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História Resident Evil - a Invasão - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


Enfim chegamos à reta final da nossa história... será? A partir daqui, os caminhos se separam, nossos amigos/aliados agora tem outros desafios pela frente, um inimigo em comum. Será que irão ficar bem?

Boa leitura a todos.

Capítulo 12 - Agora tudo vai mudar! - Epílogo


Fanfic / Fanfiction Resident Evil - a Invasão - Capítulo 12 - Agora tudo vai mudar! - Epílogo

Por Gisinha Winchester

Trinta de outubro de 2006: sete e meia da manhã (e um resumo das últimas cinco semanas após o incidente em Raccoon City).

(reportagens)....

“Um vídeo amador que chegou às primeiras horas da manhã a nossa redação, mostrando cenas do que aconteceu em Raccoon City, responsabilizava a Umbrella Corporation pela morte de pessoas inocentes. Segundo testemunhas, que preferem manter em sigilo suas identidades, afirma-se que a autora do vídeo foi uma âncora do canal Raccoon 7, Terri Morales...”

     .....

“O vídeo era uma farsa! Está totalmente desacreditado!”.

.....

“O vídeo não passava de uma brincadeira sem graça com a verdadeira tragédia em Raccoon City!”.

....

“Um reator da usina nuclear atingiu o ponto crítico ao amanhecer, causando o maior desastre nuclear desde Chernobyl, em 1986.”

.....

“O governador agradeceu a prontidão com que a Umbrella Corp. cuidou do caso. Os autores do trote, Christopher T. Redfield e Jill Valentine, estão sendo procurados para investigação policial!”

(e as reportagens prosseguem....)

(uma semana após os eventos em Raccoon City, o presidente dos EUA se pronuncia...)

"No dia 28 de Setembro, uma tragédia se abateu sobre a cidade de Raccoon City. Uma epidemia sem precedentes assolou a pequena cidade, infectando todos os seus 100.000 habitantes. Por mais que se tentasse salvar o maior número de pessoas possível, o resultado foi a total infecção, que alcançou níveis críticos, tanto que, ao amanhecer do dia 29, um míssil nuclear foi lançado as 5 h  e 57 min, com o objetivo de destruir completamente a infecção.

Toda a Nação lamentará e chorará as vidas dos 100.000 habitantes de Raccoon City, nos solidarizamos com suas famílias... Raccoon City e seus habitantes ficarão para sempre em nossos corações.”

(.......)

Enquanto assistiam ao noticiário exibido na pequena tv em cores, Carlos e Abby tomavam o café da manhã, o cheiro adocicado dos waffles preparados por Carlos e o café nas xícaras perfumando a pequena cozinha. Entre os intervalos regulares feitos pelas garfadas e goles rápidos de café, Abby acompanhava as noticias, que eram exibidas demasiado rápido para alguém que ainda estava se recuperando de uma experiência traumática e aterrorizante para ambos.

“Além das imagens forjadas por Valentine e Redfield, um vídeo com denúncias de uma ex-funcionária da Umbrella Corp, Alice G. Thompson, que alegou ter sido chefe de segurança da corporação, está sendo analisado pela promotoria. Além de corrupção, produção e venda ilegal de armamento biológico, ela acusa a empresa de fazer experiências genéticas com várias mulheres dentro da empresa, a fim de encontrar uma hospedeira para um dos projetos da corporação, o programa Prometeus, cujo objetivo era criar soldados geneticamente melhorados, através do condicionamento e alteração do DNA humano. Se comprovadas as denúncias, a Umbrella Corp. sofrerá o maior processo da história...”

“Ainda sobre o caso Thompson, o promotor vai abrir processo contra a Umbrella Corporation, após assegurar a veracidade das denúncias feitas pela ex-agente...”.

- É muito fácil falar quando não se sabe o que realmente aconteceu. – disse Abby, por trás da xícara de chá.

- Eles só estão divulgando uma parte da verdade – Carlos trouxe uma bandeja de waffles e uma tigela de cereais para a mesa – os projetos, os clones, as armas virais, isso é só a ponta do iceberg... O problema é o resto...

- Você sabe de muita coisa? – inquiriu Abby à queima-roupa. O delicado pingente da Hello Kitty reluzia no colo da jovem.

- Só o que interessava a eles – Ele encarou a filha – sou mercenário, filha, servia aos interesses da empresa por um tempo (Carlos deu um profundo suspiro), mas, logo seria descartado. O ideal é que não se saiba muito.

A garota suspirou, desalentada.

- E a Alice ainda está desaparecida - o promotor ainda dava entrevistas no noticiário – Papai... Vai dar tudo certo, não é? Vocês vão conseguir resgatá-la?

- Não sei, querida, espero que sim.

- É – a garota sorriu, pondo as mãos na nuca. – acho que a gatinha vai te acompanhar de novo. Só espero que a Alice não fique com ciúmes dela.

- Por que diz isso? Ora essa, ciúmes!

- E porque não? Não é você que fica com os olhinhos brilhando só de falar no nome dela? – Abby sorriu ao ver o padrasto vermelho – Olha só! Eu não disse?

 - Pare! – Carlos abraçou a enteada, rindo muito.

- Boa sorte, pai. – a jovem aninhou-se nos braços o padrasto.

- Obrigado, princesa... Obrigado.

********

12 de Outubro: Nove e meia da noite (duas semanas atrás).

Em meio aos vários litros de água que ocupavam um imenso tanque, uma mulher esguia e muito loura descansava placidamente, as bolhas ocasionais que subiam ao respirador, mostrando uma respiração leve e tranquila, uma calma maravilhosa, semelhante apenas ao período passado no útero materno.

Esse sono manso e suave durou várias horas (ou dias, não havia como precisar o tempo), até que uma voz suave e melodiosa chamou seu nome.

“Alice!... Alice!” Chamava a voz, “Alice, acorde!”.

De repente, ela abriu os olhos, entrando em pânico ao observar a sua volta, a água fazendo-a piscar várias vezes até a visão se acomodar, quando um homem de jaleco branco se aproximou do tanque onde a loura estava mergulhada, avaliando a mulher, como se estivesse diante de um espécime raro. Ainda nervosa, ela pôs a mão no vidro do tanque. Em resposta, ele apenas a avaliou outra vez.

“Consegue me ouvir?” Ele perguntou.

Alice apenas piscou em resposta, os olhos ainda incomodados com a água.

“Entende o que eu digo?” Ele perguntou novamente.

Em resposta, Alice pôs uma das mãos no vidro, meneando a cabeça afirmativamente.

“Ótimo”.

Dando as costas para ela, o homem passou a dar instruções às pessoas ali presentes, entre cientistas e pessoal de apoio que auxiliavam na observação da mulher.

- Comecem a drenagem! – concluiu ele, voltando-se para Alice.

Um estampido e a água sendo drenada assustaram a ex-agente, que olhava para todas as direções, tentando capturar cada rosto que a observava. Acostumada há tanto tempo com o corpo imerso, um frio enregelante começou a tomar conta dela, enquanto vários acessos de tosse acometiam o corpo aparentemente frágil.

Deitada no vidro gelado do tanque, agora aberto, Alice tossia sem passar, tentando levantar, para deitar-se logo em seguida, enfraquecida pelo esforço. Com uma enorme manta branca nas mãos, o homem, aparentemente um médico, cobriu-a, enquanto estendia a mão, ajudando a mulher a sair do tanque.

- Dr. Isaacs, ela...

- Eu sei. – tornou o cientista, olhando-a fascinado.

Apoiando-se no braço do dr. Isaacs, enquanto tentava manter o pouco equilíbrio que conseguia recuperar, Alice ainda olhava para todos os lados, quando ela tentou balbuciar algumas palavras.

- Sim? – tornou Isaacs, ainda encarando ela.

- O-onde...? ... O-onde...?

- Onde você está? – Isaacs ainda segurava o braço de Alice quando a encostou na parede, tocando com delicadeza os ombros alvos como porcelana – Está salva.

Ainda observando a mulher, ele começou a examiná-la, enquanto um enfermeiro começou a tomar notas em uma prancheta, olhando-a de perto. Tomando a prancheta e a caneta do rapaz, Isaacs estendeu-as nas mãos claras de Alice, que apanhou tudo com avidez.

- Quer tentar? – o cientista contemplava a mulher a sua frente, os olhos brilhando de ambição, encantado com cada mínima coisa que ela conseguia fazer, cada reflexo, cada gesto. Ainda contemplando os gestos dela, ele voltou a examinar o rosto da mulher, tentando ver alguma coisa que pudesse ter passado despercebida.

- Você lembra do seu nome? – a pergunta veio acompanhada de um olhar distante de Alice – Lembra-se de alguma coisa? Qualquer coisa?

Os olhos azuis passaram a procurar algo, enquanto a mente voltava a trabalhar.

- M-meu nome... M-meu n-n-nome...

- Isso, procure se lembrar. – afastando-se de Alice, Isaacs voltou a dar ordens para a equipe no laboratório.

- Quero resultados dos testes de hora em hora – ele falava aos outros como a batuta de um maestro – quero hemogramas atualizados – Ninguém reparou em um acesso de quase desmaio atrás de Isaacs e dos colegas – exames químicos e de reflexos são uma prioridade.

Enquanto eles falavam entre si, Alice começou a sentir vertigens, as lembranças tomando conta da mente dela. Lembranças marcantes, como o rosto de Matt, ainda muito vivo em sua memória, Carlos, Jill, Angela, Terada, Claire, Leon, Chris, Sherry, Abigail, Beckie, morta tentando ajudá-la... Ela própria... A filha Rika. O rosto da filha foi mais que suficiente para a memória voltar e confrontá-la, com uma única realidade: agora ela era refém e cobaia da Umbrella.

Durante esse meio tempo, um dos rapazes diante do computador analisando os dados sobre a recuperação de Alice percebeu a mudança brusca, tanto nos batimentos cardíacos, como nas ondas cerebrais e ele resolveu chamar a atenção do chefe.

- Dr. Isaacs!

- O que foi? – Isaacs voltou-se zangado para o assistente, espantando-se ao ver sua obra-prima encará-lo, séria, como que esperando sua atenção.

- Meu nome... É Alice... E eu me lembro de tudo. – depois disso, tudo foi muito rápido. Com a caneta na mão, a loira conseguiu render um dos assistentes que faziam a observação e golpeou ele e vários outros, tentando ganhar a liberdade. Ao tentar impedi-la, Isaacs foi arremessado em cima do tanque onde Alice fora mantida em suspensão. Um agente que estava incógnito ali atingiu a mulher com uma arma de choque que sequer a fez cambalear. Um pouco desapontada com a reação óbvia, Alice pegou as balas eletrizadas, arremessando-as na direção do agente que caiu no chão, eletrocutado.

Ganhando a liberdade, Alice saiu pelos corredores da instalação, ansiosa para encontrar a saída. Ao chegar em uma área aberta dentro do complexo onde estava, uma reação inusitada fez com que ela parasse diante de uma câmera de vídeo instalada perto da porta que levava a saída do prédio. De repente, sentiu-se observada, encarando a câmera, como se desse modo pudesse apagar qualquer vestígio de sua presença ali. Com um arrepio, Alice sentiu como se tivesse matado alguém e, como esse mesmo arrepio, ela escancarou a porta do complexo, ignorando totalmente a existência de um homem esparramado no chão, uma poça de sangue enegrecido tomando conta do centro de controle.

 Diante do complexo, Alice fora recebida por nada menos que quinze pontos vermelhos mirando seu tronco e o engatilhar de várias metralhadoras prontas para disparar. Quando dois soldados do complexo ameaçavam aproximar-se de Alice, um carro com a logo da Umbrella estacionou diante do cerco, a porta traseira sendo aberta por uma jovem mulher de cabelo curto castanho-claro.

- O controle agora é nosso! – tornou a jovem com autoridade, seguida por um homem de terno, uma braçadeira vermelha com o logo da corporação, que erguia uma identificação para um dos agentes. Chegando perto de Alice, ele estendeu uma manta negra para ela, aquecendo-a e levando-a para o carro. Embarcando no veículo, Alice deparou com todos os amigos: Leon, no volante, sorria para ela. Jill sentou-se ao seu lado no banco de trás. Carlos, a correntinha delicada de Abby reluzindo no pulso, voltou-se para olhá-la, no banco do carona, enquanto Angie e Sherry se erguiam do bagageiro para contemplar a amiga.

- Oi, Alice! – começou Sherry, a vozinha esganiçada.

- Tudo bem com você? – perguntou Angie.

Alice sentiu-se muito mais aquecida com isso do que com aquela manta ao redor dos ombros. O olhar dos amigos, e provavelmente da filha e do genro quando os visse de novo, era mais do que o suficiente para fazer um leve sorriso aflorar nos lábios. O olhar quente nos olhos castanho-chocolate de Carlos a fazia desviar o rosto, um rubor suave colorindo as faces. Sorte sua poder controlar as emoções mais inconvenientes...

- É bom ter você de volta. – o olhar de Carlos foi mais intenso ao dizer essas palavras.

- O que fizeram com você? – Jill perguntou, avaliando a amiga, os olhos azuis cheios de preocupação.

O nó na garganta impediu que ela falasse. Alice optou pelo silêncio.

Quando chegaram a uma guarita, o vidro elétrico desceu, permitindo a Carlos mostrar a identificação usada para resgatar Alice. Não passaram muitos segundos antes que a carteira falsa fosse devolvida e o grupo pudesse seguir viagem. Já na estrada, todos falaram ao mesmo tempo.

- Você nem acredita o quanto foi difícil te achar – L.J. contava, um sorriso de triunfo. – foram semanas procurando, até acharmos esse complexo aqui em Detroit – ele apontou o prédio mais atrás – mas, enfim, conseguimos!

- O pessoal vai ficar feliz em te ver – Leon deu um sorriso enviesado, pensando em Claire. O sorriso acentuou ainda mais o visual meio emocore, a franja loiro-escura na cara, ocultando-lhe parcialmente o olho direito. Os olhos cor de gelo brilhavam, marotos.

- Você lembra do tempo que ficou apagada? – tornou Jill, preocupada.

- A Abby vai ficar tão feliz! – falava Sherry – o quarto dela é irado! Só bicho de pelúcia, bonecas, tudo que você possa imaginar e olha que ela nem é mais adolescente pra ter tudo isso. Você tem que ver o quarto por si mesma, é muito legal!

GULP!

Todos observaram o rosto de Angela ficar pálido de repente.

- O que foi, Angie? – perguntou Sherry.

A menina ficou engasgada (a expressão de nervosismo provocou alguns risinhos). Ela olhava sugestivamente para Jill e Alice, as únicas mulheres adultas no carro.

- Angie? – Jill voltou-se para olhar a menina. Alice ficou levemente corada. Isso deixou Angie ainda mais constrangida. – Angie? O que foi?

- Fala logo, pirralha. A gente tá envelhecendo aqui dentro! – Tornou Leon, debochado.

Quando finalmente estacionaram o carro na frente de uma casa azul com uma frondosa macieira na frente, todo o grupo foi recepcionado por Claire e Abby, que ajeitaram toda a casa para receber e acomodar Alice. Assim que abriram a mala do veiculo, Angela disparou para dentro de casa feito um raio, passando despercebida a todos, menos Alice e Jill, que, aparentemente, pensavam a mesma coisa, até que a loura encontrou os olhos escuros de Abby, que parecia meio atordoada com a atitude da garota. Percebendo tudo, Jill sorriu para a amiga.

- O que acha?

Com um olhar de esperança nos olhos azuis, a loira retribuiu o sorriso.

- A vida continua...

Minutos após a fuga relâmpago de Angie, Abby trocou uns olhares estupefatos com Sherry, que parecia tão surpresa quanto a jovem.

- O que foi que aconteceu?

- Não sei, não. – tornou Sherry – Eu falava do seu quarto para a Alice, dos bichos de pelúcia e tudo... Até fiz um “comentáriozinho” – os olhos castanho-piche se estreitaram, maldosos – mas foi só eu mencionar os bichos de pelúcia, ela começou a passar mal e ficar com cara de zumbi!

Claire começou a rir das duas, as bochechas rosadas acentuadas com as covinhas. Os olhos de água marinha começaram a lagrimar com o riso.

- O quê? – Abby e Sherry olhavam, abismadas, o riso da amiga.

Recompondo-se um pouco, a jovem se aproximou das amigas para falar, a voz aveludada não passando de um sussurro.

- Relaxem, não tem nada a ver com a pelúcia toda no quarto da Abby. Acontece que, como as coisas, enfim voltaram ao normal (ou quase, tornou ela em pensamento), uma garota tem que, de vez em quando, voltar o pensamento para coisas triviais. – o sorriso maroto endereçado ao rapaz loiro de camiseta preta que trancava a mala do carro deixava isso bem claro para ela.

As duas continuavam a encarar a amiga, ainda sem fala.

- Não acredito! É horrível falar com gente ainda age como se estivesse em Raccoon City! Bah!  - A ruiva saiu pisando duro, marchando aborrecida para a porta da casa azul, não sem antes dar uma piscadela para Leon, que seguia a mesma direção.

Sherry e Abby ainda se entreolhavam.

- O que é que ela tava falando? – a menina falava, sem um pingo de sono – E o que a Alice quis dizer com “a vida continua”?

Abby, de repente, estremeceu e fez uma careta de nojo.

- Arrrrrrgh! Olha, Sherry, que tal a gente ir dormir? Não é por nada, não, mas vocês vão embora logo e quero fazer uma baita festa do pijama com vocês todas, antes que eu me sinta velha demais pra querer fazer isso!

Os olhinhos azuis de Sherry brilharam.

- Festa do pijama? Quando? Vai ser legal, né?

O sorriso de Abby ficou ainda mais largo.

“Carência... Teu nome é Abby!”

 Depois que as garotas entraram em casa e parte das luzes se apagaram, tudo que se ouviu foi um vozerio alegre ecoando pela casa toda.

- Tio Leooooooooooooooonnnn!

- Eca, Patrícia!

- Ei, a minha Patrícia não é pro teu bico!

- E quem disse que eu quero a Patty? Eu quero é a titia dela!

- Ora, seu...

A casa azul se encheu de risos enquanto a noite brilhava quente e estrelada lá fora...

******

13 de Outubro: Sete da manhã

Os primeiros raios de sol banhavam um quarto pequeno, apinhado de bichos de pelúcia por todos os lados. Ainda zonza de sono, Alice abriu levemente os olhos, fazendo um rápido reconhecimento de tudo ao redor dela, observando tudo até deparar com um enorme par de olhos castanho-piche, que observavam-na mais que atentamente.

- Olá. Boa noite de sono? – Abby sorriu ao vê-la erguer-se um pouco.

- Sim. – tornou Alice, desviando os olhos dos da garota. – Onde estou?

- Na nossa casa. – esclareceu a jovem.

- Nossa? – Alice sentiu-se ligeiramente irritada ao ver mais ursinhos ao redor da cama onde estava deitada. Um cachorro de pelúcia causava-lhe um grande desconforto nas costas toda vez que tentava recostar-se no colchão.

- É, nossa. – Abby levantou-se e abriu as cortinas, inundando o quarto todo de luz – Papai saiu com a Jill, não sei exatamente porque. Os dois talvez só voltem para o almoço – a jovem ignorou as caretas de dor que Alice fazia.

- Quando? – um leve espirro denunciou a presença de mais alguém no quarto.

- Há uma hora. – disse Abby, tirando o cachorro de pelúcia de perto da mulher, ajeitando-o entre os outros arrumados perto da janela. Isso fez as duas trocarem um sorriso enviesado.

- Olha...

- Relaxa. – Tornou Abby, sorrindo – A maioria das pessoas só os tolera. Além de mim, a única que gosta deles é a Rika, - Alice sorriu à menção do nome da filha. – Ah, e a Sherry, é claro!

Um segundo espirro atraiu a atenção de Alice, que viu uma massa de cabelos loiros espalhada sobre um enorme bicho de pelúcia, o cobertor cobrindo o corpo inteiro, enquanto que outra menina, aos poucos, sentava-se no colchão improvisado, esfregando com força os olhos.

- Dormiu bem, Angela? – sorriu Abby.

- Agora eu entendo porque eu só tinha bonecas no meu quarto. – Angie espirrou mais duas vezes antes de sentar-se na ponta da cama de Abby.

- Você não disse que era alérgica quando pediu para dormir aqui. – a jovem moveu a massa de fios loiros, revelando o rosto de Sherry Birkin, que ainda dormia, tranqüila.

- Eu não sabia, tá?

- Tudo bem. – sorriu Abby.

Ao ouvir as vozes das duas, Sherry abriu os olhos azuis, tentando em vão protegê-los da claridade.

- F-façam silêncio, p-por favor, sim? – a menina bocejava bem à vontade – e-eu a-ainda tô acordando, tá?

 Os bocejos e resmungos de Sherry provocavam o riso de todas que estavam no quarto. Encostando-se na janela, Abby deu um profundo suspiro, voltando os olhos para Alice.

- Agora tudo vai mudar, não vai? – tornou Abby, muito séria.

Serena, Alice levantou da cama, postando-se de frente para a garota.

- Acredite, não vai ficar pior do que está.

- Será? – Abby olhou pela janela, vendo Leon e Claire se divertindo no jardim, enquanto lavavam uma moto estacionada no jardim da casa – É que vendo vocês falarem todas aquelas coisas me deixa deprimida... Mesmo achando que a gente ainda pode fazer tanta coisa... – Leon voltou a perseguir Claire com a mangueira d`água, encharcando a moça da cabeça aos pés.

O olhar de Alice para a garota a sua frente foi de pena.

- Ter esperança é bom... Mas não tanta assim.

- Eu sei. – suspirou Abby, infeliz.   

*********

31 de Outubro: Onze e meia da manhã.

- Leon, você vai me escrever, não vai?

- Nem mesmo um SMS. Tenho preguiça de escrever, sabia?

- E você, Claire? Vai me ligar?

- Olha, eu lamento, mas não sei o que é um telefone há muito tempo. – a garota piscou para Leon, os olhos verde-água brilhando, maliciosos.

- E você, Jill?

- Não prometo nada!

- Chris?

- Preciso sumir por uns tempos, não dá para entrar em contato.

Olhando para todos os amigos que, ora carregavam a bagagem para o carro, ora trocavam abraços de despedida, Abby deu um profundo suspiro; nem mesmo Rika havia prometido contato, pois ela e o marido voltariam para o Japão de onde – na opinião de Terada – os dois jamais deveriam ter saído. Vendo de longe Angie e Sherry trocarem telefone e e-mails para se falarem durante o resto do ano, a jovem virou-se para o portão de casa e deu de cara com Alice.

- E você? – perguntou a garota, desanimada.

Alice deu um sorriso triste, observando a garota, cujos olhos estavam brilhantes, as lágrimas de saudade rolando pelas faces.

- Não posso entrar em contato com você, - tornou a loira – com nenhum de vocês, seria perigoso. – pondo a mão no bolso, a moça se aproximou de Abby, estendendo uma correntinha de ouro, com um pingente em forma de coração – mas isso é para que saiba que, um dia, eu vou voltar.

Abby se aproximou de Alice, dando-lhe um forte abraço. Sem jeito, a loira apenas deu palmadas leves no ombro da garota, os olhos azuis arregalados. Percebendo o desconforto da mulher (e as gracinhas de Chris e Leon, que não paravam de assobiar), Abby afastou-se dela, segurando a correntinha com firmeza.

- Desculpe. – sorriu, meio encabulada.

- Tudo bem. – sorriu Alice, em resposta.

Quando ela já ia entrando num dos carros que seguiria viagem para Nova York, Rika estava sentada no banco do carona, os olhos castanhos lacrimejantes de saudade.

- O que vai fazer agora?

- Tentar me manter viva pra destruir a Umbrella... Um dia... – apesar de feliz, Alice não conseguia disfarçar o remorso por se afastar da filha outra vez.

- Quero ficar com você. – tornou Rika.

- Não, olhe...

- Por favor – insistiu a garota – Você e Yoshiyuki são as pessoas que mais amo no mundo... Não me abandone... Não, de novo.

- Querida, preste atenção – Alice ignorou o espanto no rosto de Rika, dirigindo-se a ela com firmeza – Com Terada, você está segura. Ele pode cuidar de você... Algo que, no momento, não posso fazer.

- Mas...

- Entenda, não é seguro se aproximar de mim, nem manter contato...

- Mas...

- Quero que se cuide... Que vocês três se cuidem...

- Mãe...

- Prometa! Por favor, Rika!

A garota hesitou por um segundo, mas ao ver o olhar alerta de Alice, ela suspirou, desalentada.

- Prometo. – Tornou Rika.

Alice sorriu, dando um forte abraço na filha, consolando a garota, até que Yoshiyuki entrou no carro. Ele esperou até Rika e Alice se separarem para poder falar.

- Pra onde você vai agora?

- Não sei ainda. – tornou Alice, ainda encarando o rosto vermelho de Rika, os olhos dela ainda brilhantes. – preciso ficar um tempo escondida. Mas já sei exatamente o que vou fazer.

- Não corra nenhum risco desnecessário, tudo bem? – Yoshiyuki apertou a mão de Alice, ambos sorrindo ao se virarem para Rika, confusa com a atitude dos dois.

- Pode deixar. – Alice tornou a sorrir – Eu vou me cuidar.

Rika e Yoshiyuki desembarcaram para que o carro de Alice pudesse seguir viagem. Enquanto todos entravam nos carros e seguiam estrada afora, deixando a casa de Carlos e Abby para trás, uma jovem de olhos verdes acariciava a barriga, protetora...            

**********

Vinte e um de novembro, Paris – França, nove da noite.

Diante de um computador, uma jovem copiava vários arquivos para um cd-rom, qualquer coisa que pudesse levá-la ao paradeiro do irmão, quando um homem, voltando do seu intervalo, dá de cara com ela. Os olhos de água marinha da moça demonstravam o pavor de ter sido descoberta.

- Intrusos! – o homem gritava em francês – Intrusos! 

- DROGA! – xingou a jovem.

Claire Redfield apanhou o cd com as informações que copiara e saiu porta afora, explorando os imensos corredores da sucursal da Umbrella Corp. em Paris. Por onde ela entrava, soldados e mais soldados a encurralavam. A moça começava a ficar apavorada. Quando chegava perto de uma janela e estava prestes a pulá-la, um helicóptero iluminou a janela, deixando Claire sem saída. A garota entrou em um corredor de emergência, percebendo-se, mais uma vez, encurralada. Sacando uma pistola que estava em sua cintura, a jovem tentou defender-se, desistindo ao ver os vários soldados diante dela. Mandando abaixar a arma, ambos se aproximavam lentamente de Claire. A moça soltou a pistola, calculando cada passo que eles davam, se jogando no chão, e então pegou a arma, mirando os barris de combustível que estavam atrás dos soldados, causando uma grande explosão.

Muito fraca e desorientada, Claire se erguia muito lentamente, quando sentiu um vulto se aproximando dela. Na mesma hora, ela sacou a pistola, mas não contava que também teria uma pistola calibre 38 apontada para ela.

- Não se mexa! – o atirador deu a ordem. Claire encarou-o nos olhos, antes que sentisse algo golpear sua cabeça, jogando-a brutalmente na inconsciência...               

*****************

Mesma noite, Ilha Rockfort – País de Gales, meia noite e vinte.

Como que vinda de um pesadelo, Claire lentamente voltava, os olhos claros vacilantes, ainda se acomodando a escuridão da cela onde se encontrava.

Nervosa, a jovem começou a sentir o pânico dominá-la. Respirando rapidamente, ela começou a olhar pelos lados, até que viu algo brilhando no chão. Pegando um isqueiro e acendendo-o, a garota viu um homem se dirigindo até a porta da cela, um molho de chaves retinindo nas mãos. Segundos depois, Claire estava livre.

Saindo da cela, a jovem andou até o carcereiro, vendo ferimentos extensos nos braços dele. Acompanhando a direção dos olhos dela, o homem começou a falar.

- É melhor você sair daqui, menina, não vai querer ficar aqui quando eu me transformar – ele sentou-se em uma cadeira próxima a porta enquanto falava – Trabalho aqui há cinco anos e nunca vi nada igual a isso... Garanto, é melhor você ir embora.

Apavorada, Claire começou a tremer quando o carcereiro abriu a porta, deixando que ela passasse, revelando o caminho cheio de cadáveres espalhados ao longo do que parecia ser uma ilha-prisão. A garota começou a gritar quando a terra tremeu e os primeiros cadáveres começaram a se levantar...   

*********

Vinte e dois de novembro: Sete da manhã, Amsterdã – Holanda.

Um toque estridente de um celular na mesa de cabeceira despertou um homem, que ainda se recuperava de uma noite mal-dormida. Os olhos lentamente se abriam ao ler a mensagem, mas ficaram alerta aos checar os e-mails que chegaram. O último era um pedido de socorro, que ele estava mais do que disposto a atender.

- Fique calma, Claire, já estou indo buscar você. Onde quer que esteja, vou encontrá-la. 

Pegando uma sacola camuflada estilo militar, Chris Redfield escancarou a porta do apartamento onde morava e pegou o primeiro táxi que passava na frente do prédio, seguindo direto para o aeroporto.  

 

Fim...


Notas Finais


Ou um novo começo...?



Vocês decidem, queridos leitores. Este é um fanfic experimental, fruto de uma fusão(rsrsrsrsrs) entre dois mundos fantásticos: Card Captor Sakura e Resident Evil. Espero que tenham gostado.

Dúvidas? Sugestões? Algo que não tenham gostado?

Podem falar comigo por aqui mesmo, por mensagem, ou no meu direct, no Instagram, pra quem me segue


Até mais e um beijo a todos.



Próximas fanfics (em andamento ou por finalizar):

1) O Príncipe de Attilan - a jornada;
2) Harry Potter e a Feiticeira de Ouro;

* Fanfics em planejamento:

1) Resident evil: o extermínio (inédita – versão de fã RE + CCS);
2) 30 dias de noite (versão de fã – Scooby - doo);
3) O príncipe de Attilan - diários do herdeiro.


Não permita a morte de unicórnios, duendes e fadas, incentive o trabalho do escritor.

#Vamosficaremcasa #Cuidedequemvocêama #Vamosdeleitura #LeiasosficdaGih


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