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História Réquiem para a destruição - Capítulo 2


Escrita por: @ e Riezan


Notas do Autor


Oláa.

Eu disse que não sabia quando iria att, mas incrivelmente eu tô conseguindo desenvolver os capítulos bastante rápido, então vou deixar esse mimo aqui. Serão cinco capítulos sobre o passado (o último está sendo finalizado) para contextualizar vocês, então a atualização da história irá depender do ritmo com o qual eu escreverei os próximos capítulos que serão o desenvolvimento do plot.

Eles são alguns mimos com momentos felizes, como recompensa pelas desgraças que estou planejando haha

Mais uma vez obrigada ao meu nenê @3tangfei pela betagem <3

Boa leitura!

Capítulo 2 - Naquela tarde eu encontrei o amor


Os dois homens de estatura semelhante e rostos delicados diferenciavam-se apenas pela cor dos olhos e estilos de cabelo. Lan XiChen possuía olhos escuros e mantinha o cabelo preso em uma longa trança. Seus hanfus eram sempre de cores frias e suaves, ornamentados com bordado de ouro ou prata, trazendo elegância ao belo homem côrtes. Lan Wangji por sua vez, possuía olhos tão claros e tranquilos quanto um topázio lapidado. Ele preferia deixar o seu cabelo negro livre com o vento e estava sempre preso aos hanfus brancos, que diferenciavam-se apenas nos detalhes sutis em tons pastéis. 

Suas expressões também eram diferentes, enquanto XiChen esboçava um sorriso que poderia aquecer o coração de qualquer pessoa que o visse, Wangji estava sempre com feições taciturnas e muito raramente algo despertava o seu interesse. 

Ele também não era muito inclinado a manter relações amigáveis com os poucos imortais que viviam Yaochi¹, mas por não conseguir recusar os pedidos de seu irmão mais velho, ele era constantemente arrastado para tomar chá com eles.

E os escolhidos da vez foram ChangZe e Baoshan SanRen. Dois imortais que durante anos viveram disfarçados no mundo mortal e por algum motivo decidiram agora retornar às terras do deus da vida. 

Era comum que imortais fizessem breves visitas a Fusang¹ por curiosidade ou entretenimento. Mas essa era a primeira vez que XiChen via um casal que teve disposição para viver tanto tempo fingindo serem mortais. 

Isso era no mínimo curioso.

— O mundo mortal é intrigante. — era SanRen quem falava. — A vida é carregada de incertezas e desafios, mas também de momentos felizes. Os humanos vivenciam todas essas coisas e mesmo quando se sentem abalados, conseguem seguir em frente.

XiChen realmente parecia interessado na conversa, diferente de Wangji que permanecia alheio a tudo. 

— Eu entendo que possa parecer interessante, mas nem todos os humanos são bons. Infelizmente existem aqueles que escolhem não seguir um caminho virtuoso. Então por que viver tanto tempo entre eles? 

ChangZe concordou. 

— Porque isso torna o mundo mortal um bom lugar para criar e moldar nossos filhos. Nós queríamos que eles se adaptassem a situações diversas, longe da tranquilidade do mundo imortal. Foram 500 anos de bastante aprendizado.

— Agora eles apenas precisam focar na cultivação. — SanRen concordou.

— Vocês possuem uma visão diferente dos demais. — XiChen sorriu. — Isso realmente me agrada.

O casal pareceu feliz em ouvir aquelas palavras. 

Não muito depois uma jovem mulher entrou no cômodo trazendo consigo uma bandeja com dois conjuntos de chá. O primeiro a ser servido foi Wangji, pois estava mais próximo. Tanto o copo quanto o bule eram de uma porcelana tão branca quanto a neve, tornando-os uma escolha perfeita para o deus da morte. 

Então ela direcionou sua atenção para o deus da vida que parecia atônito com sua presença. Terminando de organizar o delicado copo e bule de porcelana com detalhes em azul na mesa para para XiChen, MeiLing sorriu para ele antes de se retirar para guardar a bandeja. Desde que ela deixou o cômodo, XiChen não foi capaz de pronunciar uma palavra sequer. E como Wangji não falava muito, SanRen foi forçada a quebrar o silêncio:

— Eu soube que os deuses têm preferência por chá verde, então preparei Longjing para o deus Lan XiChen e Mao Jian para o deus Lan Wangji. Espero ter escolhido corretamente. 

— Está correto. — Wangji falou pela primeira vez desde que chegara. — Obrigado. 

O silêncio reinou novamente. Por algum motivo XiChen parecia recluso em seu mundinho particular. Ele até mesmo sorriu repentinamente quando sentiu o aroma do chá e em seguida o apreciou com felicidade.

Parecia que ele tinha encontrado um tesouro. 

Quando MeiLing retornou e sentou-se próxima aos seus pais, recebendo a atenção de XiChen que parecia hipnotizado pelos seus olhos, tão verdes quanto uma jade, ela não pôde evitar se sentir envergonhada.

— Os seus olhos… Eles me lembram uma jade refinada. — XiChen sorriu abertamente ao ver as bochechas da garota serem tingidas pelo vermelho por conta de suas palavras. — Como se chama? 

O interesse repentino fez até mesmo ChangZe e SanRen trocarem olhares.

— Está é minha filha mais nova, Wei MeiLing. — respondeu ChangZe. — Nós também temos um filho, Wei Wuxian. Os dois são gêmeos. 

XiChen apenas acenou, ainda interessado em mirar MeiLing. Ele observou como o rosto dela era delicado e carregava feições puras e gentis. Poderia não ser a mais bela entre as imortais, mas ela foi capaz de iluminar o coração do deus da vida com um único sorriso.

— O significado desse nome de fato combina com você.  

— Eu agradeço o elogio... — ela respondeu sem saber ao certo como chamá-lo. — Senhor Lan. 

— Por favor, me chame de Lan Huan. 

Tanto a garota quanto seus pais ficaram surpresos com o pedido. Até mesmo o desinteressado Wangji que tomava seu chá calmamente parou para observar a cena cheio de incredulidade. Por breves segundos os seus olhos claros brilharam em um azul intenso e somente após visualizar os pontos brilhantes próximo ao peito de XiChen e também de MeiLing, Wangji foi capaz de compreender a situação. Mesmo assim ele se manteve em silêncio.

MeiLing ainda estava desnorteada com uma frase tão curta, tanto que foi difícil até mesmo responder.  

— Isso… Eu… Eu não ouso ofendê-lo. 

— Você irá ofendê-lo se não chamá-lo como ele pede. 

Os olhares se voltaram para Wangji que colocou a porcelana na mesa sem fazer um único ruído. Ele sentia que sua presença não era necessária, por isso cumprimentou a família brevemente e anunciou:

— Irei me retirar por um momento. 

— Eu posso pedir ao meu filho para acompanhá-lo em uma caminhada se desejar. 

Wangji balançou a cabeça em negação para ChangZe.

— Não é necessário.

As flores que caíam dos pessegueiros tal qual uma fraca chuva, trazia uma beleza incomparável para aquele cenário. O chão parecia ter sido tingido por um rosa suave e texturizado; o aroma proveniente flores era agradável e trazia uma tranquilidade inexplicável para sua mente. 

Era nesse tipo de ambiente que o deus da morte preferia estar.

 Wangji estendeu a mão para alcançar um galho da árvore e arrancou uma flor. Ele observou as pétalas delicadas aos poucos murcharem na palma de sua mão até virarem pó e ser levado pelo vento. Seus dedos fecharam-se em punho sequencialmente enquanto ele perdia-se em devaneios, sem notar que era observado. 

O jovem rapaz deitado em um galho grosso de outro dos vários pessegueiros plantados por quase toda propriedade, observava o deus com uma pequena jarra de vinho em sua mão. Com as bochechas vermelhas e um sorriso travesso contornando os seus lábios, ele logo tratou de interromper o momento de reflexão alheio:  

 —  Eu sempre imaginei que o deus da morte usasse preto. De qualquer forma, com essa expressão e as roupas brancas, você parece estar de luto.

Wangji se virou para encarar o dono da voz que o fez estremecer levemente. O seu coração perdeu uma batida quando recebeu um sorriso caloroso e aberto. O rosto bonito, e o cheiro suave de pêssego o deixaram encantado. Ele passou tanto tempo em silêncio que o jovem resolveu falar:

— Eu sou Wei Wuxian e você deve ser o cubo de gelo Lan Wangji, estou certo? Ou seria Lan Zhan? — ele encarou o jarro que era balançado por sua mão. — Lan Zhan soa melhor, irei chamá-lo assim. — sorrindo novamente ele estendeu o jarro na direção de Wangji. — Você quer um pouco? Fui eu quem fiz, então está bom. — não se sentido satisfeito ele provocou mais um pouco. — Mesmo com o vento, você deve estar sentindo calor com tanto tecido. Por que não tira uma parte e me deixa ver se é bonito sem elas?

Wangji lançou um olhar hostil para o rapaz. Ninguém nunca teve a audácia de tratá-lo daquele jeito e não imaginava que dentre tantas pessoas, o seu companheiro de alma fosse um tagarela imprudente. 

— Insolente. 

Wuxian riu baixinho e desceu da árvore. Ele se aproximou e agarrou o braço alheio com intimidade, um pequeno ato incômodo para alguém que evitava contato físico com outras pessoas.  

— Então você fala. — Wuxian ofereceu a bebida novamente, deixando Wangji ainda mais desacreditado. — Como imaginei ninguém nunca faltou com respeito a você. 

— Não me toque. 

A voz grossa e o olhar de Wangji foram suficientes para fazer Wuxian entender que aquela era uma aproximação perigosa, por isso ele se afastou sem reclamar. Mas quando o deus da morte se virou para ir embora, a vontade de provocá-lo atacou novamente.

— Lan Zhan! Lan Zhan! Eu estava errado, por favor não vá embora! 

Sendo totalmente ignorado, Wuxian bufou e correu para bloquear o caminho do outro sem sucesso algum, pois Wangji simplesmente o afastou de forma delicada.  

Insatisfeito, Wuxian largou o jarro e se agarrou a cintura do deus como última alternativa. Suas bochechas vermelhas denunciavam o estado ébrio, o que o salvou de ter sido afastado bruscamente.

— Wei Wuxian! — Wangji rosnou furioso. — O que pensa que está fazendo?! 

Wangji ficou sem reação quando Wuxian usou magia para ter mais força nos pés e girar seus corpos. Por conta de um tropeço nos pés alheios, o deus desabou por cima do jovem atrevido. Se ele não tivesse sido rápido em seus movimentos, certamente teria machucado o outro com seu próprio peso. 

Passado o pequeno choque ele encarou os olhos escuros do menor abaixo de si, sentindo a ponta dos dedos delgados tocar-lhe a face. Aquela situação estava muito além de ser constrangedora.  

— Você é realmente muito bonito. — ele afastou a mão e então tocou a própria testa. — Tão bonito que faz minha cabeça doer. 

— Você está bêbado. 

 — Sim, eu acho... Eu bebi a tarde inteira, não há nada de melhor para fazer. 

Wangji suspirou sem mais conseguir levar  a situação a sério. Em silêncio ele saiu de cima de Wuxian e ofereceu a mão para ajudá-lo. 

— Poderia usar o tempo livre para cultivar ou estudar. 

— Eu consegui derrubar um deus! — Wuxian exclamou alegremente. — Isso não significa que meu cultivo é alto o suficiente?!

Limpando a grama de sua roupa, Wangji respondeu: 

— Não. 

— Não? — de repente os olhos de Wuxian brilharam. — Então você poderia me dar um pouco? 

— Não. 

— Você só sabe falar não?

Wangji não respondeu. Em sua mente ele pensava no quanto era azarado por conhecer a versão bêbada de seu companheiro logo de cara. 

— Já que não vai me dar, pelo menos me chame de Wei Ying, assim eu posso te chamar de Lan Zhan sem receber uma bronca do meu pai. 

— Não estou interessado. 

— Vamos lá, é só um nome! Não custa nada!

Novamente Wangji se virou para ir embora. Mas antes de dar o primeiro passo ele ouviu fungados e em seguida um choro alto. Ao se virar ele viu Wuxian no chão, esfregando as mãos nos olhos para tentar enxugar as lágrimas. 

Definitivamente não estava esperando por isso. 

— Lan Zhan você é tão mau! — ele falou em meio ao choro. — Tão insensível! É por isso que os mortais tem medo de você! 

A princípio Wangji iria continuar a ignorá-lo, mas no fim ele não conseguiu suportar aquela situação por muito tempo. 

— Apenas pare de chorar, Wei Ying. 

Como uma criança que havia acabado de receber um doce, Wei Wuxian rapidamente se levantou como se nada tivesse acontecido. Ele podia ver a raiva nos olhos claros, mas isso nem de longe parecia intimidá-lo. 

— Você… 

— Wangji. — XiChen o chamou e despropositadamente salvou Wuxian. — Está na hora de irmos. 

— Deus da vida. — Wuxian cumprimentou com uma leve reverência. — Espero que tenha apreciado o chá e a conversa. 

— Certamente. — XiChen respondeu com o habitual sorriso. 

Apesar da expressão vazia, Wangji se sentia um tolo. Era inacreditável como  havia sido manipulado por um imortal de 500 anos. 

Em silêncio ele seguiu rumo a saída da propriedade com seu irmão, sentindo-se em paz. Até que ele ouviu aquela voz mais uma vez:

— Lan Zhan, foi um prazer te conhecer! — Wuxian gritou de longe, arrancando um pequeno riso de XiChen. — Venham nos visitar mais vezes!

— Sem vergonha. — sussurrou para si mesmo. 

Quando estavam distantes o suficiente, XiChen falou seriamente:  

— Wangji, você percebeu? 

— Sim. 

XiChen encarou o irmão. Por mais que as feições do outro continuassem rígidas, ele sabia que no fundo o coração de Wangji estava leve. 

— Você está feliz. Consigo sentir o seu bom humor.

A falta de resposta arrancou um sorriso de XiChen, que continuou a falar: 

— E pensar que nossos companheiros de alma seriam irmãos gêmeos. O destino realmente é algo curioso.

— Certamente houve um engano.

XiChen parou de caminhar e Wangji fez o mesmo. 

— A-Zhan, nós somos os seres vivos mais antigos desta terra. Com o tempo o que se adquire é sabedoria e não o contrário. — XiChen tocou o ombro do irmão. — Ninguém nunca te tratou dessa maneira ou te deixou sem ação durante todos esses anos. Ele também conseguiu te enganar com tanta facilidade. Isso não te prova nada? 

— Você viu? 

XiChen acenou. 

O deus da morte então pareceu pensar por um momento. O seu rosto se contorceu minimamente apenas por lembrar das atitudes de Wei Wuxian. 

Insolente. Ele pensou. 

—  Eu cuido disso depois. 

— Sim, você vai. Eu disse ao Wei ChangZe que voltaremos em breve para uma conversa importante. Esperei tempo demais e não pretendo enrolar agora. 

Wangji ficou surpreso com aquelas palavras. De fato, não só XiChen havia esperado por aquele momento como ele também. A conexão com Wuxian era clara, até mesmo as almas de ambos brilhavam intensamente quando perto uma da outra. 

Mas além de não ter se acostumado com a descoberta, Wangji não esperava que seu companheiro de alma fosse tão… Sem vergonha. 

Wuxian ainda tinha muito o que aprender. 

— Eu não vou contar a ele ainda. — respondeu por fim. — Tenho medo de como Wei Ying irá reagir.

As últimas palavras saíram inconscientemente e XiChen mal conseguiu esconder o sorriso de satisfação, mas como não tinha ele limitou-se apenas em conter-se. 

Wangji sempre foi muito fechado desde criança. Por mais que XiChen tentasse fazê-lo se relacionar com outras pessoas, nunca obteve sucesso. Era da natureza do seu irmão mais novo resolver qualquer situação da maneira mais rápida e concisa. Dessa forma, o excêntrico Wei Wuxian certamente arrancaria o companheiro de sua concha com o tempo. 

— Essa é uma escolha sua e eu não irei interferir. Você já o reconhece, chamá-lo pelo nome de nascimento deixa isso claro, agora você só precisa quebrar suas barreiras e se aproximar dele. 

Wangji não respondeu. Ele desapareceu no portal recém criado, deixando para trás um XiChen sorridente.

 


Notas Finais


Como muita coisa na história tem base na mitologia chinesa e também por ser de certa forma complexo como a novel, eu irei deixar alguns guias pra vocês nas notas finais, conforme seja necessário.

Então vamos lá:


Yaochi¹: é a terra dos deuses que é dividida entre XiChen e Wangji. Além dos ceifeiros e serafins, apenas alguns imortais escolhidos a dedo tem permissão para viver nos domínios do deus da vida ou do deus da morte.

Fusang²: literalmente o mundo mortal. Existe apenas um continente e algumas ilhas.

Penglai: é a terra onde o restante dos imortais vivem. Eles são governados pelo imortal que vive no palácio de jade e ele é alguém que vocês gostam haha

Kulun: são montanhas lendárias conhecidas como o portal para o mundo imortal. Elas existem em Fusang, mas nenhum mortal conseguiu achar a passagem para o outro lado.

Ceifeiros: são pessoas que cometeram um grande pecado em vida e foram condenados a recolherem almas por tempo indeterminado. Eles fazem parte do exército de elite de Wangji.

Serafins: são almas que não precisam mais reencarnar. Eles ganharam um lugar especial nas terras do deus da vida e ajudam as outras almas a reencarnar. Eles também fazem parte do exército de elite do XiChen.

Imortais: só são chamados assim por terem um tempo de vida longo, mas podem ficar doentes e até mesmo morrer.

Por hoje é isso. Até outro dia!


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