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História Renascida das sombras - SakuHina. - Capítulo 5


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Notas do Autor


Hey!

Capítulo 5 - A clareira.


C A P Í T U L O 4.

08 de outubro, 2017.

Yo precisava de um pouco de paz em meio ao meu próprio caos.

— Lilith Ávilla.

A minha respiração saia calma e ritmada, enquanto yo caminhava com passos curtos e lentos montanha acima. Tomava todo cuidado para não enfiar o pé em uma raiz, tropeçar e cair na terra úmida pela chuva forte que caiu durante toda a madrugada. Segurei a alça da mochila com mais força, quando uma brisa fria tocou o meu rosto, e fechei os olhos aproveitando o ar fresco das primeiras horas da manhã.

Inspirei profundamente, sentindo o cheiro de terra molhada e da própria floresta adentrarem até os meus pulmões. Abri os olhos e senti uma paz intensa e relaxante tomar conta do meu corpo cansado da longa caminhada. Soltei um leve sorriso, antes de voltar a andar em meios as velhas, altas e imponentes árvores cobertas com um denso musgo nos seus troncos grossos.

Naquele instante, eu estava conseguindo deixar a minha mente em branco e a minha alma em paz e distantes dos últimos conturbados dias.

A quietude extrema era a minha única companhia nas últimas horas. Às vezes, era apenas interrompida quando eu pisava sobre um galho caído e o quebrava em seguida. No entanto, fora isso, quase podia ouvir o som do meu próprio coração batendo de forma calma no peito. Nem mesmo, após uma longa caminhada, ouvi qualquer piar de algum pássaro ou a movimentação de outro animal terrestre.

Parecia que existia apenas o silêncio e yo em toda a floresta.

Aos poucos, o ar mais gélido e sombrio foi cedendo e dando espaço para uma acanhada claridade no topo da montanha. Tímidos raios solares estavam conseguindo atravessar as densas e inúmeras copas das árvores. Apertei o passo, sentindo o meu coração bater mais rápido e uma sensação de euforia tomar conta do estômago. Eu estava cada vez mais próxima e isso fez-me soltar uma risada animada. Senti as bochechas ficarem doloridas na mesma medida que o meu sorriso se tornava mais largo.

Por fim, yo havia terminado de subir a montanha e alçado o seu topo.

Os meus olhos marejaram, em lágrimas não derramadas, e uma sensação de calor abraçou o meu peito. O meu interior borbulhava de tantas saudades, pois fazia anos que eu não pisava naquela mesma clareira mesmo morando há 10 anos na cidade. No entanto, o lugar parecia mais belo e quase surreal nas vagas lembranças da minha infância.

Me sentia em um terno sonho, mesmo que estivesse acordada a horas.

O sol surgia com imponência e forte entre as poucas nuvens brancas no céu azul límpido. Seria um dia quente e ensolarado em Crimson Falls, o que era uma raridade em vista que a cidadezinha estava quase sempre mergulhada em chuva, frio e encoberta por pesadas nuvens. Eu amava o clima mais gélido, porém o calor e o sol também tinham os seus espaços no meu peito.

Balancei a cabeça, com leveza para os lados, e foquei-me na paisagem perfeita bem diante dos meus olhos. Mais uma vez, uma enorme paz e calmaria apossou-se do meu coração.

Uma mediana clareira abria-se em um formato desconexo no topo da montanha, enquanto as árvores pareciam ajoelhar-se e contemplar a beleza magnifica do lugar. A grama alta, verde e de aparência macia cobria todo o chão, estava deixando-me com a vontade quase incontrolável de me deitar sobre e dormir por algumas boas horas. Inúmeras flores em tons de roxo, branco e azul davam o tom especial e mágico.

Retirei as minhas botas de montanhismo e as grossas meias, ficando descalça em seguida. Por ainda estar protegida sob um grande abeto, senti um arrepio eriçar os pelos e fiz uma careta desgostosa quando a grama fria e molhada entrou em contato com as solas dos meus pés. Abri um pequeno sorriso e ignorei a sensação, dando dois passos em direção ao sol.

No entanto, parei de caminhar e retrocedi o percurso. Deixei o par de botas encostado no tronco da mesma árvore, enquanto retirava o meu casaco pesado e deixava-o sobre a mochila, preta e simples, no chão úmido. Puxei as mangas da blusa fina até os cotovelos e dobrei a barra da calça de moletom, deixando o máximo de pele exposta.

Yo queria sentir os raios solares tocarem-me sem muitas barreiras de tecidos.

Respirei fundo, sendo arrebatada por uma mistura forte e intensa da fragrância das flores. Inevitavelmente, acabei soltando um leve espirro. No entanto, nada me impediria de prosseguir até o centro da clareira. Por fim, soltei um suspiro feliz e abri um leve sorriso, preparando-me para caminhar.

Uma sensação quente atingiu assim que adentrei a clareira, ficando totalmente exposta ao sol, e a grama macia deu-me a impressão de estar pisando no tapete fofo do meu quarto. Mais uma vez, fui arrebatada e entorpecida pela profusão de perfumes florais, porém, dessa vez, não senti nenhuma vontade de espirrar. Estiquei o braço e abri os dedos com leveza, sentindo as delicadas pétalas entrarem em contato com a minha pele, enquanto eu caminhava com lentidão.

Quando cheguei no centro, parei de andar e fechei os olhos. Permiti-me aprofundar e perder-me na sensação de estar só em um lugar que mais parecia um pequenino pedacinho do paraíso na terra.

Em paz, era assim que me sentia.

Com os pensamentos leves como uma pluma e a mente em quase total branco, abri os olhos e pisquei, algumas vezes, até me acostumar com a claridade do sol. Repentinamente, uma brisa mais forte agitou os meus cabelos rosados, fazendo alguns fios caírem do rabo de cavalo alto.

Ainda fiquei de pé, apreciando cada mínimo detalhe ao meu redor, contudo a noite mal dormindo e pensativa começava a cobrar o seu preço sobre o meu corpo exausto da longa caminhada. Franzi o cenho e soltei um bocejo alto. Quando dei por, já estava sentada sobre a grama e lutava para continuar acordada, enquanto o cansaço me nocauteava de forma quase destruidora. Pisquei inúmeras vezes, mas nada adiantou. No entanto, mais uma onda de pura letargia atingiu-me, fazendo-me deitar e fechar os olhos.

Em segundos, a escuridão me engoliu sem piedade alguma.

Parecia que eu estava consciente, no entanto, ao mesmo tempo, ainda tinha a certeza de estar adormecida sob o sol quente na clareira. Conseguia sentir a maciez da grama onde a minha pele estava exposta, assim como a fragrância das flores ao meu redor. A minha mente estava lúcida mediantes as sensações, mas o meu corpo não reagia a nenhum estimulo cerebral para o despertar completamente.

Na minha mente confusa e um pouco lucida por causa do sonho recente, ao mesmo tempo em que se passava um filme desconexo e com imagens turvas. Imagens de quando encontrei Ino machucada, a impotência que senti por não conseguir protegê-la de seu pai violento e ajudá-la, andar sem rumo pela rua aos prantos sob a chuva, o meu momento de fragilidade com Hinata e, por fim, o medo que começava a me tomar sobre os supostos vídeos de que um eminente apocalipse zombie poderia explodir em 2017.

Já estive presa em sonhos parecidos antes. Era um tanto perturbador estar perceptível e tentar acordar a todo custo, mas nunca conseguir voltar a realidade. Inevitavelmente, um desespero começou a romper o meu íntimo, enquanto o meu coração batia de forma alucinada e eu começava a despertar.

Pela segunda vez, a escuridão começou a me tomar até tudo começar a desligar por completo na minha mente. No entanto, no segundo seguinte, houve uma mudança drástica no cenário negro. Uma forte e brilhosa claridade começou a surgir do nada e dominar tudo, no mesmo momento em que crescia de forma descontrolada e parecia estar sugando todo o ar ao meu redor.

Por fim, despertei completamente, saindo das trevas e sendo puxada de volta pela luz.

Era como se eu estivesse imergindo do fundo do mar e respirando após um longo período sem oxigênio. Uma sensação sufocante, esmagadora e aterrorizante tomou conta de todo o meu coração de forma abrupta. Senti-me sendo puxada, mais uma vez, para o estado de semiconsciência e o desespero explodiu como fogos de artifícios por detrás das minhas pálpebras.

Não!

Repentinamente, abri os olhos e puxei o ar com força com um desespero angustiante, enquanto o meu peito movia-se de forma rápida. A minha respiração era falha e pesada e eu encarava o céu azul com poucas nuvens brancas, tentando normalizá-la. Aos poucos, fui me acalmando e o meu corpo relaxando na mesma medida.

Yo havia conseguido despertar.

O céu ainda estava azul, contudo inúmeras nuvens já tomavam boa parte de sua pequena imensidão no meu campo de visão. Soltei um suspiro tranquilo e permiti meu corpo relaxar e aproveitar os últimos momentos na clareira. As sombras já começavam a ficar mais imponentes do círculo irregular de grama, deixando-me atenta que já deveria ser bem tarde e não demoraria muito para começar a noitecer.

Não demoraria muito para o crepúsculo fazer-se presente no céu.

Todavia, decidi ser um pouco imprudente e ficar mais alguns poucos instantes no pedaço de paraíso. Mesmo sob o calor do sol, o vento suave começava a me fazer os primeiros indícios de frio, só que a minha teimosia era maior e não movi nenhum musculo em busca do meu casaco que estava a poucos metros de mim. Pelo contrário, coloquei os braços atrás da minha cabeça e fechei os olhos no sinal mais puro relaxamento, após despertar do meu pesadelo superconsciente. Mas, desta vez, yo não dormiria.

Por mais que eu tentasse e lutasse em deixar a minha mente límpida e afastada, até mesmo do sonho que tivesse há poucos minutos, da última semana conturbada, era impossível fugir dos meus próprios demônios para sempre.

Mesmo refugiada no meu pedaço de paraíso na terra.

Então, agarrei-me a mim mesma como a minha única e mais forte tábua de auto salvação, deixando tudo explodir como fogos de artificio dentro da minha mente. Por detrás das minhas pálpebras, pipocaram imagens de Ino, Hinata e dos terríveis vídeos, o que trouxeram um gosto amargo e repulsivo na boca assim como a destruidora sensação de impotência.

A situação na casa da minha melhor amiga estava insustentável há muito tempo. Na verdade, eu diria anos. Seu pai, após perder seu remunerado trabalho na outra cidade, entregou-se as bebidas, jogatinas e mulheres. Ele havia arrumado outro emprego, contudo ainda amargava por ter sido ''vencido'' e perdido a sua tão almejada promoção para uma mulher mais jovem, deixando-o ainda mais machista do que sempre já foi.

Antes disso, sempre tiveram brigas na sua casa, só que tudo tornou-se pior e a agressão verbal virou algo ''natural'' sob o teto dos três. A mãe de Ino havia engravidado do traste do marido, que era 10 anos mais velho, ainda na adolescência e, vinda de uma família demasiadamente rígida e religiosa, foi obrigada a casar-se sem amor por ele. E seguindo as regras e criação impostas pelos próprios pais a seguir uma vida conjugal com quem não amava, enquanto achava que a sua fé e as palavras do seu pastor hipócrita mudariam tanto o seu casamento quanto o seu marido.

E até quase uma semana atrás, ele nunca tinha relado um único dedo na esposa e muito menos na própria filha. Contudo, o que já era insustentável, tornou-se um verdadeiro inferno de traições, mentiras, agressões verbais e, agora, também físicas, o que me deixava extremamente impotente e destruída em saber como não ajudá-las.

Há uns meses atrás, tentei convencer, juntamente de minha abuela e madre, de trazerem ambas para morarem conosco até conseguirem se estabilizar, porém negaram. Vovó Dulce, que era uma juíza muito respeitada em Madri durante todos os anos em que esteve nos tribunais, afirmou que poderia mexer alguns pauzinhos e prendê-lo por alguns bons anos, no entanto a resposta negativa novamente.

Saray nunca abandonaria o miserável do marido, e Ino também não permitiria que a mãe sofresse sozinha nas garras do progenitor.

Em um momento de puro egoísmo e desespero, implorei para que Ino largasse a sua mãe sobre nas mãos de seu pai e mudasse-se para a minha casa. Yo tinha medo de perdê-la, dela sofrer mais ataques e temia que o pior poderia acontecer com a minha melhor amiga. Todavia, ela permaneceu ao lado de Saray.

Atualmente, eu ainda não sabia o que fazer, ou como agir para tirá-las de um lar abusivo. Apenas rezava para Dios que tudo não ficasse pior ainda, afinal temia que ele pudesse matá-las.

El infierno!

Abri os olhos de supetão e senti-me em seguida. O último pensamento havia me perturbado demais e me deixado agitada em puro nervosismo. No entanto, yo tinha que me agarrar na minha própria fé de que tudo ficaria bem e as tiraria desse inferno.

Por fim, balancei a cabeça, com leveza para os lados para espantar meus pensamentos sombrios, e encarei o horizonte sobre as copas altas das árvores. Mesmo que o dia tivesse sido ensolarado e mais quente, haviam nuvens cinzas e pesadas de chuva que começavam a tingir o céu azul. Não demoraria muito para voltar a chover.

Soltei um suspiro e me levantei com bastante cuidado por ainda sentir as minhas pernas bambas e fracas. Fiz uma careta de desgosto e bufei em descontentamento, pois, quando fiquei ereta, o meu corpo voltou a reclamar de dor da noite mal dormindo. Lancei um último olhar para o horizonte, antes de caminhar em direção a minha mochila e botas no tronco da árvore.

Rapidamente, calcei as meias grossas e as botas em seguida. Entretanto, parei de colocar o casaco e olhei para trás conforme os meus olhos dançavam por toda a clareira. Era como se eu estive sendo observada por alguém. Não encontrei absolutamente nada e neguei com indignação, voltando a me arrumar.

De fato, os últimos acontecimentos estavam sendo mais intensos do que yo esperava.


Notas Finais


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