História Rewind - Capítulo 1


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Categorias Red Velvet
Personagens Irene, Joy, Personagens Originais, Seulgi, Wendy, Yeri
Tags Red Velvet, Universo Alternativo, Wenjoy, Wenrene, Yermseul
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Palavras 10.325
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Orange, Suspense, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oooi. Como alertado na sinopse, a fic contém violência extrema, além de possuir uma trama bem densa.

A história ficou grandinha, então tenham um tempo de pelo menos 20 minutos para ler o texto com atenção.

Aproveitem essa experiência (louca), nos vemos lá em baixo.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Yeri era uma criança normal, tirando seus constantes lapsos de memória. Os eventos preocuparam tanto Yoona, sua mãe, a ponto de Yeri consultar um psicólogo todos os meses. Então o psicólogo propôs, como um viés do tratamento, que Yeri escrevesse um pequeno resumo de uma parte de seu dia num diário assim manteria sua memória como um arquivo.

Yeri procurava, ou melhor, escavava seu guarda roupa em busca de uma blusa. Era um sábado a tarde, o sol fazia-se presente no céu de Daegu. Depois de bagunçar ainda mais suas roupas, a garota conseguiu achar uma que a agradasse.

Por ser filha única, Yeri era um pouco solitária. Sua dedicada mãe, Yoona, era enfermeira, quase sempre estava de plantão. E seu pai, Heechul, possuía distúrbios mentais e foi transferido quando a garota ainda era bebê para um hospital especializado.

"Por que as pessoas dessa província são tão chatas?" Escreveu chateada.

Yeri observou pela janela de seu quarto uma garota olhando o terreno a venda localizado na frente do seu. Por algum motivo desconhecido Yeri sentiu uma grande vontade de ir lá falar com a estranha. Estava desocupada e entediada. Por que não? Desceu as escadas de sua casa, abriu a porta da entrada e seguiu até a pequena morena desconhecida.

— Olá. — Yeri disse chamando atenção da outra. Parecia um pouco mais velha que si. Seus olhos tinham um formato peculiar, parecendo de felino. — Meu nome é Yeri.

— Oi. — A estranha sorriu envergonhada.— O meu é Seulgi.

— Está sozinha? — Yeri questionou curiosa.

— Aqui sim, minha família está próxima daqui. Procurando uma casa para comprar... — Seulgi disse. — E eu estou procurando por conta própria. Parece que achei uma. — Apontou para a residência a sua frente com uma placa de "vende-se" e sorriu novamente.

— Verdade. — Yeri acompanhou o sorriso da outra de forma automática. — Minha mãe conhece os donos, posso pedir para ela ligar, eles virão rápido.

— Primeiro, deixa eu avisar a minha família que achei essa casa. — Seulgi pediu. — Já volto. — A garota avisou antes de rumar o outro quarteirão.

Yeri ficou observando a outra afastar-se de sua visão. Sentiu dentro de si uma vontade estranha de conhecer melhor Seulgi, ela parecia ser bem legal. Yeri mal conhecia seus vizinhos, eram na maior parte adolescentes e adultos, dificilmente iriam desenvolver uma amizade com uma garota de oito anos. Yeri esperou por um tempo e nada de Seulgi reaparecer. Será que ela desistiu de mostrar a casa pra sua família? Ou achou Yeri irritante por se meter em sua vida? As dúvidas pipocavam na cabeça da garota mais nova. Seu coração acelerou quando avistou Seulgi aproximar-se, agora de carro, havia um homem e outra garota no veículo.

— Gostou Appa? — Ouviu Seulgi perguntar para o homem enquanto olhava casa.

— É bem bonita. — Ele respondeu. — Vou ligar para o proprietário. — O homem saiu do carro para fazer a ligação. Seulgi também saiu do automóvel e rumou até Yeri, que estava sentada no meio fio da rua logo em frente ao imóvel a venda.

— Acho que vamos ser vizinhas. — Seulgi falou. — Quantos anos você tem?

— Oito. — Yeri disse um pouco receosa, a outra poderia achá-la muito criança.

— Tenho dez. E minha irmã — tombou a cabeça indicando o carro parado na rua. — tem a mesma idade que a minha. Na realidade sou duas horas mais velha. — Seulgi pontuou orgulhosa. Eram gêmeas de placentas diferentes.

— Qual o nome dela?

— Seungwan, mas ela fica brava quando a chamam assim. Prefere Wendy. — Depois que sua mãe fugiu de casa a garota desenvolveu uma intensa revolta pela mulher. Ser chamada pelo seu nome coreano a fazia relembrar de quem a abandonou.

— Por que ela não saiu do carro? — Yeri fitou a garota que tinha uma expressão fechada.

— Ela não gosta de falar com pessoas. — Seulgi contou.

— Estou fazendo muitas perguntas? — o questionamento saiu, inconscientemente, dos lábios da mais nova. Seulgi gargalhou com a expressão de surpresa de Yeri, a garota definitivamente pensou alto.

— Um pouco. — Seulgi disse depois de tomar um pouco de fôlego, depois da risada. — Espero ser sua vizinha. — A mais velha admitiu.

...

"Hoje irei visitar Kim Heechul, espero que ele me deixe chamá-lo de pai"

Yeri escreveu animada em seu diário, seria a primeira vez que veria seu pai após anos. Apenas teve contato com ele quando era muito jovem, bem, antes dele surtar. Não tinha memórias do homem, sabia do seu rosto porque sua mãe mostrava fotos de quando jovens.

— Pronta, filha? — Yoona perguntou adentrando a cozinha. Yeri fechou o diário e assentiu com a cabeça. — Espere aí, esqueci as chaves do carro.

"Quero que ele me chame de filha"

Escreveu em outra página.

Quando a mulher fez o caminho novamente para cozinha, que dava acesso a porta de entrada da casa, deu de cara com Yeri segurando uma faca grande.

— Filha, larga isso! — Ordenou. A garota parecia ter acordado de um encanto, olhou para sua mão que segurava o objetivo. — Por que está segurando isso? — Yoona questionou guardando a faca num lugar alto.

— Não sei omma. — Yeri sentiu lágrimas as lágrimas escaparem. Não fazia ideia de como aquilo tinha acontecido. — Eu não sei. — chorou mais forte.

— Está bem querida, nada aconteceu. — Yoona tentou tranquilizar a menina. — Ainda quer ir ver seu pai? — Yeri respirou fundo limpando suas lágrimas. Havia esperado muito tempo pra sua mãe permitir a visita, não podia desistir; então concordou com a cabeça.

...

No hospital psiquiátrico, Yeri encontrava-se num cômodo médio que possuía apenas uma mesa e duas cadeiras posicionadas de maneira oposta uma a outra. A garota sentou-se no local indicado pelo segurança e esperou o pai chegar. Não demorou muito para o homem aparecer, com as mãos imobilizadas por fivelas rígidas.

— Você cresceu. — Heechul comentou fitando a filha.

— Fiz oito anos no mês passado. — Yeri informou um pouco envergonhada, não sabia se ele possuía conhecimento da informação.

Yoona olhava receosa a interação entre os dois. Mas Yeri pediu tanto para ver seu pai e, apesar de tudo, ela tinha direito de conhecê-lo pessoalmente. Heechul havia mudado, seu cabelo estava um pouco maior e sua barba era visível. Antes do homem surtar aquilo era improvável, Heechul odiava sua barba. O coração de Yoona apertou quando viu o homem avançar em sua filha. Yeri sentia o ar faltar mais a cada segundo que seu pai mantinha as mãos em seu pescoço.

— Você precisa morrer! Morrer! — Heechul gritou antes de ser retirado de cima da garota pelo segurança.

Aquela visita foi um erro.

...

A amizade de Seulgi e Yeri cresceu de forma rápida depois que a mais velha mudou-se para a residência em frente a casa de Yeri. Seulgi frequentava uma escola grande da província, então conheceu mais pessoas e logo apresentou para Yeri. Irene e Sooyoung gostaram da mais nova, já Wendy não demonstrava o que sentia por Yeri.

"Minha omma me deixou passar o restante do dia na casa dos Kang. Vai ser muito legal brincar a tarde inteira com a Seulgi"

Yeri escreveu em seu diário, em seguia guardou o mesmo em seu criado mudo antes de rumar a casa vizinha.

— Pensa rápido! — Seulgi jogou a bola de basquete para Yeri assim que a mais nova chegou. Devido a seu relexo rápido conseguiu pegar o objeto no ar.

— Boa tarde, senhor Kang. — Yeri cumprimentou Siwon.

— Boa tarde, Yeri. — o homem respondeu. — Olha a câmera que eu consegui. — Mostrou o equipamento pra garota que na realidade não se importava muito. Afinal, Yeri queria brincar com Seulgi. — O que vocês acham de brincar de teatro? — Siwon perguntou para as garotas. — Yeri pode ser uma princesa que está presa num calabouço e Seulgi uma guerreira que a resgata. — Fez a sugestão. — ou o contrário. — As garotas ficaram animadas com a ideia, seria muito divertido.

Desceram até o porão, seguindo a proposta do homem. Pois o porão parecia-se mais com um calabouço que o quintal aberto da casa.

— Agora que Seulgi salvou a princesa Yeri, essa tem que recompensar a guerreira com um beijo. — Siwon disse enquanto ligava a câmera após minutos da suposta brincadeira. — Um beijo como os adultos trocam. — Deu mais detalhe. — Seulgi, retire sua roupa. — mandou.

— Mas Appa... — Ela tentou falar, mas foi interrompida.

— Sem "mas", faça logo isso. — Wendy também foi trancada no porão, olhava tudo com uma certa distância. Apertou suas próprias coxas tentando conter a raiva do homem.

— Senhor Kang, não quero mais brincar. — A voz de Yeri saiu fraca. Siwon perdeu a paciência e começou a rasgar a fantasia de princesa que a garota vestia, deixando ela tremendo de frio.

— Eu não tenho todo o tempo do mundo. — Siwon disse ríspido. Colocando Seulgi de frente a Yeri. — Façam logo. — As garotas trocaram olhares amedrontados.

Wendy viu o quanto seu pai estava gostando daquela situação, tendo o controle de tudo. A garota notou o volume na calça de Siwon. Não sabia exatamente o significado disso, mas tinha conhecimento de que não era o certo. Ele não podia fazer isso com crianças, ele não podia fazer isso com a sua irmã. Em seu ápice de raiva Wendy correu em direção ao pai, tentando o derrubar no chão para pelo menos pegar a chave do porão.

— Sua peste! — Siwon rosnou quando a garota quase o jogou no chão, mas ele era muito mais forte que Wendy. Afinal ela só tinha dez anos. O homem deu um tapa forte no rosto da filha e em seguida um soco no abdômen. Wendy caiu no chão, buscando o ar que foi expulso de seus pulmões. — Fique bem aí, se não vai ter pra você também! — Siwon disse de forma sádica.

E Wendy ficou deitada no chão, apenas observando sem poder reagir.

Anos depois...

"O lado bom de ter amigos maior de idade é eles conseguirem droga mais fácil."

Yeri anotou em seu diário. Fazia algumas semanas desde que estava consumindo álcool e outras drogas, com auxílio de Irene. A única entre o grupo que completou dezoito anos, seguida de Seulgi e Wendy com dezessete. Sooyoung e Yeri tinham quinze anos.

— Estou descendo. — Yeri abre a janela ao avistar sua turminha em seu quintal. — Conseguiu? — Perguntou para Irene.

— Mas é claro. — Ela respondeu, referindo-se ao maço de cigarro caro. — E não precisei pagar nada. Aquele atendente do mercado está aos meus pés. Tão tolo. — Irene ri da inocência do rapaz.

— E ainda tem mais. — Wendy mostrou uma algumas garrafas de soju.

— Vocês estão com dinheiro hein. — Sooyoung comentou enquanto ajeitava sua mochila em seu ombro. Viu a quantidade de garrafas na bolsa que Irene carregava.

— Foi de graça. — Seulgi contou. As mais novas tinham expressão confusas no rosto.

— Irene e sua boca de veludo. — Wendy comentou maliciosa. Logo as outras entenderam como a mais velha conseguia tanta coisa grátis do atendente do mercado.

— Vamos entrar. — Yeri cortou o assunto. Sentiu uma sensação estranha em seguida e um apagão repentino. Irene a segurou.

— Você está bem? — Irene questionou.

— Estou sim, foi só uma tontura. — Yeri respondeu.

A garota levou as amigas para dentro de sua casa, mais precisamente até o porão.

E as garrafas de soju foram distribuídas em rodadas. Não era uma grande quantidade, mas elas consumiram tão rápido que ficaram animadinhas. No final da primeira rodada Irene e Wendy já estavam se agarrando, gerando reclamações entre as outras.

— Deus do céu, parem por um segundo. — Yeri suplicou e assim elas se separaram.

— O soju acabou. — Sooyoung comentou tristonha.

— Esses cigarros têm gosto de cereja. — Seulgi distribuía para suas amigas.

— Sabe o que tem gosto de cereja? — Sooyoung perguntou enquanto balançava o cigarro em seus dedos. As outras quatro olharam pra ela. — Cereja, porra. — Ela jogou o objeto pra longe, não ia fumar. Para seu azar o cigarro bateu no rosto de Wendy.

— Você tá maluca, Sooyoung?! — A baixinha vociferou querendo avançar na outra.

— Relaxa Wendy, tava apagado. — Yeri falou enquanto tragava o cigarro.

— É Wen, só aproveita. — Irene completou a mais nova. Sooyoung ficou rapidamente entediada, logo andandou pelo local. O porão até que era organizado, para o padrão de um porão, claro.

— Isso funciona? — A mais alta questionou segurando uma banana de dinamite, o antigo proprietário havia esquecido na casa.

— Quer testar? — Seulgi perguntou.

— Olha, não acho que vai dar cert... — Irene foi interrompida.

— Bora. — Yeri falou animada, levantando do sofá. Sooyoung guardou o explosivo por baixo de sua blusa. Wendy abriu a porta do porão e as outras a seguiram.

...

— Isso é loucura, gente. — Irene tentou alertar. — Vamos voltar.

— Já estamos aqui, vamos fazer. — Seulgi falou. Para chegarem no local atravessaram um bosque.

— Quem vai? — Yeri questionou. O plano era colocar o explosivo na caixa de correio, exageradamente grande, da casa grande do quarteirão oposto ao bosque.

— Quem tá segurando a dinamite — Wendy disse.

— Isso é injusto! — Sooyoung gritou.

— Cala a boca, merda. — Irene brigou com a outra. Ela estava tensa com aquilo tudo.

— Vai e pronto. — Yeri falou.

— O pavio disso tá muito curto, eu não quero morrer. — Sooyoung comentou nervosa.

— Problema resolvido, medrosa. — Wendy acoplou o cigarro ao pavio da dinamite. — Ganhou mais uns minutinhos.

As garota observaram Sooyoung chegar até a caixa de correio, abri-la e colocar a banana de dinamite. A morena alta voltou correndo até onde as amigas estavam.

— Acho que ninguém viu. — Irene comentou, respirando um pouco aliviada.

— Minha nossa — Seulgi falou num fio de voz quando viu a dona da casa chegar. A mulher saiu do carro, pegando seu filho no banco do trás. Ela não foi em direção a porta de entrada, mas sim da caixa de correio.

— Ai meu Deus! — Sooyoung gritou. Yeri junto de Irene e Seulgi gritaram para a mulher afastar-se, mas ela não as ouvia. Wendy estava estagnada, em choque.

Yeri abraçou, inconscientemente, o corpo de Seulgi que fez o mesmo. Elas viram a mulher abrindo a caixa de correio no momento que a dinamite explodiu.

— Corram. — O tom alto de voz de Wendy assustou ainda mais as garotas, que obedeceram. Yeri desmaiou durante a corrida. Seulgi e Sooyoung seguraram o corpo da mais nova.

...

A explosão que matou mãe e filho, sem suspeitos, assustou a comunidade local. As garotas juraram que nunca confessariam o acontecido. Ficou obviamente um clima estranho entre o grupo após o acidente. Sooyoung começou a se fechar socialmente; Irene tinha pesadelos sobre o fatídico dia quase todo a noite; Wendy fazia de tudo para esquecer; Seulgi culpou-se constantemente por não ter feito nada e Yeri sentia uma enorme arrependimento por participar daquilo.

O grupo foi desintegrando aos poucos, Sooyoung e Irene se mudaram da província. As outras três tentavam viver como adolescentes normais.

Num certo dia Seulgi, Wendy e Yeri decidiram ir ao cinema. Chegando ao local, com o início da sessão a mais nova entre o trio percebeu que Seulgi não prestava atenção no filme. Yeri colocou a mão por cima da mão de Seulgi, tentando confortá-la. Os olhos atentos de Wendy seguiam cada movimento da garota e sua irmã. De repente Seulgi saiu da sala, sendo seguida por Yeri.

— O que foi unnie? — Yeri perguntou ao ver a mais velha chorar.

— Eu sou uma pessoa ruim? — Questionou num fio de voz.

— Não, unnie. Por que pensa dessa forma? — Seulgi não respondeu, abaixando sua cabeça. Yeri levantou seu rosto, conseguindo ler sua expressão. O motivo pelo desânimo da garota. — Nunca leve como verdade o que seu pai diz. Ele não merece a filha maravilhosa que tem.

Os olhos de Yeri observavam Seulgi com carinho. Há pouco tempo descobriu que tinha uma queda pela mais velha, às vezes pegava-se admirando Seulgi por tempo demais.

— Yeri... — Seulgi sabia muito bem o significado daquele olhar que recebia. Paixão. Os olhos de Yeri desceram para os lábios alheios, estavam tão próximos.

— Meu coração está batendo tão rápido. — A mais nova confessou. E o ritmo acelerou mais após Seulgi colar os lábios nos seus.

O beijo não tinha nada a ver com o contato forçado anos atrás. Era diferente. Agora elas queriam. Porém o beijo não durou muito porque lembram-se que estavam em um ambiente público. E ficaram aliviadas quando viram pouquíssimas pessoas no local e ninguém havia prestado atenção, ou melhor, apenas uma pessoa viu. Wendy.

A loira estava com os punhos fechados, nos olhos surgiam lágrimas. Não era por ciúme, era por ódio. Ódio por lembrar do episódio no porão de sua casa, seu pai maníaco mandando as garotas se beijarem.

— Não fique parada no meio da passagem. — Uma garota desconhecida implicou com Wendy que não moveu um músculo. — É surda, coisinha? — Assim que a garota tocou seu ombro Wendy o agarrou braço alheio e com a mão livre deu um forte soco na face da desconhecida. E mesmo com a garota desnorteada Wendy continuou a batendo enquanto seus olhos não deixavam Yeri. A mais nova entendeu o recado, aquela desconhecida estava em seu lugar.

...

"Faz uma semana que meu pai morreu. Minha mãe está me apressando, preciso arrumar minhas coisas. Iremos nos mudar."

Yeri esticou a superfície colante da fita adesiva sobre a abertura da caixa de papelão. Dentro dela estava algumas roupas, livros e pelúcias. Ela sentou na cama e suspirou encarando o cômodo vazio que era seu quarto. Yoona conseguiu um emprego melhor longe da cidade atual e a mulher prontamente aceitou, afinal queria Yeri longe daquela cidade que a traumatizou. E principalmente longe de suas atuais amizades.

— Yeri, estou ocupada. — Yoona avisou para a filha assim que ouviu o som da campainha.

A garota desceu as escadas, caminhando sem ânimo até a porta de entrada. Ficou surpresa com a visão na sua frente: Seulgi com uma mochila nas costas, que parceria bem pesada, por sinal.

— Oi. — A mais velha falou sorrindo, seu eye-smile pareceu.

— Oi. — Yeri respondeu um pouco envergonhada.

— Vim me despedir. — Seulgi anuncia.

— Espera. O quê?

— Passei para a faculdade. — a maior conta — Irei morar próximo ao campus.

Yeri sorriu de imediato e a abraçou. Seulgi teve que se equilibrar um pouco, porque se desestabilizou por conta do peso da mochila.

— Dança? — A com olhos felinos assentiu — Parabéns, seu o quanto você queria isso. — Yeri não largou o aperto por um segundo.

— Para que tantas caixas? — Seulgi questionou ao olhar para dentro da casa da pequena.

— Estou de mudança. — Yeri encarou o chão.

— E quando ia me contar? — A mais velha levanta o rosto alheio, encarando seus olhos.

— Por carta... Eu não gosto de despedida.

— Nem eu, mas estou aqui. Vim falar contigo por que você é especial para mim.

Elas não tinham conversado sobre o beijo, na realidade agiam como se não tivesse acontecido. Por medo de assumir o que sentiam, medo da reação dos pais, medo do futuro.

— Vamos Seulgi! — Wendy gritou impaciente do outro lado da rua.

— Nos veremos novamente. — Seulgi prometeu antes de deixar um beijo na testa de Yeri.

...

Cinco anos depois...

Com vinte anos de idade Yeri completava o quarto período no curso de jornalismo. A loira sempre conseguia se destacar, era a aluna preferida dos professores e a mais invejada pelos outros alunos.

— Boa noite. — Yeri disse com um sorriso ao abrir a porta e ver Saeron.

— Boa. — A outra falou antes de dar um selinho na menor. Observou a escrivaninha da loira lotada de papéis e livros abertos. — Estudando muito?

— Ah não, estava só organizando os papéis. — Yeri respondeu enquanto fechava a porta do quarto. — Minhas provas acabaram, graças a Deus. — Ela disse dando um suspiro aliviado.

— Ótimo, agora você vai ter tempo para mim. — Saeron concluiu. — Sinto falta da minha namorada.

— Também sinto sua falta. — Yeri falou, aproximou-se da outra e a beijou.

— Lembrei de uma coisa! — Saeron exclamou depois do fim do contato. — Na verdade eu queria te mostrar há muito tempo, mas tinha medo de te desestabilizar.

— O que foi? — Yeri questionou confusa vendo a outra mexer na própria bolsa e puxar jornais de lá.

— Minha turma vem trabalhando na investigação de dois casos que parecem se conectar. Conhece essas duas? — Saeron mostrou a foto de duas mulheres. Yeri encarou por poucos segundos e logo reconheceu. Irene e Sooyoung. Então assentiu. — Eu desconfiava! Olha, elas moraram na mesma província que você, durante quase o mesmo período de tempo. Preciso que você me diga como elas eram, se eram amigas, me conte tudo!

— O que elas sofreram para aparecerem nos jornais? — Yeri perguntou com receio, mesmo que estudasse jornalismo, ficou um pouco desenformada durante duas semanas por conta das provas. Sentou-se na cama.

— A pergunta deveria ser: O que elas fizeram para aparecerem no jornal. — Saeron corrigiu. — Park Sooyoung, 20 anos. Foi presa por cometer diversos assassinatos. Suas vítimas eram jovens com ficha na polícia, geralmente por vandalismo.

Yeri ficou em choque. Seus cérebro trabalhou rapidamente descobrindo o motivo da mulher. Sooyoung desenvolveu um distúrbio e queria matar todos os jovens que desafiavam ou feriam os outros. Assim como ela fez quando adolescente, ainda sofria pela lembrança de ter matado mãe e filho.

— Bae Joohyun, ou melhor, Irene, 23 anos. Cometeu suicídio. — Saeron continuou. — Em sua carta de despedida tinha o seguinte parágrafo "Não consigo passar uma noite sem lembrar daquele dia. A cena se repete na minha cabeça. Incontáveis vezes. Eu mereço um descanso. Preciso encontrar a paz."

Irene também culpava-se pelo acontecido, diferente de Sooyoung, não descontou seu sentimento em outras pessoas. Descontou em si mesma.

Era difícil para Yeri absorver toda aquela informação. Uma amiga sua estava presa e a outra morta. E pior, Yeri tinha envolvimento no motivo do surto das duas. A loira queria voltar no tempo e mudar aquela tragédia, queria encarar a Yeri adolescente e dizer o quão estúpida ela era, ela e suas amigas inconsequentes.

— Yerim-ah? — Saeron a chamou, tirando do transe. — Você pode me ajudar nesse projeto?

— Eu apenas as conhecia de vista. — Yeri mentiu, tentando segurar as suas lágrimas. Ninguém poderia saber o que aconteceu. Este segredo morreria com as cinco.

—Ah entendi. — o tom de voz de Saeron era desapontado. — É uma pena, pensei que eu tinha uma carta na manga. — A castanha sentou-se atrás de Yeri, desabotoou a própria blusa, a jogando no chão. Saeron começou a distruibuir beijos no pescoço alheio.

— Foi mal, Saeron. Não estou no clima. — Yeri manteve-se imóvel. Seu corpo estava no quarto, mas sua mente estava distante. Só conseguia pensar em Irene e Sooyoung.

— Desculpe, eu não queria forçar nada. — Saeron afastou-se, respeitando o desejo da namorada. A maior foi pegar sua blusa que estava no chão, viu uma caixa embaixo da cama de Yeri. — Que caixa é essa? — A extrema curiosidade era um mal de jornalista

— São meus diários antigos.

— Oh, não sabia que você escrevia em diário. Posso abrir? — Yeri assentiu. Saeron folheou um dos diários, apertou os olhos, mas estava quase impossível de ler. — Nossa, sua letra era horrível. Lê para mim?

— Claro. — Afinal de contas Yeri precisava distrair sua mente. — "Minha omma me deixou passar o restante do dia na casa dos Kang." — A proporção que lia a visão de Yeri ficava turva — "Vai ser muito legal brincar a tarde...".

E de repente tudo ficou escuro.

Volta no tempo on 

Quando Yeri abriu novamente os olhos reparou que não estava no seu dormitório no campus de sua faculdade. Estava em sua antiga casa, olhou para sua mão e estavam estranhamente menores. Viu-se no espelho e estava com a mesma aparência de quando tinha oito anos. Aquilo era um sonho? Se beliscou e a dor foi perceptível. Que merda estava acontecendo? Seu subconsciente estava pregando peças nela?

Caminhou até a rua, viu Seulgi na porta de sua casa. Ela também estava com aparência de criança. Algo estava muito estranho. Andou até a garota.

— Vamos brincar? — Seulgi perguntou. A menor apenas assentiu. Yeri acompanhou a outra até a parte de trás de seu quintal. E lá estava Siwon.

— Boa tarde, senhor Kang. — Yeri cumprimentou Siwon, como fez da primeira vez.

— Boa tarde, Yeri. — o homem respondeu. — Olha a câmera que eu consegui. — Mostrou o equipamento pra garota. — O que vocês acham de brincar de teatro? — Siwon perguntou para elas. — Yeri pode ser uma princesa que está presa num calabouço e Seulgi uma guerreira que a resgata. — Fez a sugestão. — ou o contrário. — Seulgi gostou da ideia, Yeri sabia o que ia acontecer, mas fingiu animação. Ela tinha um plano.

Desceram até o porão. Yeri viu Siwon trancando a porta e colocando a chave no bolso da calça.

— Vou falar rapidinho com seu pai, tudo bem? — Yeri perguntou para Seulgi que confirmou com a cabeça. — Fique aqui, não importa o que aconteça. — a garota foi até a prateleira de ferramentas, pegando uma chave de fenda.

— Yeri, volte para o seu posto. A gravação vai começar. — Siwon falou ajeitando o ângulo da câmera.

— Escuta aqui seu doente. — Yeri começou. — Sei muito bem o que você está planejando e não vou ficar calada. Seu pedófilo maldito, tenho vontade de enfiar essa chave de fenda no seu estômago e te matar de vez.

— Você está louca? — Ele questionou suando frio.

— Estou louca pra acabar com você! Mas você pode sair livre dessa se parar de abusar da Seulgi. Nunca mais coloque a mão nela ou vai se arrepender profundamente. — Yeri não falava como uma criança de 8 anos, tinha muito ódio em sua voz, afinal de contas lembrava do efeito dos assédios na vida de Seulgi. — Eu vou te achar, não adianta fugir. — O Sr. Kang estava sem fala. Nunca imaginou na sua vida que sentiria medo de uma criança. — Me dê a merda da chave da porta.

— Aqui. — Ele estendeu a chave. Yeri pegou e jogou para Wendy que estava nas escadas do porão.

— Meninas, saiam. — Yeri mandou.

— Não íamos brincar? — Seulgi questionou confusa.

— Vamos sim Seulgi, mas lá em cima. Onde todos possam nos ver. — Yeri deu uma ênfase na última parte enquanto encarava Siwon.

— Ah, tudo bem. — Seulgi seguiu Wendy que saia do porão. Antes de sair a menor chutou a câmera do tripé, ela caiu em pedaços no chão.

— Nunca esqueça do que eu te falei. — Yeri disse antes de sair do porão.

Volta no tempo off

— Yeri! Yeri! — Ela sentiu leves batidas em sua bochecha, abriu os olhos e viu Saeron. Aquilo foi um sonho? Parecia tão real. Tinha sangue nas mãos de Saeron, ela segurava um pano que pressionava no nariz da outra.

— O que aconteceu? — Yeri segurou o pano, olhou para seus braços, estavam no tamanho normal. Era adulta de novo.

— Não sei, você desmaiou do nada. Quer ir na enfermaria?

— Não... Eu quero só descansar. — Sua cabeça parecia que ia explodir.

— Tudo bem, mas promete que me avisa caso você se sinta mal? — Yeri concordou. — Certo. Preciso ir. — Saeron deu um selinho na outra.

...

Yeri não via Seulgi há anos, precisava vê-la e contar o que sabia. Contar do sonho estranhamente real que teve. E foi isso que ela fez no dia seguinte. O primeiro lugar que a loira pensou foi a faculdade de dança na qual Seulgi havia passado anos atrás.

— Bom dia. — Yeri cumprimentou a secretária da faculdade. — Sou uma velha amiga de uma aluna daqui, infelizmente perdi o contato dela. É possível eu saber a sala dela? O resto eu corro atrás. — Ela pediu.

— Não posso dar informações pessoais sobre os alunos. — A secretária disse.

— Ah, tudo bem, eu entendo. — Yeri ficou um pouco frustrada. — Posso saber se pelo menos ela está aqui? Ela pode ter sido transferida ou algo do tipo. — Tentou ganhar uma informação.

— Posso dizer se ela está aqui ou não.

— Ótimo, já vai ajudar bastante. — Yeri deu seu melhor sorriso forçado.

— Qual o nome da moça?

— Kang Seulgi.

— Não existe nenhuma estudante com este nome.

— Então ela se formou?

— Não. Ela nunca foi aluna daqui.

— Tem certeza? Aluna do ano...

— Senhorita, eu tenho certeza. — A secretária falou firme. — Agora me dê licença, preciso atender outras pessoas. Tenha um bom dia.

— Ah, obrigada. — Yeri agradeceu ainda um pouco atordoada. Seulgi mentiu para ela que havia passado? Não é possivel, ela viu na antiga rede social de Seulgi uma foto da jovem na porta da faculdade, com o papel que parecia sua matrícula.

O plano B de Yeri para achar Seulgi foi ir até a província que viveu durante a infância, visitar a antiga casa da amiga. Para ver se ela morava lá, se não, tentar obter algum telefone dos antigos proprietários.

Depois de horas dirigindo chegou na casa de Seulgi. A construção estava com a aparencia um pouco largada. Yeri tocou a campainha na esperança de haver morador na casa. Esperou minutos e nada. Tocou novamente, aguardou e nada. Yeri soltou um grunhido ao perceber que tinha dirigido horas para nada e pior, não havia outro plano, seria impossível encontrar Seulgi. A loira deu meia volta e ia começar a caminhar até seu carro quando ouviu uma voz.

— Posso ajudar? — A voz feminina perguntou. Yeri virou e avistou quem procurava. Seulgi. Ela estava diferente, seu habitual sorriso não estava presente.

— Seulgi?! — Yeri apertou os passos até a outra.

— Oh, Yeri, você está diferente. — Seulgi comentou.

— Você também... — A expressão da mais velha estava meio vazia. — Podemos conversar?

— Não tenho muito tempo, tem que ser rápido.

— Sim, será. — Yeri afirmou antes de entrar na casa. — Como está a faculdade? — A loira introduziu o assunto.

— Que faculdade? — Seulgi questionou confusa.

— De dança... Você não tinha passado?

— Acho que você está confundindo as coisas, Yeri. Eu nunca pisei numa faculdade.

Aquilo era muito estranho. Lembrava da foto de Seulgi na faculdade, ela não estava louca. Porém Yeri decidiu não continuar no assunto, tinha que evitar irritar Seulgi.

— E como está a Wendy? — Yeri mudou de assunto.

— Então você não sabe? — A expressão confusa da mais nova revelou que ela não sabia. — Wendy se suicidou há dois anos atrás.

— Mas... — Seulgi a interrompeu.

— Descobri muito tarde que ela sofria abusos sexuais do meu pai. Aquele filho da puta a explorava desde que ela era criança.

"(...) Mas você pode sair livre dessa se parar de abusar da Seulgi. Nunca mais coloque a mão nela ou vai se arrepender profundamente." Yeri se lembrou de seu 'sonho'.

— Ele tentou abusar de mim também, mas foi apenas uma vez. E depois daquele episódio no porão, quando você o ameaçou, ele não tocou mais em mim.

Yeri ameaçou Siwon, exigiu que ele não tocasse em Seulgi... E bom, ele não a tocou. Entretanto ele tocou na Wendy.

— Desgraçado. — Yeri murmurou com os punhos fechados.

— Antes dela se matar ela disse que guardou aquele segredo sujo para me proteger. — Seulgi contou enquanto lágrimas escorriam de seus olhos. — Wendy dizia que era seu dever de irmã me manter segura.

— Por que não me contou sobre isso?

— Não contei porque já carregamos um fardo muito grande. — Seulgi falou. — Ou você também esqueceu de que matamos aquela mulher e bebê?

— Eu não esqueço daquilo um dia sequer.

— Não parece. Sua vida não foi tão afetada.

— Você está falando besteiras. Sofro tanto quanto você com isso. — Yeri revelou.

— Seu carro caro e suas roupas importadas não dizem isso.

— Não desconte suas frustrações em mim!

— Sooyoung está presa, Irene e Wendy mortas... — Seulgi tomou fôlego antes de continuar. — Olha para mim. — Puxou as longas mangas de sua blusa, revelando marcas roxas. — Sofro todo dia para continuar vivendo. Vendo a merda do meu corpo para ter o que comer.

— Eu... — Yeri não conseguiu formular uma frase, sua voz foi cortada pelo choro.

— Saia da minha casa agora. Afinal de contas eu não tenho relevância na sua vida. Sou apenas uma fodida qualquer.

— Que-quero te ajudar.

— Você vai me ajudar saindo daqui. — A mais velha abriu a porta. Yeri deu-se por derrotada e a obedeceu.

No sonho que teve Yeri agiu de forma diferente do que a que viveu originalmente. Sua atitude no 'sonho' modificou o presente. Seria possível modificar episódios de sua vida?

— Será que os genes doentios do meu pai viram como herança para mim? — Yeri perguntou para si mesma. Aquilo tudo era uma loucura, mas precisava testar essa coisa de novo. E sabia muito bem qual evento pretendia alterar.

...

"Quero que ele me chame de filha"

Leu em voz alta e aquela sensação estranha apareceu de novo.

Volta no tempo on

Yeri foi transportada para sua antiga casa, estava em sua cozinha. Iria aproveitar que sua mãe estava ausente. Pegou a primeira faca que achou na gaveta e tentou ir até o porão para destruir a banana de dinamite, mas foi interrompida por Yoona.

— Filha, larga isso! — Ordenou. A garota parecia ter acordado de um encanto, olhou para sua mão que segurava o objetivo. — Por que está segurando isso? — Yoona questionou guardando a faca num lugar alto.

E tudo ficou escuro.

Volta no tempo off

Yeri acordou em sua cama no dormitório, sua roupa de cama tinha mancha de sangue. Novamente seu nariz sangrava.

A loira prontamente pegou seu notebook e pesquisou sobre o acidente em sua antiga província. E para sua decepção não havia conseguido impedir o acontecido. Mas Yeri não ia descansar, ela ganhou esse dom de voltar no tempo e iria utilizá-lo.

...

"O lado bom de ter amigos maior de idade é eles conseguirem droga mais fácil."

Volta no tempo on

— E ainda tem mais. — Wendy mostrou uma algumas garrafas de soju.

— Vocês estão com dinheiro hein. — Sooyoung comentou enquanto ajeitava sua mochila em seu ombro. Viu a quantidade de garrafas na bolsa que Irene carregava.

— Foi de graça. — Seulgi contou. As mais novas tinham expressão confusas no rosto.

— Irene e sua boca de veludo. — Wendy comentou maliciosa. Logo as outras entenderam como a mais velha conseguia tanta coisa grátis do atendente do mercado.

— Preciso falar com a Irene antes, podem ir entrando. — Yeri jogou a chave para Sooyoung.

— Aconteceu algo? — Irene questionou ajeitando a bolsa com soju no ombro. Se Yeri sumisse com a bebida as garotas não ficariam tão alteradas a ponto de fazerem besteiras.

— Eu não queria falar na frente das meninas, mas sua mãe telefonou para mim. Sua avó está bem doente. — Yeri mentiu.

— O-o quê?

— Ela me ligou agora pouco, pediu para você ir direto para Daegu.

— Avisa para as meninas que preciso ir. — Irene pediu afoita. — Toma. — E a mais velha entregou a bolsa com o soju antes de ir embora.

Yeri pegou a bolsa e jogou diretamente no lixo. Ela sentiu seu corpo fraquejar, possivelmente iria voltar para o futuro em poucos minutos. Yeri desceu as escadas do porão, avisou que Irene teve que partir e consigo as bebidas.

— Ela podia ter pelo menos deixado o soju com a gente. — Wendy reclamou.

— Eu estava querendo guardar para mais tarde, para tomar sozinha. — Sooyoung começou. — Mas já que a Irene meteu o pé, estou aqui para salvar vocês. — A mais alta abriu sua mochila revelando garrafas de soju.

Yeri não estava esperando por essa. Seria bem mais difícil impedir elas bêbadas de fazerem algo estupido, mas tinha que tentar. E diferente do que aconteceu da primeira vez, quem ficou de agarração foi Wendy e Sooyoung. Yeri ficava cada vez mais tensa, tinha grande chance do acidente acontecer de novo.

— Você está estranha. — Seulgi comentou ao analisar a menor.

— Não importa o que aconteça, vou estar com você. — Yeri declarou. Seus braços envolveram a mais velha num abraço. Seulgi retribuiu o carinho, mesmo achando um tanto estranha a atitude da outra.

Depois da bebida acabar encontraram a banana de dinamite e tiveram a ideia de testar.

"Eu tentei, porém não consegui impedir as meninas de explodir a caixa de correio da mulher"

Yeri conseguiu escrever no diário antes de apagar.

Volta no tempo off

A loira acordou novamente com o nariz sangrando, aquilo tornou-se basicamente a sua rotina após cada alteração no passado. Yeri retirou a blusa que vestia e pressionou em seu rosto para parar o sangramento. O quarto estava um pouco escuro, não dava para ver muito bem. Quando a jovem levantou para acender a luz do quarto se espantou. Aquele não era o seu quarto, totalmente diferente do quarto que estava com Saeron quando descobriu o seu "poder".

O sangramento havia parado, então Yeri retirou a blusa do rosto. Agora o tecido estava manchado com seu sangue. O clima frio fez a loira se arrepiar. Precisava achar outra blusa. Yeri andou até o armário e suspeitou da quantidade de roupa. Nessa realidade ela era rica? Dava para usar uma roupa diferente por todos os dias de três meses sem repetir nada. Deu de ombros, aquilo não era uma informação relevante. Vestiu uma blusa preta um pouco larga pois parecia bem confortável.

Seus olhos percorreram inteiramente pelo quarto pela primeira vez. O quadro de fotos na parede chamou sua atenção. Tinha diversas fotos dela e sua mãe, desde a infância até a fase adulta. Yoona e Yeri sempre tinham um enorme sorriso no rosto. A loira viu uma foto dela mesma estudando, a palavra arquitetura em letras garrafais na capa do livro. "Então nessa realidade estudo isso?" Ela pensou decepcionada. Jornalismo era tão mais interessante aos seus olhos.

Foi então que sua visão focou no lado oposto do quadro, este repleto de fotos dela e Seulgi. Fazendo diferentes poses, Yeri soltou uma risada ao ver as expressões hilárias que as duas fizeram. E uma foto em especial fez a loira perder o compasso da respiração. Seulgi e ela se beijando. Retirou a fotografia do pino e analisou de perto, não parecia edição. O quê? Elas namoravam?

Yeri escutou a porta do quarto abrindo, revelando Seulgi. A loira permaneceu parada onde estava. Se falasse algo talvez a mais velha notaria alguma diferença. Yeri ficou calada apenas encarando a outra.

— Olha, eu sei que prometi que não treinaria hoje. — O tom de voz de Seulgi carregava culpa. — Mas a apresentação é daqui a pouco, não posso fazer feio na formatura. — A mais alta tinha o cabelo amarrado em um rabo de cavalo, sua testa ainda brilhava por conta do suor.

— Tudo bem. — Yeri disse tentando amenizar a ansiedade da outra.

— Conversamos daqui a pouco, tudo bem? — A morena perguntou incerta. — Preciso de um banho. — Yeri apenas assentiu com a cabeça, vendo a outra ir em direção ao que parecia ser o banheiro.

Seulgi era cautelosa com as palavras, completamente diferente da mulher que encontrou na outra realidade. Tudo estava muito confuso na mente de Yeri. Não sabia se havia conseguido parar o acidente. Aparentemente sua vida e a de Seulgi estavam boa, mas e Irene, Wendy e Sooyoung?

A loira ligou o computador que estava na escrivaninha e buscou pelo nome das outras. Bae Joohyun, médica recém-formada que tinha ótimas referências em pesquisas. Son Seungwan, presa temporariamente enquanto aguarda julgamento por ser suspeita de ter assassinado o próprio pai. Park Sooyoung, presa por assassinar diversos jovens com antecedentes criminais.

Irene também vivia bem. O mesmo não podia ser afirmado quanto a vida de Wendy e Sooyoung. A loira ligou os pontos: Nesta realidade Wendy também sofria abusos do pai, e por apresentar o mesmo distúrbio, Sooyoung sofria pelo acidente da tal mãe e bebê.

"Então eu não consegui evitar a explosão" Yeri concluiu.

— Ei, vem para a cama. — A voz de Seulgi a despertou do transe. Yeri nem tinha percebido o momento em que a mais velha saiu do banheiro. — Está tarde.

E assim a loira fez. Yeri deitou ao lado de Seulgi, mas tinha a visão focada no teto do quarto. O corpo da menor estava tenso. O que as duas eram?

— Yerimie, não seja fria comigo. — Seulgi pediu, envolvendo o corpo alheio com um braço. — Você sabe que eu odeio quando dormimos brigadas. — A morena depositou um beijo na bochecha de Yeri, desceu seu rosto até o pescoço da loira. A respiração em seu pescoço fez Yeri sentir cócegas.

— Não estou brava com você. — Yeri contou.

— Sério?! — Ela conseguiu sentir o sorriso de Selgui em seu pescoço, não pode evitar de sorrir também. — Isso é bom. — A morena trouxe o corpo de Yeri para mais perto.

— Isso é muito bom. — A menor corrigiu e finalmente fitou a mulher ao seu lado. Seulgi levantou seu rosto para transmitir um olhar que fez a loira arrepiar-se. Desejo.

E então a morena uniu seus lábios, Yeri cedeu ao beijo logo em seguida. Céus, aquilo era quase inacreditável. Todo aquele medo do afeto que sentia por Seulgi se dissolvia. Todo o sentimento reprimido poderia ser finalmente demonstrado e Yeri não perderia esta oportunidade. Faria desta noite a melhor de sua vida.

A loira deixou um gemido escapar quando sentiu Seulgi apertar a sua coxa. Yeri segurou o rosto alheio com as mãos, como se fosse a coisa mais preciosa do mundo antes de aprofundar o beijo. A menor ajudou Seulgi a retirar a própria blusa, distribuiu beijos por toda extensão do ombro da morena e em seguida girou o corpo para ficar por cima da mulher. Atitude essa que surpreendeu Seulgi, porém ela não teve tempo nem fôlego para comentar, pois Yeri marcava cada parte da extensão de seu corpo.

Yeri ficava mais excitada a medida que explorava o corpo alheio. Seulgi a segurou pelos cabelos da nuca, direcionando a outra até sua intimidade. E Yeri colocou as pernas da mais alta sobre seus ombros e fez o seu trabalho com toda a vontade do mundo. Os murmuros e palavras sem conexão que Seulgi falava preencheram o quarto. Yeri soube que a companheira chegaria ao seu ápice em breve, pois Seulgi pressionava as coxas ao seu redor e apertava as roupas de cama. Então a onda de prazer percorreu o corpo da mais velha.

— Você é tão linda. — Yeri murmurou apaixonada, enquanto contornava o corpo alheio num toque carinhoso. Seulgi permanecia de olhos fechados, aproveitando cada segundo daquilo. — Eu te amo. — A menor beijou os lábios de Seulgi.

— Também te amo. — A mais velha respondeu depois da quebra do contato.

— Quero ficar com você para sempre. — Yeri revelou.

— Não importa o que aconteça, vou estar com você. — Seulgi reproduziu as palavras da menor, a beijando em seguida. O carinho inocente transformou-se num contato urgente.

Seria uma longa noite.

...

Yeri entrou em seu dormitório e encontrou Seulgi vendo alguns álbuns de fotos. A maior parte das fotos era dela com a irmã.

— Sente falta dela, não é? — A loira referiu-se a Wendy.

— A cada dia mais. Me senti tão cega quando não percebi pelo que ela passava. — O assunto era extremamente delicado. Seulgi segurava suas lágrimas. — Minha irmã sendo estuprada de baixo do meu nariz e eu não me toquei. Sou uma idiota, é tudo culpa minha.

— Seulgi... Não se culpe. Vocês foram as vítimas da mente diabólica do seu pai. — A loira afagou a companheira, tentando amenizar sua dor.

— Meu pai também foi responsável por matar inocentes?! — Seulgi quase gritou, o remorso tomou conta de seu coração. — Eu ainda lembro do momento que aquela dinamite explodiu. — Revelou. — Por que fizemos aquilo? — As lágrimas saiam livremente pelo rosto de ambas.

— Eu não sei. — Yeri respondeu. — Estávamos tão animadas em destruir aquela caixa de correio horrível que nem percebemos a gravidade da situação. — A loira continuou. — Fomos tão estúpidas.

— E covardes. — Seulgi referiu-se a decisão de manterem o envolvimentos em segredo. — Eu queria ter coragem para assumir o que fiz, mas não consigo. — Falava com dificuldade por conta do choro descontrolado. A ansiedade era perceptível em seu olhar, em sua voz. — Eu não quero ir para a cadeia Yeri. Eu não quero.

A loira também desmoronava, porém de forma silêncio. Yeri identificou-se com as palavras da mais velha. Era igualmente covarde, ansiosa e sentia culpa. Esta realidade inicialmente parecia ser boa para todas, entretanto muita coisa continuava errada.

— Eu posso resolver isso. — Yeri murmurou enquanto consolava a maior.

Hoje seria a formatura de Seulgi e a mais nova desejava estar presente. Afinal de contas os diários não sairiam do local, Yeri os tinha. No momento a loira apenas queria viver como se fosse uma pessoa normal. Pelo menos por algumas horas.

— Vamos nos preparar para a sua formatura. — Yeri comandou, secando suas próprias lágrimas. Ela tinha que ser forte.

— Até me esqueci que era hoje... — Seulgi disse baixo. A loira passou as mãos delicadamente pelo rosto alheio, limpando os rastros das lágrimas.

— Chega de choro. — A mais velha concordou, mas permanecia com a expressão triste. — Cadê o meu sorriso? — Yeri fez uma voz engraçada, a mais velha sorriu. — Agora sim. — Disse satisfeita também sorrindo.

...

O som de música era audível mesmo distante do ginásio onde os formandos se concentravam para a colação de grau. Seulgi e Yeri caminhavam em direção ao local, mas em passos lentos pois não paravam de rir. Estavam andando de salto no paralelepípedo, a todo momento perdiam o equilíbrio.

— Você tá parecendo um caranguejo. — Yeri falou entre risadas. A mais velha tinha os pés mais distantes que o normal, evitando pisar entre as valas do paralelepípedo.

— Ando assim ou vou cair. — Seulgi deu de ombros.

— Vou fingir que não te conheço.

— Será que a minha namorada está com vergonha de mim? — A maior questionou a outra no tom de brincadeira, a resposta era óbvia, Yeri estava vermelha.

— Não tenha dúvidas disso. — Foi a vez de Seulgi rir, adorava deixar a menor sem jeito. O caminho estava deserto, a maior parte dos convidados já estavam na festa.

— Uma pena, ouvi dizer que o caranguejo beija muito bem. — A loira conteve um grito ao gargalhar.

— Sério, Seulgi? Você é péssima em flertar.

— Eu vou indo, não estou aqui para você me zoar. — Seulgi deu meia volta e ia seguir sozinha para o ginásio.

— Desculpa se você ficou chateada. — Yeri contornou o corpo alheio com os braços. — Mas você não pode negar que foi horrível. — Completou com um sorriso sapeca, Seulgi deu um tapa em seu ombro.

— Por que eu gosto de você hein?

— Porque eu sou incrível. — Yeri a deu um selinho. — Linda, inteligente, engraçada... — Seulgi a calou com um beijo rápido.

— Já entendi, sua lista é extensa. — A mais alta disse em tom brincalhão. Yeri não falhava em fazê-la sorrir. — Mas temos que ir, uma festa está nos esperando.

As duas continuaram andando até o ginásio conversando normalmente. Yeri sentiu-se sendo observada, mas ignorou num primeiro momento. Seulgi interrompeu sua própria fala e olhou para trás, ficando estática em seu lugar. Wendy estava lá. O corpo de Yeri ficou tenso quando viu o objeto que a menor carregava consigo: um taco de baseball. A personalidade instável de Wendy fazia dela um perigo em potencial.

— Pensei que não iam me perceber aqui. — A castanha desdenhou, batendo o taco no chão de forma ritmada.

— Há quanto tempo...? — Seulgi não completou a frase com receio.

— Isso importa? Você nem esteve presente durante o tempo que passei naquele inferno. — Wendy esbravejou, levantando um pouco o taco do chão.

— Eu me importo com você. — As palavras só fizeram a castanha rir de forma sarcástica. Seulgi queria se aproximar de sua irmã, entretanto Yeri impediu pois temia o que Wendy poderia fazer.

— Acho melhor vocês conversarem em outro momento, com mais calma. — Yeri opinou.

— Vá em frente, me ignore mais uma vez. — Wendy disse friamente.

— Wan, não haja desse jeito, por favor. — Seulgi suplicou dando um passo para frente, Yeri fez o mesmo, se impondo na frente da mais alta.

— Está com medo de mim, Yeri? — Wendy perguntou com um sorriso de canto. A mais nova ficou em silêncio. — Você não parecia com medo quando teve a ideia de assassinar aquela mulher e seu filho.

— Eu não tinha a intenção de fazer aquilo! — Yeri exclamou estressada com a distorção dos fatos.

— Eu deveria ter impedido a Seulgi de se envolver com você. Você estraga tudo em que toca.

— Wendy... — Seulgi foi interrompida pela irmã.

— Vai ver é de família. — A castanha começou. — Ouvi muitas histórias sobre seu pai. — Wendy tocou na ferida da mais nova. — O maníaco...

— Cale a boca. — Yeri disse entre dentes.

— O maníaco que tentou enforcar a própria mulher que estava grávida. — Seulgi segurou a mão trêmula da namorada. — Eu queria que ele tivesse conseguido concluir o trabalho. — Wendy cuspiu as palavras. — Assim você morreria...

— Cala a porra da boca!

— Morreria juntinho com a sua mãe. — Seulgi não teve nem tempo de segurar a mais nova.

Yeri avançou na castanha desferindo um tapa em seu rosto. Wendy não se afetou com a agressão, tanto que correspondeu com um soco na face da mais nova. Foi neste momento que Yeri perdeu a cabeça. Se uma luta era o que Wendy queria, era uma luta que iria ter.

— Parem com isso agora! — Seulgi gritou. Wendy não conseguiu desviar do soco de Yeri.

— Até que você é boa. — A castanha comentou sorrindo depois de cuspir o sangue acumulado em sua boca.

Wendy desferiu uma joelhada no abdômen alheio, fazendo Yeri perder o ar momentaneamente. Yeri caiu no chão após receber outro soco no rosto. Seulgi tentou retirar Wendy de cima da mais nova, porém foi empurrada para longe.

Vendo que era inútil tentar separá-las sozinha Seulgi foi o mais rápido que conseguiu para pedir ajuda aos seguranças da festa.

Yeri conseguiu inverter as posições e socou a castanha. O taco de baseball estava a poucos centímetros de Wendy que conseguia tocá-lo com a ponta dos dedos. A menor se moveu um pouco para a direita e conseguiu pegar segurar o taco. Yeri visualizou ódio nos olhos de Wendy. Foi tudo planejado, Wendy veio para matá-la. Num pico de adrenalina Yeri pegou o taco de baseball da mão de Wendy e a bateu.

— Saia de cima dela! — Uma voz masculina se fez presente.

Yeri encarou Wendy sob si. De olhos fechados. As linhas de sangue faziam contorno em sua face. Wendy não se movia. Wendy não respirava. Wendy estava morta.

— Meu Deus, o que eu fiz?! — Yeri despertou do seu ataque de ira, soltou o objetivo que estava em sua mão.

— Saia de cima dela! — O segurança repetiu.

E Yeri o obedeceu, suas pernas estavam tão bambas a ponto de cair ao lado do corpo de Wendy. A mais nova desabou em choro. Yeri levantou o rosto e seus olhos encontraram um olhar mais perdido que o seu. A realidade parecia distante, mesmo estando metros a frente de Seulgi. Wendy era sua única família.

Agora Seulgi estava completamente sozinha.

...

— Por que estou aqui? — Saeron questionou.

Yeri estava do outro lado o vidro blindado, se comunicavam através de telefones que gravavam a conversa.

— Eu preciso de você. — Yeri disse, a outra jovem aguardou ela continuar. — Preciso recuperar meus diários antigos.

— Mas qual o sentido? — Saeron franziu o cenho.

— É importante para mim. — Se Yeri explicasse o real motivo a amiga acharia que ela estava louca. — É muito importante. — Reforçou.

— Onde eles estão? — Saeron deu-se por vencida. Logo Yeri explicou a localização da caixa que guardava os diários.

— Por favor, consiga o mais rápido possível. — Yeri pediu antes de escutar a sirene que encerrava o período de visita.

...

Hora do almoço. A pior hora para uma novata na prisão. Yeri não sentia fome, ficou sentada num assento afastado. Mas as detentas tinham os olhos nela, afinal o que uma garota daquelas estava fazendo na cadeia?

— Brigou com quem roubou seu patinete? — Uma detenta com aparência de trinta e poucos anos debochou.

Yeri permanecia calada, olhando para as próprias mãos. Que Saeron consiga os diários logo, ela pensou.

— Estou falando com você, gracinha. — A mulher levantou de forma bruta o rosto alheio. — Fizeram um estrago. — Ela analisou as manchas coloridas no rosto da jovem que variavam do verde ao roxo.

— Deixa a garota em paz, Min. — A vigia ordenou.

— Tudo bem, estou saindo. — A mulher falou antes de se retirar.

— Então essa que é a novata? — Sooyoung perguntou para Min, apontando com a cabeça para Yeri.

— A própria. Mas ela não é muito de falar.

— Essas são as mais divertidas. — Sooyoung comentou rumando até a mesa da novata. — Yeri?! — a mais alta surpreendeu-se em ver a antiga amiga ali, e pior, naquele estado.

— Sooyoung? — A loira também estava surpresa, não sabia que ela estaria neste presídio.

— Joy. — Corrigiu. — Aqui eu sou conhecida como Joy... Por que está aqui? — Foi direto ao ponto. Yeri não respondeu o questionamento. — Ah não importa, vou ficar sabendo de qualquer maneira. — Sooyoung era alguém respeitada no local, tinha diversas aliadas.

— Foi uma briga. — Yeri omitiu parte dos fatos.

— Então logo você estará livre. — A mais alta agiu como se não tivesse estranhado a informação. Se fosse apenas uma briga Yeri não estaria naquele presídio, iria para um com detentas menos perigosas. Mas permaneceu no jogo da mais nova, para ver onde iria acabar. — A Wendy saiu tem umas semanas. Ela deve estar aproveitando a liberdade.

Sooyoung ainda não sabia sobre Wendy. Yeri se retraiu em seu assento, porém não daria a notícia naquele momento. Precisava preparar a outra antes, e principalmente saber como era o comportamento de Sooyoung nesta realidade. Bom, ela assassinar diversas pessoas já dava uma bela base para Yeri. Sooyoung era tão perigosa quanto Wendy. Na realidade mais perigosa por ser bem mais forte fisicamente.

— Para suas celas. — A vigia ordenou quando ouviu o sinal de término de almoço.

...

Yeri dividia a cela com mais três detentas, para seu azar Min, a detenta do almoço, estava lá.

— Você é gostosinha, a Joy tem bom gosto. — Min comentou. Yeri a ignorou. — Ela gosta das baixinhas. — Deu risadas.

— Pensei que Joy esperaria mais um tempo. — A outra detenta disse.

— Não deixe a Wendy saber que você está com ela. — Min alertou.

Wendy e Sooyoung tinham um caso. Yeri rezou para todos os deuses existentes para Saeron conseguir os diários antes da mulher alta descobrir a verdade.

...

— Ei, Kim. — A carcereira chamou a jovem. — Presentinho para você. — Mostrou a caixa. Yeri prontamente levantou da cama recebendo o objeto.

Era horário do café da manhã, as celas estavam abertas e praticamente vazias pois grande parte das detentas estava tomando banho de sol.

Min retornou para sua cela encontrando Yeri folheando os diários. A mulher pegou um deles sem que a outra percebesse a sua presença.

— Oh que bonitinho, ela tem diários. — O jeito debochado de Min estava tirando a menor de sério.

— Devolve.

— Ela fala! — Exclamou fingindo estar surpresa, era a primeira vez que escutava a voz de Yeri.

— É sério. — A jovem se levantou, Min tinha em mãos o diário que Yeri queria.

— A gatinha tem garras. — A mulher continuou a provocação. Yeri tentou pegar o livro de sua mão, mas Min estendeu o braço.

— Eu preciso do diário, por favor, me devolva.

— Irei fazer isso porque você pediu educadamente. — Porém antes de devolver Min torceu o objeto em mãos, rasgando o diário. — Ops. — Fingiu novamente uma reação quando na verdade tirava sarro de Yeri. Min deu-se por satisfeita saindo da cela.

— Desgraçada. — Yeri disse entre dentes.

A página que ela precisava estava rasgada e amassada. Que isso funcione, ela desejou juntando os dois pedaços da página.

"Hoje irei visitar Kim Heechul, espero que ele me deixe chamá-lo de pai"

Volta no tempo on

— Como eu paro com isso? — Yeri perguntou para Heechul. — Toda vez que eu tento alterar algo dá errado.

— Ela também consegue mudar o passado... — O homem murmurou culpado. — Você deve sumir. — Heechul disse num tom audível.

— Sair da vida das pessoas? — A criança questionou. — Nisso Yeri sentiu o ar faltar pois seu pai mantinha as mãos em seu pescoço.

— Você precisa morrer! Morrer! — Heechul gritou antes de ser retirado de cima da garota pelo segurança.

Volta no tempo off

Yeri despertou na cela da prisão. A jovem nem ao menos limpou seu sangramento nasal, procurou entre os diários o específico. Uma lágrima teimosa escapou dos olhos de Yeri. Ela tinha que fazer. Lidaria com a dor da perda depois.

— Eu vou pegar ela! — Yeri escutou uma voz bem familiar. Era Sooyoung, sua voz carregada de ira.

Ela descobriu. Sooyoung descobriu que Yeri matou Wendy, era questão de tempo para a mulher fazê-la pagar por isso. Yeri procurou o diário com mais pressa, porque a voz estava se aproximando.

— Joy! Se controla! — Min seguia a outra tentando entender o que acontecia, nunca havia visto Sooyoung com tanta raiva.

— Droga! Cadê? — Yeri sussurrou, suas mãos estavam trêmulas. Min posicionou-se em frente de sua cela, impedindo Sooyoung de entrar.

— Te achei. — Sooyoung disse com um olhar assustador. — Saia da minha frente. — Ela falou com Min. E Yeri continuava a sua busca pelo tal diário.

Sooyoung deu um soco forte em Min a empurrou para longe da cela. Yeri ouviu quando a cela abriu, sua tensão aumentou. E finalmente encontrou a bendita página. Yeri tentou focar nas letras a sua frente mesmo com o som dos passos de Sooyoung cada vem mais altos. E avistou o punho da mais alta em sua visão periférica.

"Por que as pessoas dessa província são tão chatas?"

Volta no tempo on

Yeri observou pela janela de seu quarto uma garota olhando o terreno a venda localizado na frente do seu. Seulgi. A garota desceu as escadas de sua casa, abriu a porta da entrada e seguiu até a pequena morena.

— Olá. — Yeri disse chamando atenção da outra. — Meu nome é Yeri.

— Oi. — Ela sorriu envergonhada.— O meu é Seulgi.

— Está sozinha? — Yeri questionou, seguindo o rumo da conversa original.

— Aqui sim, minha família está próxima daqui. Procurando uma casa para comprar... — Seulgi disse. — E eu estou procurando por conta própria. Parece que achei uma. — Apontou para a residência a sua frente com uma placa de "vende-se" e sorriu novamente.

— Sinto lhe informar, mas essa casa já está ocupada.

— Mas e esta placa? — Referiu-se ao anúncio de venda.

— O proprietário ainda não retirou, ele comprou a casa ontem e está em mudança. — Yeri mentiu.

— Oh, que pena. — Seulgi havia acreditado. — É uma casa muito bonita. — A mais nova apenas assentiu com a cabeça, não prolongando a conversa. — Agora tenho que ir. Obrigada pela informação.

E então Seulgi se afastou. Ela não se mudaria para lá. Ela não conheceria Yeri. Ela não apresentaria Irene, Sooyoung e Wendy. Ela não viveria uma montanha russa de emoções com Yeri que variavam do mais puro amor até o mais profundo pânico.

Volta no tempo off

Yeri despertou no quarto de outra casa, com 20 anos idade. A jovem loira limpou o sangue que saiam de seu nariz como se não fosse nada, estava habituada a aquilo. Mas esta seria a última vez.

Depois de alguns minutos de procura Yeri encontrou a caixa que continha seus diários. Ela vestiu roupas simples e desceu as escadas da casa. Caminhou até a cozinha para pegar fósforos.

Yeri posicionou os diários num latão de metal, jogou um pouco de álcool sobre o papel. Respirou fundo antes de riscar o fósforo.

— Foi legal conhecer vocês. — Yeri referiu-se às amigas. Sentiu as lágrimas virem, afinal de contas, Yeri odiava despedidas.

Então ascendeu o fósforo e o jogou no meio dos papéis. Yeri observou o fogo queimando a sua história, sua visão ficou turva por conta das lágrimas.

A partir dali Yeri viveria o presente sem interferir no passado.


Notas Finais


Conseguiram chegar até aqui? Espero que sim rsrsrs.

Há muito tempo eu queria fazer uma YermSeul, agora estou meio que realizando isso (caso não tenham percebido eu adoro um casal flop, quer dizer, incompreedido).

Gostaram? Não? Ficou bom? Uma merda? Matem minha curiosidade com suas opiniões nos comentários, pfvrzinho.


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