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História Revolution of the Daleks - Capítulo 8


Escrita por: e EsterNW


Capítulo 8 - Recrutamento


Foi preciso que alguém segurasse Rani para que não despencasse quando esta ouviu o que a Doutora disse. Na verdade, os três ficaram surpresos, mas nenhum pareceu dar muita credibilidade à princípio, achando que ela só poderia estar enlouquecendo ou inventando coisas. Mas, por sorte, ela conseguia ser convivente quando queria.

— Ele disse que não tinha nada a perder — falava rodeada pelos olhares inquisidores. — Isso é bom para nós e é verdade, não tenho razões para mentir.

— Mas também não temos muitas para confiar em você — disse Rani, cruzando os braços e virando a cabeça para o lado.

A Doutora praguejou em silêncio e massageou a testa, tentando pensar no que dizer para fazê-los acreditar.

— Falem com ele — disse por fim. — Se não acreditam em mim é só perguntarem, tenho certeza que vai confirmar.

— Sabe que não é tão simples — disse Khayin, roendo uma unha.

— Então eu não sei mais o que dizer. Essa era a última peça que faltava para um plano perfeito, e quando a encontro vocês rejeitam, achando que estou louca.

— A questão, cara Basil — disse Monge, que sorria a refletir. — é que isso parece totalmente impossível. Por qual razão ele falaria justo com você?

— Ora, como é que eu vou saber? Disse ter gostado de mim.

Rani segurou um riso.

— Mas vamos lá, pessoal, que tal dar um pouco de credibilidade para ela? — sugeriu Khayin, surpreendendo e atraindo os olhares. — Quer dizer, é como disse, se for verdade, teremos tudo pronto para começar a coisa.

O Monge e a Rani se fixaram por alguns instantes, refletindo, depois voltaram a olhar para ele e enfim para a Doutora. Ela sentiu uma gota de suor escorrendo em suas costas, nervosa, mas tentava dizer a si mesma que não tinha razões para isso, afinal, não estava mentindo dessa vez.

— Vamos adiantar os próximos passo, então — disse o Monge, batendo uma palma silenciosa. — E sob a perspectiva de que Basil está falando a verdade. 

— Obrigada.

— Mas ainda iremos confirmar se ele realmente aceitou — disse Rani rapidamente. — Na próxima chance que tiver de realizar um contato. 

— Muito bem, não sei por qual razão demoraram tanto pra concluir isso, mas tá certo — finalizou a Doutora.

Ainda pareciam condená-la com as expressões, mas não se importou. Tentou apenas se manter tranquila e suspirou. 

Logo os guardas se aproximavam para mais uma escolta, e outro dia se encerrava.

Em sua cela, a Doutora desejou por alguns segundos voltar a falar com ele, seu antigo amigo e inimigo, mas isso não veio a acontecer. Se perguntava se ele desconfiaria de sua identidade, sempre tiveram algo especial...

Tentou voltar a focar no que estava envolvida. O plano parecia muito certo nas mentes dos outros, e ela gostaria de ter alguma parte das etapas, mas nem para isso confiaram nela. Contudo, em outra ocasião, Khayin foi encarregado de tomar ao seu lado uma fase que poderia ser crucial. Decerto não tanto quanto o que teve de fazer ao lado de Rani, mas não deixava de ser importante.

— Recrutamento? — perguntou ela, um tanto confusa após a explicação. 

— Sim. Do mesmo modo que fiz com você, sabe?

— Isso eu entendo, mas achei que... Bem, se essa era uma parte essencial, por que não fizeram antes? Estão aqui há anos.

— O orgulho pode ser um grande obstáculo.

Ela olhou sobre seu ombro. Monge e Rani sentados em mesas vazias, sem se misturar com os demais ou se o faziam era para ficarem com caras feias. Havia entendido bem, eles queriam fazer tudo sozinhos e envolver o mínimo possível de pessoas, mas agora tudo devia ter se complicado. 

A Doutora imaginava qual exatamente seria todo o plano. Eles haviam julgado não serem capazes de realizar tudo em um grupo de cinco, então deveria ter várias camadas.

— E como faremos? — Se virou para olhar em volta, para todos os rostos abatidos. — Acha que todos serão receptivos depois de tanto tempo de alienação?

— Óbvio que não. Precisamos chamar sua atenção e fazer ouvir, mesmo que demore. Será necessário ter pelo menos metade deles conosco.

— Entendi.

Antes que ele parasse para focar, ela se lançou sobre a mesa e ficou de pé, quase derrubando tudo.

— Mas o que está fazendo?! — Khayin olhava para os lados preocupado, e o Monge e a Rani se levantaram de seus lugares, também surpresos.

— Vai ser mais rápido se der uma introdução — disse a Doutora com as mãos na cintura. — Atenção, prisioneiros de Sha...

Antes que prosseguisse, uma bola de mingau se chocou contra sua boca e a desequilibrou. Não demorou a se ver de volta no chão.

— Não aprendeu nada aqui? — disse o Monge, se aproximando a ranger os dentes, os punhos tremendo com a força contida que exercia. — Sem excesso e não chamar a atenção, Basil.

— O que estava pensando? — disse Rani igualmente indiguinada.

— Qual é, ninguém se importa. — Tentava se levantar enquanto levava as mãos às costas, doloridas pela descida brusca. — E vai ser bem mais rápido assim. Será que alguém poderia me ajudar a...

— Eu quiz dizer que íamos fazer individualmente, como foi com você — disse Khayin ainda consternado, os dedos trêmulos. — Eles não iam ouvir assim e apenas ia chamar atenção, pois as câmeras estão funcionando normalmente — disse a última parte em um sussurro rasgado e feroz.

Ela suspirou e se escorou no banco, sentada no chão gelado, as luzes sobre a cabeça ofuscando o olhar... Havia desejado alguma ação a mais, pois sua alma velha necessitava de aventura e não tinha o bastante por ali, e mesmo não vendo muito mal no que fazia não havia parado para pensar em como era algo estúpido.

— Tudo bem? — disse uma voz arrastada à sua frente. 

Não havia focado em ninguém após cair, e não chegou a ver as expressões dos prisioneiros, mas havia alguém ali agora. Não era nem Khayin, nem Monge, muito menos Rani, contudo, oferecia uma mão pálida como ajuda.

— Obrigada.

Logo se viu de pé, e haviam mais seis Senhores do Tempo ao seu redor. Não conhecia nenhum, já sabia disso, mas agora pareciam todos tão familiares, quase como se...

— Queríamos... — disse um com o jeito lento que todos tinham, caminhando devagar em sua direção. — Saber o que tinha a... a dizer.

— Esqueçam, voltem pros seus lugares — disse Khayin, tentando em vão afastá-los com gestos das mãos.

A Rani olhava incrédula para todos, de algum modo esperançosos e ouvindo. O Monge pensou que poderiam ser as mesmas pessoas, que talvez apenas estivesse tendo mais uma alucinação pela inanição. Mas não, não era mentira.

— Gostariam mesmo de ouvir? — A Doutora estava igualmente incrédula, mas o que lhe restava de otimismo começou a gritar em seu interior. 

— Sim — disse uma mulher quase idosa com a voz trêmula. Todos faziam um imenso esforço para falar. — Ignoramos tudo por tempo demais... Talvez seja a hora de ouvir.

— Sabem que isso é extremamente arriscado — irrompeu Rani, quase gritando. — Voltem pros seus lugares, rápido, ou eles irão ferir todos nós.

— Tudo bem — disse um deles. — Mas venha até nós, iremos ouvir.

Se dispersaram mecanicamente, como sempre, mas de algum ponto de vista pareciam levemente diferentes. Algo no jeito que não mais ficavam perfeitamente imóveis, se movendo para respirar com mais naturalidade, chamaria a atenção de qualquer um que os vira antes.

A Doutora se permitiu sorrir. Achava que de alguma maneira sua excentricidade os despertou, ao menos por alguns instantes, para a realidade. Uma fagulha nos cérebros como óleo nas engrenagens, e estavam dispostos a ouvir.

— Essa foi a coisa mais estúpida que fez desde seu primeiro dia aqui — disse Khayin ao seu lado, olhando em volta. — Mas abriu portas. Vamos esperar que não hajam punições diretas.

— Nunca vi isso acontecer. O que poderiam fazer? 

— Tirar algumas regenerações, nada demais. Bom, se você sabe se regenerar...

Ela sentiu as bochechas queimando.

— Nem todos aqui tiveram aulas na Academia — disse o Monge, surgindo com Rani. — Mas não vai se importar se alguns deles forem fuzilados por suas ações, não é mesmo, Basil?

— Eu devo dizer que foi bem, afinal. — Rani a olhava com algo diferente, que a Doutora tentou com todas as forças achar que não era respeito. – Ações precipitadas, mas conseguiu atenção. Se alguns morrerem não vai importar, acho que conseguiremos convencer o suficiente. Mas vamos fazer isso em conjunto.

Eles se espalharam e cada um logo estava a falar com um ou dois prisioneiros nas mesas. A Doutora pensou melhor no que havia feito e em quais consequências poderiam haver, mas não se deteve pelo medo por enquanto. Se tinha a chance de ajudar no plano, não poderia desperdiçá-la agora.

Começou a imaginar, enquanto explicava o mais sucintamente possível para aquelas pessoas lentas, o que haveriam feito para parar ali. Nunca conseguiu conversar direito, mas sabia que alguns também não tinham ficha suja.

O que o Mestre disse podia fazer sentido, sobre terem sido pegos no momento errado de suas vidas, mas seriam mesmo tantas coincidências? Não houve muito tempo para pensar.

As portas se abriram do jeito mais brusco que já se fez ali. Todos, que conversavam até consideravelmente alto, pararam de súbito e atentos. Havia algo diferente também com os guardas, que estavam como sempre em pares, mas à dianteira uma mulher diferente com roupas distintas se sobressaia. Não proferiu palavra alguma, porém, parecia dizer muito com os olhos.

Um dedo foi apontado para três prisioneiros: uma jovem de baixa estatura e com cabelos roxos, um homem magro e ruivo e outro com cabelos grisalhos e quase raquítico. Não houve tentativa alguma de revidar, como nunca havia, mesmo que agora três deles fossem levados. Ninguém parecia ter lembrado, mas já havia passado mesmo algum tempo desde que não vinham buscar um prisioneiro. Era a rotina, apenas, mesmo que não estivesse sendo completamente usual. 

Suspiros percorreram todo o pátio quando eles os deixaram, e as conversas prosseguiram, mesmo que agora alguns olhassem com aversão para a Doutora. Ela tentou não achar que aquilo havia acontecido por sua atitude precipitada, mas ninguém diria o contrário.

De qualquer forma, a maioria ouvia atenta, sem tempo de pensar demais em tudo o que acontecia, e parecendo disposta a entrar no que eles tinham para oferecer. O recrutamento não estava sendo de todo falho, só desejava que ninguém estivesse sendo prejudicado por sua causa. 


Notas Finais


Will:
A Doutora conseguiu mais do que esperava, e eles podem vir a ter bastante ajuda, mas nem tudo acabou bem até aqui. O que será que vai acontecer com esses Senhores do Tempo levados, e também com o nosso time de fuga?

CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO:

[...]

— E o que aconteceu com aqueles três que foram levados? Foram para uma solitária igual a do Mestre?

[...]

— Não é melhor pensarmos nisso quando estivermos do lado de fora?

[...]

— Ninguém espera que alguém fuja pela porta da frente e sim pelos fundos. É realmente algo a se considerar...

[...]

— É o melhor plano que temos até aqui — Rani murmurou enquanto começava a manipular os controles.

[...]


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