1. Spirit Fanfics >
  2. Renascentia >
  3. - c a p í t u l o t r ê s -

História Renascentia - Capítulo 5


Escrita por:


Capítulo 5 - - c a p í t u l o t r ê s -


↯↯↯

Morgan estava no jardim, respirando ar puro, enquanto regava as flores da tia Petúnia.

As férias de verão haviam começado à pouco, mas parecia ter chegado mais rápido do que nos outros anos. Os irmãos ficaram tanto tempo de castigo que quando se deram conta nem eles e nem Duda iam mais para a escola. Fato esse que andava tirando o sono de Morgan e Harry.

A turma de Duda decidiu passar a visitá-lo todos os dias. Pedro, Dênis, Malcolm e Górdon eram todos grandes e burros, mas como Duda era o maior e o mais burro do bando, era o líder. E como líder, ele adorava ordenar que seus subordinados fizessem sua atividade favorita: perseguir os irmãos Potter.

Por essa razão Harry e Morgan preferiam passar qualquer tempo livre que tinham perambulando por aí, imaginando como seria quando as férias terminassem e setembro chegasse. Eles ansiavam por isso, apenas pelo motivo de não terem mais que aguentar Duda na escola.

Infelizmente aquele não era um desses momentos, já que Harry se encontrava dentro de casa ajudando tia Petúnia a limpar a cozinha e Morgan estava ali regando as flores do jardim.

Mas a menina não podia discordar do fato de a tia ter um jardim bonito e bem cuidado, cheio de flores de todos os tamanhos e todas as cores. A flor preferida de Morgan era o lírio, achava-a uma flor delicada e imponente ao mesmo tempo, tão bonita. Lembra-se do dia em que perguntou para a tia que flor era aquela:

"Estavam no jardim ela e tia Petúnia, enquanto a mulher mexia na terra, a menina regava as plantas.

Até que se deparou com uma flor desconhecida por ela até o momento, mas a qual achou muito bonita.

— Tia, que flor é essa?— perguntou Morgan, tocando levemente nas pétalas brancas com pontinhas rosa da flor.

A mulher levantou a cabeça irritada por Morgan estar a atrapalhando no que ela estava fazendo, mas ao ver que flor a menina queria saber o nome, seu coração deu um pulo.

— Essa...o nome dela é lírio.— falou engolindo em seco, encarando a flor com um olhar, que parecia ser para Morgan, nostálgico.

De repente a tia se levantou, batendo as mãos sujas de terra na roupa e entrando em disparada para dentro de casa, deixando uma Morgan extremamente confusa para trás."

A menina saiu de seus pensamentos ao escutar um farfalhar por entre as folhas na sua frente.

Fechou os olhos, balançando a cabeça em negação. Já até sabia quem era.

Abaixou-se, abrindo espaço por entre as folhas com a mão, dando de cara com um coelhinho gordo e peludo, se empanturrando de grama. Ele parou de mastigar por alguns segundos, encarando Morgan com seus olhos azuis esbugalhados, mas ao reconhecer a menina, voltou a se alimentar.

Morgan soltou uma leve risada, se tia Petúnia soubesse disso... até já conseguia imaginar o dragão esbravejando.

— Vem cá, vem, seu coelho comilão.— pegou o bichinho com o maior cuidado possível, ajeitando-o em seu colo.

— Morgan, você viu o...— a menina virou-se assim que escutou uma voz a chamando, o coelho bem aninhado em seu colo.— BLANC!

Era Gilbert, atrás de seu coelho novamente. Aquilo já havia virado rotina, Morgan estava no jardim, Blanc fugia, Gilbert vinha atrás dele prometendo que aquilo não iria mais acontecer, e no outro dia o ciclo se repetia. Para Morgan não era nenhum problema, ela até achava engraçado, mas se em um dia desses fosse tia Petúnia que encontrasse o coelho, coitadinho...

— Você não alimenta esse coelho não?— ela perguntou para o menino, tentando não cair na risada.

— Eu...sim, mas por algum motivo ele gosta das folhas do seu jardim.— Gilbert disse, pegando o coelho dos braços de Morgan.— É como diz o ditado né? A grama do vizinho sempre é mais verde, no caso do Blanc, sempre é mais gostosa.

Os dois caíram na gargalhada. Era fácil conversar com Gilbert, ele não fazia parte da gangue do Duda e nem tinha medo deles. Era apenas um menino normal tentando fazer amigos, e Morgan também.

— Tenho a impressão que Blanc faz isso para nos aproximar.— ele disse, acariciando os pelos brancos do coelho.

— Você acha?— a menina perguntou, seu coração aquecendo-se de repente. Ela e Harry nunca tiveram amigos, sempre foi apenas eles dois, mas agora com a possibilidade de isso mudar, Morgan sentia as borboletas darem giros em sua barriga.

— Acho.— Gilbert disse simplesmente.— Também acho que seremos grandes amigos.— e fitou-a com seus olhos azuis brilhantes, parecidos com os do coelho.

Morgan apenas abriu um grande sorriso. A menina não sabia o porquê, mas sentia que aquilo era verdade.

— Estou ansioso para o dia 1⁰ de setembro.— o menino comentou, puxando assunto.— Eu ainda não recebi minha carta, vocês já receberam as suas?— seu tom era curioso, a cabeça pendendo levemente para o lado, esperando uma resposta de Morgan. Uma resposta que ela não fazia ideia de qual era.

De que carta será que ele estava falando? Será que ele iria para alguma escola em que eles mandavam a lista de material por carta? Ela achou isso chique demais, e se algo é chique, com certeza ela e Harry estão de fora.

Mas não pôde deixar de se sentir triste, afinal tinha esperança de que ela e o suposto novo amigo fossem para a mesma escola, e assim pudessem se aproximar mais.

— É que...— a menina estava prestes a explicar para Gilbert que ela e o irmão iriam para a escola secundária local, e que eles não mandavam carta nenhuma, quando os dois escutaram uma voz forte falar:

— Gilbert!— ele virou-se para ver quem era que o chamava e Morgan, curiosa, se colocou nas pontas dos pés para ver melhor. Era um homem barbudo, mas não tão peludo quanto tio Válter, o cabelo baixo e castanho, os olhos extremamente azuis focados em Gilbert.

— Oi pai. Vim buscar o Blanc, denovo.— o menino disse levantando o coelho para o pai poder o ver.

Morgan quase deixou seu queixo bater no chão, mas conteve-se. Aquele era o pai de Gilbert? Meu Deus, aquela família era uma obra prima ambulante.

Ela conseguiu ouvir passos pisando na grama da casa ao lado, e logo o homem estava ao lado do menino em sua frente, uma das mãos no ombro dele e a outra estendida para Morgan, que demorou alguns segundos para raciocinar.

— Você deve ser a Morgan, Gilbert fala muito de você.— o mais velho disse com um pequeno sorriso nos lábios, ainda com a mão estendida. Gilbert ao seu lado corou dos pés à cabeça.— Só coisas boas, claro.

— Prazer senhor...

— Patrick, Patrick Lowell, mas pode me chamar só de Patrick.— e finalmente apertaram as mãos. O homem tinha um aperto firme, Morgan percebeu.

— Sou Morgan Potter, mas pode me chamar só de Morgan.— ela disse imitando-o, sorrindo, e então soltaram as mãos.

— Gilbert, despeça-se de sua amiga, nós precisamos ir.— Patrick dirigiu-se para o filho, sério, a mão ainda em seu ombro.

Morgan e Gilbert despediram-se rapidamente, com a promessa do menino de não deixar mais Blanc fugir, o que arrancou uma pequena gargalhada e um aceno de cabeça da menina, e então os dois desapareceram de suas vistas.

Ela continuou parada ali ainda por algum segundos, mal acreditando em sua sorte.

Ela havia feito um amigo.

Mas seu momento de euforia dissipou-se assim que ouviu tia Petúnia a chamar, dentro de casa. Juntou seus utensílios de jardinagem rapidamente, ainda com um sorriso no rosto.

Ninguém poderia lhe tirar a felicidade que estava sentindo.

•••

O dia já havia amanhecido na rua dos Alfeneiros n⁰ 4. Harry e Morgan entravam na cozinha ainda sonolentos, esfregando os olhos. Foram recebidos por um cheiro horrível que impregnou em seus narizes, fazendo-os arder.

— Mas o que...— Morgan resmungou para si mesma, observando a tia mexer algo em uma bacia, que era de onde vinha o cheiro ruim, Morgan supunha.

Harry aproximou-se para espiar. A bacia aparentemente estava cheia de trapos sujos que boiavam em água cinzenta.

— O que é isso?— perguntou à tia Petúnia. Os lábios dela se contraíram como costumavam fazer quando ele se atrevia a fazer uma pergunta.

— O seu uniforme novo de escola.— respondeu.

Harry espiou para dentro da bacia outra vez.— Ah.— comentou.— Eu não sabia que tinha que ser tão molhado.— Morgan riu da petulância do irmão, enquanto sentava-se à mesa.

— Não seja idiota.— retorquiu tia Petúnia com rispidez.— Estou tingindo de cinzento umas roupas velhas de Duda para você. Vão ficar iguaizinhas às dos outros quando eu terminar.— e continuou a mexer na bacia.— Já para Morgan terei que comprar um uniforme novo.— e olhou com raiva para a menina, como se ela fosse o motivo que levaria os Dursley a falência. Mas Morgan tinha certeza de que não usufruia nem 1% da renda dos tios.

Duda e tio Válter entraram ambos com os narizes franzidos por causa do cheiro do novo uniforme de Harry. Tio Válter abriu o jornal como sempre fazia e Duda bateu na mesa com a bengala da Smeltings, que ele carregava para todo lado. Morgan sonhava com o dia em que quebraria aquela bengala na cabeça dele.

Enquanto os irmãos comiam calmamente seus cereais, ouviram o clique da portinhola para cartas e o som da correspondência caindo no capacho da porta.

— Apanhe o correio, Duda.— disse tio Válter por trás do jornal.

— Mande o Harry apanhar.

— Apanhe o correio, Harry.

—  Mande o Duda apanhar.

—  Cutuque ele com a bengala da Smeltings, Duda.

Harry conseguiu esguivar-se antes da bendita bengala acertar-lhe as costelas e foi apanhar o correio, contragosto.

Haviam três coisas no capacho: um postal da irmã do tio Válter, Guida, que estava passando férias na ilha de Wight, um envelope pardo que parecia uma conta e... uma carta para Harry e outra para Morgan?

O menino apanhou-as e ficou olhando, o coração vibrando feito um motor de carro.

Ninguém, jamais, em toda a sua vida, lhe escrevera. E muito menos para Morgan. E afinal, quem lhes escreveria?

Eles não tinham amigos, nem outros parentes (coisa que lamentavam muito), e nem sequer eram sócios da biblioteca, de modo que jamais receberam nem que fosse os bilhetes grosseiros pedindo a devolução de livros.

Contudo, ali estava, uma carta, endereçada tão claramente que não podia haver engano.

Sr. H. Potter

O Armário sob a Escada

Rua dos Alfeneiros 4

Little Whinging

Surrey

O envelope era grosso e pesado, feito de pergaminho amarelado e endereçado com tinta verde-esmeralda. Não havia selo.

Quando virou o envelope, com a mão trêmula, Harry viu um lacre de cera púrpura com um brasão; um leão, uma águia, um texugo e uma cobra circulando uma grande letra “H”.

— Anda depressa, moleque! — gritou tio Válter da cozinha.— Está fazendo o quê, procurando cartas-bombas?— E riu da própria piada. Morgan revirou os olhos, tão patético.

Harry voltou à cozinha, ainda de olhos fixos na carta. Entregou a conta e o postal ao tio Válter, sentou-se ao lado da irmã e pôs a carta dela em seu colo, e então começou a abrir lentamente o envelope amarelo.

Morgan ficou sem entender nada, era uma carta para ela? Então leu os dizeres que estavam no envelope:

Srta. M. Potter

O Armário sob a Escada

Rua dos Alfeneiros 4

Little Whinging

Surrey

A menina quase cuspiu o cereal de volta na tigela, o que diabos era aquilo?

Tio Válter rasgou o envelope que continha a conta, deu um bufo de desdém e virou o postal.

— Guida está doente.— informou para a mulher.— Comeu um marisco suspeito...

— Pai!—  exclamou Duda de repente, assustando a menina, que arregalou os olhos ao ver o primo apontar para as cartas que eles haviam recebido. — Pai, eles receberam uma carta!

Harry ia desdobrar a carta, escrita no mesmo pergaminho grosso que o envelope, quando tio Válter arrancou-a de sua mão.

Morgan até tentou esconder sua carta nas vestes, mas não teve sucesso, já que Duda apressou-se em também arrancar a carta da menina.

— É minha!—  disse Harry, tentando recuperá-la.

— Me devolva ou mando você de volta para o chiqueiro de onde você saiu.— disse Morgan encarando o primo com toda sua fúria, as mãos cerradas ao lado do corpo. Mas Duda nem se abalou, indo de encontro ao pai.

— Quem iria escrever para vocês?—  zombou tio Válter, sacudindo a carta com uma das mãos para desdobrá-la e percorrendo-a com o olhar.

Seu rosto passou de vermelho para verde mais rápido do que uma sinaleira de trânsito. E não parou aí. Segundos depois ficou branco-acinzentado, cor de mingau de aveia velho.

— P-P-Petúnia!— ofegou.

Duda começou a abrir a carta de Morgan, mas tio Válter agarrou-a e segurou-a no alto fora do seu alcance.

Tia Petúnia apanhou-a cheia de curiosidade e leu a primeira linha. Por um instante pareceu que ela talvez fosse desmaiar. Levou as duas mãos à garganta e produziu um ruído de engasgo.

— Válter! Ah, meu Deus, Válter!— eles se encararam, parecendo ter esquecido que Harry, Morgan e Duda continuavam na cozinha.

Duda, que não estava acostumado a ser desprezado, deu uma bengalada forte na cabeça do pai.

— Quero ler esta carta.— falou alto.

— Quero lê-la— disse Harry, furioso.— porque é minha.

Morgan estudava um jeito de pular em cima do tio, pegar sua carta e sair correndo sabe-se lá para onde, tudo isso em apenas cinco segundos.

— Saiam, os três.— ordenou com voz rouca tio Válter, enfiando a carta no envelope.

Harry e Morgan não se mexeram.

— QUERO MINHA CARTA!— gritaram os dois ao mesmo tempo.

— Me deixa ver!—  exigiu Duda.

— FORA!— berrou tio Válter, e agarrando os dois, Harry e Morgan, pelo braço com uma mãozona só e Duda com a outra, atirou-os no corredor e bateu a porta da cozinha.

Harry e Duda na mesma hora tiveram uma briga furiosa, mas silenciosa, para saber quem ia escutar à fechadura; Duda ganhou, por isso Harry deitou-se de barriga no chão para escutar pela fresta entre a porta e o chão. Morgan é claro, espremeu-se com ele.

— Válter — disse tia Petúnia com voz trêmula —, olhe só o endereço. Como é que eles poderiam saber onde ele dorme? Você acha que estão vigiando a casa?

— Vigiando, espionando, talvez nos seguindo.— murmurou tio Válter enlouquecido.

— Mas o que vamos fazer, Válter? Vamos responder à carta? Dizer a eles que não queremos...

Harry via os sapatos pretos lustrosos do tio Válter andando para cá e para lá na cozinha. Morgan podia jurar que até as sapatilhas da tia tremiam

— Não.— disse ele, decidido. — Não, vamos ignorá-la. Se não receberem uma resposta... É, é o melhor... não vamos fazer nada...

— Mas...

— Não vou ter um deles em casa, Petúnia! Nós não juramos quando o recebemos que íamos acabar com aquela bobagem perigosa?

Morgan parou de escutar naquele momento. Sua mente girava como se fosse um planeta em órbita em volta do Sol. Harry, ainda deitado no chão, esforçava-se para escutar mais alguma coisa, mas os tios estavam estranhamente calados.

A mesma pergunta rondava a cabeça dos dois.

De que "bobagem perigosa" eles estavam falando?



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...