História Retalhos - Capítulo 4


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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Sasuke Uchiha
Tags Homem Trans, Homofobia, Horror, Lemon, Lgbt, Narusasu, Policial, Romance Policial, Sasunaru, Sasunarusasu, Suícidio, Suspense, Terror, Tragedia, Transexual, Yaoi
Visualizações 123
Palavras 2.649
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Científica, Lemon, LGBT, Luta, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Shounen, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - III - Mansão dos Horrores


III
Mansão dos Horrores

 



Prédio Hanzai. Sala de Reuniões. 26 de fevereiro.
 

Mesmo confiante de toda a linha investigativa as coisas não pareciam seguir o ritmo que Sasuke planejou, havia se passado uma semana desde que iniciaram as análises e não houve progresso no reconhecimento da vítima. Esse tipo de empecilho não é aceitável para o nível da sua equipe e o Uchiha precisava mesmo correr contra o tempo.

Em toda sua carreira, Sasuke nunca havia se deparado com algum problema desse tipo, o reconhecimento das vítimas ocorria em múltiplos processos e normalmente quando um deles se mostrava ineficaz o médico legista prontamente utilizava outro e, no entanto, não houve eficácia em nenhum método por causa das artimanhas usadas pelo assassino.

O tempo é um fator crucial em uma investigação de tamanho porte e a parada no ritmo gerou uma comoção alarmante, sua equipe inteira havia sido comunicada da reunião de emergência. Sasuke precisava de respostas; particularmente desgostava de intervenções em seus trabalhos e, se não apresentasse uma solução imediata, era exatamente isso o que o presidente faria.

— Alguém poderia me explicar o porquê de ter se passado praticamente duas semanas em que este caso foi delegado a mim e ainda não termos nenhuma pista de quem é a vítima?

Todos permaneceram em silêncio; os olhos alternando entre o detetive e as inúmeras telas planando sobre a mesa, o questionamento não fora surpresa alguma já que todos sabiam o peso nos ombros do moreno. Eles corriam contra o tempo perdido, mas o impasse estava ali, estampado em seus semblantes cansados de noites mal dormidas.

Sasuke não estava com um humor agradável naquele momento, ele passou a última semana sem dormir — mal se dando ao luxo de algumas horas de cochilo em sua sala particular. Conheceu novamente o prédio onde trabalhava, andando de um lado para o outro, buscando insistentemente uma resposta para as perguntas não esclarecidas acerca daquele crime tão malditamente bem arquitetado e sua paciência não estava em sua melhor forma, o seu cansaço havia atingido níveis preocupantes; não poderia mais agir com fria calma.

— Sabaku, quais formas de identificação do corpo você utilizou que se mostraram inúteis?

O legista não desviou o olhar da tela em que trabalhava nas informações específicas do reconhecimento da vítima, ele girou o plano em que a tela estava até o presente momento e a jogou para o centro da mesa, o tamanho foi ampliado; a informação acessível a todos na sala.

— Comecei com o método padrão: Identificação por meio da impressão digital. — Gaara jogou a imagem das mãos da vítima; um holograma de seis dimensões, no centro da mesa, ficando assim ao lado da tela com as informações repassadas. — Não houve margem de sucesso, a ponta de cada dedo da vítima foi queimada. As impressões digitais estavam ilegíveis.

Sasuke tocou na imagem, girando-a em busca das impressões digitais. O holograma mostrava cada detalhe com perfeição, as linhas queimadas, o padrão das digitais deformado por causa do fogo. Ele diminui a imagem, direcionando-a para tampo de vidro da mesa, a excluindo com esse gesto.

— Por que não utilizou o chip de identificação pessoal para realizar o reconhecimento? — Sasuke questionou, olhando diretamente para os olhos verdes do médico.

Gaara fechou a expressão, não gostando do tom arrogante que o detetive usou ao falar consigo.

— O chip de identificação pessoal foi danificado por causa do ácido despejado na pele da vítima. — o ruivo respondeu, o olhar queimando contra os olhos negros do detetive, — Ao ser colocado, no braço direito da população, a profundidade é de cinco centímetros; caso contrário não seria possível a leitura para identificar a pessoa no BDIGS. — informou em tom de retaliação, caçoando do fato que Sasuke não pensara em uma resposta tão óbvia.
O moreno voltou para a expressão vazia de sempre, não se incomodando com a forma com que o médico lhe respondeu.

— Próximo método utilizado.

— O segundo método utilizado foi a arcada dentária. — mais uma vez, Gaara jogou a imagem em holograma no centro da mesa. — A princípio, eu consegui uma aproximação das informações constando no sistema internacional, entretanto, não passou de perda de tempo; a pessoa que tem uma arcada dentária parecida com a da nossa vítima não passa de uma comerciante jovem, casada e bem de saúde.

Sasuke não precisou mexer na imagem — era perceptível o estrago que o ácido provocou em toda a boca da vítima.

— Utilizei o método ossada em seguida, — Gaara continuou. — Seria o melhor método e eu poderia obter sucesso com o processo de extração do DNA no segmento ósseos, porém não há registro desse DNA em nossos sistemas criminais.

— Alguma chance de multas de trânsito ligadas ao sistema policial de alguém que seja nossa possível vítima? — o moreno questionou.

Gaara negou: — Ninguém com informação de desaparecido ligada a multas de trânsito.

— O que significa que a vítima tem ficha completamente limpa. — Sasuke praticamente bufou.

O cansaço e a pressão para cumprir o dever eram pesos tão intensos em seus ombros que nem a sua fachada estóica impecável o Uchiha conseguia manter. O comportamento irritadiço e incomum de alguém que nunca demonstrava emoções foi novidade a todos da sala, contudo ninguém se atreveu em dizer nada sobre. Nenhum som fora ouvido além da voz do Sabaku. 

— Utilizei impressões papilares que incluem: plantares (planta dos pés), palmares (planta das mãos), impressões labiais, desenho dos seios, e as identificações não conclusivas como tipagem sanguínea, marcas e tatuagens e tamanho dos pés; através de identificação antropométricas. — um suspiro profundo e Gaara se encostou na cadeira, — Praticamente todas foram ineficazes por causa do ácido.

— A avaliação por estrutura não vai ser utilizada?

— Impossível, os ossos mais longos do corpo estão quebrados em pelo menos duas partes. A melhor forma seria através do DNA na saliva, nos fios de cabelo ou excreções na pele, contudo, não há registro criminal, então não há como identificá-lo.

— As famílias que informaram desaparecidos masculinos em torno de 30 a 75 anos já vieram para identificação facial?

Gaara assentiu: — Duas mulheres afirmaram que a estatura, peso e cor do cabelo e da pele batiam com seus maridos, mas não puderam identificar com plena certeza; o ácido envelhecera a aparência e enrugara a pele, várias partes do corpo, incluindo o rosto, estavam queimadas ou deformadas.

Sasuke desligou a projeção, sentando-se na ponta da mesa, os ombros caídos e os olhos fechados. Sentia uma sobrecarga física e mental, não poderia dizer se estava daquela forma por não dormir a dias, por sua mente que não parava de funcionar um minuto sequer ou por ainda estar desgastado emocionalmente.

— Quero que passe todas as informações do DNA para a Mito, Sabaku. — o moreno então olhou para a loira que não havia se manifestado até o momento. — Olhe em sua base de dados se há algum registro biológico com este DNA, Yamanaka.

Mito ajeitou os óculos, virando a cadeira em direção ao detetive.

— Mesmo que minha base de dados tenha informação biológica compatível com a vítima, usar desse artifício para um possível reconhecimento não seria inapropriado?

Sasuke se levantou e todos na sala o seguiram.

— Estamos utilizando reconhecimento através do DNA da vítima em outra base de dados, o que oficialmente é totalmente permitido. A base de dados, em questão, não pertence a mestre em química Yamanaka Mito e sim ao sistema nacional de saúde de Shinguru. – Sasuke disse e então olhou para cada integrante da sua equipe, — Uma dessas mulheres é a esposa da nossa vítima, somente precisamos saber qual.

O detetive dispensou a todos com um gesto.



 

 


Sasuke não pensou duas vezes antes de sair do prédio e ir para casa, mas apesar da pressa, ele tomou cuidado com a velocidade para que o seu cansaço não o atrapalhasse a guiar o automóvel. Por sorte o trânsito fluía com uma leveza incomum, algo que o Uchiha apreciou fortemente: o centro de Nangoku, capital de Shinguru, andava com lentidão quando se tratava do trânsito, portanto, o moreno já se preparava mentalmente para seu inferno pessoal que seria andar controlando a velocidade. A surpresa que sentiu ao ver as ruas limpas de engarrafamentos o agradou, sendo praticamente um afago depois da semana difícil que enfrentou com o atraso de toda a investigação.

Deslizou com tranquilidade pela grande pista que cortava toda a cidade ligando o centro comercial às residências e aos bairros fechados de apartamentos que se encontravam em uma área especial. Com tranquilidade, Sasuke alcançou a pista mais afastada do centro.

A rua das labaredas, como comumente era chamada, ligava a mansão Uchiha com o resto da cidade. Ela possuía cinco quilômetros de comprimento, cercada por um diferente tipo de iluminação que pareciam grandes totens de fogo. Criou fama entre os moradores da cidade por ligar uma casa – que havia sido abandonada antes de Sasuke a comprar – ao resto da população. Não havia registros de mortes ou coisa parecida no local, o que levantava a pergunta sobre qual seria o motivo para o resto da vizinhança evitar uma estrutura tão moderna.

Sasuke não acreditava em superstições, não compactuava com o acordo mudo entre a população e o governo quando se tratava de lugares sombrios que aparentemente eram assombrados. Todo aquele medo que rondava este assunto não passava de tolice, a crença em espíritos malignos que estavam presos ao local de morte era de uma estupidez sem tamanho. Assim que chegou naquela cidade, Sasuke entrou na mansão dos horrores – como ela era chamada – e se agradou por demais pela estrutura, localidade e estética. Meses depois já havia reformado tudo que era necessário e se mudara. Nunca se arrependeu, em oito anos, desta decisão.

Chegando no local, ele iniciou seu sistema de segurança, inseriu seu código por voz e o portão totalmente fechado de cor preta foi aberto. Seguiu a estrada interna até chegar no pequeno chafariz perto da porta principal da mansão e logo rodeou a enorme estrutura que dava para os fundos; com o controle ele abriu a garagem subterrânea na parte de trás da mansão e estacionou seu carro ao lado da sua moto, saindo do automóvel em passos calmos Estacionou seu carro ao lado da sua moto e saiu do automóvel em passos calmos – ele usaria o carro novamente no dia seguinte então não retirou seus itens pessoais.

A porta de vidro na lateral da garagem correu para o lado assim que o sensor de movimento identificou sua presença. Ele passou pelo seu escritório e subiu um lance de escadas, atravessando sua sala de estar antes de seguir para o pequeno corredor que daria acesso ao seu estúdio pessoal. A sala ampla e bem iluminada causou a sensação de paz que Sasuke ansiou durante todo aquele dia, as paredes brancas, o piso de cerâmica negra e o lustre pendurado no teto eram tão familiares que Sasuke só se sentiu realmente em casa caso fosse direto para seu estúdio particular.

Parou de frente para o piano de cauda; um instrumento espaçoso, feito com madeira sintética escura e acabamento em verniz, Sasuke retirou a gravata e desabotoou a camisa social, jogando seu sapato em um canto qualquer e ficou por alguns segundo olhando para o objeto, perdido na confusão dos seus pensamentos, dividido entre deixar a dor fluir do seu peito e cair pelos seus olhos, ou segurar mais um pouco essas emoções. Não que essa decisão dependesse da sua força de vontade, era só uma questão de tempo para seu controle se esvair e tudo o que escondia sob sua máscara impecável vir à tona de forma vergonhosa.

Sentou-se no banco acolchoado – par do piano que comprara anos atrás –, e suspirou profundamente, seus ombros tensos parecendo carregar o peso do mundo.

Sasuke não dispunha de tempo para ter hobbies, mas, ironicamente, a única coisa que poderia clarear a sua mente e levar aquela estranha tristeza para fora de si era a música.

Sua tradicional e severa família sempre prezou uma boa educação. Todo e qualquer Uchiha precisava ser perfeito em tudo o que fazia e claro que isso incluía as atividades extracurriculares ministradas nas escolas de Satsujin – cidade ao norte de Nangoku, onde o moreno nasceu.

Na sua época escolar, Sasuke escondeu do pai que, além das lutas marciais, ele praticava música. Ainda se lembrava com precisão o sentimento que o inundou quando tocou nas teclas do velho Studio pela primeira vez, aquele piano de modelo antigo era o único que havia em sua escola e não era tocado a anos, mas Sasuke o havia descoberto e meses depois tudo o que precisava era de apenas um toque para seus dedos deslizarem praticamente sozinhos pelas teclas.

Para Sasuke, sempre que ele tocava, a música se transformava em uma conversa entre ele e o piano, e o moreno precisava daquela conversa com quase desespero.
Com calma, sentiu as teclas com a ponta dos dedos, fechou os olhos e fez a primeira nota, no mesmo instante que a primeira melodia soou do piano, o coração de Sasuke falhou uma batida. Seus dedos agora se moviam, praticamente por instinto, para as teclas seguintes, produzindo mais da canção e, a cada som, mais o calor na boca do seu estômago e o aperto no peito cresciam.

 O ritmo começou lento – mesmo que Sasuke quisesse acelerar, um som agudo e oco, não ressonante; cada nota produzida através do toque dos seus dedos nas teclas transparecia seus sentimentos: uma melodia melancólica, como um grito no vazio, cheio de incertezas e sofrimento, era assim que ele tocava. Quando a melodia estagnou, o Uchiha tocou em outra tecla, tornando a música mais brusca, reproduzindo um ritmo crescente e angustiante; a profundidade da sua negação, a profundidade da ferida em seu peito sendo passada pelo toque exasperado nas teclas, mostrando o seu desespero interno por estar perdido nesse vasto mundo sem o seu pilar de sustentação – o mesmo desespero transparecendo na rapidez de seus dedos no instrumento.

Passou a se mover ainda mais rápido, as batidas mais duras, sólidas contra o objeto que Sasuke aprendeu apenas por ter o total e completo apoio dele. O som ressonante preso por entre as paredes reforçadas retumbava pelo seu corpo causando arrepios e, sem controle de si mesmo, Sasuke sentia seu coração sangrar. Ninguém nunca escutaria sua conversa dolorosa com o piano através da música, ninguém jamais entenderia aquele sentimento que ardia em seu peito, queimando seu estômago e causando um gosto amargo em sua boca.

Não sabia quanto mais conseguiria segurar, por isso apressou ainda mais as notas, precisava terminar o que começou, precisava sentir aquela agonia que lhe tirava o ar, nada mais importava ali além dessa amargura, dessa angústia. Exasperado, Sasuke transformou o ritmo, diminuindo a frequência das notas, assim o som se transformou em um tom mais grave e ressoou como se o músico, que toca o instrumento, estivesse chorando, duplicando a solidão e o desespero marcados da melodia infeliz. Em seguida, a volta para as notas calmas, tristes, lembrando de uma despedida que nunca aconteceu. Mais um toque e a conversa acaba.

Seus dedos pararam completamente, suas mãos, que outrora tocavam com tamanha paixão, caíram ao lado do seu corpo, mostrando desânimo. Abaixou sua cabeça, os fios negros escondendo o rosto corado. O seu peito subia e descia rápido por estar ofegante; não pelo esforço de tocar a música e sim pelas emoções intensas que o invadir de forma avassaladora assim que tocou na primeira tecla. Descontrolado, tudo o que Sasuke conseguiu fazer foi segurar com força desnecessária sua calça risca de giz e, segundos depois, os ombros passaram a tremer, seguidos de um suspiro estrangulado.

As paredes que antes abafaram uma melodia completamente infeliz de uma alma desolada, agora guardavam os soluços altos e os gritos de dor como a um segredo. Sasuke, porém, não se importava em como estava vulnerável ou em como sua alma estava despida. Não. Ninguém iria saber, não quando estava longe de tudo e de todos.

Às vezes Sasuke estava longe até de si mesmo.


 


Notas Finais


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