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História Rhaella Targaryen - Capítulo 1


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Notas do Autor


Escrevi escutando essa música, chorei um cadinho e caso procurem a tradução ela não possui relação com a interação entre Aerys e Rhaella, mas sim o que ela representava para o Viserys e todo o apego que ele tinha pela mãe, como uma mensagem a Rhaella e certos momentos da canção também podem ser interpretados como uma mensagem dela para o filho.

Enfim está aqui o link caso desejem escutar enquanto lêem

https://youtu.be/F2jcxiAyARs

Capítulo 1 - Boa, Gentil e Quebrada


Fanfic / Fanfiction Rhaella Targaryen - Capítulo 1 - Boa, Gentil e Quebrada

 "A rainha que estava sempre atenta ao seu dever ".


Mais uma vez ali, sozinha, apenas um corpo quase sem vida deixado ali, a sombra minúscula e fraca do que um dia fora uma bela mulher, uma mulher bela e forte. Gostaria de dizer, queria ter forças para dizer que nada daquilo a incomodava, que já era tão dormente a tudo e a todos que não sentia quando ele se forçava para dentro de si, quando ele lhe erguia a mão e a descia com um punho tão pesado quanto a mais forte das armas, sob suas costas, costelas, não no rosto, pois todos veriam. Mas sentia a palma da mão dele queimar sua face onde antes encontrará com tanta força uma pele que já fora imaculada, uma mulher que ainda era viva.

Apertos nos braços, arranhões nas pernas, mordidas nos ombros e quanto mais ela gritava mais ele a machucava, como se o desse prazer. Será que ainda se lembrava que um dia ela foi sua irmã, sua querida irmã? Será que ainda se lembrava que ela era sua esposa? Que ainda sentia? E o quanto sentia, quanto daquela dor ainda teria de suportar daquele louco, sádico e cruel, daquele maldito. Se lembrava do primeiro bebê que perdeu, Aerys teve a mínima decência de confortá-la, mas aquela figura nunca coube a ele, a de um bom homem, a de um bom marido. Ele nunca seria, a julgou por traição depois de tantos abortos. Que direito ele tinha? Quando ela sempre foi a traída. Jurou após a morte de Jaehaerys que se deitaria apenas com ela, mas Rhaella nunca pediu aquilo, que ele continuasse a se deitar com suas amantes e permanecesse longe de sua cama, mas ela nada disse pois era a rainha, era seu dever.

As lágrimas secaram em seu rosto marcando o caminho no qual correram. Se levantou da cama como podia, o vestido estava rasgado nas costas e ela quis chorar quando seu interior ardeu. "Tola, já devia ter se acostumado", persistia em dizer para si mesma, mas uma parte insistia que não havia justificativa para o que sofria. Era uma boa mãe, para Rhaegar e seu menino, Viserys ,era uma boa mulher, não podia merecer aquilo, onde estavam os deuses? Onde estava a Mãe? O pai? A donzela? Porque nenhum deles a viam.

Prometia a si mesma, todas as vezes que não choraria, que ficaria calada para não incita-lo, mas não podia, não conseguia ficar calada quando ele vinha pra cima de si com tanta violência, nunca foi capaz de para-lo, porque no fundo, todos e ela sabiam que era seu dever como esposa e rainha, servir ao rei. Passou a mão pelos longos cabelos prateados e abraçou o próprio corpo. Não queria sair dali, não queria que a vissem, todos já sabiam, não tinham como não saber, mas odiava aqueles olhares, odiava se olhar no espelho e não se reconhecer, odiava ver o reflexo de Aerys em cada marca no seu corpo.

Decidiu que não podia ficar ali para sempre, então se levantou da cama com dificuldade e caminhou em passos pesados até a penteadeira. Ainda se lembrava de como escovar seus cabelos sem alguém para ajudar. Não quis olhar por muito tempo seu rosto, os olhos vermelhos pelas lágrimas já eram suficiente.

Olhava as paredes do quarto com devota atenção, abandonou a escova em cima da penteadeira e pensou em voltar para a cama, as aias a ajudariam a se vestir no dia seguinte, mas prendeu a respiração quando viu Viserys parado na porta de seu quarto, o corredor estava vazio, sem guardas, nem nada.


- Como entrou aqui?- puxava as barras do vestido, tentando esconder as marcas e o enorme rasgo do tecido nas costas.

- Os guardas estão com o papai.- Viserys caminhou em sua direção e Rhaella recuou, se sentia vulnerável como nunca havia sentido, não queria que o filho a visse assim.

- E suas aias? Onde estão?- havia desespero em sua voz, mas Viserys era pequeno demais para notar.

- Dormindo...eu não consigo dormir - Rhaella segurou os ombros do garoto quando ele tentou abraçar suas pernas.

- Não olhe para mim, não olhe.- a voz da rainha soou firme, mas tão quebrada, viu os olhinhos lilases de seu menino se entristecerem com a dureza na voz dela, Rhaella não era assim, sempre foi amorosa e terna com os filhos.-Eu só preciso me trocar, meu querido, pode deixar a mamãe se trocar?- A mulher acariciou o rosto do filho com pouco mais de 3 anos e o garotinho confirmou, indo ate a sua cama e subindo nela.


Procurou em seu armário o tecido mais pesado e escuro que possuía, aquele que a cobria ao máximo e achou um vestido de veludo vinho e o vestiu apressadamente, ignorando a dor em seu corpo a cada movimento mais brusco. Sentiu as lágrimas a beira de seus olhos a cada momento revivido em sua mente pelas marcas de cada machucado, mas quando olhava para Viserys, esquecia de todas elas, ele já tinha um pai instável demais, não precisa de uma mãe igual. Era o único motivo para Rhaella ainda se fazer forte.

Caminhou até a cama e se deitou ao lado do filho mais novo. Não disse nada, ele também não disse, apenas a olhou com aqueles grandes olhos infantis, parecia ler ela em todos os seus pormenores, parecia ver a mãe além do que ela mesma via. Rhaella sentia o peso daqueles olhos sob si, e os fechou com força quando os dedinhos tão pequenos tocaram seu rosto bem onde a mão dele estivera, quando o toque doce e amoroso do menino passou por onde as lágrimas dela desceram, ali, deitada de frente ao filho, descoberta de qualquer armadura, Rhaella não conteve a si própria, chorou em silêncio, e sorriu em meio às lágrimas quando Viserys, tão pequeno, beijou seus olhos, cada um, com extremo cuidado, ela agarrou a mão do filho que pousava em seu rosto e apertou os dedinhos entre os seus.


- Não chora mamãe. - Rhaella abriu os olhos para vê-lo e era a única coisa que ela precisava, seus filhos. Puxou o tronco de Viserys e o enrolou em seus braços, beijando os fios platinados e o apertando contra seu peito.

- Ó meu querido...

- Os machucados melhoram, a senhora vai ver, papai vai chamar o Meistre e ele vai cuidar de você, não precisa ficar triste, papai vai cuidar disso.- quis sorrir da ingenuidade de seu menino, como queria voltar a ser criança, quando a vida ainda tinha gosto.

- Obrigado querido, eu vou ficar bem, voce vai ver.- viu ele se afastar do seu aperto e olhar em seu rosto, sem muito zelo ele puxou os cantos de seus lábios, tentando fazer com que ela sorrisse e Rhaella segurou as mãos dele.

- Fica muito bonita quando sorri.- Rhaella sorriu, porque não se sentia bonita havia muito tempo, não importava o quanto ouvisse, não se achava mais bela e ouvir isso da boca de seu filho, pelos deuses, era tudo o que ela precisava.

- Irá cuidar de mim?- Rhaella escondeu toda a dor que sentiu quando Viserys se jogou por cima de seu tronco, não podia haver dor, não na frente de seu pequeno, era seu dever como mãe ser forte.

- Sim, para sempre.- Rhaella abraçou o pequeno tronco do filho. Os braços dele apertaram seus ombros bem onde Aerys havia tocado, mordido, arranhado e mais uma vez ela escondeu aquela dor.

- Ó meu gentil e doce garotinho.- ela beijou as bochechas de Viserys e acariciou os macios fios loiro platinados, olhando naqueles olhos lilases, tão semelhantes aos seus.- Promete que sempre será bom e gentil? Pode me prometer isso?- uma súplica disfarçada naquela voz doce da mãe. Eles se amavam tanto, era um amor imensurável aquele que ela sentia por seus dois filhos. Não queria que Viserys fosse igual ao pai, nunca, o protegerá da loucura de Aerys até o fim.

- Sim, eu prometo.- Viserys tentou voltar a se encostar nos braços da mãe, mas ela segurou o rosto dele.

- Eu amo você, tudo o que faço é para protegê-lo precisa saber disso Viserys, eu amo tanto você meu menino.- o garotinho sorriu em sua ingenuidade, não entendia o significado de todas as palavras ditas, não era capaz de compreender sobre o quê a mãe falava, mas a abraçou, aconchegado aos braços de Rhaella, que sempre o recebiam melhor do que nenhum colo jamais receberia, o gosto de lar e segurança que experimentava apenas ali, com sua mãe.

- Eu te amo, mamãe.

Mas ele nunca cumpriu a promessa que fez a ela.


"Viserys era filho de Aerys, o Louco, apenas isso." O pai que tanto fizera mal a mãe que tanto amou.

Em meio a Rebelião de Robert, cumprindo com os desejos do marido, ela foi enviada para Pedra do Dragão. Mesmo distante de Aerys, a rainha nuca pôde viver em paz, em luto pela morte do filho mais velho e assombrada pelo medo de perder Viserys e a criança em seu ventre para o Usurpador, Rhaella viveu seus últimos meses junto ao filho e faleceu no parto de sua única filha, levando parte de Viserys com ela e deixando a marca de sua ausência na vida de Daenerys.


"Quando eles venderam a coroa da mãe, a alegria o deixou, restando apenas raiva."



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