História Reminiscência - uma história escrita por Peonies of Tomorrow - Capítulo 17


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Categorias Homem-Aranha, Tom Holland
Personagens Personagens Originais, Tom Holland
Tags Comedia, Drama, Homem Aranha, Peoniesoftomorrow, Personagens Originais, Romance, Saga, Tom Holland
Visualizações 190
Palavras 2.467
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense
Avisos: Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Espero que gostem, mesmo. Quanto mais o tempo passa, mais eu só quero escrever, mas tenho outras responsabilidades, espero que entendam isso :( sei que estou ausente #sadgirl. Não crio essa história para mim, crio para vocês que estão lendo e se envolvendo com os personagens. Fico muito feliz com cada comentário, com a adição nas listas de leitura e nos favoritos que vocês dão na história. Obrigada por tudo, vocês sao uns queridos(as)! <3

Capítulo 17 - "O perdão te força a crescer além do que você era." - C. C.


Olivia`s POV

A cama é tão confortável que tenho vontade de virar parte dela, me enrolo todinha no cobertor até cobrir minha cabeça, como se estivesse me prendendo num casulo. Thomas ontem me deixou cansada, mas nunca me senti tão completa de corpo e mente. Nenhuma memória voltou, mas reconheci cada movimento, cada beijo, cada passada de língua que ele traçou em minha pele, como se estivesse queimando. 

Só de pensar em tudo que fizemos, sinto minha pele arrepiar e a vontade que tenho é de tê-lo aqui de novo ao meu lado, me beijando, abraçando. Acordei  de novo tem uns 10 minutos mas ainda estou sem coragem de levantar da cama. Escutei Thomas no banheiro, mas apenas quis voltar a dormir. Ele saiu de lá e fingi estar dormindo, por preguiça, até que ele saiu do quarto. Quis voltar a dormir mas não consegui, e agora estou aqui, apenas enrolando para encarar a realidade, típico de Olivia Campbell.

    Quando estou no hospital, parece que um outro ser possui meu corpo, meu objetivo é descobrir qual doença está afetando o meu paciente, curá-lo e ser o mais humana possível, prestativa e eficiente. Aprendi muito na minha profissão, posso fisicamente estar cuidando de apenas uma pessoa, mas os meus atos como interna refletirá em todas as pessoas que se preocupam e amam o paciente que estou tratando. A verdade é que é mais fácil resolver os problemas do outros do que os meus. 

    É igual quando estava no hospital, era mais fácil estar deitada tomando morfina para minha dor, do que lidar com o problema Tom x Declan. Olho para minha perna enfaixada, eu não sei como essa merda não quebrou ontem, estou para estraçalhar esse gesso com a mão e arrancá-lo da minha perna. Rio de mim mesma e da minha safadeza, uma canela quebrada não me impediu de transar, ontem rolou tanta oxitocina no meu corpo que nem dor senti, meus níveis de cortisol estão zerados.

    Relembrando tudo, concluo que nos perdemos uns no outro. Na verdade, eu estava perdida e me encontrei nele, ele é tão cheiroso, sua pele é tão quente, macia e suas mãos tão fortes e estáveis, que me pergunto o porque de não tê-lo atacado antes. De fato, não posso negar a química que há entre nós, mas me sinto muito mais feliz, quando penso no sentimento que em tão pouco tempo nutri por ele. 

    Quer dizer, nutrir não é a palavra mais correta para explicar o que comecei a sentir por Thomas, posso não lembrar das coisas, mas sei que o que sinto por ele não é de agora, o meu corpo e o meu subconsciente sabem disso, por fim, estou aceitando tudo aquilo que estava com medo: seu amor. Sexo maravilhoso a parte, o que esse homem tem feito por mim, se enraizou nas minhas veias e tomou uma proporção descomunal de amor, carinho e respeito, pensar em Thomas me faz abrir um sorriso gigantesco no rosto.

    Finalmente tiro o lençol da minha cabeça, motivada pela vontade de vê-lo, olho para a janela e vejo que está fechada e que entre as frestas dela entra uma luz forte da manhã. Levanto-me da cama com cuidado e visto minha camisola preta que estava jogada no chão. Vou a minha mala e procuro pelo meu celular, tem inúmeras mensagens da Ali e da Dani no nosso grupo do chat:

    "Dani S. B. : Já chegou?18:35

    "Ali v.d. Meyer: Avisa pelo menos, Olivia! Pelo amor de Deus, que amiga é essa?18:36

    "Dani S. B. : Né @Ali v.d. Meyer? Essa nossa amizade. Quando você volta?18:40

    Passo os olhos e as mensagens seguintes são apenas reclamações, coisas do tipo o porque que não avisei que já havia chegado e onde estava, porém tem uma de Dani que chama minha atenção, chegou agora de madrugada.

    “Dani S. B. : Preciso conversar com vocês, urgente! Sei que nosso tempo está corrido, nem nos vimos semana passada por causa do tempo, mas preciso conversar com vocês, por favor04:16 

    “Eu: Oi, desculpa a demora, hoje que vim mexer no celular.  Chego em Londres daqui dois dias. O que aconteceu?07:10

     Não se passa um minuto e tenho a resposta da Dani. 

    "Dani S. B. : Prefiro conversar pessoalmente, quando você chegar nos reunimos, nós todas. Vai ficar tudo bem. Depois nos falamos xx07:10

    “Eu: Vai sim, qualquer coisa estou aqui, também preciso contar umas coisas para vocês. Como chego daqui dois dias, vocês podem me esperar lá em casa? Chego no voo das 16h07:12

    "Dani S. B. : Eu posso, não sei a Ali, mas eu sim. Sua chave reserva está no mesmo lugar de sempre?07:13

    “Eu: Sim sim, no mesmo lugar. Amo vocês. xx07:13

    "Dani S. B. : Eu também :/ xx espero por você lá no apartamento07:14

    Meu coração se aperta e me sinto mal por Dani, ela está sofrendo demais por causa do Milo. Respiro fundo e ponho na minha cabeça que assim que me encontrar com as meninas, depois irei conversar com Milo. Porém, tenho que resolver primeiro os meus problemas.

     Olho melhor para a cama e o quarto, Tom simplesmente não juntou nada do chão, nem suas roupas, aquele bagunceiro. A cama parece que passou um furacão por ela, os lençóis estão todos bagunçados e a maioria dos travesseiros estão jogados pelo chão. Vou em direção a janela e a abro, apenas uma fresta para refrescar o quarto, o que é suficiente para ver que meu pai, MEU PAI e Thomas Stanley estão indo em direção ao vinhedo. Que porra é essa?

    Continuo a observá-los, estão indo para o armazém, onde os vinhos estão fermentando nos barris. Por que isso? Por que meu pai está conversando com Thomas? Vou ao banheiro, tiro minha roupas, e que merda, não encontro um plástico para enrolar no gesso da minha perna, então apenas a estico o suficiente para ficar fora de alcance da água. Tomo um banho rápido, visto minhas roupas íntimas, pego minha calça jeans e visto um moletom de gola alta vermelho escuro, setembro está chegando e com ele o frio também, calço sapatilhas cor nude, são as únicas que consigo usar. Saio do meu quarto, vou em direção a escada e a desço com certa rapidez e desespero contido, já que não posso pular degraus com a perna desse jeito. 

    Chego ao térreo e não sei se saio pela porta lateral ou pela da frente, mas decido passar na cozinha para ver se tem alguém lá, antes de ver o que está acontecendo no armazém. Tento me acalmar contando os passos, 1, 2, 3, 4, 5, ... , 18,  reconheço o piso da cozinha e levanto meu olhar, procuro por alguém. Vovó está sentada no banco, com uma xícara na mão e a outra está passando as folhas de uma revista portuguesa, está concentrada e a encaro daqui, no arco da cozinha. 

    Seus cabelos estão soltos e o grisalho, até que enfim, está cobrindo o seu cabelo que antes era de um tom loiro. Ela está elegante, como sempre, usando uma calça larga de linho cáqui, uma blusa azul, de um tecido fino e um cachecol cinza enrolado no pescoço, ela é linda, se mamãe ainda estivesse viva, provavelmente ficaria tão linda quanto. Meu coração se aperta ao pensar nela e a falta que me faz.

    — Vovó — a chamo, mas ela não me escuta ou apenas está me ignorando. — Sofia. 

    — Estou pensando se irei te responder, Olivia — ela diz, está chateada comigo, eu sei. — Sua mãe não te educou bem? 

    Ando em direção a mesa e quando chego, me sento do lado oposto, ficando de frente para minha vó, que de certeza iniciará uma conversa sobre o meu comportamento. 

    — Sim, educou. 

    — Então, me diga, Olivia, que comportamento foi aquele seu de ontem? 

    Aí, meu Deus.

    — Sei que estou errada. — Afirmo.

    — Sabe mesmo? — ela devolve com uma pergunta. — Veja bem, você fez eu e Thomas vir aqui para Portugal, pois se sentia na necessidade de conversar com o seu pai. Correto? 

    — Sim. 

    — Por que ainda não o fez então? 

    — Porque quando eu cheguei, ele não me deu atenção, mas quando a senhora chegou, ele foi correndo te abraçar. 

    Minha vó para por um estante, absorvendo as palavras que falei. 

    — Entendo, porém, você deveria ter tentado falar com ele, se não, qual o propósito de termos vindo até aqui? 

    — Queria que Thomas conhecesse a minha família — digo, começando a me irritar. — E ainda quero falar com meu pai, só não encontrei o momento correto. 

    — E quando será o momento correto? 

    — Quando descobrir o que ele e Tom estão conversando — respiro fundo ao falar isso. — A senhora sabia que eles estão lá no armazém? 

    — Vi quando Enzo chamou Tom para conversar. 

    — E? — pergunto. 

    — E nada, não estou lá com eles — vovó fala séria.

    Caralho. 

    — Por que a senhora está me tratando assim?

    — Porque às vezes, você parece ser muito infantil — ouch, doeu. — Sou sua avó, eu amo você e quero o seu bem, mas você não é a única que sofre com a perda de sua mãe. No início, eu não entendia o porquê de Enzo estar afastado, mas aí me lembrei como é perder o amor da minha vida e tentei conversar com ele, mesmo sendo a minha filha que não estava mais presente. Vocês dois vivem de orgulho ou medo, para não iniciarem uma conversa, tentar se resolver.

    — Mas — ela me corta. 

    — A questão não é o “mas” — ela faz um movimento de aspas com as mãos. — A questão é que ele é sua família, seu pai, você vai esperar perdê-lo de vez para tentar construir o relacionamento que tinha entre vocês dois? Olivia, você é adulta.

    — Ele também é! Por que ele também não pode fazer isso? — elevo o meu tom de voz de tão nervosa que estou.

    —Alguém tem que ceder, Olivia. Se não é o seu pai, é você — ela diz esperançosa e com calma. Como ela consegue ser assim?

    — Eu sei, as coisas estão difíceis desde o acidente, minha perda de memória… — tento falar, arranjar uma justificativa para a minha chateação.

    Vovó solta um riso de deboche. O que aconteceu com essa mulher hoje? Pelo amor de Deus.

    — O que? — sinto o sangue latejar nos meus ouvidos. — O que foi?    

    — Não tem nada a ver o relacionamento com o seu pai com sua perda de memória. O atrito entre vocês vem de anos atrás, não de agora — pior é que é verdade, admito.

    Paro por um estante e penso em todos os momentos     que eu poderia ter compartilhado com meu pai, meus pais e não compartilhei. Minha mãe não vai voltar, mas eu ainda tenho o meu pai aqui, eu tenho uma chance.

    — O que devo fazer então? — retiro a armadura que estou usando desde que cheguei aqui e sinto vontade de chorar. — Eu não sei o que fazer. 

    — Você e seu pai são iguais, tem que ter paciência na hora que for conversar com ele — vovó pega as minhas mão que estão sobre a mesa e as aperta. —Não sinta raiva, meu bem, o seu pai te ama. O perdoe, não há coisa mais linda que isso, perdoar é entender a dor do outro, é ser sensível e condolente com o que ele sente. Não se prenda às coisas que aconteceram no passado se elas ainda te machucam. Você vai se sentir mais leve quando você falar tudo que tiver vontade de falar, Enzo merece ouvir muitas coisas.

    Vovó solta as minhas mãos e limpa minhas bochechas, as lágrimas desceram e eu não percebi. A verdade é que eu me fechei quando mamãe morreu e não dei oportunidade para o meu pai cuidar de mim, para lidarmos com as nossas dores juntos. Perder ela me doeu tanto, que decidi abandonar tudo, minha casa, meu pai, minha prima, só para não sentir essa dor. Entrei em um estado letárgico por dez anos, foquei em outras coisas, como a minha profissão, apenas para não sentir a minha aflição, para não sentir a angústia do meu próprio pai, que se instalou nele e fez morada. Perceber que fui egoísta, não só com ele, mas com Cora, Lilith e vovó, é como levar um tapa de luva.

    — Vou lá com ele — digo me levantando, vovó não me impede.

    — Boa sorte — ela diz, e eu saio pela porta lateral que há na cozinha.

    Desço pelas escadas com calma, repasso a conversa, como pretendo começá-la, milhares de vezes pela minha mente. Olho ao redor e vejo as uvas, estão quase boas para a colheita, o cheiro é forte e elas estão bem roxas. Chego no armazém e a porta está fechada. A curiosidade abraça meu peito e escuto através da porta o que Tom e meu pai estão conversando.

    — Quero que você fique com isso, eu insisto — isso é a voz do meu pai, que vontade de abrir essa porta, meu Deus.

    Um minuto se passa e nenhum dos dois fala algo. O que diabos está acontecendo aí dentro? 

    — Obrigado, não tenho palavras… obrigado — agora foi Tom.

    Escuto batidas, como se os dois estivesse se abraçando e dando aquela batida de cumprimento nas costas um do outro, como homens fazem, acho que isso é normal entre eles, tipo um código. Mas a pergunta que fica é: por que eles estão assim? Escuto passos vindo em direção a porta e me afasto para que ela não bata em mim. A porta se abre e Tom estatela os olhos como se estivesse assustado. O que aconteceu? É porque estou aqui?

    — Oi — ele diz nervoso. — Está tudo bem? — ele pergunta, sua voz está tremendo.

    Olho para o meu pai e ele está segurando uma risada, eu tenho certeza. Aperto os olhos analisando a situação, tentando fazer uma leitura corporal para descobrir o que estavam conversando.

    —Está sim — viro para o meu pai e falo: — Na verdade, queria conversar com o senhor. Podemos? 

    Pergunto esperançosa, agora é a hora.

    —Claro que sim, minha filha. Vou te esperar lá dentro.

    Ele me chamou de filha, meu coração se aperta e o choro começa a se formar na garganta. Ele se vira e volta para o armazém. Olho para Thomas e ele se aproxima, me abraçando e beijando o topo da minha testa.

    —Você é o próximo com quem conversarei — digo séria, claro que eu vou perguntar o que meu pai deu para ele.

    —Tudo bem, senhoria Campbell — ele pega meu rosto com as duas mãos e beija minha boca, sinto falta dele, seus lábios estão quentes e doces, antes que percebesse, ele estava desgrudando nossos lábios muito cedo. —Depois conversamos, estarei te esperando.

    Ele me solta, dá um último aperto em minha mão e me deixa sozinha em frente a porta do armazém. 

    Eu preciso entrar.

    Eu vou entrar.

    Entrei.

 


Notas Finais


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