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História Remendos -Fillie - Capítulo 62


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Notas do Autor


Boa leitura ❤️

Capítulo 62 - Capítulo 17


Finn

Empresário investigado tem casa incendiada misteriosamente.

Foi o que li quando consegui pegar o telefone de Millie caído no chão depois que ela me falou que Richard estava morto. Morto. Fiquei sem reação, deslizando a tela infinitamente vendo as fotos da casa completamente tomada pelas chamas.

Millie ficou parada me encarando, os olhos assustados cheios de lágrimas com as mãos trêmulas ao lado do corpo.

Era ele, tive absoluta certeza depois de ler uma breve descrição sobre as vítimas, a foto de Richard ainda vivo estava lá junto com todas as informações públicas sobre sua vida profissional. Não chegaram a tempo de salva-lo e o reconhecimento do corpo foi feito por seu acessor, já que sua esposa também estava morta, assim como outros três empregados. 

-Finn .. -Millie chamou por mim, a voz fraca mostrando o quanto ainda estava abismada com aquela notícia.

Coloquei o telefone sobre a bancada do banheiro e me virei apenas para desligar o chuveiro. Não havia o que eu poderia falar, nem mesmo o que sentir. Ele morreu, do nada, de uma forma que eu não esperava e duvidava muito que qualquer um esperasse.

-É ele mesmo não é? -Millie perguntou quando me virei para ela.

Não respondi, mas pela feição em meu rosto ela percebeu.

-Meu Deus, e agora?

-Não sei, não faço ideia. -Respondi calmamente, arrastando os cabelos para trás da cabeça.

-É melhor falar com seu pai, ele nem deve estar sabendo.

Ao ouvi-la falar, algo voltou na minha mente e me lembrei do que meu pai havia falado no hospital, que o único jeito de acabarmos com aquilo seria se matassemos Richard.

-Será mesmo que ele não sabe?

 Precisei verbalizar aquilo para ter certeza de que não estava ficando maluco.

-Como assim? O que quer.... Acha que seu pai o matou? -Millie demorou um pouco para entender e eu assenti com a cabeça. -Não Finn, não foi o seu pai. -Respondeu com uma estranha convicção.

-Como você pode ter tanta certeza?

-Eu não tenho.. -Ela gaguejou e desviou o rosto do meu olhar. -Só acho que não teria como seu pai ter ido até lá com uma perna quebrada e ateado fogo...

-Só se ele não fez sozinho. -A interrompi.

Era óbvio que ele não poderia ter feito isso sozinho, mas era possível que tivesse mandado alguém fazer. Senti uma pontada de dor de cabeça ao começar a raciocinar sobre aquilo com os fatos se juntando em ondas na minha mente atordoada. Não queria acreditar que meu próprio pai era um assassino, mas era indubitável que tudo se encaixava perfeitamente.

-Não pensa mais nisso tá bem? Seu pai não faria algo assim. -Millie se aproximou esfregando meu ombro como se quisesse dispersar meus pensamentos.

Eu queria muito acreditar que ela estava certa então somente assenti, sem conseguir mais pensar em algo para dizer.

-Tome seu banho, eu vou preparar algo pra gente comer. -Ela sorriu de um jeito doce e reconfortante e foi a única razão pela qual concordei e entrei debaixo do chuveiro.

Quando ela saiu pude pensar um pouco melhor e cheguei a conclusão que embora meu pai tivesse motivos para aquilo ele não faria, especialmente sabendo que havaria a possibilidade de envolver mais pessoas como tinha acontecido e por mais que meu pai não fosse uma boa pessoa ele não era assassino.

Ao longo do jantar mal encostei na comida embora estivesse boa, pois Millie vinha se esforçando para cozinhar mesmo que eu tenha tomado essa função na maioria das vezes. Ela teve a delicadeza de não tocar mais no assunto, respeitando meu silêncio e minha ausência inevitável. Também me sentia culpado, naqueles dias impus muita coisa a ela, transformei nossa vida em um inferno pelo medo de que algo ruim acontecesse a ela e agora quando tudo parecia ter acabado, ainda não me sentia em paz, nem podia dar o conforto que ela tanto precisava.

Fomos para cama cedo depois que escovamos os dentes e ela tomou os últimos remédios do dia. Ao me deitar ao seu lado não suportei mais aquela distância que havia projetado embora ela estivesse fingindo estar tudo bem, apaguei as luzes deixando somente o abajur aceso e ela deitou em meu peito na nossa posição típica de dormir.

-Vem aqui. -Pedi, pegando seu queixo para beija-la.

Ela se assustou no primeiro momento pela surpresa, pois sabia que eu vinha evitando aqueles beijos, mas não me parou. Queria faze-la se sentir bem e dessa vez afastaria meus temores para ir até o fim como ela tanto queria.

Em poucos segundos me posicionei sobre ela, tomando cuidado para não para não por cem por cento do meu peso usando os braços para sustentarem a maior parte. Ela estava quente, e logo eu esqueci de tudo o que passou cego demais pelo desejo que ela sempre me provocava e como me contive durante dias estava mais forte, mais difícil de controlar.

Suas pernas se agarraram as minhas costas enquanto eu beijava seu pescoço fazendo-a revirar os olhos e gemer baixinho em meu ouvido. As mãos pequenas deslizaram sob o tecido da cueca e ela segurou meu pênis já duro iniciando os típicos movimento de vai e vem que me deixaram sem fôlego em instantes. Levantei sua camisola fina de seda satisfeito por encontrar por baixo somente uma calcinha delicada, afastei-a para o lado enfiando um dedo devagar na cavidade apertada e cheia de umidade, ela arqueou as costas devagar, abrindo os lábios enquanto sussurrava meu nome.

Minha mente delirou com a saudade de senti-la por completo, a falta que tinha de ter aquela mesma sensação envolta de mim enquanto entrava nela. Ela apertou meu pau com mais força multiplicando o prazer mil vezes e eu a parei antes que gozasse.

-Não. -Sussurrei prendendo seu lábio inferior entre os dentes.

Ela abriu os olhos meio turvos de desejo e seu rosto se fechou ao pensar que eu pararia.

-O que.. -Sussurrou sem voz em um tom decepcionado.

Beijei sua testa e tirei sua calcinha passando-a entre as pernas, ela se ergueu nos cotovelos esperando uma explicação enquanto eu terminava de tirar a cueca. Era incrivelmente excitante vê-la em expectativa, os lábio inchados entreabertos os bicos dos seios alongados apontados para cima. A camisola enrolada na barriga enquanto no meio de suas pernas a carne tenra rosa pulsante e úmida brilhava de desejo. Quase tive um orgasmo espontâneo só com aquela imagem.

Me deitei sobre ela de novo posicionando a ponta do membro em sua entrada quente e ela gemeu sem esperar se agarrando novamente em minhas costas.

-Você vai...? -Exalou o ar devagar abrindo um pequeno sorriso.

-Sim, vou. -Confirmei e forcei um pouco mais sua entrada deixando o peso totalmente sobre as mãos.

Não era o melhor jeito de fazer sexo, nós dois sabíamos, mas não deixou de ser incrível. Ela me beijou outra vez como se quisesse me agradecer por aquela decisão.

Usei uma força sobrenatural para ir devagar, avançando milímetro por milímetro em seu pequeno corpo tomando cuidado para não ir tão fundo como gostaria.

Foi uma tortura, entrava e saia de dentro dela tremendo com a vontade de ir mais rápido, o suor pingando da minha testa enquanto ela baijava meu pescoço arrastando a língua quente na minha pele. Segurei nas barras da cama e permaneci naquele mesmo ritmo vendo-a se contorcer e pedir para que eu fosse mais rápido, obviamente não obedeci, iria dar o que ela queria mas não podia dar o que precisava, seria passar dos limites e mesmo que eu quisesse também, não conseguiria viver com a culpa que viria depois se de alguma forma eu a machucasse.

Ela gozou primeiro mesmo me mantendo no ritmo lento, talvez por causa dos hormônios da gravidez. Foi rápido demais até, suas unhas curtas arranharam meus ombros e ela jogou a cabeça para trás quando veio, ajeitei seu corpo rapidamente para que ela não arqueasse muito as costas e assim que sai de dentro dela gozei sobre seu ventre.

Ela olhou para minha bagunça e começou a rir abafando o som com a mão.

-Não acredito que quando você tem a oportunidade de não me sujar você ainda faz isso. -Disse divertida, fazendo menção ao fato de que nos últimos dias eu só permitia que ela me masturbasse e acabava sujando suas mãos.

-É pra você não ficar mal acostumada. -Pisquei o olho e ela me bateu com o travesseiro.

-Chaga de falar e vá buscar algo para me limpar agora mesmo. -Disse fingindo estar zangada. 

-Nossa, que mandona.

Beijei o canto de sua boca mas me levantei em seguida para ir ao banheiro. Normalmente eu não me importaria de limpa-la com o nosso próprio lençol, mas sabia que isso seria motivo para uma briga interminável onde ela falaria o quanto aquilo era nojento e eu a lembraria das vezes que engoliu e não reclamou. Ri com aquele pensamento e depois de pegar uma toalha e umidece-la de água voltei para o quarto.

Millie havia caído no sono, outra coisa muito comum agora por causa da gravidez, bastava alguns segundos deitada e pronto, dormia até o dia seguinte se eu deixasse. Limpei sua barriga com a toalha e ela abriu levemente os olhos depois sorriu e os fechou de novo, se virando de lado na cama. Joguei a toalha no cesto, depois fui para o seu lado e ela se arrastou preguiçosamente para me abraçar sem nunca acordar definitivamente.

Tentei fechar os olhos para dormir mas conforme as horas iam passando e o alívio trazido pelo sexo ia embora, as dúvidas voltaram, assim como aquela sensação de vazio de antes.

Nem se quer conseguia acreditar que Richard estava morto, eu tinha o visto a poucas semanas no hospital, tão vivo, e agora não passava de restos queimados. Naquele breve momento perdido em pensamentos uma parte de mim se sentiu aliviada por que finalmente tudo terminaria e seria o fim daqueles dias insuportáveis, mas uma grande parte também me fez me sentir horrível por cogitar ficar feliz com a morte de alguém, mesmo que esse alguém quisesse a minha morte e tivesse provocado a da minha mãe e tentado tirar a do meu pai. Era algo imperdoável, desumano, cruel e terrivel e por todos esses motivos eu o odiei a minha vida inteira e agora ele estava morto, atraiu para si próprio o que tentou tanto fazer com os outros, mas quem fez aquilo ? Quem poderia ter tido coragem de não só mata-lo mas incendiar uma casa cheia de pessoas inocentes? Não havia resposta para aquela pergunta, pelo menos eu esperava que não tivesse.

Depois de um tempo acordado sem conseguir dormir fiquei alisando os cabelos de Millie, olhando enquanto ela respirava calmamente sobre mim. Meu coração acelerou com todo o amor que sentia, pela forma como ela era corajosa o suficiente para ficar comigo e aguentar firme a barra que seguramos, eu sabia que nao era exatamente por mim que ela fazia aquilo, mas pelo nosso filho e a amava ainda mais por isso. Eu não poderia proteger nosso filho diretamente, isso dependia dela e exigia muito de seu corpo e por isso minha maior missão era cuidar dela o máximo possível.

Meu telefone vibrou em silêncio debaixo da minha almofada enquanto ainda fitava Millie ao meu lado. Eu quis ignorar mas resolvi atender devido as atuais circunstâncias. Quando vi o nome do meu irmão na tela me afastei de Millie devagar, ela resmungou mas não acordou e se virou para o outro lado.

Sai do quarto e atendi indo em direção a janela da cozinha que tinha uma vista do alto do prédio.

-Oi Nick. -Soltei uma exalação de ar já prevendo o que ele diria.

-Pelo visto você já sabe.

Ele pareceu relaxado ao dizer.

-Sim, soube assim que cheguei.

-Que diria não é? Parece que o mundo resolveu conspirar a nosso favor. -Ouvi algo semelhante a uma risada abafada e contive um grito de revolta.

-Pessoas inocentes morreram Nick, três empregados e a esposa dele, tente ter um pouco de respeito. -Falei com um tom bem sério.

Normalmente eu não dava lições de moral no meu irmão mais velho, mas ultimamente ele estava merecendo umas. Eu entendia toda sua raiva por causa do que Richard fez com Lucy, mas ele estava debochando de algo que não tinha a menor graça, o transformando em alguém que ele não era.

-Desculpe por ficar feliz em saber que o homem que tentou matar meus pais e nos coagiu durante semanas, está morto. -Disse com um tom cheio de ironia.

-Estou falando das outras pessoas Nick, gente que não tinha nada a ver com isso.

Ele respirou fundo e ouvi o som de uma porta bater deixando a ligação mais abafada.

-Eu sei. Desculpa, não deveria ter falado isso. -Respondeu, parecendo de fato arrependido.

-Nosso pai já sabe? -Perguntei depois de fazer uma pausa para respirar.

-Acho que ele me ligaria se soubesse. Estou indo para Hillsboro agora, ver como essa situação vai ficar e..

-Como assim? -o interrompi sem entender do que ele estava falando.

-Não sei se você se lembra mas os dois são meio- irmãos, querendo ou não eles tem um vínculo e como Richard não tem mais ninguém talvez procurem o pai.

Não havia pensado naquilo. Os dois passaram tanto tempo brigados que as vezes esquecia que um dia compartilharam uma família.

-Acha que a polícia vai querer associar nosso pai a morte dele?

-Acho pouco provável. Ele está de cama e não tem nenhum antecedente nem nada que seja ligado a esse incêndio. Richard tinha muitos inimigos e eu aposto que foi alguém que tinha medo de ser delatado, o processo estava avançando e com certeza Richard não se ferraria sozinho. Estou falando mais no caso de procurarem nosso pai para a questão do interro essas coisas, Iris é menor de idade e...

Ele continuou falando mas parei de prestar atenção quando ouvi o nome de Iris.

-A Iris, ela não estava lá, não havia nada no noticiário sobre ela. -Falei atônito quando as informações se desenrolaram na minha mente.

Nick ficou em silêncio por um tempo e só depois falou:

-Acha que ela pode ter feito isso?

Não levei nem meio segundo para responder.

-Não. Tenho certeza que não.

Eu realmente tinha. Sabia que Iris não era uma boa pessoa, mas daí a planejar a morte dos pais já era exagero, nem falo no Dick, mas ela não faria nada contra a mãe. Não a conheci bem o bastante para saber nada alem de que Eleonor era uma dondoca, mas Iris gostava dela, era a única pessoa com quem podia contar já que nunca entendi o relacionamento conturbado que tinha com o pai.

-Bem, talvez não tenha sido. De toda forma a situação dela apartir de agora não é nada boa. -Nick falou, parecendo pensativo.

-Por que? -Quais saber.

-Ora, o Richard perdeu tudo, mesmo que o processo não tenha chegado ao fim ele já não tinha acesso a nem quinze por cento dos bens, ou seja, se ela não tiver alguém da família da mãe dela para ajudá-la...

-Ela vai ficar sem nada. -Conclui, engolindo em seco.

-Exatamente.

Fiquei calado tentando engolir o nó súbito que se formou na minha garganta. O tempo que passei enganando Iris com certeza foram os mais degradantes e os piores da minha vida, eu já havia me arrependido de ter feito aquilo mesmo sabendo que ela sempre soube a verdade, mas naquele momento me senti mil vezes pior, com uma culpa tão grande que me consumiu. Eu causei aquilo tudo, se não tivesse aceitado me aproximar dela... Se não tivesse indiretamente feito ela denunciar Richard e provocado sua prisão ele ainda estaria vivo, a mãe dela também.

-Finn? Está me ouvindo? -Nick interrompeu meus pensamentos quando fiquei sem falar.

-Sim estou. -Sai me arrastando de volta ao corredor, sem conseguir ficar parado.

-Enfim cara, é uma situação de merda eu sei mas, sinceramente não temos mais nada a ver com isso.

Diga isso por você.

-É. -Respondi sem vontade.

-Certo. Estou indo então, seria bom se você viesse comigo.

-Agora? Está maluco? -Resmunguei com raiva. -A Millie já está dormindo, ela está cansada e eu não vou acorda-la e nem deixa-la sozinha.

-Sim, você faz bem. -Ele riu ligeiramente pelo meu desespero. -Amanhã se der você aparece, não vou para a empresa então você também está liberado.

-Ok. Vou depois que deixar Millie na aula. -Respondi sem precisar pensar no assunto.

-Beleza irmão, te mando notícias se algo novo surgir.

-Tchau.

Desliguei o telefone e abri a porta do quarto depois de esfregar o rosto com as mãos. Me deitei com ela, sabendo que deveria focar toda a minha atenção nas duas pessoas ali presentes que eram tudo para mim, mas nem isso foi capaz de me livrar do peso e do gosto amargo do remorso.

--

Naquela noite tive um pesadelo terrível com uma garota desaparecida e rostos sangrentos em chamas.

Dei graças quando acordei e me livrei daquele pesadelo embora ainda fosse real demais. Deixei Millie na faculdade e pedi que ela novamente voltasse com Narciso, talvez ele não fosse mais necessário, mas eu achei cedo demais para dispensa-lo, especialmente enquanto estivesse a duas horas de distância dela.

Cheguei na casa do meu pai ainda cedo e a visão que tive de dentro do complexo não era nada animadora. Eu sabia que ele havia contratado muitos seguranças mas não fazia ideia de que eram tantos. Desde a entrada até o o final do jardim, o que era uma área de uns três quilômetros contei dez deles e me perguntei se meu pai havia ficado paranóico com aquele medo, claro que ele tinha motivos, mas ainda assim era exagero.

Quando entrei encontrei todos na sala de estar sentados no sofá. Lucy, Nick, Jessy uns dois homens que não conhecia e meu pai, por sua vez sentado em uma cadeira de rodas onde a perna coberta por uma bota preta descansava em um suporte. Para além disso, eles pareciam bem, conversando casualmente uns com os outros como se nada tivesse acontecido.

-Ah, Finn, que bom que veio. -Lucy foi a primeira que me viu e levantou para me dar um de seus abraços sufocantes. -Espero que tenha feito uma boa viagem.

Ela sorriu quando me largou. Seus cabelos loiros estavam mais claros do que nunca e havia apenas um pequeno curativo em sua testa ainda do acidente.

-Sim. Foi tranquilo. -Dei de ombros e me sentei no sofá ao lado de Nick.

Meu pai olhou para mim e ele parecia pior do que nunca. A barba por fazer estava ficando grisalha em alguns pontos e seu rosto estava corado assim como os olhos avermelhados.

-Dr. Pierre, Leon, esse é meu filho mais novo, Finn. -Meu pai me apresentou aos dois homens.

Um deles eu reconheci, era advogado do meu pai, o outro sujeito era mais velho e quase careca, supus ser o investigador do caso de Richard. Demos as mãos formalmente ainda sentados e eu assenti com a cabeça.

-Podemos começar então? O senhor prefere tratar do assunto na frente da sua familia? -Pierre perguntou, ajustando os óculos enquanto nos encarava.

-Ah, sim, não tenho segredos com nenhum deles.

Que piada.

O homem riu e Lucy levantou.

-Querido, eu e Jessy vamos entrar, é melhor que só os meninos fiquem aqui. -Ela disse com um sorriso.

Meu pai assentiu e então Jessy a acompanhou e elas saíram da sala.

-Senhor Wolfhard, sei que esse momento deve ser delicado, mas como parte do protocolo terei que lhe fazer algumas perguntas.

O investigador começou. Nick e eu nos entreolhamos compartilhando nossos pensamentos em silêncio.

-Sim, pode fazer. -Meu pai concordou, sem expressar nada.

-Bem, como já sabemos Richard Apatow era seu meio-irmão, vocês tinham uma parceria na Wolfhard enterprise. -O investigador falou, olhando para a prancheta que carregava, confirmando as informações.

-Sim, meio-irmaos é até meio forte de se dizer, não fomos criados juntos. -Meu pai ponderou e parou para tossir. -Ele foi adotado ainda bebê pela minha mãe, meu pai foi contra e como eles estavam separados passei a maior parte da vida sendo criado apenas por ele. Meu contato com Dick foi mínimo na infância.

-Entendi, mas vocês criaram um império em parceria, pode explicar quando começaram a se envolver no mundo dos negócios?

-Sim, claro. Não foi proposital, meu pai e eu compramos um pequeno terreno e foi onde aos poucos eu construí a primeira empresa. Richard estudou tambem, por coincidência se tornou engenheiro e era bom no que fazia, eu o chamei para a sociedade por que... Bem, por menor que fosse tínhamos um vínculo  e era mais cômodo para mim me associar com quem já conhecia.

Ele olhou para mim outra vez, eu permaneci olhando mas ele desviou rapidamente. Eu já tinha ouvido aquela história e estava esperando por partes que ele não havia me contado.

-Então, imagino que o senhor não sabia dos esquemas ilegais nem das fraudes que seu irmão aplicava sobre os clientes dele. - Pierre perguntou em um tom desconfiado mas isso não pareceu incomodar meu pai.

-Eu desconfiei. Estava debaixo do meu nariz então seria difícil esconder algo desse tamanho de mim.

-Por que não o denunciou?

-Acho que o senhor não conheceu meu irmão bem o suficiente, ele era bom no que fazia, passei muito tempo tentando chegar até algo concreto que servisse como prova mas não consegui, e sem provas você sabe que não adiantaria. Obviamente não queria um criminoso trabalhando comigo, ainda mais quando aos poucos ele foi conseguindo ações da minha empresa, mas naquele tempo não pude fazer nada.

Só me usar para tentar conseguir provas. Pensei e Nick também, pois olhou diretamente para mim.

O investigador maneou a cabeça, parecendo convencido. Depois passou para uma outra página.

-Apos a prisão dele o senhor conseguiu recuperar as ações. O que não entendo é como a filha dele, a senhorita Iris Apatow, conseguiu sozinha encontrar alguns relatórios de vendas fraudulentas e entregar a polícia. Mantivemos o caso sob sigilo até agora por que ela é menor de idade, mas  não vejo mais por que esconder isso. A pergunta é, o senhor estava ciente de que ela sabia sobre os crimes do pai, ou tentou de alguma forma, mesmo que indiretamente coagi-la a entregá-lo.

Meu pai abaixou a cabeça, sendo pego de surpresa pela pergunta. Ele deveria dizer a verdade, dizer sobre nosso plano e que sim, teve influência naquilo, mas obviamente negou, por que se não estaria em uma enrascada. Assim como eu.

-Não. Não tive nada a ver. Pelo que eu sabia eles dois sempre tiveram um relacionamento difícil, Richard era exigente demais e talvez por conta disso ela tenha o entregado. -Ele respondeu calmamente, como se já tivesse pensado muito bem.

Para sua sorte ele sabia mentir, já estava costumado com isso. Eu estava transtornado, queria dizer a verdade, mas não podia, iriam me achar suspeito e pensei em Millie, em nosso filho. Seria demais para ela. De toda forma não era exatamente mentira, tive influencia, mas não pedi nem a forcei a fazer aquilo.

O investigador assentiu.

-Sim, faz sentido. A garota está desaparecida, já tem algumas semanas pelo que alguns empregados contaram desde que o pai recebeu a liberdade condicional, parece que fugiu de casa.

Engoli em seco de novo e Nick olhou para mim quando me levantei de repente sem nem perceber.

-Voces tem ideia de onde ela esta? -Perguntei com um tom mais alto do que eu gostaria.

-Eu iria fazer a mesma pergunta. -Pierre levantou o olhar e me encarou. -Pelo visto, temos a mesma resposta.

-Espero que esteja bem, ela acabou de perder os pais. -Nick falou, me pagando pela manga da jaqueta para me sentar. -Fica quieto. -Sussurrou.

-Sim, a polícia vai fazer buscas. Pelo que vi a senhora Eleonor não tinha nenhum envolvimento direto com os crimes do marido, mas também não foi encontrado nenhum registro de parentes dela no país. Ela é polonesa, então provavelmente se ainda tem alguém é de lá.

Polônia? Não. Impossível que Iris tenha ido para tão longe, nem poderia sendo menor de idade.

-Por enquanto é só. Caso tenham alguma notícia da garota entrem em contato. -Pierre levantou e cumprimentou meu pai com um aperto de mão.

-Sim e eu digo o mesmo. Gostaria de ajudá-la de alguma forma, ela é praticamente minha sobrinha.

Senti vontade de rir daquilo, mas me controlei, por que pelomenos meu pai parecia se sentir tão culpado quanto eu.

-Certo. A primeira opção seria manda-la para um orfanato ou um lar adotivo provisório até que complete a maior idade, mas se o senhor quiser acolhe-la tenho certeza de que seria melhor.

-Sim, com certeza.- Meu pai concordou.-Nick, você pode acompanhá-los até a porta?

-Ah, sim, claro. -Nick falou e então levantou do sofá. -Por aqui, por favor.

Os dois se despediram de mim ao passarem e saíram deixando o ar um pouco mais respiravel.

Olhei para meu pai que me encarava nitidamente esperando que eu dissesse alguma coisa. Nick não voltou, indo direto para a cozinha já ciente de que aquela conversa seria apenas entre ele e eu.

-Nós dois somos inacreditáveis não é? -Falei fitando seus olhos de longe.

Ele assentiu, como se esperasse por isso.

-A maior parte da culpa é minha, mas não queria que isso acontecesse.

-É nem eu. -Exalei o ar. Estava cansado para disputar a culpa que carregava. Já fizemos isso demais e nunca chegamos a lugar nenhum.

-Vou me redimir, falei sério quando disse que a acolheria, se for a vontade dela. -Ele disse, fazendo força na cadeira de rodas para se aproximar de mim. -Só não acho que ela vai querer minha ajuda.

-A sua talvez não. -Falei, depois de concluir um pensamento na minha cabeça.

Ele franziu o cenho sem entender e eu levantei do sofá tomando coragem para fazer o que era necessário.

-Não se preocupe, ela vem para cá, mas não vai ser a polícia que a convencerá disso nem o senhor.

-Finn, não me diga que...

-É isso pai. -O interrompi antes que ele terminasse. -Ela só virá se eu for atrás dela, e é isso que vou fazer. 


Notas Finais


Eita carai
Mesmo com tudo, ainda dá pena da Iris

Até breve ❤️


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