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História Reprise - Era do caos - Capítulo 26


Escrita por: _Stilisnki_

Capítulo 26 - 060 - A dor é inevitável


31 de Junho de 1997

Hogsmeade

Harry sentiu cheiro de sal e ouviu o barulho das ondulações das ondas; Quando ele se virou para contemplar o mar sob o luar de um céu estrelado, um leve vento gelado agitou seu cabelo. Ele estava de pé em uma rocha escura, e a água se agitou sob a espuma. Ele olhou por cima do ombro. Atrás dele estava um penhasco íngreme, preto e difuso. Algumas rochas, como aquelas em que Harry e Dumbledore se achavam, pareciam ter se destacado da face do penhasco em algum momento do passado. Era uma paisagem desolada e agreste; a monotonia do mar e da rocha sem árvores, capim ou areia a interrompê-la.

— Sim, este é o lugar. — Dumbledore confirmou.

— Como você sabe? — Harry perguntou em voz baixa.

— Tem magia conhecida — Dumbledore respondeu simplesmente.

Harry não conseguia decidir se o calafrio que sentiu era devido ao frio penetrando em seus ossos ou a mesma percepção da magia. Ele apenas observou Dumbledore observando a caverna, obviamente focando no que Harry não podia ver.

— O que você acha? — Dumbledore perguntou.

— Eles traziam as crianças do orfanato para cá? — Harry perguntou, fazendo uma careta ao imaginar.

— Não era bem para cá. Há uma pequena aldeia no meio da falésia atrás de nós. Acredito que traziam os órfãos para sentir o ar fresco e observar as ondas. Não, acho que apenas Tom Riddle e suas jovens vítimas já estiveram neste lugar. A menos que sejam escaladores excelentes, os trouxas não podem chegar até aqui, e os navios não podem se aproximar tanto assim das rochas. As águas circundantes são muito perigosas. Imagino que Riddle tenha descido; a magia teria sido mais útil do que as cordas. E trouxe com ele duas crianças pequenas, provavelmente pelo prazer de aterrorizá-las. Acho que só a viagem em si teria bastado, não?

Harry olhou para o penhasco novamente, tremendo.

— Ah, teria sim.

— Precisamos penetrar a câmara interior... agora os obstáculos erguidos por Voldemort é que barrarão o nosso caminho, e não os que a natureza criou…

O diretor se aproximou da parede da caverna, acariciou-a com seus dedos escurecidos, murmurando palavras em uma língua estranha que Harry não conseguia entender. Duas vezes Dumbledore caminhou pela caverna, tocando o máximo da rocha áspera que podia, parando ocasionalmente, movendo os dedos para frente e para trás em um certo ponto, até que finalmente parou e espalmou a mão na parede.

— Aqui — disse ele. — Vamos passar por aqui. A entrada está oculta.

Harry não perguntou a Dumbledore como sabia. Nunca havia visto um bruxo resolver as coisas simplesmente com o olhar e o toque; mas o menino descobriu há muito tempo que estrondos e fumaça costumam ser sinais de incompetência, não de habilidade.

Dumbledore se afastou e apontou sua varinha para a parede da caverna. Em um instante, o contorno em arco apareceu lá, brilhando com uma luz branca, como se houvesse uma luz forte atrás da fenda.

— O senhor conseguiu! — Harry gritou, os lábios tremendo de frio, mas antes que as palavras saíssem de sua boca, o contorno desapareceu, tornando a rocha mais nua e firme do que antes. Dumbledore se virou. — Ah — lamentou Harry, mas Dumbledore havia voltado sua atenção para a enorme parede da caverna. Ele não tentou outros feitiços, apenas ficou lá, olhando para a parede com cuidado, como se algo particularmente interessante estivesse escrito nela. Harry estava muito quieto; ele não queria perturbar a concentração de Dumbledore.

Então, dois minutos depois, o diretor disse baixinho:

— Ah, claro que não. Que rude!

— O que, professor?

— Parece que — Dumbledore disse, levando a mão em suas vestes, trazendo uma adaga de prata igual às que Harry usava para cortar ingredientes para poções — precisamos pagar para passar.

— Pagar?! — Harry exclamou. — Tem que dar algo para a porta?

— Tem. Sangue, se não estiver muito enganado.

Sangue?

— Eu disse que era grosseiro — Ele parecia desdenhoso, até mesmo desapontado, como se Voldemort não tivesse atingido o padrão esperado. — A ideia, como certamente você terá captado, é que o inimigo deve se enfraquecer para entrar. Mais uma vez, Lorde Voldemort não conseguiu compreender que há coisas bem mais terríveis do que a lesão física.

— Bem, mas se você puder evitar… — Harry respondeu, já sentindo dor suficiente para não querer mais.

— Às vezes, porém, é inevitável. — Ele dobrou a manga de seu manto, revelando o antebraço da mão ferida.

— Professor! — protestou Harry quando viu Dumbledore levantando sua faca. — Eu faço isso, eu sou...

Ele não sabia o que dizer: mais jovem e mais saudável? No entanto, Dumbledore apenas sorriu. Houve um esguicho escarlate; a face da rocha pontilhou-se de gotas escuras e brilhantes.

— Você é muito bom, Harry — disse o diretor, agora passando a ponta de sua varinha pelo corte profundo que ele fez em seu braço e imediatamente fechando-o — Mas seu sangue é mais valioso que o meu. Oh, parece eficaz, não é?

O contorno luminoso do arco reapareceu na parede, mas não desapareceu desta vez: a rocha manchada de sangue fora do arco simplesmente desapareceu, deixando uma abertura aparente e absolutamente escura.

— Depois de mim — disse Dumbledore ao passar pelo arco, e Harry o seguiu de perto, acendendo rapidamente sua varinha ao entrar.

Eles encontraram uma visão extraordinária: eles estavam localizados na beira de um grande lago negro, tão vasto que Harry não conseguia ver a costa distante, em uma caverna tão alta que seu teto não era visível. Ao longe, talvez no meio do lago, uma luz verde brilhava fracamente, refletida na água parada abaixo. O brilho verde e a luz das duas varinhas foi a única coisa que quebrou a escuridão do local, embora seus raios não tivessem um alcance tão alto ​​quanto Harry esperava. A escuridão da caverna era mais densa do que a escuridão normal.

— Vamos dar uma caminhada — sussurrou Dumbledore. — Tome cuidado para não pisar na água. Fique junto de mim.

Dumbledore margeou o lago, seguido por Harry. Seus passos ecoaram como aplausos na estreita costa rochosa ao redor do lago. Eles caminharam uma longa distância, mas o cenário não mudou: por um lado, era uma parede de caverna áspera, por outro, era uma caverna enorme. Por outro lado, o lago preto preenchido por uma luz verde e misteriosa. Harry achou que o silêncio do lugar era frustrante e perturbador.

— Professor? — Ele perguntou por último. — Você acha que a Horcrux está aqui?

— Ah, sim. No entanto, tenho certeza de que a pergunta é: como chegaremos até ela?

— Não podemos... não podemos apenas tentar invocá-la com um feitiço? — Perguntou Harry, com certeza era uma sugestão estúpida, mas era muito mais do que ele admitia, e ele esperava deixar aquele lugar o mais rápido possível.

— Claro que podemos — disse Dumbledore, parando de repente e Harry quase colidiu com ele. — Por que não tenta?

EU? Ah... Certo.

Harry não esperava por isso, mas limpou a garganta e ordenou com a varinha no alto:

Accio Horcrux!

Junto com a explosão, algo enorme e claro irrompeu da água escura a seis metros de distância; antes que Harry pudesse ver o que era, a coisa de repente caiu de volta na água, e a queda produziu ondas enormes e profundas na superfície lisa do lago. Harry saltou para trás em choque e bateu na parede rochosa. Quando ele se virou para Dumbledore, seu coração ainda batia acelerado em seu peito.

— O que era aquilo?

— Alguma coisa, acho, que está pronta a reagir se tentarmos nos apossar da Horcrux.

Harry olhou para o lago novamente. Sua superfície voltou a sua aparência vítrea, escura e brilhante: as ondas desapareceram em uma velocidade incomumente rápida, no entanto, o coração de Harry continuou a bater rápido.

— O senhor sabia que isso ia acontecer?

— Pensei que se fizéssemos uma tentativa óbvia de adquirir a Horcrux, algo aconteceria. Foi uma boa ideia, Harry; o modo mais simples de descobrirmos o que estamos enfrentando.

— Mas não sabemos o que aquela coisa era — Harry respondeu olhando para a água estranhamente lisa.

— Aquelas, você quis dizer — Dumbledore o corrigiu. — Duvido muito que seja apenas um deles. Vamos continuar?

— Professor?

— O que há de errado, Harry?

— Acha que precisamos entrar no lago?

— Entrar? Só se dermos muito azar.

— Você acha que a Horcrux está no fundo?

— Ah, não... acho que está no meio.

Dumbledore apontou para a tênue luz verde no centro do lago.

— Precisamos atravessar o lago para chegar na Horcrux?

— Eu penso que sim.

Harry não disse nada. Seus pensamentos resumiam-se em monstros do lago, cobras gigantes, demônios, cavalos-marinhos e fadas...

— Ahhh! — Dumbledore exclamou e parou novamente. Desta vez, Harry realmente colidiu com ele, depois de um tempo, o menino tremeu na beira da água escura, e a mão saudável do diretor agarrou seu braço, puxando-o de volta. — Desculpe, Harry, eu deveria ter te avisado. Por favor, fique próximo a parede, acho que encontrei o lugar.

Harry não sabia o que Dumbledore queria dizer. Até onde ele sabia, esse lado negro era o mesmo de qualquer outro lugar, mas o Professor Dumbledore tinha claramente descoberto algo diferente. Desta vez, em vez de na parede de pedra, ele acenou com as mãos no ar, como se quisesse encontrar e agarrar algo invisível.

— Oh! — Depois de alguns segundos, ele gritou feliz. Sua mão pegou algo no ar que Harry não conseguia ver. Dumbledore se aproximou da superfície; O menino observou nervosamente enquanto as pontas dos sapatos de fivela do diretor chegarem até o limite da borda rochosa do lago. Dumbledore manteve a mão fechada no ar, ergueu a varinha com a outra e deu um tapinha no próprio punho.

Uma grossa corrente de cobre verde imediatamente apareceu no ar, estendendo-se do fundo do lago até a mão fechada de Dumbledore. Ele tocou a corrente com sua varinha, e a corrente começou a deslizar em suas mãos fechadas como uma cobra, fazendo um som metálico enquanto enrolava-se no chão, este que ecoava com muita força pelas paredes de rocha. Quando a proa fantasmagórica de um pequeno barco apareceu, Harry ofegou, e então flutuou quase sem ondulações até a margem onde Harry e Dumbledore estavam parados.

— Como sabia onde o barco estava? — Harry perguntou surpreso.

— A magia sempre deixa rastros. — Dumbledore respondeu quando o barco atingiu a costa levemente — vestígios por vezes muito característicos. Fui professor de Tom Riddle. Conheço o estilo dele.

— O barco é... seguro?

— Bem, eu imagino que sim. Caso queira visitar ou remover sua Horcrux, Voldemort precisaria criar uma maneira de cruzar o lago sem atrair a ira das criaturas que colocou.

— Então, se passarmos pelo barco de Voldemort, as coisas na água não vão nos machucar?

— Acho que devemos nos conformar com a ideia de que eles vão perceber em algum momento que não somos Lord Voldemort. No entanto, estamos nos saindo bem até agora. Elas nos deixaram erguer o barco.

— Mas por que deixaram? — Harry perguntou, sem conseguir esquecer a visão dos tentáculos emergindo da água escura.

— Voldemort devia estar razoavelmente confiante de que ninguém, exceto um grande bruxo, seria capaz de encontrar o barco. Penso que estaria disposto a arriscar a improvável possibilidade de alguém conseguir isto, porque sabia que deixara mais à frente outros obstáculos que somente ele poderia superar. Veremos se tinha razão.

Harry examinou o barco. Era muito pequeno.

— Não parece ter sido construído para duas pessoas. Isso vai nos aguentar? Não é muito pesado?

Dumbledore sorriu.

— Voldemort não se preocupa com o peso, mas com a quantidade de poder mágico que atravessa seu lago. Eu pensaria que ele deve ter lançado um encantamento sobre o barco de tal ordem que apenas um bruxo por vez poderá usá-lo.

— Mas então...?

— Eu não acho que você conte, Harry: você é menor e não é qualificado. Voldemort nunca esperaria que um jovem de dezesseis anos viesse aqui: acho improvável que os seus poderes sejam considerados, se comparados aos meus.

Isso não ajudou a melhorar a moral de Harry. Dumbledore pode ter percebido isso, e adicionou:

— Um erro de Voldemort, Harry, um erro de Voldemort… subestimar os jovens é um erro estúpido da velhice... Desta vez, você tem que entrar no barco primeiro e ter cuidado para não tocar na água.

Dumbledore deu um passo para o lado e Harry cuidadosamente subiu no barco. O professor também subiu, enrolando a corrente na parte inferior. Os dois ficaram espremidos; Harry não conseguia se sentar confortavelmente, agachou-se, seus joelhos ficaram para fora do barco, e o barco imediatamente começou a se mover. Não se ouvia outro som exceto o sussurro da proa cortando a água; O barco se moveu sem ajuda, como se uma corda invisível o puxasse em direção à luz central. Em pouco tempo, eles não viram mais as paredes da caverna.

Harry abaixou a cabeça e viu a luz fraca da varinha brilhando na água escura enquanto eles avançavam. O barco esculpia fundas rugas na superfície vidrada, sulcos no espelho escuro...

Então Harry o viu, branca como mármore, flutuando a alguns centímetros da superfície.

— Professor! — Ele gritou, e sua voz horrorizada ecoou alto na água silenciosa.

— Harry?

— Acho que vi uma mão na água, uma mão humana!

— Sei, tenho certeza que você viu — disse Dumbledore calmamente.

Harry olhou surpreso para a mão flutuante na água e sentiu um nó na garganta.

— A coisa que saltou da água...

Harry obteve a resposta antes que Dumbledore pudesse falar; a luz da varinha deslizava pela superfície da água, desta vez mostrando a ele um defunto com o rosto virado para cima, que estava a alguns centímetros abaixo da superfície: seus olhos abertos parecia estar cobertos por teias de aranha, e seu cabelo flutuava como fumaça.

Cadáveres! — Harry disse, sua voz estava muito mais alta do que o normal e estava trêmula. — Tem cadáveres aí dentro!

— Tem — Dumbledore assentiu calmamente —, mas por ora não temos que nos preocupar com eles.

Por ora? — Harry respondeu, desviando o olhar e fixando-o em Dumbledore.

— Não enquanto eles estão flutuando silenciosamente abaixo de nós. Não temos nada com que nos preocupar com os cadáveres, Harry, porque não temos nada a temer. Lord Voldemort, que naturalmente temia ambos, discorda. No entanto, ele mais uma vez mostrou sua falta de sabedoria. Quando olhamos para a morte e a escuridão, tememos o desconhecido, nada mais.

Harry não respondeu; ele não queria discutir, mas não gostava da ideia de ter cadáveres flutuando ao redor e embaixo deles. Além disso, não acreditava que não fossem perigosos.

— Mas um deles pulou — disse ele, tentando manter a voz firme e calma como Dumbledore. — Quando tentei invocar a Horcrux, um cadáver saltou do lago.

— Verdade... E estou seguro que, quando apanharmos a Horcrux, veremos que são menos pacíficos. Mas, como muitas criaturas que vivem no frio e na escuridão, eles temem que, se houver necessidade, evocarmos a luz e o calor em nosso auxílio. Fogo, Harry — Dumbledore riu em resposta à expressão chocada de Harry.

Ah... sim. — Ele concordou rapidamente. Então ele virou a cabeça para olhar a luz verde do destino inexorável do barco. Agora, Harry não podia fingir que não estava com medo. O grande lago negro estava cheio de cadáveres... parecia fazer horas que ele encontrara a professora Trelawney, que dera aos seus amigos a Felix Felicis, que beijou Alisson... desejou de repente ter se despedido melhor deles, de todos eles... 

— Quase lá — Dumbledore anunciou alegremente.

De fato, a luz verde parecia estar finalmente aumentando. Alguns minutos depois, o barco parou, batendo suavemente em alguma coisa que Harry não podia ver a princípio, mas quando ele ergueu a varinha acesa, ele descobriu que haviam alcançado um nível estável, uma ilhota de rocha lisa no centro do lago.

— Tenha cuidado para não tocar na água — Dumbledore disse novamente quando Harry desembarcou.

A ilha não era tão grande: uma rocha plana e escura com apenas uma fonte de luz verde dentro, que parecia ainda mais forte de perto. Harry estreitou os olhos. A princípio ele pensou que fosse uma espécie de lâmpada, mas logo percebeu que a luz vinha de uma bacia apoiada em um pedestal de pedra muito semelhante à penseira.

Dumbledore se aproximou da bacia, seguido por Harry. Eles verificaram lado a lado; a bacia estava cheia de um líquido verde-esmeralda.

— O que é aquilo? — Harry perguntou em voz baixa.

— Não tenho certeza — disse Dumbledore. — Algo mais preocupante do que sangue e cadáveres

Dumbledore empurrou a manga do manto que cobria sua mão escura e esticou as pontas dos dedos em direção à superfície da poção.

— Senhor, não, não toque…!

— Eu não posso tocá-la — disse Dumbledore com um sorriso. — Está vendo? Eu só posso ir até certo ponto. Tente.

Com os olhos arregalados, Harry estendeu a mão para tocar a poção. Ele atingiu um obstáculo invisível a uns três centímetros que o impedia de se aproximar mais. Empurrando o mais forte que podia, seus dedos não encontravam nada, exceto ar sólido e inflexível.

— Por favor, se afaste, Harry — Dumbledore pediu.

O professor ergueu sua varinha, fez um gesto complicado na superfície da poção e murmurou silenciosamente. Nada aconteceu, exceto o aumento do brilho da poção. Harry permaneceu em silêncio enquanto Dumbledore trabalhava, mas depois de um tempo, o diretor baixou sua varinha e Harry achou que poderia falar à vontade.

— O senhor acha que a Horcrux está aí?

— Ah, sim. — Dumbledore examinou a bacia mais de perto. — Mas como alcançá-la? A poção não aceita ser penetrada à mão, desaparecida, dividida, apanhada ou aspirada, nem pode ser transfigurada, encantada, tampouco alterada em sua natureza.

Dumbledore ergueu sua varinha novamente, girando-a no ar, e então pegou a concha que acabara de conjurar.

— Só posso concluir que essa poção deve ser bebida.

— O que?! — Harry gritou. — Não!

— Acho que sim: somente bebendo-a posso esvaziar a bacia e ver o que guarda no fundo.

— Mas e se... e se a poção te matar?

— Ah, eu duvido que tenha esse efeito — Dumbledore disse calmamente. — Lord Voldemort não iria querer matar ninguém que chegasse em sua ilha.

Harry não conseguia acreditar. Este poderia ser outro exemplo da determinação louca de Dumbledore de ver a bondade em todos?

— Senhor — disse Harry, tentando manter sua voz calma — Senhor, nós estamos falando de Voldemort...

— Desculpe, Harry, devo dizer que ele não iria querer matar imediatamente ninguém que chegasse em sua ilha — corrigiu Dumbledore. — Iria querer mantê-la viva tempo suficiente para descobrir como conseguiu penetrar tão fundo suas defesas e, o que é mais importante, por que queria tanto esvaziar a bacia. Não esqueça que Lorde Voldemort acredita que somente ele sabe sobre suas Horcruxes.

Harry abriu a boca para falar, mas desta vez Dumbledore levantou a mão para que ele permanecesse em silêncio, franzindo a testa ligeiramente para o líquido de jade.

— Não há dúvida de que esta poção deve produzir o efeito de incapacitar que eu pegue a Horcrux. Ela deve me paralisar, me fazer esquecer o que tenho que fazer, causar muita dor e me distrair. Então, Harry, sua tarefa é garantir que eu não pare de beber, mesmo que tenha que derramar a poção em minha boca enquanto protesto. Você entendeu?

Seus olhos se encontraram por cima da bacia; ambos os rostos pálidos eram iluminados por aquela estranha luz verde. Harry não respondeu. Então esse foi o motivo por ter sido convidado a vir, para forçar Dumbledore a beber uma poção que talvez lhe causasse uma dor intolerável?

— Você lembra — Dumbledore continuou — das condições que impus para trazer você aqui?

Harry hesitou.

Hum?

— Você jurou obedecer todas as minhas ordens, não foi?

— Eu jurei, mas...

— Eu lhe avisei, não avisei, que poderia ser perigoso?

— Sim — disse Harry —, mas…

— Então — Dumbledore disse novamente, jogando para cima as mangas das vestes e erguendo a concha vazia. —, você já recebeu minhas ordens.

— Por que não posso beber a poção? — O garoto perguntou desesperado.

— Porque eu sou mais velho e mais inteligente, meu valor é bastante reduzido comparado ao seu. De uma vez por todas, Harry, você me dá sua palavra de que fará tudo que puder para não me deixar parar de beber?

— Eu não posso...?

— Sua palavra, Harry.

— Eu... Ok, mas…

Antes que Harry continuasse a protestar, Dumbledore mergulhou o concha na bacia. Por alguns segundos, Harry esperou que a concha não tocasse a poção, mas o cristal afundou e se encheu do estranho líquido. Dumbledore o levou à boca.

— À sua saúde, Harry.

Então ele esvaziou a concha. Harry olhou para ele com horror, segurando a borda da tigela com tanta força que as pontas dos dedos entorpeceram.

— Professor? — Quando Dumbledore largou o copo vazio, ele o chamou ansiosamente. — Como você está se sentindo?

Dumbledore balançou a cabeça e fechou os olhos. Harry queria saber se ele estava com dor. Dumbledore afundou a concha novamente na tigela, às cegas, encheu e bebeu.

Em silêncio, Dumbledore bebeu mais três vezes. Então, no meio da quarta vez, ele cambaleou e caiu sobre a tigela. Seus olhos permaneceram fechados e a respiração tornou-se difícil.

— Professor Dumbledore? — Harry chamou com a voz rouca. — Você está me ouvindo?

Dumbledore não respondeu. Seu rosto se contorceu, como se ele estivesse dormindo, mas teve um pesadelo terrível. Sua mão que segurava a concha se afrouxou: a poção estava prestes a derramar. Harry estendeu a mão para segurá-la.

— Professor, está me ouvindo? — Ele repetiu em voz alta, sua voz ecoando na caverna.

Dumbledore ofegou pesadamente, e então falou em um tom de voz irreconhecível:

— Eu não quero... não me obrigue...

Harry olhou para o rosto pálido, nariz torto e oclinhos de meia-lua que ele conhecia tão bem, sem saber o que fazer.

—... Eu não gosto disso... Eu quero parar… — Dumbledore suspirou.

— Senhor... você não pode parar, professor. Você deve continuar a beber, lembra? Você me disse que não poderia parar de beber. Tome...

Odiando-se, Harry forçou o copo a tocar a boca de Dumbledore, então o virou e deixou o professor beber o resto.

— Não… — ele gemeu quando Harry mergulhou a concha novamente na tigela e a encheu. — Eu não quero... eu não quero... me deixe...

— Tudo bem, professor — disse Harry com um aperto de mão. — Tudo bem, estou aqui...

— Faça parar, faça parar — Dumbledore gemeu.

— Sim... sim, isso vai parar — Harry mentiu. Em seguida, colocou o conteúdo na boca aberta do professor.

Dumbledore gritou, o barulho ecoou pela caverna espaçosa e passou pela água negra e parada.

— Não, não, não... não... eu não posso... eu não posso, não me force, eu não quero...

— Sim professor, sim! — Harry disse em voz alta, suas mãos tremendo tanto que foi difícil para ele encher o sexto copo de poção. A bacia agora estava pela metade. — Nada acontecerá com você, você está seguro, nada disso é real, eu juro que não é real... Agora, pegue, pegue...

Dumbledore bebeu obedientemente, como se Harry estivesse dando a ele um antídoto, mas quando ele esvaziou o copo, ele caiu de joelhos, tremendo incontrolavelmente.

— É tudo minha culpa, é tudo minha culpa. — soluçou — Por favor, pare com isso, eu sei que estava errado, oh, por favor, pare de dizer isso, eu nunca mais vou...

— Isso vai parar, professor — disse Harry, e sua voz falhou quando ele levou o sétimo copo de poção à boca de Dumbledore.

O professor começou a se encolher, como se torturadores invisíveis o cercassem. Sua mão trêmula quase derrubou a concha da mão trêmula de Harry, que a enchia novamente.

— Não machuque eles, não machuque ela, por favor, por favor, isso é minha culpa, machuque a mim...

— Aqui, beba, beba, você vai ficar melhor — disse Harry desesperadamente, e Dumbledore obedeceu novamente, abrindo a boca, embora fechasse os olhos e tremesse da cabeça aos pés.

Então ele caiu para a frente, gritando, e socando o chão, enquanto Harry enchia a nona concha.

— Por favor, por favor, por favor, não... não, não, eu farei qualquer coisa...

— Beba, professor, beba...

Dumbledore bebeu como uma criança com sede, mas quando terminou, gritou novamente, como se por onde a poção passasse no interior de seu corpo estivesse queimando.

— Não, por favor, chega...

Harry encheu o décimo copo de poção e sentiu o cristal arranhar o fundo da tigela.

— Não sobra quase nada, professor, bebe, bebe...

Ele segurou o ombro de Dumbledore, e o professor esvaziou o copo novamente. Harry se levantou mais uma vez, e quando ele encheu o copo, Dumbledore começou a gritar mais dolorosamente do que antes:

— Eu quero morrer! Eu quero morrer! Pare, pare, eu quero morrer!

— Beba, professor, beba...

Dumbledore bebeu e gritou depois de beber:

— ME MATE!

— Isso... isso vai fazer parar! — Harry estava ofegante. — Beba... vai passar... vai passar!

Dumbledore engoliu o conteúdo do copo até a última gota, então ofegou pesadamente.

— Não! — Harry gritou, se levantando para encher mais uma vez a cabeça concha; em vez disso, largou-a na bacia, atirou-se no chão ao lado de Dumbledore e virou-o de barriga para cima; os óculos do professor estavam tortos, sua boca aberta, seus olhos fechados. — Não — Harry disse, sacudindo Dumbledore — Não, você não está morto ainda, você disse que não é veneno, acorde, ACORDE! — O menino gritou e apontou sua varinha para o peito de Dumbledore; houve um lampejo vermelho, mas nada aconteceu. — Rennervate... senhor... por favor…

Os olhos de Dumbledore piscaram, o coração de Harry bateu forte em seu peito.

— Senhor, você está...?

— Água — Dumbledore disse com a voz rouca.

— Água — Harry repetiu sem fôlego —, claro… água.

Ele se levantou em um salto e agarrou a concha que havia jogado na tigela; nem se dando conta do medalhão, cuja corrente estava enroscada embaixo do copo.

Aguamenti! — Ordenou Harry para a tigela.

O garoto apanhou a concha cheia de água limpa. Harry se ajoelhou ao lado de Dumbledore, ergueu a cabeça e levou o copo aos lábios do homem, mas a concha estava vazia. Dumbledore gemeu e começou a ofegar.

— Mas eu coloquei... espere... espere! — Harry ordenou novamente, apontando sua varinha para a concha. Por um segundo, a água brilhou nela novamente, mas quando ela a trouxe para perto da boca de Dumbledore, a água desapareceu. — Senhor, estou tentando, estou tentando! — Harry avisou desesperadamente, mas achou que o professor não podia ouvi-lo; ele rolava de um lado para o outro enquanto respirava fundo, aparentemente dolorido. — Aguamenti... Aguamenti... AGUAMENTI!

A concha encheu e esvaziou novamente. A respiração de Dumbledore enfraqueceu. Com seu cérebro trabalhando em pânico, Harry instintivamente percebeu que a única maneira viável de conseguir água era o lago, porque esse era o plano de Voldemort...

Ele se jogou na costa rochosa, mergulhando a concha no lago e a erguendo completamente cheia de água, mas ela não desapareceu.

— Senhor... aqui! — Harry gritou, correu para Dumbledore e virou a água sem jeito.

Foi o melhor que pôde fazer, porque a sensação gélida em seu braço livre não era o frio prolongado da água. Uma mão branca e escorregadia agarrava seu pulso, e a criatura a que pertencia estava lentamente puxando-o sobre a rocha de volta ao lago. A superfície não era mais um espelho; virando-se, Harry olhou em volta, cabeças e mãos brancas aparecendo da água escura, homens, mulheres e crianças de olhos encovados e cegos, se moveram em direção à rocha: um grupo de homens mortos surgiu do lago negro.

Petrificus Totalus! — Harry gritou e tentou apontar sua varinha para o Inferi que segurava seu braço: o morto-vivo o soltou e caiu novamente na água. Harry se levantou, mas havia mais Inferi já subindo nas rochas, cavando mãos ossudas na superfície lisa, olhando para sua vítimas com aqueles olhos cegos e esbranquiçados, seus trapos molhados rastejando no chão, os rostos encovados rindo debochadamente. — Petrificus Totalus! — Harry gritou novamente, deu um passo para trás e varreu o ar com sua varinha. Seis ou sete Inferi foram jogados de volta ao lago, mas muitos outros vieram em sua direção. — Impedimenta! Incarcerous!

Alguns tropeçaram, alguns foram mantidos no lugar por cordas, mas aqueles que escalavam as rochas atrás dos outros simplesmente pularam ou pisaram nos corpos caídos. Harry cortou o ar mais uma vez com sua varinha, gritando:

Sectumsempra! SECTUMSEMPRA!

Apesar dos cortes nos trapos encharcados e na pele fria, não houve derramamento de sangue: eles continuaram a avançar, mãos enrugadas estendidas para ele, e, ao recuar para mais longe, Harry sentiu que o abraçavam pelas costas, braços finos e descarnados, frios como a morte, e seus pés deixaram o chão quando o ergueram e levaram seguramente, para a água, e ele percebeu que não o soltariam, que ele se afogaria e se tornaria mais um guardião morto do fragmento da alma partida de Voldemort…

Então, uma luz vermelha e calorosa irrompeu na escuridão: carmim e ouro, um círculo de fogo ao redor da ilha fez os Inferi que imobilizavam Harry tropeçarem e vacilarem; Eles não ousaram cruzar as chamas para chegar à água. Eles soltaram Harry, que caiu no chão, escorregando nas pedras e arranhando o braço, mas ele se levantou novamente, ergueu a varinha e olhou assustado para os lados.

Dumbledore estava de pé novamente, tão pálido quanto os Inferi ao redor, mas mais alto do que todos os outros, e as chamas refletiam dançantes em seus olhos; sua varinha foi erguida como uma tocha, e chamas emergiram como um enorme laço, envolvendo a todos com calor.

Criaturas mortas-vivas colidiam umas com as outras, tentando cegamente escapar do fogo que os cercava...

Dumbledore pegou o medalhão do fundo da bacia e colocou-o em seu manto. Em silêncio, ele acenou para Harry se juntar a ele. Os Inferi foram dispersos pelas chamas e nem percebiam que suas vítimas estavam deixando a ilha; Dumbledore levou Harry até o barco, o círculo de fogo os seguiu, os cercou, os atordoados mortos-vivos acompanharam-nos até a beira do lago onde mergulharam em suas águas escuras..

Harry, que estava completamente trêmulo, pensou por um momento que Dumbledore não tinha conseguido entrar no barco. O professor cambaleou um pouco ao tentar, aparentemente, todos os seus esforços se juntaram para manter o anel de fogo ao seu redor. Harry o pegou pelo braço e o ajudou a se sentar. Quando foram espremidos e puderam embarcar com segurança, o barco começou a cruzar as águas escuras e se afastar das rochas ainda cercadas pelo anel de fogo; abaixo, os Inferi enxameavam, mas eles não se atreveram a emergir.

— Senhor — Harry estava ofegante. — Senhor, esqueci... o fogo... eles vieram em minha direção e eu entrei em pânico...

— Compreensível — murmurou Dumbledore. Ao ouvir a voz do professor tão fraca, o menino ficou pasmo.

Eles tocaram a margem com uma batidinha, e Harry pulou do barco e se virou ligeiramente para ajudar Dumbledore. No momento em que ele alcançou a margem, o bruxo baixou a mão da varinha. O anel de fogo desapareceu, mas os mortos-vivos não reapareceram da água. O barco afundou no lago novamente. No momento da colisão, a corrente de metal também escorregou para o lago. Dumbledore respirou fundo e encostou-se na parede da caverna.

— Eu não tenho forças...

— Não se preocupe, senhor — Harry imediatamente ficou ansioso com a extrema palidez e exaustão do professor. — Não se preocupe, eu vou levar nós dois de volta... Apoie-se em mim, senhor...

Então, Harry puxou o braço bom de Dumbledore para seu ombro e carregou a maior parte do peso do diretor para longe da margem do lago.

— As medidas de proteção... afinal ... são cuidadosamente planejadas. — Dumbledore disse baixinho — Somente uma pessoa não teria sucesso... Você se comportou bem, bem, Harry...

— Não fale — Harry ficou perturbado com a voz abafada e embaralhada de Dumbledore — Economize sua energia, senhor, vamos sair daqui logo...

— O arco deverá ter se lacrado outra vez... minha faca...

— Não precisa, eu me cortei na pedra — Harry disse com firmeza — Apenas me diga...

— Aqui...

Harry esfregou o braço na pedra: assim que recebeu a doação de sangue, o arco foi reaberto. Eles cruzaram a caverna do lado de fora, e Harry ajudou Dumbledore a entrar na água gelada, que preencheu as lacunas no penhasco.

— Está tudo bem, senhor — Harry repetiu uma e outra vez, e ele se importava mais com o silêncio de Dumbledore do que sua voz fraca. — Estamos quase lá... eu posso voltar com você... não se preocupe...

— Não estou preocupado, Harry — Dumbledore disse, sua voz um pouco forte apesar da água fria. — Estou com você.

De volta à noite estrelada, Harry carregou Dumbledore até a pedra mais próxima e o ajudou a se levantar. Encharcado e trêmulo, ainda suportando o peso de Dumbledore, Harry se concentrou em seu destino como nunca fizeram antes; Hogsmeade. Fechando os olhos e apertando o braço de Dumbledore o mais forte que podia, ele mergulhou naquela terrível sensação de pressão.

O menino percebeu que tinha funcionado antes mesmo de abrir os olhos: o cheiro de sal e a brisa do mar desapareceram. Ele e Dumbledore estavam sacudindo gotas de água na escura rua principal de Hogsmeade. Tudo estava quieto e escuro, exceto por algumas lanternas e janelas iluminadas.

— Conseguimos, professor! — Harry sussurrou com dificuldade. De repente, ele percebeu uma sensação de queimação no peito. — Conseguimos! Encontramos a Horcrux e estamos bem!

Dumbledore vacilou em direção a Harry. Por um momento, o garoto pensou que sua Aparatação amadora tivesse desequilibrado o professor; então ele viu o rosto de Dumbledore mais pálido do que antes.

— Senhor, você está bem?

— Já estive melhor — Dumbledore respondeu com uma voz fraca, embora os cantos de sua boca tentassem sorrir. — Essa poção não é uma bebida saudável...

Além disso, para o choque de Harry, o professor caiu.

— Senhor... Senhor, está tudo bem, você vai ficar bem, não se preocupe...

Ele procurou desesperadamente por ajuda, mas não havia ninguém na rua. Tudo que ele conseguia pensar era que tinha que levar Dumbledore para a ala hospitalar de qualquer maneira.

— Precisamos levá-lo para a escola, senhor… para a Madame Pomfrey...

Não — disse Dumbledore. — O que eu preciso é do professor Snape... mas acho que não... posso ir muito longe agora...

— Tudo bem... Senhor, escute... vou bater na porta e encontrar um lugar onde o senhor possa ficar... Então irei buscar a Madame....

— Severo — Dumbledore repetiu claramente. — Eu preciso do Severo...

— Tudo bem, Snape... mas vou precisar abandonar o senhor um momento para poder…

Mas antes que Harry pudesse agir, ele ouviu alguém correndo. Seu coração acelerou: alguém viu, alguém sabia que precisavam de ajuda. Quando ele olhou em volta, viu Madame Rosmerta correndo em sua direção por uma rua escura, usando pantufas de pelúcia e uma túnica bordada de dragão.

— Vi vocês aparatarem quando estava fechando as cortinas do quarto! Graças a Deus, graças a Deus, não consigo imaginar... mas o que aconteceu com Alvo?

Ela parou de repente, ofegante, olhando para Dumbledore com os olhos arregalados.

— Ele está se sentindo mal — disse Harry. — Madame Rosmerta, ele pode ficar no Três Vassouras enquanto eu vou até a escola buscar ajuda?

— Você não pode ir sozinho! Você não... Você não viu?

— Se a senhora me ajudar a carregá-lo — falou Harry, sem ouvi-la —, acho que podemos levá-lo para dentro...

— O que está acontecendo? — Dumbledore perguntou. — Rosmerta, o que está acontecendo?

— A... a Marca Negra, Alvo...

Ela apontou para o céu, para Hogwarts. Harry ficou apavorado ao ouvir essas palavras... ele se virou e olhou.

Lá estava no céu sobre a escola: o crânio verde chamejante com uma língua de cobra. A marca deixada pelos Comensais da Morte sempre que entravam em um prédio... sempre que matavam…



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