História Retalhos - Capítulo 5


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Categorias Naruto
Personagens Naruto Uzumaki, Sasuke Uchiha
Tags Homem Trans, Homofobia, Horror, Lemon, Lgbt, Narusasu, Policial, Romance Policial, Sasunaru, Sasunarusasu, Suícidio, Suspense, Terror, Tragedia, Transexual, Yaoi
Visualizações 166
Palavras 3.638
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Ficção Científica, Lemon, LGBT, Luta, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Shounen, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - IV - Conselho do Caso 227


 

 

 

 

 

 

IV
Conselho do Caso 227


 


Cidade Daitouryou. Centro de Nangoku. 26 de Fevereiro.


A sede de todos os sistemas que regem e controlam o país Shinguru estava localizada na cidade administrativa no centro de Nangoku, capital do país, nomeada de Daitouryou. Apesar de ser chamado assim, o local não é realmente uma cidade, tendo somente 350 mil hectares, seu espaço e localidade se comparavam a de uma fazenda de grande porte. Não havia comércio ou outras pessoas morando ali, o espaço sendo utilizado somente para abrigar os prédios, câmeras e os monumentos públicos, assim como os servidores que cuidavam da proteção, leis e organização de todos os civis. Era de lá que qualquer contratação, liberação, exportação ou documentação referente a Shinguru era autorizado.

O aspecto físico e visual em si era muito diferente de uma fazenda, retirando algumas vegetações, árvores e o Lago Central Wasei, encontro da parte Oeste chamada de Watachi e da parte Leste denominada Seikatsu. Tudo realmente parecia fazer parte de uma grande cidade futurística, com prédios modernos com arquitetura despojada e de altura consideráveis, contudo essa aparência acabava ali, nas sedes dos poderes legais. Não haviam muitas construções por ali também: O pequeno prédio de cinco andares espelhado comportava todos que trabalhavam com as câmeras de monitoração e vigilância, a cúpula ao lado deste prédio era a central da C.O.R.P.S, entidade cibernética responsável pela parte legal acerca de todo o sistema de proteção. A enorme estrutura em forma de globo é a central do S.I.R.D.E.S, o único site a ter sede por se tratar de algo sigiloso e de tremenda importância – caso algo seja hackeado ou deletado e dependendo do que seja, pode libertar as piores pessoas que Shinguru já viu. O maior prédio, com design em espiral e também espelhado é chamado de “Palácio do Poder” e era onde ficava o Presidente, Vice-presidente e outras entidades responsáveis pela área Jurídica do País. Como esperado, a segurança do local era extremamente pesada e somente o Prédio Hanzai tem uma vigilância parecida com a da Cidade administrativa.

Como o grande centro de poder que é Daitouryou, havia coisas que eram decididas ali não podendo ter opinião popular ou voto civil; a escolha da equipe dos Detetives e qual caso cada Detetive pegava era exatamente uma dessas coisas. O sistema de Detetives do Governo é jurisdição do próprio presidente, cabendo assim a ele, e somente a ele, todas as decisões. Para ser uma ação justa e equilibrada, sempre que iriam convocar algum profissional ou mexer em alguma equipe de investigação, o Presidente convoca uma reunião onde apenas mais três pessoas eram permitidas: O Agente Especial responsável pelo caso, o Agente Federal responsável pelo complexo Tosaku – que é para onde o assassino condenado vai e o seu braço direito e Vice-presidente, Uchiha Izuna.

Sua interferência pessoal no caso significa extrema urgência e não pode ser ignorado, precisando então que todas as decisões sejam tomadas com rapidez e de forma unânime pela equipe. Senju Tobirama, um velho político elegido pela população como Presidente de Shinguru, cumprindo o terceiro mandato, convocou as três figuras públicas para uma reunião de emergência às 14 horas daquele dia.
Uchiha Madara, Agente Especial responsável por aquele caso específico, precisou pegar o primeiro voo de Kyoki para Daitouryou.

Madara é um homem sério e de comportamento egocêntrico, formado em Direito e policial por oito anos, foi chamado para fazer parte do treinamento Especial do Governo aos trinta anos e continua servindo o Governo desde então. Por ser inteligente e experiente, sempre que estava disponível ele é chamado para um novo caso, consequentemente os maiores casos que o país já vira o Agente estava cuidando nos “bastidores”. A interferência do Senju não foi realmente uma surpresa e, na verdade, o Uchiha aguardava por essa reunião desde que a primeira semana de investigação findou e a vítima não fora identificada. Esse tipo de erro não era comum e nunca aconteceu sob a supervisão do Agente, por isso mal conseguiu acreditar quando teve a atenção chamada por seu superior, Uchiha Izuna. Desde então não teve tempo de conversar com o Detetive Uchiha, pois sua presença foi requisitada na Cidade Administrativa.

Hatake Kakashi foi o primeiro a chegar na sala do Presidente, exatamente às 13 horas em ponto. Como dois dos integrantes da reunião trabalhavam no local, faltava apenas o Agente Uchiha chegar para iniciarem o debate. Kakashi entendeu o significado de toda essa mobilização. Shinguru não via um assassinato tão violento e com tanto mistério desde Doll Killer e o atraso inexplicável e inadmissível acontecendo nas investigações com o maior e melhor Detetive e equipe do País no caso era realmente preocupante. Hatake já tinha um Detetive para indicar e apenas esperava ser confirmado o momento para ele ser convocado.

Todos aguardaram em silêncio a chegada do último participante. Mesmo tendo uma hora completa para esperar, nenhum dos homens na sala se pronunciou e isso não era surpresa; os três homens vividos prezavam pelo silêncio e quietude, raramente quebrando essa paz para falar sobre banalidades.

Faltavam quinze minutos para o horário marcado, Madara entrou na sala fazendo uma breve reverência e sentou silenciosamente. Tobirama se levantou ligando a tela touch screen do tablet conectado ao holográfico tridimensional na mesa central da sua sala. Todas as cadeiras acolchoadas giraram para frente, toda a atenção focada no Presidente.  

— O assassinato ocorrido no Hospital Marui no dia 12 de fevereiro em horário estipulado pelo legista de uma da manhã, a vítima encontrada somente três dias depois, caso designado a Uchiha Sasuke apoiado pela equipe Alfa e que, até o presente momento, não houve identificação da vítima, está sob intervenção Governamental. — finalizou a leitura da Ata, documento este disposto em realidade aumentada no centro da mesa para que todos pudessem lê-las. Tobirama levantou os olhos do aparelho e encarou cada um dos homens presentes, — Alguma pergunta?

Não houve manifestação.

— Prosseguindo, — Tobirama passou a tela para o lado, mudando de documento, sendo agora uma série de parágrafos numerados com o titulo de “Pontos da Investigação a Melhorar com um Segundo Detetive”. — O primeiro assunto que quero colocar em discussão é a visão limitada do Detetive Uchiha. — o Senju voltou a se sentar. — Uchiha Sasuke não consegue interligar ou objetivar ações emocionais, sendo praticamente leigo nesse tipo de linha investigativa. Selecionei quatro Detetives que se enquadram, oitenta por cento, com o perfil montado julgado necessário para “completar” a linha de pensamento do Uchiha.

Dispensou o tablet, desativando o touch screen e configurou no teclado transparente no tampo da mesa o touch dela, para que pudesse mexer livremente no material disposto e exibido no centro.

— Akasuna no Sasori segue a carreira de Detetive a dez anos. — a foto de um ruivo de olhar entediado vestido em um terno de aparência cara. — Ele conhece muito bem o tipo de crime que estamos lhe dando, sendo os crimes passionais, causados por ciúmes e possessividade ou não, sua especialidade.

— Eu voto contra. — Madara foi o primeiro a se pronunciar. Todos os olhos da sala se fixaram nele. — Por mais que ele tenha um conhecimento vasto sobre crimes passionais, não podemos classificar o crime em nossas mãos de forma tão leviana por questão de aparência. A raiva e brutalidade claras nas cenas de crimes pode ser proposital para nos fazer seguir essa linha investigativa e não podemos nos dar ao luxo de mais atraso na investigação.

— Concordo com o Agente Uchiha, — Hatake disse calmo. — É muito desleixo tomar aquela cena brutal como ‘crime passional’ e investigar desse ponto. — virou mais a cadeira, olhando agora nos olhos do Presidente. — Não podemos nos esquecer também que o detetive Uchiha jamais vai entregar o caso para outra pessoa e colocar Sasori para essa linha investigativa é o mesmo que impossibilitar Sasuke, principalmente por ambos serem praticamente opostos e não dois “complementares”.

Tobirama assentiu e sem discutir deslizou para baixo a foto no holograma, a fazendo desaparecer, movimento esse que significava que ele tinha descartado o arquivo. Uma nova foto tomou o lugar da do Akasuna e nela um homem de pele estranhamente pálida ao ponto de ficar azul por conta das veias aparentes, olhos de pupilas retraídas e dentes pontiagudos. Em questionamento mudo e unânime, todos na sala se perguntaram se o homem na imagem havia feito algum tipo de cirurgia plástica.

— Hoshigaki Kisame tem uma mente mais maliciosa e sua linha de pensamento tem facilidade em transformar o crime diante dos seus olhos em uma cena de filme deduzindo os pensamentos, porquês e eventos que levaram o assassino a fazer aquilo. — ao terminar de apresentar o velho detetive, Tobirama cruzou os dedos e apoiou os cotovelos na mesa. — Por mais que ele não fosse ajudar com o motivo do provável crime passional em si, ele poderia facilmente descobrir tudo sobre o assassino.

— Mas ele não descobriria quem é o assassino, — Izuna, Vice-presidente, retrucou, vetando a ideia assim que foi dada. — Ele não ajudaria em nada o Sasuke, que segue uma linha de pensamento completamente diferente. Escolher Kisame para ser parceiro de Sasuke é o mesmo que congelar a investigação... — Izuna deslizou a imagem descartando Kisame, — ... e o assassino iria deitar e rolar fazendo o que bem entende no meu País, o que, é claro, eu nunca vou deixar acontecer.

Ninguém interferiu ou parou a ação do Uchiha. Se os dois Agentes não o conhecesse a anos e não tivessem presenciado a ousadia do homem baixinho, eles poderiam ficar abismados com o comportamento pouco profissional e com a falta de represália ou correção administrativa do Presidente.

Tobirama suspirou, mas deslizou a tela para o lado esquerdo puxando a próxima foto em silêncio.

— Akimichi Chouji é o Detetive com menos experiência da lista. — um homem de rosto redondo e tatuagens esquisitas nas bochechas apareceu no meio da mesa. — Ele é bastante perspicaz e observador, além de entender bastante sobre a mente humana por ter feito especialização em psicologia.

— Eu gostaria de ressaltar a completa falta de experiência com qualquer tipo de homicídio. — Madara murmurou entediado. — o Detetive Akimichi vem tratando de investigações administrativas e nunca teve contato com assassinos e coisas do tipo até os dias de hoje. Eu entendo que ele, no momento que passar a investigar crimes de assassinato, vai ser tão bom quanto o Uchiha, contudo esse não é o momento para ele aprender nessa área. Estamos com pressa senhor Presidente, precisamos de uma mente complementar.

Ninguém além do Agente Uchiha disse algo, porém todos concordaram com um aceno, trocando olhares significativos. Se Tobirama não fosse tão sério, ele teria dado de ombros.

— O último é Uzumaki Naruto, mas ele sofre do mesmo mal do Akimichi: Nunca teve contato com um assassinato antes. — Tobirama levantou a mão para descartar a foto, contudo teve o ato interrompido por Izuna que abriu uma nova tela mostrando várias reportagens de alguns anos atrás.

— Eu sei que deveria ter avisado sobre esse pequeno adendo — o Vice disse em tom de desculpas, — Mas eu assisti o potencial desse Detetive de perto e, até agora, toda vez que eu me lembro da atuação dele perante um sequestro internacional que, infelizmente, foi cometido em nosso País, eu sinto meu corpo tremer. Ele é absurdo, não dá pra resumi-lo em inteligente ou sábio, não dá para resumir Uzumaki Naruto. Eu nunca havia visto alguém como ele na minha vida.

— Eu devo incluir nessa análise o enorme feito dele contra a maior família da Máfia de Minarin, ao qual ele destruiu e prendeu a todos em menos de quatro meses. — Madara falou para o Vice-presidente. — Eu estava em uma viagem importante, mas acompanhei tudo de perto através de vários relatórios e vídeos mandados a mim pelo meu parceiro Senju Hashirama. — finalizou seu adendo e passou a bater os dedos contra a mesa mostrando sua pressa em finalizar a reunião.

— Consideremos também sua destreza em desfazer uma rede de tráfico de seres humanos que o País já viu enquanto ainda era um policial. — Hatake ressaltou. — Eu acredito que, com essa perspicácia, inteligência e esse dom que não se sabe explicar, Uzumaki Naruto é o melhor, dentre os quatros Detetives, para complementar a linha de pensando do Uchiha e encontrar rapidamente esse assassino.

Houve alguns minutos de silêncio enquanto todos olhavam para a foto que mostrava um jovem bronzeado com olhos azuis sinceros e alegres, um sorriso singelo, feliz e um ar humano que não foi transmitido na imagem dos outros homens citados na reunião. Cada um deles pensava nos prós e contras em colocar alguém inexperiente e mesmo assim esperto suficiente para cuidar de um caso tão complicado.

— Eu voto a favor. — Madara disse com um tom monótono. Para ele o Uzumaki era de longe a melhor escolha.

— Eu voto junto ao Agente Uchiha. — Kakashi disse. Ele estava aliviado de não precisar intervir para que seu sobrinho de consideração fosse escolhido. No fundo o Hatake temia que fosse o loiro descartado pelo simples fato dele ser inexperiente, como quase aconteceu, mas no fim a boa reputação de Naruto falou mais alto.

— Você sabe minha opinião. — Izuna murmurou.

— Certo. — o Presidente se levantou e todos na sala seguiram o seu exemplo. — O conselho do Governo do caso 227 votou, de forma unânime, a favor da inclusão do Detetive Uzumaki Naruto para ser parceiro, e novo responsável pelo assassinato no Hospital Marui. — declarou em voz alta. Tudo o que ele, líder da reunião, dissesse ficaria gravado no S.I.R.D.E.S estando também toda a reunião discutida disponível em livre acesso ao Detetive Uchiha.

— Reunião dispensada. — Izuna declarou.




 


Uma fina e irritante dor de cabeça incomodou Sasuke desde que ele acordou e, a cada latejar, seus olhos ardiam, às vezes, realmente parecendo que sua cabeça iria explodir. Mas se Sasuke achou que essa seria a pior parte do seu dia, ele estava muito equivocado: era apenas o início.

No dia seguinte ao seu desmoronamento pessoal na sua sala de música, o Uchiha precisou lidar com mais um problema – como se ele já não tivesse o suficiente deles; uma convocação em vídeo chamada do próprio presidente e isso significava que Senju Tobirama iria intervir em sua investigação. Sasuke odiava com todas as suas forças quando se metiam e atrapalhavam o seu trabalho.

Foi justamente Tobirama que ligou em sua casa chamando-o para investigar o crime. Foi um tiro no escuro já que a vítima havia acabado de ser encontrada e eles precisavam de uma presença urgente. Sasuke, na verdade, estava afastado e ninguém sabia se ele aceitaria o caso, mas o presidente, como em todas as vezes, foi um maldito cretino inteligente que conhece as pessoas com que trabalha e não duvidou por um momento sequer que Sasuke negaria.

Assim que ele pisou na entrada do prédio, uma mulher pequena e apressada já estava o esperando para comunicar do chamado extremamente importante. Ligações realizadas através de telas transparentes projetadas por hologramas poderiam ser efetuadas somente em salas com estrutura compatível, as salas desse porte estavam localizadas no quinquagésimo quinto andar, onde também eram executadas reuniões com importância internacional e foi para lá que o Uchiha seguiu. Sem ânimo algum, ele entrou no terceiro elevador, que cobre somente do quadragésimo andar em diante, e apertou o botão”55”. Em poucos segundos o elevador deu um leve solavanco ao parar e abriu as portas. O Uchiha, com o semblante completamente fechado, deu alguns passos, parando em frente à sala número quatro, que ficava exatamente ao lado do primeiro elevador.

Hatsuchi Sayama, a mulher pequena e de olhar decidido que o abordou na entrada do prédio, autorizou sua entrada passando um cartão magnético – que eram usados apenas nesses momentos importantes e de máxima segurança. Sasuke passou por ela em silêncio. Ele sempre a via andando apressada pelos corredores e era de conhecimento geral a responsabilidade que Sayama possuía em manter os sistemas do prédio resguardados, mas tirando esses esbarrões ocasionais e alguns olhares cruzados, o moreno não havia ficado mais do que alguns segundos na presença da mulher.

— O código para ingressar na chamada é 15224, a sua voz foi cadastrada temporariamente e o tempo limite é de uma hora, término automático.

A forma com que ela falava, monotonamente e desinteressada, como se tudo aquilo realmente não significasse algo, o lembrou das vozes remotas de sistemas informativos. Sasuke se perguntou se era ela quem gravava aquelas informações e perguntas que de vez em quando apareciam em seu cotidiano.

A porta foi fechada assim que Sayama passou por ela. As telas já estavam ligadas e pairavam sob uma pequena mesinha. Sasuke manteve-se de pé, o corpo tenso pela conversa cansativa que teria; sabia bem o assunto em pauta e não estava mesmo com disposição para o debate de argumentos que aquela conversa séria.

Deslizou a tela acionando o sistema de segurança, sempre que sua paciência estava no limite, Sasuke se lembrava o quanto detestava todos aqueles códigos e sistemas do Hanzai.

— Por favor, informe código para ingressar na chamada a Central Shinguru direcionada ao Presidente Senju Tobirama. — a voz eletrônica realmente parecia com a da Hatsuchi.

O detetive revirou os olhos impaciente.

— Código 15224.

— Solicitante?

Revirou os olhos mais uma vez e disse: — Uchiha Sasuke.

A tela rodou e sem demora surgiu a imagem de um homem de cabelos brancos, olhos avermelhados e semblante antipático em uma sala ampla e impessoal parecida como a que estava.

— Senhor presidente. — Sasuke cumprimentou educadamente.

Senju Tobirama era o que Sasuke chamaria de “poucos amigos”. Ele nunca sorria, nunca era gentil e não agia com amabilidade, sua maior característica era ser um homem severo, de poucas palavras, não gostando de ser contrariado e tendendo a ser mais duro com as palavras quando o serviço que ele designou, por quaisquer motivos, não havia sido bem feito. Os cabelos brancos e rosto marcado pelo tempo deixava claro o quanto aquele homem era vivido, um político experiente e, por mais que ele fosse arrogante e autoritário, não deixava de ser um homem justo e honesto com uma sinceridade aflorada.

A personalidade dele, no entanto, é terrível.

— Detetive Uchiha. — disse em uma espécie de comprimento, mas seu tom foi curto e grosso, como sempre. Sasuke segurou a vontade de revirar os olhos. — Na reunião das 14 horas no dia 26 de fevereiro foi decidido, de forma unânime, pelo conselho do caso 227, que um novo Detetive estará responsável pelo caso junto com você, formando assim uma parceria temporária. Tudo o que foi dito nessa reunião está disponível para você no S.I.R.D.E.S.

Sasuke comprimiu os lábios, controlando a respiração para que esta não saísse exasperada, como realmente era sua vontade no momento. Seus dedos coçaram para bagunçar seus fios negros, gesto que sempre fazia quando algo não seguia como queria. Aquele maldito atraso foi um erro grotesco e imperdoável então a ação do Presidente não foi impensada ou precipitada e Sasuke, em seu íntimo, já esperava por ela. Mesmo assim tentou argumentar.

— Senhor Presidente, peço que reconsidere tal decisão. — se não fosse tão bom em se manter indiferente, Sasuke teria feito uma careta de desagrado. — Nossa investigação progrediu depressa e ter que atualizar alguém sobre o caso, depois de todo esse avanço, serviria somente para atrapalhar a mim e minha equipe.

O olhar do Presidente mudou de completamente desinteressado para debochado, a expressão zombando abertamente da tentativa falha de argumentação que Sasuke tentou usar.

— Avanço? — Tobirama rebateu com escárnio, — Como, exatamente, estar com o caso em suas mãos a duas semanas, sem ninguém para “atrapalhar”, e nem ao menos saber quem é a vítima, seria um avanço?

O moreno cruzou os braços. Precisou contar até dez para controlar a língua ferina, afinal era o Presidente em sua frente e por tanto precisava mesmo manter seu temperamento sob controle.

— Com todo o respeito, Senhor Presidente, o reconhecimento do corpo demorou mais do que o previsto por conta do nível de assassinato em nossas mãos. — Sasuke retorquiu, — O fato de ser um ou dois detetives não interfere na velocidade do reconhecimento.

Tobirama descartou a resposta do moreno com um simples gesto de descaso com a mão direita. Sasuke sentiu a frustração queimar em seu peito na mesma medida que sua cabeça latejava; agora ainda mais e mais forte por conta do estresse com aquele maldito Senju.

— Ele é um brilhante detetive. Muito inteligente. A linha de pensamento dele é um oposto complementar da sua, sendo praticamente uma visão 360° do caso. — o mais velho se aproximou mais da tela e deu um sorriso arrogante. — Mas isso não é o principal, afinal todos dizem que duas mentes pensam melhor do que uma, não estou certo, detetive?

Ambos se encaram por um tempo: Sasuke continuou mantendo firme sua expressão limpa de qualquer emoção e Tobirama ainda tinha o sorriso debochado na cara, mesmo que seus olhos fossem inexpressivos. Minutos de pura tensão com o Uchiha ciente que, agora que o conselho junto ao Presidente decidiu intervir, não havia nada que ele pudesse fazer para mudar aquela decisão, mesmo que esta o desagradasse profundamente. No fim, o moreno se limitou a concordar com um aceno.

Tobirama murmurou um ‘ótimo’ e interrompeu a ligação, não ligando para o tempo restante da chamada. Sasuke ainda ficou por alguns segundos na sala tentando se acalmar para poder manter sua pose inabalável pelo restante do dia e soltou um último suspiro irritado enquanto atravessava a porta de madeira sintética. Hatsuchi estava lá, como um robô, aguardando sua saída para fechar de vez a sala com o cartão que ela mesma era responsável. Mais uma vez Sasuke passou por ela sem dizer absolutamente nada e Hatsuchi também não mostrou sinais de que queria qualquer conversa.

Caminhando para o mesmo elevador que o deixou ali, o Uchiha se perguntou se, em qualquer mundo existente, alguém realmente duvidava da sua capacidade em encontrar aquele assassino e, se eles realmente achavam isso, o próprio moreno esfregaria na cara de todos que ele era mais do que capaz de cumprir seu dever.



 


Notas Finais


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