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História Revés - Capítulo 1


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Notas do Autor


Não acredito que tô de volta, MDS
Depois de MUITO TEMPO tentando e tentando, cá estou. rs
Espero que gostem, vou me esforçar para não dropar a história.

Capítulo 1 - Um


Passos ecoavam pelo local. Palavras de conversas aleatórias chegavam sem nexo algum aos seus ouvidos e as pessoas que passavam por si naquela praça mal percebiam sua presença o que, de certa forma, o reconfortava um pouco. 

Mesmo com o inverno chegando e uma blusa de frio só não sendo o suficiente, as pessoas saíam de suas casas, geralmente em busca de companhia. Jimin, saía de sua casa em busca de compreensão e aceitação e, infelizmente - ou não -, só encontrava o conforto que precisava quando acendia um cigarro. Era por isso que fumava, sentado no banco daquela praça cheia de pessoas que não faziam ideia do que acontecia ao redor de si, pois estavam ocupadas demais com suas próprias existências. 

Mas Jimin não ligava para isso, até gostava. Sentia-se um espectador. 

Por isso, naquela praça, principalmente naquele horário, era onde ele fumava um maço de cigarros inteiro enquanto observava a vida passar e passar por ali. Ou pelo menos era o que gostaria de fazer naquele dia, até perceber a presença de um rosto conhecido próximo demais de si.

— E aí, Park. 

Jimin encarou o homem de cabelos ruivos e olhos escuros agora sentado ao seu lado no banco; ele estava com ambas as mãos nos bolsos da calça de moletom e usava uma jaqueta de couro sobre uma blusa também de moletom. 

— Oi, Sam — respondeu alguns segundos depois, dando uma última tragada antes de jogar o cigarro no chão e pisar sobre o mesmo. Talvez não fosse sua noite de sorte.

— Nada de “oi, Sam”! — puxou Jimin pela gola da blusa com força, de forma irritada. — Você me deve e vai me pagar. Agora. 

Um pouco surpreso pela ação repentina, Jimin ergueu uma das sobrancelhas e então sorriu em seguida, fingindo não se preocupar com aquilo. 

— Ei, ei… Se acalma, cara — ergueu os braços em um sinal de rendição. Sabia que Sam muito provavelmente não estava sozinho e que tinha mais um ou dois homens espalhados pela praça. — Eu disse que ia te pagar na quinta, não disse?

O arrependimento atravessou o Park assim que terminou de falar, pois o aperto em sua blusa ficou mais forte e a expressão no rosto do ruivo fechou ainda mais. Estava ferrado. 

— Você me disse isso há duas semanas, seu infeliz! Eu vou te quebrar, Park!

É, definitivamente não era sua noite de sorte.

— Calma, calma… — Jimin pediu ao notar que começavam a chamar a atenção de algumas pessoas ao redor. Colocou as mãos sobre as de Sam com cuidado, exibindo um pequeno sorriso na tentativa de acalmar o mesmo. — As pessoas estão percebendo a gente, não quer causar uma cena, não é? Vamos para algum lugar mais reservado.

O ruivo olhou brevemente em volta como se ponderasse a respeito e respirou fundo antes de diminuir a força cujo segurava a blusa do outro rapaz.

— Sem gracinha, me ouviu? — questionou em tom de ameaça. Então se afastou um pouco e o soltou devagar ao ver que Jimin concordava consigo balançando a cabeça. — Ótimo, porque senão eu descubro onde você mora e… — Sam estava prestes a se levantar do banco quando percebeu a cabeleira loira do outro saindo de perto de si rapidamente. — Park!!! 

Sem pensar duas vezes, Jimin correu. Chocou o corpo com algumas pessoas antes de enfim sair da praça e chegar nas ruas movimentadas por diversos carros e ônibus. Não havia outra solução, afinal, devia à Sam uma quantia considerável e não possuía um centavo sequer no bolso. Aquela não era a primeira vez que devia a algum traficante e, sinceramente, sabia que não seria a última. Precisou entrar em uma livraria para despistar os três homens que o seguiam já por diversos quarteirões. Por pouco não foi pego. 

Esperou durante alguns bons minutos dentro da livraria enquanto observava a movimentação fora da mesma antes de enfim sair e seguir em direção ao apartamento onde estava ficando. Andou por quase uma hora até chegar ao condomínio e mesmo sem ser religioso, agradeceu à Deus quando se viu já dentro do elevador. Estava exausto depois de correr tanto. 

Atualmente estava morando com Taehyung, seu melhor amigo desde os tempos do ensino médio. Mesmo que Jimin tenha desistido do colégio, a amizade dos dois continuou firme e forte, apesar de ultimamente estar um pouco abalada por conta de alguns acontecimentos. 

O elevador parou no décimo andar e Jimin andou devagar até o apartamento de Taehyung. Abriu a porta com sua chave reserva e adentrou o local silencioso, seguiu até a cozinha e abriu a geladeira para procurar algo para comer e ouviu passos se aproximando.

— Onde você estava, Chim? 

A voz grave e baixa atraiu a atenção do loiro que fechou a geladeira e olhou em direção à mesma. Taehyung estava encostado no batente da cozinha, os braços cruzados contra o peito e a expressão que Jimin conhecia bem no rosto: ele estava bravo. 

— Por aí, Tae. Fez janta? — desviou o olhar do dele e foi em direção ao fogão, onde estavam duas panelas. Abriu-as para ver se tinham algo dentro, mas para sua infelicidade estavam vazias. 

— Precisamos conversar, Jimin. 

— Pode ser amanhã? — sentiu o estômago roncar. — Estou morto de fome e cansado de tanto correr de uns caras que quiseram me pegar hoje, preciso de um descanso. 

Jimin ia passar por Taehyung para seguir para o quarto, mas foi impedido pelo mesmo que colocou o próprio corpo em sua frente. 

— Jimin, você não pode viver assim! — Taehyung esbravejou, descruzando os braços e segurando os ombros do amigo. — Você está fedendo a cigarro, parece que nem tomou banho hoje… O que está havendo?! 

O Park tratou de se desvencilhar do toque e deu um passo para trás, se afastando. Não sentia mais o cheiro de cigarro em si, mas considerando a quantidade que fumou, provavelmente estava cheirando mal mesmo. 

— Não está havendo nada, Tae… Eu só fumei um pouco…

— Eu sinceramente não te conheço mais — Taehyung o interrompeu, ficou alguns segundos em silêncio mastigando a raiva que sentia dentro de si por ver o melhor amigo naquele estado. Jimin tinha os cabelos oleosos, bagunçados e sua roupa tinha uma aparência suja e velha. — Você sai de manhã, some, vive fumando por aí e pegando dinheiro com agiotas, comprando drogas de traficantes, volta tarde da noite fedendo e com fome, isso quando sente fome… Quem é você?! O Jimin que eu conhecia não era assim! 

O loiro olhava Taehyung nos olhos e percebia o quão angustiado ele estava. Podia sentir a preocupação dele, a forma como queria cuidar de si, mas aqueles sentimentos não o alcançavam de jeito algum. Já fazia muito tempo desde a última vez em que pensou em si mesmo. 

— Tae, você está exagerando um pouco, eu… — tentou pensar no que dizer, mas não tinha desculpas. 

— Você não está bem e não aceita minha ajuda! — Taehyung se aproximou do amigo novamente, mas não o tocou dessa vez. 

— Sua ajuda é me enfiar em alguma clínica de reabilitação por aí sendo que nem viciado eu sou! Isso não é ajuda! — Jimin acabou levantando um pouco o tom de voz, sentindo o corpo esquentar ao lembrar da conversa que tiveram semanas atrás, com o Kim sugerindo a internação. Ele usava algumas drogas de vez em quando, mas não era viciado! 

— Desde que você veio morar comigo não teve um único dia em que você não usou alguma droga ou ficou sem fumar. Você não come direito, já perdeu muito peso e vive nas ruas… Eu me preocupo contigo, Chim… 

— Você quer me controlar, Taehyung. Isso não é preocupação — interrompeu o outro, olhando-o nos olhos fixamente. Apertou os punhos com força para conter a vontade de gritar com seu amigo. — Toda noite você me pergunta onde eu estava e com quem, se eu fumei ou não, isso não é da sua conta! Eu já sou adulto e sei me virar muito bem. 

— Sabe se virar tão bem que um tempo atrás não teria nem onde dormir se não fosse por mim… — Taehyung disse em um tom de deboche, cruzando novamente os braços contra o peito. 

Jimin não soube o que dizer. Olhava para Taehyung e percebia a decepção direcionada à si. E isso era o que mais doía em toda aquela situação, saber que seu melhor amigo estava decepcionado consigo. 

— Eu vou embora — soltou a frase de uma só vez antes de se virar e ir em direção à entrada do apartamento. Não aguentaria ficar ali, não com aquela sensação desgostosa dentro de si. 

— O quê?! — Taehyung demorou alguns segundos para perceber o que acontecia e ir atrás de Jimin. Tentou segurá-lo, mas ele se desvencilhou de seu toque mais uma vez. — Não, Chim, espera… Vamos conversar.

— Não, Tae. Não tem mais conversa — abriu a porta sem olhar para o outro. — Você sabia que isso ia acontecer… Sinto muito. 

Jimin fechou a porta atrás de si e correu prédio abaixo pelas escadas, quase caindo algumas vezes. Seus olhos se encheram de lágrimas e sua garganta doía tamanho era o remorso que sentia preso nela. Quando alcançou a rua, cobriu os cabelos com o capuz da blusa e enfiou as mãos nos bolsos da mesma antes de começar a andar, sem rumo.

Sentia uma avalanche de sentimentos ruins dentro de si; culpa, raiva, tristeza, solidão. Jimin não tinha pedido nada disso. Não tinha pedido para perder os pais cedo e ir morar com o tio abusivo e alcoólatra quando ainda era criança. Por conta disso, se esforçou ao máximo para continuar indo ao colégio, trabalhou em alguns empregos de meio período para poder pagar pelo próprio estudo, mas o tio sempre dava um jeito de pegar seu dinheiro. 

Quando completou dezesseis anos, cansou de apanhar e resolveu sair de casa e da escola, e no começo realmente tentou. Conseguiu alugar um quartinho com um colchão, dividia o tempo entre três empregos, mas era difícil e cansativo e, sem ninguém ao seu lado, Jimin logo desistiu e se rendeu à facilidade. Conheceu pessoas perigosas, se envolveu com o tráfico, com as drogas… Pelo menos o fazia esquecer a vida miserável que tinha. 

Tinha feito novos amigos, mais parecidos consigo. Sam era um deles, foi quem o ajudou a conseguir mais dinheiro e tudo o que precisava fazer era levar as drogas de um traficante para outro. Muito fácil. Enquanto se afundava cada vez mais naquela vida, Jimin acabou sendo expulso do cômodo que havia alugado por fazer do local um ponto de venda e, sem conseguir encontrar outro lugar rápido, acabou por dormir em casa de amigos. 

Entretanto, a maioria deles eram amigos de Sam, que começou a cobrar Jimin pelas vendas que ele fazia e não repassava o dinheiro recebido. Então em pouco tempo, o loiro se viu sem ninguém. Foi sorte ter mantido pelo menos um pouco de contato com Taehyung depois de desistir do colégio já que ele foi o único que o acolheu quando não tinha mais para onde ir. 

Agora tinha perdido o único que genuinamente se preocupava consigo.

Suspirando de forma resignada, Jimin parou de andar e sentiu as pernas reclamarem. Olhou em volta e percebeu que estava consideravelmente longe do apartamento e que as ruas já estavam muito mais vazias. Observou o ponto de ônibus vazio do outro lado da rua e seguiu até o local, pelo menos teria um teto sobre si. 

Sentado no banco frio do ponto de ônibus, o Park respirou fundo e fechou os olhos. Queria muito fumar, mas já não tinha mais cigarros consigo. Cruzou os braços quando sentiu o vento frio da noite bater contra si e percebeu que agora estava realmente sozinho.

 


Notas Finais


E então? ~

A capa maravilhosa eu ganhei da @Baepsae_W, meu sonho de princesa ter uma capa feita por ela *-*
E a betagem foi feita pela linda da @2minym.
Muito obrigada!!!


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