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História Retales de mi vida - Capítulo 65


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Notas do Autor


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Vejas as NOTAS ao final do capítulo.

Capítulo 65 - Finais e Recomeços


 

POV ITZIAR 

 

“O que estás dizendo? Que conversas?”

 

Quanto mais eu tentava explicar e entender como isso tudo chegou a esse ponto crucial, mais eu fracassava completamente neste intento. As lágrimas me cegavam, minhas mãos tremiam segurando o celular e a voz de Álvaro, acelerada do outro lado da linha, não contribuía para acalmar meu sistema nervoso. 

 

Nada do que ele pudesse dizer para tentar perpetuar o que acontecia entre nós dois poderia desfazer a ideia fixa que se instalou em minha mente naquele momento: 

 

“Acabou. Tudo que tivemos termina aqui. Não me procura mais, por favor pois preciso seguir, de algum jeito eu preciso…”.  

 

Quem chorava agora era ele que não entendia e repetia sem cessar “que farei sem ti? Isso não precisa acabar assim! Dou um jeito. Eu sempre dou”. 

 

“E depois Álvaro? Ser apontada como a outra mulher? Aquela que destruiu teu casamento? Basta a vergonha que sinto de mim por decepcionar tanta gente”. 

 

“NÃO DESTRUÍSTES NADA!” Ele gritava, de desespero, eu entendia pois também estava aos prantos. 

 

“ISSO JÁ FUGIU DO NOSSO CONTROLE! Todos sabem e me sinto indigna de mostrar minha cara na rua. Não quero ser apontada Álvaro! DEUS SABE O QUE ME CUSTA ABRIR MÃO… abrir mão de ti”. Terminei a frase num longo suspiro embargado pelo meu choro. 

 

“Não…” 

 

“Eu te amo. Te amarei sempre ainda que sigamos caminhos distintos”

 

“Itziar…” 

 

“Te amo”, repeti. Esperei alguns segundos antes de desligar. Queria ouvi-lo dizer que me amava também; poder guardar a última lembrança de sua voz a repetir o seu amor, mas só ouvia sua respiração e choro contido. O silêncio reinava e eu parecia estar vivendo um pesadelo. 

 

Sabia que não seria capaz de esquecê-lo nem que vivesse mil anos. Talvez esquecesse de mim, meu nome, minhas origens, tudo que fiz até aqui. Ainda assim Álvaro seria a lembrança sempre presente, aquela que sustenta todas as outras, que dá sentido. 

 

A vida. 

 

Então seria assim viver sem ele?

 

 

POV ÁLVARO 

 

Me sentia perdido. Em um dia eu tinha tudo e no outro já não havia nada. Procurei me acalmar. Eu estava no meu apartamento alugado e de repente aquele espaço pareceu apertado demais, como se me comprimisse entre suas paredes me sufocando. Peguei carteira e celular e desci correndo até meu carro estacionado na rua. 

 

Em um primeiro impulso pensei em dirigir mais de 3 horas até Bilbao, olhar Itziar cara a cara e fazê-la dizer olhando nos meus olhos que havia realmente acabado. Mas eu estava tão cansado como se tivesse lutando esse tempo todo. O que me deixava ainda mais chateado era que, ainda que o adversário tivesse desistido, o perdedor era eu. 

 

Mas não éramos adversários certo? Ao menos não deveríamos ser. Havíamos jurado que não importava o que acontecesse, seríamos nós dois contra o mundo se fosse preciso. Estávamos do mesmo lado afinal… 

 

Sequei as lágrimas, suspirei profundamente. Peguei o telefone e liguei para Pedro. Perguntei se estava em casa, se eu podia ir ao seu encontro e fui. 

 

Cai novamente num mar de tristeza agora misturado com outro sentimento… era uma mágoa que eu não queria sentir. Contei-lhe tudo, o atualizei de todos os acontecimentos até aquele momento e falei de como me sentia. 

 

“Frustrado. Traído. Abandonado”. 

 

Pedro tentava me fazer ver o outro lado. 

 

“Pra ela é mais difícil”

 

“Mais difícil?”, interrompi. “Falas como se eu também não tivesse largado tudo, como se eu também não estivesse na mira da imprensa”. 

 

“Sabes que é diferente. Ela já é perseguida por outros motivos e este poderia piorar tudo” 

 

Pensei um pouco e refleti que aquilo era verdade, mas na minha cabeça nada poderia ser maior que nosso amor. 

 

“Então nunca poderemos viver esse amor em sua forma mais plena?”, conclui. 

 

“Oh Álvaro, amigo”, Pedro colocou a mão em meu ombro e me confortou. “Vocês viveram”

 

Olhei para ele e intuitivamente sabia que nossa história nunca seria passado. 

.

 

DIAS DEPOIS

 

POV ROBERTO

 

Acompanhei tudo calado, com uma mistura de sensações. Por um lado cheio de razão, por outro traído, ferido. Mas nada me dava mais satisfação do que perceber que não importava às voltas que o mundo desse, era pra mim que ela sempre voltaria e isso se confirmou alguns dias depois quando Itziar apareceu para pegar algumas roupas. 

 

Eu estava sentado na mesa da cozinha com um copo de bebida a minha frente. Vi quando ela entrou abrindo a porta devagar. Me olhou, e como se estivesse envergonhada, baixou as vistas. Depois vestiu a armadura de mulher forte e me disse um olá seco e ríspido. “Vim buscar algumas coisas”. 

 

“Não precisas pedir. A casa é tua”. Tomei um gole da bebida e emendei. “De fato sou eu quem está sobrando aqui”. 

 

Eu sabia exatamente o papel que estava desempenhando. Havia pensado muito, dito a mim mesmo que não havia perdão para tamanha traição. Mas ao final notei que a maior vingança seria tê-la comigo, afinal. A mulher que amei minha vida inteira e que também me amou. Nossas vidas estavam amarradas por laços muito mais fortes e concretos que uma simples confusão de papéis. Éramos vida real e era precisamente isso que a faria voltar pra mim. 

 

“Roberto… sei que precisamos conversar mas”, ela tocou as têmporas e franziu a testa. “…se me permites, me dá um tempo! Podes ficar aqui, não tem ninguém sobrando”. 

 

Levantei e fui atrás dela quarto adentro. 

 

Ela colocava algumas roupas numa sacola de pano. Interrompi seu ato, tocando de leve em sua mão. “Então fica também. Por favor”. As lágrimas já enchiam meus olhos. “Temos uma história. Somos uma família”.

 

Notei que ela me encarava com os olhos mareados. Não identifiquei o sentimento por trás. Torcia que não fosse pena mas naquele momento não me importava nada, unicamente que eu tivesse a satisfação de tê-la de volta. 

 

Ela largou as coisas e sentou na cama. Parecia esgotada física e mentalmente. 

 

“Itziar, por tantos anos fomos tu e eu. Passamos por muita coisa juntos, coisas que só nós dois sabemos. E nos apoiamos, superamos…porque temos a mesma origem, lutamos pelas mesmas coisas. Tivemos a mesma base! Não vou te dizer que pra mim é fácil tudo isso, mas nossa história é maior. O que tu e aquele cara tiveram não passou de um deslumbramento” 

 

“Por favor não quero falar do Álvaro agora”

 

“Eu tentei te alertar! Tentei te fazer ver que esse mundo que estavas entrando não é o teu mundo. Isso tudo são consequências da tua inconsequência  mas não importa. Permaneço do teu lado como sempre estive”. 

 

Ela chorava em silêncio e me ouvia sem forças para argumentar. 

 

“Quanto tempo achas que vai levar para ele voltar pra mulher e para os filhos dele? Achas que ele vai arriscar sua carreira sólida, sem nenhuma mancha, por uma aventura de bastidores?”

 

“Chega Roberto! Eu disse que não queria ouvir mais nada!”  Itziar levantou chorando e saiu do quarto largando tudo sobre a cama. Correu para o quintal e se abrigou ao pé de uma árvore de azeitonas. Fui atrás dela e a encontrei soluçando, acocorada, com as mãos no rosto. A suspendi do chão e a abracei, muito embora ela tentasse sair do meu abraço, com alguma insistência da minha parte ela parou de resistir. “Daqui uns dias temos um show. Vamos nos dedicar a isso com todo coração e depois vamos sumir por um tempo. Vamos ao Peru. Precisamos desse tempo juntos, nem que seja pelos velhos tempos…longe de toda essa confusão, desse caos. Diga apenas que irá”. 

 

Entre soluços ela balançou a cabeça com um “sim”. 

.

 

O DIA DO SHOW. 

 

POV ITZIAR 

 

Terminamos de colocar os equipamentos no carro, um modelo antigo que quebrava nosso galho em pequenas viagens para shows. Figuero assumiu a direção, Juampe baixou o banco e esperou que entrássemos  atrás antes de sentar no lugar do passageiro. Me acomodei na janela, atrás do assento do motorista e Roberto veio em seguida, sentando ao meu lado. Não vou dizer que aquilo não me incomodou. Embora estivéssemos novamente morando juntos, não estávamos tendo uma vida de casal. Depois que Joseba se acomodou, Juanpe sentou e fechou a porta. 

 

Seguimos viagem para Bilbao. Fiz grande parte do trajeto em silêncio, olhando pela janela e lutando para não recordar aquele caminho que fiz tantas vezes ao lado de Álvaro. Roberto parecia notar, mas nada dizia. Colocava o braço atrás de mim me tocando no balançar do veículo. 

.

BILBAO

 

Chegando no lugar do show de Ingot, encontramos Jessica e duas outras meninas que eram fãs vindas de outro país e estavam lá especialmente para nos prestigiar. Elas nos acompanharam nos dias anteriores em nossos ensaios e Roberto as cumprimentou com intimidade, demonstrando a amizade que nutria por elas. Eu tinha meu pé atrás. Com tudo que havia se passado, os rumores e a confusão que estava minha vida, ficara desconfiada de tudo e de todos. Ainda assim, bebi com elas e as tratei com respeito e carinho. 

 

Jessica estava extremamente prestativa. Disse que hoje seria “nossa assistente oficial” e assim o fez. Corria de um lado a outra carregando equipamentos, ajeitando fios e ligando caixa de som. 

 

O bar já tinha uma quantidade razoável de pessoas esperando o início do show e eu estava ensaiando algumas musicas, aquecendo com uma prévia. 

 

Sem você não sou nada, 

Sin ti no soy nada, 

 

Uma gota de chuva molhando meu rosto 

Una gota de lluvia mojando mi cara 

 

Meu mundo é pequeno e meu coração pedacinhos de gelo

Mi mundo es pequeño y mi corazón pedacitos de hielo

 

Eu pensava que o amor não era real, 

Solía pensar que el amor no es real, 

 

Uma ilusão que sempre se acaba 

Una ilusión que siempre se acaba 

 

E agora sem você eu não sou nada 

Y ahora sin ti no soy nada 

 

Sem você, uma garota má, 

Sin ti niña mala, 

 

Sem você uma menina triste 

Sin ti niña triste 

 

Abraçando o travesseiro 

Que abraza su almohada 

 

Deitada na cama, 

Tirada en la cama, 

 

Assistindo TV e olhando pro nada 

Mirando la tele y no viendo nada 

 

Amar por amar e começar a chorar 

Amar por amar y romper a llorar 

 

No mais certo e profundo da alma

En lo más cierto y profundo del alma

 

Sem você não sou nada

Sin ti no soy nada

Os dias que passam 

Los días que pasan 

 

As luzes do amanhecer 

Las luces del alba 

 

Minha alma, meu corpo, minha voz não servem pra nada 

Mi alma, mi cuerpo, mi voz, no sirven de nada 

 

Porque eu não sou nada sem você 

Porque yo sin ti no soy nada 

 

Sem você não sou nada 

Sin ti no soy nada 

 

Sem você não sou nada

Sin ti no soy nada

 

Eu me sinto tão estranha 

Me siento tan rara 

 

As noites de festa se tornam amargas 

Las noches de juerga se vuelven amargas 

 

Eu rio sem vontade, com um sorriso pintado no meu rosto 

Me río sin ganas con una sonrisa pintada en la cara 

 

Eu sou apenas uma atriz que esqueceu seu roteiro, 

Soy sólo un actor que olvidó su guión, 

 

Afinal, são apenas palavras que não dizem nada 

Al fin y al cabo son sólo palabras que no dicen nada 

 

Os dias que passam 

Los días que pasan 

 

As luzes do amanhecer 

Las luces del alba 

 

Minha alma, meu corpo, minha voz não servem pra nada 

Mi alma, mi cuerpo, mi voz, no sirven de nada 

 

O que eu não daria para ter teu olhar  

Qué no daría yo por tener tu mirada 

 

Pra  ser como sempre nós dois

Por ser como siempre los dos

 

Enquanto tudo muda 

Mientras todo cambia 

 

Porque eu não sou nada sem você

Porque yo sin ti no soy nada

 

Sem você não sou nada 

Sin ti no soy nada 

 

As palavras saiam do meu peito e por minha garganta com o tamanho da emoção que eu sentia naquele momento, extravasando meus sentimentos em forma de música. 

 

Não havia dúvidas em quem estava meu pensamento, mas meus olhares estavam atentos ao que se passava a minha frente. 

 

 

POV JESSICA 

 

Voltei do palco carregando a jaqueta de Roberto. Encontrei as meninas animadas dançando perto da mesa onde estávamos. 

 

“Essa é nova”, comentei sobre a música. “Deve ter entrado no repertório agora”, achei graça. As garotas gargalharam e encheram os copos com mais cerveja. “Enche aqui”, pedi. E voltei para perto de Roberto que transmitia os bastidores ao vivo para seus seguidores. 

 

Bebi um gole e ofereci. “Toma. Tá boa”. 

 

Trocamos olhares e ele negou a oferta. Enquanto dançava, eu me movimentava sensual brincando de passar a mão por meu corpo, exatamente como ele havia feito não muito tempo atrás em um de nossos encontros.  

 

“Prova, vai…”, repeti e dessa vez ele tomou o copo de minhas mãos e tomou a cerveja. 

 

“Esta mesmo boa… como tu”, sussurrou sério enquanto devolvia a bebida pra mim. Soltei uma gargalhada porque percebia o quanto ele tentava manter a pose. 

 

Em vão. 

 

Ele permanecia filmando, dessa vez apontando a câmera diretamente pra mim. Aproveitei o momento pra brilhar. Segurei os seios por cima da blusa e os balancei, exibida. Senti seu olhar percorrendo meu corpo e podia jurar que sua boca estava seca enquanto entre minhas pernas eu ficava molhada. 

 

A cena durou poucos segundos, longe dos “15 minutos de fama” que deveriam ser meu por direito. Roberto de repente tirou o foco de mim e chamou atenção. 

 

“Olha a cantora! A cantora!”. E virando para trás notei que Itziar nos fuzilava com o olhar. 

 

Ele me entregou o celular para que tomasse conta da live e voltei para as meninas na mesa. Procurei agi com naturalidade diante daquela situação. 

 

Nesse jogo de traição eu não era rainha, apenas um simples peão. 

 

 

POV ITZIAR 

 

Foi muito ao acaso que em uma menção de Ursula no WhatsApp deduzi que Álvaro estava de volta à sua casa, com Blanca. 

 

 A informação caiu como uma bomba. Tudo que Roberto havia dito se concretizando como se fosse uma maldição. A quem eu queria culpar ou enganar se não a mim mesma? 

.

 

Enquanto o avião alcançava altura no céu meu pensamento estava nas coisas que eu queria deixar ali e não carregar de volta quando retornasse. 

 

A inspectora e o professor não existiam mais. 

 

Itziar e Álvaro, tampouco. 

 

Câmeras desligadas, letrinhas anunciando o final do drama. Como uma série de TV, eu abandonava, por fim, aquele personagem e tudo que veio com ele. 

 

Senti Roberto colocando as mãos em meu ombro e deixei. Estava determinada a apagar esse capítulo da minha vida e recomeçar, nem que para isso tivesse que me reinventar. 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Canção: sin ti no soy nada - Amaral. https://youtu.be/qcC92ZnhGQY


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