História Resiliência - Capítulo 12


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Palavras 5.857
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, LGBT, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Notas finais

Capítulo 12 - Filha


-- Já sei. -- Me levantei. -- Vamos jogar bola? 

 

              -- Bola? 

 

         -- É, filha. - Ri. -- Futebol.

 

-- Ta bom. - Pensou. -- Mas, cadê a bola? 

 

-- Eu trouxe, boba. - Luana se animou. -- Vou buscar.

 

           -- Eu espero.

 

-- Eu acho melhor você vim também. 

 

              -- Por que? 

 

          -- Pra não ficar sozinha. 

 

--  Eu já sou grande, mãe. - Fez bico. -- Me deixa ficar aqui. 

 

       -- Ok... Não fale com estranhas. 

 

-- Mãe... - Se aproximou. -- Não têm ninguém aqui. -Gargalha. 

 

-- Certo. Volto rapidinho.


-- Ta.


Fiquei preocupada? Fiquei. Mas, eu acho que Luana precisa de um tempo pra refletir. Apesar de ser uma criança. Corri até onde tava nossas coisas. Quando passei pelo pessoal, eles ainda estavam dançando. Procurei em todas as sacolas e nada da bola.


-- Esta procurando o quê?

 

-- Não acho uma bolsa q... - Quando me virei pra falar com Tina, Heloisa estava do seu lado. Olhos vermelhos. Parecia ter chorado bastante. -- Você ta bem? -Assentiu olhando pro chão. -- Ok... Tô procurando a bola.Vocês viram?

 

-- Esta naquela bolsa do canto. - Heloisa aponta. Achei. -- Cadê a Luana?

 

-- Ta me esperando ali. Vamos jogar.

 

-- Duas pernas de pau. - Tina sussura.Mostro a língua --Infantil! 

 

  -- Cala boca. - Levanto. -- Bom, vou atrás da minha filhota. 

 

Faço o caminho de volta. De longe vejo Luana conversando com duas mulheres. 

 

-- Aconteceu algo?  - Pergunto assim que me aproximo. -- Tudo bem, filha?

 

-- Sim, mãe. Essas moças me ajudaram a construir o castelo. - Finalmente encarei as mulheres. -- É grande.

 

-- Samantha!

 

-- Ei... - Ri tímida. Era a mesma garota do restaurante. -- Que coincidência!

 

-- Nem tanto. - Sorrir. -- Então... - Aponta para Luana. -- É sua filha? 

 

-- Sim. Minha filha! 

 

-- Ela é linda. Parabéns! 

 

-- Obrigada!

 

-- Vamos jogar, mãe?

 

-- Vamos sim. - Viro pra me despedir das mulheres. -- Vou indo. Tenho que da uma aula de futebol pra essa garotinha. - Luana faz uma careta. -- Mais ou menos...


-- Entendi tudo. Você não joga nada! Já essa garotinha joga muito. - Agachou pra falar com Luana. -- Tem cara de mini Marta. - Minha filha sorrir timidamente. -- E, fica ainda mais linda tímida. Como pode, Sam? - Levanta me encarando. -- Sua filha é tão... Preciosa.


-- Ela é mesmo. - Falo convencida. -- E inteligente.

 

-- Sua mãe é muito babona. 


-- Vamos jogar mãe. 

 

-- Desculpe...Tenho que ir jogar.


-- Que isso. - Parecia sem graça. -- Não queremos atrapalhar.

 

-- Não estão. Acredite! Essa garotinha aqui. - Aceno pra Luana. -- Fica despreparada pra jogar logo. - Ela concorda. -- Lembro-me que não sei seu nome. Perdão!

 

-- Maisa. - Esticou a mão em comprimento. -- Posso ir também? - Fiz uma cara de confusa. -- Jogar. Posso jogar também?

 

-- Você gosta de futebol? 

 

-- Sou palmeirense! 

 

-- Minha mãe também. - Luana comenta empolgada. -- Todas nós, ne mãe? 

-- Sim.

 

-- E aí, posso jogar?

 

-- Claro. - Minha filha mais uma vez me interrompe. -- Quer ser do meu time?

 

-- Seria uma honra. - Maisa responde. -- Você se importa? - Nego. -- Ótimo. Bia... despois eu chego lá, ta bom?

 

Ficamos jogando as três. Maisa e Luana se deram muito bem. Fiquei impressionada com a afinidade das duas. Luana pulava em seu colo pra comemorar os gols e debochar de mim, óbvio. Fomos descansar em cima de uma pedra. Luana começou a fazer trança nos cabelos da garota. Os cabelos dela era grandão.  


-- Seu cabelo é lindo. - Luana falou admirada. -- Quando crescer quero um igual. 

 

-- Obrigada. Mas... - A pegou no colo. -- Seu cabelo já é lindo. -- Bagunçou os cachinhos. Luana fez uma careta engraçada, o que nos rendeu altas risadas. -- Espertinha você, ne? 

-- Sou. - Sorriu convencida. Puxou a mim. -- Você é muito bonita também. 


-- Duas puxa saco... - Cantarolei. -- É.

 

-- Mãe, posso ir fazer uma pista? 

 

-- Claro. Só toma cuidado. Não fique muito próximo da água. - Alertei. -- Vou ficar te olhando daqui!

 

-- Eu também! 

 

-- Eu não sou mais criança. - Revirei os olhos. -- Ta bom, mãe. 

 

-- Vai logo. Já ja teremos que voltar. - Constatei. Ela correu.  -- Crianças...

 

-- São uma benção, né? 


-- São... - A encarei. -- Eu tenho sorte de tê-la! 

 

-- Ela é muito sua cara. - Sorriu. --Cabelos... - Me encarou. -- Lábios. 


-- Que bom que ela se parece comigo. - Ri. -- Modéstia parte.


-- Você é convencida. - Falou me fazendo gargalhar. -- E muito linda. -- A encarei. -- Acho... - Balançou a cabeça. -- Tenho certeza. Você é a mulher mais linda que eu vi na vida!

 

                  -- Maisa...

 

-- Escuta, Sam... - Me olhou com intensidade. -- Você é linda. - Se aproximou. -- Acho que me apaixonei... -Riu. -- Parece bobagem. Mas, não é... 


-- Ma...


-- Olha... - Interrompeu. -- Não estou te pedindo nada. Só queria...Precisava na verdade, te contar. 


-- Maisa, eu...


-- Mamãe... - Luana se jogou em meus braços. -- Eu terminei. - Olhou a garota ao meu lado. -- Quer ir ver, tia Maisa? 


-- Fui promovida a tia. Uau...


-- Desculpa... - Tentei justificar. -- Quando ela gosta de alguém chama logo de tia.


-- Tudo bem. - Sorriu. -- Eu gostei! - Levanta. -- Vamos ver a obra de arte da melhor artista de São paulo e redondezas.


Fiquei perdidas em pensamentos. Uma garota acabou de se declarar pra mim...Tô me sentindo confusa. Parece loucura.  Reparei nas duas correndo das ondas. Maisa pegou Luana no colo e jogava no alto, fazendo a garota gargalhar. Me sentia feliz por ter encontrado Maisa aquela tarde, e grata por ela ta fazendo minha filha rir gostoso, esquecendo os problemas que nem dela são. Admirava as duas da pedra. Não queria interromper aquele momento lindo. Eu gargalhei quando as duas começaram uma pequena guerra de areia. 


-- Quem é aquele mulher, Samantha? - Levei um susto quado ouvir a voz de Heloisa atrás de mim. -- Quem é aquela mulher com a minha filha, Samantha? 


-- O nome dela é...


-- Que se dane o nome dela. - Me olhou com furia. -- Vim buscar minha filha. 


-- Ela só esta se divertindo. - Falei. -- Se conheceram aqui. Luana gostou dela.


-- Você deixou uma estranha se aproximar da menina. -Esbravejou. -- Tem noção do quão irresponsável isso foi? - Ia responde, mas. -- Não, você não tem!

 

-- Heloisa, fala baixo. - Pedi com calma. -- Luana já esta nervosa com esses seus gritos que viraram rotina. Quer assustá-la mais? 


-- Ta insinuando que eu faço mal a minha filha?!

 

-- Não grita, vai. Facilita. 

 

-- Samantha você tem noção do que você esta me falando? 

 

-- Não. - Me irritei. -- Não tenho. O que eu te fiz? Me diz! - Encarei seus olhos. -- Me diz... Eu só tô pedindo um pouco de consideração pela saúde mental da sua filha...

 

-- Gente...


-- cala boca, Tina!


-- Você grita demais, sabia? Não sabe chegar e conversar. Cê ta ficando louca. 

 

-- Samantha não me testa... - Me olhou ameaçadora. -- Não brinca comigo!

 

-- Vai fazer o quê?! - Gritei no mesmo tom.-- Vai me bater? - Dei um passo em sua direção. -- Vai, me bate então, Heloisa. 


-- Gente, chega!! - Tina ficou entre nós. -- Luana esta vindo aí. Um pouco de normalidade. Por favor.  


Sentei novamente na pedra e baixei a cabeça. Um nó na garganta se formando, minhas mãos tremiam. Luana pulou no colo da mãe. Fiquei tentando me recompor. Maisa sentou ao meu lado. A encarei. Seus olhos transmitiam preocupação e duvidas. Provavelmente ouviu a discussão. Sorrir.


-- Ta tudo bem, Sam?  - Sussurrou. -- Você esta tremendo...


-- Eu tô bem, ou melhor, vou ficar.


Luana conversava animadamente com Tina. Graça a Deus não percebeu o clima ruim que estava. Heloisa fez um gesto para que eu me levantasse, mas ignorei. Permaneci no meu lugar.


-- Mãe, você conhece a tia Maisa? - Luana perguntou a mãe. Lica bufou. -- Ela é legal.


-- Ela não é sua tia. - Levantou-se . -- Vamos embora! 


-- Por que mãe? Eu quero brincar mais.


-- Luana... - Respirou fundo. -- Depois a gente conversa. 


-- Heloisa... Pega leve. - Tina a repreendeu. -- Ela só é uma criança. 


-- Eu fiz alguma coisa? - Luana perguntou com olhinhos transmitindo medo. -- Mãe...

 

-- Não, Luana! - Me levantei. -- Você não fez nada. 


-- Vamos embora. - Heloisa falou. 


-- Se despede da sua amiguinha, Lua. - Tina disse carinhosamente. -- Precisamos ir embora. O carro vai sair.


-- Ta bom. - Vira pra Maisa que até então estava calada. -- Brigada por brincar comigo, tia! - Se abraçam. -- Você vai me visitar? 


-- Vou sim. - A abraça apertado. -- Assim que chega em casa, vou te caçar pra gente brincar muito, ta bom? - Luana assente triste. -- Não precisa ficar triste. Vamos nos ver ainda. Sua mãe vai deixar. Certo, Sam?


-- Claro. - Heloisa pega Luana no colo. -- Qualquer hora, Maisa. 


-- Foi bom conhecer vocês! - Sorrir amigavelmente. -- Até uma próxima. 


-- Tchau.


Heloisa vai na frente com Luana. Tina acena para a garota que retribui. 


-- Desculpa por isso, Maisa... Você não precisava dessa grosseria depois de ter brincado a tarde toda com Luana.


 -- Tudo bem, Sam. Ela... - Limpa a garganta. -- Vocês têm algo? 


-- Aham. - Ela baixa o olhar. -- Somos casadas. - Concorda. -- Temos a Luana. 


-- Eu entendi. - Responde desanimada. -- Foi bom conhecer você. Luana é uma graça. Parabéns! 


-- Obrigada! 


-- Olha, Samantha. Eu... - Olha pro mar. -- Eu não quis te faltar com respeito. De verdade. - Me olha triste. - Eu não prestei atenção nos detalhes,  e...e quando eu vi já estava te perturbando sem ao menos perceber. Desculpa mesmo. 


-- Tudo bem, Maisa. - Tento tranquilizá-la. -- Não tinha como você adivinhar. Desculpa não ter esclarecido tudo.

 

-- Digamos que ouve um pequeno desencontro. - Sorrir. -- Certo?


-- Certo... - Respiro fundo. -- Quer me da teu número? - Pergunto incerta. -- Podemos marcar algo. O aniversário da Luana ta próximo. 


-- Não precisa de tanta formalidade pra pedir um número, Sam. - Rir. -- Fazemos assim: Eu tô com celular aqui. Diz o teu, aí eu anoto e te dou um toque. - Assento. -- Tudo bem pra você? 


-- Tudo.


-- Sua mulher não... digo... ela não vai me matar, vai?


-- Não vai. E ela também não tem nada a ver pra quem eu dou meu número. 


-- Ela me pareceu um mãe e mulher bastante ciumenta. 


-- E ela é. - Não gosto do rumo daquela conversa. -- Mas, ela é minha mulher, não minha dona. 


-- Compreendo. 


-- Eu à respeito demais. - Resolvo deixar claro. -- Bom... vou indo. Obrigada pela tarde. Tchau, Maisa. Foi um prazer!


-- Posso te da um abraço? 


-- Claro, menina. - A abraçou. -- Não precisava pedir. - Ri sentindo ela afundar seu rosto em meu pescoço. -- Você é legal. 


-- Obrigada pela tarde. - Se afasta. -- Você e sua filha são uma graça. - Sorrimos. -- Te ligo. Tchau, Sam.


-- Eu vou esperar, ta? Tchau. 


Nos despedimos. Caminho até o pessoal. Eles já estão arrumando as coisas. Tem um clima estranho aqui também. Rezo pra que não seja por minha causa. Vou até minha bolsa aguardar algumas coisas. Vejo de longe Heloisa bebendo algo com Luana no colo. Minha filha percebe minha presença e vem em minha direção. 


-- Já vamos, mãe?


-- Sim, meu amor. 


-- Vamos ver a vovó?  


Se empolga com a idéia. É bom e reconfortante saber que posso viajar tranquila amanhã. Luana vai passar a maior parte do tempo com a vó. 


-- Hoje não. - Faz um bico. -- Mas, amanhã ela vai te buscar. - Sorrir animada. -- Isso. - A abraçou sentindo seu cheiro. -- Pode ajudar a mamãe?


-- Ta.


Junto todas as nossas coisas. Fomos em direção ao ônibus. Heloisa fica um pouco distante e eu agradeço mentalmente por isso. Luana sobe nas costas de MB. 


 -- Cuidado, hein, MB? 


-- Relaxa, Linquinha!


-- Deixa de onda e tome cuidado. - Sinto vontade de rir de sua preocupação exagerada. -- Deixa eu te ajudar. - Se aproxima de mim pegando algumas sacolas. -- Esta pesada. 


-- Nem tanto. 


-- Samantha...


-- Eu não quero papo agora. Você pode respeitar isso?


-- Aham. - Olhou pro lado. -- Desculpa. Não quero te incomodar.


-- Ótimo. Então não incomode. 


 -- Certo. 


Chegamos no ônibus. Dessa vez Luana ocupa um lugar sozinha. Sento de um lado e Heloisa do outro. Ela me encara.


-- O que foi?


-- Como sabe que estou olhando? 


-- Sabendo. - Dou de ombros. -- Fala o que foi.


-- Nada. Luana quer dormir. 


-- Deixa. Não tem problema.


-- Demorará a dormir mais tarde. 


-- Eu irei dormir com ela.


-- Você acha realmente necessário? 


-- Acho. - Digo a olhando. -- Eu acho.


-- Ok.


A viagem de volta foi feita em silêncio. Luana dormia, assim como a maioria do pessoal.


De volta em casa. Separei as coisas que estavam sujas. Convidei Luana para tomar banho comigo, que aceitou depois de fazer muito dengo.


Depois de devidamente alimentadas e tomadas banhos. Ficamos assistindo algo na televisão. 


-- Vocês não vão comer? - Heloisa que acabou de sair do quarto perguntou. -- Querem pizza? 


-- Eu quero. - Luana logo se animou. -- Eu posso, mãe? 


-- Claro, meu amor. - Concordei. -- Qual sabor você quer? 


-- Frango com aquele negócio por cima. - Fez uma cara de confusão mais fofa do mundo. Acabei rindo. -- Não sei falar.

 

-- Oh, meu amor. É catupiry. - Respondi.-- Catupiry. 


-- Um dia você aprende, ok? - Heloisa a puxou para que sentasse em seu colo. -- Uma coisa de cada vez.


-- Isso. -- Concordei. -- Vamos pedir? 


-- Vamos!


Quando a pizza chegou, Luana deu um pulo do sofá.


  -- Ei, mocinha. - Lica advertiu. -- Calma que a pizza não vai sumir não.


-- Ah. - Baixou o olhar. -- Desculpa. 


-- Vem aqui. - Ela obedeceu. -- Você quer ir la comigo pegar a pizza?


-- Eu posso? - Falou receosa. -- Posso mãe?  - Perguntou para Heloisa. Ela assentiu. -- Ta bom. Vamos?


Entramos no elevador em silêncio. Luana parecia perdida. Seus olhos brilhavam, e eu sabia, não era de felicidade. 


-- Está pensando em quê, filha? Ta calada mo tempo.


-- Mo? - Falou sorrindo. -- O que é?


-- Muito. 


-- Hm... - Pensou. -- Minha mãe não ia gostar que eu falasse isso.


A olhei e nada falei. A menina parecia estar assustada. Chegamos a portaria. Pagamos e agradecemos. 


-- Obrigada! 


-- Nada.


-- Quer um pedaço, moço. - Luana perguntou. -- Da pra dividir, né mãe? 


-- Sempre dá. - Sentia um orgulho enorme da minha filha. -- Quer moço? 


-- Obrigada senhoritas, mas estou no horário de trabalho. - Assenti. -- Sua filha é uma princesa.


-- Sim. 


-- Ela é muito simpática. - Concordei. -- Como é seu nome, garotinha?


  -- Luana. Mas as pessoas me chamam de Lua. 


 -- Belo nome. 


-- E o seu, como é? 


-- Diego.


-- Belo nome. - Comentou nos fazendo sorrir. 


-- Obrigada, Diego. Boa noite! 


-- Obrigada vocês. Boa noite e bom lanche. 


-- Obrigada. 


Estávamos comendo no chão da sala. Percebi que Luana ficava um pouco retraída perto de Lica. Tentei algumas vezes puxar assunto com ela.


  -- Está gostoso, filha?


  -- Ahan. - Parecia querer falar algo. -- Ta bom.  


  -- Você quer mais um pedaço? 


  --Samantha... Ela já comeu duas fatias. 


  -- Come a terceira então. - A encarei. -- Deixa a menina. 


  -- Vai acabar passando mal assim.


 -- Olha como você fala, Heloisa... - Peguei outra fatia. -- Toma, filha. Come!


-- Não quero... - Sussurrou. -- Eu quero deitar, mãe. - Falou baixo. -- Posso?


-- Pode! - Levantou-se. -- Quer me esperar? Eu vou deitar contigo.

-- Ta.


-- Vem cá, Luana. - Lica a chamou. -- Você esta triste? - Negou. -- Certeza? 


-- Ahan. - Olhou pra mim. -- Vamos, mamãe? 


-- Vamos, bebê. - Levantei. -- Boa noite.


-- Boa noite, mãe. 


-- Me dá um beijo, filha? - Luana lhe deu um selinho. -- Eu te amo. Bom sono.


-- Eu também. 


Deitamos. Luana deitou por cima do meu corpo. Ela tinha seu rosto escondido entre meu pescoço. Ouvi quando ela fungou. 


-- O que aconteceu, filha? Quer falar pra mamãe? - Ela negou. -- Tudo bem... Estou aqui. Eu te amo! 


                       -- Te amo também.
                

 

Dormiram abraçadas. Na manhã seguinte, Heloisa saiu para trabalhar cedo. Samantha acordou por volta das oito. Levantou-se e feze sua higiene matinal. Correu para fazer as malas. Luana ainda dormia. Quando sua mãe foi acordá-la, tomou um susto. A garotinha estava queimando de febre. Samantha ligou para seu pediatria. 


-- Então, é normal? - Perguntou lhe pela décima vez. -- Normal ela esta ardendo em febre? 


-- Sim, Samantha. - Sorriu transmitindo calma. -- Com certeza é a imunidade dela. É muita baixa. - Explicou tudo novamente e fez algumas recomendação. -- Dê bastante líquido. E as vitaminas que passei. 

 

           -- Ainda tem aqui. 


-- Ótimo. Prepare um banho meio morno. Se a febre não baixar entre vinte e quatro horas, à traga aqui. 

 

       -- Ok. - Suspira. -- Obrigada.


-- Tente descansar um pouco Samantha. Ela vai ficar bem.


-- Sei que vai!


Luana acordou amuada. Chorava fraquinho, cortando o coração dá mãe.


-- Ta doendo alguma coisa? - A menina negou. -- Deve ser a imunidade mesmo.


Deu-lhe banho e café da manhã reforçado. 


-- Alô?  Ah... - Respondeu cansada. --Tudo bem.


-- Sua voz ta distante... Me parece preocupada.


-- Estou bem... Só Luana que acordou indisposta hoje.


-- Sério? - Ouviu um "ahan". -- Estou indo ai.


-- Não precisa. 


-- Claro que precisa. To chegando. 


Meia hora depois alguém bate em sua porta. 


-- Marta... Entra.


-- Cadê a Luana?


-- Ta no sofá. Vai lá. 

 

Marta ficou penalizada pela carinha da neta. Ficaram conversando.


-- Você não ia viajar?


 -- Não tem como. Vou pedir pra Guto ir  no meu lugar.


-- Pode ir, Samantha... Eu fico aqui cuidando dela.


-- Mas Marta...


-- Não tem mais e nem meio mais. - Ri. -- Pode ir, Sam. Eu fico aqui e cuido dela com a Heloisa. 


-- Se pelo menos ela atendesse o telefone. -- Lamentou. -- A imunidade dela ta muito baixa.


-- O médico não disse que ela vai fica bem. - Assinto. -- Entao... Vai tranquila. 


-- Eu tenho que ir mesmo. Mas, tentarei voltar o mais rápido possível. - Avisa. -- Qualquer coisa você me liga. Qualquer coisa mesmo!


-- Eu ligo. 


-- Promete? 


-- Prometo, Sam... Agora vai se arrumar. 


Vai pro banho a contragosto. Sabendo que precisa comparecer a esse compromisso. Vai ser importante pro estúdio. Mas, deixar Luana desse jeito é tão difícil. 


-- Vai dá tudo certo.-Diz pra si mesma. -- Vai sim...


Pega a mala e alguns papéis. Vai até o quarto de Luana, que esta conversando distraída com a vó. 


-- Filha...


-- Você vai sair?


-- Sim...Eu tinha uma viajem, lembra? - Assente. -- Então, tenho que ir, filha. - Faz um bico. -- Eu juro pra você que volto logo, ta bom?


-- Ahan... - Baixa a cabeça. -- Eu posso ficar na casa da vovó? 


-- Você não quer ficar com sua mãe? -Marta pergunta confusa. -- Você sempre gostou...

 

--Marta... - A interrompe. -- Você vai esta ocupada? - Nega. -- À leve para sua casa. 


-- Mas Samantha...


-- Por favor, vó. 


-- Vamos falar com a Heloisa primeiro, certo? 


-- Isso. - Concorda. -- Agora tenho que ir. Se cuida, ta pequena? - A abraça apertado. -- Qualquer coisa peça pra me ligarem. Estarei com o telefone na mão sempre. 


-- Ta, mãe. Eu te amo.


-- Eu te amo bem mais, sabia? - Ela assente. -- Convencida você, hein. Eu te amo!


-- Te amo forte! 


-- Forte. - Beija sua cabeça. -- Tchau, amores.

 

-- Te levo até a porta, Sam. - Marta à acompanha. -- Aconteceu alguma coisa entre a Luana e...?


-- Não sei te dizer... Mas, Heloisa anda gritando muito. - Resolve falar. -- Quando brigamos e Luana esta perto, ela acaba se assustando com os gritos. Ou a Lica desconta nela.


-- Desconta nela?


-- É ríspida com ela. Muitas vezes até impaciente. 


-- Ok. Eu irei falar com ela! - Garante. -- Pode ir tranquila. 


-- Obrigada, Marta! Beija sua bochecha. -- Qualquer coisa me liga.


-- Eu sei. - Sorrir. -- Boa viagem. Tchau.

 

-- Beijo.


Chama o carro pelo aplicativo. Espera na recepção do prédio. Isso toma dez minutos do seu tempo. 


-- Bom dia senhora! - O motorista fala. -- Tudo bem? 


-- Sim...  - Lembra de Luana. --Acho que sim. - Sussurra. -- Espero....

 

                      ★


Marta passou a tarde com a neta. Quando estava anoitecendo deixou Luana brincando na sala e foi até a cozinha preparar o jantar. 


-- Ei, filha. - Heloisa entra. -- Já jantou? 


-- Não. Minha vó está preparado ainda.


-- Vó? - Luana assente. -- Sua vó esta aqui? Cadê sua mãe? 


-- Foi viajar, Heloisa. Esqueceu?  - Marta aparece na sala. -- Luana esta com febre. Samantha me ligou.


-- E ela viajou mesmo assim? 


-- Compromissos. - Vira para a menina.  -- Quer ir brincar no quarto, Luana? 


-- Pode ser. - Levantasse. -- Você vai dormir aqui? 

 


-- Depois a gente conversa, ta bem?

 

-- Ta.


-- Já ja te chamo pra comermos. 


Luana sai deixando as duas mulheres sozinha. Marta encaraa filha.


-- O que foi que eu fiz, Mãe?

 

-- Luana... - Senta próximo a filha. -- Luana me pediu pra dormir lá em casa. E, bom...A Samantha também pediu. 


-- Por que isso agora? - Pergunta confusa. --Por que ela não quer ficar comigo? 

 

-- Medo. - Heloísa arregala os olhos. --Samantha disse que você não sabe separar as coisas quando vocês duas brigam. E acaba sendo impaciente com a menina. 


-- Mãe... -Engole seco. -- Eu não queria que Luana sentisse isso por mim...


Baixa o olhar envergonhada.


-- Eu a amo demais. As vezes sou impaciente, mas eu a amo demais. - Sussurra. -- Eu sinto que posso perde-lá a qualquer momento. -Seus olhos estão marejados. -- Meu casamento é um fracasso... Eu tenho medo que Samantha vá embora e a leve. - Solução. -- Eu não iria aguentar perde-las.

 

-- Deita aqui, filha. - Aponta para o colo. --Se seu casamento esta em uma crise, não deixe que sua filha presencie discussões e mais discussões. Luana esta com emocional abalado. 


-- Luana é só uma criança. - Se encolhe nos braços da mãe. --Meu Deus! Ela não precisa passar por isso tudo. Eu me sinto culpada. 


Parou e pensou um pouco. 


-- Eu realmente sou culpadu. Não sei mais o que fazer em relação ao meu casamento. Não sei mais me controlar.


-- Lica... - Acariciava os cabelos da filha. -- A Luana esta sofrendo demais. - Assente. -- Tenta conversar com ela. Sua filha tem que ser a coisa mais importante pra vocês duas. 


-- E ela é, mãe. 


-- E sobre sua mulher. .. A Samantha está cansada, Heloisa. Conversem como gente adulta. Se for pra se separarem, que separe. - Lica arregalou os olhos. -- Melhor recuar agora, do que se quebrarem. Ou pior, quebrar Luana. 


-- Vou tentar conversar, mãe. 

 


-- Ótimo. Agora...- Levantou-se. -- Eu terminar o jantar. Vai lá. - Aponta para o quarto da menina. -- Vai com calma. Tente reconquistar aquela garotinha primeiro. - Sorriu. -- Isso você tira de letra.

 

-- Eu deveria ter receio da rejeição?

 

-- Talvez... Mas, quem esta ali é sua filhinha. A mesma que você trouxe nos braços da maternidade. 

 

-- Ela cresceu, mãe. 

 

   -- Ela é muito inteligente! E sagaz.

 

-- Bem inteligente. - Sorrir triste. -- Ela sempre me ensina muito.

 

        -- Eu imagino.

 

-- Lembra quando ela falou pela primeira vez?

 

-- Você quase desmaiou. - Sorriram com a lembrança. -- Samantha não ficou muito atrás não. 

 

-- Parecia que eu ia explodir de tanta felicidade. Sério, foi muito lindo!

 

-- Até hoje ela tagarela sem parar. Não cansa.

 

-- Não mesmo. Já acorda falando.

 

-- Ela esta desdenhando bem. - Sorriu orgulhosa da neta. -- Ta com uma coordenação motora melhor. 

 

-- Eu sempre incentivo. Desenhamos juntas.

 

    -- E a Samantha incentiva a cantar. 

 

-- A gente nunca pressionou. Ela pode ser o que quiser.

 

-- Eu sei que sim. Vai lá, fale com ela. Com jeitinho você consegue. 

 

           -- É... Obrigada, mãe! 

 

Quando chegou no quarto, Luana estava com um porta retrato nas mãos.

 

-- Você gosta dessa foto, filha? - A menina a encarou. -- Eu posso sentar com você? - Assentiu. -- Gosta da foto?

 

           -- Vocês pareciam felizes. 

 

 Era uma foto de suas mães sorrindo. Nela Samantha estava no quarto mês de gestação. No registro elas estavam emocionadas, porque sua mãe, junto com seus sogros compraram um imóvel e às deram de presente.  


-- A gente ganhou esse apartamento.


 Sorriu com a lembrança daquele dia. Tanta coisa aconteceu no dia em que essa foto foi tirada. 


-- Tínhamos acabado de chegar do médico.    Esse dia ficamos sabendo que era uma menina. - Heloisa já chorava. -- Estávamos esperando uma menina. 


Luana olhou para o chão. 


-- Nossa menininha. Sua mãe chorava de felicidade. - Riu. - Eu quase surtei. Era tanta alegria em nossas vidas. - Corrigiu. -- Você só trouxe felicidade pra nossas vidas. Não duvide disso. Nunca!

 

-- Você não quer ser mais minha mãe? - Sua voz saiu embargada. -- Não gosta mais de mim?


-- Luana...Escuta! Eu sempre vou ser sua mãe. Sempre. - Acariciava os cachinhos. -- Eu sempre vou te amar!

 

-- Mesmo se vo... Vocês se separarem? 


Os olhinhos transmitia medo. Heloisa resolveu ser sincera com a filha. Não queria encher a menina de expectativa e depois decepciona-lá.


-- Eu e sua mãe...- Titubeou. -- Não estamos bem...Precisamos conversar. 


-- Eu tenho medo. - Seus olhos encheram de lágrimas. -- Igual no sonho...


-- Sonho? - Assentiu. -- O que tinha no sonho, filha?

 

-- A gente se separava. - Chorou. -- Eu não via mais você. Só eu e minha mãe...- Se deitou soluçando. -- Você não tava mais lá... Eu tenho medo.

 

Por um instante Heloisa não soube o que fazer ou falar. Ouvi-lá chorar foi dolorido. Ela era tão indefesa, não precisava passar pelo que ela mesma passou na infância. Parecia uma repetição. 


-- Luana, eu sempre vou esta com você. Acredite nisso. - Deitou do seu lado. -- Qualquer lugar que eu for, você vai. 


                        -- Promete?

 

        -- Prometo, meu amor!


Ficaram abraçadas. Luana com um semblante triste. Heloisa sentia suas próprias lágrimas. Não sabia como agir dali em diante, para que as coisas dessem certo.


-- Ei, moças. Não estão com fome? - Marta percebeu os olhos avermelhados. -- Vamos comer. 


-- Posso ficar, vó? 


-- Não, bebê. Você não almoçou. E...


-- Como não? Heloisa se assustou. -- Mãe, já são oito da noite. Luana não comeu?


-- Não é culpa dela, mãe... - Luana tomou a frente. -- Eu não tô com fome.


-- Tudo bem, filha. - Levantou-se. - Vamos! Levantasse.


-- Não quero.


-- Deixo você dormir comigo...


-- Eu vou pra casa da minha vó...- Falou receosa. 


-- Dorme comigo, filha? - Heloisa pedia carinhosamente. -- Vai?


-- Tudo bem. - Olhou pra vó. -- Dorme aqui também. Por favor? - Fez bico. -- Manda ela dormir aqui, mamãe...


-- Dorme conosco, dona Marta. 


-- Tudo bem. - Levantou os braços. -- Sou voto vencido mesmo. Agora, já pra mesa! 


O jantar só não foi em total silêncio porque Marta tentava puxar assuntos com a filha e a neta. O telefone fixo tocou. Heloisa levantou-se para atendê-lo. 

 
Ligação on


-- Alô


-- Lica! - Era Samantha. -- Liguei para saber se Luana esta bem.


-- Cheguei ainda agora. - Respirou fundo. -- Estamos jantando. 


-- Aham... E a febre? Baixou?


-- Trinta e sete. Minha mãe está aqui ainda. Vou monitorar. 


-- Ok... Só não esquece dos remédios


-- Não vou. - Silêncio. -- Por que você não me ligou? - Apontou. -- Eu sou mãe dela também. - Sussurrou. -- Por que não me ligou? 


-- Te liguei! Não me acuse... Não quero brigar. - Sussurrou. -- Eu posso falar com minha filha?
 

-- Aham... - Entrega o aparelho a menina. -- Sua mãe. 


-- Mamãe? - Sorriu animada. -- Tô comendo agora


-- Que bom, meu amor. Ta sentindo alguma coisa? 


-- Saudade vale? - Fala dengosa, fazendo sua mãe rir. -- Estou cansada.


-- Deve ser os remédios. Logo logo passa.


-- Você volta logo? 


-- Sim. Prometo


-- Ta bom. - Pensa um pouco. -- Já jantou, mãe? 


-- Ainda vou. Resolvir te ligar antes. Você ainda vai pra casa de sua vó? 


-- Não. Vamos dormir aqui. - Conta. -- Vou dormir com a mamãe e a vovó. 

 

-- Que bom, filha. - Suspira. -- Vai comer.  Quando terminar pede pra sua mãe fazer uma chamada de vídeo. Ta bom? Te amo forte.

 

--Ta bom, mãe. Te amo forte!

 

              Ligação off


-- O que ela queria, filha?


-- Perguntou se eu tava sentindo dor. -Riu. -- Ela pediu pra você fazer uma chamada de vídeo depois do jantar. 


-- Já esta tarde. - Marta a repreendeu com o olhar. -- Mas, podemos ligar sim.


-- Obrigada, mamãe. 


-- Não precisa agradecer. - Sorriu. -- Agora, termine de comer. 


Meia hora depois, as três estava jogando dama na sala. 


-- Vai ligar pra mamãe agora?


-- Vou sim, filha. - Pega o celular. -- Toma.


No terceiro toque Samantha atende.


-- Que filha linda, eu tenho. Meus Deus! - Suspira de forma teatral. -- Cadê sua, vó? 


-- Que mãe linda eu tenho. - Sorrir. - Minha vó foi na cozinha. 


-- Hum. E o jantar? Estava bom?


-- Bom. Minha vó que fez. - Pensa um pouco. -- Quer falar com minha mãe? 


-- Onde ela está? 


-- Aqui comigo. Ela ta assistindo o jogo. 


-- Depois eu falo com ela. 


-- Ta bom. Você volta logo? 


-- Já te falei várias vezes. - Sorrir. -- Volto logo, ansiosa. 


-- Vou esperar. - Boceja. -- Volte logo.


-- Ok... Vai dormir. Amanhã eu te ligo.


-- Você promete, né?


-- Prometo, meu amor. Te amo muito. 


-- Te amo.


Se despediram. Heloisa levou Luana pra dormir junto dela.


                    -- Você ta com sono, mãe? 


                      -- Um pouco. E você? 


                            -- Pouquinho. 


-- Eu te amo, filha.- Beijou seu rosto. -- Te amo demais. 


                         -- Eu te amo muito. 

 

          -- Como vai as aulas?


-- Bem. - Riu. -- A tia é mo legal. 


-- Mo? - Perguntou sorrindo. -- Quem te ensinou a falar assim?


-- Minha mãe. - Falou com receio. -- Você vai brigar comigo?

 

                   -- Não, amor.

 

              -- E com minha mãe?


-- Não. 


-- Você ficou com raiva de mim?


-- Por que eu teria raiva de você? 


-- Porque eu tava brincando com aquele mulher na praia.

 

-- Hum... - A olhou --Você... Você a conheceu lá na praia?


-- Foi. Acho que ela já conhecia a mamãe. - Pensou um pouco. -- Eu não sei direito. 


                   -- Vocês brincaram de quê? 


-- Futebol. Pega-pega. A gente fez um castelão. - Comentou empolgada. -- Ela era legal. - Olhou pra mãe. -- A tia Maisa é mais.


                       -- Tinha outra mulher? 


-- Sim. Acho que são irmãs. 


-- Hum...


-- Eu queria a mamãe aqui também. - Coçou os olhinhos. -- Ela faz falta, né? 

 

-- Muito. Agora vamos dormir, ta? - Mudou logo de assunto. -- Já já ela ta aqui.  


                     -- Ta bom. Boa noite.


                     -- Boa noite, amor!


Luana logo pegou no sono. Heloisa se remexeu a noite toda com insônia. Queria tomar um ar. Chegou na sacada e ficou pensando na vida. Tudo mudou tão de repente. Era os problemas na agência. Juliana. O casamento indo pro ralo. Os problemas em casa, e o pior, a negligência com sua filha.


-- Perdeu o sono? - Marta chegou. Heloisa começou a chorar. -- Não chora, filha...


-- Eu não sei o que fazer. - Soluçava. -- Eu quero minha família de volta!


-- Respira, Lica... As coisas são assim mesmo. - Tentava acalma-la. -- Quando a Samantha chegar, vocês conversam. 


-- A gente já conversou tanto. Parece não ter saída!


                      -- Vocês vão encontrar. 


-- Mãe, eu amo demais a Samantha! -Deitou na cadeira. -- Eu quero ficar com ela... Mãe, será que ela quer separar?


-- Talvez... Converse com ela. Pela Luana e por vocês também. 


-- Nem me fale de Luana. - Lembrou da filha. -- Eu não quero errar com ela, como Edgar errou comigo. 


-- Você é melhor que ele. 


-- Será? As vezes eu penso que...


-- Não pense isso. -A interrompeu. -- Luana tem sorte de ter vocês como mãe. 


                    -- Eu a amo demais. 


-- Eu sei que ama! Agora vamos deitar. - Levantou-se. -- Amanhã é um novo dia! 


-- É sim. Obrigada por tudo, mãe! Eu te amo. 

 

-- Também. Boa noite. Tente descansar!


Heloisa entrou no quarto chorando. Sentia raiva de si mesma. Chegou no quadro que continha várias fotos da família. Reparou na foto em que Samantha estava falando ao telefone, fazendo bico enorme.  Em outra, Luana e Samantha estava toda suja de tintas. Sorriu. Ali era sua família. 


De volta na cama. Luana dormia em posição diferente. Tinha um retrato próximo rosto. Era Samantha, Heloisa e a filha. Chorou. Chorou como uma criança com medo. 


 -- Filha... - Sussurrou baixinho. -- Vai ficar tudo bem. Eu prometo. 


A abraçou apertado. Suspirou sentindo o cheirinho de bebê que vinha de sua filha. 

 


   É, perfeita pra mim
   É, Deus te fez assim
  Tão pequenina
  Minha menina
  Linda demais
 Tão pequenina
 Minha menina
 A minha paz

  

           -- Eu te amo, pequena. 

 

 É, me ajudou a     crescer
  É, cuidar de você
 A minha missão
 E o meu coração
 Querem agradecer


                Luana agarrou o pescoço da mãe. 


Você é como o sol
Que clareia o meu viver
Você é como a lua
Que ilumina o meu ser
Você veio pra ficar
Me ensinar a aprender

  


 -- Você é minha luz! - Soluçou. -- Minha vida.


Eu sabia, era minha antes de você nascer
Amo você, Amo você. 

 

Eu sabia, era minha
Minha filha
Amo você!

 

           -- Não chora, mamãe.

 


Hellen Carolina - Filha​

 


Notas Finais


Desculpe a demora gente. Problemas no celular. Perdão


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