de repente, parecendo ter sido despertada do seu transe.

-Isso é verdade? -Ela perguntou, cruzando os braços na frente do corpo, como se aquilo pudesse de alguma forma protegê-la. -Responde Millie!

-E-eu n-ão... -Comecei a gaguejar sem conseguir conter o embargo na voz.

- Eu achei que você fosse minha amiga. -Ela me interrompeu, sua voz entregando a sua emoção, o que fez meu coração doer ainda mais.

Em um segundo ela pegou a bolsa que estava jogada na mesa e saiu, pisando duro na direção da saida. Me levantei de súbito para tentar impedir mas Noah segurou meu braço.

-Não. Deixa ela ir. Vai ser inútil tentar conversar agora.

-Mas ela.. ela vai...

-Eu sei. Vem cá. -Ele se aproximou de mim e me abraçou enquanto meu corpo tentava decidir se o largava ou apenas chorava no seu peito, na verdade em seu ombro, nós éramos quase da mesma altura. -Não fica assim, ela vai ficar bem ela precisa de um tempo sozinha. -Ele me acalmou, passando as mãos nos meus cabelos. Era engraçado, como mesmo não sendo tão próxima a ele eu sempre me sentia confortável em sua presença.

-Eu fiz uma coisa horrível, eu devia ter contado. -Choraminguei.

-Não, não fala assim. Vem, vamos sair daqui. -Ele pegou minha mão e me guiou até sairmos da universidade, haviam poucas pessoas do lado de fora.

Ao chegarmos no estacionamento o carro de Sadie não estava mais lá e uma angústia tomou meu peito, ela não havia me esperado, mas não foi isso que me afligiu, e sim o fato dela ter saído sem avisar, naquele estado, com raiva e magoada e coberta de razão por isso. Noah se esgueirou até parar em frente a uma Mercedes Benz modelo clássico e preto, um carro que parecia ter saído de um filme dos anos oitenta. Ele pareceu um pouco envergonhado ao abrir a porta do carro para mim.

-É do meu pai, ele tem uma paixão por carros antigos. -Ele riu desconcertado e eu balancei a cabeça, sentando no banco em seguida.

Apesar de antigo, era notável que o carro era muito bem cuidado, os bancos beges eram macios e o painel era completamente prateado e luminoso, bem classico, ou como outras pessoas chamariam: cafona. Noah entrou e ligou o motor que roncou num rugido agudo e sem falhas como eu não esperava que fosse.

-Você, bem.. quer ir pra casa agora? -Noah perguntou depois de cruzarmos algumas ruas. Eu não havia pensado em nada, como poderia voltar pra casa sem saber como reagiria na frente dela? O que eu poderia dizer?

-Não sei. O que você acha? -Perguntei nervosa enquanto torcia as mãos.

Ele deu de ombros sem se desligar da estrada.

-Podemos passar no shopping primeiro, não sei, você já almoçou?

Fiz que não com a cabeça, de jeito nenhum ir ao shopping era meu programa preferido, mas se Noah disse que eu precisava dar espaço a Sadie era isso que eu faria.

-Otimo. -Ele deu um meio sorriso, apesar de parecer apreensivo também. -Bem, você tem tudo pronto pra mais tarde? Digo, o seu uniforme e tudo mais. -Ele mudou de assunto.

Um estalo interno me fez tremer ao me lembrar que eu nem se quer havia experimentado a roupa ainda.

-Sim, bem lembrado, estou com o uniforme na bolsa o Jake me entregou hoje. -Me lembrar dele mais uma vez fez meu corpo estremecer. -Você acha que eu devo usar um sapato, ou uma sapatilha? -Perguntei subitamente preocupada com esse ponto do qual nem tinha me ocorrido antes.

Noah olhou pra mim com as sobrancelhas arqueadas.

-Nenhum dos dois! Você já viu o que as outras garçonetes usam? Não pode aparecer lá de sapato.

Eu tentei me lembrar das vezes em que estive no restaurante e me recordei de uma coisa: saltos altos, finos e alinhados. Bati minha cabeça contra o encosto do banco.

-Eu não gosto de usar salto. -resmunguei como uma criança ranzinza. Noah riu.

-Que besteira, não vai te matar usar um básico de cinco centímetros. Aliás acho que vai ficar bem em você. -Ele completou, dando mais uma volta no carro.

Eu já havia usado salto antes, eu inclusive tinha dois pares guardados, um que usava para ir a festas com meus pais e outro que Romeo havia me dado de presente de natal, um sinal claro de que ele não me conhecia, ou conhecia demais e queria me mudar. O fato é que eu nunca gostei de usar, e achei que essa fase dos saltos, festas com meus pais e namorados traidores tinham ficado para trás assim como todo o resto, mas pelo visto não, eu fechei os olhos torcendo para estar me referindo somente aos saltos.

-Acho que posso comprar um, já estamos indo ao shopping mesmo. -Eu disse resignada, sabendo que minhas duas alternativas estavam muito bem escondidas no fundo do meu armário, um lugar de onde jamais iriam sair.

-Isso garota, assim que se fala. - Noah piscou.

Minutos depois ele deu a volta para entrar no subsolo do grande Pionner Center, um dos maiores shoppings no centro de Portland, que eu só havia passado em frente, nunca havia entrado antes.

Ele estacionou em uma vaga próxima ao elevador e subimos direto até a área das lojas de sapatos. Ele apontou para as que eram mais populares e todas estavam entupidas de pessoas, eu olhava e balançava a cabeça para todas as opções. Paramos então enfrente a uma pequena filial da The Annex, uma loja que também tinha em Nebraska onde eu já havia comprado alguns exemplares simples da Vans e converse. Noah resmungou quando eu, sem pedir sua opinião, entrei na pequena loja vazia.

As portas eram de vidro emolduradas por vigas de madeira rústica. Assim que entramos uma vendedora jovem de cabelos curtos e negros se aproximou com um sorriso simpático, Naomi estava escrito em seu uniforme de linho marfim.

-Boa tarde, como posso ajuda-los? -Ela perguntou muito solicita.

Eu olhei ao redor parando o olhar em uma vitrine pequena iluminada artesanalmente por pequenos feixes de luz dourada, onde estavam expostos alguns saltos simples e fechados.

-Ela quer um salto, simples, confortável, algo que use para trabalhar em um restaurante. -Noah respondeu, também parando para olhar a vitrine que eu havia mensionado.

-Temos algumas opções aqui. -Ela virou, indicando a vitrine. -Qual seria a numeração? -Ela perguntou quando nos aproximamos.

-Trinta e seis, talvez, para tênis é trinta e cinco mas acredito que mude para saltos. -Respondi.

Ela sorriu e anotou o número em um caderninho preso em seu crachá.

-Otimo. Vou pegar alguns pares. Podem sentar, fiquem a vontade.

Ela saiu para o final da loja enquanto eu e Noah nos olhamos e corremos para disputar uma única poltrona também marfim, eu ganhei, me jogando nela como uma competidora voraz. Ele resmungou e sentou num banquinho ao meu lado, mas começamos a rir em seguida.

-O que acha que a Sadie está fazendo agora? -Eu não pude deixar de perguntar, me sentindo culpada por estar me divertindo enquanto minha amiga estava obviamente triste e decepcionada comigo.

O sorriso de Noah morreu aos poucos e ele ponderou antes de responder.

-Não sei... A Sadie é meio complicada as vezes. Pode estar chorando ou pondo o apartamento de vocês abaixo, são duas possibilidades válidas para alguém como ela. -Ele ironizou, mesmo não parecendo contente.

Eu ia falar mais alguma coisa quando a atendente voltou, carregando em seus braços finos três caixas diferentes. Noah se levantou para ajudá-la e ela sorriu, mostrando uma fila de dentes brancos.

-Esses são bem básicos e de cinco centímetros. -Ela disse abrindo a primeira caixa, retirando um escarpin preto de dentro, o salto era baixo, mas era fino demais, me dando a impressão de que eu não saberia andar em cima dele.

Noah balançou a cabeça negativamente.

-Brilhante demais, você trouxe algo mais opaco? -Ele perguntou.

Ela sorriu desconcertada, sem saber se respondia a mim ou a ele, por um segundo também não soube responder.

-Ah sim, temos este. -Ela abriu rapidamente a segunda, mostrando um modelo peep toe, que eu só soube porque estava escrito na caixa, ele era preto também e a abertura na frente indicava que pelos dois dos meus dedos ficariam a mostra. Eu inclinei a cabeça para o lado pensando se seria adequado, visto que eu nunca usava nada além de uma base nas unhas.

-Seria melhor algo fechado, com um salto um pouco mais grosso talvez. -Eu falei, dispensando a segunda opção.

Naomi, pensou por alguns segundos e então falou com um pouco mais de empolgação.

-Que tipo de roupa você vai usar? Tenho certeza que vou pensar melhor se souber como é seu uniforme.

Noah arregalou os olhos, aparentando ter concordado com ela.

-Claro que sim! Millie, sua roupa está na sua bolsa não é? -Ele me lembrou entusiasmado.

Eu balancei a cabeça e alcancei a bolsa na poltrona, retirando meu pacote de dentro.

-Ela pode experimentar aqui? Tipo, tem algum banheiro ou coisa assim? Iria ser ótimo porque ela nem se quer experimentou ainda. -Ele pediu.

Naomi olhou para trás e mexeu em uma mecha solta de seu cabelo, o que me fez achar que ela estava flertando com ele.

-Acho que ela pode usar o banheiro dos funcionários. Não tem ninguém aqui além de mim agora.

-Maravilha, pequena, vai com ela. -Noah olhou para mim, enquanto encaixava o gorro direito na cabeça.

-Tudo bem? -Perguntei ainda me sentindo um pouco incomodada com a situação.

Naomi sorriu e balançou a cabeça, saindo em direção aos fundos da loja. Eu a segui e ela me direcionou a um banheirinho apertado no final do corredor. Era grande o suficiente para um box e uma pia com espelho, mesmo assim ainda era menor do que o banheiro do meu quarto.

Eu retirei rapidamente minha roupa, ficando somente com a calcinha e o sutiã branco, e abri o lacre do pacote. Retirando de dentro primeiro uma camisa branca e fina de mangas compridas, depois uma saia lápis vermelha escura e um colete da mesma cor, acompanhado por fim por uma pequena fitinha preta presa a um pequeno fecho que imaginei ser alguma espécie de boton.

Vesti primeiro a saia, passando a barra da camisa delicadamente por dentro dela depois de fechar os botões transparentes. A roupa ficou boa, e coube perfeitamente, consegui fechar o ziper da saia depois, agradecendo por ser na lateral e não na parte de trás. Coloquei o colete e fechei os dois botões por cima da camisa, era uma roupa bonita apesar de parecer quente, torci para não fazer muito calor no restaurante, só estive lá uma vez para comer e ontem quando fiz a entrevista e não me lembrava de ter sentido calor, claro que agora minhas atribuições seriam totalmente diferentes. Depois de olhar mais algumas vezes no espelho, sai do banheiro e voltei para a frente da loja, onde Noah estava sentado na minha poltrona com minha bolsa no colo enquanto Naomi falava sobre alguma coisa de forma entusiasmada.

Pigarreei para ser notada.

-Nossa, ficou bem em voce. -Noah levantou, passando os olhos em mim, vi quando Naomi coçou a cabeça incomodada. -Onde esse quadril estava escondido esse tempo todo em mocinha? -Ele brincou rindo da minha cara de surpresa.

Eu odiava meu quadril largo, era uma coisa que eu fazia questão de esconder debaixo das calças folgadas.

-Ficou bom mesmo. -Ela interrompeu, me olhando também.

-O que é isso? -Noah tomou o pequeno broche da minha mão.

-Não sei, acho que é algo pra colocar na camisa. -Expliquei.

-É, mas que eu me lembre é pra por na gola, como uma gravatinha. -Ele se aproximou, fechando o último botão da minha camisa, prendendo-o em cima. -Assim, perfeito. -Ele sorriu satisfeito.

-Vamos ao sapato? -Naomi falou, abrindo mais uma caixa. Dessa vez tirando de dentro um outro scarpin, dessa vez um bege quase cor de rosa clarinho, um pouco mais opaco e com um salto levemente mais grosso do que o anterior.

-Eu achei que esse ficaria bem em você pequena. -Noah disse, pegando um sapato da mão de Naomi. -Senta, eu coloco no seu pé. -Ele apontou para a poltrona.

Me sentei mesmo me sentindo desconfortável, Noah sempre foi gentil e um verdadeiro cavalheiro, mas senti que ele estava exagerando.

Ele se abaixou e tirou o tênis que estavam só metidos nos meus pés, já que tive que desamarra-los para me vestir. Abriu o fecho do sapato e calçou um pé depois o outro em mim, prendendo-os nos meus tornozelos em seguida.

-Vai, levanta.

Eu me levantei, a sensação não foi como eu havia pensado, o salto era realmente confortável e parecia ser uma altura razoalvel, olhei prós meus pés o tom dele combinava com minha pele e com o tom forte da saia e do colete. Naomi se aproximou com um espelho de chão e o posicionou na minha frente. Eu olhei bem, me certificando de que ele era o certo.

-Tenho quase certeza de que vai precisar de uma meia calça. Você separa uma também e coloca na conta tudo bem? -Noah disse para Naomi, enquanto ainda fitava meus pés, corrigindo a postura das minhas costas em seguida.

-Tudo bem. Vai ser esse então?

-Sim, acho que sim. Quanto custa? Isso e a meia calça? -Eu soltei um pigarro, ao me lembrar que mesmo com o emprego não deveria gastar tanto.

-Vai sair bem em conta, eles estavam em promoção. -Ela se dirigiu até o balcão, onde digitou algumas coisas no computador.

Eu retirei os sapatos e os coloquei de volta na caixa. Noah segurou minhas costas enquanto me abaixava para guarda-los. Eu franzi o cenho.

-Vou me trocar pra não amassar a roupa. Já venho. -Eu disse desconfortável e sai de volta para o banheiro.

Retirei as roupas com cuidado, dobrando da mesma forma que antes e guardando-as de volta no pacote, depois na bolsa. Vesti a camisa e a calça e voltei. Encontrando Noah mais uma vez calado enquanto Naomi conversava com ele do outro lado do balcão.

Me aproximei dele vendo que meu sapato já estava embalado com uma sacola de papelão com a logo da loja.

-Então, quanto custou? -eu perguntei procurando a carteira com meu único cartão de crédito dentro da bolsa.

-Vamos, eu já resolvi. -Noah segurou meu braço enquanto pegava a sacola em cima do balcão.

Eu não movi nenhum músculo.

-O que? Você pagou? Porque? -perguntei me desvencilhando de sua mão.

Ele olhou por cima do meu ombro e me puxou para falar no meu ouvido de forma nada discreta.

-Depois você me paga, só vamos sair logo daqui, por favor. -Ele sussurrou, pude sentir o quanto ele realmente queria ir embora.

Mesmo ainda desconfiada e sem entender direito, balancei a cabeça.

-Obrigada Naomi. -Eu disse, vendo ela me dar um sorriso triste e balançar a mão em despedida.

Segui Noah até a saída da loja.

-Ta, agora você vai me explicar exatamente o que acabou de acontecer lá dentro. -Eu exigi enquanto ele ia em direção a uma escada rolante.

-É simples. Ela estava dando em cima de mim...não sei se deu pra você notar mas eu não estava a fim, então disse que você era minha namorada. -Ele se controlou para não rir, mas acabou sorrindo.

Balancei a cabeça negativamente sorrindo também.

-Ela é bem bonita. - Só me dei conta do meu erro depois de falar. Eu não tinha certeza se ele era realmente gay como diziam e não queria parecer que eu estava tentando de alguma forma joga-lo contra a parede para que me contasse. -Quer dizer, mais ou menos. -Tentei corrigir meu erro.

Noah me olhou e vibrou os ombros em uma risada alta.

-Ai Millie, você não existe. -Ele disse entre gargalhadas.

Eu ri também.

Descemos até chegarmos a uma praça de alimentação, ele foi direto para o caixa do Mcdonald's, e pediu o hambúrguer do dia e eu pedi um suco com uma porção pequena de batata. Depois andamos até uma mesa próxima.

-Um estudante de gastronomia, comendo fastfood? -Eu brinquei quando ele sentou ao meu lado.

-Pra ser um bom cozinheiro você tem que aprender a apreciar comida ruim também. -Ele riu. -Eu gosto de fastfood, apesar de raramente comer. E você?

-Acho que não muito, na verdade eu poderia ser vegetariana, tenho pouquíssimo interesse em comer carnes. -Eu respondi, era verdade, além de simpatizar com a causa dos animais eu dificilmente comia carne, por não gostar mesmo.

-Olha.. taí, gostei...sempre tem algo a se descobrir sobre você. -Ele disse, batendo palmas como se estivesse realmente admirado. -So hoje, descobri sua aversão a saltos altos, banheiros de sapatarias, carnes...e a pessoas que descobrem seu relacionamento secreto com um certo cara mal humorado. - Seu tom furtivamente passou de brincalhão a sério.

Eu engoli em seco.

-Não tem relacionamento, quer dizer, ainda não. -Justifiquei subitamente mortificada.

-Sem problemas Millie, é sua vida e é seu direito escolher a quem isso interessa, sabe do que mais? Não interessa a ninguém de verdade a não ser a você mesma. -Ele disse, tirando pela primeira vez o gorro vermelho da cabeça. Seus cabelos eram lisos e castanhos claros, ve-lo sem o gorro me fez ter uma nova visão, como se fosse alguém diferente por um momento. Eu ia dizer alguma coisa, mas ele continuou. -Não foi nada legal o que o Caleb fez, não vou julga-lo porque sinceramente eu entendo que ele estava triste e confuso com aquela situação toda com a Sadie... Mesmo assim ele me lembrou exatamente o porque de eu nunca ter falado sobre aquilo com ninguém.

Eu segurei o queixo na mão, preparada para ouvi-lo dizer o que eu achava que diria.

-Ele tem razão. Não da parte em que falou que eu sou gay, mas sim quando disse que eu finjo mesmo sabendo que todo mundo fala por tras.

Eu franzi o cenho confusa.

-Não entendi direito.. o que quer dizer? Se você não é gay, porque precisa fingir alguma coisa? -Perguntei.

Ele exalou ar pela boca e olhou de um lado para outro.

-Existem outras possibilidades além de você ser gay ou hétero. Eu escolhi ser um pouco dos dois, não gosto desses rótulos impostos pela sociedade que tenta nos prender em uma caixinha de uma coisa só, mas se formos colocar assim, basicamente eu sou... Hum... É, bixessual eu acho. - Ele gaguejou enquanto mexia no gorro com os dedos.

Eu não fiquei nenhum pouco surpresa, nem jamais me decepcionaria com qualquer uma das respostas, mas notei que mesmo me falando abertamente sobre isso ainda era algo que ele não entendia direito e talvez fosse um assunto um pouco complicado. Ele me encarou, tentando ver qualquer indício de uma reação ruim de mim, me apressei a falar alguma coisa.

-Como você disse... Isso não diz respeito a ninguém. Fico feliz que tenha me contado, e sinceramente isso não muda absolutamente nada pra mim, apesar de que me sento mais próxima de você agora. -Eu passei a mão pelos seus dedos em cima do gorro. Ele sorriu.

-Obrigado por nunca ter me perguntado. Diferente da Sadie... Eu sei que ela não faz por mal, ela só quer entender porque se preocupa comigo... Mesmo assim não consigo compreender a necessidade das pessoas em acharem que isso define alguém. É por isso que não gosto de falar. Eu quero ser.. sei lá, o Noah, cozinheiro, talentoso, um bom amigo talvez. Se as pessoas souberem disso eu vou passar a ser somente o Noah gay que não quer se assumir e finge que também pega mulher, eu sei que gays mesmo sofrem bem mais, mas quem é bi tem que conviver com sua sexualidade sendo questionada vinte e quatro horas pelas outras pessoas além de você mesmo. Isso é uma merda. -Ele desabafa, como se nunca antes tivesse feito isso. Por algum motivo eu sei que não.

Não consigo imaginar como é estar em uma situação como aquela, e vejo agora que realmente é preciso ter muita força para encarar o mundo como ele é, com preconceitos e pessoas interessadas em coisas sobre as outras que não deveriam importar. Eu vivia presa dentro de uma bolha onde só enxergava minha própria dor e os meus próprios problemas, ter aquele momento me mostrou o quanto é importante conhecer e sentir empatia pela dor do próximo, ainda mais quando é tão diferente da sua, o que dói dele, é algo que nunca vou entender, mas não é por isso que não posso tentar de alguma forma ajudá-lo.

-Acho você um cara incrível Noah, de verdade. Imagino o quão difícil seja enfrentar tudo isso no seu dia a dia e mesmo assim você não se abala... Seja o que for que tenha em mente daqui pra frente, saiba que pode contar comigo, se não quiser falar mais sobre isso, pode ter certeza que eu nunca mais toco no assunto, nem com você nem com ninguém claro. -Eu acrescentei depressa.

Ele sorriu, parecendo bem aliviado. Um rapaz se aproximou colocando na mesa nossos pedidos. Noah ficou ruborizando colocando de volta o gorro na cabeça.

-Obrigado Millie, mesmo.-Ele disse quando o rapaz se afastou. -Preciso de mais tempo para ter coragem de me abrir com a Sadie também, ela não é tão... Bem.. não é tão compreensiva como você então...

-Sim, claro. Não vou falar nada. -Eu o tranquilizei, abrindo a minha embalagem de batatas, notando que estava com bastante fome.

-Não quero que pense que eu não me importo com ela.. eu sei que foi meio estranho te chamar pra vir aqui com ela saindo naquele estado, mas eu sei como a Sadie é e já tivemos algumas brigas por outros motivos e eu precisei aprender a me afastar nesses momentos. -Ele disse, tomando um gole de refrigerante.

Eu não sabia que eles já haviam brigado antes, e sabia menos ainda que tinha acontecido mais de uma vez. Controlei minha vontade de perguntar o porquê.

-Eu te endendo. -Eu disse, mastigando uma batata. -Mas eu sim, devia ter contado sobre o Finn para ela.. desde que eu vim morar aqui a Sadie fez muita coisa por mim, ela paga até hoje mais do que eu no aluguel, sempre que ela faz compras ela me pede uma lista do que eu quero e trás tudo na conta dela... Não estou me referindo somente a dinheiro porque sei que isso não importa para ela... Mas, ela se preocupa comigo, sempre cuida de mim e sinceramente é uma das poucas pessoas nas quais eu confio na minha vida... -Eu sorri triste ao constatar isso. -Mesmo assim eu nunca fiz nada para retribuir, pelo contrario, há muitas coisas que eu não falei, que eu deveria ter falado. -Eu larguei a batata de volta na embalagem, minha voz ficou embargada ao me lembrar de que ela nem sabia que meus pais tinham morrido. Que espécie de "amiga" eu sou?

Noah também largou o sanduíche e passou a mão na minha.

-Não fala assim Millie... Olha.. eu não devia falar nada, mas, não quero que você se culpe por isso.. A Sadie sabe, e eu também sei, sobre seus pais. -Ele usou um tom cauteloso, mesmo assim foi impossível conter o misto de sentimentos que começaram brigar por espaço dentro de mim. Como ela sabia? Como ele sabia? Noah continuou olhando meu rosto com preocupação. -Sua irmã falou pra ela assim que você veio morar aqui, você não achou estranho a Sadie ou eu nunca termos perguntado sobre seus pais? Ou nunca mencionar os nossos na sua frente? A Sadie só me contou para que eu também nunca fizesse isso, porque ela se preocupa com você, elas sabe que você ficaria desconfortável e triste se acontecesse isso, e quis evitar essa situação.

Eu fechei os olhos, ainda surpresa demais e em conflito comigo mesma, não poderia ficar com raiva deles, claro que eles só queriam me proteger, embora a visão da minha evidente vulnerabilidade me faça me odiar. Eu não quero ser essa garota que que precisa ser poupada, ser protegida de tudo, eu mesma achava que fazia isso por conta própria, saber que todos ao meu redor estavam lutando diariamente para fazer o mesmo me fez me sentir pequena e fraca, embora amada também... Mas eram sentimentos que não combinavam.

-Está tudo bem Millie? -Noah perguntou me tirando dos pensamentos. Eu abri os olhos de novo e passei a mão no rosto

-Sim. Tudo bem, você só me pegou de surpresa. -Respondi, sentindo que a parte do "tudo bem" era uma mentira. Olhei para as batatas jogadas na bandeja e perdi complemente a fome.

-Desculpa. Não queria fazer isso. -Ele se desculpou, afastando o hambúrguer meio mordido pro lado também parecendo ter perdido o apetite. -Vale o mesmo pra você, digo, se nunca quiser falar sobre isso, eu nunca toco no assunto. -Ele repetiu minhas palavras.

Me forcei a sorrir para aliviar o clima e engoli o resto do meu suco que já estava meio frio. Olhei para Noah por um reflexo no exato momento em que ele espremeu os olhos na direção oposta a mim. Eu estranhei e comecei a virar o rosto para seguir seus olhos.

-Não. Não olha. -Ele tentou me segurar mas eu já tinha me virado para ver.

Desejei nunca ter feito aquilo, desejei nunca ter feito muitas coisas na verdade quando vi o Finn do outro lado da praça de alimentação, parado em frente a um restaurante de comida japonesa, suas mãos carregavam duas sacolas grandes de lojas de acessórios femininos, aquela altura eu duvidava de muitas coisas e uma delas era de que ele, da noite para o dia tinha se afeiçoado moda feminina. Só havia uma resposta para as muitas perguntas que rondavam minha mente: Iris.


Notas Finais


Velho, são 67 favoritos, vocês são demais 🤧❤️

Até breve ❤️


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