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História Reneslec ; The Bounty Hunter - Capítulo 7


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Notas do Autor


Vou ser sincera: os capítulos narrados pelo Alec são meus favoritos. Infelizmente, acho que não veremos mais deles por algum tempo :\
Mas cá está um, e com certeza é o meu favorito até agora.
Boa leitura <3

Capítulo 7 - Four


Alec Carter

 

No andar superior, sua respiração era profunda e regular.

Ninguém podia culpá-lo por estar dormindo, a bem da verdade. A alvorada ainda não passava de uma esperança, e o verão reduzira as noites a horas quentes e secas, entretanto o interior daquele lugar era agradavelmente fresco. Não havia argumento que pudesse defendê-lo por esquecer a porta aberta, todavia.

Jane o tinha encontrado por acaso no dia anterior, um edifício baixo de tijolos marrons e janelas longas e quadriculadas, sem nada que o distinguisse das outras construções da Bell Street Park. A entrada consistia em madeira escura, retangular e pouco adornada, encimada por um letreiro suspenso. O Itinerante, lia-se, viajando desde 1234. Minha gêmea chamara-o de rústico, mas uma vez lá dentro, admitiu que a placa de cedro era coerente com o espaço.

O estabelecimento de Kristie agora esteava-se em madeira e couro, rudimentar se comparado com o que era décadas antes. Naquela época, em algum lugar movimentado de Nova York, o breu ambiente fora intenso e titubeante, oscilando festivamente devido ao piso, cada quadrado opaco lançando um brilho colorido contra a escuridão. Um globo espelhado costumava girar no teto, ocasionalmente atingido por agitados feixes de luz. Houvera neon e posters por toda a parte, silhuetas se movendo ao ritmo de uma música no centro do salão, cabelos adquirindo cor conforme os holofotes se mexiam no teto. Atualmente, o chão polido limitava-se a reluzir, as cores estavam presas em quadros ornamentado uma parede sem janelas, e a galeria, antigamente vaga em favor de uma pista de dança, acolhia mesas redondas esparsas entre assentos revestidos com couro verde-escuro. Nada possuía o tom chamativo da década de oitenta, tampouco lembrava as decorações que o Itinerante teve ao longo dos séculos, e no entanto, havia alguma coisa familiar, algo que estava permanentemente naquele meio, intocado enquanto todo o resto era substituído.

Procurei por ele, uma mobília, um pequeno objeto, um reles detalhe, qualquer coisa que já tivesse visto outrora. O bar, como frequentemente era disposto, situava-se paralelo à entrada e adiante do salão, mas duvidei que fosse o que estava buscando. Normalmente, eu ponderava acerca das palavras sussurradas em latim, do discreto preparo de poções atrás do balcão, das taças cheias e copos de vidro sobrenadando o ar, independentes. O âmbito estava quieto e inerte, entretanto, e a sensação de familiaridade era sólida como um chapéu de pedras. Talvez a resposta fosse intocável e sutil, como cheiro de bruxa, ou invisível aos sentidos, como um feitiço. Eu nunca a desvendava, o que quer que fosse.

Do outro lado do bar, Doug desceu as escadas. Bocejando, percorreu os degraus em caracol com uma lentidão sonolenta, às vezes tropeçando no próprio pijama, as passadas prosseguindo desajeitadas no térreo. Os olhos, mais fechados do que abertos, se recusavam a sair do chão, e o cabelo salpicado de branco estava amassado e desordenado. A pesada máquina de café foi ligada dois metros antes que Doug passasse por ela, então tudo que precisou fazer foi colocar uma xícara sob um jato de líquido quente. Escorando-se, deixou a cabeça baixa enquanto esperava, demasiado cansado para perceber que estávamos ali.

Cumprimentei-o casualmente.

— Bom dia, Doug. 

O cabelo grisalho balançou sobre a testa quando a ergueu. Olhou para Jane, acomodada na primeira ponta de um sofá, as pernas cruzadas e o pescoço meio virado para a direita a fim de fitá-lo de volta. Encontrou-me logo atrás dela, sentado sobre o encosto da outra ponta, os antebraços apoiados nos joelhos. Kristie teria apontado meus pés descansando na superfície limpa do couro, decerto que sonoramente aborrecida, mas Doug não se importava.

Filetes de luz pálida anunciando o amanhecer trespassavam o céu, iluminando um preguiçoso esboço de simpatia nas feições cansadas.

— Ora, ora. Que bela manhã para uma visita. Café, Jane? Sei que você gosta. Alec prefere vinho, é claro. O estoque de Vin de Constance foi renovado, se quiser.

— É um pouco cedo para mim, obrigado.

— Felizmente, nunca é cedo para café — levantando-se, seus passos ecoaram suavemente até o balcão. — Só um pouquinho — disse, e o bruxo lhe ofereceu o primeiro gole de sua xícara. — Desde quando está em Seattle?

— Quase um ano. É lucrativo viver aqui, apesar de não ser um lugar passivo como Kansas City — experimentou a bebida, afastando-se rapidamente em razão da temperatura. Soprou-a na tentativa sequente, arriscando um gole maior, e passou a assoprar e arriscar, conservando o vidro transparente enevoado. Restava menos da metade quando voltou a falar. — E quanto a vocês, o que vieram procurar em meu humilde lar? Um feitiço, imagino, ou o ombro de um amigo confiável? — ele não era confiável, mas a sugestão de que sim me fez sorrir singelamente.

Para ser justo, Doug era um bom manipulador de magia, um dos melhores que já haviam nascido, quem sabe, e eu me via obrigado a admitir que sempre fora eficiente — da mesma maneira que era intrometido. Os rumores que há muito corriam pelo submundo falavam sobre o afável filho de uma bruxa, bom ouvinte e conselheiro, que sabia qualquer coisa acerca de qualquer um, contanto que conversasse com esse um pelo menos uma vez. Um fidalgo pleno de respostas, diziam. Em geral era um bom crédito a se ter, ainda que ele desejasse um título imponente semelhante ao de Kristie. Dedicava-se a isso havia quase cem anos, mas o início da fama era invariavelmente inconstante, bamboleando-se nas próprias pernas como uma criança em seus primeiros passos, portanto Doug divulgava cada proeza que realizava com magia. No momento, não havia bom senso em envolver nossos nomes naquilo, mas Jane e eu pressupomos que não teríamos escolha.

— Sua mãe — respondi. — Ela não se encontra, no entanto — de outro modo, a porta da frente estaria trancada.

— Não. Kristie está viajando. Pensei que soubessem.

— Por que saberíamos?

Doug terminou o café. Os olhos despertos perambulavam entre mim e minha irmã, argutos como se vissem uma oportunidade que teria que apanhar depressa, ou a perderia assim que piscasse. Deixando a xícara de lado, pôs um sorriso no rosto.

— Ela foi ver os Volturi. Ao que parece, um dos seus tomou um jovem delinquente como aprendiz, e ter o garoto por perto tem sido danoso ao estabelecimento.

Tinha examinado o espaço inteiro há pouco tempo, todavia, por curiosidade, espiei ao meu redor.

— Que tipo de dano? — questionei, por fim.

O filho de Kristie indicou as janelas. Havia apenas quatro, todas na mesma parede. O topo era arqueado, descrevendo divisões curvadas a meio de linhas quadriculadas, e o comprimento era retangular, extenso e não muito estreito. Através delas, a manhã mostrava-se azul e traçada aqui e ali por nuvens brancas.

— Vidro temperado, para que os vampiros sem proteção contra a luz solar possam vir durante o dia. É feito sob medida, caro para o meu gosto. O menino as considera um bom alvo para pedras. É um recém-criado, ainda aprendiz, como eu disse, contudo possui a agilidade de um velho em uma fuga. Minha mãe foi tratar a respeito dele, mas se soubesse que viriam, não teria ido, garanto. Aproveitando que vieram, por que não resolvem o problema?

A loira girou o tronco na minha direção, encarando-me de forma irônica. Talvez porque não nos importemos com seus vidros, era o que queria dizer. Esforcei-me para não rir.

— Claro. A falta de caçar estava começando a nos entediar, mesmo — menti, regado com cortesia. No instante seguinte, respondia a outra de suas perguntas. — Viemos pelo feitiço do Sol, Doug.

Com um olhar furtivo, o bruxo checou nossas mãos. Os anéis que nos tornavam diurnos estavam bem encaixados no anelar de Jane e em meu dedo médio, fazendo-o sorrir como se compartilhássemos um segredo. 

— Não para vocês, creio.

— Não, de fato. Queremos para uma amiga. 

— Certo. Devo usar diamantes vermelhos como talismã e cravejá-los em ouro?

— Não seria apropriado — colocou Jay, virando-se de lado, a voz amena. — Nossa amiga não pertence à guarda.

Um lampejo de dúvida brilhou nas íris castanhas, rápido e incontrolável como um reflexo. Minha gêmea e eu nos entreolhamos momentaneamente antes de rir, julgando a expressão desconfiada tão espirituosa quanto uma piada.

— Já mentimos sobre? — perguntei, divertido.

Doug relaxou os braços cruzados na bancada, cedendo.

— Não que eu saiba — assumiu, repuxando as bochechas em um novo sorriso. — Querem ver os mostruários?

— Na verdade, não será necessário dessa vez. Queremos a peça mais em conta, o encantamento é o verdadeiro presente. Suponho que o preço tenha subido…?

— Nem tanto, princesa. O feitiço está trinta mil mais caro, totalizando trezentas e oitenta mil libras, e a jóia mais modesta está à venda por oito mil.

— Oito mil? — ecoei em tom sugestivo.

— Podemos negociar, embora não haja nada que eu possa fazer acerca do feitiço. Proponho seis mil. A metade do preço? Está bem, mas tenho uma contraproposta: uma troca. Dê-me o pingente que pendura no pescoço, Alec, e a jóia sairá de graça.

Não havia surpresa naquela oferta, visto que eu estava acostumado a ouvi-la. Depois de tanto tempo, tinha deixado de ser compelido a tocar o anel, ansioso por sentir o aro girando entre os dedos, a saliência angulosa onde a esmeralda fora incrustada e a temperatura da prata, apenas para ter certeza de que continuava comigo. Sob minha blusa, reconhecia seu peso forçando a fina corrente para baixo, o círculo parado perto do meu coração, e isso bastava.

Não pela primeira vez, recusei a proposta, optando pelo desconto.

— É uma pulseira — anunciou ele, endireitando-se. — Bastante simples, sim, mas ficaria elegante com um toque de prata e ônix. Que acham?

— Parece bom — Jane aquiesceu. Concordei com um aceno.

— Então fechamos em trezentos e oitenta e quatro mil — disse, provido de uma alegre simpatia. — Farei o feitiço. Volto em vinte minutos — e refez seu caminho até as escadas, subindo-as com mais agilidade do que as tinha descido.

Quando nos vimos sozinhos, minha irmã retirou um pequeno pedaço de papel branco da calça jeans, estendendo-o na minha direção. Levantei-me, surgindo ao seu lado no segundo seguinte.

— O que é? — puxei uma banqueta para ela, arrastando outra para mim. Sentando-me, desdobrei a folha.

Uma despretensiosa olhada por cima, e as letras impressas em tinta negra revelavam-se partes soltas de um testamento.

— O motivo pelo qual você conseguiu entrar na residência dos Cullen sem ser convidado.

— Carlisle e Esme deixaram a casa para a neta.

— E ela morreu, transformando o lugar em um espaço público para vampiros. Falando nisso — apoiou um cotovelo no bar, usando os dedos enrolados em punho para acostar o queixo —, você ainda não contou por que a impediu de estraçalhar o cara na floresta.

Nunca era parte do plano interromper a primeira morte de um recruta; era o que fazia deles vampiros, e o melhor pretexto que sempre tivemos para nos aproximar. Mesmo assim, eu tinha me colocado entre Renesmee e a vida que ela poderia ter tirado.

— Tinha um grupo por perto. Dez pessoas, talvez. Não dava para arriscar. Mas Edward fez um bom trabalho conseguindo bolsas.

Jane franziu as sobrancelhas claras, indubitavelmente pensando o mesmo que eu quando soube do freezer cheio de sangue:

— Carlisle contou — deduziu, tomada por certa admiração. Então, piscou. — Por que está sorrindo?

— Porque, querida irmã, o buraco é mais embaixo. Lembra-se de ter ouvido a respeito dos diários do pai de Carlisle? — minha gêmea balançou a cabeça, negando. — Trata-se de relatos das expedições de um pastor anglicano, “protetor dos homens e caçador de demônios”, como nosso tio. Um sujeito notável, tenho que admitir. Matou mais sobrenaturais do que qualquer outro humano, tal como nos compreendeu mais do que a maioria. Tudo que escreveu sobre nós, bruxas e lobisomens está preservado nas estantes da antiga casa dos Cullen, e Edward memorizou cada linha. A essa altura, deve saber o suficiente para nos tornar desnecessários em circunstâncias comuns.

— Apesar disso, você está imperturbado. Já pensou em alguma coisa.

Assenti, embora seu tom dispensasse uma resposta.

— O único interesse de Charles Cullen era o nosso fim, portanto concentrou-se em encontrar os meios para isso. Informações que não pudessem ajudar a nos destruir, sobre a transformação ou as propriedades do nosso sangue, por exemplo, não significavam nada para ele.

Como se eu estivesse explicando a rota para um lugar novo, Jane entendeu quais ruas teria que seguir.

— Nesse caso, se Renesmee não sabe como remediar a morte, um atestado de óbito seria muito conveniente. 

— Ninguém precisa morrer — falei com tranquilidade. — Chegar perto é o bastante.

 


Notas Finais


Estou com uma fanfic nova sobre BTS (não é aquele spin-off de TBH que prometi, mas mesmo não tendo vampiros, estou gostando de escrevê-la huasuhasuh). Fiquem à vontade para ler <3
Beijos <3


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