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História Renascida das Cinzas - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Pesadelo Febril


Fanfic / Fanfiction Renascida das Cinzas - Capítulo 5 - Pesadelo Febril

Volantis normalmente tinha um clima quente e úmido, mas nos últimos tempos o clima estava se tornando algo que nunca os volantinos sentiram, pois com o passar do tempo estava cada vez mais frio, tanto que nos picos das montanhas eram decorados com véus de neve. Era uma imagem linda de se ver, mas terrível de se pensar. Ali daquele lado do mar quando o inverno chegava não era tão rígido como a oeste e parecia que ali teria um destino parecido como Westeros, logo tudo estaria sob o véu de neve juntamente com a esperança do povo do leste de sobreviver a um inverno intenso.

O templo de R'hllor é um templo realmente magnifico. Uma enormidade de pilares, degraus, contrafortes, pontes e cúpulas que fluem umas contra as outras, como se tivessem sido esculpidas a partir de uma rocha colossal. Uma centena de tons de vermelho, amarelo, dourado e laranja se encontram e se fundem nas paredes do templo. Suas torres esbeltas se retorcem para o alto, como chamas congeladas que tentam alcançar o céu.

E ao céu a visão de um dragão voando ao redor do templo, o deixava muito mais imponente. Os discípulos do Deus Vermelhos rezavam nas praças e nos templos menores para o retorno da salvadora e para que a noite não chegasse daquele lado do mar. Com a disseminação dos sussurros que a Mãe de Dragões, a Quebradora de Correntes e a Libertadora da Escuridão estava repousando após voltar dos mortos no Grande Templo de R’hllor, a procura para entrar no exército privado do templo duplicou, trazendo diversos ex-escravos libertos pela Mhysa que permaneceram nas cidades livres, todos tinham a intenção de querer tomar seu lugar para protege-la e fazer parte do exército chamado Mão Ardente, que atualmente contavam com vinte mil homens à disposição do templo e muito em breve da Mãe de Dragões.

Daenerys repousava em seu quarto. Ainda estava prostrada, sem vontade de sair, de comer, de viver. Permanecia numa guerra interna, onde alguns dias era vencida pela fome e comia como se não houvesse o amanhã e dias que ela ganhava a guerra contra a fome e não se alimentava. Havia mais dias ruins do que bons e as sacerdotisas já estavam muito preocupadas com a mente e saúde da jovem Rainha.

Sempre que dormia, Dany tinha sonhos estranhos... Os sonhos bons que tinha, era quando sentia que ela não era ela. Ela era um animal, vagando entre a neve e se deliciando em pedaços de carnes frescas e ensanguentadas. Nesses sonhos ela se sentia bem, sentia-se acolhida, envolta de uma família que a amava e a protegiam. Não eram dragões os animais de seus sonhos, eram lobos, e isso a entristecia quando abria os olhos que sempre estavam marejados e sua a boca sempre estava com gosto de ferrugem. Ao acordar começava a chorar tristemente, pois recordava-se do Lobo Branco, de Jon Snow, àquele por quem ela entregou seu coração no momento mais delicado de sua vida e foi traída. Como podia se sentir bem com esses sonhos? Era uma maldição? Uma piada sem graça? Não sabia a resposta.

Ainda, tinham os pesadelos... terríveis... cheios de morte, dor e desgraça. Seus pesadelos voltavam nos momentos das piores perdas de sua vida: Viserion... Jorah... Rhaegal... Missandei... as traições de Tyrion e Varys... os sussurros em sua mente quando reduzia Porto Real em cinzas e os gritos de homens, mulheres e crianças que padeciam quando a Sombra Alada passava por cima deles... E enfim a facada no coração dada por Jon Snow. Ela sempre sentia as dores, a tristeza e a solidão. E ao acordar tinha crises de pânico, pois seus sonhos, ou melhor... pesadelos, pareciam reais, vivos e palpáveis. Sua mente e coração estavam quebrados em mil pedaços e nem Drogon conseguia puxá-la do fundo do poço.

 Daenerys dormia em seu sonho agitado, ora ou outra resmungava e até mesmo gritava. A brisa gelada do mar entrava pela janela entreaberta, o seu corpo suava frio e o suor escorria em sua pele quente e apesar da luz da lua cheia que banhava o quarto e caia sob o rosto cansado e abatido da jovem, eram seus pesadelos que a incomodavam e deixavam as coisas piores do que já eram.

- Jon? – Chamava por ele com uma voz fantasmagórica ao vivenciar a cena de sua morte sentada ao Trono de Ferro.

Lá estava: Dany – seu corpo falecido – nos braços de Jon, logo após levar a apunhalada direto em seu coração que batia rápido por estar próxima ao seu amor.

- Por quê???? – Questionou-o, mas ele não parecia ouvir sua pergunta em tom de lamento.

Dany levantou-se do Trono e andou até seu corpo que jazia ao chão coberto de neve e cinzas. Dany viu Drogon rugindo e ele também não parecia notar sua presença ali. E mesmo com o coração despedaçado, ela saiu daquele local e logo, como por um passe de mágica, ela estava andando pelas ruas de Porto Real.

Mulheres e crianças morreram abraçadas e carbonizadas. Homens morreram tentando proteger suas esposas e filhos. Outros homens morreram quando estavam infligindo o mal a mulheres indefesas e essas mulheres indefesas morreram sendo violadas e em seguida carbonizadas. Daenerys chorava e quanto mais corria entre os escombros, mais e mais corpos jaziam pelo chão e mais cinzas caíam dos céus. Daenerys jogou-se no chão ajoelhada e passou a chorar segurando em suas mãos as cinzas, pó e sangue. Sangue vermelho brotou de suas mãos e ela ouviu:

- Eles NUNCA vão te amar. Só vão segui-la pelo MEDO! – Dany tapou os ouvidos e sujou-se com as cinzas e sangue. – MATE-OS! QUEIME-OS! – Ela ouvia. – NINGUÉM SABE O QUE FEZ! – E a voz ria em sua mente. – NINGUÉM SABE O QUANTO A GUERRA TE CUSTOU! – E a voz ria mais e mais e ela gritava no centro da destruição. – MATE-OS! QUEIMEM! QUEIMEM TODOS! – Ela ouvia... E ouvia... E ouvia. - QUEIMEM TODOS! – E ela atendeu seu chamado gritando como se fosse um rugido.

Ela lembrou-se. Era a voz em sua cabeça no dia que o céu caiu sobre Porto Real. Era a voz que apareceu após os sinos tocarem e a cidade se render. Eles estavam rendidos..., mas a voz! Aquela voz... Foi aquela voz que tomou sua mente, escureceu seus olhos, sentidos e desviou de seus propósitos. Foi aquela voz a sua destruição e queda.

Daenerys acordou aos gritos, quase sem respirar e as sacerdotisas logo chegaram a abrando e trazendo uma bebida calmante. A moça cuspiu o líquido que parecia um misto de ervas calmantes como camomila, passiflora, valeriana e melissa. Ela saiu correndo da cama e correu para um canto do lado do armário que guardavam as trocas de camisolas, se encolheu ali mesmo e voltou a chorar. Seus cabelos estavam tão emaranhados que pareciam que passarinhos tinham feito um ninho, o rosto estava magro e as olheiras mostravam que há tempos não tinha uma noite de sono tranquilo. Seu peso também estava abaixo do normal, parecia que estava definhando por dentro e por fora.

- Deixem-me morrer... – Dizia sussurrando. – Não tem nada mais para mim aqui... – Chorava um pouco mais alto e ao dizer aquelas palavras, se envergonhava, pois, sabia que Drogon estava lá fora por ela, afinal ela era a única que sobrou de sua família.

A Alta Sacerdotisa colocou as mãos na boca e sua expressão demonstrava extrema preocupação. Ela caminhou até Daenerys e ajoelhou-se no chão e puxou o corpo cansado dela para seus braços e a abraçou, o movimento fez com que a jovem rainha chorasse mais e mais colocando toda sua dor para fora.

- Dany... Hoje você vai tirar tudo isso que você sente, esse peso e tristeza de seu coração com as lagrimas... – Falava ela num tom calmo, acariciando a cabeleira que reluzia a luz da lua prateada. – Amanhã, ao alvorecer, você irá ver Drogon, comer e partir para uma vida nova! – Aconselhou ela. – Não pode mais viver assim...

- É isso... Kinvara... – Suspirou chorando e soluçando. – Eu não quero mais viver... dói muito... muito... – Chorava e os soluços aumentaram.

- Minha doce criança... – Levou as mãos ao ventre da jovem. – Você está esperando um bebezinho... – Os olhos lilases olharam a barriga um tanto inchada e voltaram a olhar os olhos verdes da sacerdotisa. - Ela voltou da morte junto com você! – Dany levou suas mãos ao ventre. – Se não quer viver por você, viva por ela e pelo seu dragão que foi tão bom com você e nos deixou salvá-los. – Disse calmamente.

- Mas como é possível? – Disse incrédula. – Mas... mas... mas... e a profecia? Eu não poderia ter filhos... Eu morri e voltei... – O coração dela estava disparado e muitas coisas vinham em sua mente. – É filho do Jon Snow... – Voltou a chorar no ombro da Sacerdotisa Vermelha.

– “Quando o sol nascer no ocidente e se puser no oriente, quando os mares secarem e as montanhas forem sopradas pelo vento como folhas. Quando seu ventre voltar a ganhar vida para dar à luz um filho vivo. Então, e não antes, ele regressará.” – Kinvara recitou a profecia. – Tudo isso se cumpriu Dany... De uma forma ou outra, você cumpriu a profecia e seu ventre voltou a ganhar vida e trará vida! – Comentou. – E você morreu! A parte final da profecia foi cumprida... Quando esse bebê nascer você não padecerá, você poderá vê-lo crescer... – Sorriu ela e os olhos de Daenerys brilharam.

– Você entenderá uma hora... Mas você tem que dar uma chance para essa pessoinha sobreviver... – Colocou as mãos em cima das mãos da jovem mãe. – Você fará isso por ele?

- Farei! – Tirou forças do seu sangue de dragão para prometer. – Meu filho nascerá! – Limpava as lágrimas incessantemente. – Eu vou melhorar... eu prometo!

- Sim! Lembre-se quem você é Daenerys Targaryen! – Kinvara a ajudou a se levantar e direcionou-a até a cama.

Kinvara aproveitou a deixa que a deixou mais calma e pediu aos servos trazerem o café da manhã para que ela pudesse enfim se alimentar. Trouxeram panquecas doces de amoras regadas ao mel, suco de limão e frutas tão frescas que tinham acabado de serem tiradas do pé. Daenerys comeu vigorosamente e quando se saciou, se dirigiu até a grande janela, a abriu por completo e com uma coberta sentou-se na poltrona e ficou olhando Drogon voar próximo dela.

Passado algum tempo, Kinvara trouxe juntamente com outros servos uma tina com água bem quente e chamaram Dany para se banhar. Foi a primeira vez que o banho foi tranquilo e relaxante. As sacerdotisas fizeram questão de fazer um banho misto de água com sais de banho, ervas e essências calmantes. Finalmente pentearam, olearam e trançaram os longos cabelos prateados, dando a forma ao que se lembrava ser Daenerys Targaryen.

Logo os primeiros raios de sol se fizeram presentes e envergonhados no céu e Kinvara levou Dany junto de Drogon no grande pátio do Templo. Drogon ao mirar aos céus aquela pequena figura vestida de um vestido rubro e negro, com suas belas tranças voando aos ventos, voou para encontrá-la e ao aterrizar em frente dela rompeu o mármore ao chão e rugiu. O rugido foi audível certamente há quilômetros de distância e Dany correu perto dele e o envolveu em seus braços numa tentativa de abraçar aquela grande besta alada.

- Drogon... – Sussurrou com um sorriso e lágrimas nos olhos.

- Vamos minha Rainha... – Encorajou-a. – Voe! Lembre-se quem é Daenerys Targaryen, Mãe de Dragões! – Sorria. – Volte para nós! Lembre-se de sua força! – E nesse momento, Dany subia no lombo de Drogon e logo estavam aos céus e ela pode sentir o vento batendo em seu rosto, os raios de sol ofuscando sua vista e a sensação quente de estar junto a couraça do dragão e respirou fundo se lembrando do quanto era bom estar viva com seu filho.  



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