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História Reza a Lenda - Taekook - Capítulo 7


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Notas do Autor


Sim, eu postei antes de quarta pq preciso de espaço.

Boa leitura, amores!

Capítulo 7 - Que Pesou Sua Consciência


Fanfic / Fanfiction Reza a Lenda - Taekook - Capítulo 7 - Que Pesou Sua Consciência

Lá estava ele. O deus do submundo. Ele era magro, porém definido, e tinha uma barbixa grande, onde seus dedos brincavam.

Taehyung sentiu seu coração disparar, sua bexiga dilatar, seus joelhos falharem, e até a sua voz o deixou na mão. Não era todo dia que encontra-se alguém nessa situação. Ou talvez seja e ele não saiba.

-- Você me traz muita diversão, Jeon - disse Hades, sorrindo sozinho - Qual seu nome, mortal?

-- É... É... - gaguejou, tentando voltar a respirar - K-Kim Taehyung...

-- Kim Taehyung, hum? - Hades o analisou - Não precisa ter medo de mim, Taehyung. Quando se teme a morte, você não teme a ela, e sim a você mesmo.

Que frase, não? Isso só fez Taehyung travar mais. Hades riu e se virou, igualmente o seu cachorro.

-- Vamos, Kim, vamos logo com isso.


[...]


O lugar era fechado. Feito com algum material vermelho, e havia algo no canto, como uma polia. Ao meio, uma balança, não muito grande, que parecia antiga.

-- Me dê o frasco - pediu Hades. Taehyung obedeceu, trêmulo, e ele o pegou - Sabe com o que vou pesar não é?

-- Uma pena de avestruz? - perguntou, sentindo que estava começando a suar, e tirou o seu blazer do uniforme.

-- Sim, Taehyung, uma, e apenas uma, pena - Hades colocou a pena na balança. Cada segundo era tão torturante quanto ser queimado vivo - Sabe o que acontece se sua consciência pesar mais que a pena?

-- Vou ter um castigo divino? - Hades riu, como se fosse uma piada não tão engraçada.

-- Mais ou menos, humaninho, mais ou menos - Hades segurou o outro prato da balança, começou a despejar o líquido branco prateado - Eu que vou punir você... E saiba que eu não tenho misericórdia dos pecadores.

Taehyung engoliu em seco quando o líquido acabou de ser despejado. Ele ainda não tinha soltado a balança, ele ainda não sabia qual seria mais pesado. Droga, estava nervoso demais.

-- Mas, Taehyung, eu não sou tão ruim quanto dizem, não é Jungkook? - ainda segurando o prato da balança, Hades puxou Jungkook para o seu lado, que tinha o rosto um pouco contorcido - Vou te dar uma chance.

-- Como? - Taehyung o olhou surpreso. Não esperava por uma... "chance"?

-- Se a sua consciência pesar mais, terei o prazer de puní-lo, se pesar menos, terá um dom divino, e Jungkook recuperara sua voz - ainda segurava o prato, balançando-o de leve como provocação - Mas devo lhe informar que isso nunca aconteceu.

Taehyung ficou um pouco surpreso. Entre abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada. "Isso nunca aconteceu"... Quer dizer que outros já haviam chegado até ali também?

-- Para que você não diga que sou ruim, e não sou - Continuou - Te darei a oportunidade de desistir.

-- Desistir?...

Olhou para Jungkook, que não conseguiu sustentar o olhar por dois segundos. Desistir? Depois de tudo que passou para chegar até ali?... Mas e se desse errado? E se a consciência pesasse mais? Isso não dependia mais dele.

-- Como assim desistir? - perguntou, agora olhando para Hades.

-- Jungkook voltará para a sua caverna, emitindo os ecos como faz há anos, e você voltará para casa - sorriu - Voltará meio minuto antes de cair no buraco, e não se lembrará de nada que aconteceu aqui. Poderá viver sua vida como sempre viveu, sem nenhum peso na consciência.

-- Como é? - aquilo, para Taehyung, soava como um absurdo. A ideia de simplesmente esquecer tudo era tão horrível quanto ser morto por Cérbero - Não! Não vou desistir!

Jungkook o olhou surpreso, arregalando mais os olhos já grandes. E Hades sorriu ladino. Soltou Jungkook, que foi para o lado de Taehyung, sem encostá-lo.

-- Muito bem... - disse - Você é corajoso... Posso soltar então?

Taehyung engoliu seco e olhou o pratinho. Aquela era a sua única esperança de que desse certo. Segurou o frasco, era leve, mas não sabia se mais leve do que a pena de um avestruz. Tinha 50% de chance de fracassar, assim como 50% de chance de conseguir. Respirou fundo, pensando que o que tivesse que ser, seria.

-- Pode.

Hades riu baixo e soltou o prato, o impulsionando para baixo. Apenas um modo de tortura psicológica. O prato desceu e subiu, como uma gangorra de um parquinho infantil. A respiração de Taehyung ficava mais pesada à medida que o gangorrar ia ficando mais devagar, revelando aos poucos o resultado.

A sensação de que não iria acordar, de que aquilo não era um sonho, bateu nele de forma estranha. A balança se equilibrando aos poucos... Ou melhor, se desequilibrando.

E desequilibrou para o lado mais pesado.

A vontade de chorar venho tão de repente, que foi impossível segurar. Se ajoelhou no chão, soluçando, a mão sobre o peito, agradecendo a quem quisesse escutar.

Sua consciência pesava menos.

Ouviu Jungkook cair ao seu lado também, ofegando. E foi aí que realmente se lembrou. Cada momento que passara. A fichinha do almoço caindo, o buraco, quando viu Jungkook pela primeira vez, os caminhos que fizeram sua perna doer, os caminhos de fome e sede, de sangue e suor, e agora eram lágrimas, e lágrimas de felicidade, pois nada daquilo foi em vão. Nenhuma de suas cicatrizes, nenhuma gota de sangue, nenhuma gota salgada de suor, nenhum calafrio, nem um pensamento, nem uma palavra, nada disso foi em vão, nada, tudo valeu a pena.

-- Pronto, Taehyung, já acabou - o olhar embaçado de Taehyung se direcionou para ele - Escolhe um deus para...

Hades se cortou, e olhou para um colar que usava. Resmungou um "merda", e Taehyung ficou preocupado com o que aquilo queria dizer.

-- É... Vocês vão ter que esperar um pouco...

-- Como? - Taehyung se levantou. Não era possível, tudo aquilo para terem que esperar? Olhou para Jungkook, mas ele também pareceu não entender.

-- Calma, não é nada demais - disse Hades, como se lesse o pensamento de Taehyung - É só a festa de dionísio.

Jungkook suspirou, parecendo relaxar, e se levantou. Taehyung ainda não entendia. Por que uma festa impediria-os de partir?

-- Não sabe como funciona, não é? - perguntou Hades, parecendo ler, novamente, a mente de Taehyung - Nenhum deus pode cuidar de assuntos mortais durante a festa.

-- Ah... Tudo bem - ele não sabia se realmente estava tudo bem - E... O que fazemos agora?

-- Eu não fasso ideia - bufou Hades e tomou Jungkook pela mão - Nunca ocorreu algo assim. Se fosse uma festa normal eu falaria para você esperar aqui.

-- E o que tem de diferente? - Hades começou a andar, e Taehyung foi atrás dele, entre o mesmo e Jungkook.

-- Dura cinco dias - Taehyung arregalou os olhos - Não posso deixar um humano vivo cinco dias seguidos no meu mundo, com certeza você morreria.

-- Então eu vou para a festa? - Taehyung realmente não esperava a assentida que Hades deu - Mas...

-- Cala a boca e entra - Hades o colocou na espécie de polia. Era como um elevador, só que feito por homens da caverna - Jungkook te encontra lá em cima.

-- Ah... Ta bom - ele começou a girar a manevela, fazendo o humano começar a subir - Espera! Para onde eu vou quando chegar?

O deus provavelmente não o ouviu. Logo ele estava em uma altura que não conseguia vê-los mais.


[...]


Taehyung estava havia um bom tempo sentado naquele tipo de elevador. Passava por lugares abertos e fechados, sempre para cima. Era muito devagar.

Seu olhar estava perdido em um ponto invisível. Tudo daria certo agora, era para ele estar feliz. Mas algo o impedia de se animar, como se estivesse se esquecendo de alguma coisa.

Então se lembrou. Olhou para a mochila, aquele objeto inanimado que parecia querer zoar com a sua cara. Abriu ela, e tirou de lá o frasquinho com líquido azul prateado.

Taehyung abaixou e levantou a mão que segurava o frasquinho, percebendo que estava muito mais pesado, e bufou frustrado. Droga, ele não queria aquilo, queria jogar aquilo fora, para que nunca mais o visse.

Olhou para frente, onde podia-se ver um lugar aberto, dando para ver uma boa parte do submundo. Apertou o tubo com mais força e tomou impulso com o braço para trás. A intensão era arremessar longe o frasco, mas não o fez. Não conseguia, como se sua consciência, seu grilo falante, segurasse o seu braço.

-- Merda! - gritou para a imensidão, sem ouvir o eco de resposta.

Começou a chorar. Queria tanto acabar com aquilo, pois não queria ir e deixar o seu amor aqui.

Não o chame assim, pensou, ele não é o seu amor.

Fungou e olhou para frente, sentindo alguns fios de cabelo colarem em seu rosto molhado. Teria que pedir ajuda para um deus. Por que não existia um deus que tirasse o amor dele? Para quem poderia pedir um dom que o ajudasse?

Quando menos esperava, o pseudo elevador parou. Se apressou em guardar o frasquinho e se levantar.

-- Ah! Ele chegou!

Taehyung viu um homem forte e grande ir em sua direção. Estava em um lugar espaçoso, iluminado e redondo. Olhou em volta e viu rostos já conhecidos.

-- Veja só! Ele conseguiu! - Apolo foi até ele com um sorriso no rosto, e lhe deu fortes tapas amigáveis nas costas.

-- Quem diria? - admirou-se Hermes, o olhando de cima a baixo.

-- Você foi muito corajoso - sorriu Afrodite para ele.

-- Ele é um humano inteligente mesmo - aquela mulher Taehyung não havia visto pessoalmente, mas com certeza era Hera. Ela parecia bem mais gentil do que diziam, talvez ela seja implusiva - Preciso admitir.

-- Que bom que chegou a tempo de comemorar conosco - disse o homem - Ainda não nos vimos, eu sou Zeus.

Taehyung se assustou. Estava ao lado do rei dos deuses. Zeus riu de sua expressão, igual outros lá também.

-- Calma, eu também sei me divertir - riu e apontou para sua mulher - Minha esposa, Hera, e ali tem o Dionísio.

O deus da farra estava ainda mais estravagante que Apolo, e bebia uma garrafa de vinho. Levantou-se e foi até o adolescente.

-- Que bom que venho - disse animado - Quer uma garrafa de vinho?

-- Ah, não! Eu...

-- Deixa para festa, Dionísio - riu Zeus - Quer embebedar o garoto logo de cara?

Taehyung ia falar que não bebe, mas deixou para lá. Foi quando se lembrou de uma passagem importante da história sobre Jungkook.

-- Ei, eu trouxe as gotas - disse e abriu o estojo, onde tinha todas as gotas que tinha conseguido no caminho.

Zeus as pegou e as analisou, tendo todos os deuses prestando atenção nele.

-- Ah... Pode ficar, Hera - disse, e deu as gotas para a deusa. Ela pareceu ficar feliz, e começou a abrir uma por uma - Ei, acho que você estava acompanhado de alguém, não é?

-- Ah... Sim, Jungkook - disse, tentando não deixar seu cérebro lhe trair.

Zeus sorriu, igual todos os outros deuses, que acabaram com a euforia. Taehyung não entendeu muito bem, até Zeus continuar falando.

-- Ele está à sua espera - disse sorrindo, fazendo Taehyung cerrar o cenho.

-- Taehyung...

Se assustou com a voz vinda de trás dele, e se virou. Lá estava ele, era Jungkook.

Naquele momento, era como se qualquer barulho sumisse, e apenas Jungkook existisse. Ele, agora com as veste em vermelho vivo, um sorriso encantador, os olhos de meia lua curvado com o sorriso. Estava falando.

-- Jungkook - Taehyung se aproximou, com lágrimas nos olhos - Você está falando...

-- Sim - ele sorriu mais, e Taehyung deixou as lágrimas caírem pelo seu rosto - Eu to falando!

Jungkook também começou a chorar. Depois de tantos anos sem poder expressar suas próprias ideias, finalmente conseguia falar. E Taehyung se sentia tão feliz por ele, que podia ouvir seu coração bater.


[...]


Era noite, e a festa havia começado. Uma música alegre e dançante tocando, enquanto vários dançavam. Alguns bebiam, e outros conversavam. E Taehyung estava acompanhando Zeus.

-- Você vai dormir aqui - disse Zeus, abrindo a porta de palha de um tipo de cabana.

-- Obrigado - sorriu fechado e se sentou na cama - É bem confortável.

-- Aqui - ele lhe deu um montoado de roupas, parecidas com a que eles usam, brancas - Essa sua vestimenta está em péssimo estado.

Era verdade. O uniforme escolar estava rasgado, sujo, desfiando, e com um cheiro ruim. Curvou-se e pegou as roupas da mão de Zeus.

-- Tem uma banheira e óleos aqui, acha que consegue se virar sozinho?

-- Consigo, obrigado.

Ambos sorriram, e Zeus saiu da cabana, fechando a porta de palha. O cheiro de natureza animava Taehyung. A festa acontecia dentro e fora do Olímpo, e era do lado de fora em que iria dormir, como alguns outros convidados.

Após o banho se sentiu outra pessoa. Seu cheiro estava devidamente melhor, e pôde sair tranquilamente de sua cabana emprestada. Levava o frasquinho com líquido azul dentro de um tipo de bolso em suas vestes, pois tinha planos com ele.

Saiu andando entre os dançantes, procurando Jungkook com os olhos. Finalmente o achou.

Estava com mais alguns garotos, dançando como tantos outros. Ele estava tão feliz, tão sorridente, dançando em uma perfeita sincronia com os seus amigos.

Ele era tão lindo...

Não demorou muito - ou, pelo menos, não pareceu demorar - e Jungkook foi até Taehyung, rindo como uma criança.

-- Tae, eu nem acredito que eu to aqui!

Ele falou mais, e Taehyung gostaria de escutar o que ele dizia, mas só conseguiu prestar atenção no "Tae". Como havia saído naturalmente de seus lábios, como se sempre o chamara assim.

-- Estou feliz por você, Jungkook - sorriu Taehyung, um pouco apaixonado demais, mas ele nem percebeu isso na hora. Jungkook respondeu com um sorriso e logo continuou:

-- Quero te apresentar um amigo meu.

Puxou Taehyung para a roda de dançantes, e cutucou um garoto de cabelos verdes, que vestia uma roupa amarela.

-- Oi, Jeon - disse o garoto.

-- Oi - ele sorriu - Esse é o Taehyung. Taehyung, esse é o Yoongi. Ele é meu melhor amigo.

Taehyung se curvou para Yoongi, disfarçando a careta que fizera. Não pôde evitar o ciúmes quando ouviu aquilo, e se sentiu ridículo. Primeiro porque Jungkook devia conhecer Yoongi desde a infância, e segundo, porque se Jungkook tivesse dito que o Taehyung era o melhor amigo dele, ele se sentiria pior.

-- Prazer - disse o mais alto, recebendo um sorriso.

-- O prazer é todo meu - se curvou também - Não sabe o quão feliz deixou Jungkook, ele...

-- Shii - pediu Jungkook, e Yoongi segurou uma risada. Taehyung, claro, ficou extremamente curioso em saber do que se tratava - Vamos sair daqui, Tae, ele não gosta de mim.

Após a brincadeira, eles andaram para um outro lugar, um pouco mais calmo.

-- Se eu te perguntar, você responde normalmente? - perguntou Taehyung, colocando a mão na cintura para andar.

-- Se me convier - provocou e os dois riram.

-- Depois de vermos Poseidon, - iniciou Taehyung - você tinha sumido. O que aconteceu?

Jungkook olhou para frente, e respirou fundo. Aquilo era um bom ou mal sinal?

-- É que ele ficou comigo o Poseidon - disse, sem olhar para Taehyung - Ele disse que só poderia voltar se eu fosse um dom das musas.

-- O que? Como assim? - Taehyung o olhou confuso, e finalmente Jungkook o olhou.

-- Por exemplo: se eu for o motivo das suas rirasadas, iria aparecer quando Tália te deu o riso, entende? Caso eu não aparecesse, quer dizer que eu não significava muita coisa. Poseidon sabia que eu iria alguma hora, e acabou que eu fui...

-- Você estava pensativo - disse, se lembrando da noite em que ele apareceu na clareira - Tinha acontecido algo?

-- Não, nada - olhou o chão.

-- Não foi convincente.

-- Não aconteceu nada de anormal, ta bom? - o ninfo se virou novamente para o humano - Só que...

-- O que? - Taehyung parou em sua frente e cruzou os braços.

-- Nada! - riu Jungkook - Nada de ruim pelo menos... O que aconteceu é você que tem que descobrir, Tae, eu não posso fazer isso por você.

Taehyung o olhou por um tempo. Tinha apenas cinco dias para aproveitar sua compainha, antes que fosse em bora, e não queria perder seu tempo. Assentiu, decidindo pensar nisso depois.

Ele precisava aproveitar Jungkook.



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