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História Request for a Date - Vhope - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Alô pessoas! Turu bom com vcs? Tão se cuidando?

Parece que eu n posto nada aqui a um século (e realmente n posto nada desde o natal), mas eu tenho meus motivos.
Passei por uma fase de falta de motivação enorme e de brinde o bloqueio criativo veio junto :'). Eu n tava legal pra escrever então priorizei ficar bem.

Esse plot eu peguei no wattpad do livro "plots for you" do perfil @/hansolights.

Fiz umas mudanças do que era pra ser a ideia original, mas acho que ficou bom assim, gostei do resultado final. Espero que gostem também.

Boa leitura!

Capítulo 1 - - de tantas pessoas, logo ele.


[💫]

Trocar de amigos não é uma má opção, ou eu também posso simplesmente me isolar do resto dos adolescentes, não parece ser ruim.

Não é como se eu gostasse da solidão e de não ter ninguém por perto, porque se fosse esse o caso, eu não teria cinco caras idiotas me estressando nesse momento.

Mas vendo a minha situação atual, talvez eu devesse considerar adotar o isolamento como estilo de vida.

Se eu não tiver ninguém por perto, não terei ninguém pra caçar um motivo pra me zoar por toda a eternidade. Sei que Yoongi, Jin, Jungkook, Jimin e Namjoon arrumariam um jeito de me procurar nas nossas próximas vidas só para lembrarem e rirem que nessa vida atual, eu nunca tive um encontro.

Oh! Talvez eu pudesse arrumar um amigo imaginário! O meu amigo imaginário jamais iria rir de mim por isso, e seu nome seria Gongjeonghan. Me soa um nome digno.

Mas, no momento, o que eu mais preciso é que o mundo normalize adolescentes de dezessete anos que preferem inventar seus próprios amigos do que ter que aguentar os reais, porque sinceramente, falta pouco pra eu socar a cara de cada um deles.

- Já acabaram? - pergunto com o tom entupido de sarcasmo, com um cotovelo apoiado na mesa de madeira atrás de mim e com um pequeno sorrisinho, que eles já sabem ser de irritação.

Os cinco palhaços à minha frente vão aos poucos parando de rir, mas a graça da situação não parece ter ido embora para eles.

Eles só estão se segurando, Jungkook mesmo parece que iria explodir se não libertasse toda a "graça" que a situação tem para ele, e os outros não estão muito diferentes.

Com um sorriso, Yoongi solta:

- Não. Espera, tem mais. - e volta a cair na gargalhada junto aos outros, que chega a tombar para frente de tanto rir. Por um segundo, fecho os olhos e desejo que ele caísse de nariz no chão de cimento, mas assim que abri os olhos ele ainda está sentado em cima da mesa à minha frente.

Droga!

- Você pelo menos já beijou na bochecha de alguém, Hobi? - finco minhas unhas na palma de minhas mãos contando até dez para não pegar a primeira pedra que vir pelo pátio da escola e atacar na cabeça de Jin. E o esforço que faço é enorme.

Sinto que se eu socasse alguém agora, minha raiva passaria um pouquinho pelo menos. E o Jin está bem na minha frente...

- Pega leve Jin - diz Namjoon risonho, dando um tapa de leve no braço do Kim.

Leve até demais pro meu gosto.

- O nosso Hobi é tímido, mas nem tanto - meus os olhos se arregalam com a fala de Jimin. Que caralhos ele disse?

- E quem te disse que eu sou tímido? - Meu tom sai mais alto do que queria que tivesse sido, mas a essa altura taco o foda-se para o autocontrole, eles já arrumaram algo para me zoar pelo resto da vida mesmo, me deixar irritado com o assunto é um bônus adicional para eles.

- Não precisa se estressar, Seokie - diz Jin. - Ser tímido até é bom, existem muitos garotos que gostam de caras tímidos. Quem sabe um não acaba se encantando e te convida pra sair? Já que você não iria convidar mesmo. - E voltam a cair na gargalhada, mesmo a fala não tendo um pingo de graça. Não falo nada porque sei que não vai fazer a menor diferença, talvez eu devesse permanecer mudo e ficar com cara de quem falou mal de My Chemical Romance na minha frente sempre que tocarem no assunto, quem sabe um dia ele não param?

Há! Boa, Hoseok. Até parece que não conhece seus amigos.

Jimin para de gargalhar, mas com um sorriso ainda brincando em seus lábios ele se levanta de cima da mesa e se senta no banco, ao meu lado.

- Hobi, não fica bravo. - O Park envolve seu braço ao redor dos meus ombros e me puxa para mais perto de si. - A gente só tá brincando. Não é o fim do mundo nunca ter tido um encontro.

- Eu sei que não é fim do mundo - digo me virando para o encarar. - Só é o fim da minha reputação social e da minha paz!

E não é drama. Se meus próprios amigos, um bando de zero à esquerda, já me zoam por nunca ter chamado ninguém para um encontro, o que o pessoal pensaria de mim se a novidade se espalhasse?

Não que eu ligue para o que vão pensar de mim, a opinião de quem mal sabe meu sobrenome não me interessa muito, mas sei como a cabeça de adolescentes desocupados funcionam. Simplesmente quero preservar a minha paz e sei que irei a perder se a notícia se espalhar, já que probabilidade de um adolescente de dezessete anos nunca ter tido um encontro, é a mesma que a da One Direction um dia voltar a ser uma banda.

Já até imagino o pessoal me colocando dentro de uma caixa de vidro, no meio do pátio pra exposição com uma plaquinha escrito 'Tipo raro de humano encontrado'.

- Bem você provar que estamos errados - diz Yoongi, que já havia parado de rir. Mas, de um segundo para o outro, um sorriso perverso toma conta de sua boca. Conheço o Min há tempo o suficiente para saber que, o que deve ter passado pela sua mente não é nada bom, é maligno.

- Ah é? - Sei o que ele está querendo sugerir, pelo menos na minha cabeça só tem um jeito de resolver isso.

- É só você convidar alguém pra sair, e essa discussão chega ao fim. - Os outros caras passam o olhar de mim para Yoongi como se estivessem vendo uma partida de ping-pong, e esperam uma reação minha.

- Tudo bem então.

Essa é a minha chance. É o universo me dando a oportunidade de não ter a vida escolar transformada em um caos, de um modo tão simples.

Eu só chegaria para qualquer pessoa aleatória, a chamarei pra sair, agradecerei assim que receber um não e pronto. 

Mas o sorriso de Yoongi não me deixa mais tranquilo.

- Só tem um detalhe... - pronto, lá vem. - nós quem vamos escolher a pessoa que você vai convidar.

Fico olhando seus rostos para ver se algum deles tá segurando uma risada, ou ver se consigo detectar algum sinal de mentira, ao qual eu sabia de todos eles graças aos dois anos desde a criação do nosso grupo. Não encontro nada. Espero um deles gritar "É pegadinhaa!", mas isso também não acontece, e então, a ficha cai.

Sinto meus olhos crescerem e encaro aqueles rostos maldosos como se perguntasse "Qual foi o capiroto que possuiu vocês hoje?"

- Qual é o truque? - acuso desconfiado.

- Não tem truque nenhum, hyung - diz Jungkook.

- Ah, ok. Vocês querem que eu acredite que lançaram essa de eu ter que convidar alguém pra sair pra evitar ser chacota de vocês, mas só vai ser válido se vocês escolherem a pessoa, sem segundas intenções?

Os cinco se entreolharam e se viraram pra mim, assentindo em conjunto.

Reviro os olhos bufando. Eles acham que eu tenho cara de trouxa?

Talvez um pouco, mas trouxa eu não sou! Eu sei que não!

Eles tão aprontando pra mim, só que não sei como eles vão se beneficiar disso.

E se eles já tivessem planejado tudo com a pessoa que eles irão escolher pra me fazer uma pegadinha ou algo do tipo?

- Ok, se é assim, então porque fazem tanta questão de escolher quem eu vou convidar pra sair?

- Para termos certeza de que você não vai convidar um Seung, por exemplo - diz Namjoon como se fosse óbvio.E é um pouco.

Seung além de meu amigo de infância, é meu vizinho. Ele é capitão do time de futebol e, ao contrário do estereótipo de popular, ele realmente é um cara legal. Quando eu era pequeno e ele havia acabado de se mudar, sempre me chamava para jogar bola consigo, Seung sempre levou jeito com uma bola nos pés, estava mais do que claro que ele nasceu pra aquilo.

Ele é bonito, engraçado, gentil e bem... hetero. 

- O combinado é chamar alguém pra sair, Seung é alguém - digo dando de ombros.

Eu nem havia pensado nessa ideia, eu iria pedir pra sair comigo a primeira pessoa que cruzasse meu caminho, sendo conhecida ou não.

É até melhor ser um desconhecido, assim o 'não' virá como certeza.

- Mas aí não tem graça - reclama Jungkook. - É mais emocionante quando a pessoa tem mais chances de dizer um sim.

- O negócio é o Hoseok convidar alguém, mesmo que a pessoa diga que sim, ele não precisa sair se ele não quiser.

Jimin, sempre me orgulhando de ser seu amigo.

- Exatamente - concorda Jin. - Nós iremos escolher alguém parecido com a gente e que sabemos que gosta de homens. Tudo bem assim, Hoseok?

Não consigo parar de pensar na vergonha que tenho certeza que vou passar.

Sou o tipo de cara que faz qualquer coisa que estiver ao meu alcance e que eu queira fazer, mas isso não significa que por dentro eu não esteja morrendo de vontade de me jogar em um buraco.

Mas, eu não vou morrer certo? Só iria chegar na pessoa, fazer uma simples pergunta e receber um fora ou não. Estarei fazendo uma pergunta que nunca fiz, saindo da minha zona de conforto.

Eu posso fazer isso.

- Tudo bem - digo, suspirando e coçando meus olhos com os dedos. Independente de quem escolherem, podem escolher até o zelador, eu vou fazer isso. Eu vou conseguir! - Vamos lá, intrometido da minha vida. Quem eu vou convidar pra sair?

Os cinco se entreolham, todos com um sorriso fechado em seus rostos que poderiam me intimidar, mas não. Eu sei que consigo e vou mostrar isso a eles.

Yoongi me encara diretamente nos olhos, me desafiando.

Ainda sorrindo, ele me arranca a coragem que acabei de conseguir, com um simples nome.

- Você vai convidar o nosso querido, Kim Taehyung.

É, eu não vou conseguir.

[💫]

Eu nunca deveria ter dito que iria convidar alguém pra sair só pra aqueles retardados saírem do meu pé. Eu não tenho que provar coisa alguma a eles, afinal.

O motivo de eu nunca ter convidado ninguém pra sair não é por eu ser tímido. Bem; talvez eu seja um pouquinho, mas não é só isso. 

Em toda minha vida, só tive vontade de convidar uma pessoa pra sair, mas nunca fiz porque eu tive medo de qual seria a reação dele se eu fizesse.

Conheci Jimin através do Jin, seu irmão mais novo, meu primeiro melhor amigo e a segunda pessoa que falou comigo quando pisei no ensino médio. Jimin me apresentou Jungkook, que me apresentou a ele.

Não sei exatamente como aconteceu ou quando, um dia éramos apenas muito amigos e no outro acordei reparando mais em como seus cabelos loiros brilham mais que a luz do sol, na sua risada e em como ele faz meu coração bater diferente. Não um diferente tipo 'Droga, acordei atrasado e a primeira aula tem prova', mas um diferente tipo 'Amanhã é sábado'. É como se tudo à minha volta ficasse melhor só com sua presença.

Mas eu demorei para perceber que aqueles sentimentos, e que eram relacionados a Taehyung, era uma paixão se iniciando.

Eu vivia ansioso por algo que não sabia o que era, meu coração acelerava do nada e algumas vezes ficava difícil de respirar, e por estar sentindo tudo todos os dias, cheguei a conclusão mais lógica: estava doente.

Era a única explicaçã, mas, ao mesmo tempo, não parecia ser aquela a resposta certa.

Fui choramingar para Dawon sobre todos os sintomas que estava sentindo.

Eu até pensei em pesquisar no google sobre esses sintomas, mas tive medo de descobrir que estava com um câncer ou que eu morreria no dia seguinte.

E graças a falta de preocupação da minha irmã mais velha sobre meu estado de saúde e se eu ficaria vivo por muito tempo, descobri o que estava acontecendo comigo com a sua resposta que deve ter sido a primeira coisa que passou pela sua cabeça de ovo.

Não era câncer, mas não deixou de me assustar.

- Talvez você só esteja apaixonado demais - disse em um resmungo, sem desviar o olhar das unhas com que lidava com tanta concentração, como se estivesse esculpindo uma estátua, cuidando para que todos os cantos estivessem lixados com perfeição.

Apaixonado, ela disse, mas a minha mente pareceu entender ferrado.

Por culpa daquele maldito chute certeiro, passei o final de semana inteiro "me escondendo" de todo mundo da escola. Me sentia fugindo da polícia, que no caso eram os curiosos que segunda-feira não pararam de me perturbar sobre o porquê de eu não ter respondido eles quando me mandaram mensagens, um dos curiosos era Taehyung.

Eu admito, surtei. Surtei e pensei que se conversasse com qualquer um deles acabaria falando sobre o loiro, já que era só nele que eu conseguia pensar e em mais nada.

E eu também precisava de tempo pra saber o que eu faria.

Assim que ouvi aquelas palavras saindo da boca de Dawon, meu coração virou um ginasta, dando múltiplos saltos no meu peito, como se estivesse confirmado ser aquilo mesmo.

Apaixonado por um homem.

Kim Taehyung. O nome que faz meu estômago gelar, assim como quando saiu da boca do Min e agora, eu teria que o convidar pra sair comigo.

Acho que o universo está tentando o seu máximo para acabar com a minha vida.

Pensei que era só convidar alguém pra sair que estaria tudo resolvido, mas então o destino começou a gargalhar forte no meu ouvido, como quem me chama de iludido. É a própria sinfonia do inferno.

O final da aula será o meu momento de agir e eu tô me cagando de medo. Quase literalmente.

Não vou conseguir.

Taehyung e eu somos muito amigos pra eu vir e estragar tudo em um segundo com uma pergunta aparentemente inocente, mas que está disfarçada de bomba, que quando explodisse, estragaria tudo, sem deixar nada para consertar.

Eu poderia ir até ele, o cumprimentar, perguntar se ele havia conseguido uma boa nota naquela prova de química que eu o ajudei a estudar, perguntar se Yeontan já havia ido no veterinário e parado de deixar uma surpresa em forma de cocô no seu travesseiro, e então, o convidar para ir a algum lugar, como quem não quer nada. Na teoria me parece simples.

Mas conhecendo o meu histórico de nervosismo agudo sempre que estou perto dele, a situação mais provável seria eu o cumprimentar, tentar puxar assunto e acabar gaguejando e ficando nervoso, Taehyung me perguntaria se está tudo bem e eu faço a maldita pergunta enquanto estou perto de infartar, e recebo um não como resposta.

"Pirou é, Hoseok? A gente é como irmão, jamais sairia com você, seu estúpido."

Taehyung nunca me chamou de estúpido, mas vai que a sua professora de química o deixou com o humor azedo novamente, e justamente hoje.

Parece que os meus dias de amizade com Taehyung estavam contados.

Eu poderia não fazer isso, ou convidar uma outra pessoa, que resolveria o meu "problema" de uma vez, porém os responsáveis por cuidar da minha vida iriam exigir um motivo para eu não ter convidado o escolhido, e aí entraríamos em um looping onde eu daria várias desculpas e eles não ficariam satisfeitos até eu dar a resposta que eles aceitariam como verdadeira.

Esse é o ruim de conhecer pessoas por tanto tempo e os terem como melhores amigos, eles detectam a mentira até na sua maneira de piscar o olho.

Minha melhor opção é eu fazer isso, já que eu mesmo construí o caminho que me levou a desgraça.

O convidar, levar um fora, falar que é só pros meninos não me encherem mais o saco e vida que segue.

Vou ficar bem, contanto que ele não veja segundas intenções no convite e nem a mentira no meu tom de voz.

Universo, essa é a sua chance de mostrar que você está ao meu favor.


A aula de biologia nunca passou tão rápido e tão devagar ao mesmo tempo.

Não consegui prestar atenção em uma palavra do que a professora Lee estava falando, não que antes eu me interessasse por animais, plantas ou nas partes humanas, mas hoje sua voz, que sempre faz metade da sala pegar no sono, parecia distante, como se estivesse falando sobre o conteúdo que não faço ideia do que seja, do lado de fora da sala.

O único som que consegui ouvir era o do ponteiro do relógio que parecia correr o mais rápido que ele podia para chegar logo na hora da humilhação do dia.

Acho que todo o mundo deu um aperto de mãos essa manhã como acordo para me fazer sofrer.

Só pode ser isso, eu não imagino outra coisa, mas também não entendo essa perseguição comigo.

Eu sempre fui uma pessoa boa, eu sou aquele tipo que passa a cola pro amigo quando ele não sabe de nada da prova porque não estudou por perder seu tempo fazendo nada com a sua vida; eu já assumi ter feito um desenho nada bonito do professor de geografia, porque Jin já havia sido castigado aquela semana por ter cuspido uma mistura louca de pimenta, leite, achocolatado e chá verde que Yoongi havia o desafiado a beber, na cara do professor de matemática - o professor não acreditou que foi sem querer; e inclusive tive que impedir um cara que era duas vezes maior do que eu de socar a cara de um Jimin bêbado que deu em cima da sua namorada numa festa que eu nem queria ter ido.

Eu sou um sobrevivente e um cara de coração enorme. Eu devia receber um prêmio por ter sido suspenso por um amigo e quase ter recebido um olho roxo por outro.

Mas todas minhas boas ações parecem não ter valor nenhum nesse momento. E assim que o som estridente do sinal soa por toda escola, percebo que não adiantou nada ter sido bom para acabar sendo castigado do mesmo jeito .

Agora é tarde demais. O meu tempo acabou.

Agora minhas opções são: fugir como um frango quando está sendo perseguido e ser zoado pro resto da minha vida, ou criar coragem e enfrentar o meu problema de frente, mesmo que a resposta possa me machucar e me deixar chorando no banho.

Dã, Hoseok. A resposta é óbvia, tá na tua cara.

Fugir.

Assim que os alunos se levantam, jogo minhas coisas dentro da mochila e me misturo entre o pessoal com o coração na mão, mas com um sorrisinho de alívio pregado nos meus lábios.

Dane-se se eu vou ser chacota daquele bando de idiotas, essa vergonha eu não vou passar, não com Taehyung.

Quando penso em estar livre, caminhando encolhido no meio dos alunos, sinto meu braço direito ser puxado em direção a parede, me tirando do meio da muvuca.

Merda, me descobriram.

E quem mais poderia ser, além de Yoongi? Ninguém, já que o ser aqui esqueceu que o Min estuda junto consigo e que ele deve ter visto minha saída de fininho da sala de aula.

Falha no plano.

- Onde o bonito pensa que vai? - pergunta com um tom zombeiro.

- Me acha mesmo bonito? - levo minha mão até o peito e sorri largo, sei que Yoongi não ia se distrair fácil, mas não custa tentar. Em um momento de desespero, qualquer ideia idiota que aparecer primeiro na mente é válida. - Eu... tava indo no banheiro.

- Hum, banheiro - repete fazendo uma cara de "acha que eu sou idiota por acaso?". A resposta é sim. - O banheiro que fica no lado oposto ao que você estava indo?

Droga.

- Sabe que eu esqueci. - Solto uma risada nervosa.

- Hum, certo. E você ia fugir depois de deixar o banheiro fedido? - o seu deboche me faz revirar os olhos, sem fazer questão de disfarçar.

Odeio o fato de que ele me conhece tão bem.

- Eu não iria fugir. É proibido usar o banheiro agora?

- Não, não é proibido. E já que é esse o caso, eu vou te acompanhar. - O Min faz menção de ir em direção ao banheiro, mas eu o paro, segurando seu braço.

Mas que droga, não posso mais nem fugir que tenho uma sombra me seguindo!

Eu não posso convidar Taehyung, não posso. Eu não posso perder a única coisa que ele está disposto a me dar e que é o que eu mais valorizo nessa vida, sua amizade.

Já que eu não tenho mais como me esconder, vou revelar a verdade para Yoongi, e torcer para que ele tenha compaixão e não me obrigue a falar com Taehyung.

Tanto tempo escondendo, e agora vai sair de dentro de mim e se tornar parte do mundo real.

Deus, por que isso é tão difícil?

Ainda segurando seu braço, sinto minha mão começar a tremer na sua pele, meus olhos queimam e as palavras formam uma enorme bola, que entala a minha garganta.

Mesmo encarando o chão, sinto o peso do seu olhar questionador sobre mim.

Me sinto tão exposto, tão vulnerável.

- Hoseok?

- Por favor, Yoon... - suplico fechando os olhos com força, não posso chorar, não aqui e agora. - Não me force a fazer isso.

Yoongi não diz nada por uns segundos. A massa de alunos diminui, pelo canto dos olhos vejo passando por nós um e outro aluno que gosta de sair por último.

Me arrisco a encarar Yoongi, que me deixa mais nervoso por não estar expressando nada.

O que se passa naquela cabeça branquela? Será que ele tá com pena? Compaixão?

Não gosto disso. Prefiro mil vezes que ele estivesse rolando no chão de rir e me chamando de patético do que ter ele com essa cara de cu, que só faz com que eu me sinta pior com a situação, solto seu braço.

Ele vai mesmo me deixar no vácuo? Se ele demorar mais meio minuto, vou considerar isso uma permissão pra se ver livre do acordo e vazar daqui.

Só um banho quente vai me desestressar agora.

Infelizmente, meu banho quente vai ter que esperar já que Yoongi decide se pronunciar:

- Você... - faz uma pausa tombando a cabeça para o lado. - pode pedir por favor de novo? - É o quê? - É que é uma palavra nova no seu vocabulário e você fica tão lindo dirigindo ela pra mim que... - seu tom é aparentemente genuíno e sem nenhum deboche, eu até poderia levar a sério, se fosse qualquer outra pessoa falando.

As pessoas que não o conhecem direito não iriam notar a maldade por trás desse tom que ele usa pra arte da manipulação, como quando faz pra dizer aos professores que estava muito ocupado - ocupado assistindo séries, dormindo e coçando o rabo - e não teve tempo pra fazer a lição de casa.

Ainda acho incrível como os professores conseguem cair nesse truque todas às vezes e dão a ele um prazo maior para a entrega da tarefa.

É mais incrível ainda que são esses idiotas que me ensinam coisas todos os dias.

Fecho os olhos e conto até dez, cerrando os punhos e tentando regular minha respiração.

- Yoongi... - falo em um claro aviso que não tô com humor para suas piadas sem graça. Eu sei que ele só queria aliviar a situação, o Min odeia situações tensas ou emocionais demais, mas eu preciso disso nesse momento.

Ele suspira e senta no chão, se encostando na parede. Jogo minha mochila no chão e faço o mesmo.

- Por que você acha que a gente fez tanta questão disso, hein? - agora ele está realmente sério.

Se eu soubesse que é tão estranho ouvir um Yoongi falando sério, sem fazer suas piadas rotineiras, não teria dito nada.

- Não sei. Talvez pra não facilitar o meu lado e quererem me ver falhar como sempre faço e depois jogar na minha cara que eu sou patético e que vou morrer tendo como histórico na vida amorosa só um selinho que dei quando era criança? - o encaro e sua expressão é parecida com a minha nas aulas de biologia, puro tédio.

- Você realmente acha que nós faríamos isso com você? - seu tom de voz fica baixo e ele desvia o olhar para suas mãos, começando a brincar com os dedos.

Levo minha direita até sua coxa, deixando um tapa no local. Com um sorrisinho no rosto, respondo:

- Acho sim.

- É, a gente faria isso - dá de ombros, também sorrindo. -, mas em outro caso.

- Como assim?

Ele volta a me encarar.

- Por que você acha que, de toda a escola e com a oportunidade de te zoar bem na nossa cara, a gente escolheu logo o Taehyung? - O Yoongi tá me achando com cara de vidente, só pode. E eu tenho bola de cristal pra ter que adivinhar tudo?

- Sei lá. Sorteio? Er... minha mãe mandou escolher? Foi o primeiro que veio à mente perversa de um de vocês? - eu sinto como se estivesse em uma prova de matemática, onde todos parecem saber a resposta das questões, enquanto eu me esforçava pra tentar chutar alguma coisa e não deixar a prova em branco.

E pela expressão de Yoongi, eu bombei na prova.

- Idiota até que é um elogio pra você. - suspira, encarando os armários à nossa frente. - Eu não te entendo às vezes. Você quer falar do assunto, mas se finge de lerdo pra fugir dele.

Suspiro pesado, ele está certo.

Ainda é assustador demais falar o que eu sinto em voz alta, com alguém ouvindo.

Fugir e fingir que nada está acontecendo é tão mais fácil, sei que não é o caminho certo pra resolver as coisas, mas é o menos doloroso.

Quem sabe um dia eu não acordaria curado desses sentimentos? Tão inesperado, como quando descobri que os tenho.

Esse plano estava indo bem até hoje de manhã. O universo e meus amigos não me deixarão resolver as coisas do meu jeito.

E eu sei que Yoongi não faz nada por acaso. A resposta tá grudada na minha cara esse tempo todo que nem chiclete grudado em um sapato.

De todas as pessoas da escola, Yoongi escolheu Taehyung.

- Como você descobriu? - murmuro contido, sentindo o frio na barriga aumentar por estar adentrando no assunto que a tanto tempo evito.

Yoongi dá de ombros.

- Não foi muito difícil, você é tão discreto quanto um elefante se escondendo atrás de um poste. - Droga. O Min se vira pra mim com um sorriso ladino. - Aliás, muito obrigado. Se não fosse por você, nada disso estaria acontecendo. 

- Não há de quê - digo entredentes.

Sinto uma vontade enorme, crescendo dentro de mim, de socar minha própria cara.

No final a colaboração pra tudo isso acontecer, foi minha.

Se eu tivesse me apaixonado antes e convidado alguém pra sair nada disso estaria acontecendo, mas é tarde demais pra sentar e chorar pela falta de ação na minha vida amorosa.

Yoongi passar seu braço ao redor do meu ombro.

- Não precisa ficar tão nervoso, não é tão complicado quanto parece, quando você vê já vai ter acabado.

- É fácil falar pra quem nunca se apaixonou. - Eu sei que ele só tá querendo me ajudar com esse papo motivacional, que não combina nem um pouco com o Min, mas ele não está na minha pele pra me dizer que não é preciso ficar nervoso.

Eu convidar Taehyung para sair é como tentar atirar em um alvo no escuro. A incerteza do que vai acontecer assim que apertar o gatilho, se a bala vai atingir o alvo certo, gera uma pressão tão grande, que a mente entra em colapso e isso só vai parar se a bala for disparada, ou desistir.

Se desistir, nunca vou atirar no alvo errado.

- Olha, eu posso nunca ter sentido... - faz um gesto com a mão em minha direção com uma careta estampando seu rosto. -, esses sentimentos aí que você tá sentindo, e que eu não tenho nenhuma moral e experiência pra falar alguma coisa, mas eu sei como essa história termina. E vai dar tudo certo. - Yoongi fala com tanta convicção, que é estranho.

- Ah é? E como você tem tanta certeza disso? Foi a bola de cristal que te disse isso, irmã Dináh?

- Nah, foi o passarinho azul da fada madrinha. - dá um sorriso ladino. - Acredite, Hoseok. Eu sei do que eu tô falando.

- Eu também. Ele vai dizer não. - Agora a convicção é minha.

- Não vai.

- E não vai mais querer olhar na minha cara.

- Isso não vai acontecer.

- E vai querer colocar fogo na minha cueca comigo vestido ela.

- Só porque você convidou ele pra sair? - pressiono os lábios e assinto repetidas vezes.

Todas as possibilidades são válidas e existem bilhões delas.

Em alguma realidade, Taehyung pode só dizer não, em outra ele pode só dizer não e me xingar, em outra ele não vai mais olhar na minha cara, em outra ele vai chutar minhas partes baixas por eu cogitar que ele diria um sim logo pra mim, e por aí vai.

São muitas as opções, e por mais malucas ou não que elas possam ser, todas parecem terminar comigo de coração machucado.

Nem o meu cérebro parece querer me encorajar, ele já está me confrontando dizendo "tá tudo bem" e "você vai superar", antes mesmo de eu ser rejeitado.

- Você vai se arrepender sabe... - Yoongi diz, murmurando. - se não fizer isso.

- Eu tô quase infartando só de falar com você, pior que isso não pode ficar.- Meu coração tá batendo descontroladamente e a sensação de frio no estômago só aumenta a cada segundo, sinto vontade de chorar, vomitar, correr, desmaiar, gritar tudo ao mesmo tempo, não me surpreenderia se eu realmente passar mal.

Só quero ir pra casa.

Mas Yoongi parece disposto a querer conversar sobre a comédia trágica que é minha vida amorosa.

Bem, se tudo der errado e eu não virar o chefe de cozinha mais famoso do mundo só sabendo fazer lamen e tirar a pizza do plástico e colocar no forno, eu já tenho uma ideia de filme em mãos.

- Hoseok, agora é sério. - Seu tom de voz muda e ele vira seu corpo para a minha direção. - Você confia em mim, certo? - confirmo com a cabeça. - Sabe que eu escolhi o Taehyung porque eu tenho meus motivos e que eu jamais faria isso pra te prejudicar, não é? - confirmo novamente. - Eu sei que parece que vai dar tudo errado, e que ouvir outra pessoa só falando que tudo vai ficar bem não ajuda, mas acredita em mim só dessa vez. - Ele leva sua mão até a minha descansando em cima da minha coxa, e a aperta. - Você precisa fazer isso, por você. Essa sua paranóia de que tudo vai dar errado não vai te levar a lugar nenhum, você percebeu que tem tanta certeza que a resposta vai ser um não sem nem ter tentado?

As palavras de Yoongi são como um tapa na minha cara, com direito a marca de dedos e tudo mais.

É um costume meu, parece que aceitando que não vai dar certo, se torna um grande motivo pra eu não tentar nada e continuar na minha zona de conforto com as coisas na mesma.

Eu já me imaginei em diversos cenários diferentes saindo com Taehyung, pedindo ele em namoro, nós dois nos abraçando e nos beijando... e eu sabia que isso não aconteceria, porque eu não falaria com ele.

Posso ser ruim de matemática, mas sei que se eu não fizer a conta por medo de errar, não terei resposta alguma e nunca saberei se acertaria ou não.

No caso de exatas, eu sempre tô com medo de errar, mas eu espero que o professor leve em consideração o meu esforço de preencher a prova inteira no final do ano.

- Eu tô com medo - admito em um fio de voz, sentindo minha garganta fechar. Eu já não me importo mais em me expor, em trazer a situação pra realidade, agora eu queria ouvir que tudo vai ficar bem, quero acreditar nisso e quero parar esse aperto que sinto no peito.

- Seria um idiota se não estivesse. - Sorri, apertando novamente minha mão, como se quisesse me confortar. - Isso nunca vai passar. O medo. Ele vai estar lá sempre que você tentar ou quiser fazer algo novo, é sua decisão escutar ou não ele, mas se por acaso você decidir escutar você nunca vai ter uma resposta positiva.

- E se eu fizer e a resposta for negativa?

- Bom, aí você come umas besteiras, chora um pouco antes de dormir e no outro dia tenta outra coisa. Mas pelo menos você vai saber que tentou, e que você não vai receber um sim sempre.

Talvez Taehyung não seja o meu sim, mas só tem um jeito de saber.

Abro um sorriso.

- Desde quando é formado em psicologia? - pergunto.

- Desde que comprei um diploma na internet. - Ele dá de ombros.

São tantos pensamentos, sentimentos, sensações que surgem de não sei aonde, que fica difícil processar tudo de uma vez.

Tento buscar meu objetivo no meio de todo o caos que se torna minha mente e foco nele.

É agora ou nunca.

Ainda prefiro o nunca, mas o nunca não vai me dar a possibilidade de casar com Taehyung, de morarmos juntos e adotarmos um cachorro, então escolho o agora.

Me levanto do chão sentindo toda a confiança do mundo.

- Será que ele ainda tá aqui? - pergunto para mim mesmo, mas Yoongi responde.

- Tá sim. Assim que te vi quase tendo um treco na sala de aula, mandei mensagem pros meninos seguraram o Taehyung porque ia falar contigo. - Ele também se levanta e me entrega minha mochila, então, começo a caminhar na sua frente em direção a saída.

Não falo nada durante o caminho, e para meu alívio Yoongi também não, quero focar nas suas palavras anteriores e na pouca coragem que consegui, porque se eu der ouvidos a paranóia gritando insistentemente na minha cabeça de que o Taehyung vai pisar em mim e no meu pobre coração, eu vou acabar dando meia volta e tentar fugir pelos fundos da escola.

Talvez eu esteja sendo um pouquinho dramático. Não é tão difícil na teoria, eu vou chegar nele, fazer o convite e ter minha resposta. Simples e rápido, não vai gastar nem dez segundos do meu tempo.

Só preciso transmitir essa confiança na minha postura e na minha voz nesses dez segundos, assim quem sabe o Kim não vai notar meu excesso de nervosismo e seja mais gentil na hora de dizer não.

Não, não, Hoseok.

Você consegue.

Ele ainda pode dizer que sim.

Lembra do que o Yoongi te disse.

No mesmo instante em que piso o pé do lado de fora, um loiro capta minha atenção rapidamente, como se meus olhos já soubessem onde ele está sem precisar procurar.

Taehyung.

O Kim está sentado em um banco de cimento perto do portão de saída, entre Namjoon e Jimin com Jin e Jungkook de pé na sua frente. O vento fresco bagunça seus cabelos e suas roupas, mas a risada que ele dá, com algo que Jin diz, causa uma refrescância tão grande no meu corpo e mente que nem o vento pôde me dar.

Por um segundo, não penso em mais nada, só o admiro.

Mas aí, quando volto a realidade, o nervosismo cai como uma avalanche sobre mim e na minha coragem recém-adquirida.

Bem, eu não tenho que fazer o convite logo hoje, não é?

Já tá tarde, enrolei demais com Yoongi lá dentro e... e eu nem sei o que dizer direito a ele!

Também não é tão simples! Não é só chegar lá, fazer o bendito do convite e esperar por uma resposta positiva.

Preciso de uma estratégia, um plano infalível, algo tão eficaz que a probabilidade de ele disser que sim seja de cem por cento.

Não estou com pressa também. Eu posso fazer o convite em, sei lá, 20 de fevereiro.

Que por sinal está bem próximo, seis meses passam voando.

Então, tudo resolvido! Daqui a um tempo falo com ele, penso já dando meia volta, vai ser melhor se ele nem me ver, amanhã falo que acabei esquecendo do que tinha pra falar e que acabei voltando pra casa.

Só que o que eu acabei esquecendo é de Yoongi a uns passos atrás de mim.

Assim que me viro, Yoongi é mais rápido em barrar minha passagem esticando seu braço e me agarrando.

- Eu não consigo, eu não consigo... - repito baixo para o Min, que somente maneira a cabeça.

- Não interessa, vai logo, vai logo... - diz irritado, me virando novamente para o meu destino que, aparentemente, não tenho como fugir.

Assim como não tenho como fugir de Taehyung e os outros, olhando para mim.

Inferno.

Ponho um sorriso fechado no meu rosto fazendo uma expressão de 'não aconteceu nada', e começo a caminhar, sem pressa, com Yoongi no meu pé, dando pequenas cutucadas nas minhas costas como quem diz pra eu andar depressa.

Sou eu quem vai ou não tomar um pé na bunda hoje, então eu faço o meu tempo.

Taehyung não tira os olhos de mim um só segundo, enquanto me aproximo, será que o maldito não percebe que está fazendo minhas pernas falharem?E que se eu não o olho nos olhos não é pra admirar as flores azuis plantadas no pátio que eu vejo todo santo dia?

Ou talvez ele já sabe de tudo e faz isso de propósito! Afinal, se até Yoongi percebeu sozinho, como ele não perceberia?

Espera! Mas e se ele realmente...

Não, não, não. Melhor nem pensar nisso, melhor não pensar em nada, na verdade, só em acabar com isso de uma vez, antes que o meu coração acabe comigo.

Quando estou a três passos de distância do grupo, Jimin ergue as mãos aos céus e suspira aliviado.

- Finalmente! Onde vocês se meteram? - pergunta irritado. Olho pra ele com uma das sobrancelhas arqueadas, questionando a sua irritação sendo que eu sou quem deveria estar irritado.

- A gente tava conversando com a professora de biologia - responde Yoongi.

- Conversando sobre o quê? Vocês nem gostam dela, muito menos da matéria - reclama Jin, se abanando. - E não é motivo pra deixar um amigo torrando nesse sol quente.

- Era só ter ido embora, ninguém disse pra você ficar esperando aqui - digo, o vendo ficar vermelho de raiva.

- Você deveria estar grato! Se não fosse a gente, o coitado do Taehyung já tinha desistido de esperar por você! - aponta o dedo pra mim.

- Ok, já estou aqui. Agora pode vazar. - sorri enquanto ele me lança um olhar indignado.

- Olha aqui, seu... - antes de terminar a frase, Namjoon, que só observa a cena, o corta.

- Tudo bem, já podem parar por aí.

- É, a gente já enrolou bastante por aqui - completa Jungkook. - Então, vamos ao ponto, hyung. O que você queria falar com o Taehyung mesmo? - ele abre um sorriso e então, tenho seis pares de olhos me encarando.

Reviro os olhos desacreditado que eles realmente acham que eu vou fazer aquilo na frente deles.

- O que eu quero falar com ele não envolve vocês. Então já podem ir para casa e agradeço muitíssimo por terem ficado até agora - forço um sorriso, que acaba se tornando de verdade quando suas faces se desmancham de expectativa para frustração.

- Mas nós... - começa Jungkook, mas é interrompido por Namjoon.

- Ok, então vamos nessa. - diz, começando a caminhar em direção a saída.

Foi mais fácil do que imaginei enxotar eles daqui.

O resto do pessoal segue Namjoon, e para o meu desagrado, eles pararam no portão, e voltaram a olhar pra mim.

Suspiro aceitando que eles não sairiam dali sem saber de primeira mão os detalhes da cena, e sob a vigilância do bando de curiosos, me sento ao lado de Taehyung, que só noto agora não ter falado nada até o momento.

- Oi - digo, não o encarando.

- Jimin me disse que você queria fazer uma pergunta importante pra mim. - Mas é claro que ele disse, e com certeza deve ter enfatizado bem o importante.

- É-é eu tenho. - Ele está tão curioso e direto que não evito ficar mais nervoso do que já estou. Esfrego minhas mãos na calça preta, numa tentativa de as deixar menos suadas. - Então, er... como foi sua prova de química? - pergunto tão rápido que muitos rappers ficariam com inveja de mim.

Plano A improvisado: puxar um assunto e ir introduzindo o assunto encontro aos poucos na conversa, para não parecer desesperado e nem apressado.

Taehyung solta uma risada.

- Tenho quase certeza de que Jimin não fez tanto barulho por você querer saber da minha prova. - E lá se vai o plano A.

Preciso dar umas aulas de discrição para Jimin, urgente.

- B-bem, sabe como Jimin é exagerado. - Forço uma risada. - E nem é algo tão importante assim...

- Então pergunte.

Taehyung parece de alguma forma ansioso, sua perna balança repetidas vezes, ele brinca com seus dedos e não deixa de me encarar um só segundo.

Talvez seja a curiosidade o corroendo.

Vamos lá, Hoseok. Só botar pra fora tudo de uma vez.

Respiro fundo, e com o coração na garganta, digo:

- E-er que e-eu q-queria... cof saber s-s-se...

- Se? - ele incentiva.

- Vocêgostariadesaircomigo - solto, embolado e rápido, usando a mão pra abafar um pouco o som e solto um pigarreio no final.

Sabia que eu ia conseguir.

- Entendi nada, Seokie. Repete o que você disse mais devagar - diz ele, franzindo a sobrancelha.

Deus, por que eu não consigo fazer nada sem passar vergonha ou parecer patético?

Fecho os olhos por alguns segundos, respiro fundo e tento de novo.

Agora vai.

- Taehyung... - começo em um tom calmo. - v-vocêgostariadesaircomigo? - Não, não, não.

Não é pra ser assim. Eu simplesmente não consigo falar olhando pra ele sem que meu coração se aperte e minha língua trave.

Quando Taehyung abre a boca pra dizer algo, me apresso para o interromper.

- Não, não. Espera, não diz nada ainda. - Várias ideias surgem na minha cabeça de como conseguir fazer um convite, que já está sendo desastroso, se tornar menos... terrível.

Até que uma ideia prende minha atenção.

Olho uma última vez para o Kim, que tem um ponto de interrogação estampado em sua face, antes de me sentar virado, ficando de costas para si.

- Que isso hyung?

- E-eu não vou conseguir dizer isso te olhando, Taehyung. Sinto muito pelo jeito que vou te perguntar isso, mas eu não consigo... eu só consegui pensar nessa forma de te perguntar de forma clara, se você gostaria de sair comigo. - abaixo a cabeça e aperto os olhos, esperando uma resposta.

Ela não vem durante alguns segundos, chego a pensar que o silêncio é o meu não e suspiro pesado.

Eu já imaginava.

Mas isso, antes de sentir seus braços rodeando a minha cintura em um abraço apertado e seu tronco se jogar nas minhas costas, o dando a oportunidade de afundar seu rosto no meu pescoço.

- Sim. - Por um momento penso não ter escutado direito pois o som soprado no meu pescoço é abafado.

- Sim? - tento confirmar, com o coração pulando no peito eos olhos arregalados. Me viro de maneira brusca para o loiro, o fazendo me soltar.

- Sim! - repete ele, sorrindo.

- Meu Deus, sim! - E um sorriso de alegria e alívio brota no meu rosto. Abro os braços e no mesmo instante, Taehyung se joga neles, me abraçando mais apertado do que antes.

- Sim, sim, sim. - Repete novamente e eu não ligo. Poderia gravar esse sim e escutar pro resto da minha vida, quantas vezes for necessário para ter certeza de que isso tudo não foi um sonho.

Eu tive o meu sim.

O melhor sim que eu poderia ter.

Taehyung afasta um pouco o corpo e me encara, ainda com um grande sorriso iluminando seu rosto. Tiro sua franja da frente de seus olhos e ele se vira para o grupo sorridente parado no portão, o que confirma que escutaram nossos gritos de sim.

- Muito obrigado, Yoongi hyung! - grita Taehyung, acenando para o Min que devolve o gesto.

Espera... é o quê?

- Obrigado? - pergunto, com as sobrancelhas arqueadas.

Taehyung abaixa a cabeça e com as bochechas meio coradas, diz meio contido:

- É que foi para o Yoon hyung que eu disse que tô apaixonado por você, e ele disse pra não me preocupar que ele ia me ajudar. - O loiro para de brincar com os dedos e levanta o olhar, esperando uma reação.

Idiota, falso, arrombado, filho da...

Xingo Yoongi mentalmente de todos os nomes possíveis, aquele... asno!

Taehyung gosta de mim esse tempo todo e ele, assistindo o meu desespero, não disse nada!

- Então é isso. Ele sabia esse tempo todo - digo com a raiva destacada em cada palavra, mais para mim do que para o Kim, que logo se desespera.

- Eu disse pra ele não contar nada hyung. E-ele disse que sabia como me ajudar e-e que eu só tinha que esperar que ele ia cuidar de todo resto.

E realmente cuidou, a tática da humilhação e pressão funcionou muito bem.

E eu caí feito mosquito numa teia de aranha. Quando vi, já estava preso numa situação sem escapatória.

Que poderia ter sido evitada pelo Min desde o começo.

Faço menção pra me levantar, mas Taehyung reforça seu aperto.

- Não fica bravo, Hoseok. Ele só queria ajudar.

- Não se preocupe, Taehy. Eu também quero... - dou uma engasgada. - agradecer. Me solta um pouquinho.

E ele faz.

Me levanto e vou em direção ao grupo só portão, que parecem felizes tanto quanto o dia em que um professor decide não ir trabalhar.

Cerro os punhos e o olhar para o meu alvo, um certo palmito azedo que me fez de trouxa durante boa parte da manhã.

- Se veio me agradecer, Hoseok já adianto que não precisa. Tudo que fiz foi de coração e com o maior prazer do mundo - diz sem o menor peso na consciência, levando uma mão ao peito e sorrindo em deboche.

- Que nada, Min. Faço questão de te agradecer - digo entre dentes, avançando sobre ele, que logo começa a correr, gritando 'Não! No rosto não!'

E com todos rindo ao fundo, sem ninguém fazendo nada para interferir na situação, Yoongi sentiu toda a dor da gratidão.

Mas no fundo, bem no fundo, eu realmente me sinto grato.

Obrigado, Yoon. Por ter me ajudado a ter o meu melhor sim.

[💫]


Notas Finais


Vlw pela betagem @TcheloLovinho, love vc.
E tbm queria agradecer @jjmswan, do projeto @moonchildesign, pela capa maravilhosa. ❤
Até a próxima pessoas ❤ espero que tenham gostado.


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