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História Reparos - Shawmila. - Capítulo 19


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Capítulo 19 - Dezenove.


— Ouvi dizer que você ficou até tarde na casa de Shawn, — mãe disse, ligando minha máquina de café.

Ela, muito prestativa, entrou antes de eu chegar em casa do trabalho. Depois de muitas perguntas sobre o meu estado, ainda coberta de tinta, eu a convenci a me deixar tomar banho antes que ela seguisse sua linha de questionamento.

Eu realmente precisava dessa chave reserva de volta.

Mordi a ponta do doce. — Eu não posso imaginar quem lhe disse isso.

Ela olhou para mim por cima do ombro. — Marcie. Parei para pegar alguns doces.

— Por que você não foi à padaria?

— Eu fui. Ela estava lá.

Bem, isso estava claro. — Certo. Bem, isso não é verdade. Desculpe por desapontá-la.

Ela tirou a caneca da máquina com um revirar de olhos. — Por que ela pensa isso, se não é verdade?

— Porque ele é um merdinha que está prestes a aprender que os rumores de uma cidade pequena vão voltar a mordê-lo em sua bela bunda, — eu bufei, ainda mastigando o doce.

— Então, há verdade nisso ou não? E como Marcie sabe?

Suspirei pesadamente, deixando o doce. — Eu jantei com ele ontem à noite... como amiga, — acrescentei enfaticamente. — E eu acho que a ávida-local se apossou dessa informação. Ele nos conseguiu um almoço no Coastal, Marcie perguntou, e ele deu detalhes para dar a todos algo para falar.

Os lábios de mamãe torciam se para o lado. — É assim que você acabou coberta de tinta rosa?

— Longa história resumida, sim. Eu não estava feliz com ele.

— Nem brinque. Você parecia ter brigado com o corredor de tinta na loja de material de construção. Ou com a Barbie.

— Definitivamente, Barbie. — Voltei a mastigar meu doce.

— Foi apenas jantar, então?

Ela estava pescando. Honestamente, ela poderia ter pegado uma maldita vara de pescar, anexado um doce na ponta, e me atraído para contar a ela.

Bem, ela foi a idiota que me deu os doces primeiro. Então... rá.

— Só jantar, — eu disse despreocupadamente.

— Camila. — Ela encontrou meus olhos com um olhar que me fez ficar arrepiada. — Você acha que sou idiota?

— Foi só o jantar! — Eu insisti, terminando o doce. Parecia um animal, comendo com a boca cheia, mas não me importava.

— Você está sendo defensiva, e você é uma horrível mentirosa.

— Eu ouvi muito isso esta semana.

— Comece a dizer a verdade.

— Não posso. — Eu parei. — A verdade é contra a política da empresa.

Seus olhos se arregalaram e ela sorriu como se tivesse acertado na loteria. — Prometo não contar ao seu pai.

Suspirando, peguei o pacote de doces e fui para a sala de estar. Mamãe estava grudada nos meus calcanhares como um cachorrinho implorando por restos. Me joguei no sofá, dei um puxão na minha camisa e tirei outro pedaço de doce do pacote.

— Fale. Agora. — Ela balançou os dedos para mim.

— Eu não quero, — eu murmurei. 

— Camila...

— Nos beijamos. Duas vezes, — eu admiti, olhando para baixo. — Quase três vezes, mas eu o ataquei com meu pincel.

Mamãe bufou. — É algo que você não ouve todos os dias.

Eu olhei para ela através dos meus cílios. — Não importa. Eu disse a ele que isso não pode acontecer novamente.

— Porque é contra a política da empresa?

— Exatamente. Eu integrei a elaboração dessa regra com o papai. Quero dizer, eu sei que vocês se conheceram quando você o contratou, mas ainda assim. Ele me disse que nada aconteceu até depois, e ele conhecer você o fez perceber o quão importante era essa regra.

Ela piscou para mim. — Ele disse que nada aconteceu até depois que ele terminou de trabalhar para mim?

— Sim, — eu disse devagar. — Essa foi a razão pela qual elaboramos a regra.

— Oh, cara. — Ela exalou devagar e colocou sua caneca na mesa de café. — Querida, eu não sei como te dizer isso, mas seu pai e eu estávamos fodendo como coelhos antes que ele acabasse de trabalhar para mim.

Eu congelo. Eu nem sequer respiro. Isso foi muito mais informação do que eu jamais quis saber sobre eles.

Apertei meus lábios juntos. — E agora eu vou vomitar.

Mamãe riu, batendo os dedos no meu joelho. — Isso foi um pouco brusco. A questão é, ele só adicionou essa regra porque percebeu que um dia você administraria a empresa, e ele não queria que você misturasse negócios e prazer.

Eu fiz uma careta. Isso mudou tudo que eu sabia. — Mas... essa não é minha escolha?

— Eu acho que ele queria que você cumprisse o cronograma. Ele... perdeu alguns prazos quando nos conhecemos.

Erguendo minhas mãos, balancei a cabeça. — Não. Basta disso, obrigada.

Sua risada encheu a sala. — Entendido, querida. Então... Posso perguntar sobre Shawn?

— Você vai perguntar independentemente se eu quiser ou não.

— Verdade. — Ela sorriu, pegando seu café novamente. — Você gosta dele?

— Essa é uma pergunta muito do ensino médio. Quer dizer, eu não estou rabiscando “Sra. Camila Mendes” em um caderno ou qualquer coisa.

— Camila Mendes ficaria perfeito.

— O mesmo acontece com Camila Cabello, — retruquei. — Pare de ir a lugares que não é para ir mãe. Eu estou atraída por ele, mas também estou atraída por Henry Cavill. Isso não significa que vou me casar com ele e ter seus bebês.

— Você e todas as outras mulheres do país. — Ela tomou um gole. — Você sabe o que eu quero dizer quando pergunto se você gosta dele.

— Mãe. — Ergui minhas mãos. — Não é... fácil. Você sabe exatamente como é ter sentimentos por alguém que já tem uma família. Eu estou exatamente na mesma posição que você esteve, exceto que a morte da minha mãe não foi tão marcante para mim e meu pai quanto a dos gêmeos é para Shawn. Dois anos e meio não é tão longo. Mesmo que eu tivesse sentimentos fortes por ele, não poderia entrar lá como se ele pertencesse a mim. Seu coração pertencia a outra pessoa. O suficiente para que eles tivessem uma família. — Eu afundei de volta no sofá. — Isso não é o que eu quero. Eu não quero ser uma alternativa a uma memória.

— Você acha que eu sou uma alternativa a uma memória?

— Isso não foi o que eu quis dizer.

— Eu sei. Estou fazendo uma pergunta real, Camila. É assim que você pensa que eu me sinto?

Encontrei seus olhos. Eles eram suaves e gentis. Eram honestos. Ela realmente estava perguntando.

— Você não é para mim, — respondi depois de um momento. — Você se sente como se você fosse?

— Eu nunca senti, não. Ela é sua mãe, mas eu também sou. Somos apenas suas mães em diferentes momentos da sua vida. Seu pai ainda a ama, mas é um amor diferente. Eu aceitei isso há muito tempo. Você não pode apagar a memória de alguém, mas isso não significa que você tem que ser alternativa para eles. E quem faz você se sentir assim não te merece em primeiro lugar.

Eu sorri tristemente. — Obrigada. Isso me faz sentir melhor. Mas, ainda assim, você é uma pessoa mais forte do que eu. Me torna uma pessoa ruim se eu disser que não sei se quero a bagagem dos filhos de outra pessoa?

— De modo nenhum. Isso faz de você humana. — Ela terminou seu café e pousou a caneca. — Para que conste, sentia o mesmo. Às vezes você não tem escolha. — Ela se levantou e beijou o topo da minha cabeça. — Eu vou ver você para o jantar, querida.

Eu sorri e, pouco antes de ela sair, me virei e disse: — Ei, mamãe?

— Hmm?

— Estou muito feliz por você não ter tido uma escolha.

Ela piscou. — Eu também, Mila.


 🛠🛠🛠


A hora do almoço passou em paz. A loucura começou quando Eric apareceu, armado com tábuas de assoalho e qualquer outra coisa que você pudesse imaginar. Juntos, nós limpamos o quarto de Hannah de todas as minhas porcarias e começamos. O atraso na minha agenda significava que ele estava sozinho, e isso significava que eu tinha que sujar as mãos.

Nós iniciamos a rotina. Uma por uma, colocamos as tábuas e as pregamos, as cortando do tamanho que precisávamos. Após cerca de uma hora, começou a tomar forma.

Eu estava feliz por estarmos fazendo isso juntos, no final. Tirou minha mente da monotonia da pintura que eu passaria a eternidade fazendo, e estar com Eric era sempre divertido. Seu humor fez o tempo passar um pouco mais rápido.

Seus constantes pedidos por um encontro... Nem tanto.

— Não vai me namorar ainda, Camila?

Olhei para ele enquanto martelava um prego no lugar com uma pancada rápida. — Isso é o que eu penso da sua oferta.

— Você me feriu. — Ele me deu um sorriso torto.

Revirei os olhos e voltei a trabalhar.

Meia hora se passou antes que ele falasse de novo, e quando o fez, foi porque Shawn apareceu e enfiou a cabeça pela porta.

— Ei, — disse ele. — Tudo certo?

Eu não pude evitar meu rubor quando olhei para cima e nossos olhos se encontraram. — Bem. Nós terminaremos aqui em breve, então podemos terminar o de Noah.

Ele segurou meu olhar por um momento com um sorriso, depois olhou em volta. — Está incrível. Hannah vai surtar quando chegar em casa.

— Deus, espero que eu tenha ido embora, _ Eric murmurou.

Estiquei minha perna e o chutei. — Só porque você provavelmente se lembra das birras épicas que você fazia quando criança.

— Eu não fazia birras épicas quando criança!

— Oh, realmente? — Eu saí da posição de joelhos para me sentar corretamente e olhar para ele. — Quando tínhamos sete anos, sua mãe fez você sair da piscina para comer na sua festa de aniversário. Você se enfureceu tanto que quase se afogou.

— Ela está mentindo, — disse Eric a Shawn. — Não é verdade. Essa era ela.

Eu o chutei de novo e peguei meu martelo.

Shawn deu-lhe um sorriso tenso. — Oh, eu acredito nisso.

— Hey! — Eu apontei meu martelo para ele. — O que isso significa?

Ele levantou as mãos. — O martelo é muito mais aterrorizante do que o pincel.

Eu balancei ele.

Ele riu, toda a tensão de seu sorriso para Eric desaparecendo. 

— Tudo bem, tudo bem. Abaixe isso. Você precisa de alguma coisa antes de eu ir trabalhar? 

Eu olhei para Eric. Quando ele balançou a cabeça, eu fiz o mesmo. — Obrigada, mas estamos bem. Quanto tempo até os gêmeos chegarem em casa?

Ele checou seu relógio. — Você tem cerca de três horas.

Eric olhou para mim. — Nós não vamos fazer tudo hoje, Camila.

Ah, merda.

— Você não pode trazer um de seus caras? Eu não posso mais ficar fora do cronograma.

— Eu posso tentar.

— Por favor. — Eu atirei-lhe o sorriso mais doce e segurei minhas mãos juntas. — Eu vou pagar o adicional.

Ele fez uma pausa. — Eu vou desistir dessa taxa se você sair comigo.

— Eu vou pagar o adicional, — repeti.

Ele suspirou, abaixando o martelo. — Verei o que posso fazer.

— Então, você está bem? — Shawn reiterou. Seus olhos passaram de Eric para mim, suavizando no processo.

Hmm.

— Estamos bem. Obrigada. — Sorri e ele devolveu, algo que parecia completamente em desacordo com o olhar dele. 

Ele desapareceu e Eric se levantou. Ele olhou para a porta vazia por um momento antes de olhar para mim.

— Algo está acontecendo entre vocês dois? — Ele perguntou, as sobrancelhas franzidas.

— Não, — eu respondi um pouco rápido demais, me virando para alinhar um prego até bater— Por quê?

—Sei lá. Tenho a sensação de que ele não gosta de mim.

— Isso é porque você é um idiota, — eu disse alegremente. Eu acertei o prego.

Ele me cutucou com o pé. — Cale-se.

Eu sorri para ele até que ele se virou e saiu do quarto. Então, deixei o sorriso se apagar e suspirei.

Se Eric, o cara que era tão observador quanto a neve em um deslizamento, percebeu que Shawn e eu tínhamos... uma coisa... então eu realmente precisava resolver isso.

Logo.


🛠🛠🛠🛠


Hannah engasgou, batendo as mãos contra as bochechas, com a boca aberta. — É fantástico! 

— É... um piso, Hannah , — eu disse, trazendo-a de volta para a Terra. — Apenas o piso.

— Eu sei, mas eu posso colocar o meu tapete nele!

— Ainda não. Eu não estou pronta para você fazer isso.

— Por que não? — Ela projetou o lábio inferior e colocou as mãos nos quadris.

Ajoelhei-me então estava ao nível dela. Suavemente, puxei as mãos dela de seus quadris e cutuquei seu lábio inferior, fazendo-a rir em vez disso. 

— Porque eu tenho uma lista de coisas para fazer. Eu tenho algumas prateleiras para colocar, suas cortinas precisam ser instaladas, eu tenho que montar todos os seus móveis e pendurar fotos. Se você colocar seu tapete lá agora, tudo ficará empoeirado.

— Oh. — Ela inclinou a cabeça para o lado. — Tudo bem. O piso de Nola também está pronto?

Noah olhou para mim com expectativa.

— Quase. Você quer ver como está agora?

Ele assentiu e segurou minha mão. Conduzi-o até a porta, abri e deisuspirou ele desse uma olhada no piso três-quartos terminado. Se o empregado de Eric não tivesse levado uma hora para chegar aqui, teria estado pronto. Mesmo com todos nós três trabalhando nele, não tínhamos conseguido terminá-lo.

Eric prometeu aparecer às oito e meia no dia seguinte para terminar, e eu estava aceitando a palavra dele.

— Uau, — suspirou Noah , sempre a criança de poucas palavras.

— Você gosta? — Eu perguntei a ele, me curvando.

Ele assentiu entusiasticamente, sua maneira padrão de responder afirmativamente.

Eu sorri e baguncei seu cabelo.

— Crianças? O jantar está pronto! — Shawn chamou do andar de baixo.

Hannah farejou o ar. — Eu cheiro pizza!

Não precisou mais nada. Os dois desceram correndo as escadas a uma velocidade que me fez estremecer e quase mandei que diminuíssem o ritmo. Fechei as duas portas com um aceno de cabeça e as segui... numa velocidade normal.

Eu coloquei minha cabeça na cozinha e acenei. — Vejo vocês amanhã.

Hannah olhou para mim com horror. — Você não quer pizza?

Eu sorri. — Eu estou bem. É hora de eu ir para casa agora. — E pelo menos eu não estava coberta de tinta hoje.

Shawn colocou dois pratos com uma fatia grande cada na frente dos gêmeos. — Você pode ficar. Há muito.

Eu já tinha ouvido isso antes. — E quanto, exatamente, é muito?

— Ele também comprou para você! — Hannah gritou.

— Hannah! Silêncio!

— Não, você não comprou, — eu disse a ele. — Ele comprou? — Perguntei a Hannah

Com os olhos arregalados, ela balançou a cabeça lentamente, pegando sua caixa de suco.

Eu olhei para Shawn.

— Eu não comprei para você, — ele começou. — Houve uma oferta, então aproveitei.

— Ah, não valho o preço total?

— Nem mesmo comece com isso. — Ele balançou a cabeça. — Eu não estou caindo nessa.

Eu sorri.

— Então? Fica? Ou você tem outros planos? — Sua voz ficou com uma intensidade que eu nunca tinha ouvido antes, e minhas sobrancelhas franziram em uma carranca.

— Outros planos? Não. Eu ia assistir  reprises de Friends sem calças. Eu dificilmente chamaria isso de plano.

— Posso assistir TV sem calças, papai? — Noah perguntou.

— Você nunca usa calças. — Hannah revirou os olhos, cutucando o queijo quente em sua pizza.

— Nem você, — apontou Shawn. — Vocês estão ou não sem calças agora?

Na sugestão, os dois olharam para as pernas.

— Sem calças, — disseram ao mesmo tempo.

— Certo. Então, essa conversa é inútil.

Imagine isso. Uma conversa inútil com uma criança de quatro anos. Que novidade.

— Por favoooorr coma pizza, — Hannah pediu, tirando um pouco do queijo derretido da pizza. Ela colocou em sua língua. — Por favor.

Eu olhei para Noah que me deu um sorriso tímido. — Bem. Mas eu vou para casa depois, e não há nada que vocês possam dizer para me fazer mudar de ideia. Vocês entenderam?

Os dois assentiram, tomando suco ao mesmo tempo.

Sério. Tão estranho.

Shawn me entregou um prato e abriu uma pizza de calabresa com um sorriso.

Eu o olhei de lado, devolvi o prato e peguei a caixa.

Ele riu.

Meu estômago revirou.

Eu fui uma idiota. Novamente. 



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