História Réquiem - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Visualizações 20
Palavras 1.983
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Drama (Tragédia), Ficção, Luta, Magia, Mistério, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Autores: @hectorabreu8 e @drika_gomes (instagram)

Esperamos que vocês gostem... 😃❤

Capítulo 1 - Quando as velas se acendem


Fanfic / Fanfiction Réquiem - Capítulo 1 - Quando as velas se acendem



Era noite, o vento frio soprava nas folhas das árvores, meu corpo se arrepiava por completo. Eu estava em uma floresta densa... e pude notar que mais no fundo uma luz brilhava, me aproximei e percebi que havia um círculo feito com dezenas de velas, alguém estava no centro, e aparentemente era uma mulher, ela segurava um enorme livro, estendeu a mão para que eu me aproxima-se. Mesmo estando apreensivo e angustiado, senti que aquilo deveria ser feito. Uma ansiedade tomou conta do meu peito, segui em sua direção e segurei sua mão... Ela fechou os olhos e começou a recitar palavras que deveriam soar estranhas ao meus ouvidos, mas por algum motivo eu compreendia tudo o que ela falava.

— Omnes revix spiritus vis terra, spiritus vis terra.

Repetidamente essas palavras eram ditas, cada vez com mais intensidade. Eu sentia uma imensa energia sendo drenada de meu corpo, o vento se intensificou, as folhas das árvores passavam como agulhas sobre a minha pele, minha visão ficou distorcida e meu nariz começou a sangrar,  quando de repente uma grande rajada de vento soprou dos quatro cantos da floresta, fazendo com que as velas se apagassem. Eu senti meu corpo desabar e por fim acordei.
Abri meus olhos, estava tudo um pouco embaçado. Meu corpo estava fraco, o mundo girava ao meu redor e eu sentia como se minha cabeça estivesse prestes a explodir, era como se tudo tivesse realmente acontecido.
Respirei fundo, sentei na cama e olhei para a cômoda que ficava ao lado, o relógio marcava 22 horas.

— Orion, está tudo bem? — Perguntou Enid colocando apenas a cabeça na porta.

Minha vó adentra o quarto, e meu único ato é limpar o nariz sujo de sangue.

— Sim vó, tudo bem. — Respondi rapidamente tentando disfarçar.

— Pensei ter escutado gritos vindos do seu quarto. — Disse ela com a voz serena e o olhar compreensivo de sempre.

— Não foi nada, não se preocupe. — Eu respondi tentando respirar mais devagar.

Não foi nada? Quem eu estou querendo enganar, essa é a quinta? Não, sexta vez que eu tenho o mesmo sonho esquisito essa semana, e não basta isso, ainda tem o meu nariz sangrando toda vez que acordo, talvez seja tudo uma questão psicológica, mas não deixa de ser estranho. As desculpas logo não vão colar com a vó Enid… Talvez fosse melhor contar de uma vez todas esses sonhos. Mas será que ela não me acharia louco? Até estou começando a desconfiar de mim mesmo. Afinal... sonhar quase a semana inteira com a mesma coisa, lembrar de todos os detalhes e sempre ter a sensação de que isso realmente estava acontecendo, não é algo muito normal.
Eu precisava colocar para fora tudo o que estava se passando, mesmo que fosse loucura. Estava prestes a explodir.
Minha Vó já havia saído do quarto, provavelmente estava no corredor, mas mesmo assim arrisquei chama-la.

— Vó Enid. — Disse com uma voz um pouco mais elevada.

— Me chamou Orion? — Ela perguntou aparecendo na porta novamente.

— Sim, Vó... Será que eu poderia conversar com a senhora? — Perguntei um pouco apreensivo.

— Claro que sim, o que houve? — Ela perguntou enquanto entrava no quarto.

Um receio em contar ainda estava comigo.

—Tenho... tido sonhos estranhos ultimamente, na verdade um único sonho… — Respondi procurando uma posição mais confortável na cama.

— Como assim Orion? — Ela me perguntou com sua voz serena de sempre.

— Já faz seis dias que sonho com a mesma coisa, mas essa não é nem a parte mais estranha de tudo isso... — Falei tentando ao máximo não morrer de nervoso.

— E o que seria mais estranho? — Ela perguntou enquanto sentava na ponta da cama repleta de travesseiros e almofadas.

Eu contei todo o sonho a ela, cada detalhe de que me lembrava.

— Sempre quando acordo, meu nariz está sangrando e eu me sinto exausto, como se tudo fosse... real. — Finalizei.

— Não se preocupe meu querido, não deve ser nada grave, acredite na sua vó, talvez algo do seu psicológico... Tenho certeza que logo logo você não terá mais esses sonhos. — Ela disse com um sorriso que emanava confiança.

— Obrigado Vó Enid, a senhora deve ter razão. — Disse abaixando a cabeça.

Um silêncio pairou sobre o quarto, minha Vó nada mais respondeu, apenas acariciou meu cabelo e saiu.
Me deparei olhando para a janela, vendo a noite e tentando organizar meus pensamentos, eu realmente estava me esforçando para acreditar no que ela havia dito. Mas mesmo assim algo ainda me incomodava... eu tinha a sensação de que alguma coisa muito ruim estava prestes a acontecer. Nem pude continuar meu pensamento, quando derrepente uma notificação apareceu na tela do meu celular, fiquei alguns segundos criando coragem para dirigir meu braço até a cômoda, mas finalmente o peguei, e para a minha surpresa era uma mensagem do grupo do colégio que estava parado faz séculos devido às férias. A mensagem dizia "Social de volta as aulas na casa do C.A essa noite, as 23 horas, quero ver todo mundo lá." Estranhei a princípio, afinal quem daria uma festa para comemorar a volta a escola? Pensei comigo mesmo. Mas logo descartei qualquer hipótese, era um bando de adolescentes querendo beber e transar, eles nem precisavam de um motivo pra isso.
Eu não sou o tipo de pessoa que frequenta muitas festas, ou não sou convidado, ou não vou por preguiça, das duas uma. Só que dessa vez eu precisava ir, tinha que me ocupar com outra coisa, me divertir, senão iria ser engolido por meus próprios pensamentos.
Me levantei, fui até o banheiro e assim que me olhei no espelho percebi o quanto estava acabado. Meu cabelo estava péssimo, fazia uma semana que eu não lavava, meus cachos estavam mais para um ninho de passarinhos do que algo lindo como as pessoas costumavam dizer. Fui para o banho, tentei ser o mais rápido possível, coisa que não aconteceu... Meus pensamentos corriam a 100 km por hora.
Desliguei o chuveiro por alguns segundos, e mais ao fundo pude ouvir uma voz, era a Vó Enid me chamando para comer.
Não respondi, apenas vesti a minha roupa de costume, uma camisa de manga comprida verde escuro, calça jeans com pequenos rasgos abaixo do joelho, um all star meio surrado e quase ia me esquecendo do colar que minha avó sempre me obrigava a usar, segundo ela era uma lembrança dos meus pais.
Desci as escadas e fui direto até a porta, mas fui impedido no meio do caminho pela Enid.

— Não vai me dizer onde você vai? — Ela me perguntou com a voz mais autoritária possível.

Ela me olhou diferente dessa vez, não com aquele rosto compreensivo de sempre, parecia preocupada com alguma coisa.

— Vou pra uma festa na casa do C.A, não me espere acordada. — Respondi rapidamente.

Fechei a porta e sai rumo a festa, o local não era longe então resolvi ir caminhando.
Pessoas gritando, bebidas e uma música ensurdecedora, definitivamente estava em uma festa de adolescentes. Vi o C.A e fui falar com ele, mas no meio do caminho me esbarrei com um garoto, quando ele se distanciou olhei para trás e notei que uma garota muito estranha estava me encarando, o garoto puxou seu braço e eles foram embora da festa.
Entrei e a primeira coisa que procurei foram as bebidas, precisava esquecer os últimos dias, os sonhos estranhos, as sensações... Bebi um copo e quando dei por mim estava virando uma garrafa inteira, minha cabeça estava latejando, meu estômago embrulhava e a única coisa que eu queria era sair dali.
Resolvo ir tomar um ar, eu me afastei um pouco da festa até chegar a um lugar mais isolado onde haviam várias velas apagadas postas em diversos lugares, não fazia idéia do por que  elas estavam ali, eu ignorei e resolvi me distanciar mais um pouco, assim que passei pelas velas notei um clarão, ao olhar para trás as velas estavam todas acesas e emanavam um brilho muito forte. Voltei para o local que estava antes, meu coração disparou e uma sensação esquisita percorreu pelo meu corpo, as velas estavam apagadas alguns segundos atrás, será que eu estava ficando louco ou só bêbado? Não importava, alguma coisa me prendia ali, eu encarei aquela luz forte e mil pensamentos tomaram conta de mim, flashs de coisas que aconteceram nos meus olhos e até coisas novas começaram a percorrer pela minha cabeça.

Eu resolvi sair da festa, tudo o que eu senti durante toda a semana tomou conta de mim. Ao me aproximar de casa senti uma energia muito forte, como se um peso fosse posto sobre mim, havia algo estranho em casa, as luzes estavam todas apagadas, mesmo que a Enid durma, ela sempre deixa as luzes acesas quando eu saio, será que ela esqueceu? Definitivamente havia algo errado.

Um estrondo veio de dentro, eu imediatamente corri em direção a porta, assim que abri me deparei com uma garota de cabelo roxo, ela estava com seu rosto coberto de sangue e segurava algo estranho em suas mãos, ela olhou para mim surpresa, largou o que segurava e em um piscar de olhos veio até mim, me segurou e me levou para outro lugar da casa.

Estávamos na garagem, eu estava confuso, assim que consegui recuperar o fôlego eu tentei falar, mas ela me impediu colocando sua mão que pingava sangue ao redor da minha boca.


—Não fale nada Orion, ou eles vão ouvir. — Disse a garota com sua respiração ofegante.


Eles quem eu pensei e como ela sabia o meu nome. Logo depois ouvimos passos vindo em nossa direção, a garota pegou uma ferramenta e soltou minha boca, eu entendi a situação o suficiente pra saber que deveria ficar calado.

Assim que os passos se intensificaram ela levantou, seus olhos ficaram diferentes e pude ver algo como presas surgirem em sua boca, assim que ela investiu seu ataque um silêncio se pôs, alguns segundos se passaram e a garota voltou.


—Está tudo bem Orion, pode sair. — Ela falou indo na minha frente.


Assim que sai lá estava a vó Enid, ela estava bem, também havia um garoto, ele parecia ser amigo da garota mais que estranha,  de cabelos roxos.


—Orion!! Como você está, se machucou? — Perguntou Enid calma até demais para a situação.


—Eu estou bem... Mas não consigo entender o que está acontecendo… — Disse com esperanças de alguém me explicar.
Mas fui severamente interrompido pelo garoto, ele disse que eles estavam voltando, e que precisávamos sair logo.

— Depois eu te explico tudo, agora precisamos sair daqui, não se preocupe, vai ficar tudo bem. — Disse minha avó apressada.

Eu estava apavorado, os outros pareciam ter medo mas estavam dispostos a lutar, mas lutar contra o que? Eu não conseguia entender e ninguém me contava nada…


— Eu não vou sair daqui até que alguém me diga o que está acontecendo. — Disse já irritado.

Fui novamente interrompido pelo garoto.
—Droga!! Eles estão aqui. — Disse ele fechando os punhos.


Eles quem? eu quis gritar para ver se alguém me respondia, precisava entender aquela situação, saber quem eram aquelas pessoas na minha casa, porque saíram presas da boca da garota estranha, o que aconteceu para as mãos daquele garoto estarem encharcadas de sangue, e principalmente... Como minha Vó estava aparentemente entendendo tudo. Não consegui pensar em mais nada, derrepente um estilhaço de madeira passou como um raio no meio de todos nós, o garoto que até então estava parado no canto da sala se transformou em um vulto preto que eu malmente conseguia acompanhar com meus olhos, indo de encontro ao objeto, a porta se abriu fazendo um barulho gigantesco, e eu rapidamente direcionei meu olhar até ela, uma mulher entrou em casa, ela estava com sua mão levantada e falava algo que eu não conseguia compreender, no mesmo instante outro barulho ecoou pela sala, eram ossos se partindo, virei meu rosto mais uma vez, o garoto estava sendo jogado na parede... E minha vó caindo lentamente no chão.



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