História Remix de Gelo e Fogo - Capítulo 36


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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones)
Personagens Aegon Targaryen, Aemon Targaryen, Arianne Martell, Arya Stark, Ashara Dayne, Brandon "Bran" Stark, Catelyn Stark, Cersei Lannister, Daenerys Targaryen, Daenys Targaryen, Davos Seaworth, Eddard Stark, Edric Storm, Gendry, Jaime Lannister, Jon Snow, Lyanna Stark, Margaery Tyrell, Melisandre, Rhaegar Targaryen, Rickon Stark, Robb Stark, Robert Baratheon, Samwell Tarly, Sansa Stark, Theon Greyjoy, Tyrion Lannister, Tywin Lannister, Viserys Targaryen, Yara Greyjoy
Tags Crônicas De Gelo, Fogo, Game Of Thrones, Universo Alternativo
Visualizações 664
Palavras 13.935
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Literatura Feminina, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Seinen, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, pessoal!

Primeiramente, gostaria de pedir desculpas pela minha ausência e pelo meu sumiço. Como vocês devem saber, final de ano é complicado, e meu semestre está apertadíssimo, então eu nem consegui responder a todos os comentários, infelizmente. Mas eu prometo que responderei todos assim que puder, não estou ignorando vocês, sério.

Segundo, eu fiz o grupo do whatsapp. Quem tiver interesse, o link está nas notas finais.

Bem, esse é um capítulo que foi difícil, pq ele é bem revelador em alguns aspectos. Ele confirma algumas coisas e prepara a história para o futuro. Como eu fiquei ausente por tanto tempo, nada mais justo que dar a vocês agora o MAIOR capítulo da fic até o momento, com tremendas 14 mil palavras.
Espero que tanta palavra sejam um presente para vocês, e não uma tortura kkkkk

Também espero que gostem bastante desse capítulo.
Enfim, boa leitura!

Capítulo 36 - Briga de Leões - Aegon, Daenerys, Cersei, Jaime e Tyrion


Aegon

 

O rapaz do cabelo platinado estava sentado à mesa da cozinha de seu apartamento em Ponta Tempestade. Ele tinha preparado o café da manhã e estava sentado enquanto esperava a mulher com quem ele dormiu noite passada acordar. Mas aparentemente ela não queria acordar. Ele terminou de tomar sua xícara de café e decidiu subir até seu quarto.

Mas antes que sequer se levantasse, viu Wynafryd entrando na cozinha. Ela estava trajava uma larga camisa que era dele, com os cabelos bagunçados e uma expressão de cansada no rosto. Ela olhou para o rapaz e ficou parada.

– Por que acordou tão cedo? – Ela reclamou com uma voz sonolenta, parando de falar e pondo a mão à frente da boca, bocejando.

– Não sei. – Ele respondeu. – Só não consegui dormir direito.

Os dois tinham ido dormir bem tarde. Ficaram bastante tempo fazendo coisas que nunca poderiam contar a ninguém, e ele teve a leve impressão de que ela gostou daquilo tanto quanto ele.

– Se você estava incomodado com a minha presença, podia ter dito. – Ela se aproximou da mesa.

– Não fiquei incomodado. – Ele sorriu. – Só fiquei com fome e vim fazer o café pra gente.

– Pra gente?

– É. – Ele indicou a mesa com a mão. – Ou você acha que eu vou comer isso tudo sozinho?

Wyna sorriu e puxou a cadeira.

– Obrigada. – Ela disse, se sentando à mesa.

A mulher começou a se servir, e enquanto comia, Aegon falou:

– Não achei que você quisesse acordar e me encontrar na mesma cama em que você estava.

Ela riu, comeu um pedaço de uma fatia de bacon e respondeu:

– Seria muito estranho. – Ela confessou. – Mas é melhor do que acordar e ver que o cara já foi embora, nem me esperou acordar.

Wyna claramente tinha algum problema com abandono. Talvez um cara de quem ela gostava muito transou com ela e sumiu no dia seguinte, demonstrando nem um pouco de consideração com a garota. Aegon não sabia muito da vida dela, mesmo com ela enfiada na casa dele quase toda a semana.

E foi então que Aegon percebeu uma coisa: ele sabia muito pouco de quase todos que estavam à sua volta. Ele só percebeu o que se passava com sua irmãzinha porque Rhaenys a fez confessar. Ele só soube de Daenerys porque Rhaenys o fez entender tudo. Mas de Rhaenys, ele pouco sabia.

O que se passou com Margaery? Podrick iria tentar entrar no time novamente esse ano? Cletus realmente era apaixonado por Daenerys ou ele só dava em cima dela de brincadeira? O que sua prima Lanna ia fazer na faculdade? Como era a família de Verme Cinzento? Como era o relacionamento de Theon, Asha e Maron? Como eles lidavam com a morte do irmão mais velho deles? Como Loras estava indo na faculdade? Seu tio Viserys iria terminar a faculdade algum dia?

Como era Jon? Ele realmente era um cara legal como diziam? Será que ele tratava sua tia bem? Robb algum dia gostou de Margaery de verdade ou só a usava como ela usava os dois? Ele e a Jeyne Westerling tinham algo? Como era Gendry? Será que ele seria um bom namorado para sua irmãzinha? Sansa realmente era apaixonada por Aegon, ou ela só gostava da popularidade dele? Eles mal se conheciam... Na verdade, ele mal a conhecia.

Aegon Targaryen tinha dito para Sansa Stark que ela passou o ano passado inteiro preocupada só com o umbigo dela e mal se importou com as pessoas à sua volta. Mas ele era exatamente igual. Ficou preocupado demais com seu drama com Margaery que mal notou tudo o que acontecia ao seu redor. Dizia que era o rei daquela escola, mas não era o rei de porra nenhuma.

Toda uma cidade estava vivendo ao seu redor. Tanta gente interessante, com suas próprias histórias, seus próprios dramas, e ele não se permitiu olhar para o lado em momento algum.

Até agora.

Agora ele estava vendo uma pessoa que sempre esteve perto dele, sempre esteve à sua volta, mas ele nunca olhou para ela. O que Wyna passou? Como era a relação dela com a irmã mais nova, com sua família? Ela era do Norte, será que era amiga dos Stark? O que ela queria da vida? Ela já teve algum namorado?

Aegon não sabia de nada da garota que ele via toda semana em sua casa. Quem dirá de Sansa Stark, Cletus Yronwood ou Theon Greyjoy. Talvez fosse o momento de mudar aquilo. Não precisava ficar correndo atrás de uma garota, tinha tanta coisa além daquilo para se fazer. Se Margaery Tyrell realmente quisesse ficar com ele, ela ficaria. Se ela quisesse a sua ajuda para passar por toda aquela barra que ela aparentemente estava passando, ele a ajudaria. Como seu namorado, como seu amigo, seu colega, ou seja lá o que ela quer que ele seja.

Wyna comeu mais uma fatia de bacon, limpou as mãos com um lenço que estava em cima da mesa, e levou suas mãos aos cabelos. Viu enquanto ela o ajeitava e começava a fazer uma trança. A sua característica trança.

– Não! – Ele pediu, fazendo com que a parasse com as mãos no cabelo e olhasse para ele. – Você fica bem mais bonita de cabelo solto.

A morena sorriu e largou o cabelo, fazendo com que ele caísse sobre os seus ombros. Ela comeu mais uma fatia de bacon, mas logo ela olhou novamente para o rapaz. Não sorria mais, na verdade, seu olhar parecia de culpa.

– Aegon, me desculpa. – Ela disse, colocando sua mão sobre a dele. – Eu não devia ter vindo aqui ontem.

– Mas eu queria que você viesse. – Ele sorriu.

– Não, não queria.

– Do que você tá falando? Eu que te enchi o saco pra subir.

– Eu sei. Mas não era eu que você queria que estivesse aqui. – Ela disse, e ele ficou calado, sem sorriso algum no rosto. – Por isso você quer que eu mantenha os cabelos soltos, não é? Porque assim eu te lembro a Margaery.

Aegon puxou sua mão e a depositou em seu colo. Ele olhou para seu próprio prato, pegou um pedaço de panqueca e enfiou na boca. Não tinha o que dizer, ela estava certa. Quando ele a viu dirigindo a Ferrari com o cabelo solto voando ao vento... Ela estranhamente estava muito parecida com Margaery. Uma Margaery um pouco mais velha e menos magra, mas mesmo assim ainda parecida.

E naquele momento ele ficou profundamente triste. Ele queria acordar ao lado de Margaery Tyrell. Ele queria sentir o corpo dela sobre si naquela manhã, queria acordar mais cedo para fazer café da manhã para ela, queria tomar um banho de piscina com ela... Era ela que ele queria lá hoje. E todos os dias.

Mas não teria. Pelo menos, não agora.

Não é como se estivesse arrependido de ficar com Wyna. Ela era uma menina legal, bonita, e foi muito boa naquela noite. Mas ele não era apaixonado por ela, foi apenas sexo, não teve aquilo que ele sentia quando ficava com a outra menina dos cabelos castanhos que invadiu seus sonhos naquela noite e não o deixou dormir direito.

– Eu vim porque achei que era só sexo. – Wyna disse ainda olhando para ele. – Achei que você ia me usar da mesma maneira que eu te usei. Mas pra você não era só isso, não é? – Ela pôs a mão no rosto, provavelmente constrangida. – Ai meu Deus. Por isso a gente bebeu tanto, não é? Eu achei que você queria me embebedar, mas você que queria ficar bêbado. Ficou mais fácil assim, não é?

– Não... – Aegon tentou falar, mas ela continuou.

– Ficou mais fácil imaginar que eu era a Margaery, não foi?

– Chega! – Aegon pediu. – Eu não fiquei imaginando que você era a Margaery, Wyna. Você tem razão, esse foi um dos motivos para eu querer dormir com você essa noite, quando eu vi você na faculdade não tinha percebido antes, mas quando eu acordei essa manhã, eu notei. Mas não foi o único motivo, você é bonita, é legal, é divertida... E é muito boa com a boca.

Aquele último comentário arrancou uma gargalhada da mulher.

– E você é muito bom com as mãos. – Ela confessou. – E a noite foi muito melhor do que eu imaginava. Muito mesmo.

– Nossa, você achou que seria uma merda.

– Não, idiota. – Ela riu. – Só achei que seria bem estranho.

– Por que estranho?

– Porque eu te conheço desde que somos pequenos.

Ele ia dizer que provavelmente Dany e Jon não acham nada estranho transar com alguém que eles conhecem desde pequenos. Mas ficou quieto, não sabia se Rhaenys contou para Wyna.

– Mas escuta. – Ela pediu. – Você precisa superar a Margaery. Ela passou por muita coisa e precisa amadurecer. Vocês dois precisam.

– Eu sei. Mas será que eu não poderia amadurecer ao lado dela? – Ele sugeriu, dando um sorriso sem-graça.

Ela sorriu com o que ele disse.

– Ela precisa de alguém como você. – Wyna disse. – Mas ela precisa querer isso primeiro.

– Eu não posso esperar isso a vida toda.

– Não espere. Viva a sua vida. Se tiver que ser, será, Aegon.

– Sabe, eu não acredito muito nisso. E se ela demorar tanto que eu começo a namorar? Aí ela larga o sentimento por mim e começa a namorar também? Aí a gente se casa com pessoas diferentes e temos filhos?

– Isso não é impedimento nenhum. Pode até demorar, mas se tiver que ser, será. Pode demorar, mas vai acontecer. O tempo não é fator determinante.

– Você realmente acredita que duas pessoas podem largar toda uma vida só pra viver um sentimento que elas abandonaram há não sei quantos anos atrás?

– Aegon, se tiver que ser, será. – Ela repetiu.

Aegon revirou os olhos.

– Você realmente acredita nisso? – Ele perguntou.

A menina olhou nos olhos dele e ficou calada. Ela não acreditava, mas ela queria que ele acreditasse. Os dois ficaram calados, aquele assuntou se encerrou ali. Comeram por mais alguns minutos em silêncio, até que Aegon resolveu mudar o foco da conversa.

– Como é a sua relação com a sua irmã? – Ele perguntou.

Wyna o olhou desconfiada.

– Por que essa pergunta? – Ela manteve o tom de desconfiada.

– Porque eu não sei quase nada sobre você. Acho que é hora de eu te conhecer.

– É? – Ela riu. – Depois de anos, agora que você acha que é hora de me conhecer?

– Isso não é impedimento nenhum. Demorou, mas aconteceu. O tempo não é fator determinante. – Ele disse, sorrindo.

A mulher fechou a cara, mas Aegon notou que ela estava se segurando para não rir.

– Sabe, eu odeio quando usam o que eu falo contra mim. – Ela disse. – E você sabe que o contexto é totalmente diferente.

– Mas não deixa de valer para os dois contextos.

Ela sorriu.

– Tudo bem, Aegon Targaryen. Já que você quer saber da minha vida, eu vou contar.

 

Daenerys

 

Daenerys Targaryen voltou para sua casa ao amanhecer. Deixou Margaery em sua casa na Campina e foi para Pedra do Dragão, não tinha mais motivo para permanecer em seu apartamento. Chegando em sua garagem, notou que o carro de seu irmão, Viserys, não estava na garagem. Provavelmente Aegon ainda estava em seu apartamento.

Sentiu pena do sobrinho. Sabia que ele tinha expectativas para aquela noite, e que deve ter se sentido péssimo quando foi rejeitado. Ela só esperava que ele não tivesse feito alguma besteira. Os Targaryen têm uma tendência a perderem o controle e fazerem besteiras quando ficam tristes ou com raiva. Ela própria quase usou drogas na semana passada quando se sentiu triste.

Dany entrou em casa e chegou na cozinha. Encontrou-se com seu irmão, Rhaegar, fazendo o café. Ele estava usando uma bermuda de praia e uma camisa branca. Ela sentiu o cheiro de protetor solar vindo dele.

– Chegou cedo. – Ele disse. – Achei que só viria mais tarde.

– E você acordou cedo. Vai pra praia? – Ela perguntou quase não acreditando.

– Vou. – Ele respondeu, meio contrariado. Rhaegar não era o maior fã de praia. – Cersei e as meninas querem, e eu prometi a Cersei que vou pegar menos trabalho e ser mais presente em casa.

Daenerys sorriu. Era bom ver que seu irmão estava determinado a fazer isso. Ele estava, de fato, mais ausente do que o normal.

– E Aegon? E Viserys? – Ela perguntou pelos outros dois.

– Viserys ainda está com a consciência na China. Ele ainda tá se adaptando ao nosso fuso-horário, então nem perguntei a ele. O cara tá dormindo há um tempão. – Rhaegar respondeu. – E o Aegon ainda está no apartamento dele. Acho que deu tudo certo ontem. – Ele deu um sorriso.

– Não, Rhaegar. – Dany rapidamente disse. – Não deu.

Seu irmão a olhou preocupado.

– Ele comentou algo com você?

– Ele não, mas a Margaery sim. Ela dormiu lá em casa essa noite. – Dany disse, e Rhaegar pareceu decepcionado. – Sinto muito pelo Aegon, mas não deu certo.

– O que ele fez dessa vez?

– Tudo certo. Ele fez tudo direitinho, mas no fim ele não conseguiu.

– Ela não queria?

– Querer ela quer. Mas ela não se sente preparada para isso. – Dany suspirou. – Às vezes precisa de mais do que isso. Às vezes, mesmo com os dois querendo, um relacionamento não é possível.

Rhaegar suspirou e encostou-se na pia.

– Eu entendo perfeitamente. – Ele disse, para a surpresa de Dany. – Pode deixar que mais tarde eu vou conversar com o seu irmão, quer dizer, com o seu sobrinho. – Ele se corrigiu, mas Dany nada disse, apenas revirou os olhos. – Falando nisso, eu conversei com o Viserys e nós decidimos ir visitar o papai amanhã.

Daenerys não entendeu o que um relacionamento impossível tinha a ver com o pai deles, mas ela decidiu não perguntar qual era a relação entre os dois assuntos. Ele pelo jeito só queria ver se ela queria ir junto, mas Dany não estava com a mínima vontade.

– Legal. – Ela disse sem o mínimo de entusiasmo na voz.

– Você devia vir junto, Dany. – Ele sugeriu, para desgosto da menina.

– Rhaegar...

– Dany, faz tempo que você não vai visitar o papai.

– Eu sei. – Ela admitiu. Sabia daquilo melhor que ninguém. – É só que... Eu me sinto péssima lá, e eu não estava muito bem nas férias, então...

– Eu sei disso, por isso não insisti para que fosse nesse período. Mas agora você está bem, vai até sair hoje à noite. – Daenerys balançou a cabeça negativamente.

O motivo para ela estar bem na última semana era a presença constante de Jon no seu dia. Jon Stark, o filho mais velho de Eddard Stark, um dos responsáveis pelo terrível destino de seu pai. Como ela iria se sentir, saindo da presença de Jon e logo em seguida indo ver o seu pai? Ela provavelmente iria se sentir péssima, iria sentir que estava traindo o pai que nunca teve.

O pai que sempre esteve ali, mas que nunca pôde estar de fato em sua vida.

Aquela era uma situação de merda para Daenerys.

– Dany, nós somos os filhos dele. Precisamos ir. – Rhaegar a lembrou.

Mas ela sabia que teria que encarar aquela situação uma hora ou outra.

Suspirou, e respondeu:

– Tudo bem. Que horas vocês estão pensando em ir? – Ela questionou.

– Não decidimos ainda, estava esperando você. – Ele disse, sorrindo de maneira aliviada.

– Vamos de tarde. – Ela sugeriu. – Eu não sei que horas vou acordar amanhã.

– Pode ser. – Ele pegou a mão da menina. – Obrigado, Dany.

Ela deu um pequeno sorriso para ele.

– Eu vou dormir um pouco mais. – Ela disse. – Que horas vocês pretendem sair?

– Ah, isso é com a sua cunhada. – Ele falou, indo até a pia e pegando uma xícara de café. – Vê com ela, mas eu imagino que ela queira estar na Fortaleza Vermelha às 11 horas.

– Ok.

Daenerys saiu da cozinha e foi para a sala de estar. De lá, viu pela porta de vidro que levava até a piscina as outras três mulheres da casa. Elas estavam sentadas em uma mesa, debaixo de um para sol. Cersei estava sentada com um biquíni vermelho e uma canga amarrada na cintura. Ela tinha um belo corpo, o sonho de Daenerys era chegar na idade dela com corpo que ela tinha, principalmente depois de ter três filhos.

Rhaenys estava com um biquíni roxo, tocando seu fiel violino. Ela tinha um corpo bonito como o a da mãe, era bem parecida. Visenya estava tocando sua flauta transversal, trajando um biquíni verde. Ela era um pouco mais magra que as duas, mas seus peitos tinham crescido pelo que Dany pôde perceber. Ela estava em sérias dúvidas se Visenya não estava com os peitos maiores que o dela.

Daenerys agora podia ser a mais despeitada da casa. E aquilo era triste pra caramba.

Ela caminhou até o lado de fora, ouvindo a doce melodia produzida por suas duas sobrinhas. Todos da casa tocavam algum instrumento, coisa dos Targaryen. Rhaenys tocava violino, Visenya tocava flauta, Aegon tocava uma lira, Viserys era um baixo acústico, Rhaegar, uma harpa, e, por fim, Dany e Cersei tocavam piano.

Cersei tocava piano por que sua mãe tocava. Ela tentou ensinar para Rhaenys quando era mais nova, mas a menina preferiu tocar um violino. Quando Dany era pequena, tentou tocar o piano da cunhada, e ela acabou pegando Dany e a ensinando a tocar.

Daenerys era até boa naquilo, tinha até sua própria aluna para continuar passando a tradição, Myrcella Lannister, embora ela tinha que admitir que fazia tempo que não ia até a casa dela dar uma aula à garota.

Quando ela se aproximou do trio, as três olharam em sua direção. Rhaenys e Visenya até pararam de tocar.

– Bom dia. – Dany disse.

– Bom dia. – As três lhe responderam em tempos diferentes.

– Você quer sair daqui que horas, Cersei? – Dany perguntou.

– 10:30. – A mulher respondeu. – Você vai na praia conosco?

– Não, ainda estou cansada. Acho que vou dormir mais.

– Olha lá, hein. 10:30 vamos sair daqui, quero saber de atraso não. – Cersei a alertou.

– Pode deixar, mamãe. – Daenerys falou, enfatizando a última palavra, o que fez com que a loira sorrisse enquanto balançava a cabeça negativamente. – Nove e meia estarei de pé.

– Acho bom. Se não estiver, eu mesma vou te pegar pelos cabelos e te arrastar pro banho. – Cersei disse aquilo dando seu melhor sorriso.

Daenerys engoliu em seco. Sabia que a cunhada poderia acabar fazendo aquilo de fato. Ela apenas acenou com a cabeça e voltou para casa. Subiu as escadas e entrou em seu quarto. Sentiu a luz do sol entrando no quarto, então fechou a porta da varanda e puxou as cortinas. Ligou o ar-condicionado e foi para a cama.

Mas antes de se deitar, viu que seus três gatos estavam dormindo preguiçosamente lá.

– Chão! – Ela ordenou. – Os três! Eu quero dormir.

Rhaegal foi o único que se deu trabalho de olhar em sua direção, erguendo um pouco a cabeça. Mas logo ele jogou a cabeça na cama novamente e voltou a dormir.

Daenerys foi até Viserion e o pegou. Viu o gato mexendo as patinhas tentando se agarrar na cama, mas ela conseguiu tirá-lo de lá. Colocou-o no chão e foi até Drogon. Puxou o gato preto, ignorando seus protestos e sua tentativa falha de permanecer na cama. Mas assim que o pôs no chão, ela viu que Viserion já tinha pulado de volta na cama.

Ela pôs a mão na testa e suspirou, e viu que Drogon fez o mesmo que Viserion.

Ela pulou na cama no meio dos gatos e se ajeitou entre eles. Ficou toda torta, mas pelo menos estava em sua macia e confortável cama. Colocou o celular debaixo do travesseiro e se ajeitou um pouco melhor na cama, entre os três gatos.

– Seus folgados. – Ela reclamou antes de fechar os olhos e dormir.

Na percepção de Daenerys, não tinha se passado nem cinco minutos quando ouviu alguém entrar em seu quarto.

– Dany? Acorda, minha filha. – Ela ouviu Cersei dizer ao longe.

– Hm? – Dany tentou dizer algo, mas só resmungou.

– Tá na hora. – Cersei disse.

– Vai pra praia. – Dany pediu, virando para a parede.

– Daenerys, já fui e já voltei. Levanta, já são nove e meia.

Impossível. A menina puxou o celular e viu em sua tela que já marcava 9:32.

– Ahhhh. – Ela gemeu, bem triste. – Mais cinco minutinhos. Por favor.

– Tá bom. Mais cinco minutos. – Ela ouviu Cersei dizer.

Daenerys somente fechou os olhos novamente e rapidamente caiu no sono. Estava cansada pra caramba.

Continuou dormindo, até que ouviu Cersei chama-la novamente:

– Dany! Vamos! – Cersei disse aquilo ao lado de Daenerys, dentro do quarto dela. Dany nem a viu entrar. – Chega! – Ela parecia mais impaciente que da última vez.

– Já foram cinco minutos? – A Targaryen perguntou.

– Eu te dei quinze minutos! Vamos!

– Tá bom! Tá bom! – Dany sentou-se na cama. – Pode deixar, acordei.

– Ótimo! – Cersei falou. – Vou terminar de me maquiar então. – Ela caminhou até a porta. – Não volte a dormir, menina! – Ela ordenou.

Cersei saiu do quarto escuro. Escuro e frio. Daenerys estava dentro de um quarto escuro, frio, com um edredom e em cima de uma cama quentinha e confortável. Ela não teve muita escolha, apenas deitou novamente a cabeça no travesseiro e fechou os olhos. Sentiu o sono lhe levar novamente.

– DAENERYS TARGARYEN! – Cersei berrou de dentro do quarto.

Daenerys virou assustada da cama, enquanto via seus três gatos pulando da cama. Ela olhou para a fonte do berro.

– Que isso? – Falou assustada.

– VOCÊ VOLTOU A DORMIR! JÁ SÃO 10 HORAS! QUER CHEGAR ATRASADA? – Cersei continuou berrando.

– Meu Deus. Precisa gritar tanto? – Daenerys reclamou.

Ela ouviu Cersei rosnando.

– Chega. – Ela falou num tom normal, enquanto se dirigia até as cortinas.

– Não faz isso. – Dany pediu, sentando-se na cama.

Mas Cersei simplesmente a ignorou. Ela puxou as cortinas para o lado, fazendo com que a luz do sol entrasse violentamente naquele ambiente.

– Puta que pariu! – Daenerys xingou, fechando os olhos. – Isso dói pra caralho.

– Eu não te ensinei a falar assim, mocinha. – Cersei reclamou.

– Tô cansada pra caramba, Cersei. Só quero dormir. – Daenerys pediu, com sua melhor voz de pidona.

– Dany, isso não funcionava comigo quando você tinha três anos de idade. O que te faz achar que eu vou ficar com pena agora, quinze anos depois? – Cersei disse, fazendo com que Daenerys bufasse de frustração. – Toma.

Daenerys abriu os olhos e viu que Cersei estava lhe oferendo uma xícara de café.

– Do jeito que vocês gostam. Fervendo. – Cersei falou.

– Sério? Você trouxe café pra mim? – Dany a olhou surpresa.

– Só bebe essa merda. – Cersei falou, e Dany sentiu a impaciência voltando em sua voz. – Já são 10 horas, só bebe isso e se arruma, senão vamos chegar atrasados pra caralho.

Daenerys riu e pegou a xícara da mão dela. Ela não ensinou Dany a falar daquela maneira? Será mesmo?

– Quero você pronta, linda, perfeita e impecável em meia hora. Vamos! – Cersei a apressou.

Daenerys bebeu um gole do café e sentiu a energia voltar ao seu corpo. Ela se levantou e olhou para a mulher loira.

– Mas linda e perfeita eu já sou. – Daenerys brincou, piscando os olhos e sorrindo.

– Eu tô com cara de quem tá brincando? – Cersei a olhou de maneira bem séria.

– Eu queria que estivesse. – Daenerys disse.

– Anda, minha filha. O tempo tá passando. – Cersei falou antes de sair do quarto.

Daenerys foi com sua xícara de café até a varanda. Imediatamente de frente ficava a varanda de Elaena Blackfyre, literalmente a sua vizinha. Ela estava lendo algo em seu kindle, sentada em uma cadeira, com os pés jogados sobre o parapeito de vidro da varanda. Quando Dany surgiu na varanda, a menina a olhou.

– Olha só quem está aí. A princesa de Pedra do Dragão, em todo o seu esplendor. – Elaena falou, rindo.

As varandas das duas eram bem próximas, o que significava que se elas falassem um pouco mais alto que o normal, conseguiriam se escutar.

– Eu tô bonita, Blackfyre? – Daenerys perguntou.

– Com esse cabelo bagunçado todo desgrenhado e uma cara de cansada pra caramba? – Ela disse sorrindo. – Você tá toda arregaçada, Targaryen. – Dany riu. – Acho que você pode perder o seu posto de princesa para mim se alguém te ver assim.

– Eu queria estar dormindo mais. – Dany confessou.

– Então vai dormir.

– Não posso. Hoje eu tenho um almoço com o senhor prefeito.

– Que honra! – Elaena disse, mas pelo tom Dany percebeu que ela não considerava aquilo honraria nenhuma.

– Tive uma ideia. – Daenerys falou. – Que tal você ir no meu lugar e fingir que sou eu?

– Dany, isso não funciona mais. Eu e você estamos diferentes agora. Seu cabelo ganhou tons dourados e os meus olhos, tons azulados.

Daenerys bufou.

– Se você não tivesse esse monte de piercing, tatuagem, e se não tivesse raspado a lateral da cabeça, qualquer um acreditaria que você e eu somos a mesma pessoa, que nem quando éramos crianças.

A outra riu.

– A gente testa isso de novo um dia desses. – Ela prometeu.

– Aproveitando que você tá aqui, me ajuda com uma coisa. – Daenerys pediu.

– Com o quê?

– Pera.

Daenerys entrou no quarto, foi até seu guarda-roupas e puxou dois vestidos, um preto e um azul. Estava em dúvida de qual dos dois usar no almoço, então iria aproveitar que Elaena estava lá para dar um conselho. Levou os dois vestidos até o lado de fora e mostrou a ela.

– Qual dos dois você acha que eu devo usar? – Ela perguntou.

– Hmmm... – Elaena encostou-se no parapeito da varanda, ainda segurando seu kindle. – Por que você não usa aquele seu vestido violeta? Ele é lindo.

– Não, esse eu vou usar de noite.

– Ah é? Vai jantar com alguém? – A menina perguntou, surpresa.

– Vou sim.

– Com quem, posso saber? – Ela a olhou sorrindo, curiosa.

– Não, não pode. – Daenerys disse.

A outra menina a olhou meio assustada.

– Caramba! Que direta e sincera. – A Blackfyre disse.

– É! – Dany sorriu. – Tô praticando, preciso ser mais sincera e direta.

 

Cersei

 

A senhora de Pedra do Dragão andava impacientemente pela casa. Estava nervosa, estava com medo. Estar na presença de seu pai trazia velhos medos e inseguranças de volta. Ela gostava de ser a filha perfeita, a filha que desse orgulho ao pai. Mas desde que começou a namorar Ned Stark, ela foi largando um pouco desse seu objetivo. Infelizmente, não podia negar que uma parte grande de Cersei ainda sonhava com o dia que o pai dissesse que estava orgulhoso dela.

Entrou na sala de estar e viu três de seus quatro filhos sentados no sofá, vendo alguma coisa na TV. Cersei foi até eles e ficou na frente da TV.

– Mãe! – Aegon e Visenya reclamaram. Rhaenys ficou calada.

– Cadê a irmã de vocês? – Ela perguntou.

– Dany ainda tá se arrumando. – Rhaenys respondeu.

– Visenya, você nem se arrumou ainda. Estamos quase na hora de sair. – Cersei falou, apontando para a filha caçula.

Visenya estava vestindo uma blusa branca, uma calça jeans normal e um sapato. Pelo menos ela já estava maquiada, e bonita, como sempre.

– Claro que estou arrumada. – Visenya reclamou.

– Arrumada? Assim? – Cersei se aproximou da filha. – Escuta aqui, vai ter gente tirando foto da gente por lá. Você tem que estar perfeita.

– Ah, mãe, puta que pariu. Larga disso. – Visenya reclamou.

– Rhaenys, ajuda sua irmã a se arrumar, por favor? – Cersei pediu, ignorando os protestos da caçula.

– Claro, mãe. – Rhaenys se levantou.

Ela estava com um vestido rosa bem bonito. Estava linda e perfeita, perfeita como sempre. Cersei nunca precisou reclamar com a sua filha mais velha de nada, ela sempre fez tudo direitinho. Observou Rhaenys puxar sua irmã mais nova pela mão e as duas subirem as escadas, embora a mais nova ainda parecesse contrariada.

Cersei olhou para seu filho.

– Nem vem, moça. – Ele falou antes que ela pudesse sequer dizer algo. – O cara aqui tá gato pra caramba.

Ele se levantou e girou no mesmo lugar. Usava uma camisa polo bonita e uma calça bem arrumada. Ele estava bonito mesmo.

– Ótimo! – Cersei falou.

Ela saiu da sala e foi para a cozinha. Pegou um copo d’agua da geladeira e encostou-se na bancada. Viu seu marido chegar, arrumado. Ele sorriu e deu a volta no balcão, se posicionando atrás dela. Passou os braços pelo abdômen da esposa e a abraçou. Cersei deixou sua cabeça cair no ombro do Targaryen enquanto ele depositava um beijo em seu ombro.

Rhaegar a entendia em tudo. Os dois tiveram uma infância parecida, com pais exigentes demais. Os dois foram criados para serem perfeitos, em todos os sentidos. Eram para ser lindos, inteligentes, populares, geniais em tudo. Rhaegar abraçou aquela ideia um pouco mais que Cersei, mas provavelmente foi pelas experiências que tiveram.

Cersei teve um Stark por anos em sua vida, uma família que não exigia perfeição alguma de seus membros, pelo contrário. Já Rhaegar, ele namorou com a escrota da Lyanna Stark por muito pouco. Provavelmente terminaram por causa de Aerys Targaryen, ele não aceitaria uma namorada tão imperfeita para seu filhinho perfeito. A única mulher que ele dizia que era boa o suficiente para seu filho era Cersei, a filha de seu melhor amigo.

O maldito teve seu sonho realizado, pelo menos.

– Por que você tá tão nervosa, minha gatinha? – Rhaegar perguntou.

– Não sei. – Cersei respondeu. – Só tô com um sentimento ruim.

– Você sempre fica com um sentimento ruim quando vamos ver o seu pai.

Ela não queria admitir isso, mas ele tinha razão. Cersei não sabia o que sentia em relação ao seu pai. Era um misto de amor, ódio, respeito, medo, e raiva. Era tanta coisa misturada e entalada em sua garganta que ela não sabia mais o que achar dele. Só não gostava de ficar por lá. Pegou um ranço de seu pai desde que ele praticamente a obrigou a abortar o filho que teria com Ned.

Cersei nunca falou daquilo com ninguém. As únicas pessoas que souberam de sua gravidez foram seu pai, Jaime, Tyrion e Ned. Este último soube apenas depois que ela abortou, o que foi uma das causas de seu término, ela imagina. Desde que contou aquilo a Ned, ele nunca mais a tratou da mesma forma. Ela ficou compelida a nunca mais esconder nada dele, então uma semana depois, contou a ele do relacionamento incestuoso que teve com Jaime quando eram muito novos, e aparentemente aquilo foi a gota d’agua.

Se Cersei não tivesse contado nada, provavelmente seria Ned quem estaria a abraçando naquele momento. Contar a verdade era uma merda, ela aprendeu aquilo. Por isso nunca contou nada daquilo ao seu marido, ou a mais ninguém.

Seu pai a obrigou a abortar aquele filho. Seu pai a obrigou a não contar nada a Ned até resolverem aquele “problema”. Problema. Era isso que ele falava que era o filho de Cersei. O filho que ela teria com Ned. Ela não devia tê-lo ouvido. Devia ter contado tudo a Ned desde o início e dito que teria aquele bebê. Ela já tinha 19 anos de idade, não era mais uma menina, e sabia que provavelmente a família Stark a receberia muito bem naquela casa.

Mas uma jovem ouvir o que ela ouviu de seu pai, o homem que ela sempre admirou e sempre quis fazer de tudo por ele... Ela não conseguiu pensar direito, apenas o obedeceu, e fez uma grande merda. Tyrion era muito novo, ele protestou contra a ideia, mas seu pai o desprezava demais para lhe dar ouvidos. Jaime ficou sem reação, não sabia o que fazer. Seu pai o obrigou a leva-la até uma clínica para realizar “o procedimento”. Ela só foi pensar naquilo anos depois. Só foi refletir de verdade sobre tudo quando já era tarde demais.

Ela foi fraca. Jaime foi fraco. Tyrion foi fraco. Os três eram fracos perto de seu pai. Todos eram fracos perto dele. Desde então ela não conseguia ficar perto dele sem sentir aquele sentimento ruim. E naquele dia, os três ficariam na presença dele novamente. E mais uma vez, seriam fracos em sua presença.

 

Jaime

 

Jaime Lannister estava sentado no banco do carona de seu carro. Estava um pouco nervoso de estar indo rever seus dois irmãos e seu pai ao mesmo tempo. Aquilo normalmente não dava nada certo, mas o pai provavelmente queria mostrar sua família perfeita e linda à mídia. Provavelmente para preparar sua campanha para governador para o ano que vem.

Aquele era um ponto que ele tinha a mais contra Jon Arryn. O falcão não tinha uma família tão completa quanto o leão. Tywin tinha três filhos brilhantes, o comissário de polícia da cidade, um promotor de justiça e uma advogada famosa. O comissário é casado com uma atriz de teatro, uma Martell, irmã do presidente do Tribunal do Estado e do ex-jogador da Liga Americana de Futebol Americano, e os dois têm um casal de filhos adorável. A advogada é casada com um Targaryen, dono da Companhia Aérea da cidade e dono da maior parte das ações do aeroporto, com três filhos lindos. Não tinha como competir com aquela família.

Mas aquilo não foi à toa. Seu pai guiou os três desde que começaram a andar. Ele queria tudo aquilo, sempre quis. Queria que Cersei se casasse com Rhaegar, queria que eles fossem brilhantes. Talvez a única coisa que aconteceu que ele não queria era o casamento entre Jaime e Elia. Mas aquela era a coisa que Jaime fez que ele mais se orgulhava na vida.

Seu pai queria que ele se casasse com Ashara Dayne ou com Catelyn Tully.

Queria Ashara, pelo simples fato dela ser uma Dayne. Aqueles que seguiam a religião do Deus Vermelho acreditavam que os Dayne eram quase semideuses, ou descendentes de um casal de semideuses, Ulrick e Maris Dayne, que eles diziam que era a reencarnação de um casal importante na religião deles.

Então, os filhos de Jaime seriam famosos e importantes para aquela religião, assim como os filhos de Ned Stark eram hoje. Thoros, um sacerdote vermelho, sempre tratava os filhos de Ned como se fossem dois príncipes. Mas aquela estratégia era para quando fossem as eleições para governador, pois essa religião não era muito difundida em Westeros. Mas em outras cidades, ela era relativamente popular, como Volantis.

Mas Ashara nunca ficaria com o ex da amiga dela. Nunca mesmo.

Quanto à Catelyn, Jaime nunca faria aquela besteira. Ela era uma modelo, bonita, famosa, e provavelmente era para tirar o apoio de Hoster Tully a Jon Arryn, mas somente um idiota iria dar em cima de Catelyn. Ela já namorava há anos com Brandon Stark, e o último tapado que tentou algo com ela se deu muito mal.

Petyr Baelish sempre deu em cima da ruiva, mas em uma festa da faculdade ele beijou a mulher, provavelmente a agarrou. Quando Brandon Stark soube daquilo, partiu como uma besta pra cima do rapaz. Jaime não sabe muito bem o que aconteceu, mas Petyr foi mandado para o hospital, e quase morreu.

Por que Jaime iria ser idiota àquele ponto?

Para piorar, Brandon não era um mongol. Quando ele percebeu que Tywin Lannister estava se metendo de alguma maneira em seu relacionamento, ele mesmo foi até a casa dos Lannister e mandou o homem ficar de fora, senão ele próprio iria acabar com Tywin Lannister.

Brandon Stark era um homem corajoso. Isso ninguém poderia negar.

Mas Jaime nunca deixou nada ficar no meio de seu relacionamento com Elia Martell. E ele não se arrependeu daquilo em nenhum momento de sua vida. Agora ele estava sentado no banco do carona, enquanto a sua linda mulher dirigia até a Fortaleza Vermelha.

Elia, Myrcella e Tommen estavam cantando alguma música do Justin Bieber animadamente. Ele adorava aquela animação, aquela alegria que Elia dava em sua vida, ela sempre sabia como faze-lo sorrir.

Ela olhou para o lado quando pararam no sinal vermelho, fixou o olhar no marido enquanto ainda cantava. Ela parou e perguntou a ele:

– Que foi?

– Nada. – Jaime respondeu.

– Você sabe que não consegue esconder nada de mim.

– Só estou um pouco nervoso.

– Não precisa. – Ela deu a partida com o carro assim que o sinal abriu. – Eu vou te proteger.

Jaime riu enquanto seus filhos ainda cantavam no banco de trás.

– Elia, será que você pode não arrumar briga com a minha irmã hoje? – Ele pediu.

A morena olhou para ele quase indignada.

– Eu? Ela que sempre arruma briga comigo.

– Tudo bem. Só evite, por favor.

Elia olhou para o homem.

– Tudo bem, meu loiro. Serei comportadinha, vou fazer jus ao meu sobrenome Lannister.

Jaime riu novamente.

– Ótimo!

A música trocou, e Elia voltou a cantar com os filhos. Eles ficaram daquela maneira até se aproximarem da Fortaleza Vermelha.

Ela ficava em Porto Real. Antigamente era a sede do governo do Estado, até o fim da Segunda Guerra Mundial, no qual o governo dos Estados Unidos trocou a sede do governo de volta para Valíria. Desde então, a Fortaleza era a sede da prefeitura, a casa do prefeito de Westeros.

Ela era construída em pedra vermelho-clara, com telhas negras. É uma grande mansão, maior que a casa de qualquer das nove grandes famílias. Tinha um grande e belo jardim à sua volta, cercada por um grande portão em bronze, cheio de seguranças. Para entrar, tinha que passar pelo portão principal, atravessar um pequeno riacho sob uma ponte, e dirigir até a entrada da Fortaleza.

Próximo da entrada do portão tinham alguns fotógrafos, provavelmente de jornais locais, querendo tirar uma foto da família do prefeito. Jaime contou uma ou duas dezenas de pessoas, cercando o portão. Assim que se aproximaram, alguns seguranças se meteram no meio das pessoas e abriram o caminho para que passassem com o carro.

O portão se abriu, e ele passaram com o carro enquanto os fotógrafos tiravam várias fotos pela janela. Elia não gostava daquela exposição excessiva, principalmente em relação aos seus filhos. Notou que a esposa acelerou o carro para passar logo pelo portão.

– Esses idiotas não têm mais nada de interessante para cobrir, não? – Ela reclamou. Virou-se para o marido. – Não tem mais nada importante? Um crime, talvez?

– Não. – Jaime admitiu. – Não tem mais nada.

– Olha só. – Ela sorriu. – Então você tá trabalhando direitinho, tá reduzindo a criminalidade da cidade. Parabéns, mô.

– Ah, não sou só eu. É toda a polícia, os juízes e os promotores. – Ele foi humilde.

Não estava mentindo. Promotores como seu irmão e Lyanna Stark, juízes como Ned Stark, Roose Bolton e Stannis Baratheon, e seus colegas policiais, que fizeram um ótimo trabalho.

Ele se lembrou quando entrou na polícia. Era uma corporação corrupta e ineficiente. Fazia dupla com Bronn, mas o homem logo saiu da polícia por não ver um futuro melhor na corporação, indo trabalhar com Tyrion. Jaime insistiu, e continuou. Subiu arduamente na carreira, quase se rendeu à corrupção, mas manteve-se firme, e chegou até o cargo que ocupa hoje. Graças a outros policiais que buscavam um futuro melhor naquela cidade, ele estava conseguindo mudar a corporação.

Talvez os quatro policiais que eram mais próximos dele eram Brienne Tarth, Beric Dondarrion, Sandor Clegane e Jorah Mormont.

Brienne era uma moça jovem, a mais jovem deles, mas era também a mais virtuosa e que a mais buscava a justiça. Jaime identificou aquilo nela, então a ajudou a subir rapidamente na carreira, pois viu que ela era o que faltava na polícia. Brienne era uma boa moça, honesta e justa. Jaime confiava totalmente nela. Ela era uma das policiais mais competentes, mas sofria muita discriminação na polícia por ser uma mulher e jovem. Apesar disso, Jaime se certificava de mostrar a todos que Brienne era um exemplo a ser seguido.

Beric Dondarrion não era diferente. Ele tinha um senso de dever e justiça que era difícil de encontrar. Se Jaime passava um trabalho para ele, Beric não parava até cumprir a sua missão. Eles até brincavam dizendo que se Beric fosse baleado e morresse, a alma dele voltaria ao corpo e se recusaria a morrer até terminar a missão. Beric era noivo de Allyria Dayne, irmã mais nova de Arthur e Ashara, os dois iriam se casar em outubro ou novembro.

Jorah Mormont era um homem complicado. Era um policial competente, mas era casado com uma mulher muito ambiciosa, Lynesse Hightower, cunhada de Mace Tyrell. Lynesse queria sempre mais dinheiro, mais presentes, coisas que Jorah não podia comprar com tanta frequência com o salário que ele recebia na polícia. Isso fez com que Jorah se corrompesse e começasse a desviar dinheiro público da polícia, para manter o alto nível de vida de sua esposa.

Jorah foi descoberto, entretanto, e ele foi processado pela justiça. Ned Stark foi o juiz de seu caso, e o sentenciou a ficar cinco anos em prisão domiciliar, e mais três anos impedido de atuar na polícia novamente. Lynesse o abandonou e se divorciou. Hoje ela está com algum cara rico de Lys, enquanto Jorah ficou anos miserável.

Depois de cumprir sua pena, Jorah tentou voltar para a polícia. Jaime já era o Comissário à época, e Jorah pediu uma segunda chance ao Lannister. Jaime sabia o valor de uma segunda chance, então deixou o homem voltar à força policial. Desde então, Jorah tem feito um excelente trabalho, e Jaime não tinha uma reclamação dele. Aparentemente, ele se redimiu por completo.

Sandor Clegane tinha um irmão que também estava na polícia, Gregor, mas Jaime não confiava em Gregor, desconfiava que ele era um dos policiais corruptos que ele tanto tentava combater. Sandor, por outro lado, era um bom homem. Ele era rabugento, antipático e grosso, mas por dentro Jaime sabia que ele ainda buscava fazer o certo, inclusive se sacrificava pelos outros.

Há uns nove ou dez anos, Sandor e Gregor foram atender uma ocorrência em uma mansão em Ponta Tempestade. Os dois trocaram tiros com os bandidos, mas a mansão começou a pegar fogo. Somente tinha um bebê na casa, os pais já tinham sido retirados. Gregor saiu correndo atrás dos bandidos, mas Sandor voltou para a casa em chamas para salvar o bebê.

Ele conseguiu salvar o bebê, e os dois escaparam por muito pouco do incêndio. Os dois escaparam, mas com sequelas. Hoje, Sandor apresentava uma queimadura enorme no rosto, e Jaime sabia que aquela desfiguração foi um dos motivos para a amargura do homem, mas o Lannister apenas via aquela marca como uma lembrança de que o homem pode ser um herói, que ele está disposto a se sacrificar pelo que é certo, apesar de tudo.

Hoje, aquele bebê cresceu, mas também com sequelas e marcas. Ao menos, Shireen Baratheon estava viva, e era a mais nova amiguinha de seu filho mais novo. E isso graças a Sandor Clegane.

Jaime e sua família chegaram até a Fortaleza Vermelha. Jaime notou que o carro dos Targaryen ainda não tinha chegado, então provavelmente eram os primeiros ali. Ele saiu do carro, junto com Elia e as crianças. Alguns empregados foram recebe-los, e disseram para segui-los.

Eles entraram no hall de entrada, um largo e amplo corredor, com algumas pilastras acompanhando o corredor. No fundo, alguns degraus e acima, um trono diferente de qualquer outro trono. Era um trono de ferro, feito das armas dos soldados do exército de Westeros. Aegon Targaryen tinha pegado muitas armas dos exércitos que faziam parte das antigas sete cidades, e uniu-os em um só trono, para representar a união daquelas cidades em apenas uma, Westeros.

Acima do Trono de Ferro estava pendurada a arma de Azor Ahai, a lendária Luminífera.

Aquele trono era mais parte da decoração, o prefeito não sentava ali de fato, era muito desconfortável. Também servia para tirar fotos legais. Sempre que tinha visitas à Fortaleza Vermelha, as pessoas faziam longas filas para tirarem fotos sentadas no Trono de Ferro. Aquele era quase um cartão postal da cidade, juntamente com a própria Fortaleza Vermelha, a Grande Catedral de Baelor, a Muralha, a Hightower, a Cidadela, a Ponte das Gêmeas, entre outros.

Eles foram até um corredor lateral, e a funcionária da prefeitura os guiou até uma sala de estar que eles já conheciam. Era grande e espaçosa, com grandes janelas, uma lareira, algumas poltronas e um grande sofá. Um piano preto e bonito ficava no canto do cômodo.

Encontraram Tyrion sentado em uma poltrona, sozinho, mexendo no celular. Quando chegaram, ele pôs o celular no bolso e sorriu.

– Achei que ninguém viria e eu tivesse que almoçar com ele sozinho. – Tyrion comentou.

– Até parece. – Jaime sorriu e foi até o irmão para abraça-lo. – Por que tão cedo?

– Não tinha nada pra fazer. Achei que pelo menos Cersei estivesse aqui, ela sempre chega mais cedo. – Ele respondeu, enquanto abraçava Elia.

– É, estranho ela ser a última de nós três a chegar. – Jaime concordou. – Onde está o papai?

– Agora que você chegou, ele deve descer. – Tyrion se virou para os sobrinhos. – Como estão vocês?

Eles conversaram rapidamente antes que a outra família chegasse. Cersei e Rhaegar vieram, acompanhados de Viserys e Daenerys, os irmãos de Rhaegar, e Visenya, Aegon e Rhaenys, os sobrinhos de Jaime. Todos se cumprimentaram animadamente. Jaime sempre foi amigo de Rhaegar, e amava os sobrinhos. Também tinha uma boa relação com Daenerys, que era parecida com sua irmã, e com Viserys, o irmão maluco de Rhaegar.

Conversaram rapidamente, com Viserys monopolizando a conversa relatando suas experiências na China. O rapaz sempre viajava, e sempre tinha as histórias mais malucas do local, onde ele sempre se metia em confusão. A maioria delas, desnecessária, iniciada por bebida, mulher, cassino e dinheiro. Mas ele sempre conseguia se livrar das maiores enrascadas. Jaime tinha suas dúvidas se ele realmente era daquele jeito ou se ele inventava aquelas histórias, afinal, não tinha ninguém pra desmentir.

Olhou para sua irmã gêmea e notou que Cersei estava nervosa. Talvez tanto quanto ele ou Tyrion. O caçula sempre teve razão, a presença de seu pai era tóxica, principalmente aos três. E agora, depois de tudo que aconteceu entre os quatro, forçar aqueles momentos de famílias felizes sempre era estranho ao trio de irmãos. Os outros não sabiam de metade do que eles já passaram nas mãos do pai controlador e manipulador.

– Senhores. – Eles ouviram a mesma funcionária que os conduziu até ali falar da porta do cômodo. – O senhor Lannister está esperando os senhores na mesa. O almoço já será servido. Permitam-me acompanhar os senhores, por favor.

 

Aegon

 

A sala de jantar era grande como qualquer cômodo daquele lugar. A Fortaleza Vermelha fazia sua casa parecer um barraco. Tudo era bonito e bem detalhado. A mesa era grande o suficiente para comportar todas aquelas pessoas. Tywin Lannister, o prefeito de Westeros, estava sentado em uma das pontas da mesa.

O avô de Aegon era um homem alto, magro, de ombros largos. Ele tinha poucos fios de cabelo branco na cabeça, e uma barba completa, bem aparada, branca. Ele tinha uma expressão impassível no rosto, com muitas rugas. Aegon não tem nenhuma memória do avô sorrindo, ou sequer lhe falando algo legal ou carinhoso. Por aquele motivo, não tinha muita afeição por ele.

Pelo que Olenna Tyrell lhe contou na noite anterior, ele sempre foi daquela maneira, amargo, frio, calculista, e maquiavélico. Era um homem perigoso, segundo ela. Mas Aegon não precisava de ninguém lhe dizer isso, ele já sabia o que o avô fazia ao seu tio Tyrion, um homem bom de quem Aegon gostava bastante.

Tywin estava sentado em uma ponta da mesa, à sua direita estavam Jaime, Elia, Myrcella, Tommen, Tyrion e Aegon. À direita de Aegon, estava a outra ponta da mesa, com algumas cadeiras vazias. À esquerda de seu avô, estava sua mãe, seu pai, Visenya, Rhaenys, sua tia Dany e, à sua frente, seu tio Viserys.

Quando almoçava na presença de seu avô, Aegon prestava mais atenção na etiqueta. Sua mãe sempre ensinou a maneira certa de se portar, mas quando ela não estava por perto ele não ligava muito para aquilo como Rhaenys ligava. Mas ali, qualquer erro podia ser visto pelo grande senhor Lannister, e ele odeia erros.

Viserys estava contado aos outros de como era a China, e ao fim de sua história, Tywin Lannister finalmente se pronunciou.

– Você tem que parar de arrumar problemas onde quer que vá, Viserys. – Tywin disse, com sua voz grossa e imponente. – Numa bobeira dessas, pode manchar o nome da família, e consequentemente o nome de sua empresa e de seu irmão.

– Mas meu irmão não tem nada a ver. – Viserys falou.

– Pode não ter, mas isso reflete na imagem dele. Ano que vem, quando as pessoas forem votar nele, vão se lembrar que é o irmão de Viserys, o rapaz que sempre se mete em confusão.

Viserys Targaryen não pareceu ter gostado do comentário dele, mas resolveu ficar quieto. Viserys e Daenerys preferiam não se meter com Tywin, pois eles eram apenas agregados. Eles na verdade preferiam não estar ali, apenas iam porque queriam manter a ideia de que a família Lannister e Targaryen eram muito próximas, como sempre foram, desde a época do pai deles.

– É como o relacionamento de Daenerys com aquele motoqueiro encrenqueiro. – Ele continuou falando, fazendo com que Dany o olhasse com raiva. – Era péssimo para a imagem da família. Pelo menos o rapaz já foi embora e ela ficou livre dele.

Aegon notou que Daenerys já ia dar uma resposta muito malcriada a Tywin, mas antes que ela pudesse falar qualquer coisa, Rhaenys segurou seu pulso e deu um olhar significativo à tia. Daenerys apenas olhou para seu prato e voltou a mexer na comida, sem comer nada de fato.

– Vô, o que relacionamentos têm a ver com imagem da família? – Aegon perguntou.

Todos da mesa olharam para o rapaz, provavelmente sem acreditar que ele realmente estava questionando o avô. Rhaenys estava com o pânico no olhar. Mas Tywin ainda estava com a mesma expressão, pouco surpreso com o questionamento.

– Ora, Aegon. Tem tudo a ver. Um bom relacionamento faz toda a diferença. – O avô respondeu, bebendo um gole de seu copo. – O seu com a Margaery Tyrell, por exemplo, é um bom relacionamento. Mesmo que ela seja neta da Olenna, ela é de boa família, uma moça que tem popularidade, bonita e inteligente. Esse é um bom relacionamento, que melhora a imagem da família.

Margaery... Ele nunca comentou dela com seu avô, nem lembra de ninguém falando alguma coisa com ele. Mas aquele nome... Aquele nome despertou sentimentos ruins em Aegon. Sentimentos que ele não queria se lembrar naquele momento.

Aegon Targaryen segurou os talheres com força e tentou segurar a raiva e a tristeza que começava a tomar conta de si.

– Ah, é? E o que seria um relacionamento ruim para mim? – Ele perguntou.

– Uma Stark, uma Baratheon, uma Tully ou uma Arryn, por exemplo. – Ele respondeu.

Aegon sentiu o olhar de Visenya. A menina o olhou de maneira triste, e ele entendeu o recado. Era por isso que ela não queria falar nada para ninguém de Gendry. Ela estava com medo justamente daquela situação. Ela não tinha medo apenas do que os pais fossem achar, mas também tinha medo do que o avô pudesse pensar daquele relacionamento.

E ele obviamente iria odiar.

Mas quer saber? Aegon estava pouco se fudendo para o que Tywin Lannister pudesse pensar.

Olhou novamente para sua irmãzinha, e ele sabia o que teria que fazer. Ele iria puxar todo o ódio para si e chocar a todos.

Iria fazer o que sabia de melhor: pagar de doido, meter o louco.

– Ah é? E se eu aparecesse aqui com Sansa Stark e a apresentasse como minha namorada? O que você iria fazer? – Aegon perguntou, largando os talheres no prato, fazendo um alto barulho.

Todos da mesa o olharam de olhos arregalados.

– Aegon... – Sua mãe iria falar algo, mas Tywin a interrompeu.

– Eu iria desaprovar com todas as forças esse relacionamento, e eu tenho certeza que ele não iria para frente. – O avô falou.

– Não, vô. Se eu quiser ficar com Margaery Tyrell, Sansa Stark, com uma árvore, ou até com Robb Stark, eu vou ficar. Sabe por que? Porque eu tô pouco me fudendo pro que qualquer um dessa mesa fosse pensar disso. – Todos o olharam com os olhos arregalados, inclusive seu avô. – E quer saber o que você iria fazer quanto ao meu relacionamento? Porra nenhuma! – Os olhos dos outros apenas aumentavam, e aparentemente todos estavam sem reação. Todos com exceção de Tyrion, que olhava para seu próprio prato. – Você não ia fazer porra nenhuma porque o senhor não tem que se meter em relacionamento meu, e muito menos tem que falar o que o senhor falou para a Dany.

– Cuidado, Aegon. – Surpreendentemente quem disse aquilo não foi seu avô, mas foi seu tio Tyrion. – Meu pai é expert em destruir relacionamentos. Se não fosse por ele, por exemplo, sua mãe nunca teria terminado com Ned Stark.

Nesse momento, a mesa explodiu. As pessoas começaram a falar coisas baixinhas, mas a que chamou a atenção foi a reação de sua mãe. Cersei Lannister virou rapidamente para seu pai e quase gritou:

– Como é que é?

– É isso mesmo, Cersei. – Tyrion continuou. – Eu sei disso. Soube há algum tempo, mas nunca tive a oportunidade de te contar. O nosso maravilhoso papai se meteu no seu relacionamento. Na verdade, ele sempre se meteu em tudo de nossas vidas, não é?

– Aegon! – Ele ouviu Rhaenys o chamar do outro lado da mesa. – Endoidou? – Ela perguntou, brava.

– Não. – Aegon respondeu.

Ele só estava com pouca paciência, não gostou de lembrar de sua decepção com Margaery, e gostou menos ainda do tom que seu avô usou com sua tia, além dele ter falado algo que desmotivou Visenya. Se Aegon fosse inimigo de seu avô, que seja. Mas ele não queria deixar ele continuar atacando as pessoas à toa em nome da “boa imagem da família”.

Tywin Lannister bateu na mesa e todas as conversas pararam.

– Vou pedir para que todos se retirem, por favor, com exceção dos meus filhos. – Tywin pediu.

Aegon ouviu algumas cadeiras sendo arrastadas, e logo a maioria da mesa se levantou. Ele sabia que o melhor era deixar sua mãe e seus tios conversarem com ele, não tinha ninguém melhor para aguentar Tywin Lannister do que os três.

Ele começou a sair do salão. Na porta, sentiu alguém colocar a mão em seu ombro. Era seu tio Viserys, ele sorria para o sobrinho.

– Nem todo herói usa capa. – Ele falou, arrancando uma risada de Aegon.

 

Tyrion

 

No salão ficaram apenas Tyrion, Jaime, Tywin, Cersei e Rhaegar. O homem dos cabelos prateados se recusava a sair.

– Rhaegar, se retire por favor. – Tywin pediu, pela segunda vez.

– Não. – Ele recusou.

– Rhaegar. – Cersei falou, pondo a mão no ombro do marido. – Pode ir, sério.

O homem olhou para a esposa por alguns segundos, mas no fim levantou-se da cadeira e saiu atrás dos outros, fechando a porta.

Tywin se levantou da cadeira e foi até a janela. Ficou olhando para o horizonte. Cersei também se levantou, ficando um pouco mais atrás do pai. Tyrion e Jaime se olharam. O mais novo indicou com a cabeça para os dois, e Jaime entendeu que era melhor se aproximar da irmã.

Cersei era meio explosiva e impulsiva. Dependendo do que seu pai fosse lhe falar, uma mesa cheia de facas perto dela não era uma ideia boa.

– Do que o Tyrion estava falando, pai? – Ela perguntou.

Tyrion se levantou enquanto observava Jaime se colocando ao lado da irmã mais velha. Ele caminhou lentamente até o outro lado da irmã.

– Tyrion, quer se explicar? – Tywin sugeriu.

– Benjen Stark me contou recentemente, Cersei, que ele viu o Ned indo ao encontro do seu pai umas três vezes algumas semanas antes do término de vocês dois. – Tyrion explicou. – Ele também não sabe qual era o teor da conversa dos dois, mas ele garantiu que Ned ficou todo esse tempo muito estranho, culminando no término de vocês, em que ele ficou muito mal.

– Quê? – Jaime parecia surpreso.

– Como é que é? – Cersei olhou ameaçadoramente para o pai – O que você falou pro Ned?

– Cersei... – Tywin se virou para os três e tentou falar.

– Você ameaçou ele? Você mentiu para ele? Você... – Ela pareceu ter pensado em algo terrível, pois pôs a mão na frente da boca e arregalou os olhos. – Você... Você contou para ele.

– Contou o quê? – Jaime perguntou.

– Ele contou! – Cersei mudou sua expressão para a mais pura raiva. – Você contou, não foi? Por isso você pediu para eu não contar ao Ned até resolvermos tudo. Você planejou tudo isso para acabar com o meu namoro.

Cersei foi até a mesa e apoiou seus braços na superfície. Tyrion entendeu do que ela estava falando, e ele entendeu que aquilo provavelmente era a verdade. Muita coisa devia estar passando pela cabeça da irmã naquele momento.

– Você contou a Ned que Cersei estava grávida dele? – Jaime perguntou ao pai. Pelo jeito, ele também entendeu.

– Ele contou. Foi isso, agora faz sentido. – Cersei disse, ainda de costas para eles. – Meu Deus, Ned já sabia. Ele sempre soube, só estava me esperando contar. Mas quando eu contei...

– Já era tarde demais. – Tyrion completou por ela.

– Ele achou que eu escondi isso dele e tomei a decisão de abortar sozinha. Ele acha que eu decidi abortar o nosso filho sem que ele sequer soubesse. – Cersei disse, mais para si mesma que para eles.

– Mas você decidiu isso sozinha. Você decidiu abortar. – Tywin finalmente se pronunciou.

Eles tiveram um segundo de silêncio. Tyrion apenas viu Cersei olhar para mesa, mas quando ele achou que ela iria falar algo, se surpreendeu.

Sua irmã virou com velocidade e arremessou um prato na direção no pai deles. Por sorte – ou por azar –, errou o alvo, arremessando o prato na parede, fazendo com que ele se quebrasse em pequenos cacos.

– SEU DESGRAÇADO! – Ela gritou. – Você sabe que eu só fiz isso porque você me obrigou a fazer. Você sabe que eu não queria fazer.

Cersei estava com os olhos marejado, pelo que Tyrion pôde notar. Ela fez menção de partir para cima do pai, mas Jaime a segurou pela cintura.

– Cersei, calma. – Ele pediu, pois tanto ele quanto Tyrion sentiram que ela estava quase explodindo de vez.

– Calma? – Ela disse com a voz fraca. – Por que você fez isso pai? Por que você deixou eu namorar com ele para acabar com isso depois de três anos de relacionamento?

Tywin ficou calado. Mas ele não precisava dizer nada, Tyrion já tinha sua própria teoria para aquela resposta.

– Ele nunca quis, Cersei. – Tyrion disse, fazendo com que os outros três Lannister olhassem para ele. – Mas ele preferia você namorando um Stark, um rapaz bom, de boa família, com um futuro brilhante pela frente, do que solteira ou com um rapaz pior. Ele não era a opção ideal do nosso pai, mas era longe de ser uma opção ruim. Ele odiava Ned, mas tolerou. Isso até que ele e Aerys ganhassem as eleições.

– Não. – Jaime balançou a cabeça negativamente. – Pai, me fala que não foi por causa disso. Me fala que não foi por um motivo egoísta desses.

– Foi. Não é coincidência que ele permitiu o namoro logo quando os dois começaram a campanha, e vocês terminaram alguns meses depois deles terem tomado posse. – Tyrion falou.

– Vocês três têm que entender que eu não faço o que é melhor para vocês. – Tywin falou. – Eu faço o que é melhor para a família.

– Família? – Jaime falou. – Que porra de família é essa? Você tem usado nós três desde que somos crianças ao seu favor.

– Não seja ridículo, Jaime. Eu apenas guiei suas vidas para o caminho certo. Ou vão me dizer que vocês não estão bem de vida? Todos vocês, os três.

– Não graças a você. – Tyrion disse. – Fizemos isso por nós mesmos, não por sua causa.

– Pode dizer isso o quanto quiser, Tyrion. Mas vocês três sabem que não seriam metade do que são se não fosse por mim. Você seria um anão qualquer, Jaime seria um descerebrado sem um bom emprego, e Cersei seria uma jovem com um filho e sem futuro nenhum pela frente. – Ele falou, em um tom ríspido da maneira como somente ele sabia dar. – Eu guiei tudo na vida de vocês, inclusive seus relacionamentos. De vocês três. Eu acabei com o seu relacionamento, Cersei, exatamente no momento que ele devia acabar. No momento que começou a trazer problema de verdade e a ameaçar o seu futuro.

Quando ele admitiu aquilo que Tyrion já tinha quase certeza, sua irmã perdeu o controle. Ele achou que ela fosse explodir e xingar o pai de todos os nomes possíveis, tentar sair do abraço de Jaime e voar no pescoço dele, mas Cersei apenas começou a chorar.

Seus dois irmãos olharam para ela totalmente surpresos. A última vez que viram Cersei chorar foi há anos. Mas dessa vez ela estava rapidamente aos prantos. Ela não se mexeu, apenas começou a cair. Jaime a segurou por um tempo e a ajoelhou no chão.

A loira chorou com força, chorou com toda a vontade do mundo, como se estivesse guardando aquilo há muito tempo. Tyrion pela primeira vez em muito tempo sentiu pena da irmã. Ele se aproximou dela e pôs a mão em seu braço. Cersei estava da sua altura, e assim que sentiu o toque, olhou para o irmão.

Ele sentiu os olhos verdes da irmã focarem nele. Ela passou os braços em volta de Tyrion e o abraçou com força, chorando em seu ombro. Tyrion olhou confuso para o irmão, que parecia tão confuso quanto ele. O anão não sabia lidar com aquilo, aquela situação era inédita em sua vida. Ele apenas passou a mão pelos longos e cheios cabelos dourados de Cersei, tentando acalmá-la.

Jaime e Tyrion olharam para o pai. Ele ainda estava com a expressão séria e sem vida no rosto. Mas antes que pudessem fazer qualquer coisa, ouviram a porta se abrir.

Rhaegar Targaryen entrou no cômodo, ofegante. Ele provavelmente ouviu o barulho do prato se quebrando na parede e veio correndo. Dois seguranças vieram atrás dele.

– Senhor Tywin, nos desculpe, mas o senhor Targaryen insiste em entrar. – Um deles falou.

Tywin apenas ergueu o braço, pedindo para que eles ficassem parados, e os dois homens atenderam ao pedido, ficando exatamente na mesma posição em que estavam, calados.

Rhaegar veio correndo até a esposa e agachou-se à frente deles, passando a mão na cabeça loira da mulher.

– Cersei? – Ele parecia tão surpreso quanto os outros ao verem a mulher chorando daquela maneira. – O que aconteceu? – Rhaegar perguntou aos dois cunhados.

– Cersei está muito sentimental, Rhaegar. – Tywin disse. – Talvez seja melhor você leva-la embora.

Tyrion viu Rhaegar Targaryen se levantar e se virar para Tywin.

– O que você fez com a minha esposa, Tywin? – Rhaegar disse em um tom de voz que Tyrion não ouvia há muito tempo. – Você a fez chorar?

– Como eu disse, Rhaegar, ela está muito sentimental. Está chorando por uma bobeirinha. – Tywin disse novamente.

– Bobeirinha? – Cersei levantou a cabeça. – Você tá brincando comigo falando que isso foi uma bobeirinha. Você foi um desgraçado sem coração comigo.

– Cersei, pare com essa besteira e se recomponha. – Tywin ordenou.

Tyrion viu Rhaegar fechar o punho esquerdo. Ele não conseguia ver o rosto do cunhado, mas conhecia aquela postura dele. Aquela era a postura de Rhaegar quando ele ia brigar na escola. O homem dos cabelos prateados deu largos passos à frente e alcançou Tywin. Ele rapidamente agarrou o homem velho pelo pescoço, o ergueu e o pressionou contra a janela fechada. Tywin o olhou com pânico no olhar.

Os seguranças pareceram se libertar de um transe, e começaram a correr até o homem. Jaime, Tyrion e Cersei estavam paralisados. Com certeza, aquela era a última cena que Tyrion esperava ver naquele dia.

– Escuta aqui! – Rhaegar falou. Sua voz transmitia a mais pura raiva. – Ninguém trata a minha esposa assim, entendeu? Nem mesmo você, Tywin.

Os seguranças o alcançaram e o puxaram para longe do prefeito. Tywin caiu de pé no chão, passando a mão no pescoço. Os seguranças começaram a puxar Rhaegar para longe da mesa, em direção à porta.

– Se você fizer a minha esposa derramar mais uma lágrima, Tywin, eu mesmo acabo com você. – Rhaegar o ameaçou. – E você sabe que eu consigo fazer isso.

– Se você faz isso, você cai junto. – Tywin o alertou.

– Que se dane! – Rhaegar falou ao longe. – Eu não sou como você, tô nem aí para esse cargo de prefeito. Sua queda vai ser bem pior que a minha.

– Eu não estou falando somente da prefeitura, Rhaegar. – Tywin disse, olhando para Cersei.

Os seguranças levaram Rhaegar para fora do cômodo e fecharam a porta. Rhaegar sempre foi bem calmo, mas tinham certas coisas que o faziam explodir. Mexer com Cersei era uma dessas coisas.

– Tyrion. – Jaime o chamou enquanto estava com os olhos fixados em Tywin. – Esse almoço acabou. Que tal você levar Cersei lá para fora?

– E você? – O mais novo perguntou.

– Não se preocupe, eu já estou indo. – Jaime o assegurou. – Leve ela para longe, para se acalmar, por favor.

Jaime estava confiante e determinado a fazer alguma coisa. Tyrion só torcia para que o irmão não fizesse uma besteira.

– Tudo bem. – Ele acatou o pedido. – Vamos, Cersei? – Ele perguntou, meio inseguro.

A irmã nunca o obedeceu ou fez o que ele pediu antes. Mas ela estava tão em outro mundo, que ela apenas acenou afirmativamente com a cabeça e se levantou, ainda chorando. Quando ela ficou de pé, Tyrion pegou em sua mão e a guiou para fora do cômodo, como se ela fosse uma boneca.

 

Jaime

 

Tinha algo no que seu pai disse agora há pouco que deixou Jaime incomodado. Ele precisava saber de algo, precisava saber se fez uma besteira.

– Pai. – Ele chamou, assim que Tyrion e Cersei saíram do cômodo. – Você acabou com o relacionamento de Cersei, tentou inúmeras vezes acabar com o meu... O que você fez no de Tyrion?

– De Tyrion? – Ele pareceu não entender a pergunta.

– Isso mesmo. Você disse que guiou os relacionamentos de nós três. E Tyrion só teve um relacionamento, com Tysha, aquela moça de cabelo preto.

Tywin pareceu entender do que ele estava falando.

– Pai. Você me fez mandar aquela menina para longe da vida de Tyrion. – Jaime o lembrou. – Você usou minha ajuda para acabar com aquele relacionamento. Você disse que ela era uma interesseira que estava atrás apenas de um marido rico. Você até trouxe testemunhas, pessoas que a conheciam.

O pai continuou calado.

– Não me diz que você armou tudo aquilo, pai. – Jaime pediu. – Me diz que você não me usou em uma de suas artimanhas para acabar com um relacionamento que era verdadeiro.

Tywin permaneceu calado.

– Então foi isso? Você contratou atores, criou toda a situação, tudo aquilo para me convencer e convencer a Tyrion? Me usou para finalizar tudo?

– Jaime, você tem que entender que... – Tywin finalmente ia falar, mas Jaime o interrompeu, já com raiva.

– Que merda! – Ele passou a mão pelos cabelos. – Então foi isso mesmo? Por que você fez isso? Tyrion era feliz com ela! Ele merecia ser feliz.

– Ela não merecia ele. – Tywin disse.

– Ela não merecia ele? Você sempre fez Tyrion se sentir inferior, como se ele fosse a pior coisa do mundo.

– Ele não era. Ele ainda era um Lannister, ele ainda é meu filho. Ela era uma qualquer, não merecia se casar com um Lannister. – Tywin confessou.

Jaime ficou estático. Seu pai destruiu o relacionamento de seu irmão, o único relacionamento que Tyrion teve, um relacionamento que fazia bem a ele, somente porque Tysha era uma menina pobre e sem família?

– Por que você fez isso? Você preferia ver ele sozinho do que com ela? – Jaime o questionou.

– Sim. – Tywin admitiu, como se fosse algo simples de se dizer.

– Eu não tô acreditando nisso. – Jaime disse, andando para longe do pai. – E eu te ajudei! Eu não tô acreditando que eu acreditei em você na época. Eu não tô acreditando que eu te ajudei nisso.

– Jaime, pelo amor de Deus. – Tywin reclamou.

– Não! Eu não aguento mais ficar aqui. – Jaime falou. Ele deu as costas ao pai e respirou fundo. – Nunca mais me chame, eu não virei. Ah, e eu quero você longe dos meus filhos, entendeu? Se eu souber que você está tentando se aproximar deles, vai se ver comigo.

– É uma ameaça? – Tywin quase riu.

– Você não é o espertão? Descobre sozinho. – Jaime começou a andar muito rapidamente para a porta.

– Sabe que não pode se afastar de mim, Jaime. – Ele ouviu o pai dizer alto, ao longe. – Nenhum de vocês três pode.

Jaime Lannister apenas o ignorou e saiu do cômodo. Foi como um jato para a sala de estar, mas parou no meio do caminho, pois encontrou Tyrion e Cersei, sentados na escada.

– Jaime? – Tyrion o chamou.

Ele se aproximou dos dois, e viu que Cersei parecia um pouco melhor. Ela aparentemente tinha parado de chorar, mas ainda estava com os olhos avermelhados. Jaime ficou de pé na escada, Tyrion também se levantou, ficando de frente para ele. Cersei ficou sentada, no meio dos dois.

– Eu disse a ele que não vou voltar mais. – Jaime falou. – E também disse que não quero ele próximo dos meus filhos.

– Eu também não quero voltar nunca mais. – Cersei falou, ainda com a voz fraca.

– Não vamos voltar. – Tyrion decidiu. – Agora nós vamos fazer as coisas sem ele. Natal vai ser somente entre nós três e nossas famílias.

– É. Acho que você tem razão. – Cersei concordou.

Jaime não via Cersei concordando com Tyrion há muito tempo. Mas talvez aquilo que aconteceu lá dentro tenha mudado a relação dos dois. Cersei deve ter percebido que Tyrion estava do seu lado, e Tyrion deve ter visto um lado mais humano e frágil de Cersei. Apesar de tudo, talvez aquele incidente tenha servido para aproxima-los como irmãos.

Mas ele não podia evitar de se sentir culpado ao olhar para seu irmão. Talvez se não tivesse feito o que tinha feito, Tyrion podia estar casado e com filhos. Mas ao invés disso, ele morava sozinho em um apartamento em Porto Real.

– Escuta, Tyrion. – Ele pensou em falar, mas achou melhor não. – Acho que devemos ir embora antes que ele venha atrás de nós três.

– Sim, acho melhor. – Tyrion concordou. – Vamos, Cersei?

– Vamos. – Ela se levantou, mas permaneceu parada por alguns segundos, até que olhou de um para o outro. – Vocês dois... Será que podem não comentar com ninguém o que aconteceu lá dentro?

– Tudo bem. – Jaime falou.

– Ok. – Tyrion disse.

– Obrigada. – Cersei deu um fraco sorriso.

– Você vai ficar bem? – Jaime perguntou.

– Vou. Eu só preciso ir pra casa. – Ela disse.

– Então vamos. – Tyrion falou, e os gêmeos acenaram com a cabeça.

E assim, os três irmãos Lannister desceram aquela escada, e decidiram sair da Fortaleza Vermelha.

Decidiram se afastar de Tywin Lannister. Se afastar de vez.

 

Tyrion

 

Tyrion já estava em seu apartamento em Porto Real após o almoço. Pediu um hambúrguer, pois não conseguiu almoçar nada na Fortaleza Vermelha, e saiu com fome de lá. Voltou de carona com Elia e Jaime, e notou que o irmão estava tão distante quanto Cersei.

Aquela tinha sido uma tarde muito esquisita. Queria ter contado aquilo a Cersei há muito tempo, mas sabia que ela nunca acreditaria. Então aquela era a melhor oportunidade de colocarem o pai contra a parede. Ele provavelmente não esperava aquele assunto, não àquela altura da vida, mais de vinte anos depois. Ele não estava preparado para conseguir inventar alguma coisa, não contra os três Lannister. Ele não conseguiria.

Mas ele não esperava aquela reação da irmã. Cersei chorando, daquela maneira, era algo que ele não via há muito tempo. Apesar de ter sido uma cena assustadora, de certa forma, foi bom porque Tyrion sentiu ainda que sua irmã estava lá dentro. Ele e Cersei ainda tinham salvação. Aquele relacionamento podia melhorar depois daquele dia.

Cersei era uma pessoa poderosa para ter ao seu lado contra seu pai. E Tyrion sentiu que depois dessa tarde, todos os três estavam cheios de Tywin Lannister.

Cersei era influente pra caramba, advogada famosa, e esposa do sucessor de Tywin no Partido Republicano. Jaime era o comissário de polícia, cunhado do Presidente do Tribunal. Tyrion era um Promotor de Justiça, cheio de amigos poderosos na Justiça. Os três juntos podiam causar um estrago a Tywin se conseguissem trabalhar juntos para aquele fim.

E ainda tinham Rhaegar. Ele parecia saber coisas de Tywin que ninguém mais sabia. Tinha dito que poderia acabar com ele, e não parecia estar blefando. Seu pai até concordou, mas lembrou ao Targaryen que se fizesse isso, ele afundaria junto.

Que seu pai era cheio de segredos, Tyrion não tinha dúvidas. Mas que segredos Rhaegar tinha que ninguém mais sabia? Ele não era o tipo de pessoa que saía por aí fazendo coisas erradas e ruins.

Tyrion precisava focar. Tinha que conseguir o apoio de seu irmão e de sua irmã contra seu pai. Ele estava cansado de ter Tywin como prefeito, e queria muito menos seu pai como governador. Se isso acontecesse, seria uma época escura, não só naquela cidade, mas em todo o Estado.

Tyrion, Jaime e Cersei precisavam lutar contra Tywin. Ele sabia disso. Não conseguiria sozinho, mas os três juntos conseguiriam.

 

Jaime

 

Jaime estava sentado no chão de seu quarto de quando era solteiro, o quarto que atualmente era de Myrcella. Tinha chegado em casa, Elia pediu comida aos quatro, mas Jaime não estava com apetite. Apenas subiu para o quarto e ficou ali, sentado, pensando.

Ele ajudou o pai a acabar com a vida de Tyrion. Tirou da vida de seu irmão uma mulher que realmente o amava, por motivos mesquinhos e nojentos de seu pai, sem que sequer soubesse da verdade. Ele queria muito ter contado a Tyrion quando soube, mas como iria contar aquilo a ele?

Como iria contar que ele estava sozinho até hoje por culpa de seu pai, com um pouco da ajuda de Jaime? Como iria chegar agora, depois de tantos anos, dizer que ele cometeu um erro? Que eles cometeram um erro ao confiar em Tywin? Aquilo era demais para que Tyrion aguentasse.

O homem não iria receber aquilo bem, ele iria ficar arrependido demais, ficaria imaginando como seria sua vida se aquilo não tivesse acontecido. Jaime tinha o direito de fazer aquilo com Tyrion? Ele estava sozinho, mas se soubesse a verdade ficaria pior. Ficaria profundamente triste, com um grande arrependimento em sua história.

Jaime ficou com vontade de se bater. Ele devia ter desconfiado do pai, desconfiado de tudo que ele armou para convence-lo.

Sentiu nojo de si mesmo, nojo do pai, nojo daquela casa.

Ouviu a porta do quarto se abrindo, e viu sua esposa entrando no quarto.

– Jaime? Por que você tá no quarto da Myrcella? – Ela perguntou, enquanto entrava no quarto.

– Esse era o meu quarto. – Ele a contou. – Eu não queria ir para o quarto do meu pai.

O quarto de seu pai era o seu atual quarto. Essa era a verdade, ele não queria ir para lá.

Elia o olhou com pena, fechou a porta e se aproximou dele. Ela sentou-se ao seu lado e ficou olhando para ele.

– Jaime, o que aconteceu? – Ela perguntou.

– Eu fui uma pessoa terrível. – Jaime confessou.

A morena passou a mão pela cabeça de Jaime e o puxou, forçando-o a encostar a cabeça no ombro dela.

– Não, você é uma boa pessoa. – Ela negou.

– Eu fui um péssimo irmão. Eu não ajudei Cersei, e só atrapalhei a vida de Tyrion.

– Do que você está falando, Jaime? – Ela perguntou preocupada.

– Meu pai é um desgraçado, Elia. Ele usou nós três o quanto pôde, nos obrigou a fazer coisas de que nos arrependemos demais hoje em dia.

– Jaime... – Ela falou, com pena na voz. – Você é um bom homem. Eu sei disso.

– Ainda não, Elia. Eu ainda preciso fazer algumas coisas. – Ele disse, levantando a cabeça.

– O que você precisa fazer?

– A primeira é ir embora.

– Ir embora? – Ela perguntou, claramente confusa.

– Ir embora daqui, dessa casa. Quero me mudar.

– Tudo bem. Podemos voltar para Lannisporto. – Ela disse.

Lannisporto era onde eles moravam antes de Tywin se mudar para a Fortaleza Vermelha.

– Não, Elia. – Jaime balançou a cabeça. – Quero uma casa nova, longe daqui. Longe do meu pai.

– Onde você quer ir?

– Nós podemos morar em Dorne se você quiser. Ou nas Terras Fluviais, eu sempre gostei de passar um tempo lá. Podemos ir até para o Norte. Mas eu quero uma casa nossa, só de nós quatro. Uma que não me lembre o meu pai.

Elia Lannister pôs a mão no rosto do marido e deu um sorriso triste.

– Tudo bem, querido. Vamos nos mudar. Segunda-feira mesmo vamos procurar uma casa nova, não importa onde seja. – Ela disse.

Elia pareceu entender que Jaime tinha brigado com o pai e que queria ir embora de lá. Ela também pareceu entender que ele não iria contar o que aconteceu naquele almoço, pelo menos por enquanto.

– Obrigado. – Jaime disse.

Ele se inclinou e deu um beijo em sua esposa. Com certeza, a melhor coisa que ele fez da vida foi desobedecer o pai e ter continuado a namorar com Elia Martell.

Mas agora ele precisava consertar alguns erros. Primeiro, iria procurar Tysha. Não importa onde ela estivesse, Jaime a encontraria, e tentaria consertar aquele erro que cometeu da melhor maneira possível. Depois, iria fazer o possível para impedir que seu pai se tornasse governador. Para as eleições de prefeito, ele não ligava. Sabia que tanto Rhaegar quanto Robert seriam prefeitos melhores que Tywin. Mas para governador, ele estava preocupado.

Como prefeito, Tywin já era um problema. Como governador então, ele preferia nem pensar.

 

Cersei

 

Cersei Lannister estava tocando seu piano. Já era tarde, devia ser um pouco mais de 18 horas. Ela não comeu nada naquele dia, estava até aquele horário sem ter colocado um pedaço de comida em sua boca. Mas ela não estava com fome, sua cabeça estava cheia, com muita coisa passando e pouca coisa que ela conseguia de fato processar.

Estava tocando a música preferida de sua mãe. Uma das poucas memórias que ela tinha dela era de sua mãe tocando aquela música. Foi por causa daquele memória que Cersei tinha se comprometido a tocar piano, queria tocar apenas aquela música. E ali estava ela tocando a música, e pensando em muitas coisas.

Quando menos esperou, notou que a música já tinha mudado. Ela agora estava tocando a música preferida de sua ex-sogra, Lyarra Stark. Quando notou que estava tocando aquela música, Cersei parou de tocar. Ela sabia o que tinha que fazer, sabia o que precisava fazer. Ela não conseguiria evitar aquilo.

Se levantou e saiu da sala dos instrumentos da família. Desceu as escadas e foi até a sala de estar. Viu pelo vidro que Rhaegar e Viserys estavam bebendo uma cerveja juntos enquanto estavam na piscina, aproveitando o fim da tarde daquele sábado.

Rhaenys tinha ido ao shopping depois do almoço e não tinha voltado até agora. Aegon e Visenya tinham ido para a academia. Daenerys já tinha ido para seu apartamento, pois mais tarde iria sair com Jon Stark... O filho de Ned.

Ela foi até próximo da piscina, e viu que Viserys notou sua presença. Quando seu cunhado a olhou, seu marido o acompanhou e também a olhou.

– Ei, gatinha. Tá melhor? – Rhaegar perguntou, demonstrando preocupação.

– Tô. – Ela mentiu. – Mas eu preciso sair.

– Sair? Sair para onde? – Ele perguntou.

– Sair. Dar uma espairecida, comer um doce, uma torta talvez.

– Cersei, não sei se é uma boa ideia você dirigir.

– Pode deixar, Rhaegar, já estou melhor. – Ela prometeu.

– Cersei, se quiser a gente pode pedir um uber ou um taxi. – Viserys sugeriu.

– Pode deixar, Viserys. Eu estou bem mesmo. – Ela disse. – Só preciso dar uma saída. Qualquer coisa eu ligo.

– Tudo bem. – Rhaegar concordou. – Você comeu?

– Comi. – Ela mentiu.

– Comeu mesmo? O que você comeu?

– Um sanduiche. Pode deixar, Rhaegar, eu sei me cuidar. – Ela sorriu. – Eu vou indo.

– Tudo bem. – Rhaegar disse aquilo mais uma vez. – Me liga, hein.

– Pode deixar. – Cersei falou. – Tchau, Viserys. Tchau, meu dragãozinho.

– Tchau, cunhada. – Viserys disse.

– Tchau, minha gatinha. – Rhaegar se despediu.

Cersei foi rapidamente de volta para casa, pegou a chave e foi até seu carro.

Dirigiu rapidamente por Westeros, se sentindo péssima. Mentiu três vezes para o marido naquela conversa. Ela não estava bem, ela não comeu, e ela não iria sair para dar uma espairecida. Iria sair para conversar com uma pessoa, uma pessoa com quem ela não podia evitar de conversar naquele dia, uma pessoa que Rhaegar não gostaria nada de saber de quem se tratava.

Ela nunca tinha ido para Winterfell saindo de sua casa em Pedra do Dragão, mas quando chegou à Ponte das Gêmeas, reconheceu o caminho que sempre pegava para ir à casa de Ned.

Dirigiu rapidamente até a avenida, parou o carro na sua vaga, à frente da casa dos Stark, mas um pouco mais próximo da esquina, para que ninguém estacionasse na frente de seu carro.

Ela saiu do carro e o trancou. Sentiu as pernas fracas e uma leve tonteira. Mas ela continuou, andou até a porta da casa. Viu que agora eles tinham um segundo portão de garagem, do outro lado do anterior, tornando a frente da casa simétrica.

Ela procurou a campainha, mas não a achou mais. Agora eles tinham uma espécie de interfone, com apenas um botão. Ela apertou o botão, sentindo tudo girar. Ela estava passando mal, passando mal pra caramba. Mas precisava conversar com Ned. Precisava entender o que o pai fez com os dois.

Por que ele nunca a contou? Ele não era de esconder nada dela. O que será que Tywin fez? Será que ele o ameaçou?

Não demorou muito para que alguém abrisse o portão. Ela viu um rapaz muito parecido com Ned, com olhos acinzentados e os cabelos escuros. Ele tinha os ombros mais largos e era um pouco mais forte que Ned, mas a feição do rosto era bem parecida com o pai.

Jon a olhava com curiosidade.

– Senhora Targaryen? – Ele perguntou.

Ele era tão parecido com o pai... Será que era assim que seria o filho dos dois, se ele tivesse nascido? Se o filho deles tivesse nascido, Jon Stark nunca teria nascido. Tanta coisa seria diferente. Ned seria seu marido, e não Rhaegar. Ela provavelmente nem conheceria Daenerys direito. Jon nunca teria nascido, nem seus irmãos.

O que mais poderia ter acontecido?

– Seu pai está? – Ela perguntou, sentindo-se fraca. Tinha muita coisa em sua mente.

Ela apoiou o corpo na parede, se segurando para não cair devido às suas pernas fracas.

– A senhora está bem? – Ele perguntou, provavelmente notando que ela estava passando mal.

– Jon, quem é? – Ela ouviu alguém do outro lado do portão perguntar. Pela voz, ela chutaria que era o filho do Brandon, Robb.

– Eu preciso falar com o Ned. – Cersei falou, em um tom de voz mais desesperado.

– Me desculpa, mas ele deu uma saidinha. Mas ele já deve estar voltando. – Jon falou.

Cersei se sentiu perdendo o chão. O que ela estava fazendo? Estava fraca de novo, deixando seus sentimentos tomarem conta de suas ações. Não devia ter se deixado chegar tão longe, deveria ir embora.

A mulher se virou, e começou a caminhar em direção ao seu carro. Ou tentar, pelo menos. Assim que deu os primeiros passos, sentiu a força das pernas sumir de vez, viu o mundo girar e tudo começar a escurecer.

Mas antes que caísse no chão, sentiu que alguém a pegou no ar e a impediu de cair.

– Robb! Gendry! Me ajudem! – Ela ouvi Jon gritar, enquanto ele a segurava.

Mas aquelas foram as últimas coisas que Cersei viu ou ouviu. Ela estava passando muito mal, mas ela não sabia se era por falta de comida, ou se era por tudo o que aconteceu naquele dia. Logo, tudo escureceu, e ela perdeu a consciência, nos braços do filho de seu ex-namorado.


Notas Finais


Então é isso pessoal. Espero que tenham gostado. Como sempre, qualquer dúvida, sugestão, crítica, reclamação ou elogio, é só postar nos comentários. Eu normalmente respondo sempre, embora eu esteja com o tempo um pouco limitado.

Quanto ao grupo de whatsapp, primeiro alguns esclarecimentos:
1 - Lá vai ter meu número e meu nome, obviamente. Vou pedir com todo o cuidado, para que vocês não usem o meu nome verdadeiro, principalmente aqui no site. Eu tenho meus motivos, mas me chamem de Trovador, autor, ou algo do tipo, por favor. Sei que pode parecer estranho, mas eu prefiro manter meu anonimato por aqui.
2 - Para evitar futuros spoilers, eu vou fazer o seguinte: O nome do grupo será "RmxGF - Cap. XX POSTADO", para que você saiba qual é o último capítulo postado antes de entrar no grupo. Isso é para evitar que você entre no grupo sem ter lido o capítulo e acabe tomando uma voadora de spoilers.
3 - Não deixem de comentar aqui, mesmo com o grupo. Os comentários de vocês são bons demais, eu adoro, e ajuda a fic a crescer.

Enfim, o link está aqui. Usem sabiamente: https://chat.whatsapp.com/EXhqTmsZ1nBJ5dCZ1QBHak

Agora, quanto à fic:
Espero que tenham gostado do capítulo. O próximo será focado nos Stark e Baratheon. Será mais ou menos assim (lembrando que está tudo sujeito a alterações):
37 - Arya, Edric, Wyna, Jon
38 - Robb e Jeyne
39 - Danerys e Jon
40 - Ned e Cersei
41 - Brandon/Ned/Lyanna/Benjen e Rhaegar/Viserys/Daenerys (um de cada)

Espero que gostem.

Ah, se você vai fazer o ENEM ainda, boa sorte. Se já fez, espero que tenha ido bem.

Por enquanto é só, pessoal. Até o próximo capítulo!


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