História Residência Jeon - Capítulo 11


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Jikook, Jikook!flex, Jimin!bottom, Jimin!top, Jungkook!top, Jungkookbottom!, Kookmin, Yaoi
Visualizações 73
Palavras 4.761
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção Adolescente, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 11 - Chapter XI


Fanfic / Fanfiction Residência Jeon - Capítulo 11 - Chapter XI

Por um momento eu me vi perguntando por que raios todo o ar do quarto havia sumido para logo entender que junto à pergunta que eu havia acabado de fazer, ele entrou e estagnou nos meus pulmões.

Soltei a respiração percebendo que não tinha qualquer fundamento essa minha tensão atual.

Não havia, certo? Eu só fiz uma simples e singela pergunta. Não havia nada demais nela, então o que era aquela fagulha nos olhos da minha avó?

A hesitação lacônica não fora nenhum erro de interpretação da minha parte, disso eu tinha certeza.

Minha avó sorriu.

— Onde ouviu falar sobre isso, querido?

Eu já esperava por esse questionamento.

— Em um livro qualquer – respondi.

Como se eu tivesse proferido o nome infame bem na sua frente, sua face se apertou.

— Um livro?

Antes eu pensei que usar esse argumento iria facilmente livrar-me de sequer cogitar em Jungkook, todavia parecia que mesmo essa mentira tinha um carregado peso. Eu não me surpreenderia se sua reação fosse quase a mesma se eu na verdade tivesse revelado ter sido Jungkook – um homem amaldiçoado – a origem da informação.

— Eh, sim – continuei mesmo assim. Dizer a verdade estava fora de cogitação.

Por um momento seus olhos varreram o quarto, como se caçasse algo.

— Onde está o livro? – perguntou suave.

Toda essa serenidade acompanhada a deliberada ignora a minha pergunta me deixou pela primeira vez apreensivo enquanto olhava para minha avó.

Esse sentimento não era nem um pouco familiar.

Não quando era minha avó ali.

— Eu já entreguei para a biblioteca. Não está mais comigo – expliquei – Então? Já ouviu falar sobre essa cidade?

— Já – sentou-se ao meu lado – Foi uma das primeiras populações da nossa região. Lembro-me vagamente de ser isso.

Vagamente? Não me venha com essa Dona Park.

— Por que nunca mais voltou a conversar comigo sobre aquilo? – disparei.

De repente todos aqueles assuntos que eu tentei ignorar, não podia mais ficar como um cofre lacrado a sete chaves.

— Jimin...

— Claramente minha mãe deve ter dito algo – interrompi –Eu não me importo, posso resolver com ela depois. Só diga logo.

Eu só não sabia se minhas palavras dessa vez se referiam a Isanghae ou ao suposto segredo.

Se antes a senhora a minha frente ainda segurava uma inexpressível tênue face, agora era quase palpável seu cansaço. Parecia ter envelhecido mais vinte anos.

— Esqueça essas banalidades, Jimin – a voz escassa como se estivesse tentando convencer os céus – Sou uma mulher velha e cheia de amargura da vida. É normal em algum momento a confusão atingir a mente.

Atordoado minha boca entreabriu-se.

Era simplesmente um absurdo ouvir isso ser proferido por minha avó.

Dela. Não de minha mãe, outras pessoas ou até mesmo eu e minhas descrenças.

Vinha dela.

A mulher que jamais aceitou comentários a seu respeito a determinando como uma velha confusa. A mulher que mesmo sabendo do mundo cheio de preconceitos não deixou de no passado lutar e continuar em viver nas suas crenças. Em ajudar as pessoas.

A mesma que parecia a dias atrás obstinada a enfrentar as oposições de minha mãe.

— A senhora não disse isso – balbuciei.

— Você deveria dormir, está tarde – colheu o copo seco de minhas mãos.

E com o fechar leve da porta deu-se a conversa por encerrada.

Entre todas as pessoas que até agora insistiam em esconder as coisas, a única que fora insistente o suficiente em teimar contra minhas negações ou de outras pessoas fora minha avó. Dizer que era de fato decepcionante e frustrante vê-la dizendo isso de si mesma – uma velha confusa – era pouco.

. . .

 

— Em plena quarta-feira? – falou Yoongi observando a fachada a nossa frente.

— Privilégios de morar em uma fraternidade – respondeu Taehyung.

— Hoseok discorda absolutamente disso – respondi.

Não que o ruivo odiasse festas, longe disso. Ele na verdade odiava festas na fraternidade, pois sempre no final a bagunça era muito grande pra ele e os outros meninos ajeitarem.

A porta abriu-se e alguém nos puxou.

As típicas festas colegiais do meio da semana. Furtivas e cheias o suficiente de jovens frustrados com sua vida para beber ao ponto de render épicos relatos no outro dia.

— Galera! Escondam a bebida! Park, aquele que não embebeda chegou! – ouvi a voz de Hwan no meio das pessoas.

— Odeio esse cara – o loiro ao meu lado resmungou.

Yoongi sempre dizia isso. Hwan era realmente um cara complicado. Não importava o momento ou a ocasião, o garoto parecia sempre querer toda a atenção para si. Antes que eu pudesse concordar o mesmo veio com dois copos nas mãos.

— Aqui – me entregou a bebida – Jimin você tem que ensinar seus amigos a sua técnica, principalmente pra aquele ruivo – sorriu como se estivesse lembrando de algo extremamente engraçado.

Não foi preciso perguntar o que ele queria dizer com isso, já que desviando de sua atenção avistei meu amigo no meio da sala.

— O que ele ta fazendo?

Eu e meus amigos observávamos a cena.

Hoseok parecia estar brincando de boneca. A diferença clara era que seus personagens eram todos latinhas e garrafas de cerveja. Sentado com pernas em cima da mesa, o mesmo carregava um copo nas mãos enquanto parecia conversar seriamente o que quer que seja com as miniaturas de metal.

— Muito cedo pra já estar bêbado, não acha? – falou Yoongi fazendo-o olhar para nós.

— Meus parça! Vocês vieram, ah! – levantou-se nos abraçando –Por favor, me digam que vão ficar até terminar tudo. Essa casa fica uma bagunça no final.

— É por isso que está ajuntando lixo? – Taehyung tentou tocar uma das latas, ação que foi imediatamente repreendida pelo o ruivo.

— Não! Você não pode! – a cara emburrada – Vai atrapalhar meu ritual.

— Ritual?

— Sim, o meu... – balançou uma mão – Esquece, você não entenderia. Logo porque, você! – apontou o dedo no rosto do acastanhado – Também está na lista.

Hoseok encarava Taehyung, este me encarava esperando que eu tivesse uma explicação e Yoongi ao meu lado escutava tudo atentamente também esperando de mim algum argumento.

Suspirei. Eu odeio segredos mais que tudo.

 Por mais que eu soubesse o que o ruivo queria dizer com todos esses disparates em sentido, eu não tinha o direito de interferir em seus assuntos. Isso me fazia guardar o segredo de Hoseok – que era o certo – porém omitia informações aos meus outros amigos, me deixando como o meio dos dois lados.

Engraçado como tudo no mundo que envolvesse omitir e guardar informações acabavam me encontrando mesmo eu detestando. Massageei a nuca e fui à busca de uma bebida deixando-o sem dizer uma palavra.

No bar – o que era o balcão da cozinha – estava Chanyeol. O garoto usava óculos de armação preta redondinha e no momento preparava um drink.

—Hey – sentei me no banquinho.

— Jimin – sorriu tímido – Vai querer alguma bebida?

— Com certeza.

Ele já estava preparando quando o parei notando o que faria.

— Na verdade quero algo um pouco mais forte hoje, pode ser?

— Claro. Saindo – e pegou a garrafa de vodka.

Em poucos segundo eu tinha meu copo nas mãos.

— Você é barman da noite?

— Qualquer dinheiro é bem vindo – sorriu – Não vai dançar? – falou com o cotovelo encostado e a bochecha descansando nas mãos.

— Provavelmente não.

— Por que? Ninguém em vista?

— Ah, não – neguei – Posso muito bem dançar sozinho sem problema. Só não estou muito no clima.

Dançar sem ser acompanhando nunca foi um problema. As pessoas tinham um problema de muitas vezes só quererem cair na pista se fosse com alguém. Comigo não.

Meu bem, tenha um corpo, tenha um copo e dance.

Simples.

— Dia difícil, então?

Preparei-me para negar com um “Está tudo bem”, todavia desisti.

— Não só o dia – bebi mais um gole – Parece que nos últimos anos as pessoas só tem mentido pra mim.

— Essas pessoas são importantes para você? – o garoto me encarava atento como se conversar comigo fosse a coisa mais interessante da noite.

 — Sim – respondi pensando imediatamente no rosto cansado da minha avó quando a mesma saíra do meu quarto na noite de ontem.

— Às vezes mentir não é de todo ruim. Existem ocasiões até que mentir é essencial.

— Eu sei, mas – levantei – Existem muitas outras que ser sincero é bem melhor.

Fui em direção a pista pensando se deveria chamar Chanyeol, porém acho que ele não poderia simplesmente sair sem ninguém para tomar conta das bebidas.

Ao som de alguma música desconhecida, mas animada o suficiente me soltei na multidão. Perdi a conta de quantos copos enchi nesse meio tempo.

Meu sangue já estava quente e parecia que todas as músicas haviam se tornado uma só.

Quando a quinta música terminou avistei Yoongi e ao seu lado estava Jisoo com suas mechas curtas rosadas. Fui na direção dos mesmos.

— Hey – falei.

O Min me olhou observativo por um instante parecendo duvidoso sobre algo.

— Jimin, você... – pressionou os olhos chegando mais perto.

— Quer me beijar? – sorri.

— Meu deus...  – afastou-se – Ji, ache o Taehyung e manda ele vim aqui.

Ji? Hmm, estão íntimos assim? - falei vendo-a se afastar.

— Jimin, em todos esses anos da minha vida eu jamais pensei que fosse ver uma cena dessas.

— Hm? Que cena? – olhei em volta.

— Essa cena – apontou em minha direção – Park Jimin, aquele que não embebeda, finalmente bêbado!

Depois de 3 segundos o encarando me acabei em risos.

— O que? Eu bêbado? – essa era a piada mais engraçada que eu já tinha ouvido em toda minha vida, certeza – Eu não fico bêbado, hyung. O máximo que eu fico é levemente tonto.

— Bom, parece que dessa vez não. Tá até me chamando de Hyung. O que o fez perder sua tolerância , ein? Mais cedo vi você e o Chanyeol conversando.

— Chanyeol é apenas um bom amigo – respondi levando outro gole a boca – Ele é muito novo.

— Novo? – estranhou – Pelo o que eu sei ele tem sua idade.

Novo – repeti sem mais explicações – E você e a Ji?

— Até você? – me olhou entediado.

Como Taehyung não chegava, o Min negou continuar aquela conversa e pôs-se em procurá-lo.

Na sala do andar de cima estava Hoseok e claro, completamente bêbado.

— O que ele tá fazendo?

O ruivo andava falava com um e com outro. Alguns franziam a cara, outros sorriam bêbados e não diziam nada.

Ahm? Eu não sou não, cara – alguns respondiam.

Cheguei mais perto e só assim entendi o que o mesmo falava com a voz embriagada.

Ei, você é o cara da asinha quebrada?

Além de deixar café bem longe de Hoseok, bebidas também era outra ótima opção.

Hoseok chegou perto de outro garoto que tinha acabado de subir as escadas apressado. Esse tinha olhos castanhos, ombros largos contra a camisa escura e os cabelos se encontravam uma bagunça como se tivesse acabado de sair de um daqueles quartos ou de uma briga.

— O que? – estranhou a pergunta do ruivo.

— Você sabe, o da asinha. Eu queria muito beij... – qualquer  coisa que Hoseok fosse continuar calou-se aí.

O homem simplesmente tomou Hoseok nos lábios.

Arregalei os olhos tendo ao meu lado Yoongi tão aturdido quanto eu.

— Que porra é essa?

A voz grossa bem conhecida quase gritou aparecendo de repente.

Taehyung ficou parado entre o ultimo degrau e a entrada do andar superior olhando boquiaberto para a cena.

Balancei a cabeça tentando dispersar o nevoeiro alcoólico e ajustar minha cabeça para lidar com o que quer que viesse a seguir.

— Tae, acho melhor a gente levar o Hoseok pro quarto – falei –Ele esta completamente bêbado e esses idiotas estão se aproveitando da situação.

Taehyung parecia mal me ouvir com a carranca abismada misturada de algo mais. Depois de um momento se obrigou a me fitar.

— Todos os quartos estão ocupados, você sabe – respondeu.

— A gente expulsa, o quarto é dele e no momento o melhor seria uma ducha e dormir.

— Eu duvido que abram e nessa zoada do que vai adiantar? Acho melhor levarmos ele para outro lugar.

— Minha mãe vai surtar se eu levar Hoseok bêbado pra casa – falei.

— Pode ser na minha casa – se pronunciou pela primeira vez o Min.

— Ótimo – disse Taehyung e já parecia ter retornado seu natural humor.

Esse era outro ponto maravilhoso de ser amigo de Kim Taehyung. Dificilmente ele levava brincadeiras a sério, raramente suas tretas eram sinceras e quase nunca você o veria com uma carranca raivosa. Ele dizia odiar ficar estressado, pois envelhecia mais rápido.

Olhei para trás e Hoseok junto ao garoto já tinham se separado.

O ruivo parecia revoltado.

— Seu mentiroso! Não é você!

O garoto olhou confuso dando de ombros e se perdeu em um dos corredores sem olhar nenhuma vez em nossa direção. Só assim Taehyung saíra do seu lugar e se aproximou.

— Hobi, acho que já deu por hoje – puxou Hoseok – Vem.

Yoongi foi na frente com a chave do carro nas mãos e nós levamos um Hoseok bêbado até onde estava estacionado seu automóvel.

— MinMin, TaeTae e ChimChim – cantarolava Hoseok – Se eu descobrir que foi um de vocês... – soluçou – Eu juro que mato. Podem esquecer que eu existo também.

Como todos os outros estúpidos comentários da noite, nós apenas o ignoramos.

A casa de Yoongi era na mesma rua que e a minha. As luzes apagadas indicavam que sua família já estava dormindo.

— Dona Min!

— Cala a boca, Hoseok! – exasperou-se Yoongi – Não precisa acordar o bairro todo!

— Malvado – fez um muxoxo.

O loiro foi na frente e ligou as lâmpadas abrindo caminho até seu quarto.

O quarto de Yoongi era parcialmente arrumado se você ignorasse a cama com os travesseiros e lençóis avulsos. As paredes decoradas com discos antigos davam um clima vintage em tudo.

— Não quero dormir! – empurrou os cobertores – Essa cama não é minha!

Suspirei.

— Hobi, me ajuda a te ajudar. Pelo menos tira esse tênis e cala essa boca.

O ruivo me ignorou e colocou as mãos na cabeça tampando os ouvidos.

— Ah, não. Por que tudo tá rodando? Será que eu virei uma lavandeira?

— Meu deus, ele tá insuportável – Tae repuxou a tez sem paciência.

Parecendo querer provar mais ainda, o ruivo se levantou das cobertas e começou a correr no quarto, o que acabou derrubando alguns dos discos da parede.

Yoongi vendo a cena pareceu que daria um infarto.

— Hoseok! Para de correr agora ou eu juro que vou jogar você no sótão e jogar a chave fora, porra!

Hoseok parou pensativo cogitando se o Min estava realmente falando sério e pelo a expressão do loiro eu não duvidava. O Jung havia acabado de derrubar seus preciosos discos!

Eu no lugar do Hobi estaria me tremendo de medo, pois eram raras as vezes que o loiro levantava a voz com alguém e principalmente se fosse com um de nós.

Normalmente nada abalava sua paz de espírito. Tirando as implicâncias de Taehyung, é claro.

Demorou alguns minutos depois do grito do Min, então Hoseok resolveu que estava suficientemente cansado e se deixou cair na cama.

— Finalmente esse idiota dormiu – falou Taehyung depois de colocarmos o ruivo na cama.

— A Dona Min não se importa, certo? – questionei Yoongi.

— Não – respondeu – O máximo que ela vai fazer é brigar comigo por não ter avisado que ia trazer um amigo pra ela preparar um café da manhã.

— A gente vai indo, então. Quando Hoseok acordar nos avise, darei uma bronca nesse idiota – falei.

Antes de chegarmos a porta, o Min chamou Taehyung e disse alguma coisa que pela a distância não pude escutar. Após isso o acastanhado apareceu me jogando um olhar engraçado como se estivesse me vendo pela a primeira vez na noite.

Resolvi não perguntar.

Como minha casa era perto, eu e Taehyung fomos a pé. No caminho o convenci a dormir lá em casa, pois estava muito tarde.

— Vamos tentar não acordar ninguém, certo? – sussurrei abrindo a porta – Então nada de ir pra cozinha. Direto pro quarto.

Taehyung protestou estar com fome e subiu as escadas mesmo assim.

Sem o acastanhado para fazer uma bagunça, rapidamente preparei dois sanduíches e os levei para cima.

— O que está fazendo? Tira o tênis antes de subir na cama, seu porquinho – briguei.

— Seu quarto é tão arrumado que me dá agonia, céus – resmungou mordendo um pedaço do sanduíche.

Revirei os olhos e continuei calado.

— Acho que o nível não foi alto suficiente – disse como se estivesse falando sozinho.

— Ahm?

Taehyung sorriu largo.

— Yoongi me disse. Você tava bêbado.

— Não tava não – me defendi – Ele só disse isso porque tava todo de papinho com a Ji, e não queria que eu falasse nada.

Ji? Estão assim? Eu não disse que tinha caroço nesse abacate!

— Tenho quase certeza que o ditado não é esse – observei.

— Não importa – respondeu – Agora fala.

— Falar o que?

O acastanhado me olhou impaciente antes de colocar o prato na mesinha ao lado.

— Primeiro: festa em plena quarta – levantou um dedo – Eu sei que você se amarra numa festa Park, mas chamar a gente do nada pra uma no meio da semana não combina com você. Segundo: você ficou embriagado, coisa que só acontece quando você tá muito puto ou muito chateado com algo.

— Eu não fiquei...

— E temos claro o fato de Yoongi não ligar pra essas merdas ao ponto de criar fofoquinha pra mim – finalizou – Objeções?

Suspirei derrotado.

— Eu só tô... – joguei-me na cama – muito cansado.

— Ainda é o lance do fantasma? – perguntou olhando-me de cima ainda sentado.

— Pela milésima vez, ele não é um fantasma e não. Não é ele a raiz do problema dessa vez.

Na verdade desde ontem tenho evitado até mesmo pensar no mesmo em motivos diversos. Mal peguei novamente naquele livro que ele me dera.

Taehyung me escutou enquanto eu dizia sobre a desastrosa conversa da noite anterior e como partiu meu coração ver minha avó com nuances e palavras que jamais pensei que fosse ouvi-la dizer. 

— Se ela começar a se considerar uma louca, então... – continuei enquanto mirava o teto – Então que diferença isso faz de mim também?

— Ei – encostou-se com um dos braços – Você não é louco. Sua família está escondendo algo muito grande de você e é de total direito seu querer descobrir – fez uma expressão curiosa – Já que sendo democrático não funcionou o que acha de mudar as rédeas?

— Como assim?

— Você não têm outra maneira de descobrir sem precisar ser da boca de algum deles? – explicou – Não lembra de nada que possa te ajudar?

— Não. Desde criança mamãe e vovó sempre foram discretas em conversarem aqui em casa.

— Oh, povo complicado da porra. Nunca vi pra que tanto segredo – bufou – Até parece que você é o próprio Harry Potter!

Mesmo chateado era impossível não dar risada de qualquer coisa que Taehyung falava.

— Daqui a pouco vão te prender no sótão!

— O Harry Potter não ficava no sótão, Tae! Como pode não saber disso? Era debaixo da escada – sorri.

Tae continuou jorrando palavras animadamente. Todavia nesse momento, enquanto meu riso cessava e meu olhar ainda fitava o teto, um raio de lembrança derramou como tinta sobre a tela branca do meu consciente.

— Qual diferença faz? Vocês poderiam ser irmãos! Vamos testar! Pega uma vassoura...

— Tae! – o interrompi me levantando – Tae, na verdade tem algo.

— Ai meu deus, vocês realmente são irmãos? – olhou-me estupefato.

— Não, olha, me escuta – tomei sua atenção – Quando eu era criança, tipo bem pirralho mesmo, lembro de uma vez enquanto eu brincava, acabei deixando minha bolinha de bilhar acertar na janelinha do sótão. Depois de quase morrer de chorar resolvi subir e pegá-la de volta. Até ai tudo bem, só que eu mal pude entrar e minha mãe praticamente surtou.

— Surtou? – o acastanhado envolvia-se com a história.

— Sim. Nesse dia foi a primeira vez que vi ela e minha avó brigando feio. Não lembro direito, mas sei que fiquei muito assustado e chorei muito. Mamãe bradava que vovó deveria caçar outro lugar e na hora eu até pensei que ela estava mandando-a embora. Nem preciso dizer que chorei mais ainda.

— Tá, e ela tava fazendo isso mesmo?

— Pensando bem, não. Ela não tava – minha cabeça começava a encaixar algumas peças – Não foi normal, Tae. Minha mãe poderia ter surtado por ter quebrado todas as janelas junto às do sótão, mas não foi isso que aconteceu. Ela surtou com vovó e não comigo por causa daquele sótão!

Era revigorante conseguir desvendar desfechos até então incompreendidamente esquecidos. Há anos que a existência dessa ocorrência havia simplesmente sido ignorada em meios a outras estranhas situações. Porém essa era especial, pois pela a primeira vez o que quer que estivesse sendo escondido, estava bem perto.

Há poucos metros a cima da minha cabeça.

— Tá esperando o que? – Taehyung falou depois de absorver minhas palavras – Vamos entrar nessa merda e descobrir o que tem lá dentro.

. . .

Fechado. Como eu esperava.

Eu acreditava fielmente que há anos ninguém sequer havia ido nessa parte da casa, logo achar a chave seria um problema.

— Onde a Dona Park esconderia a chave do mundo secreto? – a voz do meu amigo saia sussurrada. A ultima coisa que queríamos era destruir o plano sem nem mesmo começarmos.

— Mundo secreto?

Alô, Coraline? – me olhou revoltado – Serio que você nunca assistiu Coraline?

— Claro que já assisti Coraline – soltei o ar – Taehyung, fala menos pelo amor de deus.

O mais alto levantou as mãos em rendição e fingiu calar-se.

— Fica aqui. Vou tentar num lugar.

Enquanto descia as escadas evitei até mesmo respirar alto. Antes de empurrar a porta pedi a todos os deuses existentes que a mesma não rangesse um grito igual aos filmes de terror.

Felizmente ela não fez e eu me arrastei para dentro.

Dona Park dormia profundamente com seu lençol azul escuro até os quadris. Olhei de um lado para o outro no escuro e revolvi ascender a tela no meu celular para pelo menos iluminar a cômoda a minha frente.

Qualquer chave que eu achasse, pegaria. No entanto, em toda a extensão de madeira só havia seus perfumes, remédios e livros.

Nada de chave em lugar algum.

Antes de desistir daquela loucura resolvi testar uma maior ainda. Arriscar-me em abrir uma daquelas gavetas.

Provavelmente iria soar algum som enquanto eu as puxasse, mas eu me sentia corajoso o suficiente para tentar. Infelizmente ou felizmente, minha avó não roncava o que dificultava eu notar se a mesma estava acordava ou não.

Pus os joelhos no assoalho e relaxei as mãos o máximo que pude.

Olhei em direção a senhora ao meu lado e seus olhos continuavam fechados no mundo dos sonhos. Decidido puxei alguns centímetros da gaveta.

O arranhar fino assustou-me

No mesmo momento abaxei-me mais perto da cama e esperei sua voz apresentar-se, mas não veio. Aguardei para ver se ela realmente ainda dormia então só assim voltei à ação.

Com a gaveta totalmente livre para a tela do celular iluminar, empurrei algumas caixas de remédios e bijuterias para as laterais. Quase me desanimei em novamente não ter achado nada consistente, porém senti um molde bem familiar no fundo da caixa de madeira.

Era uma chave.

Já escurecida e empoeirada pelo tempo, parecia que ninguém reconhecia sua existência há anos. Limpei-a rapidamente e a enfiei no bolso da calça.

Achei que fechar a gaveta seria outra tortura nervosa, porém soou apenas um baixo rangido selando-se.

Limpei o suor que já começava a descer na testa e com passadas rápidas voltei até o andar de cima.

— Caralho, pensei que tivesse morrido! – Taehyung estava impaciente – Achou alguma coisa?

Mostrei a chave.

— Se não for isso, não sei o que pode mais ser.

Taehyung se afastou e eu subi num banquinho que tinha no corredor. Os primeiros giros da chave estavam duros pelo o tempo que até pareceram ser o encaixe errado. Com um track oco senti um peso maior em minhas mãos.

Segurei a escada que começou a descer com o liberamento e levemente a deixei livre. Por sorte, a mesma não tocava diretamente no chão.

— O medo bateu agora – meu amigo murmurou enquanto mirava a escuridão a cima de nossas cabeças.

— É só um sótão, pelo amor de deus – revirei os olhos – Pra quem tava todo animadinho você parece que vai amarelar.

— Jamais – encorajou-se ofendido – Se tiver um Voldemort aí, você é muito pequeno para lidar.

— Eu vou te bater – ameacei e comecei a subir na escada empoeirada.

Lá em cima um breu negro se estendia por todo o local. Dessa vez não só a tela do meu celular iria ser suficiente então liguei a lanterna. Logo Taehyung também subiu e ligou a sua.

— Olha só, ser baixinho tem seus privilégios – sorri maldoso em sua direção.

Taehyung parecia desconfortável enquanto precisava inclinar um pouco sua coluna para baixo.

— Ok, mas cadê o Voldemort?

Também me perguntava isso. Não exatamente nessas palavras, mas no sentido em que esperava encontrar alguma coisa bizarra aqui em cima.

Todavia só havia caixas velhas e poeira por todo lado.

Taehyung, encorajado em não ter nada bizarro o suficiente deu o primeiro passo.

— Aqui só tem tralha, Jimin – passou o dedo em uma das caixas, logo o mesmo voltou como uma tinta cinzenta.

Eu não entendia. Se era só isso, então por que toda aquela confusão naquele tempo? Por que exagerar com algo tão simplório?

— Não – falei – Tem que ter alguma coisa importante aqui.

O mais alto não retrucou e afastou-se em direção para uma das caixas e eu tentei iluminar em todo aquele véu sujo as outras em busca de algo que até agora eu sinceramente nem sabia o que era.

Sufoquei uma tosse alta e me abaixei. Dentro desta tinha papéis antigos extremamente desbotados. Alguns quando se tocava eles chegavam a se partir. Porcelanas amareladas e mais papéis.

Abri outra. Essa estava mais lacrada que as outras, então o estado não era tão degradado. Nessa havia alguns livros em uma língua desconhecida para mim e alguns jornais.

Jornais pelo o que pareciam extremamente antigos.

— Aqui realmente não tem nada, Jimin. Vamos descer  – Taehyung revirava entediado a poeira nos pés.

Pelo o que parecia ele estava certo. Infelizmente. Coloquei as mãos nas laterais da caixa já fechando-a quando no caminho do ato as mesmas estagnaram.

Era uma coincidência. Só podia ser.

Não tardei em voltar a abri-la rapidamente e puxei para fora todos aqueles livros que até então atrapalharam uma visão evidentemente clara do que havia de conteúdo no fundo.

Um nome. Apenas um nome perdido escrito em letras maiúsculas e negrito foi capaz de puxar novamente minha atenção.

— O que você achou? – meu amigo ajoelhou-se ao meu lado – Oh, um jornal mais antigo que nossas avó juntas. Muito interessante.

— Olhe a data e a manchete – já podia sentir o peito subindo rapidamente.

Nem as letras arranhadas me impediram quando com um engulo seco, eu comecei a ler as antigas palavras gravadas no papel.

 


31/10/1828

É Samhain e a pergunta que fica é: Novamente o assassino de jovens mulheres atacará novamente?

Não é novidade para ninguém que há algum tempo Huisang vem sofrendo crimes hediondos sem explicação. Jovens presas a rochas largas ou árvores com seu peito atravessado por lâminas são cruelmente mortas em noites de Samhain.

Huisang precisa de uma colheita prospera e pacifica visto tempos tão perturbados.


.


31/10/1831

Massacre dos Jeon

O filho da respeitável família de Huisang assassinou brutalmente a irmã, o noivo da mesma e o  melhor amigo em uma espécie de ritual satânico nessa noite de Samhain.

Jeon Krystal que estava prestes a se casar com Hwa Jung Soo, foi encontrada amarrada firmemente a uma pedra na floresta com uma lâmina empurrada em seu peito. Seu noivo e o amigo também foram esfaqueados.

Jeon Jungkook, não fora encontrado em lugar algum o que indica crime seguido de fuga. A natureza por trás dos motivos ainda não fora esclarecida. Todavia há comentários que o mesmo parecia não aceitar seu noivado acarretando intrigas e discórdias com a irmã. Muitos diziam que havia muito ciúme desnecessário por parte do mais velho.

Se algum cidadão o ver avise imediatamente as autoridades. Jeon Jungkook é um cruel e impiedoso assassino no qual deve pagar por seus crimes a todo custo.

 

 


Notas Finais


Residência Jeon bateu 100 fav!!!!
Eu tô muito feliz, sério. Quando comecei a escrever nem esperava que fosse ter td isso kk Obrigadaaa
Enfim, me digam o que acharam do cap. Tenho ctz que alguns bugs ocorreram kk
Hoje eu ainda posto no perfil @Hijujikookk a thread de como imagino os principais personagens
BJU


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