História Revolution - Jeon Jungkook - Capítulo 3


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bangtan Boys (BTS), Curta, Ex-namorado, Hetero, Hot, Jeon, Jeon Jungkook, Jeongguk, Jungkook, Myuungheee, Namjin, O Quarto 115, Romance, Shorts, Shoujo, Você
Visualizações 219
Palavras 6.423
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, LGBT, Literatura Feminina, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Estou de volta, após alguns dias e peço perdão por isso, mas estou aqui.
Exausta, esgotada e todos os sinônimos.
Vou apenas jogar o capítulo e cair ali na cama quentinha e seja o que Deus quiser.
Hoje fiquei o dia todo sem internet, putassa, cansada e sem o Spirit, fiz uma viagem hoje pra o fim do mundo e meus pais só avisaram de última hora, tive que acordar às cinco da matina em um domingo, tô é morta, e ainda nem sei como finalizei e editei esse capítulo quando cheguei em casa e não faz muito tempo não.
Mas então, pessoal, como vocês estão?
Bom, não vou me demorar muito aqui, porque preciso urgentemente dormir.

Músicas do capítulo:
BTS - Hold Me Tight
LP - No Witness
Ruelle - War of Hearts

Boa noite.
Boa leitura.

Capítulo 3 - Falha


Fanfic / Fanfiction Revolution - Jeon Jungkook - Capítulo 3 - Falha

Falha.


The Most Beautiful Moment In Life: Young Forever

“Eu só posso ver você.
Eu só consigo ver você e mais nada.
Olhe, eu sou justo com todos os outros, mas você não.
Eu não posso viver um dia sem você, por favor me abrace forte, me abrace.
Você pode confiar em mim?”

- Hold Me Tight, 잡아줘, BTS.


Seoul, Coréia do Sul, 17:50 p.m.

Lyang ___________


Diferentes zumbidos cortam minha audição e dissipam nas poucas paredes que já foram levantadas. Martelos batendo, vozes, furadeiras, o maquinário funcionando, é atormentante. Minha cabeça lateja, pulsa e ecoa qualquer mínimo ruído como facas cortantes ferindo a caixa craniana, massageio as têmporas e torço o pescoço devagar, de um lado a outro, mas nada é tão tenso quanto ter Jeon Jungkook caminhando tênue e tranquilo ao meu lado, chega a ser incômodo tanta paciência, os passos elegantes e vagarosos, as mãos nos bolsos frontais da calça, a compostura de um homem orgulhoso e decidido. É bonito, é lindo, devo admitir e até mesmo o capacete amarelo de obras o fazem mais charmoso, mas não pode passar disso, admiração.

Fungo e puxo o ar, a rinite inflama por causa dos vários odores e partículas de pó que planam no ar, levo a ponta dos dedos até o nariz e fricciono até a coceirinha incômoda acabar ou pelo menos diminuir.

Fora dessa pequena parte da estrutura já construída, o sol acomoda-se tocando a linha do horizonte formada pelos os prédios cinzas e sem graça, o céu mescla um azul suave a um laranja retinto e um tom mais escuro, negro que toma o lado oposto no horizonte. Oscilo até o caderno de anotações em mãos e repasso tudo que foi mostrado e explicado ao decorrer do dia, e que foi anotado por mim ao delongar, tudo necessário para efetuar minha parte no projeto.

Observo Namjoon-oppa caminhar sério ao encalço do Seokjin-oppa à frente dos funcionários, nós. Os dois conversam veemente, sem prestar atenção em outra coisa a não ser, um ao outro, ao mesmo tempo que mantém-se discretos e segurando qualquer carícia ou olhar mais íntimo. Os dois igualmente belos, juntos, são o amor em uma forma mais pura, é oblíquo, admirável, mas temo por Namjoon, temo sua arrogante e luxuosa esposa descobrir.

— Já trabalhou em algo assim? - O Sr. Min questiona com a voz soturna e quase inaudível, os passos lentos e reclusos acompanham os meus, as mãos descansam dentro do bolso e os olhos vislumbram o lugar.

— Sinceramente, não. Nunca. No máximo fiz o design de um outdoor de led para uma loja, e apenas. Trabalho geralmente desenvolvendo novas tecnologias, pesquisando e desenhando equipamentos. - Seguro o caderninho a altura do estômago e agarro, e desvio de uma barra de concreto ao chão.

— Você gosta? - Tira uma das mãos do bolso e deixa cair ao encalço e balanço de seu corpo, fricciona os lábios. Olho de soslaio o Jeon que caminha um pouco a frente aos mesmos passos, mas quieto.

— Sim, gosto. As vezes é entediante, mas eu gosto.

— Entendo.

— Srta. Lyang? - A voz de Namjoon soa baixa e rouca cortando qualquer outra distração, percorro os olhos a sua procura e o encontro parado ao lado de Seokjin e Jungkook. Aumento os passos até que os alcance.

— Sim, Sr. Kim? - Retiro o caderninho que se mantinha junto ao peito e o seguro na mão direita.

— Já viu onde será o setor "Futuro"? - Ele fala do setor das futuras, prováveis, tecnologias, as invenções futuristas e aguardadas daqui a alguns anos.

— Não, ainda não.

— Então Jeongguk-ssi irá te mostrar. - Meu peito e corpo vibram, as mãos gelam, mas não é boa a sensação, é desconfortável, agonizante.

Eu não quero seja ele.

Por que o Jeongguk?

Mensuro falar, protestar, mas eu lembro que isso faz parte e é apenas profissionalismo. Encaro Namjoon-oppa e um sorriso errôneo forma-se em seus lábios quando oscila de mim até Seokjin-oppa de relance, cúmplices. Pisco os olhos e mordo os lábios, puxo e solto o ar com força, no comportamento inato de acalmar-me, atenuo o Jeon e não o encontro diferente de mim. Tenso. — Tenho que acertar algumas coisas com o Seokjin-ssi e o Yoongi-ssi, então presumo que não poderemos te acompanhar. Tudo bem ir com o, Jeon-ssi? Tudo bem pra você, Jeon?

— Certo. - Concordo.

— Tudo bem. - Jeongguk me encara, entreabre os lábios puxando o ar, franze o espaço entre as sobrancelhas e torce ladino a cabeça. Giro aleatória, desconcertada para direção oposta em que seguíamos e bufo. 

— ___________, é por aqui. - Sua voz soa tênue e divertida atrás, com um gota de sarcasmo, mas isso sempre houve em seu modo de falar. Me reconforta meu nome em sua boca, em sua voz. Eu gosto. Droga! Eu não deveria.

Vislumbro por cima dos ombros e ele aponta para o seu lado direito, um corredor, giro novamente, de volta ao mesmo sentido de antes e me aproximo do Jeon.

Droga, mais uma vez essa sensação.

Seus passos iniciam a minha frente, acompanho a uma certa distância em silêncio, apenas as vozes dos pedreiros e serventes e os equipamentos funcionando, que aos poucos vão esvaindo, diminuindo ao que viramos o corredor e o atravessamos, aperto o caderninho mais uma vez na altura do estômago e solto o ar sôfrego em exaustão. Vislumbro as paredes de concreto cinza, erguidas em um formato circular e me pergunto como e quando foram prontas tão rápido .

— Essa parte construída já estava no terreno? - Lanço baixo, esperando que ele não ouça, no desejo que não aconteça um diálogo tão prolongado entre nós, só que meu âmago grita o contrário.

— Não. - Sim, escutou, obviamente e nitidamente, ___________. — Seokjin-hyung enviou alguns rapazes para iniciar o trabalho meses atrás.

— Mesmo sem a confirmação do Namjoon-ssi?

— Mesmo sem ela. - Ele tomba a cabeça para trás e observa o teto. — Bom, nós sabemos que ele iria concordar de qualquer forma. - Ele apruma a cabeça, gira em seu eixo e me encontra revelando um sorriso tênue brincando em seus lábios.

— Isso é verdade. - Fricciono os lábios e levanto seus cantos. O Jeon também sabe sobre a relação dos dois.

— Essa é a base da espiral. - Ele aponta barras de concreto postas ao chão, no centro do saguão propositalmente e padronizadas.

— Mas e essa tubulação? É de água? Porque se sim, não seria perigoso junto aos fios. - Aponto finos tubos conectados, formando uma linha que atravessa todo o piso por uma abertura que vai em direção a uma área no rodapé de uma das paredes.

— Vai ser uma tubulação de água, mas não se preocupe é selada, bem vedada.

— Ah, sim. - Ultrapassamos o vestíbulo e adentramos outro corredor que ao final dá para fora dessa parte da obra, ao "ar livre".

O Jeon caminha hesitante e vagaroso, aguardando meus lerdos passos. Aproveito e observo algumas das pilastras que foram citadas anteriormente já postas no lugar. O silêncio se mistura ao barulho dos sapatos sociais do Jeon e do meu salto, as respirações tensas, há apenas nós, nem o barulho do maquinário ou qualquer voz ousa soar para terminar essa tensão, pois estamos longe dos demais. Entreabro a boca, mensuro falar algo para terminar isso, mas não encontro nada coerente para me referir. Brigo mentalmente com as lembranças que agora insistem em vir, a me rodear em meio a essa quietude, tento pará-las, mas falho e isso se torna causticante.

— Quanto tempo, não é? - Não é necessário o meu esforço para uma conversa. Mas de quê ele fala?

— Hum, como? - Termino a distância que impus a pouco andando ao seu encalço. — Não entendi. - Formulo um sorriso mínimo. Em minha mente vem o que falou sobre Seokjin-oppa, sobre ter começado a obra a alguns meses. — Bom, me pareceu rápido para a construção estar a esse nível.

— Não estou falando do Revolution. Eu… Eu estou falando de nós. - Estanco os passos e ele também, gira o corpo e permanece à minha frente, aperto mais o caderninho no colo e viro o rosto para o lado. Não quero encará-lo. Abro a boca para falar, os lábios tremem, mas me falta palavras, e os mordo. Encho o peito com ar e lembro-me do que venho convencendo a mim mesma.

Profissionalismo. Não há espaço para sentimentos.

— Também não sei, não conto datas.

— Lembro o contrário, antes você não deixaria sequer uma passar. - Suas mãos movem dentro do bolso e ele franze o nariz em uma mania.

— Falou certo: “antes”. Os anos me ensinaram a não me importar com o passado, muito menos com datas.

— Entendo, faz bem.

— Deveria aderir, Sr. Jeon.

— Sr. Jeon, por que isso agora, ___________? - Empertiga a postura, boquiaberto.

— Sr. Jeon, se quisermos ter uma boa relação… - Ele arqueia a sobrancelha sugestivo e errôneo e eu tomo conta do que deixei escapar. — …em meio ao trabalho. Eu peço que o senhor esqueça o passado e não toque nele novamente. Não preciso de um desentendimento, discussão e todos os sinônimos com um colega de trabalho. - Me enervo.

— E se eu não quiser esquecer? - Trêmulo a cabeça e solto uma risada abafada, desacreditada.

— Sinto muito por você, pois eu não lembro de nada que tenha ocorrido entre nós no passado. - Ultrapasso seu dorso esbelto e esguio em direção ao final do corredor, giro a cabeça e o vejo me acompanhar ocularmente, cabisbaixo enquanto me aproximo da saída. 

Meu coração retumba dentro da caixa torácica e engulo em seco e aquele portal parece mais longe que antes por mais perto que eu esteja, meu peito aperta em uma sensação azeda e quente, é agonizante e sinto uma vontade imensurável de chorar como aconteceu a cinco anos atrás, a mesma dor, o mesmo sentimento. Me castiga, me bombardea o estômago, chicoteia minha cervical com açoites latejantes de fúria e decepção e um sentimento nostálgico, perdido e distante.

— ___________? - É a voz de Namjoon-oppa, então apenas agora noto todo o redor, o céu negro com poucas estrelas, as nuvens esparsas que encobrem a lua que ainda entra lenta na paisagem. — Tudo bem? - Estanco os passos ao que me aproximo, penteio com ajuda dos dedos os cabelos para trás, descanso a mão livre na cintura, mordo o lábio inferior e pisco os olhos tentando acalmar esse misto atordoado de sentimentos, o que ultimamente se tornou rotina.

— Tudo, tudo. - Digo quase impaciente e furiosa, mas contenho. O Kim não tem culpa de nada, não merece que desconte isso nele.

— Tem certeza? - Balanço a cabeça em concordância. — Bom, já que sim. Os rapazes estão pensando em sair, em ir a um bar para comemorar a parceria entre a Kim & Co. e a Mikrokosmos. Que tal? - Solto o cabelo e balanço a cabeça puxando o ar e soltando com força, então consigo raciocinar melhor o que ele diz.

Não tenho vontade de nada agora, quero apenas ir para casa e chorar assistindo Marley e Eu, o que me ajuda sempre a esvair qualquer melancolia, quero fazer pipoca doce e chocolate quente e me entupir. Queria dizer-lhe isso. Droga, droga… não posso. Isso só mostraria o quanto fiquei abalada com o que o Jeon me fez relembrar e nem foi necessário tantas coisas ditas.

— Eu vou. - Digo apenas e ele sorri. Tomba a cabeça confuso e mira o corredor por onde passei antes.

— E o Jeongguk, onde está? Acho que ele vai gostar de ir. Oh, lá está ele. - Ultrapassa meu corpo e vai na direção em que observara. Viro devagar recuperando minha sanidade e guardando mais uma vez aquele sentimento e vislumbro o Jeon sair ainda cabisbaixo do túnel. — E aí, vamos beber? Os rapazes estão pensando em comemorar em algum bar a nossa parceria. Lembra, como na universidade. - Ele se contagia com uma boa nostalgia, puro entusiasmo, sorri mais aberto enquanto dá leves tapas nas costas do Jeongguk que nem sequer sorri, seus olhos se voltam a mim, cansados.

É engraçado citar a universidade, mas não é bom quando se refere a ela, pois mais das lembranças me vêem. Lembro-me de uma importante prova anual do campus que testava o nível dos universitários, em uma especificamente, tanto eu, o Jeon, o Namjoon e até mesmo sua esposa, na época namorada, passamos com nota alta. Fomos a um bar que era nosso principal ponto de encontro e bebemos. Bebemos como se o mundo acabasse no outro dia, foi também, a primeira vez que o Jeon disse "Eu te amo", era início do nosso relacionamento, foi quando realmente fizemos amor, algo íntimo e romântico e apenas.

Não, não, sem lembranças

Isso não vai ser como na universidade, Oppa. Isso vai ser exaustivo.

— Mas onde vamos? - Jeongguk e Namjoon se aproximam.

— Pensei naquele bar onde íamos. - Ele agarra os ombros do mais novo e sacode devagar. Por que exatamente lá?

— Ótimo.

— ___________-ah, vai comigo de carro ou vai no seu? - Ele estanca os passos quando fica a minha frente junto ao Jeongguk.

— Eu preciso passar em casa primeiro, tudo bem?

— Certo. Ainda lembra do endereço daquele bar?

— Sim… - Levanto o braço esquerdo até onde possa ver, levanto a manga do blazer e observo o relógio marcar 18:34 p.m. — Encontro vocês umas 20:00, mais ou menos?

— Beleza. - Ele se afasta, empurrando pelos os ombros o Jeongguk que se mantém calado e eu os acompanho até fora do perímetro da obra. — Se quiser, te acompanhamos… - Ele diz assim que chegamos ao estacionamento.

— Não, não se preocupe. - Formulo um bico e ergo o canto dos lábios, retiro as chaves do carro do bolso e brinco, balanço entre os dedos.

— Certo. Qualquer coisa liga. - Namjoon levanta o canto dos lábios e pisca. — Vamos então? - Refere-se ao Jeon.

— Vamos. - Os dois trilham, lado a lado, na direção do Peugeot 3008 Allure preto do meu chefe. Viro em direção ao HB20X e me aproximo, aperto o botão de destravamento e o carro bipa, e aperto a maçaneta.

— Jeongguk-ah, animação. Por que está tão quieto? Está doente? Isso não é do seu feitio. - Escuto a voz do meu chefe alterada, mais alta, mas com um tom brincalhão.

Miro em direção ao carro do Namjoon e ele adentra o banco do motorista, Jeongguk mantém-se ainda fora e sem querer encontro seus olhos vidrados, negros e singulares.

A luz amarelada de um poste ilumina seu rosto abatido e sei que foi pelo o de antes ou pelo menos acho, nos olhos o reflexo e o brilho da iluminação artificial, ele tomba a cabeça singelo em uma reverência na minha direção e eu retribuo hesitante.

Confusão. Melancolia. Sentimentos turbulentos.

Borrifo mais um pouco da essência de lavanda no pescoço e pelo colo tomando cuidado para não manchar a blusa branca de renda tule bordado, deixo o frasco sobre a bancada de mármore do banheiro e vislumbro meu reflexo abatido no espelho que nem as duas camadas de cushion foram capazes de disfarçar, resvalo o dedo anelar pela a olheira que insiste em aparecer tentando repassar mais uma camada da base, arrumo a manga esquerda da blusa e percorro até a saia bege, rodada, de algodão, arrumo a parte amassada e inspeciono mais uma vez para ter certeza que estou em ordem, mas não, não estou, é apenas uma casca, uma máscara. Apoio-me no mármore polido segurando o peso do corpo com as mãos, estou exaurida, sinto como se a cada momento fosse tirado, arrancado torturantemente um pêlo do meu corpo, por mais que seja uma dor sutil, se torna incômoda quando ao decorrer do tempo é arrancado repetidamente, se antes eram suaves beliscões, agora se compara a espadas perfurando sem piedade o meu corpo e para estancar o sangramento jogam vinagre.

Estou exausta.

Os lábios pequenos, instigantes e bem delineados que se maltratam uma vez ou outra quando o dono entra em um estado catatônico para raciocinar, pensar, os olhos amendoados e negros que me corrompem, que parecem saber do mais obscuro dos meus segredos, a pele inundada em atratividade que exala a essência ácida e amadeirada de amêndoas, levemente dourada.

— Que droga! - Sai como uma lamentação. Tudo. Ele todo, por completo, não abandona minha mente. É uma agonia, densa, fatigante e cansativa. É como se junto a ele, tudo aquilo voltasse ainda mais fraturante, só que eu prometi a mim mesma que não me deixaria corromper, mas falhei miseravelmente e isso me deixa vulnerável e furiosa. Esmurro a bancada e sem querer, acerto a quina, sinto a pele sendo cortada e ardente, puxo rapidamente e seguro onde dói com a mão esquerda, aperto e solto devagar mirando, escorre um pouco de sangue perto do dedo mindinho, verifico para ter a certeza que não foi tão grave, me aproximo da pia e abro a torneira, deixo a mão por alguns segundos e retiro para secar na toalha, ao mesmo tempo escuto o celular no quarto tocar e caminho até fora do perímetro do banheiro, em cima da cama encontro o celular que jaz junto a bolsinha, solto a mão machucada e seguro o aparelho, na tela uma ligação de Oh Ji-Nah.

Aperto e puxo o ícone verde.

— Olá, Unnie. - Atenuo os olhos sobre o despertador no criado mudo e marca 19:28.

— ___________-ah, adivinha? - É eufórica.

— Bom, hoje a sorte me abandonou, então não vou ousar um palpite. - Levanto, pego a bolsinha e deixo a alça cair sobre o ombro.

— Aish… que baixo astral, mas queria te avisar que estou voltando hoje para Seul. - Caminho até a porta e a fecho quando saio do cômodo, atravesso o curto corredor e a sala.

— Mas e o curso aí em Hong Kong? - Caminho para a porta do apartamento, paro na sapateira e tiro o par de tênis brancos com uma famosa logomarca.

— Terminou. - Diz convicta. — Na verdade eu tive a regalia de ser aprovada alguns dias antes do planejado.

— Unnie, o que aprontou? - Encaixo um dos tênis em um pé enquanto equilibro o celular com o ombro perto da orelha.

— Nada, juro. Passei por mérito.

— Ainda bem e parabéns. - Encaixo o outro.

— Gomawa, obrigada. - Escuto sua risada abafada do outro lado da ligação. — Ah, também queria saber se você pode me buscar amanhã no aeroporto?

— Claro. - Sento no batente e amarro os cadarços. — Em que horário?

— Vou sair daqui às cinco da manhã, acho que por volta das oito horas, tudo bem?

— Sim. - Levanto e me aproximo da porta, abro e travo usando o cartão.

— Mas me diz, como você está? - Puxo o ar com força, tomando o fôlego para contar, mas não tenho o que contar isso, tudo, tudo que eu senti foi passageiro, apenas um delírio.

— Estou bem.

— Certeza? Porque quando me disse aquilo no início da ligação me pareceu o contrário. - Percorro o corredor até o elevador e aperto o botão o chamando.

— É apenas complicações no trabalho. - Cruzo os braços e mordo os lábios.

— Sei suas complicações decorrentes, é solidão. Você está a muito tempo sozinha, ___________, precisa de alguém pra te acompanhar nessas complicações.

— Até, você, Unnie? - Bato repetidas vezes o pé no chão, enervada.

— O que eu fiz? - O elevador tilinta ao chegar e abrir as portas metálicas.

— Nada, esquece, vou entrar no elevador agora, até logo. - Adentro o cubículo que fecha devagar as portas.

— Até, chata. - Retiro o aparelho de perto da orelha, coloco a minha frente e clico no ícone vermelho para terminar a ligação.

O elevador fecha de uma vez, pressiono o botão do térreo e demora alguns segundos para tilintar novamente avisando que já chegara, avanço quando abre e encontro o Sr. Sung na portaria analisando um buquê de rosas vermelhas.

— Pode liberar, Sr. Sung? - Ele volta a atenção para mim e sorri cordial, aperta o botão dentro da cabine.

— Antes, Srta. Lyang… - Ele diz mais alto quando me aproximo do portão eletrônico. — Isso é para a senhorita. - Estende o buquê em mãos pela parte aberta do vidro que o separa.

— Pra mim? - Ele assente, volto até a cabine e pego as flores pelo pequeno espaço aberto por ele. — Obrigada. - Ando para fora do perímetro do prédio enquanto vasculho o embrulho que rodeiam as flores a procura de algum bilhete e encontro.

“Agradecendo sua ilustre companhia hoje cedo". 

- Hoseok.

— Que rápido, não perde tempo.

~~~


Seoul, Coréia do Sul, 20:57 p.m.

Jeon Jungkook


É amargo, não o sabor do líquido alcoólico dentro dessa garrafa esverdeada na minha mão, mas dessa sensação de falta, de vazio. Eu esvazio minha bebida, mas sou realmente preenchido com a solidão. Esse buraco negro que me consome cada vez mais, cheio de amargor, de escuridão, repleto de chamas que incineram meu âmago, mas mesmo assim não sei ao certo o que sinto, o que me aflige. Todos os meus sentimentos esmaecidos, perdidos dentre todos os pensamentos em congestionamento. Estou esgotado. Sem ânimo. Não sinto nenhuma parte do corpo, ele não se manifesta de tão indiferente. Levo o gargalo da garrafa com líquido gelado e tomo, um, dois, três, quatro goles seguidos.

Até mesmo o saco de lixo jogado fora na rua faz um som solitário no vento, mas eu não consigo sequer raciocinar algo coerente que afague esse sentimento, não consigo tomar coragem de chegar e falar algo para a moça de cabelos claros na mesa ao lado que me encara desde que cheguei, talvez poderia ser uma saída para isso.

Mas o que é isso?

Talvez ela umedeça, banhe meu coração seco e tórrido.

Tento encontrar nos olhos dessa estranha algo, mas não é o que procuro e o pior é que não sei o que estou a procura.

Merda, merda, merda…

Eu posso sentir seus braços, seu calor, o seu coração. Eu quero ver tudo, eu estou implorando por algo nostálgico, uma saudade perdida. Até mesmo a brisa quente e abafada desse bar tem o aroma perfumado, tudo parece frio e eu estou com medo quando vejo que a moça não é ela. Ela não está aqui.

É a bebida me enlouquecendo, me confundindo, então balanço a cabeça e acordo. Namjoon-hyung conversa animadamente já alterado pelo álcool, que ingeriu exageradamente esse início de noite, com Seokjin-hyung. Yoongi-hyung se mantém sóbrio e quieto conversando com Hoseok que começa a tomar seus primeiros goles agora, pisco repetidas vezes para espantar a vertigem e a visão que embaça e trêmula pelo álcool, o som alto junto a conversas paralelas perturba meus tímpanos e minha cabeça e ao recuperar um pouco os sentidos a fragrância de flores se transforma no odor da fumaça tóxica de cigarro, álcool e suor, então noto o quanto estou ficando alterado.

— Jeongguk-ah, passa mais um pedaço de porco! - Jin-hyung fala mais alto, afastando o restante de abstração minha, pego o recipiente com fatias de carne grelhada e estendo em sua direção ele pega e serve-se. — Gomawa, obrigada.

— Eu me lembro de uma vez em que eu, o Jeongguk e a  ___________ viramos a noite aqui. Ya! Já viu o Jeongguk bêbado? Ele fica carente e fala nada com nada. A ___________ também não estava diferente, os dois beberam tanto que eu tive que levá-los para o hospital. - Namjoon-hyung fala estourando em gargalhadas do que diz, mas apenas ele acha engraçado, normal quando não sóbrio.

— Jeongguk-ah, ela não perde nenhum segundo para te olhar. - Hoseok-hyung bate contra meu ombro e aponta sútil com a cabeça para a moça.

— Não estou a fim.

— E é necessário estar a fim pra ter um belo par de pernas desses na cama? - Ele diz errôneo, semicerro os olhos completamente ímpio para ele. Como alguém pode tratar uma mulher assim?

— Sério, Hyung? - Balanço a cabeça negativamente, tomo mais um gole da bebida ácida e deixo a garrafa de soju sobre a mesa. — Quero dizer que não estou a fim de ficar com ninguém hoje.

 Ah, entendo, mas se fosse eu no seu lugar entrava naquele seu Porsche Panamera com ela e só a liberava amanhã cedo. - Entreabre os lábios como se aproveitasse e deliciasse uma iguaria.

— Acho que por hoje deu pra mim… - Mensuro sair, mas estanco, travo qualquer movimento quando a vejo atravessar o portal de entrada do lugar e caminhar na nossa direção. Sou um completo cadáver, não consigo respirar, me torno gélido, totalmente ansioso. Os passos lerdos e elegantes se aproximam, trazendo todo o seu brilho, sua simplicidade dentro dessa roupa, é como uma flor perfumada, viciante, mas seu rosto frio me diz tudo, melhor que palavras, o quanto não queria estar aqui, o quanto está abalada e não é pelo fuzuê dentro desse estabelecimento, é outra coisa, eu posso ver uma ruptura erguendo-se sobre mim como uma maré alta, a certeza de que sua frieza é por mais cedo.

Eu juro, ___________ que tentei não trazer a tona aquele velho sentimento, mas eu falhei miseravelmente, fraquejei. Dizem que quando uma história é mal acabada, ainda há amor e eu ainda sinto isso depois de cinco anos, na verdade durante esse tempo todo. Nenhum dia sequer eu te esqueci, mas eu não poderia te ter, seria um pecado te ver sofrer.

Volto a posição de antes aguardando ela vir e ela chega e vem nessa direção, na minha direção.

— São belas, obrigada pelas flores. - Mas não sou o seu alvo. Me enervo quando Hoseok sorri errôneo como a um tempo atrás quando falava da moça ao lado, minhas artérias latejam e o sangue borbulha pelo meu corpo, ele segura a mão de ___________ e a beija devagar. É um jogo de sedução. E eu penso apenas que ele pode tratá-la da mesma forma que se referiu a moça.

Cafajeste.

— Não há o que agradecer, ___________-ssi. - Ele desfaz o toque e levanta da cadeira onde estava para afastar uma vazia ao meio de nós dois. ___________ hesita, me olha e eu noto quando a sua garganta mexe, engole em seco, mas ao final senta. O aroma de lavanda que ela sempre amou, serpenteia pelos os meus sentidos saturados e me embebeda, é nostálgico.

— ___________-ah! - Vocifera Namjoon, eufórico e levantando do assento cambaleante, estende a mão e bagunça levemente os cabelos da garota, e mais uma vez o seu aroma de flores do campo incendeia meu âmago. — Pensei que não viria!

— O trânsito estava horrível. - Defende-se e sorri, o Hyung balança a cabeça sinalizando que a entende e volta a sentar-se. Hoseok toca seu ombro e a entrega um copo com cerveja, e apenas agora noto que ele havia saído. ___________, sorri e agradece. 

Os olhos do homem ao seu lado são intensamente inundados em promiscuidade. Fungo e engulo a saliva seca que insiste em se formar na garganta, aperto por baixo da mesa minha própria coxa, queimo, sou fogo, fúria e a bebida apenas me acende mais. Pego a garrafa de soju da mão de Namjoon-hyung que acabara de abrir, ele reclama, mas não me gasto em dar atenção, levo a garrafa até a boca e engulo quase toda a bebida de uma vez, se era fogo, agora me transformo no inferno, minha mente e visão embaçadas me enervam ainda mais. Tudo culpa da bebida. Tomo o restante e queima, é ácido, deixo a garrafa batendo forte contra a mesa. ___________ se assusta e derrama um pouco da bebida que tomava sobre a mesa, me encara e funga.

— Aí, Jeon, o que foi? - Hoseok impulsiona o corpo para trás a fim de se mostrar para mim, ele gesticula os braços abertos e estendidos.

— Nada, só quero mais um pouco. - Aponto os sojus ao lado dele e ele balança cabeça, julgando. Idiota! — Pode abrir, por favor? - Digo quando ele estende a bebida. Concorda. Abre a garrafa e volta a me entregar.

— Jeongguk-ah? - Ouço Jin-hyung. Ele se aproxima pela a minha cervical e abaixa-se o suficiente, na altura do meu ouvido. — Não acha que está bom por hoje? - Giro a cabeça para vê-lo melhor e nego. — Você que sabe, mas depois não me peça ajuda como em L.A. - Diz baixo o suficiente, para apenas nós dois ouvir.

— Eu estou bem, Hyung!

— Não estou falando o contrário, só estou dizendo que já chega.

— Quando eu achar que está bom, eu paro. - Degusto mais do líquido ácido e gélido.

— Está certo, então. - Jin-hyung se afasta e volta para perto de Namjoon e Yoongi-hyung.

— Não, não tenho alergia a flores... - ___________, diz a Hoseok, que se aproxima, pouco a pouco dela.

Não ouse tocar em um fio sequer dela.

Cretino.

E mais uma vez se repete, levo a garrafa até a boca e viro, bebendo quase todo o líquido, e fungo e engulo a saliva seca que insiste em se formar na garganta.

Queimo. Sou fogo. Sou fúria.

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Lyang ___________


Um longo tempo estende-se desde que cheguei, entre os seis presentes, apenas eu e Yoongi-ssi nos mantemos sóbrios. Namjoon e Seokjin-oppa conversam coisas desconexas enquanto Yoongi-ssi os escuta já impaciente, Hoseok-ssi não é diferente, mas me diz coisas desagradáveis e que muitas vezes irritam e já pensei mais de mil vezes en sair daqui, mas não consigo, o Jeongguk ao meu lado tonteia de tão alterado, não parece consciente de suas próprias ações, muito menos das alheias, é como se isso me prendesse, quero ter a certeza que ele voltará bem para casa, mas me parece o contrário já que quem o trouxe parece completamente insano. Vez ou outra me encara tonto e balança a cabeça negando algo.

As pessoas já se retiram do local, fito o relógio no pulso e marca 01:28 a.m., e entendo o motivo do lugar estar quase vazio, está quase no horário de fechamento.

— Seus olhos parecem o universo de quão misteriosos são. - Hoseok diz mais perto com a voz trôpega, esvaindo minha abstração.

— Ah, obrigada. - E agradecer virou uma cansativa ladainha essa noite. Volto a mexer na borda do copo de cerveja ainda cheio, mal bebi.

— Você não está curtindo… - É convicto. — Por que ainda está aqui? - Apoia o cotovelo sobre a mesa e descansa a cabeça na mão em punho.

— Ah…

— Okay, se quiserem ficar aí, tudo bem, mas vou levar esses dois pra casa. - Yoongi diz levantando e roubando a atenção.

— Espere e esses dois? - Imito seu ato, levanto e aponto Hoseok e o Jeon.

— Bom, você quer dizer o Jeon, porque de qualquer forma vou levar o Hoseok, ele mora comigo, me refiro a levar apenas esses dois em segurança para casa.

— Mas eu não sei onde ele mora!

— Ya! Não falem de mim como se não estivesse aqui. - Jeongguk diz com a voz embargada e alta.

— Calado. - Digo ao mesmo tempo que Yoongi-ssi.

— Então não falo que estou morando naquele mesmo apartamento.

— Então pode levá-lo? - Yoongi questiona baixo, observo o Jeon de relance e faço careta. Hoseok sem querer deixa o tronco cair sobre meu braço, quase dormindo.

— Okay, tudo bem. - Saio de perto da mesa e Yoongi também puxando os dois amigos que reclamam com palavras chulas, me aproximo do Jeon e estendo minha mão, ele me olha desinteressado e volta para pegar a garrafa de soju da mesa, impeço. — Vem, segura em mim.

—  Aish… - Ele a segura, levanta e rodeia meus ombros com um braço. — Eu posso ir sozinho, sabia?

— Não, não pode não.

— Aigoo, chata… e… linda.

— Vamos, Sr. Jeon.

— Ya! Isso de novo, por que?

— Eu vou levar esses dois para o carro primeiro e depois venho buscar o Hoseok. Você pode ir na frente. Sabe esse apartamento que ele citou? - Yoongi pergunta terminando qualquer distração ou sendo direta e sincera, qualquer clima e não estou reclamando.

— Sei sim.

— Estão fingindo que não estou aqui de novo.

— Quieto. - Reclamo. — Então vou na frente. - Ele assente e me acompanha relutante com os dois amigos. Bufo, tentando com todas as forças arrastar o rapaz e manter o equilíbrio de nós dois, é pesado e ele se torna mais ainda quando não deposita seu peso nas próprias pernas. Atravessamos o salão quase seco até a porta, Yoongi me ultrapassa e o perco vista  quando atravessa o portal de entrada, Jeongguk tonteia e quase caí, mas segura-se em uma das paredes da entrada. — Ya! Jeongguk-ah, você precisa me ajudar, você é pesado. - Impulsiono com força seu corpo para apoiá-lo em uma posição confortável.

— Isso, gosto quando me chama assim. - Começamos a andar mais uma vez.

— Está bêbado, melhor ficar calado, dessa boca só sai besteiras.

— Ela também pode fazer outras coisas.

— Fala mais alguma idiotice que eu te deixo no meio da rua, no frio. - Ultrapassamos o mesmo portal que o Yoongi-ssi, tento achá-lo em meio ao fuzuê de pessoas que aglomeram-se na rua, em outros bares e baladas, mas é impossível.

— Tá bom, calei. - Cesso os passos junto a ele.

— Agora você vai ter que se esforçar até chegarmos no meu carro.

— Ya! E o meu?

— Você não estava com o Namjoon-oppa?

— Não foi só você que precisou passar em casa antes de vir para cá.

— Aish… que ótimo, só o que faltava. - Mordo os lábios e franzo a testa. — Tá, onde está o seu?

— Estacionado… - Ele gira a cabeça no próprio eixo a procura. — Ali. - Aponta um Porsche Panamera, cor grafite, estacionado no outro lado da rua.

— Que cuidadoso, em? Ainda mais com um carro desses. 

— Quem deixaria no estacionamento a dois quarteirões daqui? Preferi deixar aqui.

— Eu deixei.

— Aish…

— Vamos no seu, então. Cadê as chaves?

— No meu bolso. - Arrumo em uma posição que consiga segurá-lo e que possa alcançar seu bolso, procuro no direito, mas nada. — No esquerdo.

— Não me diga. - Reviro os olhos, debocho e pego as chaves, caminhamos até o carro e o destravo, abro a porta do carona e ajudo o Jeongguk a sentar. Travo a porta, vou até a do motorista e entro.

— E o seu carro?

— Pego quando estiver voltando.

— Ah... Mas e como vai voltar?

— Opção de ônibus, trem e minhas próprias pernas não faltam.

— Não precisa ser grossa. - Não respondo. Engato a chave na partida e giro, o motor faz um barulho sutil, mas potente.

— Nossa.

— Você sempre gostou de carros, não é? - O olho de relance e ele mantém a cabeça encostada na janela de vidro fumê, os olhos fechados e a boca entreaberta.

— Sim, agora tenta dormir um pouco. - Ele não diz nada, apenas balança a cabeça.

Empurro a porta e levo junto o meu corpo e o do Jeon para dentro, a fecho com ajuda do pé e me direciono junto ao Jeongguk para a sala, ele não ousa dizer nenhuma palavra de tão exaurido e inconsciente.

— Quer ir para o quarto? - Ele assente, forço a memória tentando lembrar do corredor que leva aos quartos e tento me localizar dentro do enorme apartamento, acho e marchamos até lá. — É o mesmo? - Ele assente novamente. Caminho até a porta do meio, ao lado direito e abro, ele mesmo solta o enlace e cambaleia, caindo na cama. Jeongguk se encolhe na cama ainda de sapatos e a jaqueta negra de couro, abraça um dos travesseiros e puxa o ar, cansado.

Aish… não posso deixá-lo dormir assim.

Vou até ele e seguro um dos pés, desato o cadarço e retiro o primeiro sapato tomando cuidado para não incomodá-lo, repito com o outro e deixo ao pé da cama. Vislumbro a jaqueta e vejo que o esforço para não incomodar foi em vão, seguro um dos braços e retiro, ele se mexe e faz um barulho com a boca, puxo a roupa até a cervical e deixo cair sobre a cama, caminho até o outro lado da e seguro a outra manga.

— Jeongguk, levanta um pouco. Assim não consigo retirar sua jaqueta. - Ele escuta, pois impulsiona ainda com os olhos fechados o corpo para cima e senta-se no acolchoado, puxo a vestimenta e a deixo sobre uma poltrona ao lado. — Deita. - Peço com um tom mais manso. Ele faz e volta a mesma posição de antes. Mensuro sair, mas sinto sua mão capturar o meu pulso.

— Fica.

— Não posso, Jeon. Volta a dormir. - Tento puxar o braço, mas ele insiste.

— Por favor, fica. Me concede apenas a tua companhia, por favor, ___________. Sabe o porquê de eu estar de volta de L.A.? - Ele levanta dessa vez com os olhos abertos. Nego. — Meu pai… meu pai morreu, ___________. Aconteceu semana passada. Tive que voltar para cuidar da minha mãe. Só você sabe disso, agora, não falei a mais ninguém. Eu não estou bem. Estou uma completa confusão. Por favor, ___________, fica aqui comigo só essa noite. - Meu coração se enche, mas não é algo que me afaga, é amargo e cálido, eu sei o que ele está passando, sei o que é isso. Agora sei o porquê de estar tão abatido, de encher a cara no bar, sei o porquê de estar tão quieto e sério. Ele nunca ou poucas, raras vezes foi assim. É tristeza.

— Eu fico. - Ele se mexe na cama e deixa um espaço suficiente para mim, retiro os sapatos e deito devagar, hesitante e tímida, mantenho as costas voltadas em sua direção e me ajeito no colchão.

— Obrigado. - Mas não foi o suficiente, ele se aproxima do meu pescoço e aspira, arrepio. Joga a mão pela minha cintura e aperta devagar, sem maldade, é apenas um gesto singelo. — Obrigado. - Diz quase inaudível.

~~~

Continua...


Notas Finais


Por fim queria dizer que é proposital o Jeon estar todo confuso.
Bebida.
Se não entendeu a parte que ele fala do pai, aguarde os próximos capítulos.
Edit.: Hoseok vai ser cafajeste, mas apenas aqui.
Grata por estar aqui.
Até o próximo.
Beijos da Myung. <3

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