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História Renda-se - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Tudo o que peço a você


Fanfic / Fanfiction Renda-se - Capítulo 3 - Tudo o que peço a você

Christine entrou em seu quarto e deparou-se com Raoul de frente ao espelho, ele ajeitava suas calças, colocando o cinto no devido lugar. Ao perceber a esposa chegando, ele olhou para ela e deu um breve sorriso. Raoul estava perfumado e seu cheiro era bastante gostoso.

— Vai sair? — Christine perguntou o vendo elegantemente arrumado.

— Vou, Lotte. — Raoul vestia seu paletó. — Algo requer a minha atenção.

— Você chegou tão tarde ontem. — Christine cruzou os braços e caminhou em direção a cama, onde sentou-se. — Pelo visto hoje será da mesma maneira.

— Eu estou a serviço da corte. — Raoul virou-se para Christine. — Iremos falar de política e fumar charutos, por isso não a levarei comigo, não iria se interessar em ficar até tarde por tais motivos. — Raoul veio até Christine e selou os lábios dela num beijo rápido.

Christine cruzou as pernas vendo que Raoul novamente pôs-se em frente ao espelho. — Está bem, mas antes de ir, passe no quarto de Gustave, ele aguarda você. — Christine observava Raoul penteando os cabelos loiros. — Quer que conte uma história para ele.

— Agora não disponho de tempo. — Raoul terminou e largou o pente, virando-se para a esposa. — Amanhã reservarei uma hora da tarde para ficar com ele.

— Gustave está sentindo sua falta, ultimamente anda tão ocupado. — Christine o disse e Raoul sorriu, vindo até ela.

— Ele é como você, gosta de ouvir minhas histórias de terror.

Christine viu Raoul sentar ao lado dela na cama, ele aproximou-se de seu corpo e passou a lançar beijos no seu pescoço. Depois que encontrou Erik semanas atrás, voltou a ser difícil ficar muito perto de Raoul. Christine sentia os lábios de Raoul tocando sua pele e levemente afastou-se, tocando o rosto dele. — É que suas histórias são boas, por isso gostamos de ouvir. — Christine disse soltando a face dele e Raoul sorriu olhando nos olhos dela. — E também porque quando estou com você em momentos como estes me sinto voltando no tempo, na época em que éramos crianças.

Raoul tirou uma mecha do cabelo de Christine de frente de seu rosto e a colocou atrás da orelha. — Sente falta daquela época? — Em seguida novamente a beijou na boca.

Christine encerrou o ligeiro beijo. — Sinto. Principalmente por causa do meu pai. — Christine olhou para baixo, entristecida. — Naqueles anos a minha vida era mais simples, mais fácil, sem grandes escolhas.

— Hm. — Raoul sorriu decidido a animar aquele belo rostinho. — Já que estamos falando no passado, neste final de semana vamos fazer um piquenique no jardim do quintal, nós três, como antigamente. — Christine esboçou um singelo sorriso e Raoul ponderou. — Realmente estou precisando dar mais atenção a nosso filho.

— Gustave tem muitos brinquedos, mas a verdade é que ele não tem amigos para brincar e tão pouco sai de casa. — Christine pôs a mão na perna de Raoul. — Gustave ficou tão feliz quando saímos da última vez. Até hoje ele se recorda com entusiasmo da ópera que assistimos.

— Eu compreendo. — Raoul levantou-se da cama. — Mas infelizmente ou felizmente, ser um visconde recai sobre mim muitas responsabilidades. E para manter tudo o que temos eu preciso trabalhar com empenho.

Christine assentiu. — Eu entendo. Nesse caso, estou pensando em levar Gustave ao teatro sozinha.

— Não, nem pense nisso. — Raoul disse sério, atraindo a atenção de Christine. — Eu proíbo.

— Porque não? — Christine contestou imediatamente.

— Porque não quero que saia sem mim, Lotte. — Raoul pôs as mãos na cintura. — Sou seu marido, sei o que é melhor para você.

Christine levantou-se da cama, contrariada. — E o que seria melhor para mim que eu não posso adivinhar por mim mesma?

— Sua segurança. — Raoul prontamente respondeu.

Christine deu um passo se aproximando. — E acha que não sei cuidar de mim e do nosso filho? Que não sou capaz de sair de casa sem você?

Raoul segurou o braço de Christine. — Faço isso porque cuido de você, é o meu dever. — Christine o olhava nos olhos e Raoul mantinha sua postura respeitável e autoritária. — Não quero que se repita o incidente que você vivenciou assim que nos reencontramos oito anos atrás. Você trabalhava na Ópera, saía sozinha a noite e certa vez sumiu por quatro semanas. Quatro semanas. — Raoul reforçou e Christine desviou o olhar. — Não se recorda disso?

Raoul tocou no ponto fraco de Christine, e quase que instantemente ela foi abandonando suas defesas.

— Fiquei um mês inteiro quase louco a sua procura. — Raoul continuou. — E quando você retornou, estava terrivelmente assustada. Falava por enigmas, dizia coisas sem sentido algum. Quando perguntávamos por onde esteve você respondia que havia descido aos abismos da terra, raptada por um anjo. Como iria me esquecer dessa história sem pé nem cabeça? — Christine estremeceu e Raoul percebeu os olhos dela fraquejando. — Eu era patrono do teatro na época e lembro de todos cochichando pelas suas costas, me vinham dar conselhos para não noivarmos, porque você estava louca. E por isso a tirei de lá, não permiti que continuasse trabalhando para aquela gente e a trouxe para minha casa. Quando nos casamos fiz a promessa de protege-la, por isso faço o que faço.

Christine avançou no marido e abraçou Raoul com força. — Tem toda a razão. — Christine alisava as costas de Raoul, o apertando. — Continue a me proteger Raoul, você é o único em quem posso confiar esses segredos. Portanto fique perto de mim, fale sempre de seus assuntos bobos, seus negócios enfadonhos, conte histórias para mim, distraia minha mente para que eu não pense nele, sobretudo agora.

Raoul juntou as sobrancelhas, confuso. Ele desfez o abraço e a encarou. — Do que você está falando? Que brilho é este em seus olhos que há tempos não via?

Christine o olhou com receio, levou certo tempo para tomar coragem, mas preferiu contar a verdade. — Eu estive com ele, Raoul. Eu o vi. — Christine assentiu o olhando nos olhos. — O anjo apareceu pra mim noites atrás e com ele voltou o meu medo da noite.

Raoul conhecia bem aquele medo antigo de Christine, enxergava nos olhos dela uma forte aflição. — Lotte, você andou sonhando. Não fique impressionada, são só pesadelos.

Se tinha algo que deixava Christine nervosa era quando dizia algo e não acreditavam nela. — Raoul, você não está entendendo, ele voltou! Eu estive com ele, e sinto que há algo rondando essa casa, há dias que escuto barulhos de madrugada. Ele voltou e quer me levar com ele! Quer me levar com ele! — Christine estava realmente atordoada e isso ligeiramente intrigou Raoul. — E dessa vez você não conseguirá me ter de volta, porque se ele me levar, será pra sempre. Eu não quero isso, eu luto contra com todas as minhas forças, mas eu não sou de ferro, Raoul!

Raoul segurou nos ombros da esposa e a apalpava, tentando acalmá-la. — Lotte, acho que vou passar um tempo sem contar histórias de terror para você, está muito impressionada.

— A insistência dele me assusta. E eu não consigo resistir a ele. — Christine olhou para a janela aberta de seu quarto e tinha recordações do fantasma. — Aquela voz... Aquela voz dentro na minha cabeça, aqueles olhos me seguindo, as nossas lembranças...!

Raoul moveu o rosto de Christine, fazendo-a encará-lo. — Lotte, quando se sentir assustada, reze, reze que isso passa. É apenas a sua imaginação. — Raoul a levou para se sentar na cama, mas Christine estava gelada e negava-se a soltar a mão dele. — Agora deita.

Christine agarrou-se em Raoul. — Não! Não, você não vai sair hoje, fique comigo essa noite, não me deixa sozinha! — Christine apertava Raoul enquanto ele pacientemente se soltava dela. — Se eu o reencontrar novamente, vou acabar fazendo algo que não quero, não serei capaz de continuar me controlando.

Raoul não gostava de ouvir aquelas coisas da qual já estava acostumado. Desde menino ele já presenciava Christine encantada pelo tal anjo que aparecia de noite na sua cama. Porém anos demais haviam passado e já era tempo de superar esse “mito de criança”. Raoul irritou-se. — Christine, chega! Essa história de anjo já está indo longe demais. Não quero que Gustave ouça você falando essas bobagens. Eu já te disse, você precisa parar de conversar com o espírito do seu pai. Isso a deixa vulnerável demais a sua imaginação forte. Não vou mais permitir que visite o túmulo de Gustave no cemitério, essa história acaba aqui. — Raoul dizia e Christine o olhava ficando cada vez mais desgostosa com o marido. — Seu pai está no céu, Lotte. Essa coisa que você tanto imagina e que atormenta seu sono não é seu pai.

Christine negou prontamente. — Eu nunca disse que o anjo é meu pai, mas ele foi mandado por ele.

Raoul percebeu que Christine estava irredutível e preferiu fingir que acreditava no que ela dizia para encerrar de vez aquela conversa. — Está bem, Lotte. Não duvido que você recebeu uma visita do anjo, mas agora já passou. Ele não vai voltar. Deite, está tarde.

Christine negava-se a deitar, pelo contrário, ela não soltava os braços de Raoul. — Você foi o único que não me considerou louca, até Meg me virou as costas, mas você não. Fique comigo Raoul, com você perto de mim ele não virá, é tudo o que te peço, fique.

A verdade é que Raoul também não acreditava, mas como estava apaixonado por Christine, ele a dava ouvidos. — Eu estou com você, Lotte, sempre. Mas agora tenho que ir, estou atrasado. — Raoul afastou-se dela, dando passos para trás.

Christine o olhou pegando seu chapéu. — Raoul... você me prometeu.

— Se está com medo, basta me obedecer, não saia de casa, Lotte. Tente descansar e não fique alimentando fantasias infantis. — Raoul disse saindo do quarto. Christine rapidamente saltou da cama e foi atrás de Raoul.

— Mas, Raoul, o anjo fica dia e noite na minha cabeça, ele não sai dos meus pensamentos. — Christine dizia andando atrás de Raoul, que caminhava apressado pelos cômodos da casa. — Não queria contar isso a você, porque pensei que conseguiria vencer isso sozinha. Mas os anos passam e eu não consigo esquecer. Depois que o vi então, minha situação só piorou. Tem sido insuportável viver assim. Eu não sei mais o que fazer pra ter paz.

Raoul não mais a escutava, estava pensando em outro assunto quando virou-se para ela antes de descer as escadas. — Dê um beijo em Gustave por mim.

Christine calou-se indignada o vendo descendo os degraus em direção a porta da saída da casa. — Você não está me levando a sério, não quer me ajudar. Pois então, aguente as consequências disso, Raoul. — Christine disse voltando para dentro de seu quarto. Porém Raoul não a escutou pois já havia saído.  

(...)



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