História Resiliência - Capítulo 10


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Categorias B.A.P, Bangtan Boys (BTS), Girls' Generation, Kim So-hyun, Mamamoo, Stray Kids
Personagens Bang Chan, Daehyun, Hyoyeon, Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Solar, Wheein
Tags Família, Kookv, Luto, Mençãovmin, Slowburn, Sope, Superação, Taekook, Transplante, Vkook, Yoonseok
Visualizações 83
Palavras 4.967
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Festa, Fluffy, LGBT, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá! Voltei :)

Boa leitura! ♥️

Capítulo 10 - Sensação


Fanfic / Fanfiction Resiliência - Capítulo 10 - Sensação

Outubro de 2014

Kim Taehyung estava extasiado com a visão do céu límpido e o sol irradiante através da janela do Dr. Gong Ji-chu no dia 25 de outubro de 2014. Sua tranquilidade era tanta naquele dia que nem parecia estar passando por momentos tão difíceis e prestes a receber o resultado de uma série de exames que havia feito: o famoso check-up anual que era obrigatório na família. Yoongi encontrava-se ao seu lado tamborilando os dedos freneticamente sobre a coxa direita numa demonstração evidente de tédio que, posteriormente, Taehyung notou ser preocupação, pois ele sabia que o histórico de saúde do Kim não era nada agradável.

Aturdido. Foi assim que o Kim ficou quando o Dr. Gong informou que através do hemograma, a equipe médica concluiu que sua medula óssea estava entrando em falência e já não estava sendo capaz de produzir as células que formam o sangue em quantidade suficiente. Isto é, naquela tarde de céu brunido e sol reluzente, Kim Taehyung foi informado que provavelmente tinha desenvolvido  mielodisplasia. 

Trêmulo, o rapaz de olhos cor de avelã foi incapaz de conter o desespero que tomou conta de si naquele momento. Suas forças se esvaíram de imediato, e foi como se a bela paisagem que ele admirava com tanto afinco minutos antes se tornasse uma tela completamente cinza e sem vida. Sentiu uma sensação ímpar de impotência. 

Foi inevitável o aperto no coração e na garganta. Desabou em lágrimas diante dos olhos piedosos do médico, e o calor do abraço confortante que recebera de Yoongi naquele dia foi a única sensação boa num momento tão desesperador. Um abraço carregado de empatia e que tinha um único intuito: trazer segurança para Taehyung. 

O melhor amigo era especialista nisso. Se preocupar. Cuidar. 

E o Kim o amava tanto. Muito além do que conseguia expor.

「✿」

Sexta-feira; Busan

- Minha teoria estava certa. 

Jungkook pegou mais uma de suas camisas brancas e a colocou cuidadosamente no cabide. Decidiu guardar as roupas que tinha levado para a pequena viagem a Seul e as que ele tinha ganhado de presente dos pais, do irmão e da noiva pelo seu aniversário, naquela manhã. Já que tinha passado da hora de guardá-las e estava com tempo, pois entraria no trabalho no período da tarde.

- Sobre o quê? - perguntou para Daehyun antes de pendurar a peça no cabideiro do guarda-roupas.

- O Taehyung ser gay ou bi. Ele tem algumas fotos com o Bogum. Bem que falei.

Jung Daehyun estava jogado na cama do mais novo e com o celular, também dele, nas mãos, observando cada foto do feed de Taehyung. Já que quando Jungkook saiu do trabalho no dia anterior e foi conferir suas redes sociais percebeu que o músico tinha lhe seguido no instagram. Logicamente passou a seguí-lo também. E assim como o irmão, ficou tempos admirando cada fotografia. Claro, tinha notado que em algumas delas o Kim estava acompanhado do ator, mas não fez nenhuma relação entre eles. Só que eram muito amigos. 

- Isso não quer dizer nada. Com certeza eles são melhores amigos. - voltou a pegar mais uma peça de roupa e mais um cabide.

- Kookie… Só aceita. Logo você vai saber que eu estou com razão. Esses dois tiveram pelo menos um caso.  

- Você é da Dispatch agora e eu não estou sabendo?

- Muito engraçado. - riu irônico. - E tenho certeza que o Yoongi ia ficar indignado se ouvisse você falando que o Bogum é o melhor amigo do Taehyung, considerando que com toda certeza é ele que ocupa esse lugar na vida do seu hyung.

O moreno revirou os olhos ao ouvir a provocação do irmão, mas concordou.

- É, nisso você tem razão.

- Aliás, Taehyung é um cara muito fotogênico. Seria um ótimo modelo para você. Da próxima vez que se encontrarem não perca essa oportunidade. 

- Eu sei. Não vou perder. 

- Essas roupas não são suas. - Daehyun disse de repente, quando desviou o olhar do celular e reparou nas peças que Jungkook estava dobrando. 

- São do Taehyung. São as roupas que ele me emprestou quando fomos almoçar.

- E você não devolveu por quê? - O Jung arqueou as sobrancelhas.

- Porque ele disse que eu poderia ficar com elas. As minhas também ficaram lá, já que ele esqueceu de levar quando foi se despedir de mim. - explicou, enquanto guardava as roupas.

- Humm… Tipo uma troca, hãn? Entendi… - disse baixo. - Você conversou com a Sun? 

- Por mensagem. Por quê?

- Nada. 

- O dia dela estava cheio hoje.

- Hum. A mãe foi para Seul, ela te contou?

- Sim. 

- Você acha que ela ou o pai vão namorar alguém algum dia? - Jungkook guardou a última peça de roupa e fechou o guarda-roupa. Seguiu até a cama e sentou-se ao lado do irmão.

- Tomara que sim. Eu apoiaria bastante. 

- Eu acho que o pai ainda não superou o divórcio. Percebo na maneira que ele olha para a mãe.

- Sim… Mas acredito que com o tempo ele vai superando. Foi uma decisão de comum acordo, afinal. - Daehyun ficou pensativo por um tempo. Não passou despercebido pelo moreno. - O que foi? Está pensando no quê?

- Sei lá… às vezes eu acho que a mãe nunca esqueceu o primeiro amor dela.

- Dae…

- É verdade, Kookie. Não estou dizendo que ela nunca amou o pai, eu sei que ela o amou muito, mas também sei que ela viveu algo muito forte quando era jovem e que esse sentimento nunca a deixou completamente. Claro, eu estou aqui não é? Como ela iria esquecer. - bufou. 

- Dae… Você é o primogênito dela. Não tenho a menor dúvida que você é  fruto de uma relação muito bonita que a mãe teve, e é claro que ela não se arrepende. Ela te ama demais. Não estou entendendo o motivo de você estar tocando nesse assunto demonstrando tanta… insatisfação.

- É difícil para mim saber que sou filho de um homem que nunca vi na vida, Kookie.

- E você gostaria de conhecê-lo? 

- Eu não sei… mas gostaria de saber pelo menos o nome dele.

- Você sabe que o seu pai é o mesmo que o meu. Jeon Eunji. E que ele te ama. Se ele te ouvisse falando desse assunto ficaria super chateado, porque você é filho dele. 

- Com sobrenome diferente. 

Jungkook sentiu o peito contrair. O moreno não tinha nenhuma dúvida de que o pai amava ele e o irmão da mesma maneira. Sempre demonstrou isso. Mas sabia que devia ser difícil para o Jung não partilhar o mesmo sobrenome dele. Isso porque quando a mãe começou a namorar Eunji, Daehyun já era nascido e já tinha sido registrado só com o sobrenome de Yoonah. E apesar de tê-lo criado com muito amor e dedicação, o antigo casal não fez questão de alterar o nome do filho. Embora Daehyun se mostrasse muito tranquilo sobre o fato, algumas vezes, como agora, deixava entender que isso de certa forma o entristecia. Mas também nunca comentou com ninguém além de Jungkook. E o mais novo, nesse instante, passou a refletir que talvez ele devesse conversar com a mãe ou com o pai sobre. Só tinha que se planejar para abordar o assunto com cuidado. Pensaria a respeito. 

- Sobrenome não é grande coisa. É um rótulo. E você não gosta de rótulos, hãn? - tentou confortar o irmão, que soltou um sorriso fraco. Jungkook abaixou a cabeça porque sabia que aquele riso tinha sido de escárnio. Pois ele tinha plena consciência que na Coreia o sobrenome era muito importante, sim. - Não é grande coisa para nós, pelo menos. Nossa família não é presa em sobrenome, e sim no cuidado e amor que temos um pelo outro. Isso, sim, é importante. Na verdade eu nem me lembraria que não somos irmãos germanos se você não ficasse fazendo questão de bater nessa tecla de vez em quando. Isso não faz a mínima diferença para mim, Dae. 

Daehyun desmanchou a expressão cabisbaixa e abriu um largo sorriso. Aquele sorriso lindo que Jungkook amava tanto. 

- Você é inacreditável, caçulinha. Eu te amo tanto. - Jungkook que sorriu com vontade dessa vez. 

- Eu também te amo demais. - Daehyun ficou encarando o mais novo por longos segundos e depois de dar um sorrisinho sacana, disse:

- Eu duvido que o Taehyung não vá se apaixonar por você. 

- O QUÊ?! - Os olhos do moreno duplicaram de tamanho e ele olhou indignado para o mais velho.

- Eu tenho certeza que minha teoria está certa, Kookie. E você é um cara encantador demais. Até eu me apaixonaria por você se não fosse seu irmão. 

- Daehyun… só para.

- Você está tão na merda. - gargalhou.

- E eu acho que você ainda está com sono. - disse no mesmo momento que o celular apitou. Abriu a caixa de mensagem e tentou conter o sorriso ao ver quem era. - Taehyung…

Daehyun soltou um riso soprado, mas preferiu não dizer nada.

O moreno abriu a mensagem.

 

[Taehyung Hyung]

Bom dia, Jungkook!

Tudo bem?

Ligue a TV no horário do jornal da tarde.

Vai passar a matéria da maratona.

Quer dizer… Espero que você esteja em casa para poder ver.

Desculpe por não ter avisado antes, que sairia na mídia. 

Mas acredito que você tenha reparado até mesmo no dia.

Os repórteres e tal.

Bom, e eu sendo filho de quem sou… Enfim…

Não gosto de falar assim porque parece que estou me exaltando, sabe?

Sendo esnobe. Ou me sentindo mais importante do que realmente sou.

Tudo bem. Acho que exagerei na mensagem. Desculpe. Até mais :)

 

Jungkook sorriu. Taehyung era mesmo humilde. 

 

[Jungkook]

Bom dia, hyung!

Oh! Obrigado por me avisar! Com certeza vou assistir

Hoje entro mais tarde no trabalho, vai dar para ver tranquilo

Confesso que achei estranho tantos repórteres

Mas obviamente não liguei isso a você

Porque não fazia ideia de quem você era

(insira aqui uma carinha envergonhada)

E não se sinta assim, com receio de dizer quem é

Você é importante, sim. E humilde

Isso é admirável

Nos falamos mais tarde, tá?

Até mais

 

Não demorou muito para Taehyung responder.

 

[Taehyung Hyung]

Queria que você pudesse ver como me fez sorrir agora.

Nos falamos mais tarde, Jungkook. 

 

Jungkook não sabia exatamente porquê, mas sentiu todo o rosto esquentar. Com certeza estava vermelho.

Merda. Teve a comprovação disso quando olhou para o irmão e ele estava com uma única sobrancelha erguida e uma expressão difícil de decifrar. Talvez julgamento. 

- Devo me retirar? Para deixar os dois bonitos mais à vontade? Tenho a leve impressão de que estou sendo um intruso. - comentou.

- Vai se ferrar. 

- É talvez eu deva mesmo me retirar. 

Jungkook ignorou e foi simples na resposta para Taehyung. 

 

[Jungkook]

😉

Viu Daehyun se movimentando para sair do quarto. 

- Hey, fica. Vai passar a matéria do meu encontro com o Taehyung no jornal da tarde.

O loiro abriu a boca em surpresa e depois disse:

- Não precisa pedir duas vezes. - se jogou na cama outra vez. - Quero ver em HD o único homem que faz o meu irmão ficar corado.

Jungkook olhou para ele indignado, no entanto não foi capaz de responder à altura, ou simplesmente xingá-lo. 

O irmão estava certo, afinal.

「✿」

“ Em comemoração antecipada ao Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, a AMOCS - Associação de Medula Óssea da Coreia do Sul -, juntamente com o National Cancer Center of Seul (NCCS) e a prefeitura, realizou uma corrida de rua no Parque Yeouido da capital. A maratona teve uma prova de 5 km, sendo os ganhadores duas mulheres e um homem.

O principal objetivo da corrida foi homenagear e enaltecer todos os doadores de medula óssea, além de promover a conscientização da atualização do cadastro. 

O evento em si contou com diversos momentos emocionantes, no entanto, o encontro de um doador e um receptor foi o grande destaque da manhã. Kim Taehyung pôde finalmente conhecer o receptor que salvou sua vida, Jeon Jungkook. Um jovem que veio de Busan especialmente para essa ocasião.”

Min Yoongi, Kim Namjoon e Kim Taehyung estavam vidrados na TV. Totalmente atentos na matéria do jornal. 

Sohyun estava na aula, então não veria a reportagem na íntegra. Teria que assistí-la depois pela internet.

- Espera… eu conheci esse rapaz. - Namjoon disse assim que a imagem da jornalista foi substituída pelas cenas da corrida, consequentemente focando em Jungkook e Taehyung. - Ele estava junto com o pai dele no concerto de Busan. Conversaram comigo e com o Henry. - concluiu olhando surpreso para o primo.

- Sim, Nam… Eu ia te mandar uma mensagem contando, porque o Jungkook me disse que foi ao concerto. Mas eu esqueci. Foi o primeiro da vida dele, aliás. 

- Oh! Ele me pareceu bem simpático, embora o pai dele que tenha conversado ‘pra valer com nós. - disse voltando a olhar para a televisão. - Uau, TaeTae… Que impressionante. Ele é muito bonito, não?

- É. - Yoongi concordou, pegando um punhado de pipoca que estava numa bacia grande no colo de Taehyung. - E eu jurando que ele era um homem de meia-idade ou mais.

Taehyung deu um sorriso frouxo e balançou a cabeça, concordando. 

- Muito lindo mesmo. - disse baixo. 

“Talvez vocês tenham reconhecido o rosto do jovem Kim Taehyung. Isso porque ele é mais conhecido pelo seu nome artístico, V. 

O rapaz de 24 anos é filho de Kim SooYoung e Kim KyungSoon. SooYoung foi fundador da famosa orquestra, que leva seu nome, e posteriormente CEO da escola e gravadora KS. E KyungSoon foi uma excepcional cantora e compositora, que dedicava seu trabalho também à renomada orquestra. 

O brilhante e querido casal morreu em um trágico acidente de carro em julho de 2014. Uma de suas filhas, Kim SunHee, também veio a óbito devido ao fatídico ocorrido.”

Namjoon e Yoongi olharam imediatamente para Taehyung enquanto mais cenas dele e de Jungkook passavam na tela. 

Viram lágrimas silenciosas descerem pelo seu rosto marcante.

- TaeTae… acho melhor desligarmos. - o Min disse, preocupado.

- Não, tudo bem. Eu quero ver.

- Acho que o Yoon tem razão, TaeTae. Você não precisa assistir algo que está te causando dor. 

- Não se preocupe, Nam. Chorar ajuda, eu realmente quero ver. 

Namjoon e Yoongi trocaram olhares preocupados, e mesmo relutantes, cederam à vontade de Taehyung. 

Voltaram a atenção para o jornal.

“Devido ao triste fato, a orquestra se encontra em hiatus, e por conta disso, muitos fãs acreditavam que o principal motivo da pausa era devido a morte do casal Kim e da filha. E certamente esse foi o motivo por um tempo, mas ninguém imaginava que Kim Taehyung em outubro do mesmo ano foi diagnosticado com mielodisplasia. Motivo pelo qual precisou se submeter a um transplante de medula óssea para obter a cura. Ato que só foi possível devido a iniciativa de Jungkook em se cadastrar na AMOCS. Sendo cem por cento compatível com Kim Taehyung e dando-lhe mais uma chance de vida.

Agora, usando o nome verdadeiro e aparecendo em um evento de grande valor como personagem principal, e sendo a prova da importância de um doador de medula e incentivando o cadastro na AMOCS, Kim Taehyung não disse nada sobre a profissão e sobre o futuro da Orquestra SooYoung. Seu objetivo no evento não era esse. Mas todos nós vamos ficar na torcida para que ele volte, e junto dele todos os músicos incríveis que compõe a orquestra e que com todo amor continuam nos presenteando com concertos lindos, mesmo individualmente. 

E a Jeon Jungkook, toda a gratidão não só de Taehyung e sua família, mas de todos nós. Ele é um exemplo a ser seguido. Exemplo de que você também pode salvar uma vida. Exemplo de que com um gesto simples, como uma ligação para a Associação de Medula Óssea da Coreia do Sul, e um cadastro, você pode transformar a vida de alguém. Pode renovar a esperança de uma pessoa. 

Seja doador. 

Kim Taehyung e Jeon Jungkook foram os campeões da corrida contra a mielodisplasia. E foi um prazer e alegria acompanhar esse encontro. Todo nosso respeito aos dois. E toda nossa torcida na caminhada deles de agora em diante. 

E como fã, digo em nome de todos, que vamos esperar Kim Taehyung e a Orquestra SooYoung voltar à ativa o tempo que for preciso. 

Fico por aqui. Tenham todos um boa tarde e até amanhã.”

Assim que os créditos do jornal começaram a subir, Namjoon suspirou fundo e disse:

- Cara… confesso que esse final aí me deixou um pouco emotivo. 

Taehyung limpou as lágrimas que ainda insistiam em descer e sorriu para o primo.

- Foi bonita a matéria. Realmente emocionante. - Yoongi disse, também com os olhos rasos de lágrimas.

- Que bom que não fui o único a se comover. A matéria ficou boa mesmo. - Taehyung falou. 

- Eu acho que agora a orquestra vai voltar a ficar falada na mídia. E você também, TaeTae. - Namjoon supôs.

- Nem tanto. Nunca fomos alvo da mídia. Não em grande proporção pelo menos. Eu sempre achei bem tranquilo ser Kim Taehyung, ou melhor, V. Mas isso talvez acenda a expectativa dos fãs da orquestra. 

- E você pensa em voltar? 

- É algo que venho pensando ultimamente. - colocou uma pipoca na boca. - Mas não sei quando vai acontecer. - concluiu enquanto mastigava. Namjoon assentiu.

- No seu tempo. Mas o fato de você estar pensando já é um avanço. - Yoongi falou, fazendo um carinho singelo na bochecha manchada de lágrimas de Taehyung.

- É. - concordou. - Bom, vou ligar para Jungkook. Quero saber o que ele achou da matéria. 

- Jeon Jungkook… tudo bem. - Yoongi disse baixo. - Vamos voltar para a gravadora, Nam?

- Vamos. - falou já se levantando do sofá. 

- Ah, TaeTae… passei lá no hospital hoje antes de ir para a gravadora. Meu pai tem alta amanhã. 

- Que ótima notícia, Yoon! Vamos arrumar o quarto para ele.

- Sim, mais tarde quando eu voltar. Certo?

- Combinado. 

- É isso. Se cuida. Até mais tarde.

- Até.

- Até mais, TaeTae. - Namjoon despediu. - E eu quero muito conhecer o Jeon oficialmente. Digo, da maneira certa, porque no concerto não foi válido. Espero que ele não demore a voltar.

- Eu também espero que não. - Taehyung sorriu.

「✿」

- Orra… isso foi bonito de se ver. E eu nem estou falando da beleza do Taehyung… e da sua, mas da matéria mesmo. - Daehyun disse, suspirando fundo. 

- Eu também não estava esperando. Na verdade nem fazia ideia de que o evento e nosso encontro iam ser noticiados no jornal, não antes de saber a que família Taehyung pertence. 

- É… estou muito orgulhoso de você, Kookie. Seu gesto foi lindo e inspirador… e digo mais, meu maior orgulho mesmo é pelo fato de você ter feito isso por vontade própria. Era um desejo seu, e você foi lá e se cadastrou. Unicamente porque você quis. 

- Sim… mas teve um motivo maior que fez com que eu tomasse essa decisão. Talvez, se não tivesse acontecido… eu nunca tivesse me cadastrado, afinal.

- É… - Daehyun ficou pensativo. - Por isso acredito que tudo acontece exatamente como tem que ser. Porém, também é um fato que nossas escolhas ditam a nossa vida, e por conta disso devemos tomar as decisões certas. 

- Aish… É até estranho te ver falando tão sério.

- Sou o maluco, mas por incrível que pareça o mais centrado e responsável dos irmãos. - Jungkook faz uma cara de indignação e antes que pudesse pensar em uma resposta afiada para dar ao irmão, seu celular começou a tocar.

Ele rapidamente pega o aparelho e vê o nome de Taehyung no visor. Jung Daehyun que estava sentado ao seu lado no sofá, também consegue ler o nome do Kim na tela. 

- Ora, ora se não é o Hyung… e ligando? A evolução começou, caçulinha. 

Jungkook desfere um tapa na nuca do irmão, ato que faz Daehyun se assustar e arregalar os olhos em sua direção.

- Yá! - exclamou demonstrando toda sua indignação pela falta de respeito do mais novo para com sua pessoa.

- Você não tem o direito de ficar indignado. Sua falta de consideração comigo e meu noivado é inaceitável. - Jungkook disse, enquanto as chamadas continuavam insistentes. 

- Aham… minha consideração… - o loiro falou levantando-se enquanto massageava a nuca. - Também esqueci de mencionar que além de maluco, sou muito observador e minhas intuições raramente estão erradas, Kookie. A chamada vai cair. - Concluiu apontando para o celular do moreno e logo em seguida seguindo para o próprio quarto.

Isso fez Jungkook acordar do transe e da bagunça de informação que estava em sua mente no momento, devido as palavras do irmão. 

Atendeu a ligação. 

- Hyung? 

- Jungkook.

O moreno estava estranhamente nervoso. Não entendia o motivo, já que tinha conhecido Taehyung pessoalmente e estava conversava bastante com ele. Mas imaginou que era pelo fato de só estarem conversando por mensagens desde que ele voltou para Busan. E ouvir a voz grossa e aveludada de Taehyung novamente lhe trouxe uma sensação muito boa.

- Como você está? - continuou o Kim. 

- Estou bem. Eu gostei muito da matéria, Hyung. - confessou sincero. - E você está bem?

- Estou bem. Liguei exatamente para saber o que você achou da matéria, fico feliz que tenha gostado. E também porque queria conversar com você… sabe? Sem ser por mensagem. Ouvir sua voz.

- Ah. - soltou um riso tímido. - Fico feliz que tenha ligado, Hyung.

- Hey… sabe que minha mente vai interpretar isso como um passe livre para te ligar sempre que eu sentir vontade, né? 

- Que bom que você entendeu o recado.

Silêncio. 

Jungkook coçou a nuca a fim de diminuir o nervosismo. O constrangimento. 

Taehyung pigarreou antes de dizer:

- Ah… hum… que bom! - pigarreou novamente. - Eu deveria ter te contado no dia do encontro, que tudo ia ser filmado. Me desculpe por isso.

- Oh, não se preocupe, Hyung. De verdade. Eu que fiquei mais constrangido por não saber quem você é, afinal. Da família que pertence.

- Bobagem. Não é como se eu fosse um idol ou um ator. Eles, sim, têm mais visibilidade e a mídia adora ficar atenta em tudo que fazem. - estalou a língua no céu da boca. - Eu sou bastante grato por ser um músico clássico e ter muito mais liberdade na minha vida pessoal. Mesmo minha família sendo bem conhecida.

- Ser alvo da mídia deve ser estressante mesmo.

- E nosso público é mais adulto. Claro que a orquestra têm muitos fãs jovens, mas a grande maioria é adulto. Idosos. Então é muito mais tranquilo. Eles nos acompanham unicamente pela música, sabe?

- Entendo. 

- Bom… têm as KS. Não mencionei que somos donos, enfim… Mas ainda assim a mídia fica mais interessada nos artistas que debutam delas, do que nas pessoas que estão por trás de tudo. 

- É compreensível. 

Jungkook não entendia nada daquilo e como funcionava realmente o mundo midiático, então era mais fácil concordar.

- No entanto, somos conhecidos. E por mais tranquilo que seja para nós, ainda podemos ser tema de alguma noticia vez ou outra. Não fique surpreso se caso você estiver estampando alguma capa de blog de fofoca por aí quando estiver comigo.

Sem perceber o Jeon prendeu a respiração. Taehyung queria mesmo que a relação de amizade deles se fortalecesse. 

- Vou ficar atento a isso, Hyung.

- Hum… então quer dizer que concorda e que nos veremos muitas vezes ainda?

- Claro que sim! É um plano de comum acordo, não? - arqueou a sobrancelhas, mesmo que o Kim não pudesse ver. - Além do fato de que vou me mudar para Seul algum dia. Então vai ser um pouco difícil você evitar minha presença. - sorriu.

- E eu nem pretendo. 

Droga. 

Que sensação era aquela? Um gelo percorrendo do nada por toda sua espinha?

Que saco.

- Está sendo muito bom conversar com você, Jungkook. Mas sei que ainda vai trabalhar, então por hoje é melhor pararmos por aqui.

- Ah, poxa… realmente preciso trabalhar, mas confesso que a possibilidade de continuar conversando com você me soa mais agradável.

- Oh… bom, você me deu passe livre…

- Sim…

- E eu também te dou… pode me ligar também, se quiser.

- Eu vou. 

- Okay! Até mais, Jungkook. Bom trabalho.

- Obrigado, Hyung. Até mais. 

Contra a própria vontade, Taehyung encerrou a ligação. Jungkook suspirou fundo e virou-se na direção que ficava os quartos. Deparou-se com Daehyun encostado no batente da porta da sala, braços cruzados e expressão séria. 

- Que foi? - Jungkook perguntou. Se arrependendo logo em seguida.

- Vou te esperar no carro para irmos para o trabalho. - disse sério demais. - É hoje que você vai dormir no apartamento da Sun, né?

- Hã?  Ah, é verdade! Tinha me esquecido por um momento. 

- Sua memória anda péssima nos últimos dias, Kookie. Mas devo admitir que suas habilidades no flerte melhoraram consideravelmente. - Falou antes de sumir em direção à garagem. 

Jungkook só conseguiu abrir a boca em surpresa enquanto tentava assimilar as palavras afiadas do irmão.

***

Em Seul, Taehyung ainda estava deitado em uma das espreguiçadeiras confortáveis do terraço após encerrar a ligação com Jungkook. Olhos fechados, sentindo apenas o ar fresco daquela tarde, mesmo estando um dia bem ensolarado. Um leve sorriso no rosto. 

Aquele dia estava sendo bem agradável para ele, mais agradável do que poderia esperar devido às circunstâncias. 

Acordou cedo, algo que já não fazia mais nos últimos meses. Com exceção do dia que conheceu Jungkook, pois a maratona iniciou-se bem cedinho, então ele não teve escolha. Tomou café da manhã com Sohyun e Yoongi, que não disfarçaram a surpresa e alegria de vê-lo se juntar a eles para a ocasião. Sentiam falta disso. 

Viu Jae Iseul chegar para mais um dia de trabalho e conversou longos minutos com ela.

Correu. Um hábito que sempre amou fazer toda manhã e que tinha se esquecido da sensação. Não preparou o almoço, mas fez pedido para ele e Jae antes que ela fosse embora. O apartamento estava muito limpo, como sempre, e ela terminou o serviço em pouco tempo, voltando para casa antes mesmo do jornal começar. 

Tentou compor alguma coisa novamente, no entanto, ainda era exigir demais dele. Até que chegou o horário do jornal. Se emocionou. Sua mente foi preenchida com lembranças que lhe causavam dor, então foi impossível conter as lágrimas. Mas não tinha se arrependido de ter assistido, e tinha gostado da matéria. Verdadeiramente. 

Mas nada do que ele tinha feito até o momento que lhe causou boas sensações, foi mais prazeroso que conversar com Jungkook. Ouvir sua voz suave e melódica. 

Foi realmente bom. E algumas frases que o moreno disse fizeram o Kim sentir alegria. 

Ele estava com tanta saudade dessa sensação: se sentir alegre. E nos últimos dias era uma emoção que ele estava apreciando nem que por poucos minutos. Isso era maravilhoso, porque era um sinal. Um sinal de que talvez ele estivesse a caminho de algo positivo. Não diria superação, mas alguma coisa bem próxima disso. 

Porém a alegria que sentiu em conversar com Jungkook deu espaço para um pensamento que no momento ele não sabia definir se era sensato ou inconveniente. 

A lembrança daquelas duas palavras. Daquelas benditas palavras ditas pelo melhor amigo. 

Tenha cuidado.

「✿」

Jungkook estava no escritório do Eunjin, junto com os funcionários que atuavam na área financeira do restaurante, curtindo seus poucos minutos antes de iniciar o trabalho. 

Celular na mão. 

Tinha mensagem da mãe comentando toda animada sobre a matéria do jornal. O pai também tinha comentado com alegria sobre o acontecido assim que ele chegou no restaurante. E YongSun também tinha lhe mandado mensagem, mas disse que conversariam depois, já que ele ia para o apartamento dela depois do expediente.

E era ela que ele estava respondendo no momento. 

[Jungkook]

Beleza

Conversamos depois então

Mas estou feliz que você gostou

Eu vou para a academia hoje, tá?

Depois vou direto para aí

Beijos 

 

Suspirou. Guardou o celular em sua bolsa que estava junto com a de Susan, uma das mulheres responsável pelos recursos humanos do Eunji. 

Sorriu para ela e foi retribuído. Quando estava prestes a sair da sala, Eunhyuk, o maître do lugar, entrou no cômodo à sua procura.

- Oh, Jeon! É você mesmo que eu estava procurando. Seu pai quer nos apresentar às futuras chefs que foram contratadas e serão treinadas por você e Daehyun. Avaliadas, para ser mais exato. 

- Ah! Uau! Tudo bem, vamos nessa. - disse surpreso. - Eu não fazia ideia de que ele já tinha contratado mais chefs, não comentou nada comigo e com o Dae.

- Ele quis fazer surpresa pelo jeito. - Eunhyuk disse risonho. - Porque nós já estávamos sabendo. Tinha um em treinamento faz uns dias, né? Vocês sabem. E hoje vamos conhecer mais duas. 

- É...

O pai às vezes fazia as coisas e só comentava com eles depois. E sua justificativa era sempre a mesma: não causar preocupação ou ansiedade nos filhos.

Coisas do senhor Jeon. 

Ao que tudo indicava o fim da construção do Eunji Restaurant estava mais próxima do que Jungkook achava. E a inauguração chegando. 

E isso só significava uma coisa: que sua mudança para Seul estava mais perto do que ele tinha imaginado.

 


Notas Finais


E aí? O que acharam?
Já tinham percebido que o Dae e o Kookie não são filhos do mesmo pai? Quero saber.

Agora vou att novamente quando eu terminar de escrever o 15 kkkk confesso que estou ansiosa para postar o 11 rs. A Nath (a beta maravilhosa) deu uma leve surtada por causa dele :)

Informação importante para quem tem interesse de se cadastrar para ser um possível doador de medula: aqui no Brasil o principal instituto é o REDOME. Vou deixar o link do site para vocês conhecerem. <3
Eu pretendo muito fazer meu cadastro também.
http://redome.inca.gov.br/

Meu tt: FluxodeSonho
https://curiouscat.me/FluxodeSonho

Obrigada pelos comentários e favoritos! ♥️♥️♥️♥️♥️

Até o próximo. Beijos e se cuidem! 😘


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