História Revolution Interativa - Capítulo 2


Escrita por: e LethFersil

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Palavras 8.309
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Hentai, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Orange, Poesias, Romance e Novela, Saga, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Estão preparados pequeninos seres? Nós estamos. O primeiro capítulo está oficialmente lançado. Mas o quê?! E o meu personagem? Acalmente-se, vamos dar oportunidade para ele participar sim! Só que vai ser na segunda chamada. Estamos com o projeto da segunda chamada, onde aceitaremos cerca de 5 até, no máximo, 10 personagens. De qualquer forma, as instruções serão logo lançadas para vocês.

Antes de ler, compreenda:

◯ - Quebra de personagem, ou seja, os personagens estão no mesmo cenário, logo estarão no mesmo cenário, ou estão interligados por algum motivo.
⦽ - Quebra no tempo, é um tempo mais avançado, há mudança de personagem e cenário.

Esperamos que gostem. Até a próxima.

Capítulo 2 - Aurora - Divulgação


Havia acordado não fazia muito tempo, sequer esperou o alarme despertar para poder acordar. Já penteava os cabelos, finalmente escutando o som do despertador soar no seu quarto. Tocou nos botões fazendo-o parar de alarde e andou rumo ao guarda-roupas.

Na cozinha, um lanche, que já havia feito, completava a mesa de vidro transparente, apenas o tomou rapidamente sem sequer ligar para o prazer de o apreciar. Um bloco de notas ao lado do prato era o que, naquele momento, precisava, e encontrou; rapidamente, buscou nos bolsos uma pequena caneta, anotando para a convidada que a mesma poderia ir embora. Na sua mente, aquilo que tiveram foi algo de apenas uma única noite, não precisava mais dela. Deixou o bilhete próximo a algumas notas de dinheiro, o suficiente para que ela pudesse ir para a casa dela e comprar alguma banalidade pelo caminho de ida.

Desceu as escadas do prédio onde estava, vendo seus comuns vizinhos, algumas pessoas saudavam, principalmente os idosos, então retribuia com um aceno e, às vezes, um bom dia.

Uma pequena garotinha se aproximou, como em quase todas as manhãs fazia, e, alegremente, perguntou ao homem. — Já vai trabalhar, senhor Owen? — A mesma segurava delicadamente uma sacola.

— Sim, vou trabalhar. Tenha um bom dia, Crystina. — Murmurou devolvendo o sorriso, sempre evitando encostar na garotinha. Sabia que seus vizinhos estavam atentos aos seus movimentos, não confiava em nenhum deles.

Vestido com um belo terno preto continuava a caminhar rumo ao novo emprego. Em sua face um semblante que fazia os outros pensarem duas vezes antes de se aproximarem dele. Estava completamente apresentável para o seu primeiro dia naquele hospício, mesmo que para muitos fosse extravagante demais. As autoridades presentes lá, porém, faziam com que discordasse completamente dos outros.

Continuou caminhando até chegar na pequena garagem do condomínio onde estava situado fazia um curto período de tempo. Os olhares de seus vizinhos caiam sobre si, estava realmente sendo o centro da atenção. Suspirou e os retornou a encarada, mas eles desviaram. Abriu a porta do seu carro, adentrou e calmamente fechou a porta.

O cheiro de recém-comprado ainda estava muito presente no móvel. Seu celular deu uma breve vibrada o alertando do horário, estava adiantado, como sempre. Segundos antes de sair, enquanto esperava o portão eletrônico ser aberto.

Virou algumas esquinas, sempre seguindo adiante, esperava encontrar de uma vez por todas o parceiro de trabalho para quem daria carona.

 

 

Esperava atentamente o carro passar na frente da sua casa. Um lanche reforçado estava em cada mão, segurando-o como se fosse a sua vida. Piscou algumas vezes limpando o vidro a cada segundo que ele ficava mais úmido, a culpa não era sua se a chuva veio querer começar logo naquele momento.

Suspirou novamente dando uma grande mordida na comida e bebericando o seu café. Contava cada segundo que se passava, como se fosse o último, não poderia dizer que estava ansioso, tampouco afirmar que não estava, mais parecia com um misto, a mistura entre água e óleo. Encarou o relógio no pulso, novamente, moveu o olhar para o vidro — que de novo havia se umidecido.

— Quando esse cara vai chegar… Já estou quase acabando o meu café da manhã e ele ainda não deu nem um sinal de estar perto. — Murmurou calmamente.

O som da chuva que caía sobre as diversas casas, os carros, tetos e outros, parecia ter se tornado uma grande amiga com o passar do tempo. Ela sempre chegava em qualquer momento para confortar o dia, levar as impurezas para o mais profundo que conseguiam. Cada gota, cada pontinho quase transparente que atravessava o ar e se jogava contra o chão parecia ter um som melódico. Porém o doce momento acabou com uma alto buzina, que estragou com a melodia formada por si.

Abriu o guarda-chuva, tentando ao máximo deixar a comida escondida da chuva, então correu e abriu o belo carro preto adentrando-o com pressa. Encarou o colega e deu um educado sorriso e olá ao outro, que apenas murmurou algo e o esperou centar-se para alavancar. Segurou o lanche para não o derrubar no carro, mas nada comentou.

— Bem, eu trouxe algo para nós comermos hoje. — Disse contente. — Já tomou café?

— Sim. — Desconversou arrumando o espero e ligando o rádio. Neste, uma notícia sobre o novo homem que trouxe paz para a sociedade era repetida.

 

 

    “Após a terceira grande guerra o mundo se fragmentou. A existência de criaturas antes ditas como mitológicas veio a tona, o que causou pânico entre alguns humanos e admiração em outros. A pergunta que se instaurou no ar foi:

    ‘Como esses seres conseguiram se esconder por tanto tempo?’

    A resposta foi algo muito simples, mas por ser tão óbvio foi logo dispensado, a crueldade natural do ser humano causou destruição em tudo o que era diferente do que os “justos comandantes” da sociedade costumavam afirmar como padrão. Contra tudo o que foi alegado, aqueles que ousavam ter coragem de falar algo, conhecidos anteriormente como rebeldes ou pecadores, conseguiram ganhar atenção no meio daquele lugar sombrio.

    Viver na luz e sendo caçado por seres, que por pequenas e quase banais características eram diferentes, era completamente difícil. Era como estar sempre preso a um medo constante de ser morto, perseguido, humilhado ou algo pior.

    Vampiros, licantropos e humanos dotados de habilidades sobrenaturais sempre existiram, se escondendo debaixo das sombras, sendo caçados, torturados e estudados em laboratórios, tudo sem o conhecimento da população — que mesmo se fosse avisada de algo, não olharia para aqueles seres como iguais, mas com nojo por, simplesmente, serem diferentes. —     A terceira grande guerra foi apenas uma forma que os abafados gritos dos oprimidos encontraram para se expressarem. Agora poderiam provar da sua liberdade.

    Baseado na liberdade, três grandes facções se uniram, e pelo poder nelas investidas, uma guerra civil se iniciou, em busca da paz, ao menos o que se propagava nos grandes cartazes, nos rádios, televisões, jornais e revistas. Não havia outro assunto a não ser aquele: A liberdade!

    Humanos, que antes eram caçadores, se tornaram a caça. Tudo era pior quando não se tinha habilidades sobrenaturais como os, agora revelados, caçadores de licantropos, vampiros, bruxos e, os tão esquecidos no passado, Sem-Nomes. Mesmo sendo a maior parte da população, estavam vivendo abaixo do medo que antes transmitiam para as outras raças. Temiam por suas mortais vidas.

    Vampiros, com sua perene vida, se tornavam os reis da noite, porém necessitavam de algo que os protegessem da luz do sol.

    Licantropos, donos do dia, podiam circular livremente entre os humanos e mestiços, sem se preocuparem com o ser ou não descobertos, caçados e assassinados. Porém com a chegada da Lua Cheia não tinham para onde correr, ficavam completamente à mercê dos próprios instintos.

    Mestiços, marginalizados por seu sangue impuro, pessoas sem voz, de destino incerto. Seres que nunca escolheram vir a vida, lixos e aberrações da sociedade.

    As ruas das cidades tomaram uma pigmentação escarlate e belos tons de cinzas, que pairavam pelo ar cheio de uma grossa fumaça escurecida. Corpos eram encontrados em diversos estados por todos os locais, mutilados, empalados, parecia não haver esperança, não havia nada. Estava tudo em ruínas, por conta de pessoas que machucavam outros por simples prazer. Eram os maiores pecadores da Terra.

    O mundo estava um caos, a desesperança se abrigava nos corações e nas almas de cada bom ser, não havia boa perspectiva, não havia um herói, parecia que os confrontos que ceifaram inúmeras vidas inocentes nunca iriam acabar, era o fim, todos pensavam. Foi quando, durante um conflito entre vampiros e lobos ele surgiu, um homem humilde e de voz mansa, que perguntou àqueles dois o motivo de tanto ódio, o silêncio se instaurou. Nem mesmo eles sabiam o motivo. Foi quando o bom homem colocou uma mão sobre o ombro de um lobisomem e outra no ombro de um vampiro e calmamente afirmou:

‘— Vão para as suas casas, garotos. Vocês tem pessoas esperando por vocês.’

 

Cada membro das facções diferentes seguiram em direções opostas. Aquele simples humano, diferente de todos, teve coragem de se meter em uma briga feroz e saiu ileso. Os humanos pela primeira vez puderam sentir um pequeno fio de esperança acender em seus corações e plantar sorrisos nos seus rostos, outrora aflitos.

John Hendrick surgiu como o arco-íris depois da tempestade; como um raio de Sol depois de uma noite escura e cheia de terror. Conhecido por ser um homem de vontade, indomável, carregava o desejo de revolucionar o mundo e torná-lo um lugar melhor para se viver. Ele uniu a facção humana, estimulou a aceitação da facção lupina e, o mais difícil, ele conseguiu unir os vampiros, sugerindo uma nova ordem mundial. Um mundo onde todos pudessem viver pacificamente. Tudo com um lindo sorriso no rosto e simpatia.

Inicialmente, parecia um paraíso, foi escutando o povo. Os prefeitos, governadores e presidentes, toda essa gente corrupta que só investia em guerra e morte foram destituídos de suas altas posições na hierarquia dos países. Pela primeira vez em anos, alguém conseguiu apaziguar aquela guerra. Um homem simples como nós, um pai de família.

Estava tudo dando certo, todos nós tínhamos esperança de que a paz chegaria. Quando o pior aconteceu. Mataram a jovem Hope, filha do nosso Salvador. A história trágica ecoou por todos os cantos, pareceu chocar diversas pessoas e transtorna-las. Lamentamos a morte da garota, ainda mais em circunstâncias tão cruéis, mas o nosso medo era do ódio que estava tão presente no olhar sofrido do nosso Salvador, o amor de sua vida, sua filha, estava morta .

Ele era o símbolo da nossa paz. Se ele se entregasse ao ódio não haveria mais esperança para um povo tão magoado quanto o nosso. Felizmente, o nosso Salvador também era respeitado pelas outras facções. Eles entregaram o assassino e se dispuseram a executá-lo para honrar a promessa de não encobrir crimes que atentem contra a paz entre as raças.

O Salvador aceitou a oferta e o vampiro, que causou todo aquele atentado, seria executado em praça pública. Todos nós perdemos nossas esperanças, acreditávamos que John estava entregue ao ódio, por minutos, achamos que ele estava sendo igual a qualquer outro homem que causou todos aqueles estresses passados.

Toda a população estava lá no dia da execução, olhos vidrados no assassino imundo da pobre Hope, foi quando ele interrompeu aquela barbaridade e, com um discurso completamente simbólico e marcante, defendeu o assassino de sua filha. Novamente, disse que ainda tínhamos esperança, disse que tinha fé em todas as facções, novamente, ele ascendeu em nossos corações uma chama. Mesmo com a sua vida pessoal desmoronando após a morte da filha mais velha e a loucura da mais nova, que causou uma grande aflição entre os seguidores do nosso Salvador, ele permaneceu ali, ao nosso lado.

Em um trabalho lento, passo a passo, ele vem unindo um comitê de união das facções, onde bruxos, vampiros, lobisomens, Sem-nome e diversas outras raças para formar um único governo com ideias de paz, liberdade e tolerância.”

Desligou o rádio do carro, as notícias que corriam estavam sempre voltadas àquele homem, nomeado pelo povo como Salvador. Seu sorriso de satisfação era gigantesco, todos estavam contentes e satisfeitos com as suas simples vidas. Parecia um completo sonho. Estacionou, desceu do carro, checou o celular para ver o horário e entrou no grande edifício branco. Algumas plantas quase murchas, mas ainda verdes, se espalham pelo local não muito cheio.

Esperou a mulher loira lhe atender com o mesmo sorriso malicioso nos lábios, retribuiu, no entanto, apenas por educação. Entrou no elevador sendo seguido por um dos enfermeiros de sua filha. O homem imponente, trajando um terno vinho em linho nobre, carregava um vaso de tulipas vermelhas e um sorriso em seu rosto. Andava ao lado de um enfermeiro pelo corredor da ala norte daquele hospital psiquiátrico. O enfermeiro parecia temeroso em iniciar uma conversa com aquela figura tão poderosa, então o outro decidiu iniciar o diálogo:

—  Ela está de bom humor hoje?

— Ela…- Ela... – Respondeu gaguejando – Sem...-Sempre está de bom humor, Senhor. Só fica ansiosa com suas visitas. — Comentou um pouco nervoso com o peso que suas palavras poderia ter.

O homem então parou de andar e encarou fixamente o enfermeiro, seu olhar transmitia uma certa fúria, a fim de intimidar o funcionário.

O Homem suspirou e deixou-se perguntar ao enfermeiro —  Você quer dizer que eu estou piorando o estado emocional da minha filha? — Finalizou erguendo sugestivamente uma das sobrancelhas.

O enfermeiro então desviou o olhar e disse ainda gaguejando:

— Não, senhor... Não…-Não foi isso que quis dizer. Me desculpa! De verdade, Me desculpe. — Falou aos poucos abaixando a voz. Sentia-se completamente intimidado. Se aquele era o objetivo do mais velho, estava funcionando completamente.

— Você se desculpa demais – Murmurou, olhava o mais jovem com desprezo – para alguém que não teve a intenção de dizer algo. Agora ande rápido. Me leve para o quarto dela.

—  Sim, senhor! — Disse desviando o olhar, um pouco acuado.

Ambos andaram a passos largos até a torre da ala norte, e então o enfermeiro usou o cartão de acesso para deixar o homem entrar. Ele calmamente adentrou o enorme quarto branco de sua filha, cheio de tulipas vermelhas e viu a garota olhando à floresta, que rodeava o hospício, pela enorme janela de vidro. Ela olhava para fora com um olhar perdido de desesperança esperando seu pai falar algo.

— Trouxe mais tulipas para você.

— Colocou um vasinho com terra? – Questionou sem olhar para ele, sequer sentia tal desejo.

— Sim, vai poder cuidar delas por muito tempo. –Falou em tom de animação — O que anda fazendo por aqui?

A garota então se virou para seu pai e andou na direção dele dizendo —  O de sempre, sabe? — Disse dando de ombros à pergunta. — Cuidando das tulipas, correndo pelo quarto, tomando remédios para doenças que eu não tenho e você sabe disso. — Ditou encarando-o sugestivamente e logo voltou ao tom normal. — Só o de sempre.

— Você nunca vai sair daqui se continuar na fase de negação da sua doença.

— O único doente aqui é você.

— Você tem esquizofrenia…

— Você é insano. – disse a garota de forma calma. A mesma sentou-se na borda da sua fofa cama, pegou um urso de dos inúmeros ursos de pelúcia, que seu pai havia trazido da sua incendiada casa. Deu um leve sorriso desafiador e encarou o homem. — E como vai o seu trabalho de merda?

— Olhe a boca, Fay… — Brigou pacientemente. — Eu assumi a liderança do Novo Mundo e estamos andando lentamente rumo a paz. Mas, no geral. — Disse acomodando-se ao lado dela, que se afastou um pouco o fazendo suspirar. — Está como o de praxe, papéis para assinar, reuniões e problemas para resolver.

A garota pareceu ignorar o que o pai, apertou o urso marrom entre os dedos afinados. — Sem a sua máscara de pai perfeito e líder exemplar, onde você vai ser esconder?

— Pare com isso, diabinha! — Ditou tentando manter a paciência. Sua filha realmente conseguia o tirar do sério com palavras desconexas, talvez fosse um trauma causado pelo incidente que quase ceifou suas vidas. Respirou fundo buscando manter a postura.

A garota ria ao ver que havia tirado seu pai do sério e então finalizou. —  Quando eu tiver mostrado sua verdadeira face para todos, e você se esconder com medo, vou invadir sua casa e vou te matar cantarolando Hotel California. — Comentou simplista. Seu sorriso permanecia cada vez mais amplo e debochado. Apertava o ursinho com mais força enquanto ria descontroladamente.

— Cala a boca – Gritou sem saber o que fazer. Chacoalhava a sua filha como se desejasse despertá-la de um maldito pesadelo, como se fosse a única forma de fazê-la acordar – Cala a sua maldita boca! — Implorou frustrado.

E então a garota começou a cantar, divertindo-se com a reação de pânico do pai. — Welcome to the hotel california, such a lovely place... such a lovely place… — Sibilou ao ritmo da música. Animava-se a cada expressão de desgosto que o seu pai deixava transparecer.

O homem então a lançou contra o chão e ela continuava rindo, enquanto ele estava transtornado, ela sabia que tinha algo naquela música que o fazia se lembrar de coisas do passado, coisas das quais ele queria esquecer. Seu pai abandonou o quarto. Olhou para o enfermeiro, que aguardava passivamente do lado de fora.

— Ela permanece insana! Precisa passar por mais terapias de eletrochoque.

— Senhor, não é permitido usar esse tipo de terapia.

O homem então segurou o enfermeiro pelos ombros, estava tão angustiado e fora de si, que precisava de um grande autocontrole para poder falar sem gritar com ninguém.

— Eu estou dizendo que ela precisa disso. — Falou estressado.

— Sim, senhor!

Cerrou os punhos, pagava aquele local, gastava milhares de dólares para melhorar as condições da sua única filha. O pai da garota saiu furioso, e o enfermeiro entrou no quarto, viu a menina no chão e a ajudou a se levantar. Aquilo parecia se repetir desnecessariamente.

— Vai fritar meu cérebro ao som de quê? — Questionou com um grande sorriso no rosto.

— Pode ser Janis Joplin? — Perguntou falando a primeira opção que veio na sua cabeça. Havia trabalhado bastante para aprender os gostos musicais da moça.

— Eu te amo cara, você é o melhor enfermeiro.

— Você diz isso para todos – Ele respondeu rindo e então completou — Hoje você conseguiu deixá-lo bem irritado. Vai te render um bom tempo no eletrochoque. — Murmurou cansado.

— Uma hora no eletrochoque não é nada para mim, você sabe muito bem disso. — Falou sorridente. — Eu vou sair daqui e quando esse dia chegar vou levar ele para o inferno, onde ele deveria estar. — Ditou com um sorriso maligno desenhado.

O Enfermeiro apenas suspirou e deu um sorriso fraco para a garota.

 

 

Seus lábios se comprimiam na medida que arrumava o nós da roupa da pequenina menina a sua frente. Estava irritada com aquilo, já era a terceira vez que desfazia o pedaço de pano e refazia para ficar como a outra desejava. Então deu outro puxão nas beiradas e sorriu vitoriosa. Os olhos avermelhados, quase tons de sangue, observaram a felicidade estampada no rosto da lupina. A viu virar-se lentamente para que pudesse apreciar a visão do fardamento do local onde trabalharia meio período muito bem ajustada em seu corpo jovial.

— Obrigada, Sakura. — Disse melodicamente a de cabelos azulados. Estava completamente empolgada com aquela nova cidade que havia arranjado para passarem alguns dias, ou, quem saberia, a vida toda.

— É o seu primeiro dia naquele local e acho que não seria bom você chegar com aquela outra roupa. — Comentou ao apontar para a blusa branca cheia de manchas vermelhas e amareladas, sabor mostarda e geleia de morango, colocada dentro de um velho cesto. — Espero que compre um pouco daquele pudim do outro dia. Ele é realmente maravilhoso.

— Vai acabar ficando gorda dessa forma. — Murmurou um pouco acanhada, sabia que aquela frase poderia ter dois sentidos. No entanto, como sempre, a outra simplesmente deu de ombros e voltou a deitar-se no sofá, ligar a televisão e ignorar qualquer comentário que pudesse dar. Respirou fundo, então aproximou-se da garota e carinhosamente tocou na bochecha. — Que tal depois sairmos para comermos alguma besteira?

— Você vai pagar? — Questionou encarando a garota com um sorrisinho.

— Sim!

A vampira franziu o cenho. — Filhote idiota. — Murmurou. — Não é para ceder tudo assim tão fácil. As pessoas podem passar a perna em você. — Comentou calmamente já vendo a outra prender fazer beiço, dengosamente. Virou o rosto buscando encarar outro ponto. — Mas podemos sair hoje. — Ditou e notou a empolgação da menina ao afirmar aquilo. — Você tem que trabalhar, não, é? — Questionou mudando de assunto.

— Sim! — Disse alegremente. — Já estou indo, Sakura. — Afirmou dando um beijo sobre os cabelos da vampira e recebendo o olhar comum da outra. — Até!

— Vai logo. Você está enrolando muito para quem estava tão empolgada para ir trabalhar. — Comentou voltando a deitar-se e ligar a televisão. Alguma notícia se espalhava repetidamente sobre o novo presidente que fez um grande feito para a humanidade. Apertou em alguns botões do controle enquanto coçava a barriga lisinha. — Espero que ela não se esqueça do meu pudim…

 

 

Suzume caminhava alegremente pela rua, vez ou outra arrumava sua roupa em alguns pequenos cantos que eram amassados pelo vento. Seus cabelos azulados acompanhavam o ritmo calmo dos seus passos. Tinha um sorriso radiante, além de um gigantesco pensamento sobre o seu novo e primeiro trabalho. Estava completamente empolgada com tudo aquilo.

Virou uma esquina, entrou em outra, passou por alguns edifícios e logo chegou ao seu destino, uma pequena loja onde trabalharia para poder sustentar sua Alpha, no entanto, tinha em mente que poderia gastar com outras iguarias. Suspirou e abriu a porta de vidro. Ao entrar, escutou o sino do porta avisar que havia chegado, encarou timidamente todos as pessoas e alguns funcionários que atendiam, mas haviam notado a sua presença. Timidamente, caminhou até o balcão sendo atendida educadamente com um sorriso.

— Err… Hoje é o meu primeiro dia de trabalho aqui… — Sussurrou descendo cada vez mais o tom da sua voz ao ponto de ser inaudível.

A moça de cabelos loiros sorriu radiante lhe respondendo animadamente — Você é a novata que vai me ajudar nessa espelunca, né? Venha, vou lhe mostrar o local! — Ditou movendo as mãos levemente e conduzindo a menina para perto, caminhou até uma outra pessoa sussurrando algo no ouvido desta, então olhou para Suzume e começou a apontar e explicar para os devidos pontos, abria diversas portas, subia e descia degraus, afirmava como funcionava cada área do local. Virou-se para a de cabelos azulados. — E, por último, a cozinha. — Disse com o mesmo sorriso radiante de antes. — Daqui tudo vai sair, parar ali naquela bancada, com o número da mesa sobre uma bandeja, não tem como você errar. — Comentou. — Ou você não sabe ler?

A garota ficou em silêncio por um tempo, corou e timidamente respondeu. — Sei sim.

— Ótimo, já tivemos pessoas que não sabiam ler e era complicado trabalhar com elas. — Murmurou. — Venha, você já começa hoje. — Afirmou andando até onde haviam começado o tour. — Pode ir entregando essas bandejas para as suas devidas mesas. Qualquer coisa, estou bem ali. — Ditou indo até o balcão de pagamento.

— Certo… — Sussurrou olhando para os diversos pedidos e começando a ler cada papel com o respectivo endereço.

 

 

O livro de capa grossa em suas mãos, delicadamente postos em seus dedos não passava de uma simples desculpa que escondia o que verdadeiramente estava encarando. A curta história romântica que lia parecia o prender a cada segundo que se passava em um completamente irreal, a quebra de expectativas onde o vilão era, na verdade, o herói; o herói não era o que parecia no início do conto. Basicamente, uma simples demonstração de que não se deveria acreditar em tudo. Tudo era duvidoso e complexo, uma mente inteligente que se passava por deus, mas era o ser mais deturpado de todos.

Suspirou prazerosamente e livrou a página, no entanto seu momento foi rapidamente cortado por um de seus empregados entrando no quarto e tomando seu livro sem dizer qualquer palavra. Olhou com um bico para Peter, um simples humano jovem e de cabelos roxos, que simplesmente deu de ombros e abriu o seu livro investigando o que estava realmente fazendo. Jogou-se contra os inúmeros e macios travesseiros soltando um resmungo.

— Eu imaginei que estava lendo essa revistinha, não é do seu costume ler… — Olhou para a capa grossa e escura do livro. — Povos Nativos e Política — Ditou dando um pequeno sorriso lateral. — Da próxima vez pegue um livro sobre Estratégias de Combates e, talvez, eu acredite que está fazendo algo produtivo. — Disse simplório. — Agora precisa se arrumar, precisa comer algo.

— Não estou com fome. — Murmurou fazendo bico e voltando a se sentar, agora com um travesseiro em suas pernas. — Quero terminar de ler o meu livro e ver como ele acaba. — Falou alegremente já imaginando os possíveis finais que poderia ter.

Peter suspirou e sorriu para o vampiro devolvendo a revista, no entanto, antes de Theodore pegar ele puxou um pouco. — Só se for comer algo. Não pode passar o dia trancado nesse quarto escuro.

— Sou um vampiro, aprecio o escuro. — Revidou.

— Se é assim, deveria se casar com o Conde Drácula, passar o dia todo trancado em um caixão. — Zombou.

Theodore pensou um pouco, mas logo franziu o cenho.— Eca! Com aquele velho?! Prefiro comer algo. — Levantou-se e puxou a revista da mão do empregado. — Vamos? — Questionou completamente brincalhão. Peter lhe olhou empolgado, mas mantendo a postura correta de um servo e seguiu o ruivo.

Desceu as escadas de sua “pequena” mansão. Ao chegar no piso principal notou diversos servos carregando algo de um lado para o outro, arrumando, limpando, conversando sobre algo, que para si era completamente banal, dividindo tarefas. Sorriu para cada um deles, sendo cumprimentado por estes, alguns nem desejavam estar ali, mas não tinham para onde ir e ficaram o servindo. Seguiu Peter até a copa, sentou-se à mesa e esperou ser servido, como em todos os outros dias.

Uma menina loira carregava uma bandeja metálica com um prato uma xícara de porcelana decorados com bordas douradas, além de talheres da mesma cor ouro dos detalhes dos outros objetos. Pouco ligava para os detalhes, o que para muitos seria como comer em um paraíso, para si, não passava de algo comum. A mesma foi seguida por mais duas moças, uma carregando uma garrafa de vidro com o seu líquido ferroso favorito, a outra segurava a bandeja com a sua comida.

Theodore olhou para Peter, em pé e parado ao seu lado, sempre na mesma postura. Segundos depois, seu prato estava com uma generosa fatia de bolo de chocolate, com uma calda posta com completo cuidado junto ao coco ralado. Sua xícara cheia até quase transbordar liberava um dos maiores e degustadores cheiros para um vampiro faminto. Mordeu os lábios com um pouco de desejo, sabia que seu corpo lhe impulsionava a cravar os dentes, propositalmente, afiados em algo macio e sugar sem qualquer pena o líquido vital do ser vivo. Suas pupilas dilataram e segurou, o mais educado que conseguiu, a xícara a levando até seus lábios e provando do que nela estava contida. Suspirou prazerosamente após o primeiro gole, fazia tempo que não colocava algo em seu corpo.

— Peter, temos algo para hoje? — Perguntou depositando a xícara vazia sobre o pequeno prato ao lado. Encarou o servo com um pequeno sorriso, seus lábios avermelhados e úmidos, sem contar com os dentes tingidos de vermelho sangue. — Senão, vou retornar para os meus aposentos. — Comentou calmo.

— Infelizmente — iniciou devolvendo o sorriso. — você tem algo para fazer, meu senhor. — Respondeu. — Precisa assinar algumas papeladas relacionadas sua fábrica, senhor. Está tudo sobre a sua mesa de trabalho, no seu escritório, apenas esperando-o.

Theodore suspirou e puxou a xícara, novamente cheia, bebericando sem qualquer interesse de levantar daquela cadeira. Não terminaria seu livro tão cedo com Peter no seu pé. Terminou, caminhou, sendo seguido pelo humano, até seu escritório.

— Lhe desejo um bom trabalho. — Disse Peter com um sorriso nos lábios, que fechou as grandes portas de madeira ficando do lado de fora.

— Maldito servo… — Murmurou brincando. Olhou para a papelada sobre sua mesa e respirou fundo. Verificou se a porta estava realmente fechada, então tirou de debaixo das suas vestes sua revista, sentou-se e voltou a ler.

 

 

Os cabelos avermelhados estavam cheios de folhas, com diversidades de colorações, porém isso era o menor dos problemas, olhava para cada lado da floresta, observando atentamente para onde ia, por onde passava, os locais repetidos. Certamente, estava perdida no meio do local todo. Suspirou vendo seu companheiro tentar pegar algo para comerem, porém, parecia que os animais naquela área eram espertos. A pequena presa corria de um lado para o outro, fazendo ziguezagues e, enfiando-se em buracos para sair em outros, confundindo Rantaro, não conseguiu controlar muito bem suas risadas, deixando uma ou outra escapar e recebendo fuzilos com o olhar do outro.

— Está precisando de ajuda? — Perguntou ela aproximando-se dele sem fazer muito barulho, para não assustar o animal. — Ou acha que consegue fazer isso sozinho?

— Se vossa alteza quiser me ajudar, vou agradecer eternamente. — Murmurou zombando. — Se não for muito incomodo caçar ao meu lado ou, pior, borrar suas esmaltadas unhas. — Brincou olhando fixamente para o bicho irritante comer algo.

Ela sorriu desafiadora e transformou-se em um grande lobo, saltou diretamente em cima da presa a segurando pelo pescoço. O pequeno ser se contorcia completamente desesperado, esperava escapar daquela enorme boca. Ele amoleceu, então ela o colocou num local onde poderia exibir para o outro. No entanto, quando olhou sorridente para o parceiro o mesmo revidou o sorriso e apontou para baixo, o pequeno animal havia se fingido de morto e correu o mais rápido que as pequenas patas permitiam.

— Nem fale nada. — Murmurou chateada, mas impressionada com a esperteza do animal. — Vamos voltar a caminhar, talvez achemos uma cidade aqui perto.

— Como vossa alteza desejar. — Brincou.

— Para de me chamar de vossa alteza. — Resmungou.

— Claro, claro. — Disse com um sorriso nos lábios e a vendo se destransformar. — Quer suas roupas? — Perguntou olhando para outro local que não fosse o corpo da menina.

— Agradeceria. — Afirmou corando.

— “Fala que quer ele sem roupa, é melhor” — Disse mentalmente Dark à Ruby e fazendo a garota corar mais ainda.

— Está aqui. — Afirmou dando para ela, mas sem a olhar. A mesma agradeceu. Rantaro encarou rapidamente o corpo jovem da sua parceira e quando a mesma terminou de se vestir voltou a desviar o olhar disfarçando.

— Vamos?

— Claro. — Disse ainda corado e com a imagem do corpo sedutor dela em sua cabeça.

 

 

A garota não tinha muito o que fazer além de caminhar sem rumo algo pela floresta, nem mesmo tinha um local onde dormir na noite que logo iria chegar. Murmurou um xingamento e logo continuou a caminhar sem pensar muito no que estava acontecendo. Andou um pouco mais para perto de uma árvore e logo o cheiro de um lupino chegou até as suas narinas.

— “Não temos mais lupinos por essas áreas…” — Pensou esgueirando-se por algumas árvores e arbustos. — “Principalmente” — Parou subitamente ao ver uma pegada bem desenhada na terra um pouco úmida. — “Alphas…”

O coração de Kira parecia bater acelerado, como se estivesse em perigo, a adrenalina do seu corpo crescia loucamente, igualmente como o ritmo da sua respiração ia se tornando aos poucos pesadas. Os feromônios de um Alpha conseguia mexer com qualquer outro ser, mas, dois? Aquilo aterrorizava até mesmo o mais forte lupino. Continuou a seguir o cheiro, sem ligar para os riscos que corria ao fazer aquilo, estava curiosa quanto ao paradeiro daqueles recém-chegados, talvez, quem sabe, fizesse uma limpa como no vilarejo anterior.

Andou para o canto, vez ou outra farejando o ar. Estava quase perto deles, conseguia sentir o cheiro de testosterona no ar. Realmente, segurou a risada ao sentir o cheiro de um macho, como ele conseguia ter aquele aroma? Como uma fêmea iria se atrair por aquilo? Ao menos na vila por onde passou as pessoas tinham um odor melhor que aquele. Porém, não poderia negar, que ele conseguia ser inebriante.

Caminhou mais um pouco, então viu as duas figuras, uma garota de cabelos ruivos e um homem com um semblante sério. Da forma como ela liberava os feromônios imaginava que a fêmea, possivelmente, seria a líder da relação, ou, em outras palavras, a ativa e ele, resumidamente, o passivo.

Caminhando delicadamente pelos galhos continuou os seguindo sem fazer qualquer barulho. Eles não eram dali, foi o que concluiu. Eram de um local bem longe, talvez de um clã, tribo, ninho, ou qualquer outro lugar onde haviam sido criados, distante daquelas terras.

Estrangeiros! Mas o que faziam por ali? Era a questão. Ficou completamente atenta aos movimentos deles, porém, logo percebeu a falta de movimento por parte do garoto. Um sorriso desafiador se desenhou no rosto de Kira, teria dois seres com quem brincar naquele dia.

 

 

A pequenina garota suspirou cansada, estava exausta, seu corpo pedia desesperadamente por um minuto de descanso. Foi quando ouviu o pequeno barulho nos arbustos, espantou-se com um uivo bem alto ecoando atrás de si. Choramingou levemente forçando seu corpo a correr o mais rápido que conseguia. Os pés brancos e calejados pisaram com força numa pedra perfurando-o superficialmente, entretanto, era o suficiente para qualquer lupino saber onde estava. Abaixou-se puxando um pouco do trapo solto da sua blusa e o amarrando ao redor do machucado. Sem pensar duas vezes retornou a correr sem qualquer rumo, apenas com o objetivo de sair dali.

Sentia como se a feroz besta estivesse a cada segundo mais próxima de si. Desesperava-se silenciosamente, voltou a correr sentindo pontadas de dor a cada passo que dava. Conseguia escutar o som dos próprios batimentos cardíacos ecoarem em sua cabeça.

Cansada parou próximo a um tronco de árvore, escorrendo por ele. Estava desesperada, mas, sem saber para onde ir, continuou ali. Suas pernas estavam fracas demais para conseguir escapar daquele local. Respirou fundo, procurou com o olhos algo que servisse como uma arma. Encarou diversos galhos inúteis contra um lupino, pedrinhas redondas, insetos, folhas, no entanto nada servia como um objeto de defesa. Tentava manter a calma, controlar a respiração para que sua presença não fosse notada, porém havia o sangue encharcando o pano que havia usado para o torniquete.

Escutou os sons dos galhos quebrando enquanto o lupino se aproximava, até que o ser passou a rosnar. Havia outro lupino ali, talvez essa fosse a chance de fugir que ela tão esperava. Se afastou do tronco e tentou correr quando viu uma garota ruiva a poucos metros de si, ficou parada enquanto a ruiva levou o dedo indicador para perto de seus lábios, como se pedisse silêncio.

Resolveu obedecer, mas não antes de se virar e olhar o que estava acontecendo atrás de si.

Dois lupinos, o primeiro de pelagem escura e olhos vermelhos, rosnava para o segundo de pelagem acinzentada e olhos marrons. Este segundo, mantinha uma cautela excessiva ao andar em direção ao primeiro. Parecia querer afastar o primeiro. Foi quando o primeiro retomou a forma humana, nu ali na frente de todos e gritou em direção ao segundo lupino:

— Qual é! - aparentemente estressado - São só garotas na floresta. Ninguém vai sentir falta!

O segundo lupino manteve sua postura e rosnou ferozmente para o homem que recuou suavemente enquanto argumentava.

— Você é um lobo ou um animal de estimação?

A última frase pareceu ser o estopim do que se seguiu, o homem não teve tempo de voltar a forma lupina, o lupino saltou em sua direção prendendo sua mandíbula no pescoço do homem com força.

O homem tentava se soltar batendo no lupino, porém o lobo o chacoalhava dilacerando a pele de seu pescoço, ele mal conseguia gritar, sufocava em seu próprio sangue, enquanto o lobo cravava os dentes afiados cada vez mais profundamente em seu pescoço. A mandíbula do lupino havia quebrado o pescoço do homem, que parou de se movimentar naquele instante. O lupino parecia não estar satisfeito, pousou sua pata dianteira sobre o tronco do homem e com um movimento rápido arrancou sua cabeça violentamente e a lançou na direção das duas garotas.

O sangue daquele movimento espirrou na face da loira que fechou os olhos assustada. Se voltou para o chão a procura de algo que pudesse usar para se defender, pensou que talvez agora fosse sua vez de morrer. Tateava o chão desesperadamente a procura de algo quando a ruiva disse.

— Ei, se acalma, garota. — Murmurou com voz calorosa e um sotaque diferente do qual a garota loira estava acostumada. Na verdade, só havia conhecidos homens cheios de maldade, com pensamentos perversos e pervertidos. Abriu um dos olhos revelando a cor azulada. — Não tenha medo, por favor.

— Tu…-tudo bem! — Disse com uma voz fraca e hesitante. Seu tom manso e infantil fez com que a outra relaxasse

— Eu não vou te fazer mal. - disse a ruiva sorrindo para a garota assustada - Meu nome é Gerda e este - apontou para o Lobo que a acompanhava - é o meu amigo, o Lobo. Qual é o seu nome?

A garota respirou fundo e tentando manter a calma respondeu em um tom baixo:

— Akemi... Haruki…

O Lobo se aproximou dos pés da garota e começou a farejar, como se procurasse algo, Akemi rapidamente puxou as pernas para perto de si, com medo, porém o lupino apenas olhou para Gerda e grunhiu colocando uma de suas patas dianteiras próxima de uma mancha de sangue no local onde antes estavam os pés da garota. A ruiva entendeu a mensagem de seu companheiro e com cuidado pegou uma pequena garrafa de sua bolsa tentou tranquilizar a garota.

—  O Lobo não tem muita noção de espaço pessoal, então ele vai tentar se aproximar sem que você permita, mas não tenha medo. Ele não quer te ferir. - sorriu se pondo de joelhos ao lado de Akemi - Posso olhar seus pés?

— Eu me machuquei. - disse a garota de cabeça baixa.

— Então deixa comigo, posso curar isso bem rápido.

Akemi mostrou o pé machucado para Gerda que em um primeiro momento se espantou com a profundidade do corte, mas depois olhou para a garota e sorriu destampando a garrafa, aproximou o objeto do corte no pé de Akemi e deixou que aquela seiva espessa caísse sobre o ferimento. No início, Akemi sentiu apenas um calor no local e aos poucos a dor foi indo embora, até desaparecer por completo. Seu pé estava curado.

A loira ficou maravilhada com o que havia acabado de acontecer e não só isso, o que era essa garota? Parecia humana, como todos que costumavam lhe fazer mal, mas era boa… Boa como Misaki… A ruiva a olhava como sua mãe de criação a olhava. Rapidamente se pôs em pé olhando para a ruiva.

— Como? Como isso é possível?

— Essa seiva cura qualquer coisa… Bem, exceto a morte.  - Respondeu a ruiva se colocando em pé - É coisa de bruxa. Para onde está indo? Não costumo encontrar muitas pessoas perdidas nessa área da floresta. Como você acabou de ver é um lugar muito perigoso - alertou enquanto olhava o corpo do homem morto ainda jorrando sangue pelo local onde deveria estar sua cabeça - muita gente morre por essas bandas.   

— Qualquer lugar - respondeu Akemi com um olhar perdido - Qualquer lugar longe daqui.

— Estou indo para o mundo exterior, Akemi. - A ruiva fez o convite com cautela — É um tipo de qualquer lugar longe daqui, se quiser vir comigo, eu e o Lobo adoramos companhia.

Akemi olhou os olhos da ruiva, aqueles grandes olhos verdes que tanto lembravam os de sua mãe.

— Pode me chamar de Haru - a loira respondeu Gerda com calma - para qual direção nós vamos?

— Em frente, sempre em frente, Haru!

 

 

Chovia torrencialmente naquela cidade. O vampiro, sentado a frente de seu piano, entediado, não se lembrava da última vez que havia chovido daquela forma. Suspirava tentando pensar em algo para tocar, quando sua serva se aproximou.

— Poderia tocar Bach, Valentine.

—  Não havia notado sua presença, Thama - sorriu olhando a serva enquanto dava espaço na cadeira para que ela se sentasse ao seu lado - Venha, lembro-me de tê-la ensinado a tocar Bach… Mas qual sinfonia?

— Concerto nº 5 em fá menor. - respondeu com perspicácia - Mas não vim para tocar piano, Valentine. Chegou um aviso do seu pai.

Valentine então desfez seu sorriso outrora acolhedor e logo começou a tocar a música citada por Thama, enquanto respondia a fala da mesma. — Acho que esse seria mais um motivo para você me acompanhar tocando enquanto me fala deste crápula. —  Murmurou o apelido com um nojo bem transmitido e captado pela serva.

Thama suspirou e contrariada resolveu tocar junto com o seu senhor. Sabia que qualquer aviso, notícia ou acontecimentos que envolvessem o senhor Amaro destroçava o humor de seu senhor. Era um dia tão lindo, mesmo com a forte chuva lá fora, para que, com uma pequena mensagem, fosse substituído o clima pacífico e bem humorado para um totalmente pesado.

De qualquer forma precisava avisar Valentine sobre o ocorrido, então suspirou e novamente retornou ao assunto.

— Seu pai negociou uma escrava daquele clã que você jurou exterminar. Como um acordo de paz entre vocês para agradar o novo presidente. Me mandou avisar que ela chega em alguns dias.

Valentine parou de tocar abruptamente e em um ímpeto de fúria fechou com força a tampa das teclas do piano, o que fez um som desafinado. Levantou-se respirando rápido e frustrado andava pela sala de um lado para outro. Thama respirou fundo, conhecia os trejeitos de seu senhor, apenas levantou-se e seguiu o mesmo, ouvindo suas reclamações saírem ferozes.

— Quem ele pensa que é para se intrometer em um assunto que não lhe diz respeito? —  gritou em seu monólogo — Ele sabe o que aquelas bestas fizeram! Ele sabe porque eles não merecem perdão! Escrava nenhuma vai aplacar a minha fúria, Thama! Escrava nenhuma… —  hesitou — vai trazê-lo de volta.

Quando a raiva de Valentine transformou-se em melancolia, Thama soube que este era o momento de se pronunciar.

— Seu pai disse que fez pela paz. Porque o novo presidente quer a paz entre as facções.

— Amaro Albuquerque - disse com uma expressão de ódio contida - só faz coisas que beneficiem Amaro Albuquerque.

 

 

Afundando… Sentia o ar ser substituído por água em seus pulmões. A câimbra ardia em sua perna esquerda e a jovem lupina se recusava a morrer ali. Lutou sua vida inteira para sobreviver, era uma sobrevivente de corpo e alma, não seria morta pelo mar. Recobrou suas forças e ignorou a dor, nadou o mais forte que conseguiu para chegar até a superfície, mas ao olhar ao seu redor, viu sua irmã sentada em uma pedra, a garota tinha as vestes cobertas em sangue e a garganta dilacerada. Pôde sentir novamente o gosto daquele sangue e então a garota na pedra sorriu e disse:

—  Acho que você vai morrer aqui.

Asani pode ver a água ao seu redor se tornar sangue e novamente sentiu seu corpo afundar. Sem pensamentos racionais, estava novamente se afogando, se debatendo, estava com medo de morrer ali.

Foi quando sentiu mãos em seu tórax, mãos que a chacoalhavam, não via aquelas mãos, mas as queria longe, lutou contra aquele algo invisível até sentiu um tapa em seu rosto e aí despertou. Estava deitada ao lado de uma fogueira, seca, porém uma estranha figura estava sobre ela. Era uma mulher que usava capacete, estranhou aquilo de imediato e disse.

— Dá para sair de cima de mim?

A mulher o fez sem questionar e então ironizou. — Obrigada estranha por me salvar do meu afogamento.

— Eu não estava me afogando —  retalhou Asani enquanto se sentava —  estamos bem longe do mar e espera… Quem diabos é você?

—  Meu nome é Kiara, estava passando de motocicleta aqui e decidi descer para fazer xixi quando te vi aqui se afogando no seco.

— Foi só um pesadelo.

— Já se afogou alguma vez?

— Você não tem algum lugar pra ir não? Pode seguir o seu rumo.

Kiara sorriu e então entendeu que a mulher que havia encontrado tinha seus próprios demônios. Se sentou perto da fogueira e então disse:

— Acho que já estou onde deveria estar.

 

 

O garoto sobre a mesa parecia estar em um importante diálogo sobre os motivos para os seus atos, que, aparentemente, para os outros, pareciam ser complicados de serem compreendidos, ou, talvez, tivessem dificuldade de captar uma mensagem simples e acabassem banalizando-a.

— Sonhar é muito cansativo... — Ditou em meio a longos bocejos o garoto, em seu rosto alguma olheiras profundas pareciam mais e mais escuras que no dia passado, fazendo um chá com algumas ervas — seria bom evitar esse gasto de energia desnecessário.

Sua irmã o olhava com estranheza e evitava rir da situação, mas aquela afirmação a fez gargalhar. A mesma andou calmamente e deixou a louça sobre a pia, enquanto buscava controlar as altas risadas.

— Qual o seu problema, Anna? — O garoto questionou irritado enquanto colocou o chá na xícara — Vai dizer que não te cansa também?

— Essas coisas que você diz só aumentam sua fama de preguiçoso, Ben. - Anna ficou curiosa com o que o irmão estava fazendo então se inclinou para olhar — O que é isso?

— É uma poção. — Murmurou encarando o líquido mudar seu tom. —  Quero ver se vou acordar cansado depois disso aqui. — Ditou soltando outro bocejo.

— Dúvido que um chá cure sua preguiça — Disse o idoso ao entrar na cozinha, este tinha a roupa manchada com algum óleo do carro velho. — Preguiça se cura com trabalho, não com bruxaria.

—  Ah, pronto — Anna respondeu o velho com sarcasmo — Só falta mandar o garoto capinar um lote a essas horas da noite.  Dá um tempo vovô.

—  Tempo? Vá limpar as fezes daquela cadela preguiçosa igual ao dono. - resmungou o idoso enquanto abandonava a cozinha — Juventude perdida...

Anna olhou o irmão sorrindo e ele, mesmo que incomodado com a situação, sorriu também. Sentia-se sem energia alguma, até mesmo para comentar algo. Fazia um grande tempo que não tinha uma bela noite de sono, por isso, talvez, estivesse com o pensamento um pouco atrasado.

 

 

“Queime a sálvia, defume o ambiente, mantenha a ametista próxima ao coração e em seus sonhos você verá a pessoa a quem sua alma chama desesperadamente…”

 

Essas eram as instruções do livro que Lília guardava com sua vida. Um ritual simples para atrair nos sonhos uma entidade de conselho.

Encarava com um grande desejo a belíssima xícara que havia conseguido deixar intacta, as outras tentativas haviam sido um tanto… Catastróficas. Encarou a pequena mesa cheia de líquidos de diversas cores com certa indignação, porém, tudo mudou ao olhar fixamente para a xícara, onde a bebida mudava repentinamente de cor, parecia um arco-íris.

Desejava atrair sua mãe, bebeu o chá que ela mais gostava, tinha em suas mãos uma lembrança dela e deitada em sua cama suspirou e forçou o sono.

Abriu os olhos em um jardim de girassóis, o sol estava brilhando no céu sem a interferência de nuvens. Havia algumas árvores. Ao andar naqueles campos, Lília viu uma figura adormecida na sombra de uma árvore. Se aproximou e viu que a figura não era a pessoa por quem ela tinha chamado. Havia falhado em seu feitiço mais uma vez. Diferente das outras vezes, em que não havia nada, havia algo, uma pessoa. Não quem ela esperava, mas isso poderia ser um indício de que estava perto de conseguir o que queria.

Andou até o garoto, que dormia com um chapéu no rosto e o acordou dizendo:

—  Quem é você garoto? — Deixava correr por suas palavras o quanto estava indignada com a sua falha, tentaria novamente, no entanto, iria recolher o máximo de informações que conseguisse.

O garoto acordou assustado e se afastou de Lília resmungando.

— Mais que merda! — Bufou atirando seu chapéu ao chão — Uma pessoa não pode dormir nem em seu sonho! Malditos invasores de sonhos. — Rosnou ainda encarando seu chapéu.

Lília olhou o jovem com estranheza e percebeu que havia um desequilíbrio energético nele. Então séria afirmou.

— Isso não é um sonho. É uma projeção astral, eu criei esse lugar para atrair outra pessoa, mas você veio. — Murmurou curiosa sobre o assunto. Em sua mente questões passavam sobre o ocorrido, buscava uma lógica para aquilo, um padrão, algo que indicasse uma resposta. — Então você é o intruso. — Concluiu o fuzilando.

— Projeção o quê?

— Astral. Você deixa o seu corpo e viaja para qualquer lugar. Encontra pessoas vivas — completou com hesitação — ou mortas. — Murmurou, Então mudou cortou o assunto. —  Enfim, não deveria estar aqui.

— Não deveria estar aqui? — Reclamou rindo da situação — Venho para esse lugar ter um pouco de descanso todas as noites, garota. — Afirmou finalmente olhando nos olhos de Lília.

Lília respirou fundo buscando paciência e então tentou explicar.

— Você vive cansado, desatento, sua exaustão é facilmente confundida com preguiça? — Perguntou, mas sabia que já tinha a resposta com a face contrariada que o outro havia feito.

O garoto parou de ignorar as palavras de Lília e então questionou.

— Creio que você saiba porque me sinto assim. — Sem dar muita importância para a pessoa indignada ao seu lado falou.

—  Manter um lugar como esse que eu criei requer energia vital. — explicou ela pensativa. Estava buscando a solução. Mais parecia estar se metendo em um buraco sem fim que perto da resposta. — Muita energia. Esse lugar está te sugando e não a mim como deveria ser.  

O garoto então riu, passou as mãos nos cabelos e frustrado desabafou. —  Me chamam de preguiçoso há anos por causa disso! E nem é culpa minha.

Lília olhou para o garoto espantada com as prioridades dele e rindo para não surtar com o garoto, buscou palavras menos rudes para expressar sua revolta diante da falta de entendimento dele.

— Você pode morrer por estar alimentando esse lugar e sua prioridade é parar de ser chamado de preguiçoso? — Empurrou o garoto com força de forma que ele caiu na grama — Se você morrer não vai precisar se preocupar com as pessoas te chamando de nada. Todas as pessoas viram santas quando morrem.

O garoto a olhou com espanto e se pôs em pé sem saber o que dizer, então apenas ficou em silêncio, ouvido Lília falar.

—  Acho que posso te desvincular daqui, mas preciso ter contato com você. Algum fluido vital, não sei, mas só posso te ajudar se você quiser.

— Eu faço qualquer coisa — rompeu o silêncio — para que você me salve.

— Qual é o seu nome? — perguntou a garota, agora com mais tranquilidade na voz.

— Benjamin Griboedov. — respondeu o garoto oferecendo sua mão para um cumprimento, coisa que foi completamente ignorado pela garota. — Nada de aperto de mãos, entendi. — rechaçou o garoto —  Posso saber o seu nome pelo menos?

— Lília Evergarden. — deu as costas para o garoto — Acho que deveria acordar agora. — Ditou.


Notas Finais


◯ - Quebra de personagem, ou seja, os personagens estão no mesmo cenário, logo estarão no mesmo cenário, ou estão interligados por algum motivo.
⦽ - Quebra no tempo, é um tempo mais avançado, há mudança de personagem e cenário.

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